Cinco clubes para ficar de olho nos próximos campeonatos

O Brasil viverá um novo momento no futebol após a Copa do Mundo. As novas arenas prometem dar ao torcedor mais conforto e segurança, enquanto que os clubes poderão arrecadar mais, seja com bilheteria, sócios, espetáculos ou mesmo o “naming rights”. Você certamente já ouviu/leu muito sobre como o futebol brasileiro poderá mudar. Como Corinthians, Atlético e Inter lucrarão com seus estádios próprios, como o Mineirão e o novo Independência mudarão a vida de Galo e Cruzeiro, ou o Maracanã para o trio carioca que tem contrato com a administradora – a exceção é o Vasco; o que pode mudar para Bahia, Vitória e Náutico, já tradicionais no Nordeste, ou mesmo para ABC e América-RN.

Mas outros clubes também estão se mexendo, nem sempre com o impulso da Copa. Clubes menores que estão buscando seu lugar ao sol neste novo momento do futebol nacional. 

O blog escolheu cinco deles para fazer uma aposta. São clubes que em breve vão ocupar o noticiário nacional com alguma campanha de sucesso, uma boa revelação e até, por que não, algum título de expressão.

#5 – Joinville

Arena Joinville, um dos trunfos do JEC

O JEC é um dos mais tradicionais times de Santa Catarina, estado que vem mostrando grande evolução no cenário brasileiro da bola. Compõe o grupo dos quatro grandes locais, que em 2014 foi furado pela Chapecoense. Ao lado de Criciúma, Avaí e Figueirense, o Joinville é um dos grandes campeões locais. Finalista do Catarinense 2014 ao lado do Figueira, o JEC vem há muito construindo um futuro promissor. Apoiado pela prefeitura local, dona da Arena Joinville (segunda a ser construída nesse formato no Brasil, depois da Arena da Baixada), o Joinville conta com um quadro associativo de 10 mil pessoas, fiéis pagantes que têm levado o Tricolor a boas campanhas. O clube recentemente inaugurou uma nova área em seu CT, modernizando os campos de treinamento. Foi sexto colocado nas últimas duas séries B, batendo o acesso na trave. Atualmente o Joinville tem bebido muito da água do futebol paranaense, com as campanhas recentes tendo como destaque jogadores emprestados da dupla Atletiba – Joinville fica a 132 km de Curitiba. Como em todos os clubes que têm apoio estatal, a política pode ser um entrave. Mas é bem possível que em breve você veja o JEC com algum destaque nacional.

#4 – Metropolitano-SC

Promoção local exalta o Metropolitano, em referência ao Galo

Fundado em 2002 já no perfil-clube empresa, o Metropolitano de Blumenau é outro barriga-verde que promete estourar em breve. O clube já desbancou Avaí e Chapecoense para entrar no quadrangular do Estadual 2014. O segredo foi fazer o simples: salários em dia e aposta em jovens. A base é, aliás, a verdadeira aposta do Metropolitano, que conseguiu se inserir na Lei de Incentivo ao Esporte para buscar dinheiro em patrocinadores através de renúncia fiscal. O Metrô irá disputar a Série D deste ano. 

#3 – Londrina

Alojamentos do CT do Londrina: parceira que vai consolidando-se

Junte a organização de um grupo empresarial (nem sempre bem visto no futebol) com a camisa tradicional de um clube em uma grande cidade do interior do Brasil e pronto: você chegará ao atual Londrina. Campeão Brasileiro da Série B em 1980, terceiro colocado no Brasileirão de 77 e três vezes campeão paranaense – busca o quarto título na decisão em 2014 – o LEC já pode dizer que voltou aos trilhos. O grupo SM Sports, do empresário Sérgio Malucelli (amigo de Wanderley Luxemburgo e irmão do ex-presidente do Atlético, Marcos Malucelli), abraçou o Londrina em 2011, depois de anos tocando o futebol do Iraty, outro clube paranaense. Pegou o Tubarão na segunda divisão local e conquistou o acesso. Nos anos seguintes, um quinto e um terceiro lugares no Estadual – o último, quando fez mais pontuação no geral que Coritiba e Atlético, os finalistas campeões dos turnos. Em 2013 quase garantiu o acesso à Série C do Brasileiro, perdendo para o Juventude por 1 a 3 em Caxias, após ter vencido o primeiro jogo por 1 a 0, tendo sofrido o gol da eliminação no último minuto. Na primeira partida da decisão do Paranaense 2014, levou quase 28 mil pessoas ao Estádio do Café. A torcida do LEC é mesmo muito participativa, sendo inclusive mais presente que a do Paraná Clube, historicamente a terceira força do Estado, na “Timemania”. Com uma mescla de revelações e jogadores ganhando uma segunda oportunidade na vida (como Celsinho, ex-Portuguesa), o Tubarão é uma aposta segura para o futuro.

