O futuro está em jogo no Brasil

Bandeira do Brasil
O final de semana será decisivo no Brasil. Na verdade, nesse tipo de disputa, a posição é ganha dia após dia. Mas é inegável que o momento do embate direto é o que conta. Por isso, quando o mineiro de azul encarar a força vermelha, dada a situação apresentada até aqui, estaremos provavelmente vendo quem de fato será o número 1 no País.

Muito aconteceu até aqui para que o quadro se desenhasse assim. Antes do duelo azul e vermelho, uma terceira força se apresentou bem como opção. Parecia que iria desbancar a força mineira, mas acabou cercada por todos os lados, até por gente da mesma origem. Perdeu espaço para os pequenos após se sobressair aos azuis. Pode ainda surpreender, mas parece cada dia mais que a polarização nesse 2o turno será mesmo entre antigos rivais, que decidiram a parada no passado.

No âmbito estadual também há bons duelos. No Paraná, por exemplo, o mais velho encara o mais novo num cenário desfavorável para ambos. Um anda extremamente desgastado, apesar de um passado que lhe dá respaldo. Ninguém – ou quase ninguém – acredita mais na força do mais antigo nessa disputa. Isso porém não o descarta como possível vencedor nesse final de semana. Afinal o mais novo também não passa confiança, apesar de estar à frente. A juventude e a inexperiência têm sido adversárias deste concorrente. Instável, tem méritos e deficiências que confundem quem o avalia, sem saber ao certo se entrega realmente tudo o que promete.

Essa disputa ainda tem um gaúcho atrevido e um verde que ganhou destaque nessa semana. O primeiro passou a incomodar surpreendentemente vencendo algum descrédito. O segundo chamou a atenção já na quinta, com uma postura firme num embate isolado sobre um tema indigesto. Além destas decisões, outras em menor escala vão desenhar todo o panorama para o futuro. Posições importantes no cenário nacional, com representatividade em todo o Brasil, que podem melhorar a imagem do País no exterior.

Assim, quando Cruzeiro e Inter jogarem no Mineirão, o futuro do Brasileirão estará em jogo. Como em 1976, quando decidiram o campeonato. O São Paulo, terceiro colocado, espera pelo tropeço do líder, mas já não se apresenta como o protagonista para a briga pelo título. Perdeu para o Corinthians, deixou pontos em Curitiba e com Flamengo e Fluminense. Na outra metade da tabela, Coritiba e Atlético fazem um clássico longe dos olhos da grande mídia, mas cheio de rivalidade. Atleticanos e coxas, especialmente os primeiros, esperavam estarem em melhor situação. O que ambos encaram é menos do que gostariam e mais complicado do que parece. O centenário Coxa quer deixar a lanterna e buscar alívio nesse segundo turno; o renovado Furacão não quer nem pensar em prorrogar a disputa contra a queda. Pouco pra quem pensou em G4.

O Grêmio recebe o São Paulo pra seguir vencendo o descrédito em seu time e principalmente em seu técnico. Falar em título pode ser utópico, mas a despeito do trabalho anterior na Seleção, ninguém pode negar que Felipão acertou o time. Já o Palmeiras finalmente goleou na competição, fazendo 4-2 na abertura da rodada em cima da Chapecoense, na briga contra o indigesto Z4. A rodada ainda tem gente brigando no meio da tabela, sonhando com Libertadores e se dividindo com a Sul-Americana, num momento em que o futebol brasileiro vive total descrédito aos olhos internacionais. Pontos corridos são assim, cada rodada é decisiva. Nesse final de semana não será diferente.

Poderia ser política, mas é futebol.

Paulo André: “O futebol brasileiro vai de mal a pior”

Paulo André, cabeça pensante no futebol brasileiro

Passada a eliminação do Cruzeiro na Libertadores, a última entre as seis que os brasileiros viveram nessa edição, um dos principais articulistas de um movimento de renovação no futebol brasileiro aceitou o convite do blog para falar do futuro do esporte número um no país. O zagueiro Paulo André, ex-jogador de Guarani, Atlético Paranaense e Corinthians, mudou de endereço, mas não de pensamento. Atualmente no Shanghai Shenhua da China, Paulo André defende que o Bom Senso FC, movimento do qual faz parte, não sumiu e sim mudou de estratégia. Não vê legado da Copa além dos estádios e sentencia: o futebol brasileiro quebrou. Leia a entrevista:

Napoleão de Almeida: A Copa está chegando, esse é um ano eleitoral. Difícil desassociar. Mas, noves fora as jogadas políticas, a Copa trouxe ou trará, para os profissionais do futebol, alguma melhoria efetiva? Como você vê a realização da Copa aqui na posição de quem faz o espetáculo?

Paulo André: Acredito que os novos estádios, apesar de tudo, serão o único legado estrutural que a Copa deixará. Isso fará com que a transmissão dos jogos e a experiência do torcedor que frequenta estádios no Brasil melhore bastante. Mas no fundo, e é triste assumir isso, acho que o Brasil apenas mostrou a sua cara, a sua falta de organização e de planejamento históricos e sua mania de tentar resolver tudo com o jeitinho. Decisões políticas e não técnicas fizeram com que perdêssemos a chance de acelerar o desenvolvimento de políticas públicas que impactassem diretamente no dia dia dos brasileiros que viverão aí (porque estou na China) após o dia 12 de julho.  As prioridades da população ficaram evidentes nas manifestações populares de junho do ano passado. A nós, resta devemos cobrando transparencia, eficiencia e punição caso seja constatada corrupção.

