Guia: como prever o desempenho do seu time durante o Brasileirão

Aqui está ela: quem está pronto para levá-la?

O Brasileirão 2014 vai (?) começar! Depois das guerras das liminares e dos longos Estaduais (alguns ainda em andamento…), finalmente os grandes clubes vão por seus times em confronto, em busca da maior glória nacional. O bicho vai pegar também nas Séries B, C e D, mas o papo aqui é Série A. E como as previsões de todos já estão por aí, o blog se propõe a revelar um método infalível de prever como irá seu time conforme andar a competição.

A primeira coisa que você deve ter em mente: o campeonato é um, mas dividido em pelo menos 8 grandes etapas. Algumas se confundem, outras confundem a gente. As mais óbvias são o primeiro turno e o segundo; em 2014, teremos a pausa pra Copa e então a retomada. E, finalmente, teremos que ver as pontuações com o andamento do campeonato, dividindo-o em começo, recomeço, meio e fim.

O começo compreende a etapa até a pausa para a Copa. Serão 9 rodadas que deixarão algumas impressões, a maioria delas totalmente erradas. Arrancadas fulminantes, começos desastrosos, times divididos entre Libertadores, Copa do Brasil e até mesmo o Estadual. Em tese, Inter, Figueirense, Cruzeiro, Flamengo e Bahia largarão com a moral de serem os campeões estaduais. Isso já não tem tanta relevância. O Ituano é campeão paulista, com muitos méritos, mas seria candidato à queda no Brasileirão. Inter, Cruzeiro e Bahia ganharam campeonatos que mais parecem par-ou-ímpar – coisa que Atléticos, Coritiba, Grêmio e Vitória não fizeram. 

Há os que estão na Libertadores e devem dar prioridade máxima a essa competição. Historicamente, torcedores de Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio não devem se preocupar muito caso seus times ocupem a Zona de Rebaixamento ao final das 9 rodadas, desde que, claro, estejam priorizando a Libertadores. Exceção ao Fluminense/2008, nenhum outro finalista de Libertadores realmente passou sufoco após se dedicar 100% ao Brasileirão.

Os nove primeiros jogos vão apresentar ainda, acredite, muitos clubes que não têm sequer um padrão de jogo, apesar de quatro meses da temporada já terem andado. Tem os que trocaram de técnico, como Botafogo, Goiás e Coritiba, e aquele que de novo se poupou do Estadual, o Atlético Paranaense. Em 2013 deu certo, mas em 14 já valeu uma queda da Libertadores e não será supresa alguma ver o Furacão perder o tempo de mais nove rodadas e trocar de técnico mais uma vez. Santos, Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Criciúma fizeram pro gasto nos Estaduais – o Peixe chegou a empolgar – mas o buraco agora é mais embaixo. O Corinthians foi mal, mas é o clube com mais recursos no País. A Chapecoense estará no lucro com o que fizer. Com 27 pontos em disputa, somar 20 ou mais é excelente e menos de 5 será preocupante.

A pausa ajudará a todos – menos talvez o Atlético, que já abriu mão do Estadual e na verdade perde alguma vantagem física para os 19 demais que descansarão um pouco. Por outro lado, alguém que começar muito bem, se aproveitando da ausência dos libertadores e dos erros dos demais, pode ver o arranque freado. Por isso não adianta se empolgar com a liderança pré-Copa e nem arrancar os cabelos com a lanterna. O recomeço vai definir, em 5 rodadas, as tendências pro resto da competição. Serão mais 15 pontos, ainda mais vitais. Como o aproveitamento médio do campeão gira perto dos 70% e o do último a não cair passa perto dos 45%, seu time deve somar algo em torno de 10 pontos para conseguir ir bem nessa etapa.

O meio do campeonato atravessa os turnos. Em 10 edições, apenas três times vencedores do primeiro turno não venceram também o campeonato: Grêmio 2008, Inter 2009 e Atlético-MG 2012. Se o seu time virar o turno na frente, bom sinal; se virar atrás, se preocupe. Em média, pelo menos metade dos clubes que viram a etapa na zona de rebaixamento acabam caindo.

