Amador de Campo Largo tem história, recordes e Laranja espremida

Campo Largo também tem futebol. E a rivalidade rolou solta no final de semana na terra da louça.

por Ana Claudia Cichon*

Domingo, sol, futebol. Tem combinação mais perfeita? Este foi o cenário da primeira partida da decisão no Campeonato Amador Campolarguense. De um lado, “o mais emergente”. Do outro, o maior vencedor da competição. O duelo entre Laranja Mecânica e Internacional contou com um tabu – que não foi quebrado – e dois técnicos que já fazem parte da história do futebol amador.

Ivo Petri e Altevir Sales: cada um batendo recordes em uma área (Foto: Ana Claudia Cichon)

O treinador do Laranja – clube com apenas dez anos, mas retrospecto invejável (confira abaixo) – é Altevir Sales, nome que certamente está na memória dos atleticanos. Altevir defendeu a meta do time rubro-negro por cinco anos e detém um recorde impressionante: 1066 minutos sem tomar gols. A sequência ocorreu no Paranaense de 1977 e ainda hoje é guardada com carinho pelo arqueiro, que não esconde a torcida pelo Furacão, reforçada pela presença do filho, Christopher Sales, como treinador de goleiros do clube. “Não tenho condições de sonhar em comandar o Atlético, pois sou representante, tenho outro trabalho. Mas ter meu filho lá dentro é quase como se eu estivesse treinando”, comenta.

Altevir, recordista pelo Atlético (Foto: Site Oficial CAP)

Há quase 20 anos na função, Altevir já passou por clubes como Trieste, Iguaçu e Vila Hauer, e está na sua segunda temporada à frente do Laranja Mecânica, confiante na busca do bi campolarguense. “O Inter e o Fanático [outro clube amador de Campo Largo] tinham a hegemonia, e o Laranja chegou mostrando sua força. Fomos campeões ano passado e conquistamos vaga para a Taça Paraná por dois anos consecutivos, o que é muito difícil. É um trabalho para ser valorizado”, ressalta.

O técnico destaca ainda a importante participação e dedicação da diretoria do clube, que mesmo com dificuldades não mede esforços para melhorar a cada o clube. “É uma diretoria jovem, de meninos que estão começando na carreira, mas todo nosso sucesso recente é resultado do empenho deles, especialmente do presidente, Ricardo Coltro”.

  • O multicampeão

Papa-títulos. Este poderia facilmente ser o apelido de Ivo Petry Sobrinho, técnico do Internacional. Por todos os clubes que passou deixou seu nome gravado em algum troféu. Pelo Combate Barreirinha e pelo Trieste acumula os títulos da Suburbana e também da Taça Paraná. Pelo Inter, já comemorou o bi campeonato da Taça Paraná e o Sul Brasileiro, no ano passado. O que o motiva a continuar?

“Tenho uma amizade muito grande com atletas e dirigentes. Isso faz com as disputadas sejam agradáveis, me faz ter vontade de permanecer no amador”, explica. A boa estrutura encontrada nas equipes, especialmente no Inter, também conta. “É prazeroso fazer o amador nessas condições. Aqui temos uma torcida forte, que colabora, prestigia e cobra quando necessário. É um pessoal que gosta do amador”, complementa.

Com tantas conquistas, já recebeu alguns convites para treinar clubes do futebol profissional, mas como é comum no amador, possui outro emprego e não teria tempo para uma dedicação exclusiva. “Prefiro acompanhar de longe. Indico jogadores, realizamos amistosos, mas não pretendo assumir um time”.

O prestígio é tanto que alguns jogadores acompanham o técnico. “Tem atletas, como o Hideo e o Luisinho Netto, que sempre que podem estão comigo. Hoje, eles e outros que se destacaram nas últimas conquistas do Inter estão na Suburbana, mas têm um carinho muito grande pelo clube e já declararam que querem voltar. E eles serão muito bem-vindos”.

  • O jogo

Inter e Laranja já entraram em campo classificados para a Taça Paraná, maior competição estadual de futebol amador, mas nem por isso a rivalidade ficou de lado. Enquanto a equipe alvinegra luta para reconquistar o título municipal, o Laranja entrou em campo querendo o bi e, principalmente, quebrar um tabu: sair ao menos uma vez vitorioso do confronto.

Mas não foi desta vez. Dominando a primeira etapa, o Inter saiu na frente, com gol de Marquinhos, aos 38 minutos. No segundo tempo a equipe de Altevir partiu para cima, conseguiu chegar ao empate na cabeçada de Leomar (mais um destes que não conseguem pendurar a chuteira, o meia teve passagens pelo Atlético, Botafogo, Sport e Seleção Brasileira) e pressionou o time alvinegro, mas, como diz o ditado, “quem não faz, toma”. Luciano estufou as redes, fez 2-1 para o Inter e deixou o clube mais próximo de erguer mais um caneco.

Laranja Mecânica: Bernardo, Ritiely, Osmar, Edivaldo Péla, Juarez (Felipe Nowak), Jefinho, Leomar (Gregati), Guilherme (Tomas), Dione, Greg e Ale. Técnico: Altevir Sales

Internacional: Clodoaldo, Alex, Alison (Danilo), Barbosa, Willian, Kazu, Emerson, Reginaldo Vital (Nano Moro), Batata (Jardel), Marquinhos (Pelezinho) e Ioiô (Luciano). Técnico: Ivo Petry

No próximo domingo (11), a partida decisiva será no estádio Atílio Gionédis. Compareça e acompanha esta decisão do Campolarguense.

Desempenho do Laranja Mecânica nos últimos quatro anos:

2008 – 3º lugar no Campolarguense e Campeão da Taça Cidade de Campo Largo
2009 – Vice da Taça Cidade do Campolarguense
2010 – Vice do Campolarguense e 3º colocado na Taça Cidade
2011 – Campeão da Taça Cidade do Campolarguense
2012 – 1ª participação na Taça Paraná

*Ana Claudia Cichon gosta de futebol amador e esteve em Campo Largo tomando um suco de laranja no feriado