E se a Copa de 1942 tivesse sido realizada?

Enquanto a Copa vive seu último recesso, os blogs Abrindo o Jogo e Futebol Clube propõem a você, leitor, um exercício de imaginação: e se a Fifa tivesse mantido a realização da Copa do Mundo para 1942, a despeito da II Guerra Mundial?

– Leia também: E se a Copa de 1946 tivesse sido realizada?

A história já está escrita, mas é possível imaginar quem poderia ganhar a Copa. E as notícias não são animadoras: dois dos grandes rivais brasileiros, Argentina e Itália, dominavam o período.

Para esse exercício, é preciso ter alguma base histórica. Uma pesquisa em cima dos principais times da época já daria uma boa noção de quem seria sede daquele Mundial. Com a Europa toda ocupada por tropas, a ideia da Fifa era trazer a Copa  para a América do Sul já em 1942. Falava-se em dividir a realização entre Argentina e Brasil. Podemos imaginar, no entanto, que como a Copa de 1950 ocorreu no Brasil – que era o país mais pronto para receber o evento – e que apenas em 2002 a Fifa aceitou dividir a realização, o Mundial de 1942 ocorreria em terras tupiniquins.

Treze equipes participaram da Copa em 1950, um número menor que as 16 que jogaram o torneio em 1938. Assumindo que 16 times jogariam o Mundial de 1942 no Brasil, é preciso definir a distribuição das vagas. Sul e norte americanos seriam maioria, com 9 equipes. Brasil, Argentina (que não jogou em 50), Uruguai, Chile, Paraguai e Bolívia seriam os candidatos naturais na América do Sul, pelo desempenho na época; EUA, México e Cuba (que jogou a Copa de 38 na França), viriam pela América do Norte.

Cubanos na Copa em 1938: iriam também em 1942?

Em situação normal, os europeus teriam mais vagas que os americanos, mas a guerra consumia forças. Assim sendo, é possível imaginar que as demais 7 vagas seriam cobertas pelo Velho Continente em 1942. Asiáticos participaram do Mundial de 1938 com a Indonésia e voltariam em 1954, com a Coréia do Sul; africanos, em 1970, com Marrocos. E um representante da Oceania só apareceu em 1974, com a participação da Austrália.

O conhecido perfil político da Fifa, que tinha Jules Rimet a frente, ajudaria a contemporizar os ânimos e garantir presenças importantes na Copa. Porém, no contexto da época, é preciso lembrar que 1942 foi o ano em que o Eixo teve maior domínio territorial no planeta, o ano em que os Aliados começaram a resposta contra os comandados de Hitler. Assim sendo, é possível imaginar que Alemanha e Áustria, unificadas, mandariam um time “Ariano”, na tentativa de Hitler mostrar sua superioridade também no Esporte; França, Holanda e Bélgica estariam fora, dominadas pelos alemães.

A Itália, ocupada pela Alemanha, mas com afinidades políticas, mandaria também seu poderoso time. Hungria, Tchecoeslováquia e Iugoslávia, aliados políticos de Hitler também participariam, com bons times. A Suécia seria outra participante, já que seu campeonato nacional seguiu acontecendo. Por fim, com um empurrãozinho dos EUA, a Inglaterra anteciparia sua primeira participação na Copa, depois da recusa inicial. A ideia seria ter nos inventores do futebol uma resposta em campo às pretensões arianas de Hitler. No entanto, sem a realização da Liga Inglesa nos anos entre 1939 e 46, o time não seria dos melhores. A URSS, ocupada com a invasão das tropas nazistas, acabaria por não participar.

As cidades-sede seriam seis, como em 1950. Cinco no sul-sudeste e uma no nordeste. Recife, com a Ilha do Retiro inaugurada em 1937, faria uma reforma para 20 mil lugares – como fez para 1950 – no estádio do Sport. Porto Alegre teria o Estádio dos Eucaliptos, do Inter, inaugurado em 1931 e reformado de 10 para 30 mil lugares. Curitiba, ainda sem a Vila Capanema, apostaria no Belfort Duarte – que viria a ser o atual Couto Pereira – por ser maior e mais confortável que o estádio da Baixada. O campo do Coritiba ganhou iluminação em 1942, ano da suposta Copa.

Em Minas, o Independência ainda não estava de pé, tampouco o Mineirão. A Fifa sugeriria excluir Belo Horizonte da Copa, o que seria rapidamente descartado pelo Governo. A solução seria ampliar de 5 para 20 mil lugares o estádio do Atlético Mineiro, Presidente Antônio Carlos, no lugar onde hoje existe um shopping. O Rio de Janeiro ofereceria ao Mundial o estádio de São Januário, do Vasco, então o maior do País. Mas, apesar do carioca Luiz Aranha ser o presidente da CBD, a final seria em São Paulo, que contaria com o recém-inaugurado estádio do Pacaembu (1940) para 70 mil pessoas.

