Perto da Copa, Messi ganha estátua na Argentina

Messi imortalizado na expectativa do título mundial

A imagem acima, do canal TyC Sports da Argentina, mostra uma das três estátuas inauguradas nesta quinta, 05/06, em Buenos Aires na Argentina. Messi, o principal nome da atual seleção vizinha, mesmo sem ainda ter confirmado um grande feito com a camisa alviceleste e tampouco ter marcado época em algum clube local – começou no Newell’s, mas saiu cedo para brilhar no Barcelona – já garantiu sua imortalidade nas ruas do bairro Recoleta, como parte da empolgação dos hermanos para a Copa.

As obras são do artista plástico argentino Fernando Pugliese e ganharam apoio do governo local. Além de Messi, foram imortalizados Gabriel Batistuta, atacante que brilhou nos anos 80 e 90, e, claro, Diego Maradona.

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Abrindo o Jogo: coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/01/2013

O valor de um ídolo

O amistoso do Coritiba contra o Colón, da Argentina, no próximo sábado, será exibido para todo o Brasil. Será a reestreia de Alex com a camisa alviverde. O Coxa tratou de negociar a transmissão com um dos principais canais de TV a cabo do Brasil, em meio a terceira rodada do Paranaense. No domingo, dia seguinte, o Coxa novamente estará na telinha, enfrentando o Cianorte, desta vez com exibição apenas para o Paraná. A mídia nacional tem total interesse em saber de Alex pelas passagens no Palmeiras (campeão da Libertadores 1999) e Cruzeiro (no inesquecível 2003 celeste). Cruzeirenses, que sempre foram simpáticos ao Atlético no Paraná, podem até “virar a casaca”, dada a importância de Alex. E o Coxa ainda não explora tudo o que cerca o ídolo. Durante a semana que passou, um turco, de nome Murat Kapki, comprou nada menos do que 80 camisas oficiais do Coritiba, com o 10 de Alex, para levar para o seu país. Alex é rei no Fenerbahçe, uma espécie de Corinthians da Turquia, que vende em média 10 mil camisas por semana, segundo reportagens da imprensa local. Murat desembolsou cerca de 15 mil reais a vista para presentear amigos, entre eles o primeiro ministro turco, Recep Erdogan. Ainda contou ao advogado coxa-branca Percy Goralewsky que há um reality show na TV turca que premia o vencedor com um milhão de euros e uma visita à Curitiba, para conhecer Alex. São mercados que o Coritiba ainda não resolveu explorar, oficializando, por exemplo, uma loja em Istambul. Mas tem se aproveitado da exposição da marca para todo o Brasil, desde a confirmação da chegada de Alex.

Caminhos diferentes

Se ainda não rentabiliza o máximo que pode com Alex, o Coxa opta por aproveitar ao máximo todos os espaços que lhe são oferecidos na mídia, na estratégia de comunicação do clube. O Atlético, ao contrário, restringe. Existem razões para tal, mais do que somente uma represália à imprensa paranaense. Ainda assim, o caminho mostra alguns equívocos. Primeiro, pontuemos: é nocivo aos atletas e à torcida a restrição de entrevistas imposta pelo clube, mas não é ilegal. Trata-se de uma orientação de patrão para funcionário, prerrogativa do clube. Mas, ao contrário do fenômeno Alex, como criar um ídolo em ambiente enclausurado? Como o torcedor, insatisfeito com o desempenho em campo – pra ficar só no empate com o Rio Branco – pode questionar seus atletas, através da imprensa, se estes só falam ao veículo oficial? É como saber do Governo pela Voz do Brasil. Manter a porta com a mídia tradicional é importante. Além de tudo, é um desperdício de espaço midiático, o que poderá desagradar ou afastar patrocinadores. No entanto, há uma estratégia: o contrato com a AEG, que irá gerir a Arena, prevê a comercialização de conteúdo de mídia. Age bem o clube ao criar seus espaços próprios, como TV e Rádio – só que o faz por caminhos tortos. Real Madrid e Barcelona já os têm e são rentáveis e de qualidade. Aqui, o erro: na Espanha, são fomentadores da mídia. Dão material exclusivo, inédito. Abrem as portas, com disciplina, para qualquer questionamento da imprensa. E são os maiores clubes do Mundo. Já pensou o que seria de Cristiano Ronaldo se ele nunca pudesse dar entrevistas?

O valor de Alex

Alex já pagou ao Coritiba o custo que dará aos cofres do clube sem ter sequer entrado em campo. A análise não passa só pelo volume de venda de camisas ou pelo retorno de mídia que o clube teve nacionalmente desde o anúncio da contratação até aqui.

Alex deu ao Coritiba uma moeda não-vendável: estima. 

