Na internet, cambistas vendem ingressos por mais de R$ 100 mil

Site da Espanha intermedia venda de ingressos por mais de R$ 100 mil (Imagem: reprodução)

Quanto você pagaria para ver a final da Copa do Mundo no estádio do Maracanã, no próximo dia 13 de julho? Um site cobra até cerca de R$ 131 mil para que o torcedor tenha o privilégio de ver o jogo de futebol mais importante do planeta.

Sediado na Espanha, o Iguana Tickets diz apenas intermediar a venda dos ingressos, que seriam oferecidos por outros torcedores.”Somos uma plataforma de compra e venda de ingressos entre particulares. Ou seja, qualquer pessoa que tenha um ingresso de um evento ao qual não vai poder participar, poderá anunciá-lo no nosso site gratuitamente”, afirmou o sistema de atendimento do site.

A logística é monitorada pelo site e inclui o pagamento via boleto bancário (ao contrário do que a própria Fifa disponibilizava) e a entrega dos tickets em até três dias. A empresa, porém, alerta que os ingressos comprados pelo site chegarão às mãos do comprador com o nome da pessoa que primeiro adquiriu o ingresso no site da Fifa. Desta forma, o comprador pode ter uma enorme dor de cabeça.

Ingressos para a abertura, já esgotados, partiam de R$ 4 mil (Imagem: reprodução)

A Fifa criou alguns mecanismos para tentar coibir a revenda dos ingressos. É preciso antecedência de três dias, via site, para transferir as entradas. É preciso também que o proprietário justifique a transferência da posse (é permitido doar o ingresso para um parente, por exemplo). A própria Fifa se dispõe a intermediar a revenda, aceitando uma devolução condicionada à nova venda por valor original, sem garantir a devolução do dinheiro no caso de o ingresso não encontrar novo interessado. 

Chama a atenção também a diferença dos preços. Se o ingresso mais nobre da final gira em torno dos R$ 130 mil, o mais barato, categoria 4, está pra lá de inflacionado.

Os ingressos na categoria 4 são os que foram destinados pelo Governo às pessoas de baixa renda (apelidados de “ingressos-bolsa família”). O preço original, 330 reais, foi jogado para R$ 11 mil. A empresa avisa que esse ingresso só está a venda para pessoas residentes no Brasil.

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O Fantasma de 1950 também assombra o Uruguai

Sergio Cabral e ministro articulam para amortizar dívida do Vasco

Vascaíno, Cabral articula política em prol do clube

Está preparado e pode ser assinado nos próximos dias um documento com a determinação dos Ministérios da Fazenda e da Advocacia Geral da União que abrirá, se confirmado, um precedente único em prol do Vasco, amortizando a dívida do clube com a Receita Federal. Com a participação do governador do Estado do Rio de Janeiro, o vascaíno Sérgio Cabral Filho, o ministro Guido Mantega e o Advogado-Geral Luís Inácio Lucena Adams devem referendar uma redução de um terço nos pagamentos penhorados pela Justiça junto ao time cruzmaltino, alargando também os prazos de pagamento das pendências do clube com a Receita.

A informação corre nos bastidores em Brasília. O blog teve acesso a minuta elaborada que pode favorecer ao Vasco que, se não cumprir seu acordo atual, pode perder o patrocínio principal da camisa, a Caixa Econômica Federal.

O Vasco tem um total de R$ 135 milhões em dívidas com a Receita. Destes, 20 milhões já estão depositados judicialmente em razão de penhoras; outros 75 milhões seguem em aberto, oriundos principalmente do não-recolhimento de impostos dos salários de funcionários (atletas incluídos) após retenção na fonte. 

Este valor está sendo pago em parcelas mensais de R$ 1,8 milhão, desde a metade de 2012, com valores de receitas futuras penhoradas pela Justiça, entre elas, a antecipação de verbas dos direitos de televisão. Parte do valor pago pela emissora, com antecipação de contratos, sequer passa pelo clube, indo diretamente para a Receita.

