Divisional Rounds da NFL: fim de semana decisivo!

por André Tesser*

 
Nesse final de semana (dias 11/01 e 12/01) acontecem os jogos de “Divisional Rounds” da NFL, que são as semi-finais de Conferência.
 
Como dito, os playoffs da NFL são outro campeonato e a prova disso foi, especialmente, a indiscutível vitória do San Diego Chargers, fora de casa, contra o Cicinnatti Bengals, que ainda não havia perdido em seus domínios na temporada. À exceção do confronto entre o Chargers e o Bengals, os demais jogos foram muito equilibrados e emocionantes. O Indianapolis Colts reverteu no segundo tempo uma desvantagem de 28 pontos (isso mesmo, 4 touchdowns!!) para bater o Chiefs. Na NFC, New Orleans Saints e San Francisco 49ers precisaram de um Field Goal nos últimos segundos das partidas para vencerem fora de casa, respectivamente, Philadelphia Eagles e Green Bay Packers. As semifinais de conferência prometem, novamente, grandes confrontos, agora, também reunindo as quatro melhores equipes da temporada regular, que haviam conseguido uma folga (bye) na primeira rodada dos playoffs.
 
Na semana passada, esse humilde escriba acertou só um palpite, quando cravei a vitória do Colts sobre o Chiefs. Também, convenhamos, prever contra Alex Smith é mais fácil…Mas, como sou brasileiro e não desisto nunca, vamos tentar palpitar de novo. Veja como serão os jogos.
 
NFC:
 
Seattle Seahawks (1st) x New Orleans Saints (6th) – Sábado, às 19h30
 
A primeira vitória do Saints (e de seu QB Drew Brees) em um jogo de pós temporada colocou o time da Lousianna no caminho do Seahawks, que tem sido apontado nas bolsas de apostas de Las Vegas como o favorito a levar o título do Super Bowl.
Não bastasse isso, o jogo será em Seattle, no Century Link Field, tido como o estádio mais barulhento da NFL, em que a torcida do Seahawks dificulta as ações do ataque adversário fazendo muito barulho. Mas, não é só isso. Os times já se enfrentaram nessa temporada, em Seattle, e o Seahawks surrou sem dó o Saints por “modestos” 34 x 7, em jogo realizado em dezembro. Ou seja, tudo aponta para mais uma vitória do forte time de Seattle que tem uma das defesas mais agressivas da Liga, conta com um quaterback novo, mas já muito badalado, Russel Wilson e que tem em Golden Tate um recebedor de mão cheia. E, claro, não se pode esquecer o running back Marshawn Lynch, um destruidor de linhas defensivas adversárias, forte e rápido e que costuma quebrar tackles e ganhar muitas jardas depois do primeiro contato.
 
Mas, quem sabe a primeira vitória em pós temporada tenha dado um novo ânimo ao Saints. A defesa do time de New Orleans jogou muito bem contra o Eagles e pode ser, novamente, o diferencial fora da Lousianna. E, nunca dá para se duvidar do ataque comandado por Drew Brees, que, com a volta de Sean Payton à sideline, parece ter conseguido reeditar seus melhores jogos depois de uma última temporada ruim.
 
Palpite: o jogo será mais equilibrado do que foi na temporada regular, mas será difícil que Seattle não vença.
 
Carolina Panthers x San Francisco 49ers – Domingo, às 16h00
 
A dramática vitória do 49ers na primeira rodada dos playoffs, vencendo um rival de conferência muito forte, trouxe o time da California para enfrentar o Carolina Panthers nos seus domínios. É jogo de duas equipes que também já se enfrentaram na temporada regular, com uma vitória do Panthers, em San Francisco, por 10×9, em um jogo em que o 49ers abriu 9×0, mas não conseguiu pontuar no segundo tempo e que foi, nitidamente, um jogo em que as defesas sobrepujaram os ataques.
E, assim deve ser novamente. Tanto San Francisco como Carolina têm defesas muito fortes. Como já escrevemos aqui, o 49ers talvez tenha o melhor grupo de linebackers da Liga, com Navorro Bowman, Aldon Smith e o cinco vezes Pro Bowl Patrick Willys. No Panthers, o segundo anista Luke Kuechly tem liderado uma defesa muito agressiva, que pressiona bastante o quarterback e que permite poucos 1st downs.
 