NA: Você faz parte do Bom Senso FC, mas o movimento parece ter perdido força com a sua saída do Brasil. Acaba que ficou a imagem de que você era a cabeça do movimento. É uma premissa verdadeira? Onde estão os demais, uma vez que os pedidos e sugestões a CBF parecem não ter tido efeito?

PA: O Bom Senso continua forte e trabalhando, a ponto de ter influenciado os rumos e as alterações promovidas pelo Dep. Otávio Leite no texto do Proforte. Sete das nossas 8 demandas de Jogo Limpo Financeiro estão comtempladas na proposta. Ou seja, encontramos outros caminhos para fugir da inoperancia e do desinteresse da CBF que, irritantemente, mantem sua política de tentar distrair e enfraquecer as demandas do movimento por meio do desrespeito aos principais atores do futebol nacional. É triste ver como tratam esse patrimônio do povo brasileiro que vai de mal a pior a cada ano que passa.

NA: Certa vez, em entrevista aqui ao Terra, o presidente do Atlético Paranaense, seu ex-clube, ironizou o movimento Bom Senso FC dizendo o seguinte: “Interessante eles (jogadores) se articularem agora, pois sempre quando precisa-se de uma renovação de contrato, nenhum conversa comigo. Mandam seus representantes”. É notória a presença dos empresários no futebol. Há quem diga ainda que só mudou o “dono” do jogador: do clube para o empresário. Como você vê essa crítica e por que o jogador raramente se faz representar?

PA: Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Admiro o Presidente Mario Celso Petraglia mas acredito que ele tenha sido infeliz nessa declaração. As negociações entre atletas e clubes não são simples e um representante, muitas vezes, se faz necessário para evitar desgastes importantes nesse tipo de discussão. É muito simples regularizar e fiscalizar as pessoas que querem ser empresários ou donos de “pedaços” dos atletas. Basta vontade política da CBF, dos clubes e de uma legislação mais específica. Mas aonde é que os dirigentes vão ganhar dinheiro se fecharmos com fiscalização e transparência essa torneira de compra e venda de jogadores? Há interesses obscuros de todos os lados nessa história. Não é tão simples assim. E outra coisa: Aos empresários só foi possível entrar nesse jogo porque os clubes, mal geridos, gastaram mais do que podiam e começaram a vender parte de seus bens. Do jeito que está não tem mais volta, virou uma zona.

NA: Teremos mais jogadores da MLS na Copa do que jogadores atuando no Brasileirão. Da mesma forma, o público médio nos EUA é maior do que o nosso aqui. Quando deixamos de ser o País do Futebol, perdendo até para um país em que o ‘soccer’ é o 5º ou 6º esporte na preferência popular?

PA: É o que temos falado nos últimos tempos. Na primeira reunião do Bom Senso com a CBF, o Juninho Pernambucano e o Seedorf foram claros nesses pontos e pediram que o Marin e o Marco Polo tomassem providencias. Os jogadores já perceberam, os treinadores já sabem, os outros países continuam vendendo um produto melhor que o nosso. Mas o pior cego é aquele que não quer ver. O Sr. Marco Polo del Nero e o Sr. Marin estão apostando todas as suas fichas no sucesso da seleção brasileira nesta Copa do Mundo. Gostaria que eles viessem a público e explicassem qual é o projeto para o nosso futebol. Como eles fortalecerão os clubes? Como eles internacionalizarão as marcas? Mas é impossível tocarem nesses assuntos porque desconhecem a solução. O talento brota da terra e os “poderosos” o exploram a torto e a direito. E enquanto isso acontece, nenhum clube brasileiro se classificou para as semi finais da Copa Libertadores. Isso é possível? Mesmo tendo uma receita 2 ou 3 vezes maior do que qualquer clube sul americano, ficamos de fora. O que mais precisa acontecer?

NA: O ‘Fantástico’ deste último domingo revelou um esquema de cambistas para ingressos da Copa. Antes, o ‘Olé’ da Argentina já havia denunciado um esquema que envolve organizadas. É muito dinheiro rolando. O torcedor está longe dos estádios, os jogadores são pouco ouvidos, os cartolas de clubes argumentam que o voto não é qualificado na escolha de uma presidência de confederação. Quem, afinal, é o dono do futebol brasileiro?

PA: O grande vilão é o estatuto da CBF que potencializa a força das “inuteis” federações. A maioria dos presidentes das federações se eterniza nos cargos e não fará nada para mudar essa realidade. É só ver os 5 vices da CBF que acabaram de se eleger. A quanto tempo cada um deles está no cargo? Para eles o importante é permanecer lá. Ninguém quer saber da capacitação dos treinadores e dos gestores, de medidas para trazer a paz aos estádios, de um novo calendário para o futebol nacional, do jogo limpo financeiro, da formação de atletas, da melhoria do nível técnico dos campeonatos, etc.. E assim vamos vivendo nessa ditadura mascarada. E a Globo, habilidosamente, se aproveita da fraqueza e do medo dos presidentes de clubes para controlar financeiramente o futebol.