Esse período do meio compreende as rodadas de 15 a 30. Serão jogos com as equipes já embaladas, mais entrosadas, com rodadas intermediárias e com raras priorizações – serão menos os que seguirão na Copa do Brasil e a Sulamericana não tem mobilizado os clubes. Será também a fase com maior pontuação em disputa: 16 jogos, 48 pontos. Se um time não pontuou até aqui, e vencer todos desta etapa, num exemplo totalmente surreal, escapa do rebaixamento. O grosso dos pontos estará aqui. E os poucos segredos terão ido embora. Muitos já terão se enfrentado duas vezes, técnicos já terão sido trocados – mas os elencos mantidos. Quem somar menos de 30 pontos a essa altura, pode se preocupar. Quem somar mais de 50, pode sonhar, quem sabe até com a taça.

Como disse antes, as etapas do BR-14 se confundem e nos confundem. Vale dizer que no pós-Copa os clubes já terão de volta seus CTs e principalmente seus estádios. Jogar em casa é sempre um trunfo, que será perdido por 8 dos clubes da Série A durante um tempo – excluo aqui as punições e também o Palmeiras, que já está adaptado ao Pacaembu. Então, em meio às análises-padrão, leve em conta mais esse fator.

Nas últimas 8 rodadas, por óbvio, a definição do campeonato. Poucos terão pernas e os elencos vão aparecer, também por conta das suspensões. Aparecerá também a conta bancária. Quem pôde trazer reforços, seja do exterior ou das séries inferiores, poderá se dar melhor. Quem não atrasar salários, também. Serão 24 pontos em disputa e a expectativa de somar 100%, já quase nula, some de vez. Muitos, porém, precisarão dessa quantia – devem se preparar para o pior. Um índice de 50% de aproveitamento costuma ser satisfatório, sendo que só o campeão deve fazer muito mais. Todos já saberão tudo sobre os outros e também quanto devem pontuar. Assim sendo, o espírito de final, esquecido por muitos até então, vai surgir a cada jogo. Costuma ser a época em que o lanterna arranca pontos dos líderes em jogos surpreendentes.

Com 10 anos de pontos corridos, caminhando para a 11a edição, os bons gestores já sabem de tudo isso e certamente têm planos para evitar os precauços. Os sinais irão aparecer ao longo do trajeto; quem tomar decisões assertivas rapidamente, irá evitar o pior ou aproveitar a melhor oportunidade para consolidar-se na frente.

Ao final da 38a rodada, fim dos jogos e hora de festa pra uns e tristeza pra outros. E de alguns advogados entrarem em campo – mas esse é assunto pra outro post.

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Liga Europa: vem aí a fase final

Acabou a fase de grupos da Liga Europa! E o Terra exibiu todos os 144 jogos que definiram os 24 classificados em 12 grupos. A partir de agora, a competição entra em fase eliminatória, com as 32 equipes jogando em ida e volta até restarem dois para a decisão, dia 15 de maio de 2013, em Amsterdã, na Holanda.

Pera lá, eu disse 24 classificados e 32 equipes? Tá errado isso, não? Não. A Liga Europa ganha agora a participação dos 3os colocados da fase de grupos da Champions League, fortalecendo ainda mais a segunda principal competição de clubes do Mundo – números destacados em estudo da Pluri Consultoria, que você pode conferir aqui (a Libertadores, apesar da paixão, é apenas a 16a colocada no ranking). Entre eles, o atual campeão europeu, o Chelsea.

O sorteio, que terá transmissão do Terra no dia 20, definirá os 16 jogos. Os primeiros colocados na fase de grupos mais os 4 melhores terceiros da UCL ficarão em um pote; os segundos e os 4 restantes da UCL, em outro. Na definição dos jogos, por sorteio, duas restrições: não pode haver confrontos entre equipes do mesmo país, nem do mesmo grupo, ao menos nessa fase de 1/16 avos de final.