Os times também são parecidos em seus quarterbacks. Tanto Cam Newton (Panthers) quanto Colin Kaepernick (49ers) possuem habilidades para saírem do pocket e ganharem muitas jardas correndo. Aliás, os dois têm as melhores marcas da Liga nessa temporada correndo com a bola. Por outro lado, são ainda quaterbacks irregulares no jogo aéreo, alternando grandes jogadas com campanhas ineficazes. Carolina leva vantagem por jogar em casa, sem dúvida. A torcida é muito assídua e fanática. O que pode equilibrar isso é que o corpo de recebedores aéreos do 49ers parece mais afinado com seu quarterback, lhe oferecendo mais opções. Isso porque San Francisco conta com os wide receivers Michael Crabtree e Anquan Boldin, e o tight end Vernon Davis, que no último jogo igualou o segundo lugar de mais recepções para TD’s na pós temporada para um jogador de sua posição na história da Liga. Do outro lado, o Panthers conta com o excelente Steve Smith, mas ainda pena com o irregular Ted Ginn Jr.
 
Palpite: as defesas devem ser determinantes e o fator casa deve pesar a favor de Carolina, que deve ganhar o jogo.
 
AFC:
 
New England Patriots x Indianapolis Colts – Sábado, às 23h30
 
A virada histórica sobre o Chiefs na semana passada, comandada por Andrew Luck, encaminhou o Colts para Foxboro, enfrentar o New England Patriots nos seus domínios. Único jogo dessa fase que não aconteceu na temporada regular, tem tudo para ser um ótimo confronto de dois quarterbacks com estilos de jogo parecidos, mas de gerações diferentes. O Colts mostrou sua força ao reverter, como dito, uma vantagem de 28 pontos no Wild Card Weekend. A conexão aérea Andrew Luck-T.Y. Hilton funcionou muito, especialmente no segundo tempo, e o jogo corrido de Donald Brown também ajudou na construção da vitória. Mas, o triunfo veio, sobretudo, na ótima performance defensiva do segundo tempo (sim, porque no primeiro tempo daquele jogo, o Colts parecia ter uma defesa de High School). Basta lembrar que, no segundo tempo, o Colts venceu o Chiefs por 35×13! O Colts só não pode achar que, contra o Patriots, no Gilette Stadium, reverterá uma diferença de 28 pontos no primeiro tempo…
 
Isso porque, do outro lado estão Tom Brady e Bill Belichik, a dupla quarterback-head coach mais vencedora da Liga. O que impressiona é que, mesmo com as grandes perdas ofensivas do time nessa temporada (por exemplo, com as saídas de Wes Welker, Danny Woodhead, a lesão de Rob Gronkowski e a prisão de Aaron Hernandez), o ataque do Patriots conseguiu se reinventar e fazer mais uma boa temporada. Brady domina como ninguém a arte de controlar o relógio e dificilmente perde jogos quando está ganhando. Ao mesmo, tempo, consegue viradas memoráveis, como, por exemplo, a que deu a vitória ao time de Massachussets contra o Now Orleans Saints na temporada regular, com uma campanha explosiva no último minuto culminando com um passe para TD faltando 6 segundos para o fim do jogo. O jogo deverá ser excelente, e, provavelmente, a linha ofensiva que conseguir proteger melhor seu quaterback da ação defensiva do adversário, dará a vitória a seu time.
 
Palpite: vou apostar na nova geração, com a vitória do Colts, mesmo fora de casa.
 
