Acabou o futebol, e agora?! NFL na veia!

Chargers x Broncos: NFL começa a ferver agora

por André Tesser*

Bom Senso FC e discussões por calendário a parte, para muitos, o final do ano é o período de ressaca esportiva pelo recesso da paixão nacional esportiva do brasileiro: o futebol. Com o fim do Brasileirão – ao menos dentro do campo… – e da Copa Sulamericana, os amantes do futebol ficam restritos aos poucos jogos dos Mundial de Clubes ou ainda os Europeus, que o Terra transmite de graça, como o Alemão. O pior mesmo são as peladas de final de ano. Os intermináveis “Amigos de Ghiggia x Amigos de Forlán”, que mais parecem aqueles famosos casados x solteiros que precedem o último churrasco do ano dos amigos.

Uma excelente alternativa é a NFL, a liga profissional norte-americana de futebol. Ao contrário do futebol jogado com os pés, a NFL começa a atingir seu ápice no final do ano, passa ao longo de janeiro inteiro e tem seu clímax com sua final (o Super Bowl, evento esportivo de maior audiência televisiva do mundo) no primeiro domingo de fevereiro.

A temporada regular está terminando e faltam apenas três rodadas para a definição dos playoffs (mata-mata em partida única) e tem sido a mais emocionantes dos últimos anos. Basta dizer que, das 32 equipes da Liga, somente três já têm vaga garantida nos playoffs. E que, das equipes que restaram, 25 de 29 times ainda brigam por um lugar ao sol nas próximas fases.

Ainda, além das brigas pelas vagas nos playoffs, estão em jogo também nas rodadas finais da NFL as melhores posições dentro das duas conferências da Liga (AFC e NFC) que garantem aos times folgas (bye) na primeira rodada das fases eliminatórias e as vantagens de jogaram a partida única de cada fase dos playoffs em casa.

Na temporada regular, dois canais (ESPN e Esporte Interativo) transmitem até quatro jogos por domingo e um jogo na segunda-feira à noite. Mesmo com alguns jogos começando muito tarde (os dois jogos mais importantes da rodada, o Sunday Night Football e o Monday Night Football começam às 23h30’ por causa do fuso horário), a ESPN vem repetindo a transmissão de alguns jogos em horários mais, digamos, acessíveis.

Depois do final do ano (no primeiro fim de semana de janeiro, para ser mais exato), começam os playoffs e todos os jogos dessas fases, incluindo o Super Bowl no dia 02/02/2014 estarão na TV. Vale a pena assistir, porque, verdadeiramente, as fases eliminatórias costumam ser um campeonato diferente da temporada regular. Basta relembrar que os últimos três campeões do Super Bowl não foram as equipes de melhor campanha na temporada regular em suas Conferências. Aliás, sequer foram equipes que conseguiram garantir um bye na primeira rodada dos playoffs.

Então, meu amigo, dispa-se do seu preconceito e se permita (ao menos tentar) curtir o futebol americano. Sente na frente de sua TV com tempo e mente – e algum refresco – abertos. Uma bela cerveja americana (se puder ser uma IPA, melhor ainda) e preste atenção ao jogo, aproveitando as didáticas transmissões para o Brasil. Se você não se viciar na NFL, ao menos não perdeu tempo assistindo “Amigos do Ghiggia x Amigos do Forlán”.

*André Tesser é especialista em futebol americano e amigo do blog

Uma reflexão sobre o esporte brasileiro e o jornalismo esportivo

Mayra Aguiar fez história nesta quinta e eu tive a honra de acompanhar. A judoca gaúcha ficou com o bronze na categoria meio-pesado (até 78kg) em Londres 2012. Mayra (pronuncia-se ‘Má-y-ra’) medalhou e eu, 10 anos depois de começar nisso, finalmente posso falar com convicção que sou narrador esportivo. De fato, até uma semana atrás, era no máximo narrador de futebol, como muitos dos meus colegas. É o que resume o esporte no Brasil, salvo o intervalo de 20 dias a cada 4 anos chamado Olimpíada.

