O valor de Alex

Alex já pagou ao Coritiba o custo que dará aos cofres do clube sem ter sequer entrado em campo. A análise não passa só pelo volume de venda de camisas ou pelo retorno de mídia que o clube teve nacionalmente desde o anúncio da contratação até aqui.

Alex deu ao Coritiba uma moeda não-vendável: estima. 

O Coxa passou a ser olhado de outra forma. Ganhar a concorrência de um jogador ainda com potencial físico e técnico no retorno ao Brasil, disputado por clubes de centros maiores fez muita gente que não conhece o Coritiba pensar “que raios Alex foi fazer em Curitiba?!” E não se trata somente da paixão que o meia tem pelo clube; a declaração de que escolheu um projeto de futuro para tentar ser campeão pela primeira vez por quem o revelou, abrindo mão de uma Libertadores, por exemplo, dá a dimensão da escolha. Alex sempre se portou de maneira profissional e, mesmo se tratando de Coritiba, não entraria em uma fria só por amor.

Não só os clubes passam a olhar o Coxa como um clube competitivo no mercado a partir de então; o efeito-rebote, justamente iniciando um processo positivo, é que os próprios jogadores vêem no clube um bom lugar para trabalhar. Jogador quer salário em dia, projeção e competitividade, nem sempre nessa ordem. O Coritiba hoje parece oferecer os três. Não será fácil, como nunca foi, competir com um Flamengo e as praias maravilhosas do Rio, mas já não é o fim do Mundo jogar na gelada Curitiba. Em proporções maiores, Alex dará ao Coritiba o que Ricardinho deu ao Paraná por alguns meses: credibilidade junto aos atletas. A diferença está na estrutura: o Coxa convence a permanecer, o Tricolor, não. Mas esse é outro papo.

Rafinha, ex-lateral-direito do próprio Coritiba, hoje no poderoso Bayern de Munique, já é exemplo prático disso. Joga no melhor campeonato do Mundo – mais organizado, mais competitivo, melhor média de público –  e não toparia voltar ao Alviverde só para jogar em casa. Mas sente firmeza na proposta de clube que hoje o Coxa é. Via Twitter já anunciou que um dia voltará:

Mas é claro que a mídia também pesa. Segundo o departamento de comunicação do Coritiba, o volume de buscas pelo nome do clube na Internet aumentou três vezes; nas redes sociais, aumento em 10 vezes, pelo Facebook e pelo Twitter. No dia da apresentação de Alex, a ÓTV, televisão local da RPC, transmitiu ao vivo o evento, que foi colocado simultaneamente na Internet pela Globo.com; o portal Terra também iria transmitir, mas teve problemas técnicos. Na busca por vídeos on demand (disponíveis a qualquer hora para o internauta) o interesse da mídia do centro do País cresceu pelo Coritiba – basta dar uma busca no Google. Alex é muito bem-quisto em especial por palmeirenses, que seguem interessados em saber do ídolo da última grande fase do clube, perto de cair pela segunda vez para a Série B.

O Coritiba não confirma o número exato, mas acredita que o volume de camisas vendidas aumentou em até 8x desde a chegada de Alex. Mais da metade das camisetas vendidas saem com o nome dele. A Nike ainda não emitiu o relatório oficial, mas estima-se que o clube vendeu entre 5 e 6 mil camisas só no último mês.

O mercado turco também passou a ser explorado pelo Coxa. A diretoria tenta encontrar uma maneira de encaixar as temporadas para a realização de dois amistosos com o Fenerbahçe. Por enquanto, existe apenas a conversa nos corredores, nada oficial. Mas aos poucos o Coxa vem buscando entrar na Turquia com o nome de Alex à frente. Ações como o vídeo abaixo têm dado muito retorno:

O vídeo foi assistido por quase 23 mil pessoas. O vídeo de apresentação de Alex, sem falar do Fenerbahçe, teve pouco menos de 9 mil visualizações. No Facebook, o Coritiba saudou os turcos pela passagem do dia da república turca, nessa segunda 29/10. O post teve quase 2700 “curtir”; para efeito de comparação, no jogo mais importante do Brasileirão, a revanche contra o Palmeiras em Araraquara, ainda com o Coxa ameaçado pela ZR e em competição direta com o adversário, foram 182 “curtir”. Nos números, Istambul é a segunda cidade que mais visita as páginas do Coritiba, perdendo apenas para Curitiba.

