Até que demorou

Agora deixou de ser chiadeira e virou ação

Me chamou a atenção via Twitter o colega Linhares Jr., do SporTV: “O futebol paranaense precisa evoluir. Discutir arbitragem não leva a nada”. Vindo de quem está radicado em São Paulo, maior centro do País – e com dois clássicos nesse final de semana – mas mesmo assim vive de antena ligada no Paraná, achei pertinente. Linhares fala do nosso provincianismo, da mania de depreciar as coisas daqui. “A imprensa não presta, os juízes roubam, nossos clubes são fracos” e outras que estamos acostumados a ouvir e pensar: “É, tudo bem.”

O debate deveria mesmo ser conduzido no sentido de perguntar não porque Héber Lopes vai apitar o Atletiba, mas sim porque há tempos no Paraná ele ou Evandro Roman são as únicas opções; por que é que não fortalecemos nossa escola. Mas não deu.

O ótimo site Furacão.com, dedicado a cobertura do Atlético, logo estampou na capa: “Coritiba 1 x 0 Atlético”, atribuindo a vitória ao Coxa, 5880 minutos antes do apito inicial, marcado pras 18h de sábado, no Couto Pereira. Via Twitter, usando do RT para movimentar a discussão, logo comecei a ler a impressão coxa-branca da escolha. Todas muito mais no sentido de galhofa em cima dos atleticanos – “começou o choro” – que aprovando ou desaprovando (salvo 2 ou 3 que reclamaram da atuação de Héber no último Paratiba). E tudo isso faz parte do folclore do clássico, 346 edições* mais velho que em 1924.

Poderiam ser os ingressos (que podem ser 3,5 mil para os atleticanos, que querem mais, ou o velho meio a meio, sequer cogitado no Alto da Glória); poderia ser o calção negro, a galhofa atleticana de chamar o Coxa de “tricolor” ou a imposição estatutária do mandante – que até poderia ser aceita, já que o Atlético mesmo trocou seu calção em ocasiões nessa temporada. Poderia ser qualquer desculpa, mas foi a arbitragem.

Calçados em números, os atleticanos foram aos protestos – agora oficiais. Com Héber no comando em Atletibas, 10 jogos, 7 vitórias do Coritiba, 1 empate e 2 triunfos do Furacão. Evidentemente não foi Héber o responsável solitário pelos números. No futebol, são muitos os componentes. Até hoje, não recebi ou consegui uma única prova cabal de corrupção ou erro deliberado de juiz Fulano contra clube X a favor do Y. Se você tiver, é só enviar. O que acontece é que os árbitros são RUINS no geral. Não a toa há muito que se pede o auxílio eletrônico.

O Coritiba, por sua vez, não reclamou. Marcelo Oliveira, aliás, foi taxativo ao dizer: “Eu gosto muito quando ele apita”. Confira (e mais Léo Gago e Renato Gaúcho, que adiou o tema, em entrevista ao Jogo Aberto Paraná):

Significa que Héber então irá ajudar o Coxa? Evidente que não.

O que Marcelo Oliveira quis foi neutralizar a polêmica. Tirar do apito a importância. Mas acabou acirrando, já que a cúpula rubro-negra esperou a repercussão para ir atrás do pedido de mudança, ao invés de tentar o veto no sorteio – a explicação atleticana é que ele foi antecipado. Paulo César Oliveira, de SP, foi o outro nome.

Não adianta. O Atletiba tem disso e a lenha já está queimando na fogueira. Há até quem esqueça que o Atlético tem jogo nesta quarta, contra o Flamengo. Até que demorou para ferver.

Se a CBF vai acatar o pedido, ninguém sabe. Acho improvável. Se Héber estará mais ou menos pressionado, ou terá alguma tendência após tanto falatório, não se saberá antes de sábado, por volta das 21h. Se já era importante, o clássico de sábado passou a não ter justificativa para derrota, seja qual for o lado.

…imaginem então quando for o da última rodada, finalizando o destino dos clubes no Brasileirão.

*Update via História do Coritiba

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