#2 – Red Bull-SP

Futuro e passado: Red Bull tem o que o Bugre perdeu

Mais um clube-empresa que promete. Quando a Série A2 do Paulista começou, todos imaginavam que um clube de Campinas iria subir de divisão. O que poucos diziam é que este não seria o tradicional Guarani, mas sim o Red Bull Brasil, clube gerido pela empresa que toca outros quatro times pelo mundo, além da equipe de Fórmula 1 e de eventos mil na área de esportes. Fundado em 2008, o Red Bull conquistou rapidamente o acesso da segunda divisão paulista (B, 4a na escala) até a Série A2, a verdadeira segunda divisão de SP. Estacionou na competição, falhando na hora H para o acesso, especialmente em 2013. Mas finalmente conseguiu subir na atual temporada, sendo que ainda pode ser campeã, na disputa por pontos com o Capivariano. Além do apoio da multinacional de bebidas, os segredos do Red Bull são (vejam só!) salários em dia e aposta na base. O clube mantém as categorias S-20, S-17 e S-15 como parte fundamental do projeto. Ainda não tem torcida própria forte e vem usando o Brinco de Ouro como estádio. O Red Bull ainda pretende ter uma maior integração com seus pares de Nova Iorque, Salzburg, Leipzig e Gana, clubes que fazem parte de um projeto mundial da empresa. Por ora, o RBNY e o RB Salzburg conseguiram maior destaque, com boas campanhas na MLS, no Austríaco e na Liga Europa. Será que o filho brasileiro é o próximo na lista?

#1 – Cuiabá

Arena Pantanal pode ser o impulso que o Cuiabá precisa

Bicampeão matogrossense e presente na Série C do Brasileiro para 2014, o Cuiabá é mais um clube-empresa que pode aparecer bem no cenário nacional em breve. Fundado em 2001 a partir das escolinhas de futebol do atacante Gaúcho, ex-Flamengo, o clube que carrega o nome da capital do Mato Grosso aguarda a inauguração da Arena Pantanal para vôos mais altos. Em seus 13 anos de existência, 5 títulos estaduais e o acesso da Série D para a C. Em 2013 ficou a apenas três pontos do grupo que brigaria pelo acesso para a Série B. O sucesso talvez fosse prematuro ao Cuiabá, que pretende ocupar o lugar do tradicional Mixto no coração dos cuiabanos. Mesmo com tudo isso, vale dizer, coube ao Mixto a honra de inaugurar a Arena. Mas e o futuro, reserva o que a ambos? Pelo que mostrou recentemente, não será surpresa ver o Cuiabá em uma das duas divisões de elite do Brasil brevemente.

Tabela comentada e Guia da Segunda Divisão do Paranaense

Deu discussão, polêmica, disputa política, desistências no meio do caminho e tudo o mais, mas não teve jeito: a FPF confirmou a Segunda Divisão do Paranaense para maio e hoje soltou a tabela. É o caminho que o Paraná Clube terá que fazer para voltar à elite estadual. E prepare-se: as confusões seguirão. A tabela tem conflito de datas com a Série B nacional e o Tricolor já anunciou que deve recorrer, ao lado do Sindicato dos Atletas Profissionais, para não entrar em campo em menos de 66 horas quando as partidas tiverem até 150km de distância entre as sedes e 72h para as demais. Rolo né?

Outrora chamada de Série Prata (a mudança para Segunda Divisão aconteceu em 2009), a competição tem o regulamento parecido com o da primeira: turno e returno com campeões indo à final; se for o mesmo time, game over: é o campeão direto.