Pacaembu, e não o Maracanã, o principal estádio para 1942

A Seleção Brasileira a ser convocada pelo então técnico Adhemar Pimenta (o mesmo que convocou o time para a Copa América naquele ano no Uruguai) seria basicamente montada por times de Rio e São Paulo, exceção feita ao goleiro Caju e ao lateral Joanino, ambos do Atlético Paranaense, e também ao atacante Paulo Florêncio, do extinto Siderúrgica, de Minas. Jayme de Almeida, do Flamengo, pai do ex-técnico flamenguista, e jogadores mais badalados como Domingos da Guia (Flamengo), Affonsinho e Tim (Fluminense) e Brandão e Servillo (Corinthians).

Aquela equipe começou o ano arrasando o Chile (6-1), mas perdendo para o Uruguai (0-1) e Argentina (1-2) no caminho, no Sul-Americano. No entanto, na Copa, a realidade poderia ser outra. Como dono da casa, o Brasil cresceria na competição.

A Argentina viria fortíssima. A base seria “La Máquina” do River Plate, onde surgiu Di Stefano, e que ganhou os títulos nacionais de 1941, 42 e 45. O craque era Adolfo Pedernera. A própria Argentina venceu muito naquele período. Campeã da Copa América em 1941, 45 e 46, o time dos Hermanos era uma potência. Como a Itália. Possivelmente seriam os times a disputar aquele título. Bicampeã do Mundo entre 1934 e 38, ganhou também as Olimpíadas de 1936. Chegaria montada como a equipe mais temida do Planeta na ocasião, com jogadores da Roma e do Torino como base. O consórcio Alemanha-Áustria teria como base as equipes do Schalke 04 (time da preferência de Hitler) e do Rapid Viena, os dois últimos campeões nacionais. Também viriam disputar o título o Uruguai, campeão sul-americano justamente em 1942, e a Hungria, vice-campeã em 1938. A Suécia, que viria a ser campeã olímpica em 1948, poderia correr por fora.

O regulamento da época previa quatro quadrangulares com o campeão passando para o quadrangular final. Brasil, país sede, Uruguai e Itália, campeões do Mundo seriam cabeças de chave facilmente. O quarto cabeça de chave, no entanto, causaria polêmica. Alemães e ingleses queriam a honraria, cada um com sua filosofia amparada na II Guerra Mundial. Como a fascista Itália já era cabeça de chave, Rimet prestigiaria a Inglaterra, mas não sem armar uma surpresa: ingleses e alemães estariam no mesmo grupo.

Sem ser considerado favorito, o Brasil, como força intermediária, receberia a vice-campeã Hungria em sua chave. Além dos dois, Cuba e Iugoslávia fariam parte dessa chave. O jogo de abertura marcava o encontro brasileiro com a Hungria, em São Januário, no Rio. Ajudado pelo calor, o Brasil venceria por 3 a 1 ao time envelhecido de Cseh, Szabo, Gyorgy Sarosi e Zsengeller. A Iugoslávia venceria Cuba em Belo Horizonte por 2 a 1 e empataria com a Hungria em Porto Alegre 2 a 2. Brasil e Iugoslávia jogariam em Recife, com nova vitória brasileira, 2 a 1. Em Curitiba, a Hungria, faria 9 a 1 em Cuba e, com 3 pontos, já não alcançaria mais o Brasil, que tinha 4 – as vitórias valiam 2 pontos. São Paulo veria a terceira e empolgante vitória do Brasil, sobre Cuba, por 7 a 0.

Pensando em fortalecer a Europa, a Fifa colocaria Uruguai e Argentina no mesmo grupo. A eles se juntariam Suécia e EUA. Em Porto Alegre, o Uruguai atropelaria os EUA por 6 a 0, enquanto os argentinos apenas empatariam com os suecos em BH, 2 a 2. Os americanos perderiam também seu segundo jogo, no Rio, para a Suécia, 0 a 3. E São Paulo assistiria o duelo Sul-Americano. Ao contrário do que aconteceu em 1942, na Copa América em Montevidéu, o campo não favoreceria a Celeste Olímpica e a máquina argentina faria implacáveis 4 a 1 nos rivais, que ainda empatariam com a Suécia em Porto Alegre, 3 a 3. No Rio, a Argentina faria 8 a 2 nos EUA e seria a classificada nessa chave.