NA: Ainda sobre torcidas organizadas: na final da Copa Itália, um incidente com os Ultras quase impediu a realização do jogo entre Napoli e Fiorentina. Jogadores tiveram de pedir permissão para começar a partida. Pelo visto, não é um problema exclusivo do Brasil. Qual o panorama que você encontrou na China? Quais as diferenças de organização para cá, por exemplo? E mais: vocês do Bom Senso FC têm/tiveram contato com atletas em outros países com problemas parecidos, como a Itália, para troca de experiências?

PA: Acho que a China é um caso a parte devido ao aspecto político do país. Se formos nos espelhar em alguém, devemos copiar o modelo inglês que quase erradicou a violência nos estádios de futebol no país. Fizeram isso há mais de 20 anos, obtiveram sucesso. O que estamos esperando? Com as novas arenas e sem uma nova regulamentação, verdadeiras catástrofes poderão acontecer.

NA: Estádios sem alambrados na Copa. Vocês, jogadores, se sentirão seguros para jogar nesse formato em partidas de clubes? Especialmente após o episódio do CT do Corinthians?

PA: Acho que falei sobre isso em respostas anteriores. Se não surgir um plano emergencial para esse caso, a impunidade, costumeira no país, ocasionará uma grande catastrofe. Clubes, Federações, torcidas, poder público e governo devem enfrentar seus demonios e arrumar a casa. Mas em ano de eleição isso será impossível. Ninguém mexerá nesse vespeiro.

NA: Por falar em seu ex-clube, quando da queda de produção do Corinthians em 2013, na sua visão, isso aconteceu por que o time atingiu o topo? Existe ciclo e validade no futebol profissional? Ou o problema foi outro?
PA: Acho que há uma complexidade em um grupo de futebol profissional que pouca gente consegue explicar. É como um organismo vivo que sobrevive em constante adaptação. Quando se acomoda, corre riscos de não evoluir. Se todos os envolvidos ou pelo menos os que lideram não se prepararem para os perigos e dificuldades do dia seguinte, as coisas começam a sair do eixo. Resumindo, faltou capacidade para antecipar os problemas e se preparar para o futuro de forma menos traumática.

NA: Nessa linha, pergunto: o Brasil está preparado para perder a Copa em casa? 

PA: O futebol não passa de um jogo, de um esporte apaixonante. Torço pela Seleção e espero que os jogadores tenham sabedoria para aguentar a pressão que será gigantesca. Para mim, o importante é ver a seleção jogar o verdadeiro futebol brasileiro, que alegra e encanta o mundo todo. O resto é consequencia.

NA: Roberto Dinamite é o único ex-jogador que ocupa um cargo de presidente em um dos grandes do Brasil – e podemos até contestar a gestão dele. Você se vê nesse perfil? Gostaria de ser presidente de algum clube? Qual? E como se preparar para isso?

PA: Não sei o que será de mim amanhã. Desisti de pensar nisso. Vivo um dia de cada vez. Uma coisa é certa, independente do que eu decidir fazer, irei me preparar da melhor forma possível. Platini, Cruiff e tantos outros ex-jogadores alemães são referencias de pós atletas bem sucedidos além dos gramados.

NA: Ituano campeão paulista. Em conversas com jogadores e o técnico deles, percebi que o grande segredo do time foi ter salários em dia; desde quando a obrigação se tornou trunfo?

PA: Hahaha, nem me fale um negócio desse. Esse buraco é mais fundo do que voce imagina. O futebol brasileiro quebrou.

NA: Como vê a situação do Guarani, clube que te formou na base?

PA: Com tristeza. O Guarani sempre apostou em suas categorias de base para superar os grandes desafios. Na atualidade, Edu Dracena, Renato, Elano, Jonas, Mariano e tantos outros foram formados no Brinco de Ouro. Mas o clube não soube lidar com as alterações da lei Pelé, foi mal assessorado, mal gerido e fracassou na última década. É preciso ter os pés nos chão e recomeçar do zero. Repetindo os mesmos erros não se chegará a lugar nenhum.

NA:  Tendo jogado em vários centros no Brasil, você vê, no modelo atual, “risco” de Espanholização no futebol brasileiro? É possível que dentro de algum prazo tenhamos dois ou três clubes apenas disputando títulos por aqui? E a palavra risco é a mais adequada mesmo?

PA: Não acredito que isso aconteça no Brasil. Mas acho que os clubes médios e pequenos devam se unir para evitar esse cenário. O modelo ingles e o frances de divisão de receita da TV me parecem os mais justos e, de certa forma, premiam o mérito da boa gestão e do resultado esportivo. O povo brasileiro não vai para o estádio para ver um espetáculo, vai para ver o seu time ganhar, ser campeão. Se essa possibilidade se tornar quase impossível, o futebol europeu vai ganhar ainda mais aficcionados no Brasil.