Denver Broncos x San Diego Chargers – Sábado, às 19h00
 
San Diego foi a única equipe a vencer o Cincinnati Bengals em seus domínios nessa temporada, no jogo que classificou o time da California para as semifinais de conferência. E foi, também, o único time a vencer o Denver Broncos jogando no Colorado, o que aconteceu na temporada regular. Só isso, só torna o confronto interessante, até mesmo pela possibilidade de revanche para Denver. Por serem times da mesma divisão (AFC West), as equipes jogaram duas vezes na temporada. E, se perdeu em casa, o Broncos venceu San Diego na California, o que mostra um relativo equilíbrio no confronto.
 
O Denver Broncos parece franco favorito. Peyton Manning está na sua temporada mais espetacular, com a quebra de recorde de passes para TD’s na mesma temporada, com 55 conexões que acabaram na end zone, e de jardas aéreas, com 5.477. O poderoso ataque de Denver conta com os alvos aéreos Wes Welker, Eric Decker e Demaryius Thomas, além do potente jogo corrido de Knowshon Moreno, que tem facilitado a vida de Peyton, colocando em situações confortáveis de terceiras descidas. A defesa, porém, sofreu uma grande baixa, com a lesão de Von Miller, que o deixou fora da temporada. Mas, Manning terá que superar a maldição da pós temporada. Mesmo sendo um dos melhores (para alguns, o melhor) quaterback da história da Liga, Peyton carrega a sina de ser um perdedor de playoffs. Neles, tem mais derrotas que vitórias (11-9) e, se perder de novo, entrará para a história como o quarterback que mais perdeu jogos de pós temporada, “título” que ainda divide com Brett Favre. O próprio San Diego Chargers já infligiu duas derrotas em playoffs a Manning, em 2008 e 2009, quando ele ainda jogava no Indianapolis Colts.
 
San Diego parece capaz de vencer o Broncos e avançar à final da conferência? Sim, especialmente se a defesa do Chargers repetir o excelente jogo que fez contra o Bengals na semana passada, pressionando o quarterback Andy Dalton, indo bem contra o jogo corrido e vencendo a linha ofensiva adversária por diversas vezes. O quarterback de San Diego, Phillip Rivers fez boas conexões aéreas com o novato Keenan Allen e contou com ajuda providencial do excelente jogo corrido os running backs e Danny Woodhead e Ryan Mathews para facilitar suas conversões de descidas.
 
Palpite: ficarei muito surpreso se o Chargers ganhar o jogo. Mas, na última semana o time de San Diego já me surpreendeu. Mesmo assim, acho que dá Broncos.
 
*André Tesser é amigo do blog e, pra ele, “bola” é um objeto oval.
 

Guia dos Playoffs da NFL 2013-14

por André Tesser*
 
 
Começa nesse 04 de janeiro um novo campeonato na NFL.
 
Sim, porque os playoffs podem ser considerados uma nova competição, já que tudo que aconteceu na temporada regular é praticamente zerado e as equipes se enfrentam em jogos eliminatórios, nos domínios daqueles melhores classificados na temporada regular, na sistemática famosa do “win or go home”. A temporada regular é realmente apenas classificatória para os playoffs. Claro que ela é um bom indicativo do nível das equipes e de suas possibilidades de avanço nos jogos eliminatórios. Mas o fato de em apenas um jogo uma equipe definir seu futuro no campeonato realmente muda a cara da competição.
 
É difícil prever qualquer resultado nos playoffs, mas, como bom palpiteiro, não posso me furtar de apontá-los.
 
NFC:
 
Os classificados para os playoffs são o Seattle Seahawks (primeiro colocado, campeão da NFC West e que garantiu o mando de jogo até a final da Conferência e uma folga na primeira rodada), o surpreendente Carolina Panthers (segundo lugar geral, campeão da NFC South, garantindo uma folga na primeira rodada eliminatória), o Philadelphia Eagles (terceiro lugar e campeão da NFC East), Green Bay Packers (quarto lugar e campeão da NFC North), San Francisco 49ers (quinto lugar e melhor campanha entre os times que não ganharam suas divisões) e o New Orleans Saints (sexto lugar e segunda melhor campanha entre aqueles que não venceram suas divisões).
 
