Cornetadas das torcidas na rede ganham site divertido

As redes sociais permitiram uma integração maior entre os clubes, jogadores e seus torcedores. Mas quando a fase não é boa, sobra pra todo mundo. Quem nunca cornetou um técnico, um jogador, uma decisão? Pela internet, a cornetagem cresceu e agora chega diretamente ao alvo. De olho nisso, um jornalista de São Paulo resolveu compilar as melhores cornetadas em um site.

 
 

Rafael Techima criou o “Olha o Carinho da Torcida”, uma reunião das principais cornetadas das torcidas nas FanPages e perfis oficiais dos clibes. “A ideia surgiu depois de reparar que muita gente respondia de forma raivosa ou irônica os posts dos clubes e dos atletas nas redes sociais. Dessa forma, pensei em organizar o que há de melhor nessa “nobre arte”. Me divirto muito pesquisando os comentários ou replys!”, conta Rafael, que é são-paulino e não poupa – como visto acima – ninguém.

 
 

Rafael procura as postagens em todos os principais clubes do Brasil e já conta com ajuda. “Não monitoro um clube específico, dou uma passada em todos os principais. Claro que quando algum deles perde ou não está em uma boa fase, o trabalho é muito facilitado. Há a possibilidade do torcedor encaminhar sua sugestão pelo próprio tumblr ou por este e-mail mesmo.”

O sucesso já fez com que mais de 1000 pessoas entrassem, apenas na primeira semana, na FanPage do blog. E esse não é o primeiro “trabalho” dele na linha da cornetagem.

 
 

Rafael já dava as suas próprias cornetadas nos colegas de imprensa com o “Taison ou Messi?” (referência à essa coluna do gaúcho Wianey Carlet), que divulga barrigadas da imprensa esportiva – clique aqui para conhecer

Jogadores e clubes que se cuidem: as cornetadas virtuais estão afiadas!

 
 

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Torcida do Galo levanta bandeira pró-diversidade

A capa da página no Facebook e seu slogan

Poucos ambientes são mais machistas que o futebol. A contradição é que poucos movimentos populares são tão democráticos quanto o esporte número 1 do Brasil, onde o gol une diferenças na hora da comemoração. Nesse meio, um grupo de mineiros, torcedores do Galo, resolveu se aventurar a assumir a bandeira pró-diversidade – e com o escudo do clube: a Galo Queer, sonoramente um trocadilho com Galoucura, a maior organizada do Atlético-MG. Queer é uma gíria britânica que significa literalmente “estranho” ou “esquisito”, mas passou a ser usada pela comunidade LGBT pela similaridade com queen, que significa “rainha”.

Conversei com MF (nome preservado), um dos organizadores da página na internet, que em três dias reuniu mais de 3.000 pessoas “curtindo” (até o fechamento do texto, eram quase 5 mil) e fez com que torcedores de outros clubes também entrassem no jogo (veja a lista abaixo). O que era pra consumo interno, virou movimento nacional. “Fiz a página apenas para divulgar entre meus amigos, pensando que algum dia poderíamos nos organizar pra fazer algo maior. Acho que atendemos a uma demanda silenciosa. Pelo visto, muita gente que gosta de futebol já queria dar esse grito contra o machismo, a homofobia e a intolerância e ficamos muito emocionados com todas as manifestações de apoio”, disse.

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Evidentemente, nem tudo são flores. Houve quem achasse que se tratava de uma brincadeira de cruzeirenses, provocando os rivais. Houve também ameaças da própria torcida do Galo. “Sou atleticana desde que me entendo por gente e fiquei muito incomodada com a homofobia e o machismo generalizados. Estamos mexendo em um terreno muito machista e conservador. O problema são as ameaças que recebemos. As pessoas se oporem ao movimento é totalmente aceitável, mas ameaça não.”

Escudo alterado do Galo foi uma das polêmicas inicias do movimento

Por ora, tudo está no terreno da internet, mas os torcedores aguardam o apoio da diretoria atleticana mineira. “Ainda não recebemos uma resposta do time. Ficamos sabendo, no entanto, através da reportagem do Globo Esporte, que a Diretoria é favorável ao movimento e ficamos muito felizes.” MF faz questão de ressaltar que a “briga” é muito maior. O futebol é parte importante da cultura do País e, por isso, não pode ser excluído do tema. “Enquanto essas arenas de exceção continuarem existindo, arenas onde o preconceito é permitido, o preconceito e a intolerância nunca acabarão. Discutir machismo e homofobia no futebol é uma questão urgente.”

É comum o futebol ver provocações entre torcedores usando-se do estereótipo homossexual. Em Minas Gerais há o uso pejorativo da palavra “Maria” para ofender os torcedores do Cruzeiro; em São Paulo, os sampaulinos são chamados pelos rivais de “Bambis”. MF repudia a provocação pelo gênero: “Se você não é homofóbico nem machista, você simplesmente não usa tais termos para ofender alguém. A rivalidade pode se expressar de várias outras formas que não alimentem uma cultura opressiva.”

Levar a discussão e se fazer representar nos estádios é o próximo passo da Galo Queer. Mas o grupo ainda teme retaliação. “Frequentamos o estádio e temos sim esse objetivo. Mas queremos fazer tudo com calma. É preciso garantir a integridade física de todos os participantes. Infelizmente a intolerância é muito grande e, a julgar pelas ameaças que recebemos na página, sabemos que não será fácil fazer protestos no estádio.”

  • QUEM MAIS “SAIU DO ARMÁRIO”
     

​Cruzeiro Maria – Cruzeiro

Bambi Tricolor – São Paulo

Corinthians Livre – Corinthians

Palmeiras Livre – Palmeiras

QUEERlorado – Internacional

GaymioGrêmio Queer – Grêmio

Furacão: sem homofobia – Atlético

Flamengo Livre – Flamengo

Bahia Livre – Bahia

Vitória Inteligente – Vitória

Timbu Queer – Náutico

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