Há ainda pendências da loteria Timemania, na ordem de R$ 40 milhões, fechando a conta acima. Recentemente, o Vasco passou a atrasar em até dois meses o pagamento das parcelas, mas ainda assim conta com benefícios e redução de juros. A lei prevê que esses direitos são perdidos apenas quando três parcelas são atrasadas.

O clube assinou um documento, com a atual diretoria se comprometendo com esse acordo. Mas resolveu mudar a estratégia. Encaminhou um pedido de redução das parcelas para R$ 600 mil mensais, pedindo ainda um prazo de 5 anos para a quitação desta dívida. A Receita negou o pedido, mas esbarrou na articulação política de Cabral, que mobilizou-se para tentar atender os pedidos do clube do coração. Se assinado, o documento abre um precedente para que outras dívidas e devedores sigam o mesmo caminho. A medida não deverá constar em Diário Oficial, sendo levada diretamente ao Poder Judiciário para homologação.

Sem contar com o mesmo “apoio” do governador fluminense, em fevereiro deste ano o Flamengo, aproveitou receita de um contrato publicitário e quitou R$ 11 milhões restantes de uma penhora de R$ 18 milhões que o clube tinha, zerando esse débito com a Receita. Assim, conseguiu as certidões negativas que precisava para receber o patrocínio da Caixa.

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Contagem regressiva para o legado

Escavadeiras precisam de velocidade de Fórmula 1

São exatos 365 dias para a Copa 2014 enquanto eu escrevo este texto. Em todos os outros que antecederam este dia, desde o dia 30 de outubro de 2007 (você se lembra onde estava nesta data?), muito se discutiu o legado da Copa. Criou-se duas correntes, uma contrária e outra favorável ao Mundial. Boa parte da discussão ficou em cima dos estádios, o que gerou outra impressão errada: o clubismo. Quem tá dentro é a favor, quem tá fora, contra.

Foi onde erramos. Estádios são vitais para a realização da Copa, mas não são o mais importante para o Brasil. Faltando um ano para a Copa, estamos correndo atrás do que realmente importa: a infraestrutura. Enquanto brigamos pelos campos, nossas ruas, aeroportos, hotéis, tecnologia e profissionais de turismo ainda engatinham.

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Desde o começo fui favorável a Copa no Brasil. Sou militante do esporte. Jornalista esportivo que não quer o maior evento do planeta em seu país é contraditório; seria como um advogado trabalhar contra uma suposta vinda do Tribunal de Haia para o Brasil. O que não significa que não devamos permanecer vigilantes quanto ao uso dos recursos, tampouco concordemos com todas as imposições. Temos, novamente, duas correntes: a que acha tudo maravilhoso e a que não vê nada bom em coisa alguma. Falta ponderação.

O legado esportivo é inegável. Receberemos os melhores atletas, teremos uma nova visão do negócio. As 12 cidades-sedes terão novos estádios. Mesmo os “elefantes brancos” podem dar àquelas praças uma nova perspectiva. Cuiabá, por exemplo, lentamente começa a esboçar um trabalho profissional com o Cuiabá EC. As praças mais consagradas terão novos estádios; clubes se modernizaram e alguns rivais se espertaram a tempo e pegaram carona. O torcedor terá mais conforto. Não teremos alambrados e podemos começar a nos comportar como cidadãos, sem invadir campo, por exemplo. Foi a partir disso que a Bundesliga alemã se tornou uma das três maiores ligas de futebol no Planeta. E tenho certeza que todos os estádios estarão prontos.