Assim, Seahawks e Panthers não jogam nessa primeira rodada. O Eagles enfrenta, em casa, o Saints, enquanto o Packers recebe no seu estádio o 49ers. Curioso é que tanto o Saints quanto o 49ers tiveram mais vitórias que seus oponentes na temporada regular, mas, por não terem ganho suas divisões (o Panthers ganhou a divisão do Saints e o Seahawks, a do 49ers), terão que jogar fora de seus domínios.
 
Philadelphia Eagles x New Orleans Saints, na Filadéfia, sábado, às 23h30:
 
Em casa, o Eagles tem sido irregular, embora tenha melhorado na segunda metade da temporada. Seu novo quarterback Nick Foles, apoiado por dois grandes jogadores (Lesean MacCoy e Desean Jackson), fazem do ataque uma arma importante e a defesa jogou bem na temporada. Por outro lado, o ataque do Saints também é muito forte, pois seu quarterback Drew Brees é dos melhores da liga (tendo ganhou um Super Bowl sendo MVP e com alguns recordes individuais importantes) e conta ainda com Jimmy Graham, Marques Colston e Pierre Thomas. Porém, Drew Brees nunca conseguiu vencer um jogo de pós temporada fora de New Orleans.
 
A chave do jogo será o rendimento dos quaterbacks. Se Nick Foles repetir nos playoffs a temporada excelente que fez, dificilmente o Eagles perderá o jogo; mas, se Brees resolver jogar bem fora de casa um jogo de playoff, o Saints terá boas chances.
 
Palpite: jogo equilibrado, mas o Eagles vence.
 
Green Bay Packers x San Francisco 49ers, em Wisconsin, domingo, às 19h30
 
Esse confronto tem tudo para ser o melhor dessa primeira rodada. As equipes enfrentaram-se nas semifinais da NFC da temporada passada, mas em São Francisco, com a vitória do 49ers no jogo em que o time da California teve a melhor performance ofensiva de sua história nos playoffs. Esse ano, os times se encontraram na primeira rodada temporada regular, também em San Francisco e também com vitória do 49ers. Mas, agora, dois fatores certamente influenciarão o confronto.
 
Primeiro, o Packers classificou-se apenas na última rodada com uma vitória épica a menos de um minuto do final do jogo contra seu maior rival, Chicago Bears, fora de casa, no jogo do retorno de seu excepcional quarterback, Aaron Rodgers, o que deve lhe dar um “gás” maior para os playoffs. E, por segundo – e não menos importante, o frio. A temperatura esperada para o Lambeau Field (estádio aberto em Green Bay) é de – 20° C. Isso mesmo, vinte graus negativos, uma amplitude térmica de quase 30 graus para San Francisco. Não é algo a se desprezar.
 
O Packers sofreu com diversas contusões ao longo da temporada. Além de Aaron Rodgers, a dupla de recebedores, teve Randon Cobb fora em vários jogos. Os Packers melhoraram o jogo corrido, principalmente com o calouro Eddie Lacy que fez uma boa temporada, mas que parece estar jogando lesionado. E sua grande estrela defensiva, o linebacker Clay Mathews ainda é dúvida para o jogo desse domingo. O 49ers fez uma campanha de 12 vitórias, mas teve momentos de irregularidade que preocupam seu torcedor. Seu quaterbarck Colin Kaepernick fez uma temporada de altos e baixo, às vezes dentro do mesmo jogo. A volta do recebedor Michael Crabtree deu uma esperança de melhora do jogo aéreo, que já conta com o tight end Vernon Davis e o wide receiver Anquan Boldin como bons alvos. O jogo corrido de Frank Gore ainda funciona e a defesa do Niners tem, talvez, o melhor corpo de linebackers da Liga.
 
