Fracassocracia

Cartolas de futebol em federações estaduais não são conhecidos exatamente por sua genialidade e competência. Mas o Campeonato Pernambucano de 2013 se superou.

Não bastasse a primeira fase com nove clubes que foi na verdade um grande torneio amistoso – em especial para o Náutico, que venceu a fase que premiava o campeão com uma vaga na Copa do Brasil 2014, mas já tem a vaga pelo ranking nacional – as semifinais escancararam duas falhas grotescas, que premiam a incompetência.

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A primeira delas é por conta de uma interpretação literal do texto do artigo da Fase Final, parágrafo 4o, 2o asterisco. Lá, ipsis literis, está: “Caso uma associação/equipe seja o 4o colocado ao termino do Campeonato (…) e essa associação/clube estiver participando de uma competição nacional de divisão superior à Série D, essa vaga passará para a associação/clube 5o. colocado e assim sucessivamente”. Por isso, caso o Ypiranga chegasse à decisão, sendo vice-campeão, veria a vaga da Série D ir para o 5o colocado, já que estaria eliminando o Sport, que está na Série B. Precisando perder os dois jogos para assegurar calendário nacional, o Ypiranga fez “bem” sua parte na primeira partida, em casa, ao perder por 1-5.

A segunda é mais corriqueira, mas nem por isso menos inusitada: caso o Náutico devolva o placar exato de 1-0 no jogo de volta com o Santa Cruz, a decisão para quem irá a final será pelo número de cartões levados por cada time e, em último caso, sorteio. Enquanto a final prevê terceiro jogo – sem contar o saldo de gols – a semi não prevê nem pênaltis ou partida extra para o desempate.

Em tempo: vice-campeão da primeira fase, o Central de Caruaru pode tentar pleitear a vaga do Náutico na Copa do Brasil, já assegurada também mesmo com um eventual terceiro lugar no campeonato. E o próprio Ypiranga pode fazê-lo, pois será no mínimo 4o colocado.

Tudo muito confuso, com clubes chiando para todos os lados. Mas há um detalhe: todos assinaram o regulamento.

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As mazelas do marketing

Chegou até o meu e-mail hoje a foto abaixo, que já circula na internet em diversos fóruns. Achei curioso e, como colecionador, interessado em saber quem tem a peça. E resolvi postar para discutir rapidamente um tema: as mazelas do marketing esportivo.

Camisa comemorativa da Copa do Brasil: agora, artigo raro

Evidentemente que as camisas tinham de ser produzidas com antecedência; não seria na quinta-feira pós título nacional, inédito e recuperando um orgulho de 26 anos, que a Lotto iria confeccionar um lote que com certeza teria grande vendagem.

As imagens vazaram e eu achei extremamente curioso – eis o porquê do post.

Mas existe algo mais. Quando da decisão, na primeira partida em São Januário, muito se falou e fez porque ambulantes vendiam faixas de campeão na frente do estádio carioca, pró-Vasco. Um sensacionalismo barato que fui contra, não abordei no Jogo Aberto, embora tenha visto algo por aí. Lógico que no jogo de volta também havia o mesmo artigo pró-Coritiba. E a mesma atitude foi tomada: destaque zero.

Há quem ache que ajuda o clube a vencer criando um factóide desses. Bobagem.

Além de jornalista, sou publicitário e sei que uma peça dessas tem que ser planejada antes. E pela vivência no futebol, que ela só chega ao vestiário no momento da decisão, como fator motivador aos jogadores que, oras!, precisam de mais motivação que o simples fato de tentar o título da Copa do Brasil?

Futebol é paixão e negócio – em cima da própria paixão. Discutir agora se devia ou não ser feito, se é motivador ou não, é a pior das bobagens possíveis. Há que se compreender a lógica da indústria. E parar que querer transformar essas ações, positivas e rentáveis aos clubes, em factóides na esperança de se tornar o herói de uma conquista. Como se a bola na rede fosse menos importante.

P.S.: Noves fora o que todos já sabemos, você gostou da camisa? Eu, sim.