Mas e as cidades? Enquanto se debatiam os estádios, o que foi feito pelas cidades? Um levantamento do jornal paranaense Gazeta do Povo aponta que dos 8.9 bilhões de reais previstos para mudar a cara da infraestrutura urbana do país, apenas 1,4 bilhão já foi investido. Boa parte, 6,1 bilhões, já foram contratados e devem ser o principal foco dos interessados no evento nestes 365 dias que restam. E os interessados somos todos nós. É a discussão da política: se você se omite, é conivente. Não existe apolítica – esta postura é uma postura política. A situação mais crítica é a dos aeroportos: 0,6 bilhão investido dos 7 bilhões previstos. Experimente pegar um avião aqui e também nos EUA para sentir o atraso que a Copa deveria acelerar. Já se sabe que muitos deles só estarão prontos anos depois do evento. Não cabe o comparativo de que o investimento na Copa tira dinheiro de hospitais e escolas. Existe orçamento para tudo. Talvez não fosse prioridade do País receber esses eventos; mas foi esse o plano do então presidente Lula para posicionar o Brasil como potência mundial. Cabe, porém, a cobrança forte para que os recursos sejam bem aplicados em todas as áreas. Ao invés de sair as ruas para vaiar a Seleção, vale sair às ruas, com ordem, pedindo melhores hospitais, escolas, etc. Uma coisa não exclui a outra.

Além disso há o componente político. Desde que o Governo proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos estádios, não se percebeu redução significativa na violência das torcidas, mas muitos comerciantes tiveram perdas substanciais nos lucros. Para a Copa, entretanto, o comércio está liberado. E depois? Restringe? Qual a diferença fundamental entre o consumo antes e durante o Mundial? A Fifa fez o que lhe cabia, é o Governo quem deve proteger o que interessa à nação. O mesmo vale para os movimentos populares, como as festas de São João e até as baianas do acarajé em Salvador (veja aqui).

Outra análise fria que precisa ser ponderada é a da vinda de turistas. Estudos apontam que o fluxo migratório começa dois anos após as Copas. Foi assim na Alemanha e na África do Sul. É o momento que os torcedores de outros países já assimilaram o que viram na TV. E ninguém é melhor que a Fifa para vender a imagem de um país próspero e agradável, com estádios moderníssimos. Em 2016, no entanto, o Brasil estará às voltas com as Olimpíadas – outro evento gigantesco. Até lá a estrutura estará pronta?

É preciso cobrar. Teremos eleições no próximo ano. Nada como uma enxurrada de obras, certo? Como separar o joio do trigo? Como identificar o verdadeiro legado da Copa? No momento, é decepcionante além do esporte. É um momento de reflexão.

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O exemplo de Ghandi

“Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível.” (Mahatma Gandhi)

O vídeo acima foi divulgado pela Gazeta do Povo nesse domingo (e está disponível na íntegra nesse link) e foi feito em uma reunião a portas fechadas do Conselho Deliberativo do Atlético, no início de 2010.

Ali, ainda com Marcos Malucelli na presidência do clube, o Atlético discutia o formato pelo qual deveria tomar o empréstimo do BNDES para a conclusão da Arena para a Copa 2014. Receosos, os dirigentes à época temiam deixar o patrimônio do clube em risco ao assumir um investimento para reformar o estádio para um evento que não é do clube. Em contrapartida, sabiam das vantagens de poder fazer o mesmo patrimônio crescer aproveitando a Copa e os incentivos governamentais – isenção de impostos, taxas baixas de juros, potencial construtivo aplicado na área do estádio, desapropriações baseadas nas necessidades do Estado. O risco é inerente a oportunidade. São as dores do crescimento. Mas estamos pensando só no modo lícito.

Então vereador e conselheiro do Atlético, o atual gestor do Estado para a Copa do Mundo, Mário Celso Cunha, pediu a palavra. E soltou a pérola:

Eu tenho quase certeza que os clubes que vão assumir esse financiamento não vão pagar coisa nenhuma. E na sequencia eles não vão ter dinheiro. (…) Então vai ser como essas dívidas de clubes com o Governo, que não vão ser pagas. (…) Eu acredito muito que eles vão perdoar essa divida, porque não vai ter como.

Cunha queria convencer os pares de diretoria a tomar a decisão corajosa de empenhar o patrimônio do clube em prol de uma modernização do estádio que pode efetivamente colocar o Atlético em outro patamar no futebol brasileiro, quiçá mundial. Um estádio Fifa é sinônimo de mais rendas em público, publicidade, eventos. É outro padrão.