A Itália, então bicampeã, estaria em uma chave com Bolívia, Chile e Tchecoeslováquia. A estreia, em Curitiba, seria um passeio nos bolivianos: 7 a 1. Chile e Tchecoeslováquia fariam um jogo memorável em Recife, com triunfo chileno por 5 a 4. Seria a primeira zebra das Copas. Em São Paulo, a Itália não passaria de um empate com a Tchecoeslováquia por 2 a 2, decepcionando seus migrantes na capital paulista. A Bolívia seria vitima de nova goleada, 5 a 0, em Porto Alegre. Vivo na disputa, o surpreendente Chile jogaria com a Itália no Rio de Janeiro, por um empate. A derrota apertada viria apenas no fim: 1 a 0 para os bicampeões mundiais, gol de Valentino Mazzola, do Torino. A Tchecoeslováquia se despediria da Copa em Minas, vencendo a Bolívia por econômicos 3 a 1.

A grande expectativa estaria pelo grupo com Inglaterra e Alemanha. A Fifa marcaria esse jogo para a última rodada, em São Paulo. No caminho, os ingleses estreando vencendo o México em São Paulo, 3 a 1. Em Curitiba, no campo do “alemão” Coxa, o consórcio Alemanha-Áustria faria 8 a 0 no Paraguai. Os paraguaios, porém, complicariam a vida da Inglaterra. O jovem time montado as pressas, já que a Liga Inglesa estava parada desde 1939, apenas empataria em Recife com o time guarani, 1 a 1, enquanto que os alemães atropelariam também o México, 6 a 2, jogando no Rio de Janeiro. No entanto, não seria bom aos planos da Fifa um título alemão. Originalmente marcado para Porto Alegre, o jogo entre alemães e ingleses foi transferido para Recife, com uma suposta dificuldade de transporte sendo alegada pelos britânicos. Considerando-se superiores, os germânicos fizeram a viagem, pegando uma Inglaterra descansada. E a zebra surgiria: 1 a 0 para os ingleses, que se defenderiam 90 minutos. Com 5 pontos contra 4 da Alemanha, a Inglaterra chegaria ao quadrangular final. México e Paraguai teriam seu jogo, marcado para Belo Horizonte, cancelado.

O quadrangular então reuniria Brasil, Argentina, Inglaterra e Itália. Os jogos seriam apenas entre Rio e São Paulo. Na estreia, no Rio, Tim comandou o ataque brasileiro contra a combalida Inglaterra, que já havia feito o que tinha a se fazer nesse suposto mundial. Vitória por 3 a 0 e festa brasileira. Ainda mais quando se viu o empate entre argentinos e italianos, 3 a 3, no Pacaembu. A Argentina jogaria em São Januário contra a Inglaterra e também venceria, 4 a 1, com Juan Carlos Muñoz, do River,  marcando os 4 gols. Em São Paulo, seria a vez de Caju e Servillo brilharem. A Itália pressionaria, mas pararia na Majestade do Arco. E com dois gols do corintiano, os paulistas viram a vitória brasileira, 2 a 0.

A decisão aconteceria um dia depois de mais um brioso jogo inglês contra os então bicampeões. Com um surpreendente 3 a 2, a Inglaterra chegaria ao 3º lugar, a frente a Itália dominada pelo fascismo, e aplicaria um golpe filosófico no Eixo. Mas os olhos do futebol estavam de olho no clássico do Pacaembu. O Governo Getúlio Vargas incentivava o nacionalismo, mas a empolgação seria menor do que a vivida em 1950.

Setenta mil pessoas assistiriam ao duelo. Em janeiro de 1942, em Avellaneda, a Argentina fez 5 a 1 no Brasil e venceu a Copa Rocca. A derrota ainda estava muito viva na cabeça dos brasileiros. Ficaria ainda mais quando Adolfo Pedernera marcasse 1 a 0 para os alvicelestes. O jogo seguiu tenso, com Caju trabalhando mais que o desejado. Nos seis confrontos entre os times na época (de 1940 a 42), foram 4 vitórias argentinas e apenas uma brasileira, o que demonstrava como seria dura a luta do Brasil naquela Copa.

Mas o Pacaembu veio abaixo quando Jayme de Almeida cruzou para Brandão empatar. Ao contrário da euforia de 1950, o Brasil não contava com o título e precisava de superação para segurar a esquadra argentina. Sem o champanhe no vestiário, os brasileiros correram até o fim e seguraram a força dos vizinhos, 1 a 1.

A tensão tomou conta do Pacaembu na cobrança dos pênaltis. De maneira competente, um a um, todos foram batendo e convertendo. E então viria Hermínio Masantonio. O maior artilheiro da história do Huracán teria a chance de abrir 5 a 4 no Brasil, jogando a pressão para Tim. Masantonio pararia no vôo certeiro de Caju, permitindo aos donos da casa a chance de ganhar a taça. Tim, calmamente, colocou a bola no fundo da rede:  (após dois avisos de dois leitores mais atentos que o escritor, mudamos o rumo da prosa: não tem pênaltis, o empate já bastava) na reta final da partida. A Argentina era só pressão. Hemínio Masantônio, maior artilheiro da história do Huracán, teria ainda uma grande chance na cara de Caju, mas não superaria o goleiro brasileiro. No final, Tim ainda cavaria uma falta próximo a bandeira de escanteio, que jamais seria cobrada: ao apito final do juiz, 1 a 1, Brasil, campeão do Mundo!