Não só o Coritiba é ajudado por Alex. O Atlético se vê obrigado a responder à altura. Na segunda divisão e vendo o domínio alviverde há três anos no Paraná, o Furacão terá que montar um time competitivo para responder à expectativa coxa-branca nas disputas – algo já afirmado pelo vice-presidente de futebol rubro-negro, João Alfredo Costa Filho. Até mesmo o Campeonato Paranaense, desinteressante por natureza por vários fatores, ganha charme com Alex em campo. Melhor para Londrina, Operário, Toledo e outros, que podem trabalhar essa marca nos encontros com o Coxa.

Guardadas as proporções, Alex já faz pelo Coritiba o que Ronaldo fez pelo Corinthians: internacionalização da marca, aumento da exposição, maior volume de vendas. Em campo, só 2013 responderá se o Menino de Ouro repetirá o Fenômeno, campeão da Copa do Brasil e Paulista pelo Timão.

Abrindo o Jogo – Coluna de 01/08/2012 no Jornal Metro Curitiba

De novo, chance de crescer

Imerso na transmissão da Olimpíada Londres 2012, confesso que tenho visto pouco do Brasileirão A e B. A internet ajuda, mas o difícil mesmo é ver que as perspectivas paranaenses já começam a ser reduzidas nas duas divisões (na B ainda mais preocupante, pois há estagnação em inferioridade) com 1/3 já disputado em ambas. No entanto, ontem teve início a Copa Sul-Americana para o Coritiba. A coluna foi fechada antes do resultado. Mas dá pra falar da oportunidade de internacionalizar a marca.

“Mind the gap”

Essa é mensagem do metrô de Londres a cada parada. Significa que você deve ver o espaço entre o trem e a plataforma na hora de desembarcar. Ver o espaço, “mind the gap” que a Sul-Americana proporciona, é necessário. No Brasileiro, o Coxa não deve recuperar terreno pela Libertadores. Vencer um torneio internacional e se classificar em uma competição sem gigantes latinos e que deve ser dominada por brasileiros é um belo “gap” a ser visto. Começou antes mesmo de ontem, com estratégia pela vaga. Ano após ano, os clubes desperdiçam essa competição em nome do Brasileiro. E no eterno looping local, lamenta-se mais tarde e comemora-se ao final do a vaga que é desperdiçada no ano seguinte. Em 2011, o Atlético, dando a chave do clube para Renato Gaúcho, jogou fora; acabou caindo no nacional. Já o Vasco, campeão da Copa do Brasil e disputando o título brasileiro, foi às semifinais. Dá pra correr em paralelo, com planejamento para um Brasileiro razoável, salvando o ano do Coritiba.

Bezona

Acho cruel o comparativo entre Paraná e Atlético – mas para o Tricolor. Tem 1/5 do valor pago pela TV, não tem a estrutura, o glamour e a atenção midiática do Furacão. E ainda assim faz uma campanha melhor na Série B que o rival. Não se pode cravar que irá terminar assim, mas vendo os resultados e ouvindo as análises de atuação, fica a clara impressão que o acerto nas escolhas na Vila foi maior que na Baixada. O Paraná tem mais ambiente, joga melhor, sonha mais. O Atlético decepciona e ninguém entende exatamente por que. De fato, o rubro-negro não começou o campeonato com expectativa maior apenas que a do Paraná, mas também que a dos outros 19 competidores. É, ao lado do Guarani, o campeão Série A na competição. Tem uma das maiores torcidas do País e, principalmente, a maior verba. Difícil dizer se foi apenas um sapo enterrado há pelo menos duas temporadas na Baixada ou se as feridas políticas seguem atrapalhando o caminho atleticano.

De volta à Londres

Emanuel, melhor do Mundo no Vôlei de Praia, atleticano; Giba, melhor na quadra, paranista. Wanderlei Silva, não olímpico, mas campeão mundial no UFC, coxa. Confesso que não entendo porque SPFC e Corinthians, por exemplo, aproveitam seus ídolos identificados pra promoção e os paranaenses não. Timidez?