Mas o regulamento tem uma armadilha a mais: os campeões de cada turno terão a companhia do 3o e 4o colocados na soma dos turnos em uma semifinal olímpica: o 1o. pega o 4o. e o 2o enfrenta o 3o. A situação, digamos sui-generis, fez com que a última rodada do segundo turno do ano passado tivesse o seguinte quadro: se o Toledo perdesse para o Serrano na última rodada, estaria automaticamente classificado a primeira divisão; se ganhasse, precisaria disputar a semifinal.

O jogo deu empate enquanto o Londrina vencia o Foz por 3-1 e ficava com o título antecipado. Mas o Foz empatou em 3-3 e levou tudo para as semis. Aí Londrina e Toledo se garantiram na elite contra Nacional e Grêmio Metropolitano, que ganhou a vaga que seria do Foz na justiça.

Mas tá marcado e agora vamos dar um giro pelo Estado do Paraná, conhecer o vôo da Gralha:

01/05 – Paraná x Jr. Team – 1o turno
02 ou 03/06 – Jr. Team x Paraná – 2o turno

A primeira partida é em casa. O Tricolor recebe o Júnior Team na Vila Capanema. O Júnior Team Futebol é um antigo braço do Londrina: um grupo gestor passou a tocar a base do Tubarão e a nomeou de Londrina Jr. Team. O contrato foi desfeito e o clube seguiu sua vida, agora com categoria profissional. O Jr. Team manda seus jogos no Estádio do Café e pela estrutura, promete ser um dos mais difíceis adversários do Tricolor. Em 2011, foi o campeão da terceira divisão estadual.

05 ou 06/05 – Cascavel CR x Paraná – 1o turno
06 ou 07/06 – Paraná x Cascavel CR – 2o turno

Serão 503km até Cascavel para o segundo desafio: o Cascavel Clube Recreativo (cujo site não se atualiza desde 2010…) clube que foi rebaixado com o Paraná para a segundona local. Nos dois confrontos em 2011, duas vitórias paranistas: 2-0 na Vila e 2-1 em Cascavel. O Cascavel CR não é o mesmo que o FC Cascavel. O último pertence ao ex-lateral Belletti e desistiu de participar da competição. Os jogos da Cobra serão no Estádio Olímpico.

Em 1980 dois precursores das equipes dividiram o título do Estadual. Cascavel e Colorado decidiram o campeonato da primeira divisão, mas a partida acabou na confusão que a Gazeta do Povo relembrou nesse link.

09 ou 10/05 – Metropolitano x Paraná – 1o turno
09 ou 10/06 – Paraná x Metropolitano – 2o turno

Na terceira rodada de cada turno, o Paraná pega um dos Grêmios Maringá desse campeonato: o Metropolitano. Em 2011, o GMM ficou no quase no acesso. Mas em 2012 o clube, que não tem site oficial, já enfrenta problemas salariais, de acordo com o jornal O Diário. Pudera: se fazer futebol em Curitiba já é difícil com quatro clubes profissionais de (algum) porte, imagine em Maringá, com dois. Ao menos o Paraná jogará na mais paranaense cidade do norte, no estádio Willie Davids e em uma terra em que brotam belas mulheres e fica a 438km de Curitiba.

12 ou 13/05 – Paraná x Cincão EC – 1o turno
13 ou 14/06 – Cincão EC x Paraná – 2o turno

Mais uma partida contra uma equipe de Londrina: o Cincão Esporte Clube, clube fundado em 2010 e que já enfrentou o Valencia e o Levante, em um mini-torneio na Espanha, com times de base (o Santos esteve nessa também). O nome Cincão faz referência a região dos Cinco Conjuntos de Londrina, um bairro importante na capital do Café. O símbolo do clube tem alusão à bandeira da cidade, mas o clube tem mandado jogos em Rolândia, cidade vizinha. Pode incomodar.

16 ou 17/05 – Nacional x Paraná- 1o turno
16 ou 17/06 – Paraná x Nacional – 2o turno

Será o último jogo do Paraná antes da estreia na Série B nacional… contra o Nacional. O Nacional Atlético Clube é um dos mais tradicionais clubes do Estado (fundado em 1947) e que no ano passado quase conseguiu o acesso. Deve ser um dos postulantes a isto nessa temporada. Já venceu duas vezes a segundona local.