Em uma semana, fiz Judô, Boxe, Natação, Basquete e Vôlei de Praia nas transmissões que o Terra tem feito, inovando e oferecendo essa alternativa ao internauta. Ah!, fiz Futebol também. Masculino, ressalte-se – mas podia ser feminino, tão escanteado (ops, olha o ato falho) quanto os demais esportes “amadores”. Nós, narradores esportivos, nos apresentamos assim, mas na verdade falamos mesmo é de futebol. Até mesmo a famigerada associação da crônica local, que se diz “esportiva” e pretende ser reguladora da profissão, não aparece em eventos como Stock Car, MMA ou futsal. Mama no futebol e só. É a cultura do País. Cultura que também faz atletas como Mayra como vitimas. Vão de heróis a vilões em segundos, a cada quatro anos, para depois mergulharem no ostracismo. Até a outra olimpíada.

Quando Mayra venceu a disputa do bronze, acreditem, me senti medalhando junto. Antes da luta, eliminada por sua grande rival, a americana Kayla Harrison, em uma final antecipada, Mayra dividiu opiniões nos comentários no Terra. Líder do ranking mundial, Mayra parou – depois soubemos –  na futura campeã olímpica. Mas o cruzamento atrapalhou. E, convenhamos, só uma pode vencer. Hoje, foi Harrison, em outras 4 ocasiões havia sido Mayra. Ela virou “amarelona”, o Brasil virou sinônimo de fracasso olímpico. Todos passamos a entender Judô como se fosse… futebol. Nossa cultura esportiva é de amor à vitória, não ao desporto. Tanto é que o bronze de Mayra logo apagou a frustração.

É assim com todos os atletas olímpicos. Saem da obscuridade para se tornarem heróis e decepcionarem em segundos. Culpa nossa – a mídia – também. Alimentamos isso como se o Brasil fosse uma potência olímpica. Não é. Temos atletas talentosos, esforçados e em grande maioria com pouco apoio. Parece chover no molhado, e é. Mas basta ver que nosso esporte número 1, o futebol, jamais foi ouro olímpico (cá entre nós, acho que o ano é esse. Me cobrem). Isso resume tudo.

Rio 2016 vem aí. Há poucos dias, escrevi sobre a necessidade de se mobilizar e a oportunidade que Curitiba pode ter para fazer parte de tudo. Em época de eleições, é possível que vejamos muitas promessas e fotos com os medalhistas. Mas é tempo de mudar essa cultura. Fato é que os narradores futebolí… digo, esportivos, também não vêem muito como acompanhar os torneios ao longo dos quatro anos que antecedem e formam o ciclo olímpico. É um círculo vicioso, que se dissipa só durante os Jogos. Difundir o esporte, montar equipamento urbano, incentivar a prática, socializar crianças e jovens e acostumá-los aos holofotes é o caminho para que deixemos de ser especialistas de ocasião e nos tornemos uma força olímpica verdadeira.

Mini-guia Copa do Brasil, fase III

E chegamos a fase 3 da Copa do Brasil com 75% dos times paranaenses no páreo. Pode comemorar: desde 1996 o Estado não vê os três principais times chegar às oitavas de final. E aquela ainda foi a única vez.

Então, se você vai ao estádio ainda hoje, esse é o lugar para saber o que o seu time vai enfrentar; se você vai ao estádio amanhã, aqui também tem tudo sobre o confronto do seu time; e se você só vai ao estádio semana que vem, fique sabendo já o que pode acontecer com o seu time. É o mini-guia da Copa do Brasil, parte III, torcendo muito para que tenhamos versões IV, V e VI. Quiça um feliz prólogo.

Vamos por ordem cronológica:

Paraná x Palmeiras

Ida: 25/04 – 21h50 – Vila Capanema, Curitiba
Volta: 09/05 – 22h – Arena Barueri, Baruei

O Paraná passou pelo Ceará no sufoco, conseguindo um suado empate nos minutos finais no jogo da Vila Capanema e passando de fase pelos gols marcados fora de casa. Vai para o quinto jogo do ano e já contra um time de Série A, num ano em que 90% de seus adversários terão poder de fogo inferior ao desta fase.