Goleiro Caju, um dos eventuais titulares para 1942

Consequências

É preciso imaginar também quais seriam as consequências deste suposto título brasileiro. A primeira delas: sem a maldição da camisa branca, com o Maracanazo de 1950, o Brasil jamais usaria amarelo. E o próprio Maracanã só viria a ser erguido em meados dos anos 50, como resposta fluminense às obras do Pacaembu e da Fonte Nova. É improvável que a Copa de 1950 também acontecesse no País, já que o período seria muito curto entre um Mundial e outro. Porém, dependendo da necessidade da Fifa, não seria impossível. O Mundo viveu o pós-guerra na época e o Brasil já estava pronto. Em 1986, com a desistência da Colômbia, o México recebeu o seu segundo Mundial num intervalo de apenas 16 anos. Porém uma aposta mais segura para 1950 seria a Argentina, também na América do Sul.

Amarelinha não existiria sem o Maracanazo

E em 1946? Bem, essa é outra história, para você ler aqui.

Com mais técnicos, Alemanha ditará ritmo da Copa 2014

Niko Kovac, técnico da Croácia, é um dos cinco alemães na Copa

A seleção da Alemanha é uma das favoritas ao título mundial na Copa 2014 no Brasil. Mas mesmo que o timaço de Schweinsteiger, Muller, Gotze e Podolski falhe, os alemães terão ainda outras quatro chances de comemorar a supremacia no futebol do Planeta.

Nada menos do que cinco dos 32 técnicos da Copa são alemães. Brasileiros? Apenas um, Luis Felipe Scolari.

Joachim Low, pela seleção alemã, e Niko Kovac (Croácia), Jurgen Klinssmann (EUA), Volker Finke (Camarões) e Ottmar Hizfeld (Suíça) demonstram em números que a escola alemã de técnicos é, atualmente, a mais procurada no Planeta. Pode ser o histórico de sucesso do futebol alemão, a organização e o pragmatismo característico do povo germânico, a força da Bundesliga ou mesmo o fato de que quase todo alemão é bilingue, falando com naturalidade o inglês. Fato é que os técnicos alemães são quem ditarão o ritmo da Copa aqui no Brasil.

Depois dos alemães, três outros países forneceram técnicos a um grande número de seleções: Itália, Argentina e – acredite – Colômbia. Cada um tem três técnicos dirigindo seleções no Mundial do Brasil. Curiosamente, apesar de ter três técnicos dirigindo times na Copa (Jorge Pinto pela Costa Rica, Reinaldo Rueda pelo Equador e Luis Suares por Honduras) a Colômbia preferiu importar um argentino: José Pekerman dirige os cafeteros no Brasil. A lista da Argentina tem ainda Jorge Sampaoli no Chile e Alejandro Sabella na seleção nacional.

Italianos andam em alta no Japão (Alberto Zaccheroni) e na Rússia (Fábio Capello) e confiam em Cesare Prandelli para a Azzurra. Ficam acima de portugueses e franceses, que têm dois técnicos cada na Copa. O lusitano Fernando Santos dirige a Grécia, enquanto Paulo Bento conduz o time de Cristiano Ronaldo; Sabri Lamouchi é o técnico da Costa do Marfim, com seu conterrâneo Didier Deschamps treinando a França.

Chama a atenção ainda o fato de a Bósnia, que disputa apenas pela primeira vez uma Copa do Mundo, estar com dois técnicos, mais que escolas fortes como Brasil, Espanha, Inglaterra e Holanda. Vahid Halilhodzic pela Algéria e Safet Susic pela própria Bósnia marcam época sendo mais prestigiados que brasileiros, espanhóis, ingleses e holandeses, que tem representantes apenas dirigindo as seleções caseiras. Até mesmo Moçambique, que nunca disputou uma Copa, tem Carlos Queiróz a frente do Irã.

O fato de um técnico brasileiro conhecer o País, o comportamento das pessoas, as condições climáticas e quem sabe até ter alguma simpatia junto aos locais não seduziu nem mesmo seleções de pequeno calibre. Se nas arquibancadas a torcida brasileira têm dado o tom da disputa, no banco de reservas o comando e a direção são alemães. 