21 anos depois, maior parte dos discípulos de Telê são técnicos

Telê: herança de títulos e formação de treinadores

Meticuloso, perfeccionista, detalhista. Dedicado a saber da qualidade do gramado à qualidade de vida dos atletas extracampo. Tático e motivador. Vencedor. Telê Santana não ergueu a Copa do Mundo, mas colecionou troféus por onde passou: brasileiro pelo Atlético-MG, estadual por Fluminense, Flamengo e Grêmio, Libertadores e Mundial pelo São Paulo, entre outros. As conquistas pelo tricolor paulista, aliás, estão completando maioridade. Nesse 2014, serão 21 anos do título que recuperou a imagem de Telê – até então questionado como “pé-frio” – e o colocou no patamar dos maiores treinadores do Brasil.

Mas as taças conquistadas nos clubes que dirigiu não são a única herança de Telê, falecido há 8 anos. Daquela geração do São Paulo bicampeão da América e do Mundo saíram nada menos que 12 treinadores ou managers para o futebol atual. Nunca uma mesma equipe rendeu tantos treinadores. Todos certamente influenciados pelos métodos de Telê.

O levantamento inclui os nomes dos 23 jogadores que estiveram nas decisões da Libertadores e do Mundial em 1992 e 1993. Todos no trabalho de maior projeção de Telê, que reconhecidamente é influência também ao atual técnico são-paulino, Muricy Ramalho, entre outros.

Dois ex-jogadores daquela estão mais em evidência nos tempos recentes: Doriva e Juninho Paulista, ambos do Ituano, campeão estadual em São Paulo. O primeiro é o técnico, o segundo o gerente. O discípulo de Telê com maior projeção no futebol atual é Leonardo. Ex-técnico dos italianos Milan e Inter, ocupa o cargo de manager no PSG, da França. No exterior também estãoToninho Cerezo, atual técnico do Kashima Anthlers do Japão, Antônio Carlos, auxiliar-técnico na Roma e Pintado, auxiliar no Cruz Azul do México.

Zetti seria outro discípulo, mas já se diz aposentado do cargo de treinador, depois de dirigir, entre outros, Atlético-MG e Paraná. Não deixou, porém, de treinar: tem uma academia de goleiros. Os ex-volantes Adilson e Dinho também militam na área, mas não ocupam nenhum banco de reservas atualmente, a espera de alguma chance – o último é vereador em Porto Alegre. 

Há os que ainda dão seus primeiros passos na carreira. Válber, que era tido por Telê como indisciplinado, hoje tenta por os jogadores na linha. Seu primeiro trabalho foi no Audax Rio, de onde já saiu. Muller, que trabalhou na imprensa por um tempo, passou a ser gerente no Grêmio Maringá (não o mesmo time atual vice-campeão paranaense), enquanto que Palhinha tem uma escolinha de futebol nos EUA. 

Talvez nenhum chegue ao patamar de Telê, o que é difícil para qualquer treinador. No entanto é inegável a influência do ex-técnico daquele São Paulo do início dos anos 90 na escolha de mais da metade da equipe.

Paraná, Paulistão e Botafogo mostram o futuro dos Estaduais

15 mil pessoas viram a virada do Londrina sobre o Atlético no Café

Muito se discute sobre o fim dos Estaduais. As questões são em cima do público, do calendário, das fórmulas cansativas. Para alguns, os Estaduais têm que acabar. 

A premissa está errada; não são os Estaduais que têm que acabar, é o modelo atual de disputa deles que tem que ser urgentemente mexido. E 2014 já deu o tom de como essa mudança deve ocorrer. A final do interior no Paraná. A chegada do Ituano à decisão em São Paulo. A eliminação do Botafogo no Rio. Coincidências que não deveriam passar disso, mas devem ser tratadas de forma diferente. 

Enquanto clubes como Flamengo, Atlético e Botafogo chegaram a levar 500 pessoas em alguns jogos, Londrina e Maringá jogaram para 30 mil pessoas nas semifinais do Paranaense. A vaga do Penapolense nas semifinais significou também a garantia da Série D e de calendário para o time de Penápolis; para o São Paulo, 21 vezes campeão paulista, não significou crise. Nem mesmo para o Corinthians, que bem ou mal ainda vive lua de mel com a torcida após uma era vitoriosa – as eliminações dos rivais amenizaram a pressão, que também foi suave para o Palmeiras. O Botafogo caiu no Carioca e ninguém se importou; para a Cabofriense, foi garantia de calendário. O Coritiba talvez tenha sido o mais pressionado pela eliminação precoce nos Estaduais, mas muito mais pelo fim de uma série vitoriosa. O conceito está mudando: para os grandes, ganhar o Estadual é legal, mas não é vital.

O Atlético iniciou o processo em 2013. Por motivos políticos e técnicos, colocou uma equipe “Sub-23” (de fato, um time com muitos jovens e outros pouco aproveitados nos profissionais) e ainda assim chegou à decisão, com direito a um 3 a 1 no time principal do Coxa no meio do caminho. Perdeu o título, mas as campanhas na Copa do Brasil e no Brasileirão apagaram a derrota. Muito se falou de como o preparo físico dos jogadores do Furacão, poupados de um longo estadual, ajudou em 2013. Para 2014, o Botafogo seguiu o caminho. Priorizou a Libertadores e nenhum Alvinegro se importou com a pior campanha de todos os tempos do Fogão no Carioca. Apesar da situação delicada na competição continental (fruto de outro tipo de desordem, esta nas finanças internas), ninguém duvida que a decisão foi acertada. O Grêmio, mais comedidamente, também deu costas ao Gauchão em muitos jogos e superou com folgas o “Grupo da Morte” na Libertadores. Ainda assim decide o título local com o Inter.