Em compensação, o Palmeiras chega a Curitiba em crise. Eliminado no Paulista pelo Guarani, chegou a liderar o estadual vizinho mas despencou na classificação. O que poderia ser um quadro de franco favoritismo palmeirense se tornou ligeiramente equilibrado graças ao momento psicológico das equipes.

O primeiro jogo na Vila será decisivo para o Paraná abraçar de vez a condição de zebra. Não é impossível eliminar o Palmeiras – mas é melhor não criar muita expectativa em cima de um time jovem e recém-montado. O Tricolor é franco-atirador, a melhor posição nesse momento. Um resultado de vitória, especialmente sem levar gols, ou ainda um empate sem gols pode ser comemorado.

O Palmeiras tem como destaque a mesma base que despencou na reta final do Brasileirão 2011. Os homens mais perigosos são o atacante Barcos (fez 10 gols na temporada, mas vem mal desde a derrota para o Corinthians no Paulistão) e os meias Marcos Assunção e Valdívia – este, não vem sendo titular.

Barcos é o homem-gol do Palmeiras

Na história são 20 jogos, com cinco vitórias do Paraná e 13 do Palmeiras. Os times se enfrentaram nas quartas de final da Copa do Brasil 1996: Paraná 0-2 Palmeiras em SP e Paraná 1-3 Palmeiras em Curitiba.

Se passar pelo Palmeiras, o Tricolor pega o vencedor de Atlético x Cruzeiro.

Coritiba x Paysandu

Ida: 26/04 – 19h30 – Couto Pereira, Curitiba
Volta:  03/05 – 19h30 – Mangueirão, Belém

É sem dúvida o confronto mais tranquilo dos paranaenses, mas a grande lição ao Coxa está justamente na fase anterior, quando o Paysandu surpreendeu o Sport Recife, colega alviverde na Série A, e venceu as duas partidas: 2-1 em Belém e 4-1 em Recife. Ainda assim, não há como negar: o Coritiba é favorito na série.

O Coxa vinha de atuações irregulares no ano, mas, justo antes de iniciar a reta final da Copa do Brasil, aplicou 4-2 no rival Atlético e deixou a torcida mais confiante. Não pelo placar, mas pelas mudanças que Marcelo Oliveira fez no time, especialmente a entrada de Éverton Ribeiro, dando velocidade ao meio campo. O que pode complicar o Coritiba na série é ter que fazer a viagem mais longa dos paranaenses: 3208 km. Mas vale lembrar que o Coxa já foi ao norte do país, pegar o Nacional em Manaus.

Ok, mas o Paysandu não tem nada a oferecer? Negativo. Em campo é 11 contra 11 e tal. Mas mais do que isso, a arma (já nem tão) secreta do Papão é essa:

Ops! Não, esse não é o Pikachu certo. Esse sim:

Yago Pikachu: não parece, mas é perigoso

O lateral-direito Yago Pikachu, 19 anos, vem fazendo grandes partidas, atuando na verdade mais como ponta do que como lateral (alô Lucas Mendes).  É tratado como a nova jóia do futebol paraense, tendo começado a carreira sob a tutela de Capitão, o mesmo técnico que revelou Paulo Henrique Ganso, do Santos. Contra o Sport, o primeiro gol foi dele:

O elenco do Paysandu ainda tem como rostos conhecidos o volante Vânderson (aquele, ex-Atlético) e o atacante Adriano Magrão, campeão da Copa do Brasil 2007 pelo Fluminense. Foi eliminado nas semifinais do Paraense pelo Águia de Marabá e vai disputar a Série C nacional. À exemplo do Paraná Clube, busca retomar seu lugar ao sol no futebol brasileiro. Tem tradição e torcida. Para o Coritiba, o ideal é resolver a parada já no primeiro jogo e não se aventurar no Mangueirão.

Na história, vantagem coxa-branca com 7 vitórias e duas derrotas em 14 jogos.

