Em Dublin, vai ter Copa e vai ter copo

Os irlandeses não são conhecidos mundialmente por sua excelência no futebol. São apenas três participações em Mundiais, com o incrível feito de ter chegado às quartas-de-final da Copa em 1990 sem ter vencido um jogo sequer (foram 4 empates com Inglaterra, Egito, Holanda e Romênia até a derrota para dona da casa Itália por 0-1). Mesmo assim, eles adoram futebol. E ainda não perdoaram o árbitro sueco Martin Hansson pelo erro que os eliminou da Copa de 2010, nas eliminatórias européias contra a França.

"França rouba", diz a pichação no estádio do Bohemians

Festivos, os irlandeses armam seus bares para ver o Mundial e boa parte adotará o Brasil como time para torcer. Apesar das ligações com a Inglaterra, não há uma simpatia – nem uma confiança – geral nos “Three Lions” (verdadeiro apelido do time inglês, e não ‘english team’), ao contrário do que acontece com os clubes ingleses. E mesmo tendo o futebol gaélico e o rugby como esportes mais populares, os irlandeses não perdem a chance de uma festa. Logo…

A admiração pelo futebol brasileiro também se deve à Sócrates. O Doutor atuou apenas uma partida pelo Garfoth Town, já nos anos 2000, depois de aposentado, mas o suficiente para deixar todos na região – Dublin está há apenas 1h de viagem de Garforth – com histórias para contar. É comum ver irlandeses com camisas com o rosto de Sócrates.

Um pouquinho de Brasil

As ligações com o Brasil também se dão pelo número de brasileiros vivendo na cidade. Isto porque a Irlanda é um dos raros países que permitem que se estude inglês e se possa trabalhar enquanto acontece o curso. Isso serve de porta de entrada de muita gente na Europa. Pessoas que tentam aprender a lingua mais falada no planeta e, principalmente, ganhar a vida em Euro. No entanto, em virtude de fraudes no sistema, vários brasileiros enfretam situação difícil na cidade atualmente.

As dificuldades e a Copa são um belo motivo para voltar. Quem não o fizer, no entanto, não ficará sem Copa. Apesar do fuso-horário (são 5 horas a mais no momento), vários bares devem abrigar os torcedores brasileiros na expectativa pelo Hexa. Um deles é o D-One, cujo dono é brasileiro. O bar já é ponto de encontro brazuca em Dublin e serve pratos como coxinha, pastel, feijoada e, claro, caipirinha. Além disso, exibe os jogos do Brasileirão.

Amigos como os rubro-negros Pedro Oliveira e Alison Karas se reunem lá para ver seus times. O primeiro é Sport, o segundo, Atlético Paranaense. Na expectativa de ver os jogos da rodada – tinha Atletiba e Sport x Corinthians – foram ao D-One. Na tela, Santos x Flamengo. Ao menos o sinal 4G realmente funciona na Europa. Alison apelou para o PFC Online, recurso oferecido pela Globosat, e viu o clássico paranaense na tela do… celular.

Alison apelou para a telinha e acabou premiado: deu Atlético sobre o Coxa

Pedro, por outro lado, insistiu com o garçom para que ao menos uma das telas do bar saísse do duelo entre Peixe e Fla para ver seu Sport contra o Timão. Demorou, mas conseguiu – há tempo de ver alguns corintianos se aproximarem para acompanhar o jogo, tudo na maior paz, como sempre deveria ser. Para azar de Pedro, o Sport esteve num péssimo dia e acabou encaixotado pelo Corinthians, 1-4.

Pedro e o jogo pelo radinho, via web

Bom para molhar a garganta

Dublin é conhecida por ser a cidade do U2, de vários castelos e da ótima cerveja Guinness – que também edita o Livro dos Recordes. Visitar a fábrica da cerveja tipo Stout é parada obrigatória. 

Portal da felicidade, esta é a entrada do Tour da Guinness

São sete (!) andares com um museu com a história da cervejaria inaugurada em 1759, o processo e a história de fabricação, a importância da marca para a Irlanda, uma experiência de sabores e cheiros, o aprendizado de como servir a cerveja (e o porquê daquela bolinha dentro das latas) e a melhor visão de Dublin, no Gravity Bar, de onde você pode ver, entre outras coisas, o Aviva Stadium, casa da Seleção Irlandesa. O passeio custa entre 6 e 17 Euros, dependendo da faixa de idade. É a cerveja mais consumida na cidade, num dos exemplos de orgulho local.

Quase gaúchos

Dublin se orgulha da excelência da Guinness, valoriza o comercio local – é comum ver faixas em restaurantes e mercados dizendo que “aqui se vende carne irlandesa” – mas, no futebol, a preferência é pelos clubes ingleses, especialmente Liverpool e Manchester United, e pelo Celtic, da Escócia. Os escoceses contam com enorme torcida na cidade, tudo em virtude do catolicismo, religião de 11 entre 10 irlandeses. Reds e Devils ganham adeptos pela proximidade e pelos desempenhos favoráveis. Azar dos times de Dublin.

Bohemians, Athletic St. Patricks e Shamrock Rovers são os clubes de Dublin. Nenhum usa com frequência os dois principais estádios da cidade, o Aviva e o Croke Park – este muito usado pelo rugby e pelo futebol gaélico. A maior rivalidade é entre os Bohs e os Rovers. Ambos têm seus estádios, acanhados, para menos de 10 mil pessoas. O do Rovers é na verdade um estádio público, arrendado pela equipe, e muito mais moderno e confortável.

Os Rovers também são os mais bem sucedidos na cidade. Seu último orgulho foi a disputa da Liga Europa 2011/12, edição transmitida ao vivo aqui no Terra. O orgulho não se deu pelos resultados e sim pela turnê internacional contra Rubin Kazan da Russia, PAOK da Grécia e Tottenham da Inglaterra. Em campo, seis derrotas na fase de grupos, com 4 gols pró e 19 contra. O estádio ainda tem um enorme painel com o mapa da Europa e o logo da Liga, assim como um pequeno museu, cujo destaque, além das taças locais, é a placa abaixo, na referência ao duelo inaugural contra o Real Madrid, derrota por 0-1.

Pequenas glórias, pequenas alegrias no futebol irlandês