Não é novidade no futebol mundial. Poucos sabem, mas o Barcelona disputa o estadual da Catalunha, assim como o Bayern joga o estadual da Bavária. Ambos com times completamente reservas, formados por jovens que poderão ser utilizados no futuro nos times principais.

É verdade que Atlético-MG e Cruzeiro jogaram o estadual de Minas com força máxima e são os campeões da América e do Brasil. Mas também é verdade que o Mineiro é o mais enxuto de todos os Estaduais do País. Ainda assim, a final entre Galo e Raposa era prevista e, convenhamos, poderia ser antecipada. As rodadas classificatórias foram protocolares. Quem festejou mesmo em Minas foi o Boa Esporte, cada vez mais consolidado como quarta força mineira, com boas campanhas na B e em Minas Gerais. 

Os Estaduais interessam – e muito – para o interior, que tem neles a chance de fazer uma ponte para as divisões do Brasileiro. Para os grandes têm sido um atrapalho. Os torcedores dos grandes não sentem mais as derrotas, pensam muito mais nos confrontos internacionais ou mesmo interestaduais, os clássicos do Brasileirão. Enquanto isso, uma série de times fica sem calendário por 6, 7 meses, acompanhando futebol só pela televisão.

O raciocínio é simples: se um valoriza e outro despreza, que se atendam as demandas. Estaduais mais longos, como base de acesso ao Brasileirão, enquanto os grandes possam se programar para fazer frente aos desafios nacionais e internacionais. E a meritocracia vai estabelecer quais dos pequenos vão mudar de patamar ao longo dos anos. Londrina, Guarani, Juventude, Botafogo-SP, clubes que querem voltar a ter espaço e que precisam de mais atividade ao longo do ano, podem consolidar seus domínios locais sem desgastar a agenda dos clubes da Série A. Vale uma taça extra, como a Supercopa Gaúcha entre Inter e Pelotas? Vale. Uma grande festa de pré-temporada, entre o clube que venceu todos os demais do Estado contra uma força consolidada ao longo dos anos pelo domínio regional, talvez determinada pelo representante de melhor campanha no Brasileirão. Apenas uma ideia.

O fato é que para muitos torcedores dos times da elite nacional, perder o Estadual não tem mais impacto e ganhá-lo pode até ser ilusório. Com a concorrência de Real Madrid, Barcelona, Bayern e outros, os clubes grandes precisam mudar o mercado local. É fácil ligar a TV e ver os gigantes da Europa jogando. E o que impede uma criança brasileira de torcer para um destes, seguindo o mesmo raciocínio do sujeito que mora em cidades sem clubes de expressão e opta pelos grandes do Brasil, sem sequer ter pisado no estádio do seu clube do coração?

A mudança vai exigir paciência dos torcedores, que vão ter de entender que a rotina de levantar taças vai se tornar escassa. Clubes multicampeões estaduais vão ter que, por vezes, se contentar com uma vaga na Libertadores. Só um será campeão do Brasileirão por ano, com outro vencendo a Copa do Brasil.

Mas convenhamos: para o Ituano, ser campeão paulista será um feito histórico; para o Santos, bem conversado, estar na Libertadores seria mais festivo do que vencer o 21o paulista.

Alex 1000 jogos: o Top 5

Idolatrado pelos turcos, amado por palmeirenses, cruzeirenses e coxas-brancas, respeitado por todos os outros, Alex completará nesta quarta-feira 1000 jogos como profissional. O adversário será o J. Malucelli, pelo Campeonato Paranaense. Desde que estreou, em 1995, Alex foi protagonista em vários jogos. O blog se propõe a lembrar alguns, num Top 5 dos mais importantes.

#5: 13 de dezembro de 1995, Coritiba 3-0 Atlético, Série B

Com apenas 18 anos, o menino nascido em Colombo realizava seu grande sonho: jogar uma partida decisiva contra o maior rival do seu time do coração. E Alex brilhou. Com o Coxa precisando da vitória para se juntar ao Furacão na elite brasileira em 1996, Alex conduziu o time a um 3 a 0 incontestável. Abriu o placar e deu assistência fundamental para que Pachequinho, então o grande ídolo do clube na época, fechasse a contagem. O Coritiba estava de volta à Série A do Brasil após uma sequência de anos difíceis.

#4: 16 de maio de 2012, Fenerbahçe 4-0 Bursaspor-TUR, Copa da Turquia

O Fenerbahçe não vencia a Copa da Turquia há 29 anos. Alex tratou de acabar com essa escrita em um jogo com atuação de gênio. Além de dar o passe para três gols, fechou a conta deixando o seu também. Campeão turco três vezes, faltava a taça da Copa do currículo do meia que, não a toa, ganhou até estátua dos fanáticos torcedores do Fener.

