Sensação da Copa do Brasil vence no STJD, mas terá prejuízo

Naviraiense rumo a tóquio: a luta continua

O Naviraiense seguirá na Copa do Brasil. Depois de ter eliminado Portuguesa e Paysandu, pela frente, um campeão brasileiro, o Atlético. O sufoco nos tribunais, depois de um feito histórico ao tirar dois times de história maior no Brasil, é por si só um motivador para o jogo, agora sem a possibilidade de os confrontos serem em partida única. O time-sensação da Copa do Brasil até aqui festeja a vaga, mas terá que assumir um prejuízo financeiro.

Conversei há pouco com Dionédes Valentim Cerry, presidente do Naviraiense. Ele acabara de ter conhecimento da notícia de que venceu nos tribunais e não escondeu a euforia: “Vencemos! E por unanimidade do placar do STJD, 3 a 0!”. Dionédes aparentou ser uma pessoa de trato simples, mas com muita personalidade. Não deixou de esculhambar o Paysandu e provocar o próximo rival na Copa. “Sinceridade? Eu achava que o Paysandu era um time com mais tamanho no cenário nacional e que jamais ia querer ganhar no tapetão de um pequeninho como o Naviraiense. Mas levaram um 5 a 1 da gente: 0-1 pra eles aqui, 2-0 pra nós lá e 3 a 0 no tribunal.”

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Dionédes terá na verdade um prejuízo financeiro. Vice-campeão sul-matogrossense, o Naviraiense, de apenas 7 anos de fundaçào, tem uma folha mensal de R$ 100 mil. A previsão do clube era encerrar os trabalhos do ano em maio, já que o time não conseguiu vaga na Série D. Mas surpreendeu despachando Lusa e Papão. “Sim, claro que foi surpresa. Estamos correndo por fora como azarões. Mas olha, é que a gente tava causando surpresa pro resto do Brasil. Começamos pegando experiencia perdendo pro glorioso Santos Futebol Clube por dez a zero, mas aí fomos crescendo, depois tiramos a Portuguesa, o Paysandu e agora vamos tentar fazer com que o Furacão vire uma brisa e assim vamos tentando no cenário brasileiro.”

Para isso terá que renovar os contratos por mais 90 dias. A celeuma na justiça se deu por conta disso. Sem esperar passar pelo Paysandu, o clube se apoiou – e convenceu o STJD com essa norma – no artigo 41 do Regulamento Geral de Competições da CBF, que diz que todos os atletas tem o direito de atuar por mais 15 dias após o fim dos contratos. Foi o caso do atacante Bahia. Assim sendo, só com a Copa do Brasil pela frente, o Naviraiense terá que arcar com 300 mil reais para jogar com o Atlético. Por avançar na competição até esta fase, receberá R$ 400 mil, sendo que já abocanhou R$ 300 mil. Oito meses de folha a R$ 100 mil menos R$ 700 mil de ganhos, um prejuízo de R$ 100 mil. Pesado para um clube que se diz pequeninho. 

“Dinheiro não tem. Mas a união faz açucar e a força”, brinca Dionédes, “o nosso clube, nós não representamos só um clube. Nós somos uma cidade.”  A prefeitura de Naviraí, cidade com cerca de 50 mil habitantes, ajuda o clube. “Quem arruma o dinheiro somos nós, viabilizando patrocinadores”, conta Wilson Filho, chefe de gabinete da prefeitura. A cidade fez festa na noite desta quarta para a notícia da continuidade na Copa do Brasil. A secretária da prefeitura, que me ajudou com os contatos, não se acanhou em comemorar a vaga por telefone: “Graças a Deus, né?”

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