Despido da necessidade que um homem público tem, Mário Celso Cunha mostrou a diferença entre ética e caráter, ao incentivar o Atlético a assumir qualquer risco prevendo um calote no Governo. Em síntese: ignorem-se os riscos, o Governo absorverá tudo. Cunha, então vereador e gestor das contas públicas, não imaginava que estava sendo vigiado. Foi na contramão do que seu cargo exige – e hoje ainda mais, pois ocupa a cadeira mais importante no Estado sobre Copa do Mundo, abaixo apenas do Governador Beto Richa.

Bonachão e quase sempre sorridente, Mário Celso Cunha cometeu um equívoco ético: jamais deve incentivar um calote, especialmente sendo um homem de governo. Ele sabe que o dinheiro público é de todos, e não de ninguém, como se costuma pensar no Brasil. E que este benefício deve ser bem administrado, especialmente em um país com sérias distorções sociais. Cunha, entre quatro paredes, foi quem realmente é. E como ensina Ghandi, a vida é indivisível: somos o que somos em qualquer lugar.

O Atlético não precisa do calote. É um parceiro do Governo (já mal visto por boa parte da população por essas e outras coisas mal conduzidas) em um processo que é prioritário para o Estado e para outro parceiro, a Fifa. Não se nega jamais os benefícios que o clube tem e terá; e que terá que pagar para isso também, nessa via de mão dupla. O Atlético tem recursos para honrar com sua parte no acordo – e a diretoria que estiver no poder tem que levar isso a ferro e fogo, se tiver caráter.

Ao sugerir o calote em um ambiente interno, Cunha demonstra não ser o gestor ideal para quem quer lisura no processo do Mundial 2014. Desta vez, com quase dois anos de atraso, alguém estava de olho. Em outras, pode ter a liberdade que pensou que tinha nesse caso. Pouco importa o contexto com o qual o atual gestor da Copa no Paraná sugeriu o calote: a simples idéia é suficiente para que ele deixe o cargo por arrependimento próprio ou, caso não, seja exonerado da função.

E o ensinamento de Ghandi serve também ao atual governador. Não se divide a vida, não se divide a política. Absorver a idéia sugerida acima é compactuar com ela. É um recibo oficial para o calote.

Com a ação, o governo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 15/02/2012

O que vem por aí

Mário Celso Petraglia apresentou uma série de novidades ao conselho atleticano após a visita do Ministro do Esporte Aldo Rebello à Curitiba. Aos poucos o clube irá confirmar as informações via site oficial – Petraglia disse a amigos que não falará tão cedo com a imprensa – mas a coluna antecipa alguns bônus que a Copa está trazendo ao clube e à cidade. O primeiro deles é um projeto piloto de mini-usina solar na Arena, tendo a Copel e a Eletrobrás à frente, com o Atlético recebendo R$ 25 milhões para a execução. A energia a ser produzida suportará a demanda da Arena e o excedente será usado na região. A estimativa é que a produção chegue a 2,2 megawatts de potência. Petraglia ainda apresentou outras duas novidades: a rua Buenos Aires deixará de existir na frente da Arena, tornando-se um calçadão integrado com a praça Afonso Botelho, que será um centro de convivência da prefeitura. E o clube montará uma escola para crianças carentes na região do Umbará, próximo ao CT, em parceria com a prefeitura, que fornecerá a mão de obra.

 

Os ônus

A indefinição no estádio onde mandará os jogos – e também a queda para a Série B – já fez o Atlético perder cerca de 6% dos sócios, número considerado baixo pela atual gestão. No entanto, a forma de pagamento antecipado via cartão acaba impedindo maior inadimplência. O clube lançou campanha de marketing tentando fidelizar o torcedor e busca um acordo com o Paraná Clube para mandar jogos na Vila Capanema. Além disso, o Atlético afirma que já aplicou R$ 15 milhões na obra da Arena e irá financiar R$ 135 milhões junto ao BNDES contando com os títulos de potencial construtivo como garantia.