Um dos “pais” do Paraná, o Britânia, faz parte da história do NAC: o primeiro jogo oficial do time de Rolândia (398km de Curitiba) foi uma derrota por 6-0 para o clube que deu origem ao Colorado.

19 ou 20/05 – Paraná x Grecal – 1o turno
20 ou 21/06 – Grecal x Paraná – 2o turno

Prepare-se: a partir daqui, começarão os conflitos entre as tabelas da Série B e da 2a divisão local. A CBF programou a estréia da Série B para 19/05, um sábado. Portanto, todas as datas acima desta (mesmo as já citadas anteriormente) terão algum desencontro entre FPF e CBF. Como a Série B tem jogos terças, sextas e sábados, e é necessário um intervalo de 66h entre os jogos, será complicado precisar como e quando os jogos sairão.

Mas sairão. O Grecal (Grêmio Recreativo Esportivo Campo Largo) herdou a vaga do AGEX/Iguaçu e vai disputar o acesso pela primeira vez. E no segundo turno será a viagem mais curta: o Paraná visita o Grecal na capital da cerâmica, Campo Largo. São apenas 31km entre as cidades e quase não se vê estrada entre Curitiba e Campo Largo, com área praticamente urbanizada.

O estádio Atílio Gionédis não tem iluminação e é a casa do Grecal. O técnico do time de Campo Largo é Ricardo Pinto, ex-ídolo do Atlético e técnico que passou pelo Paraná na campanha desastrosa de 2011.

23 ou 24/05 – Grêmio Maringá x Paraná– 1o turno
23 ou 24/06 – Paraná x Grêmio Maringá – 2o turno

O Tricolor voltará a Maringá na 7a rodada do turno para pegar o time do folclórico Aurélio Almeida. O Grêmio de Esportes Maringá é o único time da segundona que tem títulos de primeira divisão, ao lado do Paraná: são três conquistas, todas há mais de 35 anos: 1962-63 e 1977. O Grêmio Maringá também foi o primeiro time paranaense a ser campeão brasileiro: em 1969 desbancou o Santos de Pelé no Torneio dos Campeões da CBD e seria o representante do País na Liberadores… se a CBD não desistisse de mandar times para a competição. Recentemente, na onda do reconhecimento dos títulos da Copa Brasil e Robertão, o GEM tentou também sua cartada, sem sucesso.

Mas esse passado é distante e o Grêmio só vai disputar a Segundona porque o FC Cascavel desistiu da disputa e abriu vaga ao time que estava na Terceirona. Aurélio Almeida não é bem visto entre os empresários da cidade e tenta manter o clube funcionando em uma nova empreitada, como já fez com Império do Futebol-Império Toledo e Real Brasil. Entre bazófias como trazer o Boca Juniors para um amistoso de pré-temporada e o passado glorioso o Grêmio, infelizmente, não deve disputar acesso.

26 ou 27/05 – Foz do Iguaçu x Paraná– 1o turno
27 ou 28/06 – Paraná x Foz do Iguaçu – 2o turno

A viagem mais longa: 643km para encarar o Foz, punido pelo TJD-PR no ano passado, no Estádio ABC. O Foz do Iguaçu Futebol Clube esteve a pique de subir para a elite, mas perdeu seis pontos pelo uso irregular do jogador Alisson. Com isso, não disputou as semifinais da Segundona 2011, mas deve vir forte para essa temporada.

30 ou 31/05 – Paraná x Serrano – 1o turno
30/06 ou 01/07 – Serrano x Paraná – 2o turno

Ufa! Com dois turnos espremidos em um mês cada, sem contar as possíveis transferências de datas em função da Série B, o Paraná encara o Serrano de Prudentópolis, 208km de Curitiba, a última rodada de cada fase. O Serrano Centro Sul-Esporte Clube não tem site oficial e tenta voltar ao rumo: em 2009 chegou a ser vice-campeão da Recopa Sul-Brasileira, perdendo a taça para o Joinville EC; mas no Estadual de 2010 perdeu a força e acabou rebaixado. Manda jogos no Estádio Newton Agibert, sem iluminação.