#3: 8 de junho de 2003, Flamengo 1-1 Cruzeiro, Copa do Brasil

Era o jogo de ida da final da Copa do Brasil. O Maracanã estava lotado, com aquela atmosfera pró-Flamengo. O Cruzeiro já havia ganho o Campeonato Mineiro e começava a mostrar que ninguém o alcançaria no Brasileirão. Mas a Copa tinha outro regulamento, outro formato. Com um inesquecível gol de letra, Alex colocou a Raposa na frente. O Flamengo empataria, mas o resultado com gol qualificado deu a tranquilidade que o Cruzeiro precisava para conquistar o segundo dos três títulos daquele ano (3-1 no Mineirão), com inúmeras atuações de gala de Alex.

#2: 26 de maio de 1999, Palmeiras 3-0 River Plate-ARG, Copa Libertadores

O Palmeiras estava embaladíssimo. O time de Roque Júnior, Oséas, Paulo Nunes e Marcos, entre outros, havia despachado o Corinthians na fase anterior. Em Buenos Aires, o River fez 1-0. No jogo de volta era preciso vencer sem levar gols. O jogo no Parque Antartica começou tenso, mas Alex, com um golaço de fora da área, tratou de acalmar as coisas para o Palestra. Roque Júnior faria o segundo e o River se lançaria ao ataque. Um gol eliminaria o Palmeiras. Mas Alex, de novo, tratou de por os pingos nos is, fechando o placar. O Palmeiras avançaria até a final, na qual seria campeão sobre o Deportivo Cali, da Colômbia.

#1: 26 de janeiro de 2013, Coritiba 1-1 Colón-ARG, Amistoso

Um jogador que tem estátua na Turquia, campeão da América pelo Palmeiras, do Brasil pelo Cruzeiro, com inúmeros golaços com as camisas verde, azul e amarela – também da Seleção – teria como jogo principal na carreira um amistoso de pré-temporada, no qual nem gol fez? A resposta é sim. Com todo esse currículo e procurado pelos dois clubes nos quais mais brilhou no Brasil, Alex optou por voltar ao clube do coração. Não se tratava de dinheiro, de jogar ou não a Libertadores. Alex queria jogar no Coritiba. Recusou, educadamente, todas as propostas e voltou ao Coxa. O jogo com o Colón teve alguns lampejos do velho Alex e por pouco não acabou em derrota. Não importava; para toda uma geração, o que realmente importava era ver Alex de volta no Coxa. Algo que tem mais peso que dinheiro ou mais valor que muitas conquistas: um ídolo que optou pelo seu clube por um desejo sincero. Alex confirmou ser o que é naquele 26 de janeiro.

Site especializado em Libertadores qualifica Flamengo como “time pequeno”

O site Pasión Libertadores, especialista na cobertura da Copa Libertadores para a América Latina, colocou o Flamengo como uma das possíveis surpresas para a competição deste ano.

A polêmica é o rótulo de “time pequeno” atribuido ao Fla, atual campeão da Copa do Brasil e campeão da própria Libertadores em 1981. Enumerado ao lado de Deportivo Anzoátegui e Zamora (Venezuela), Santos Laguna (México) e O’ Higgins (Chile), o time carioca é elogiado por contar com Elano e Erazo, reforços recém-chegados, mas considerado “pequeno e segunda força de seu Estado”.

O site não tem relação direta com a Conmebol, apesar de ter os mesmos patrocinadores da Libertadores. Sua comunidade no Facebook tem mais de 1,5 milhão de seguidores.

Odisseia do Galo rumo ao topo da América vira livro

“Queria encontrá-la ainda acordada. Não consegui.
 
Ela já dormia quando entrei em casa. 
 
Sentei ao lado dela na cama e a abracei. Então, finalmente, consegui desabar. Cair no choro. Eu era responsável pela minha paixão, mas também pela dela. Pelas alegrias e pelos sofrimentos.
 
E chorei por minutos. Por horas. Chorei nos dois VTs do jogo que vi naquela madrugada. Chorei quando ouvi a épica narração do Pequetito na rádio Globo.
 
Chorei em todas as repetições do pênalti desde aquele dia.”
O trecho acima é do livro “Nós acreditamos”, escrito a três mãos pelos jornalistas Leonardo Bertozzi (ESPN Brasil), Mário Marra (CBN-SP) e Mauro Betting (Rádio Bandeirantes-SP) e relata as emoções vividas por eles e pela torcida do Galo na caminhada pelo título inédito da Copa Libertadores 2013. 
 
Um relato emocionante e emocionado de memórias de lances como o descrito acima, de quando Victor defendeu o pênalti cobrado por Riascos, do Tijuana, já nos acréscimos do jogo de volta em Belo Horizonte. O Galo empatava em 1-1 e ia se classificando na soma dos dois jogos no critério do gol fora de casa –  no México, o jogo deu 2-2.  Victor se tornou o grande herói da conquista. “Ela”, citada por Bertozzi no texto, é Laura, a filhinha que sofria e vibrava com cada lance do Atlético-MG na conquista histórica. Agora, virou literatura pelas mãos do pai e dos amigos.
 
 
 
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Libertadores para todos: quem está na fila?

Galo campeão da Libertadores: quem quiser que pegue a senha

A piadinha recorrente entre os rivais era de que o Governo acertou em cheio ao lançar o programa “Libertadores para todos”, uma gozação com a longa espera de Corinthians e Atlético Mineiro em conquistar o título que os rivais já tinham. Campeão, o Galo já pensa no Mundial e desafia os interessados a tentarem no ano que vem. Dos 16 maiores clubes do Brasil, 10 já têm a cobiçada glória. Quem, portanto, estraria no “LPT” fictício? 