O Coxa passou a ser olhado de outra forma. Ganhar a concorrência de um jogador ainda com potencial físico e técnico no retorno ao Brasil, disputado por clubes de centros maiores fez muita gente que não conhece o Coritiba pensar “que raios Alex foi fazer em Curitiba?!” E não se trata somente da paixão que o meia tem pelo clube; a declaração de que escolheu um projeto de futuro para tentar ser campeão pela primeira vez por quem o revelou, abrindo mão de uma Libertadores, por exemplo, dá a dimensão da escolha. Alex sempre se portou de maneira profissional e, mesmo se tratando de Coritiba, não entraria em uma fria só por amor.

Não só os clubes passam a olhar o Coxa como um clube competitivo no mercado a partir de então; o efeito-rebote, justamente iniciando um processo positivo, é que os próprios jogadores vêem no clube um bom lugar para trabalhar. Jogador quer salário em dia, projeção e competitividade, nem sempre nessa ordem. O Coritiba hoje parece oferecer os três. Não será fácil, como nunca foi, competir com um Flamengo e as praias maravilhosas do Rio, mas já não é o fim do Mundo jogar na gelada Curitiba. Em proporções maiores, Alex dará ao Coritiba o que Ricardinho deu ao Paraná por alguns meses: credibilidade junto aos atletas. A diferença está na estrutura: o Coxa convence a permanecer, o Tricolor, não. Mas esse é outro papo.

Rafinha, ex-lateral-direito do próprio Coritiba, hoje no poderoso Bayern de Munique, já é exemplo prático disso. Joga no melhor campeonato do Mundo – mais organizado, mais competitivo, melhor média de público –  e não toparia voltar ao Alviverde só para jogar em casa. Mas sente firmeza na proposta de clube que hoje o Coxa é. Via Twitter já anunciou que um dia voltará:

Mas é claro que a mídia também pesa. Segundo o departamento de comunicação do Coritiba, o volume de buscas pelo nome do clube na Internet aumentou três vezes; nas redes sociais, aumento em 10 vezes, pelo Facebook e pelo Twitter. No dia da apresentação de Alex, a ÓTV, televisão local da RPC, transmitiu ao vivo o evento, que foi colocado simultaneamente na Internet pela Globo.com; o portal Terra também iria transmitir, mas teve problemas técnicos. Na busca por vídeos on demand (disponíveis a qualquer hora para o internauta) o interesse da mídia do centro do País cresceu pelo Coritiba – basta dar uma busca no Google. Alex é muito bem-quisto em especial por palmeirenses, que seguem interessados em saber do ídolo da última grande fase do clube, perto de cair pela segunda vez para a Série B.

O Coritiba não confirma o número exato, mas acredita que o volume de camisas vendidas aumentou em até 8x desde a chegada de Alex. Mais da metade das camisetas vendidas saem com o nome dele. A Nike ainda não emitiu o relatório oficial, mas estima-se que o clube vendeu entre 5 e 6 mil camisas só no último mês.

O mercado turco também passou a ser explorado pelo Coxa. A diretoria tenta encontrar uma maneira de encaixar as temporadas para a realização de dois amistosos com o Fenerbahçe. Por enquanto, existe apenas a conversa nos corredores, nada oficial. Mas aos poucos o Coxa vem buscando entrar na Turquia com o nome de Alex à frente. Ações como o vídeo abaixo têm dado muito retorno:

O vídeo foi assistido por quase 23 mil pessoas. O vídeo de apresentação de Alex, sem falar do Fenerbahçe, teve pouco menos de 9 mil visualizações. No Facebook, o Coritiba saudou os turcos pela passagem do dia da república turca, nessa segunda 29/10. O post teve quase 2700 “curtir”; para efeito de comparação, no jogo mais importante do Brasileirão, a revanche contra o Palmeiras em Araraquara, ainda com o Coxa ameaçado pela ZR e em competição direta com o adversário, foram 182 “curtir”. Nos números, Istambul é a segunda cidade que mais visita as páginas do Coritiba, perdendo apenas para Curitiba.

Não só o Coritiba é ajudado por Alex. O Atlético se vê obrigado a responder à altura. Na segunda divisão e vendo o domínio alviverde há três anos no Paraná, o Furacão terá que montar um time competitivo para responder à expectativa coxa-branca nas disputas – algo já afirmado pelo vice-presidente de futebol rubro-negro, João Alfredo Costa Filho. Até mesmo o Campeonato Paranaense, desinteressante por natureza por vários fatores, ganha charme com Alex em campo. Melhor para Londrina, Operário, Toledo e outros, que podem trabalhar essa marca nos encontros com o Coxa.