Palpite: num jogo em que a adaptação ao frio deve ser determinante, e com a crescida de Green Bay, com dor no coração (sou torcedor dos Niners), o Packers deve ganhar o confronto.
 
AFC:
 
Os classificados para os playoffs são o Denver Broncos (primeiro colocado, campeão da AFC West e que garantiu o mando de jogo até a final da Conferência e uma folga na primeira rodada), o New England Patriots (segundo lugar geral, campeão da AFC Eats, garantindo uma folga na primeira rodada eliminatória), o Cincinnati Benagles (terceiro lugar e campeão da AFC North), Indianopolis Colts (quarto lugar e campeão da AFC South), Kansas City Chiefs (quinto lugar e melhor campanha entre os times que não ganharam suas divisões) e o San Diego Chargers (sexto lugar e segunda melhor campanha entre aqueles que não venceram suas divisões). Assim, Broncos e Patriots não jogam nessa primeira rodada. O Bengals enfrenta, em casa, o Chargers, enquanto o Colts recebe no seu estádio o Chiefs. Nessa conferência, Bengals, Colts e Chiefs tiveram uma temporada com 11 vitórias e 5 derrotas, o que mostra o equilíbrio entre os times.
 
Cincinnatti Bengals x San Diego Chargers, em Cincinnatti, domingo, às 16h00
 
O Bengals não perdeu no seu estádio na temporada regular, ganhando todas as oito partidas que disputou. Isso faz do time de Ohio uma equipe muito forte em seus domínios, com uma defesa muito boa e um quaterback, Andy Dalton, que teve excelentes momentos na temporada. O wide receiver AJ Green está entre os melhores da liga e o jogo corrido é constante com o running back Giovanni Bernard. O San Diego Chargers classificou-se “na bacia das almas” com um Field goal na prorrogação da última rodada contra o time misto do Chiefs, que haviam perdido também um Field goal para ganhar o jogo no finalzinho do tempo normal. Mas, o fato de terem enfrentado o Denver Broncos – melhor time da temporada regular – em duas partidas e também de fazerem parte da única conferência que classificou três times para os playoffs (AFC West), mostra que o time da California não pode ser desprezado. A conexão aérea do quarterback Phillip Rivers e do tight end Antonio Gates é das mais profícuas da Liga, e o jogo corrido é bem estabelecido com Danny Woodhead, running back contratado junto ao Patriots. Mas, a defesa de San Diego é seu ponto fraco.
 
Palpite: deve ser o jogo menos equilibrado dos playoffs e a vitória do Bengals, jogando em casa, é mais do que provável.
 
Indianapolis Colts x Kansas City Chiefs, em Indianápolis, sábado, às 19h30
 
O jogo que abre os playoffs será um confronto entre uma equipe que começou muito bem a temporada contra um time que teve grandes momentos, mas que teve a seu favor o fato de estar na divisão mais fraca da Liga, a AFC South, vencendo todos seus seis confrontos dentro dela. O Chiefs chegou a ganhar as nove primeiras partidas, mas, depois disso, só ganhou mais duas. O Colts, por seu lado, venceu San Francisco 49ers (em San Francisco), Seattle Seahawks e Denver Broncos, esses dois últimos, as duas melhores campanhas da Liga.
 