O Fluminense abre a lista de espera. Vice-campeão em 2008, quando perdeu para a LDU do Equador, o Flu é o atual campeão brasileiro e tem feito boas campanhas nos últimos anos. Namora com a taça – tem seis participações e foi sétimo neste ano – mas começou mal o Brasileirão 2013 e terá de suar para chegar à Libertadores por essa via. Por outro lado, está na Copa do Brasil – outrora o caminho mais curto.

Outro vice-campeão continental que está na fila é o Atlético Paranaense. Depois de perder a final de 2005 para o São Paulo, não repetiu as boas atuações e até amargou uma Série B em 2011. Teve três participações no torneio continental – a última, no mesmo 2005 – e neste ano está mal no Brasileirão. O Furacão, a exemplo do Flu, também tem a Copa do Brasil como atalho para a glória.

Terceiro colocado no distante ano de 1963, o Botafogo é mais um dos grandes na lista de espera. Disputou a Libertadores em três ocasiões, sendo a última em 1996. Está na briga pelo Brasileirão 2013 e também está na Copa do Brasil.

Quinto colocado em 1989, o Bahia é outro que aguarda sua senha no painel. Participou três vezes da competição, sendo a última exatamente no ano de sua melhor campanha. No Brasileirão, está no meio da tabela, mas terá um atalho diferente para voltar à Libertadores: a Copa Sulamericana. Quem sabe um título continental seguido do outro?

O Coritiba é outro campeão brasileiro à espera da taça continental. Sétimo colocado em 1986, quando disputou a competição como campeão brasileiro, participou também em 2004 e não mais voltou. Briga na parte de cima da tabela no Brasileirão 2013 e pode tentar a volta também via Copa Sulamericana.

A lista dos grandes ainda sem Taça Libertadores se fecha com o Sport. Foi 11o colocado em 2009, quando disputou pela segunda e última vez a competição. Está na Série B nesta temporada, mas, curiosamente, pode disputar a Libertadores 2014: para tanto, precisa ganhar a Copa Sulamericana, competição na qual está por conta dos novos critérios da CBF.

  • Jejum e repeteco

Se quem ainda não ganhou a competição está sedento, a vontade dos que já faturaram em repetir não é menor. Dos 10 clubes brasileiros campeões da Libertadores, o maior jejum é o do Flamengo, campeão pela única vez em 1981. O Grêmio, bicampeão em 1995, já podia ter saído da fila, mas perdeu a decisão de 2007 para o Boca Jrs. Curiosamente, na sequência do jejum, está outro bicampeão que perdeu final recentemente: o Cruzeiro, que levou em 1997 mas perdeu para o Estudiantes em 2009.

Campeão em 1998, o Vasco aumenta a fila dos jejuantes, seguido do Palmeiras, que poderia ter levado o bi entre 1999 e 2000, mas perdeu a segunda final. Um pouco menos impacientes estão os torcedores do São Paulo, tricampeão em 2005. Assim como os do Internacional, que levou o bicampeonato na primeira das quatro finais seguidas com brasileiros em 2010. Depois de um longo jejum – desde a Era Pelé – o Santos também não tem muito do que reclamar, campeão em 2011. O Corinthians, por sua vez, ainda está em lua de mel com a torcida pelo belo ano de 2012. E o do Atlético-MG… esse então, acha tudo isso aqui uma grande festa!

  • Menções honrosas

Dois clubes brasileiros não se encaixam no perfil acima, mas merecem menção pelas ótimas participações em Libertadores. Vice-campeão em 2002, o São Caetano não conseguiu se fixar entre os clubes mais fortes do Brasil, mas fez belas campanhas no início dos anos 2000, incluindo dois vices no Brasileirão e três participações na competição continental. Hoje patina na Série B.

Outro que tem história para contar na Libertadores é o Guarani. O Bugre foi terceiro colocado em 1979 e também jogou por três vezes a Libertadores, sendo a última em 1988. Atualmente disputa a Série C do Brasileirão.

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O Papa do futebol no País do Futebol

"Venho... do bairro de Boedo... Um bairro de bandas de rua e carnaval..."

Jorge Mario Bergoglio poderia ser apenas mais um entre os tantos fanáticos do San Lorenzo, tradicional equipe da Argentina, 14 vezes campeã nacional. Poderia se juntar a massa azulgrana aos domingos para vibrar e sofrer com seu time nos jogos do campeonato. Mas domingo é dia de Missa e Jorge Bergoglio não é um torcedor comum. É também o Papa Francisco, maior líder da Igreja Católica, ainda a igreja com mais adeptos no Mundo, cerca de 1,1 bilhão de pessoas. Por isso Jorge, hoje residente no Vaticano, não pôde ver de perto a luta do Ciclón pelo título da temporada, que acabou nas mãos do Newells Old Boys, com o San Lorenzo acabando em quarto lugar, contrariando a fé do Pontífice:

Pois nessa semana o Papa do Futebol visita o País do Futebol. O Brasil ainda é predominantemente católico, o que faz com que a mobilização em cima da visita do Papa seja grande. Segundo o censo do IBGE 2010, 64,6% dos brasileiros são católicos, seguidos de 22,2% de evangélicos, 8% sem religião e 2% de espíritas, com os 3,2% restantes se dividindo entre diversas religiões. Francisco chega ao Brasil em um momento de fé para a torcida do Atlético Mineiro. Derrotado por 2-0 em Assunção na primeira partida da Libertadores, o Galo precisa de um “milagre” para ficar com a taça, só conseguido uma vez em decisões, em 1989, quando o Atlético Nacional devolveu o mesmo placar contra o mesmo Olimpia e depois venceu nos pênaltis. Se o Papa vai entrar nessa ou não, não se sabe. Mas, anteriormente, ele já deu força ao time mineiro – leia aqui.