Eis os potes:

Pote 1: Liverpool, Viktoria Pilsen-RCH, Fenerbahçe, Bordeaux, Steaua Bucaresti-ROM, Dnipro-UCR, Genk-BEL, Rubin Kazan-RUS, Lyon, Lazio, Metalist-UCR, Hannover 96, Cluj-ROM, Chelsea, Olympiakos e Benfica.

Pote 2: Anzhi-RUS, Atlético de Madrid, Borussia Monchengladbach, Newcastle, Sttutgart, Napoli, Basel-SUI, Internazionale, Sparta Praga-RCH, Tottenham, Bayer Leverkusen, Levante-ESP, Dínamo Kiev, Zenit-RUS, Ajax e BATE Borisov-BLR.

Os clubes estão relacionados na ordem dos grupos da Liga Europa, com os remanescentes da UCL por último. Assim, você mesmo pode imaginar os possíveis confrontos, com a ressalva acima.

Grandes camisas e boas surpresas em campo. O melhor time da primeira fase da Liga Europa foi o francês Lyon, com 16 dos 18 pontos possíveis; da UCL, além do atual campeão Chelsea, o surpreendente Cluj também foi eliminado com 10 pontos – 2 a mais que o Milan, que seguiu na Champions, por exemplo. O atual campeão da Liga, Atlético de Madrid (foto), os fortes e tradicionais Liverpool, Tottenham, Napoli, Ajax, Benfica e Internazionale e os bons Zenit, Anzhi, Dnipro, Fenerbahçe e Bayer Leverkusen fecham o grupo dos que podem conquistar o título.

O Terra transmitirá todos dos jogos até a decisão, ao vivo pela internet. E o que é melhor, de graça. Acompanhe!

Amador de Campo Largo tem história, recordes e Laranja espremida

Campo Largo também tem futebol. E a rivalidade rolou solta no final de semana na terra da louça.

por Ana Claudia Cichon*

Domingo, sol, futebol. Tem combinação mais perfeita? Este foi o cenário da primeira partida da decisão no Campeonato Amador Campolarguense. De um lado, “o mais emergente”. Do outro, o maior vencedor da competição. O duelo entre Laranja Mecânica e Internacional contou com um tabu – que não foi quebrado – e dois técnicos que já fazem parte da história do futebol amador.

Ivo Petri e Altevir Sales: cada um batendo recordes em uma área (Foto: Ana Claudia Cichon)

O treinador do Laranja – clube com apenas dez anos, mas retrospecto invejável (confira abaixo) – é Altevir Sales, nome que certamente está na memória dos atleticanos. Altevir defendeu a meta do time rubro-negro por cinco anos e detém um recorde impressionante: 1066 minutos sem tomar gols. A sequência ocorreu no Paranaense de 1977 e ainda hoje é guardada com carinho pelo arqueiro, que não esconde a torcida pelo Furacão, reforçada pela presença do filho, Christopher Sales, como treinador de goleiros do clube. “Não tenho condições de sonhar em comandar o Atlético, pois sou representante, tenho outro trabalho. Mas ter meu filho lá dentro é quase como se eu estivesse treinando”, comenta.

Altevir, recordista pelo Atlético (Foto: Site Oficial CAP)

Há quase 20 anos na função, Altevir já passou por clubes como Trieste, Iguaçu e Vila Hauer, e está na sua segunda temporada à frente do Laranja Mecânica, confiante na busca do bi campolarguense. “O Inter e o Fanático [outro clube amador de Campo Largo] tinham a hegemonia, e o Laranja chegou mostrando sua força. Fomos campeões ano passado e conquistamos vaga para a Taça Paraná por dois anos consecutivos, o que é muito difícil. É um trabalho para ser valorizado”, ressalta.