Guardadas as proporções, Alex já faz pelo Coritiba o que Ronaldo fez pelo Corinthians: internacionalização da marca, aumento da exposição, maior volume de vendas. Em campo, só 2013 responderá se o Menino de Ouro repetirá o Fenômeno, campeão da Copa do Brasil e Paulista pelo Timão.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 27/06/2012

O compromisso com o erro

Está tudo errado no futebol do Atlético em 2012 e a classificação na Série B do Brasileiro atesta isso. Por isso, apesar de cair na chacota popular, a troca de comando técnico – ainda não 100% confirmada – de Ricardo Drubscky, recém chegado (dois jogos) não deve ser vista como um erro; é uma correção de rota. Erro é insistir em um técnico inexperiente comandando um elenco falho. Drubscky, até o fechamento dessa coluna ainda no cargo, não tem o perfil necessário que o Furacão precisa para voltar à elite ainda nesse ano. Pode ser útil na base, no Sub-23, time que deverá jogar o Estadual 2013. Mas para a Série B o nome de Jorginho, campeão desta competição no ano passado com a Portuguesa, é sem dúvida o mais adequado ao momento. Atlético ou ninguém deve ter compromisso com o erro e ao se confirmar essa informação, isso deve ser mais valorizado do que a aposta errada. Mas vale lembrar que só a troca de treinador não resolve: reforços são exigidos para o objetivo.

A frase

“O melhor para o torcedor do Atlético é ver o time campeão e de volta a Serie A. O Atlético precisa ser forte e eu to pensando mais no Atlético”, disse Jorginho, dando a entender que comprou o projeto, em entrevista à Rádio CBN Curitiba ontem.

O símbolo

Dinheiro não é tudo, nem mesmo no mercado do futebol. Lúcio Flávio estreou bem e faz bem ao Paraná Clube – que já é melhor que o Atlético na Série B.

O fator casa

Faltam ainda 15 dias para o início da série decisiva da Copa do Brasil entre Coritiba e Palmeiras, mas desde já firmo posição. No campo, confronto equilibrado, com o Coxa vivendo um momento ligeiramente melhor. Fora dele, vantagem ampla paranaense. Não dá para negar que o Couto Pereira pesará na decisão, enquanto o Palmeiras mandará o jogo em um campo sem identificação, Barueri. Esse ano, o Coxa não deixa escapar.

Pobre mercado esportivo

Defende – justamente – fim da censura em alguns casos, mas aplica censura velada em outros; majora em 40% o valor da anuidade, sem realizar reciclagem de profissionais, ciclo de palestras, integração com universidades e outros benefícios para a classe; tornou-se um pedágio inconstitucional para o trabalho, mesmo de quem está referendado por um veículo, tem 10 anos de exercício, formação acadêmica e está autorizado pelo dono do espetáculo; usa de truculência nas ações; libera associação mediante pagamento, se pretendendo reguladora profissional, botando os clubes em maus lençóis; serve como trampolim político. Qual o futuro de quem leva a notícia ao público esportivo com esse cenário em determinada associação? Que interesses são defendidos por quem escreve a notícia que você lê/ouve? Olho aberto, leitor.

O valor de Ricardinho

Assista o vídeo abaixo.

André Vinícius é um dos primeiros reforços do Paraná para a temporada 2012. Sejamos sinceros: mesmo na base do Corinthians, onde teria poucas chances nos próximos anos até que chegasse ao nível de ser titular, estaria numa posição mais confortável que no atual momento do Tricolor. Sem hipocrisia, é público que o calendário do clube para 2012 é terrível, deficitário. Também é notório que o Paraná está com salários atrasados junto a vários funcionários. São os funcionários que fazem a manutenção do clube, dos vestiários, alojamentos, etc., sem contar o clube social – mas essa é outra história.

Portanto, topar jogar no Paraná hoje é negócio de alto risco. É se expor a enfrentar o Cincão EC numa tarde de quarta, entrar num ônibus e correr pro aeroporto para jogar contra o Ceará na noite de sexta – e sem saber se irá receber no fim do mês. Batalha perdida? Negativo.

O ideograma ao lado significa “crise” para os chineses. Mas é o mesmo que significa oportunidade (recomendo ler esse artigo). Talvez poucos jogadores se interessem em vestir a camisa do Paraná Clube atualmente, mas com a presença de Ricardinho no projeto, a coisa muda. É só ver no vídeo:  “Quando me falaram do Ricardinho aqui, já pesou”, disse André Vinícius. Outros mais virão, seguindo essa mesma linha. Ricardinho acrescenta esperança e um ótimo cartão de visitas ao projeto paranista.

O caminho é longo, sem dúvida. Não se sabe a capacidade do ex-meia como técnico, por exemplo. E o fato de alguns meninos da base do Corinthians estarem chegando à Vila Capanema não é garantia de sucesso. Mas no momento não há muito o que se fazer de diferente. Ao menos Ricardinho tem identificação com o clube, e, ao contrário de negócios anteriores, passa a impressão de que quer ajudar com esse projeto – mesmo que seja também interesse pessoal se lançar como técnico. É só olhar para a própria base do Paraná, escanteada desde que, sem dinheiro para alimentar os atletas, o clube trocou percentuais de jogadores por comida. Ao menos evitou-se a tragédia que se viu no Vasco.

Dito isso, chamo a atenção para uma coisa, diretamente ligada a gestão de futebol no Paraná daqui para frente. É mais importante contar com Ricardinho no clube do que cobrá-lo tão já por resultados. No futebol tudo é possível, mas a reconstrução do clube passa até pela compreensão de resultados ruins no início do trabalho. Mesmo que seja uma derrota para o Cincão.