Se passar pelos Paysandu, o Coritiba encara Botafogo-RJ ou Vitória na outra fase.

Atlético x Cruzeiro

Ida: 02/05 – 21h50 – Vila Capanema, Curitiba
Volta:  09/05 – 21h50 – Arena do Jacaré, Sete Lagoas-MG

Se o Paraná Clube é franco-atirador e o Coritiba é franco-favorito, francamente, entre Atlético e Cruzeiro, não há vantagem para nenhum dos lados. É um clássico do futebol brasileiro, já tendo sido decisão de título nacional (a Seletiva 99) e regional (Copa Sul-Minas 2002) com um triunfo pra cada lado. Atleticanos e cruzeirenses costumam ser amigos fora de campo (paradoxalmente, o rival do Cruzeiro, também Atlético – Mineiro – vê seus torcedores se aliarem com os rivais do Atlético, o Coritiba) mas a disputa na reta final do Brasileirão 11 para evitar a queda e as suspeitas das torcidas atleticanas de PR e MG sobre o resultado que livrou a Raposa da queda (6-1 no clássico mineiro) deram um tempero extra a esse confronto.

O Atlético é instável na temporada e vai à decisão do Estadual e desta vaga sem saber o que pode apresentar: se o time frágil que tropeçou no Roma-PR e levou 4 no Atletiba 350 ou a máquina de gols que enfiou 5 no Criciúma e joga ofensivamente contra qualquer rival.

Pois o Cruzeiro não é diferente. No Estadual, chegou em segundo lugar na fase de classificação, perdendo para o Guarani e empatando o clássico com o Atlético-MG. Isso o botou na rota do Derby Mineiro, com o América. E perdeu na ida, 2-3, resultado que ficou até bom, pois perdia por 0-3. Corre risco de ficar de fora da final mineira.

No entanto, tem um elenco forte, que mesmo sem decolar nas mãos do técnico Vagner Mancini, tem jogadores que podem desequilibrar: o bom goleiro Fábio, o zagueiro Alex Silva, os meias Roger e Montillo e os atacantes Wellington Paulista (ex-Paraná) e Wallyson (ex-Atlético). Quem também está pela Toca da Raposa é o lateral-esquerdo/volante Marcelo Oliveira, que defendeu o Furacão em 2011.

Montillo e Marcelo Oliveira, agora do mesmo lado

O exemplo para o Atlético superar o Cruzeiro está em seu próprio passado. Ao conquistar a Seletiva 99, fez 3-0 em Curitiba e jogou tranquilo em BH, perdendo por 1-2 e ficando com a taça; em 2002, fez o jogo de ida pela Sul-Minas em casa e perdeu, 1-2. Foi ao Mineirão e perdeu de novo, na despedida de Sorín, 0-1. Traduzindo: é fazer o resultado em casa e ir a Minas Gerais decidir a sorte.

Na história, 10 vitórias atleticanas e 13 cruzeirenses em 39 jogos. Os times já se enfrentaram duas vezes na Copa do Brasil. Em 1999, deu Atlético: 0-0 em Curitiba e 3-3 em BH; em 2000, revanche celeste: 2-1 em BH e 2-2 em Curitiba.

Se eliminar o Cruzeiro, o Atlético pega o vencedor de Paraná x Palmeiras.

Copa do Brasil: mini-guia da segunda fase

O Operário tombou, mas o trio da capital segue firme na Copa do Brasil, com jogos nessa semana (à exceção do Paraná Clube, que só entra em campo dia 11).

Assim sendo, vamos ao mini-guia da segunda fase da competição, que ainda permite que um time avance se vencer o primeiro jogo fora de casa por 2 ou mais gols de diferença. Melhor para os paranaenses, que pegam times pior ranqueados na CBF e têm essa possibilidade.

ASA x Coritiba 

Depois de penar mais que o esperado para superar o Nacional-AM, o Coxa faz o “clássico do frango” contra a ASA: Agremiação Sportiva Arapiraquense. Será o primeiro jogo dos paranaenses nessa fase, já amanhã (quarta, 4).