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Maradona, “más grande” que Pelé

Zidane e Maradona: iguais, porém diferentes, sem serem Pelé

Sejamos honestos: olhando a história da Argentina, é impossível negar o que cantam milhares de hermanos nas ruas do Rio de Janeiro nesse dia de estreia da seleção vizinha na Copa 2014. Maradona é mesmo “más grande” que Pelé. Ao menos pra eles. E ao menos em espanhol.

Alguém, em algum momento, resolveu traduzir que “más grande” é melhor. Não, amigo leitor, não é. É maior. Para os argentinos, Maradona foi, é, e sempre será, maior que Pelé. Talvez até para nós brasileiros, se formos pensar bem no que isso quer dizer. Mas nunca foi dito pelos argentinos que Maradona é MELHOR que Pelé. Isso, os números não deixam.

Poderíamos até comparar ambos em genialidade nos lances. Seria um páreo bacana, mas o Rei venceria. Títulos, gols, arrecadação em mídia, dá Pelé de longe. É possível até comparar Messi com Maradona e Pelé nesse aspecto, afinal. Todos atrás. Não, o ponto não é e nunca foi esse.

Maradona é maior que Pelé pelo que representa aos argentinos. 

Era 2007 e eu andava por Buenos Aires. O primeiro “susto” de quem não conhece o povo argentino é ver que eles respeitam e gostam do futebol brasileiro. O melhor termômetro de qualquer cidade é um taxista. Eles correm a cidade, convivendo com o mais sortido tipo de pessoas. E um deles, torcedor do Arsenal de Sarandí, me convenceu sem erros que Maradona era maior que Pelé. Nunca melhor.

Disse-me na ocasião o taxista (cujo nome não me lembro, mas não era Diego) que Pelé era incomparável. Mas que Maradona representava la gente. O povo, no caso. Que saiu das favelas para vingar a Argentina em 1986. E aí é que entra o que vale pra eles: La Mano de Dios.

Alguns chamarão de heresia, mas para eles, Deus agiu no corpo de Maradona naquela vitória por 2-1 sobre a Inglaterra. Fazia apenas 4 anos desde que os ingleses massacraram as tropas argentinas na Batalha das Malvinas – Falklands, para os britanicos. A disputa pelo território ainda magoa os sul-americanos, mesmo que num recente plebiscito, os habitantes da ilha prefiram a Inglaterra. Mas, pouco importa. Era o orgulho argentino em jogo. Famílias que perderam filhos, um país subjulgado militarmente em uma disputa que eles consideravam correta, tentando mostrar ao Mundo que eram melhores que seus rivais.

E foram.

Maradona foi o símbolo daquela conquista. Primeiro, com o gol espetacular – chamado de gol do século – driblando meio time inglês desde o meio campo. Depois, com a incorreta mão, atropelando moral e ética, em cima de quem havia atropelado com bala os desejos argentinos. Aquela vitória, coroada depois com o título, fez de Maradona maior que Pelé. Maior até que Deus, ainda que por 90 minutos.

É essa a diferença entre “más grande” e “mejor”. Franceses talvez comparassem Zidane ou Platini a Pelé; espanhóis no futuro lembrarão de Iniesta. Nenhum deles, nem Beckenbauer, Rivaldo, Ghiggia, Paolo Rossi, Romário, Matthaus ou qualquer outro, mesmo Pelé e Garrincha, significaram mais para um povo campeão o que Maradona para aquela Argentina. Talvez Jesse Owens.

Por isso Maradona é “más grande” que Pelé, como cantarão alto os alvicelestes no palco número 1 do futebol neste domingo. E Pelé, mesmo sendo muito para o Brasil, não é igual, admitamos. Embora seja muito melhor, com números incontestáveis, conquistas históricas, feitos memoráveis. É o Rei, o número 1. Diferente, afinal. 

Agora, pra tirar a dúvida sobre quem é “más grande”, clique aqui.

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Em Dublin, vai ter Copa e vai ter copo

Os irlandeses não são conhecidos mundialmente por sua excelência no futebol. São apenas três participações em Mundiais, com o incrível feito de ter chegado às quartas-de-final da Copa em 1990 sem ter vencido um jogo sequer (foram 4 empates com Inglaterra, Egito, Holanda e Romênia até a derrota para dona da casa Itália por 0-1). Mesmo assim, eles adoram futebol. E ainda não perdoaram o árbitro sueco Martin Hansson pelo erro que os eliminou da Copa de 2010, nas eliminatórias européias contra a França.