O técnico destaca ainda a importante participação e dedicação da diretoria do clube, que mesmo com dificuldades não mede esforços para melhorar a cada o clube. “É uma diretoria jovem, de meninos que estão começando na carreira, mas todo nosso sucesso recente é resultado do empenho deles, especialmente do presidente, Ricardo Coltro”.

  • O multicampeão

Papa-títulos. Este poderia facilmente ser o apelido de Ivo Petry Sobrinho, técnico do Internacional. Por todos os clubes que passou deixou seu nome gravado em algum troféu. Pelo Combate Barreirinha e pelo Trieste acumula os títulos da Suburbana e também da Taça Paraná. Pelo Inter, já comemorou o bi campeonato da Taça Paraná e o Sul Brasileiro, no ano passado. O que o motiva a continuar?

“Tenho uma amizade muito grande com atletas e dirigentes. Isso faz com as disputadas sejam agradáveis, me faz ter vontade de permanecer no amador”, explica. A boa estrutura encontrada nas equipes, especialmente no Inter, também conta. “É prazeroso fazer o amador nessas condições. Aqui temos uma torcida forte, que colabora, prestigia e cobra quando necessário. É um pessoal que gosta do amador”, complementa.

Com tantas conquistas, já recebeu alguns convites para treinar clubes do futebol profissional, mas como é comum no amador, possui outro emprego e não teria tempo para uma dedicação exclusiva. “Prefiro acompanhar de longe. Indico jogadores, realizamos amistosos, mas não pretendo assumir um time”.

O prestígio é tanto que alguns jogadores acompanham o técnico. “Tem atletas, como o Hideo e o Luisinho Netto, que sempre que podem estão comigo. Hoje, eles e outros que se destacaram nas últimas conquistas do Inter estão na Suburbana, mas têm um carinho muito grande pelo clube e já declararam que querem voltar. E eles serão muito bem-vindos”.

  • O jogo

Inter e Laranja já entraram em campo classificados para a Taça Paraná, maior competição estadual de futebol amador, mas nem por isso a rivalidade ficou de lado. Enquanto a equipe alvinegra luta para reconquistar o título municipal, o Laranja entrou em campo querendo o bi e, principalmente, quebrar um tabu: sair ao menos uma vez vitorioso do confronto.

Mas não foi desta vez. Dominando a primeira etapa, o Inter saiu na frente, com gol de Marquinhos, aos 38 minutos. No segundo tempo a equipe de Altevir partiu para cima, conseguiu chegar ao empate na cabeçada de Leomar (mais um destes que não conseguem pendurar a chuteira, o meia teve passagens pelo Atlético, Botafogo, Sport e Seleção Brasileira) e pressionou o time alvinegro, mas, como diz o ditado, “quem não faz, toma”. Luciano estufou as redes, fez 2-1 para o Inter e deixou o clube mais próximo de erguer mais um caneco.

Laranja Mecânica: Bernardo, Ritiely, Osmar, Edivaldo Péla, Juarez (Felipe Nowak), Jefinho, Leomar (Gregati), Guilherme (Tomas), Dione, Greg e Ale. Técnico: Altevir Sales

Internacional: Clodoaldo, Alex, Alison (Danilo), Barbosa, Willian, Kazu, Emerson, Reginaldo Vital (Nano Moro), Batata (Jardel), Marquinhos (Pelezinho) e Ioiô (Luciano). Técnico: Ivo Petry

No próximo domingo (11), a partida decisiva será no estádio Atílio Gionédis. Compareça e acompanha esta decisão do Campolarguense.

Desempenho do Laranja Mecânica nos últimos quatro anos:

2008 – 3º lugar no Campolarguense e Campeão da Taça Cidade de Campo Largo
2009 – Vice da Taça Cidade do Campolarguense
2010 – Vice do Campolarguense e 3º colocado na Taça Cidade
2011 – Campeão da Taça Cidade do Campolarguense
2012 – 1ª participação na Taça Paraná

*Ana Claudia Cichon gosta de futebol amador e esteve em Campo Largo tomando um suco de laranja no feriado