Vitima de uma jocosa comparação do cantor de MPB Chico Buarque na música “E Se…”, com um verso que duvidava da capacidade do Arapiraca ser campeão, o ASA já não é mais uma galinha morta – com o perdão do trocadilho. É o atual campeão alagoano (são 7 títulos ao todo) e está na Série B do Campeonato Brasileiro.

O Coxa não terá moleza e pela bola que vem jogando, deve fazer o jogo de volta em Curitiba, marcado para 11/04. No ASA, o destaque é o atacante Neto Potiguar, que já defendeu Bahia e Guarani e jogou no futebol mexicano. O técnico é Heriberto da Cunha, ex-Atlético. No atual campeonato alagoano, o ASA é o 2o colocado no segundo turno, depois de perder a decisão do primeiro nos pênaltis para o CRB. Quatro equipes avançam às semifinais dos turnos. Na última rodada, o ASA ficou no 2-2 com o CSE (sim, em Alagoas quase todos os times são conhecidos pelas siglas. Na primeira divisão, são 5 dos 10: CRB, CSA, CSE, CEO e ASA.)

Na história são 2 jogos, com duas vitórias do Coxa, 4 gols marcados e 1 gol sofrido. O último jogo foi no Couto Pereira, em 25/09/2010, vitória por 2-0.

Se passar pelo ASA, o Coxa pega o vencedor de Sport Recife x Paysandu.

Criciúma x Atlético

Parada indigesta para o Furacão na vizinha Santa Catarina, na quinta-feira 05/04. O primeiro grande desafio pensando na Série B nacional é o Criciúma, adversário que também está na vida do Atlético na volta da equipe à segunda divisão nacional após 17 anos – jogos marcados para a 18a e 36a rodadas. Antes, a Copa do Brasil, competição na qual o Tigre tem mais know-how que o Rubro-Negro: foi campeão em 1991 sob o comando de Luís Felipe Scolari.

Depois de passar com dificuldades pelo Sampaio Corrêa, está na expectativa atleticana realizar o jogo de volta em 12/04, na Vila. Pela frente, o vice-líder do segundo turno do Catarinense que não foi bem no primeiro turno, mas vem em recuperação. No entanto, levou 3-0 do Joinville na última rodada do Estadual, quando perdeu a liderança.

Pelo lado do Criciúma, rostos conhecidos como o do goleiro Andrey (campeão paranaense pelo CAP em 2005), o ex-coxa-branca Fabinho Capixaba e o ex-paranista Itaqui, destaque da equipe ao lado do artilheiro Zé Carlos, que esteve cotado a defender o Atlético no ano passado. O técnico é o ex-zagueiro Sílvio Criciúma.

Na história, vantagem catarinense: 6 vitórias contra 5 do Atlético e quatro empates.

Se passar pelos catarinenses, o Furacão encara Cruzeiro ou Chapecoense-SC na outra fase.

Ceará x Paraná

Ninguém terá moleza nessa fase da Copa do Brasil, mas talvez seja o Paraná quem tenha as maiores dificuldades na série eliminatória. Beneficiado pelo ranking histórico por apenas 2 pontos de vantagem (1110 x 1108) o Tricolor poderá decidir em casa, contra o Ceará, a vaga na outra fase da competição. A série só se inicia em 11/04, com jogo no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza – a volta poderá ser em 18/04, se o Paraná não vencer por 2-0 a ida.

O grande problema é a inatividade paranista no ano até aqui. Apenas dois jogos oficiais, com um empate e uma vitória sobre o Luverdense-MT em quatro meses de atividade. Enquanto isso o Ceará, que será adversário tricolor também na Série B nacional, ocupa a liderança do Cearense, com 45 pontos em 19 jogos – são 22 ao todo, pontos corridos ida e volta entre 12 times, com os quatro primeiros indo às semifinais. Ou seja: tudo que o Paraná não jogou no ano até aqui, o Ceará abusou.