"França rouba", diz a pichação no estádio do Bohemians

Festivos, os irlandeses armam seus bares para ver o Mundial e boa parte adotará o Brasil como time para torcer. Apesar das ligações com a Inglaterra, não há uma simpatia – nem uma confiança – geral nos “Three Lions” (verdadeiro apelido do time inglês, e não ‘english team’), ao contrário do que acontece com os clubes ingleses. E mesmo tendo o futebol gaélico e o rugby como esportes mais populares, os irlandeses não perdem a chance de uma festa. Logo…

A admiração pelo futebol brasileiro também se deve à Sócrates. O Doutor atuou apenas uma partida pelo Garfoth Town, já nos anos 2000, depois de aposentado, mas o suficiente para deixar todos na região – Dublin está há apenas 1h de viagem de Garforth – com histórias para contar. É comum ver irlandeses com camisas com o rosto de Sócrates.

Um pouquinho de Brasil

As ligações com o Brasil também se dão pelo número de brasileiros vivendo na cidade. Isto porque a Irlanda é um dos raros países que permitem que se estude inglês e se possa trabalhar enquanto acontece o curso. Isso serve de porta de entrada de muita gente na Europa. Pessoas que tentam aprender a lingua mais falada no planeta e, principalmente, ganhar a vida em Euro. No entanto, em virtude de fraudes no sistema, vários brasileiros enfretam situação difícil na cidade atualmente.

As dificuldades e a Copa são um belo motivo para voltar. Quem não o fizer, no entanto, não ficará sem Copa. Apesar do fuso-horário (são 5 horas a mais no momento), vários bares devem abrigar os torcedores brasileiros na expectativa pelo Hexa. Um deles é o D-One, cujo dono é brasileiro. O bar já é ponto de encontro brazuca em Dublin e serve pratos como coxinha, pastel, feijoada e, claro, caipirinha. Além disso, exibe os jogos do Brasileirão.

Amigos como os rubro-negros Pedro Oliveira e Alison Karas se reunem lá para ver seus times. O primeiro é Sport, o segundo, Atlético Paranaense. Na expectativa de ver os jogos da rodada – tinha Atletiba e Sport x Corinthians – foram ao D-One. Na tela, Santos x Flamengo. Ao menos o sinal 4G realmente funciona na Europa. Alison apelou para o PFC Online, recurso oferecido pela Globosat, e viu o clássico paranaense na tela do… celular.

Alison apelou para a telinha e acabou premiado: deu Atlético sobre o Coxa

Pedro, por outro lado, insistiu com o garçom para que ao menos uma das telas do bar saísse do duelo entre Peixe e Fla para ver seu Sport contra o Timão. Demorou, mas conseguiu – há tempo de ver alguns corintianos se aproximarem para acompanhar o jogo, tudo na maior paz, como sempre deveria ser. Para azar de Pedro, o Sport esteve num péssimo dia e acabou encaixotado pelo Corinthians, 1-4.

Pedro e o jogo pelo radinho, via web

Bom para molhar a garganta

Dublin é conhecida por ser a cidade do U2, de vários castelos e da ótima cerveja Guinness – que também edita o Livro dos Recordes. Visitar a fábrica da cerveja tipo Stout é parada obrigatória. 

Portal da felicidade, esta é a entrada do Tour da Guinness

São sete (!) andares com um museu com a história da cervejaria inaugurada em 1759, o processo e a história de fabricação, a importância da marca para a Irlanda, uma experiência de sabores e cheiros, o aprendizado de como servir a cerveja (e o porquê daquela bolinha dentro das latas) e a melhor visão de Dublin, no Gravity Bar, de onde você pode ver, entre outras coisas, o Aviva Stadium, casa da Seleção Irlandesa. O passeio custa entre 6 e 17 Euros, dependendo da faixa de idade. É a cerveja mais consumida na cidade, num dos exemplos de orgulho local.

Quase gaúchos

Dublin se orgulha da excelência da Guinness, valoriza o comercio local – é comum ver faixas em restaurantes e mercados dizendo que “aqui se vende carne irlandesa” – mas, no futebol, a preferência é pelos clubes ingleses, especialmente Liverpool e Manchester United, e pelo Celtic, da Escócia. Os escoceses contam com enorme torcida na cidade, tudo em virtude do catolicismo, religião de 11 entre 10 irlandeses. Reds e Devils ganham adeptos pela proximidade e pelos desempenhos favoráveis. Azar dos times de Dublin.

Bohemians, Athletic St. Patricks e Shamrock Rovers são os clubes de Dublin. Nenhum usa com frequência os dois principais estádios da cidade, o Aviva e o Croke Park – este muito usado pelo rugby e pelo futebol gaélico. A maior rivalidade é entre os Bohs e os Rovers. Ambos têm seus estádios, acanhados, para menos de 10 mil pessoas. O do Rovers é na verdade um estádio público, arrendado pela equipe, e muito mais moderno e confortável.