Aluga a Vila!

Tendo por base a necessidade atleticana e olhando também para seu próprio bolso, alguns funcionários do administrativo confidenciaram que torcem para que o Paraná Clube alugue a Vila Capanema para que o Atlético mande seus jogos ao menos até o final do estadual. Os salários de diversos colaboradores na área social do Tricolor estão atrasados; na última segunda, o clube acertou a dívida que tinha até o mês de novembro/11, mas já tem mais três meses a vencer. O Paraná pediu R$ 120 mil por jogo ao Atlético, que ofereceu R$ 30. Sai meio termo?

Nota: Durante a tarde desta quarta (15/02), a diretoria do Paraná entrou em contato com o blogueiro e garantiu que depois de acertar os salários dos colaboradores até novembro na segunda passada, ainda ontem pagou também os vencimentos de dezembro.O aluguel da Vila Capanema por 8 jogos também está praticamente certo, embora o clube não queira abrir o valor da locação – o que não resolverá muito, pois constará no borderô da primeira partida que o Atlético realizar na Vila.

Reforços gringos no Coxa?

Depende de um investidor o anuncio do acordo do Coritiba com o médio-volante Luís Enrique Cáceres, 23 anos, do Cerro Porteño. O valor de US$ 1,6 milhão para trazer o jogador está além do que o Coxa pretende investir. Cáceres e seus empresários quer abrir mercado no Brasil e ele foi oferecido ao Alviverde.Segundo o empresário Audinei Azevedo resta agora o aval de um grupo investidor que viabilizaria a vinda do jogador ao Coxa por pelo menos até o final da temporada. O clube não confirma o acerto, mas reconhece o interesse no jogador. O Coritiba também negou o boato que surgiu em Porto Alegre de que o atacanrte Ezequiel Miralles, ora no Grêmio, estaria acertado com o clube: “Não tem nosso perfil”, disse o superintendente Felipe Ximenes.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 01/02/2012

Governo encampa potencial construtivo pela Arena 2014
O Governo do Paraná, através do FDE (Fundo de Desenvolvimento do Estado) vai bancar o financiamento de R$ 90 milhões (mais correções previstas em lei) na obra da Arena, o que corresponde aos 2/3 estatais na parceria com o Atlético pelo estádio da Copa 2014. A operação passa pelos títulos de potencial construtivo, concedidos pela prefeitura em cima da área da Arena. Os títulos podem ser negociados no mercado pelo clube e revertidos em nova modalidade de zoneamento urbano em construções.  O que o Governo está fazendo, no entanto, é receber os títulos como garantia do pagamento do financiamento estatal. “É um recebível do Atlético, como uma duplicata. O FDE é agente financeiro, vai vender os títulos para o clube”, exemplificou Luís de Carvalho, gestor da Copa na Prefeitura de Curitiba. Carvalho defende que o Estado ainda ganhará dinheiro com a operação. “A prefeitura de Curitiba vendeu 45 milhões ano passado”, disse, enquanto entrava em uma reunião no Rio de Janeiro, ao lado de representantes do Gov. Estadual e da CAP S/A, com a Fifa, para demonstrar o andamento das negociações. Além disso, hoje haverá reunião com os 16 moradores do entorno da Arena para a desapropriação das áreas, cujo decreto já foi assinado na prefeitura. Haverá ressarcimento, mas o Estado não conta com recusas: “Ainda não chegou ao momento de dizer não ou sim. Quem disser não vai ter que discutir na justiça. Já é fato. Está tudo bem encaminhado”, encerrou.

Roupa nova, mas não pra já
Na sexta-feira o torcedor do Coritiba irá conhecer a nova camisa do time para a temporada 2012. A expectativa é grande, já que a troca de material esportivo mexeu com os ânimos: sai a italiana Lotto entra a americana Nike. No entanto, o Coxa ainda não sabe se poderá estrear as camisas já no jogo de sábado, contra o Arapongas, no Couto Pereira. O clube ainda não recebeu a remessa inicial e além disso pretende organizar uma festa local para o anúncio da parceria. O lançamento de sexta será no Rio de Janeiro.