O time é experiente, com jogadores como o goleiro Fernando Henrique e o zagueiro Daniel Marques (aquele mesmo) que fizeram parte da equipe que caiu para a Série B ano passado, e outros conhecidos, como o lateral-direito Apodi e os atacantes Lima, o “falso lento” ex-Atlético, e Mota, ex-Cruzeiro. O técnico é PC Gusmão.

Paraná e Ceará se enfrentaram na Copa do Brasil 2001 e deu Vovô: 2-2 em Curitiba e 1-3 em Fortaleza. Se o Tricolor passar, pega o vencedor de Palmeiras x Horizonte-CE. E se o Paraná passar, a FPF terá problemas, mas isso você lê aqui.

Só a Justiça pode antecipar a Série Prata

A Série Prata do Paranaense pode acabar na Justiça antes mesmo de começar. Isso porque o Paraná Clube está próximo de acertar com o advogado Domingos Moro, a fim de conseguir antecipar a competição, com base nas normas da CBF e da própria FPF (confira no link indicado mais abaixo).

Oito dos 10 clubes já pediram antecipação da competição (Jr. Team e Grêmio  Metropolitano não aderiram) mas não devem ser atendidos pela FPF. Procurei Amilton Stival, vice-presidente e diretor-técnico da FPF para entender o porquê da federação não rever a posição no caso, antes que ele pare na justiça.

Amilton Stival: "Se a lei determinar, cumpriremos" (Foto: Rádio Foz)

Napoleão de Almeida – Sendo objetivo: quando a FPF pretende iniciar a Série Prata?
Amilton Stival – A minha intenção é começar em 1º. de maio, uma terça, um feriado. Vamos estar terminando a primeira divisão.

NA – Como vocês pretendem lidar com os conflitos de tabelas? O Paraná argumenta que há um dispositivo da CBF e um amparo junto ao sindicato dos atletas que impede a realização de partidas de uma mesmo clube em menos de 66h? (clique aqui e leia post no blog do Leo Mendes Jr. que disseca a situação)
AS – Isso é da CBF. Aqui é FPF. O que nós não podemos fazer é conflitar as datas. Como na Série Ouro, que não tem jogo junto com a Copa do Brasil. Tanto é que o jogador que não for punido em dias (período) pode atuar no Paranaense. Não tem relação.

NA – Sim, mas a FPF não é submissa a CBF?
AS – Filiada. Sim, é filiada. Mas nós não podemos ter jogos aqui com menos de 66h entre si, entende? E não teremos. E não teremos conflitos com o calendário da CBF também, porque quero marcar jogos para quartas e domingos. A Série B é terça e sábado.

NA – O que você diria para quem entende que é má vontade da FPF no caso?
AS – Veja bem, eu sou paranista, ajudei a fundar o clube. Não é má vontade não, porque há uma regra. Aquilo que estamos fazendo, de recuperar a imagem da FPF, que não tem jeitinho… porque o brasileiro espera o último minuto… e aqui não tem jeitinho. Nós temos que seguir um caminho e estamos seguindo. Desde 2008 nós temos mantido o calendário. Mas não é porque é o Paraná que vamos mudar. Pras eleições, o voto do Tupinambá é igual ao do Coritiba.

NA – Só que não é só o Paraná que pode ter problemas. Os clubes do interior podem ter que esticar os contratos. Aliás, são oito a favor da antecipação…
AS – Se acaso houver unanimidade, não tem problema nenhum. Mas os clubes emprestaram todos os jogadores. Eles se planejaram para maio. Quando terminou o Paranaense, o Paraná devia ter procurado os times da segunda divisão e já conversado. Os clubes teriam se preparado. Mas não. O Paraná foi se preocupar em novembro.

NA – O Paraná foi buscar auxílio jurídico e deve brigar nos tribunais, contratando o Domingos Moro. E aí?
AS – O Moro é advogado, tá no papel dele. A decisão que vier do tribunal, cumpre-se, como fizemos com o Rio Branco. Se a lei achar que tem que mudar, nós mudamos, sem problema nenhum. Por isso a FPF tem credibilidade com os clubes.