O Colts terá a seu favor o fato de jogar no seu estádio e de viver um melhor momento que o Chiefs. Indianapolis vem de três vitórias seguidas, e seu quaterback Andrew Luck está mais maduro e parece capaz de levar o time a vencer uma partida de playoff, o que ainda não aconteceu na era pós Peyton Manning. Especialmente porque conta com mais uma boa temporada do wide receiver Reggie Wayne e porque o running back Trent Richardson parece ter encaixado seu jogo corrido. A defesa é das melhores da liga também. Já o Chiefs, que começou arrasador com nove vitórias seguidas, vive claramente um momento de declínio. Vem de duas derrotas seguidas e, depois da nona rodada, ganhou apenas duas partidas das sete restantes. Mas, a grande defesa do time, aliada ao jogo corrido de Jamaal Charles pode devolver ao Chiefs as grandes atuações do começo da temporada. De qualquer modo, estar nos playoffs já uma vitória para uma equipe que venceu apenas duas partidas na temporada passada e que, com a chegada de Andy Reid como Head Coach parece ter adquirido novo status na Liga.
 
Palpite: o melhor momento do Colts deve ser decisivo para a primeira vitória de Andrew Luck em um jogo de playoff. O que, se acontecer, mandará o Colts para mais um confronto histórico contra seu ex-quaterbarck Peyton Manning, dessa vez, em Denver, nas semifinais da Conferência.
 
*André Tesser é louco por ‘football’ e amigo do blog.

Começou a NFL, o futebol que é menos foot e nem tão ball

Sim, é futebol

por André Tesser*

A bola oval está voando de volta. Para os fãs do Futebol Americano, a liga profissional norte-americana, a NFL, retomou suas atividades na quinta-feira, dia 05/09/2013, com o jogo envolvendo o campeão do ano passado, Baltimore Ravens e um dos favoritos dessa temporada, o Denver Broncos – que venceu o jogo.

O campeonato da NFL é um dos que mais têm audiência no mundo. Sua final, conhecida como Super Bowl e que acontece sempre no primeiro domingo de fevereiro, é o evento esportivo isolado com maior telespectadores do planeta e tem o intervalo mais caro da televisão mundial. Na última temporada, por exemplo, “apenas” mais de 108 milhões de televisões estiveram ligadas no mundo para o Super Bowl.

O fenômeno explica-se, claro, pelo fanatismo norte-americano pelo esporte, mas também pelos adeptos da liga no mundo. Isso só é possível pelo nível técnico do campeonato, pelas emoções que o esporte proporciona, pela organização do torneio e pela tradição yankee de unir, com maestria, esporte e entretenimento.

A NFL é dividida em duas Conferências: NFC (National Footbal Conference) e AFC (American Footbal Conference). Os times de cada conferência estão espalhados por oito divisões (quatro divisões por conferência), que contam com quatro times cada, o que totaliza 32 times (chamados de “franquias”). Ao final de 16 jogos de cada time na temporada regular, classificam-se aos playoffs das conferências os campeões de cada divisão e mais dois times por índice técnico dentro de cada conferência. Depois, os times enfrentam-se em partida única, sempre na casa do time de melhor de campanha da temporada regular até sair o campeão.

Os dois vencedores das Conferências disputam a final da NFL, o Super Bowl, que acontece também em partida única, em estádio já pré-definido. Em fevereiro de 2014, o Met Life Stadium, em New Jersey, nos arredores de New York, sediará o evento.

Para essa temporada, os especialistas têm apontado alguns favoritos. Na AFC, o título deve ficar entre o Baltimore Ravens (que mantém um time forte, apesar de algumas perdas importantes), o Denver Broncos (que conta com uma dupla no ataque que deve fazer história na Liga: Peyton Manning e Wes Welker) e o sempre forte New England Patriots (que conta com um dos melhores quarterbacks da liga, Tom Brady, também conhecido como marido de Gisele Bündchen).

Na NFC, a disputa deve ser mais acirrada. O Atlanta Falcons (vice-campeão da conferência na temporada passada e reforçado), o Green Bay Packers (com um ótimo ataque comandado pelo excelente Aaron Rodgers e uma boa defesa, com o “lenhador” Clay Mathews), o San Francisco 49ers (que manteve a boa base da temporada passada, com destaque para a defesa com a dupla de linebackers Aldon Smith/Patrick Willys e com o quarterback Colin Kaepernick, que levou o time ao Super Bowl na temporada passada) e o Seattle Seahawks (do talentoso quarterback segundo-anista Russel Wilson e de um dos melhores running backs da liga, Marshall Lynch) lideram os postos de favoritos.