Em 1980, na primeira visita do antecessor João Paulo II ao Brasil, a torcida do Fluminense colocou o então Papa dentro do futebol. Na decisão do estadual contra o Vasco, os tricolores entoaram um canto que ecoa até hoje: “A benção, João de Deus” (veja abaixo). A fé colou e o Flu ficou com o título nos pênaltis. A visita ainda acirra a rivalidade no Paraná. Detentor do maior público da história no estádio do Coritiba, o Atlético vê o Coxa contestar a informação usando o Papa. Para o Coxa, a visita de João Paulo II é o recorde oficial do estádio e não os 67.391 torcedores que acompanharam a vitória por 2-0 do Furacão sobre o Fla, na semifinal do Brasileiro em 1983.

Futebol e religião se misturam a todo momento. E não só no Brasil. Em Roma, o Papa costuma receber jogadores e torcedores em busca de um apoio espiritual para suas missões. A última bola dividida foi na decisão da Copa da Itália, transmitida pelo Terra no primeiro semestre. Romanistas e laziales procuraram Francisco pedindo benção. Ele atendeu às duas equipes, mas a taça ficou com a Lazio de Hernanes – conhecido também, vejam só, como “o Profeta”.

A agenda do Papa será apertada no Brasil. Chega nesta segunda e fica até domingo, sempre com eventos. Talvez consiga ver pela TV um ou outro jogo, em semana de Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. Em Aparecida do Norte-SP, na quarta, terá a oportunidade de ver a enorme coleção de camisas de futebol que estão no santuário, levadas por fiéis que querem ajuda para seus clubes, de torcedores a jogadores.

Faixas e camisas no Santuário de Aparecida

Do Brasil, Francisco voltará à Roma. Não irá ao bairro de Boedo, onde poderia acompanhar, na semana que vem, a estreia do San Lorenzo contra o Olimpo pelo Torneo Inicial 2013 e quem sabe se juntar aos hinchas na arquibancada.

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Por decisão inédita, Atlético-MG desafia coincidências

Galo 4o colocado em 1978: campanha de 2013 já é melhor

O Atlético Mineiro precisa de uma vitória por 3 gols de diferença – ou ao menos um 2-0 para levar aos pênaltis – para chegar pela primeira vez à decisão da Copa Libertadores.

Para tanto, terá que superar o bom time do Newell’s Old Boys e algumas coincidências históricas. 

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Semifinalista pela última vez em 1978, o Galo também teve de enfrentar equipes argentinas. O regulamento era diferente. O então vice-campeão brasileiro (assim como agora) perdeu três dos quatro jogos que fez em um triangular semifinal contra River Plate e Boca Jrs., que acabou campeão. 

Contando outros torneios internacionais, outras coincidências. Na Copa Conmebol (atual Sulamericana) de 1998, quando foi semifinalista, acabou eliminado pelo Rosário Central – grande rival do Newell’s. Naquela oportunidade, no entanto, havia conquistado um grande resultado na Argentina, empatando em 1-1. Foi derrotado em casa por 0-1. Se conseguir reverter o placar contra o Newell’s, o Galo terá pela frente um adversário contra o qual já decidiu título: o Olímpia, rival na final da Copa Conmebol de 1992, da qual saiu vencedor.

Maestro do Atlético-MG, Ronaldinho também precisa superar alguns tabus. Nas semifinais internacionais que disputou, nunca reverteu o placar do jogo inicial. Campeão em 2004/05 pelo Barcelona, passou pelo Milan nas semis após vencer o primeiro jogo, 1-0. Em 2007/08 caiu na mesma fase ao perder para o Manchester United, que arrancou um 0-0 em Barcelona. Na última vez em que a Libertadores não teve um brasileiro sequer na decisão, em 2004, o técnico eliminado nas semifinais era Cuca. O atual comandante do Atlético-MG estava à frente do São Paulo, que acabou eliminado pelo surpreendente Once Caldas, da Colômbia. Victor, herói da classificação contra o Tolima, também terá que superar um tabu: nunca passou das semifinais da Libertadores. Em 2009, quando ajudou o Grêmio a ter a melhor campanha de toda a competição – a exemplo do Galo – acabou caindo frente ao Cruzeiro.

invicto há 52 jogos desde a reabertura do Independência, o Atlético Mineiro tem ao seu lado os números do novo alçapão e um pequeno tabu do lado do Newells. Os argentinos nunca eliminaram um brasileiro na competição. Nos dois encontros com o São Paulo, eliminação nas oitavas em 1993 e perda do título em 1992.

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