Campanha nas ruas
Hoje o marketing do Coritiba começa uma campanha institucional, aproveitando o mote “O Mais Vitorioso do Mundo”, slogan criado a partir do recorde de vitórias consecutivas registrado no Guinness Book. A campanha extrapola a marca coxa-branca e pretende valorizar as coisas do Paraná, trabalhando a mensagem “torça também para um time do seu estado” – com a sugestão de que seja pelo Coxa. A campanha será direcionada a Curitiba e Região Metropolitana, mas também será itinerante, acompanhando as viagens do Coritiba no Paranaense.

Caráter: passe adiante
O atacante equatoriano Joffre Guerrón chegou ao Atlético como a então contratação mais cara do futebol paranaense: US$ 1,8 mil em 2010. Destaque na LDU que venceu o Fluminense na Libertadores de 2008, nunca justificou o custo, mas demonstrou que não está preocupado com o clube com o qual colaborou a derrubar para a Série B, em entrevista ao Portal FutbolEcuador.com: “Estão pedindo alto e os clubes recuam. Fico mal porque houve possibilidades. O São Paulo me queria. Disse ao técnico [JR Carrasco] que quero sair, não tenho cabeça para ficar. Meus objetivos são outros, não quero ficar parado”, disse em tom de desabafo, esquecendo de fazer a conta entre o quanto custou e o quanto rendeu ao clube paranaense.

Copa 2014: Atlético escolhe construir Arena por conta – Reportagem #0

A partir desse post pretendo iniciar uma série de discussões em torno do Mundial de 2014 em Curitiba. Os temas são os mais polêmicos possíveis: a quem interessa a Copa no Brasil? A Copa é do Atlético ou da cidade de Curitiba? O Atlético jogará no Couto Pereira? O Potencial Construtivo é ou não dinheiro público? Como Coritiba e Paraná se beneficarão com o Mundial? Curitiba ainda receberá a Copa das Confederações? Dá tempo de terminar o estádio?

Como você viu, assunto não falta.

Desde o começo, como homem público e de mídia, minha postura foi pró-Copa em Curitiba. Entre o projeto do ex-deputado cassado Onaireves Moura e o estádio semi-pronto do Atlético, entendendo o avanço que o Mundial pode trazer a nossa cidade, fiquei com o segundo. O custo era menor, o tempo menor e, por consequência, os benefícios maiores. Evidentemente, as coisas não correram 100% dentro do previsto: a obra atrasou, a discussão tornou-se clubística – é inegável que o Atlético ganha com a Copa. Como se posicionar então? – e outras mazelas que um tema dessa importância oferece, mas que não deveriam ser tão impeditivas para um grande avanço.

Durante meu período na Gazeta do Povo conversei com especialistas em todas as áreas envolvidas. E a partir deste post, vou reacender o debate, procurando trazer mais luz a discussão aqui no blog e também no Jogo Aberto Paraná. Vou tentar esclarecer as dúvidas do principal interessado: o cidadão, pouco importa o time que torça. Por isso, convido você a participar comigo dessa.

A reportagem #0 é o pontapé inicial da discussão e, paradoxalmente, é também a definição que mais atrasou: a escolha de como o Atlético terminará a Arena. O vídeo abaixo foi exibido no Jogo Aberto Paraná e é, por ora, de interesse maior dos atleticanos. Mas certamente interessa a coxas, paranistas, operarianos e qualquer um que se importa em saber se o Mundial é ou não benéfico à cidade e ao Estado. A partir do #1, que procurarei postar até o final de semana, vamos levantar algumas discussões.

E quem sabe, ao final da série, termos ao menos um entendimento mais claro do evento que vai mexer com a cidade que vivemos.

Confira a reportagem #0:

Acompanhe o Jogo Aberto Paraná de segunda a sexta 12h30 na Band Curitiba!