Mas, a Liga sempre reserva algumas surpresas. Se ela vier da AFC, deve ser o Cincinatti Bengals (que se reforçou bem), o Houston Texas (que fez uma bela temporada passada) ou o Indianapolis Colts (que deve crescer na segunda temporada de seu festejado quarterback Andrew Luck). Na NFC, as surpresas podem vir do New Orleans Saints (com a volta seu head coach Sean Payton, que ao lado de seu grande quarterback Drew Brees já levou o time da Lousiana ao título do Super Bowl), ou do sempre perigoso New York Giants (do quarterback duas vezes campeão do Super Bowl Eli Manning – irmão mais novo de Peyton, QB do Denver Broncos).

De qualquer forma, o campeonato promete ser, novamente, dos mais disputados. A temporada relativamente curta e o histórico de lesões na Liga sempre são fatores que colaboram com o imprevisível e é muito normal um time que não faz uma grande temporada regular ser o campeão.

Para quem quiser acompanhar o torneio pela televisão, a ESPN – que transmite o campeonato no Brasil, assim como o canal Esporte Interativo – deve transmitir cinco jogos por rodada: um na quinta-feira, dois na tarde do domingo, um na noite do domingo (o jogo mais festejado da rodada, o Sunday Night Football, que tem a abertura mais legal de qualquer evento esportivo) e um na noite da segunda-feira, o Monday Night Football. Além disso, sempre rolam transmissões especiais (no feriado norte-americano de Thanksgiving – ação de graças, por exemplo), e a ESPN transmitirá também, mais uma vez, todos os jogos dos playoffs, incluindo, claro, o Super Bowl.

Para quem tem conta no twitter, há sempre muita informação quando se segue o @theconcussion e o @oquarterback, além das contas dessa rede social dos narradores e comentaristas da própria ESPN no Brasil.

Se você ainda não é fã da bola oval, sugiro que vgaste um pedaço do domingo assistindo, ao menos, o Sunday Night Football, incluindo a sua abertura. Mas, depois, não me acuse de viciá-lo.

P.S.: obrigado ao amigo Napoleão pelo espaço e pela oportunidade de dividir um pouco nessas linhas, da minha adoração pela NFL.

*André Tesser é advogado, professor de Direito, fanático por Futebol Americano e amigo do blog

Um sábado diferente*

Futebol Americano, coisa de brasileiro

Oito mil pessoas pagaram ingresso entre R$ 5 e R$ 10 para ver Coritiba Crocodilles 7-14 Fluminense Imperadores, final do Brasil Bowl, campeonato brasileiro de futebol americano. O Coxa perdeu o jogo, o Flu ficou com a taça, mas quem ganhou mesmo foi o esporte norte-americano.

Pela primeira vez em um grande estádio do país o Futebol Americano reuniu público superior a muitos de clubes das Séries A e B. Evidentemente, a sazonalidade ajudou, mas também provou-se que o esporte é viável, especialmente amparado pelas chancelas de Coritiba e Fluminense. Para se ter uma noção, além dos torcedores do Coxa, cerca de 500 torcedores do Fluminense se fizeram presentes no estádio.

Foi um sábado diferente, com jardas e quarterbacks, com touchdowns e wide receivers, num gramado acostumado a ver zagueiros e meio-campistas. No jogo, o Crocodilles fez o que pôde para superar o ótimo time carioca, reforçado por três norte-americanos semi-profissionais. Esteve perdendo, empatou, mas errou na saída de uma jogada e perdeu a taça. Mesmo assim, valeu a luta e também a bonita festa dos cariocas. Assim como em 2010, o Croco ficou com o vice Brasileiro. Claro que as gozações dos rivais atleticanos são válidas e deveriam inclusive ser motivo de impulso a parceria com um dos outros dois times da cidade, o Hurricanes e o Brown Spiders.