Os Rovers também são os mais bem sucedidos na cidade. Seu último orgulho foi a disputa da Liga Europa 2011/12, edição transmitida ao vivo aqui no Terra. O orgulho não se deu pelos resultados e sim pela turnê internacional contra Rubin Kazan da Russia, PAOK da Grécia e Tottenham da Inglaterra. Em campo, seis derrotas na fase de grupos, com 4 gols pró e 19 contra. O estádio ainda tem um enorme painel com o mapa da Europa e o logo da Liga, assim como um pequeno museu, cujo destaque, além das taças locais, é a placa abaixo, na referência ao duelo inaugural contra o Real Madrid, derrota por 0-1.

Pequenas glórias, pequenas alegrias no futebol irlandês

Cruyff dispara: não será uma grande Copa

Cruyff, craque da Holanda: craques estão esgotados

Johan Cruyff não anda bem humorado em relação ao futebol. Depois de “declarar guerra” a Neymar, o eterno craque da Holanda não acredita numa grande Copa do Mundo, pelo menos no aspecto técnico.

“Primeiro temos que ver quantos jogadores vão chegar bem ao torneio. Não muitos, eu acredito. As ligas nacionais estão exigindo tanto nos últimos tempos que eles estão minando seu nível físico”, disse em entrevista à revista da KLM, companhia aérea holandesa, que encontrou o ex-jogador em Barcelona, cidade onde ele reside. Cruyff não está tão distante da realidade: Falcão Garcia está fora por lesão, Cristiano Ronaldo e Ribery estão ameaçados e Messi já não vive grande fase, entre outros lesionados, como o holandês Strootman e o italiano Montolivo. A exceção é o Brasil.

A bronca tem também um certo bairrismo: “O orgulho de muitos sul-americanos está em jogo. E nenhum europeu nunca conseguiu vencer uma Copa na América do Sul”, aponta. A Holanda dele, em 1978 – já sem Cruyff, perdeu a segunda de suas três finais em 1978, na Argentina.

A Holanda é, aliás, uma das poucas seleções de ponta no Mundo a não ter um título de Copa. São três derrotas em três finais (1974 para a Alemanha, 78 para a Argentina e a última, 2010, para a Espanha). Campeã européia em 1988, a Holanda persegue o título com uma seleção forte, que fez brilhante campanha nas eliminatórias. As derrotas, porém, servem até de piada para os locais. Na loja “Copa”, especializada em futebol na cidade de Amsterdã, a camisa abaixo é sucesso de vendas.

Quase, Holanda...

Leia também: O ‘Fantasma de 1950’ também assombra o Uruguai

Diário “Olé” denuncia esquema de ingressos pra Copa através de Organizadas

Giba, da Organizada "Guarda Popular": 200 ingressos ganhos e revendidos

“Como você os conseguiu, se estão todos esgotados?”

– Política. E os meus amigos [das torcidas de] Cruzeiro e Flamengo também tem mais.

É com essa resposta que o Diário argentino “Olé” denúncia a revenda de ingressos para os jogos da Seleção Argentina para a Copa 2014, nas cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O entrevistado, sem pudor algum de contar a prática, é Giba, batizado Gilberto Bitancourt Viegas, notório membro da “Guarda Popular” do Inter, uma das organizadas do Colorado.

A matéria, assinada pelo jornalista Gustavo Grabia, pode ser lida aqui, em espanhol. E traz a informação de um acordo entre as organizadas do Inter e do Independiente, parceiras desde a decisão da Recopa Sulamericana em 2011. Giba conta o esquema para receber cerca de 1200 argentinos no Brasil, com entradas garantidas para os jogos na primeira fase, contra Nigéria, Bósnia e Irã. Nem todos terão ingressos. “Aí é problema deles conseguir”, afirma Giba, que não revelou os meios políticos com os quais furou a fila mundial e repassa agora as entradas aos hermanos. Também não revelou o preço dos ingressos.

Copa 2014: 5 músicas para que os gringos conheçam o Brasil

Amigos, Feliz Ano Novo! O Carnaval passou e, apesar de ano de Copa e Eleições, como de hábito, o ano vai começar (para alguns, claro, por que o meu já tá rolando há algum tempo).

Nariz de cera* a parte, ainda no ritmo da folia, o blog se propõe a explicar como funciona o País aos estrangeiros que virão ao Brasil, através da música. Afinal, o Brasil é o país dos ritmos e das cores, certo? Nada mais justo que o torcedor-turista entenda como funciona a Pátria Amada por intermédio de nossos artistas.