Cobrar resultados de um esporte que há cinco anos era praticado por seis ou sete abnegados e hoje já leva 8 mil pessoas a um estádio, é demais. Seria maldade condenar desempenho de um ou outro pela perda, assim como não enxergar que não houve perda e sim ganho e crescimento. O título é o de menos. Tão maldade quanto exigir desempenho é ligar a decisão festiva – e com bebida alcóolica sendo vendida, para deleite do torcedor consciente – ao fatídico encontro entre os dois times, no futebol, em 2009. Espero não ver esse tipo de comparação burra por aí.

* O título é referência ao filme “Um domingo qualquer”, sobre os bastidores do Futebol Americano nos EUA, onde o esporte é bem menos inocente do que aqui.

Aqui pode, Elano!

O Brasil deu vexame na Copa América, eliminado nos pênaltis pelo Paraguai. Em uma das cobranças o meia Elano, do Santos, caprichou: mandou na lua. Não seria tão ruim se ele fosse um kicker de Futebol Americano, esporte que ganha terreno a cada ano no Brasil.

A bola oval já não é tão estranha aos brazucas. E em tempos nos quais os EUA passaram a ser potência no futebol, nada mais natural que os brasileiros pudessem invadir o field deles também. Eis que Curitiba é uma das principais capitais do Futebol Americano no Brasil. E no final de semana passado o tricampeão paranaense e atual vice-campeão brasileiro, Coritiba Crocodilles (sim, Coritiba, como o clube de futebol que o apoia, e não Curitiba, como a cidade), recebeu e venceu o Porto Alegre Pumpkins por 19 a 2, na estréia da temporada 2011, a segunda da LBFA (Liga Brasileira de Futebol Americano). Abaixo, você confere os melhores momentos desse jogo, exibidos hoje no Jogo Aberto Paraná:

O Paraná tem ainda o Curitiba Brown Spiders e o Foz do Iguaçu Sharks nessa competição. O Spiders iria estrear no Grupo Sul contra o Joinville Gladiators, mas, como você viu acima, o gramado ficou impraticável. A estréia foi adiada, ainda sem data marcada. Já os Sharks venceram o Santa Cruz Chacais-RS por 32 a 6 e lideram a chave. A classificação está aqui.

Não é só o Coxa que apoia um time de Futebol Americano – no caso, o Croco. O Fluminense do Rio também adotou o Imperadores, que lidera o Grupo Norte. Lá está também o atual campeão brasileiro, o Cuiabá Arsenal, que bateu o Crocodilles na decisão 2010. Vasco, Palmeiras e Santos também montaram equipes recentemente. Outro time de futebol que apoia o futebol americano é o Corinthians, que mantém o Steamrollers. O Big Team (ou Helm), no entanto, disputa outra liga nacional: o Torneio Touchdown.

Nela estão outros três paranaenses: Curitiba Hurricanes, Curitiba Predadores e Ponta Grossa Phantons. A rodada de estréia foi terrível para eles, com três derrotas. Clicando aqui, você acha os resultados e a classificação.

As ligas são separadas, mas no Estadual os clubes jogam entre si. Ao final do ano, o Brasil deve ter dois campeões nacionais (um da Liga, outro do Touchdown) que negociam ainda a idéia da realização de uma espécie de Super-Bowl, o grande evento esportivo norte-americano, que decide o campeão máximo da NFL (liga dos EUA), que também tem duas ligas internas.

Como nos demais esportes americanos (NBA, Hóquei) o campeão se auto-intitula “Campeão Mundial”. Mas eles que se cuidem. Depois de aprenderem as regras e desenvolverem o esporte no país, os brasileiros conterrâneos de Elano começam a mostrar que sabem marcar field goals como poucos.