#5 – Gerasamba – “Melô do Tchan”


 

Pau que nasce torto, nunca se endireita. Então, segura o tchan, paim. Do not understand? É simples: começou errado, vai terminar errado, então segure as pontas e vamo que vamo. Jérome Valcke alertava que o Brasil precisava de “um chute no traseiro” – e todos nos entendemos. Mas, há 99 dias da Copa, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Cuiabá e Manaus ainda não entregaram seus estádios. Vão entregar, tenho certeza. Mas será em cima do laço, com as mazelas que todos já estão carecas de saber. Aeroportos e estradas não estão aquele show prometido e sabemos que os visitantes vão sofrer para circular pelo País. Mas, enfim, a Copa está aí. Então é segurar o tchan com o que temos.

#4 – Legião Urbana – “Que País é Esse?”


 

Beber cerveja nos estádios é proibido, mas durante o evento Fifa, todos os “males” são curados e estará permitido. Depois, só o Judiciário Deus sabe. Evidentemente que todos condenam os desvios de verbas e superfaturamento, mas azar do caixa da padaria que não viu que a nota era de R$ 20 e sim de R$ 50. Os políticos são todos corruptos, mas deixa eu ficar aqui quietinho no meio da fila pra dar uma furada e ganhar tempo; não sou trouxa, afinal. Pra que cobrar o preço justo, honesto, se os gringos virão aqui e podem resolver nossas vidas? Então inflacionemos os preços e não percamos a chance de faturar. A Adidas lançar uma camisa temática da Copa com um coração invertido alusivo ao bumbum das brasileiras é um absurdo, mas andar com peitos de fora e micro-tapa-sexo no Carnaval é supernatural – sem contar o que rola na TV ao longo do ano. Em 1987, a Legião Urbana já perguntava “Que País é Esse?” e 27 anos depois ainda não sabemos a resposta para as nossas incoerências. Ou melhor: sabemos, mas… pra que mudar, se é mais fácil culpar a Fifa ou qualquer outro?

A camisa "polêmica"

#3 – Vários – “Lepo Lepo”, “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tchá”, “Tchê Tchê Rere”

O que todos esses gênios da poesia artistas têm em comum? A simplicidade em resumir em poucas sílabas a intensidade sexual que aflora em todo o País. Sons fáceis de se repetir, que qualquer neném de 3 anos consegue cantar. Tchum, Tchê, Tchá, Lepo… amigos, se vocês não entenderam ainda, é tudo a mesma coisa. Sem o requinte de um Vinícius de Moraes, mas com aquilo que o gringo quer ver ao pisar no País do Futebol. Apesar de ser difícil entender a relação entre essa liberdade sexual e a preocupação com a exploração de nossas mulheres e principalmente crianças (sobre como compreender o Brasil, ver item #4). Aliás, deixo o Israel Novais explicar melhor essa relação com as “novinha” em mais um sucesso da geração monossilábica:
 

#2 – Falcão – “Só É Corno Quem Quer”


 

Muito bem, tem muita coisa errada aí, mas o Brasil continua vivo e pulsante, até mesmo quando sai pra rua protestar mesmo sem saber direito por quem (não por que; por quem). Mas esse papo de interesses eleitorais na Copa é pra outra hora. Ou não. Falcão já ensinava que só é corno quem quer. Logo, para mudar isso aí que você não está gostando, basta… mudar. Comece por você, com pequenas atitudes dentro de casa, por exemplo. Pode (deve) levar também para as urnas, em Outubro. Ou, se preferir, use o método de vingança sugerido pelo cantor, o que aliás é o que tem acontecido mais nessas bandas. 

Bônus Track: ainda de Falcão, não deixe de ouvir “Black People Car”, apenas pelo simples prazer de.
 

#1 – Raul Seixas – “Aluga-se”


 

Mestre Raul “Rock” Seixas previu. Ele tinha razão. 

A solução estava aí, aos nossos olhos e a Copa 2014 será um belo projeto piloto disso. Não, agora não há nenhuma ironia. Tenho total e plena confiança numa super Copa do Mundo aqui no Brasil, dentro de campo. Teremos (belos) estádios cheios, grandes jogos, um espetáculo aos olhos do Mundo proporcionado pela empresa que melhor sabe vender isso. Quem aqui não se apaixonou pela África do Sul? A Fifa sabe vender como ninguém e vai mostrar isso, pode ter certeza. Passada a Copa, muita gente vai exaltar o País como uma terra bonita, de povo festivo, embora muitos possam tentar estragar o que houver de bom indo às ruas com um delay de 7 anos. O que será feito disso depois da Copa é uma incognita. Mas, com um sertão árido esperando por uma nova Las Vegas, com o Uruguai mostrando que legalizar a maconha pode diminuir criminalidade e trazer recursos para o governo, entre outros exemplos nas áreas de saúde, tributação e educação espalhados pelo Mundo, devemos perguntar: se o País não aprende com exemplos e executa com suas forças, por que não seguir Raul e tocar essa ideia?

*Nariz de cera: jargão jornalístico para enrolação.