Os palcos da próxima Copa

Agora é 2018. E o “Imagina na Copa” vai dar lugar ao “Представьте себе чемпионат мира”. É a vez dos russos se preocuparem com estádios e todo o resto que o brasileiro tanto debateu nos últimos anos. Assim sendo, o blog “visitou” as 12 cidades-sede do Mundial da Rússia para ver atualmente como estão os estádios. O passeio foi pelo Google Earth, realizado em 15/07/2014. Algumas imagens podem estar defasadas. Confira:

Palco da abertura e do encerramento da Copa 2018, o Estádio Luzhniki é um dos poucos a estarem 100% prontos para a Copa. Ok, tem quatro anos ainda, estão na frente nesse.

A nova casa do Zenit, de Hulk, ainda está em obras. Será a Arena Zenit.

O velho estádio de Rostov ainda está em pé. No destaque, a vista aérea. Maior, a fachada atual, que já tem um poster do projeto à disposição dos visitantes – mesmo aqueles via internet.

O complexo esportivo de Sochi está praticamente pronto desde a Olimpíada de Inverno sediada pela cidade. Mas o Estádio Olímpico ainda passa por algumas reformas.

O estádio de Samara ainda não começou as obras. No detalhe, o projeto; na foto maior, a casa do Krylya Sovetov.

As obras em Kazan estão em bom ritmo. Acima, a Arena Kazan, futura casa do Rubin.

Novgorod é outra cidade-sede que ainda não começou as obras. No detalhe de baixo, a atual fachada do estádio; acima, a do projeto.

Kaliningrado ainda não começou a transformar o Estádio Baltika, acima, na nova Arena Baltika.

Em Saransk, o antigo estádio Start já começou a ser mexido para se tornar o Estádio Yubileyniy (leia rápido e em voz alta, por favor).

O Central Stadium já começou a ser mexido em Volgogrado, mas as obras ainda estão lentas.

O Estádio Central, em Ecaterimburgo, que começa a ser mexido para a Copa; em destaque, a fachada atual.

O Campeonato Russo será atração no Terra nesse segundo semestre. Acompanhe a evolução dos palcos para 2018 AO VIVO e GRÁTIS com a gente aqui no site!

 

Contagem regressiva para o legado

Escavadeiras precisam de velocidade de Fórmula 1

São exatos 365 dias para a Copa 2014 enquanto eu escrevo este texto. Em todos os outros que antecederam este dia, desde o dia 30 de outubro de 2007 (você se lembra onde estava nesta data?), muito se discutiu o legado da Copa. Criou-se duas correntes, uma contrária e outra favorável ao Mundial. Boa parte da discussão ficou em cima dos estádios, o que gerou outra impressão errada: o clubismo. Quem tá dentro é a favor, quem tá fora, contra.

Foi onde erramos. Estádios são vitais para a realização da Copa, mas não são o mais importante para o Brasil. Faltando um ano para a Copa, estamos correndo atrás do que realmente importa: a infraestrutura. Enquanto brigamos pelos campos, nossas ruas, aeroportos, hotéis, tecnologia e profissionais de turismo ainda engatinham.

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Desde o começo fui favorável a Copa no Brasil. Sou militante do esporte. Jornalista esportivo que não quer o maior evento do planeta em seu país é contraditório; seria como um advogado trabalhar contra uma suposta vinda do Tribunal de Haia para o Brasil. O que não significa que não devamos permanecer vigilantes quanto ao uso dos recursos, tampouco concordemos com todas as imposições. Temos, novamente, duas correntes: a que acha tudo maravilhoso e a que não vê nada bom em coisa alguma. Falta ponderação.

O legado esportivo é inegável. Receberemos os melhores atletas, teremos uma nova visão do negócio. As 12 cidades-sedes terão novos estádios. Mesmo os “elefantes brancos” podem dar àquelas praças uma nova perspectiva. Cuiabá, por exemplo, lentamente começa a esboçar um trabalho profissional com o Cuiabá EC. As praças mais consagradas terão novos estádios; clubes se modernizaram e alguns rivais se espertaram a tempo e pegaram carona. O torcedor terá mais conforto. Não teremos alambrados e podemos começar a nos comportar como cidadãos, sem invadir campo, por exemplo. Foi a partir disso que a Bundesliga alemã se tornou uma das três maiores ligas de futebol no Planeta. E tenho certeza que todos os estádios estarão prontos.

Mas e as cidades? Enquanto se debatiam os estádios, o que foi feito pelas cidades? Um levantamento do jornal paranaense Gazeta do Povo aponta que dos 8.9 bilhões de reais previstos para mudar a cara da infraestrutura urbana do país, apenas 1,4 bilhão já foi investido. Boa parte, 6,1 bilhões, já foram contratados e devem ser o principal foco dos interessados no evento nestes 365 dias que restam. E os interessados somos todos nós. É a discussão da política: se você se omite, é conivente. Não existe apolítica – esta postura é uma postura política. A situação mais crítica é a dos aeroportos: 0,6 bilhão investido dos 7 bilhões previstos. Experimente pegar um avião aqui e também nos EUA para sentir o atraso que a Copa deveria acelerar. Já se sabe que muitos deles só estarão prontos anos depois do evento. Não cabe o comparativo de que o investimento na Copa tira dinheiro de hospitais e escolas. Existe orçamento para tudo. Talvez não fosse prioridade do País receber esses eventos; mas foi esse o plano do então presidente Lula para posicionar o Brasil como potência mundial. Cabe, porém, a cobrança forte para que os recursos sejam bem aplicados em todas as áreas. Ao invés de sair as ruas para vaiar a Seleção, vale sair às ruas, com ordem, pedindo melhores hospitais, escolas, etc. Uma coisa não exclui a outra.

Além disso há o componente político. Desde que o Governo proibiu o comércio de bebidas alcoólicas nos estádios, não se percebeu redução significativa na violência das torcidas, mas muitos comerciantes tiveram perdas substanciais nos lucros. Para a Copa, entretanto, o comércio está liberado. E depois? Restringe? Qual a diferença fundamental entre o consumo antes e durante o Mundial? A Fifa fez o que lhe cabia, é o Governo quem deve proteger o que interessa à nação. O mesmo vale para os movimentos populares, como as festas de São João e até as baianas do acarajé em Salvador (veja aqui).

Outra análise fria que precisa ser ponderada é a da vinda de turistas. Estudos apontam que o fluxo migratório começa dois anos após as Copas. Foi assim na Alemanha e na África do Sul. É o momento que os torcedores de outros países já assimilaram o que viram na TV. E ninguém é melhor que a Fifa para vender a imagem de um país próspero e agradável, com estádios moderníssimos. Em 2016, no entanto, o Brasil estará às voltas com as Olimpíadas – outro evento gigantesco. Até lá a estrutura estará pronta?

É preciso cobrar. Teremos eleições no próximo ano. Nada como uma enxurrada de obras, certo? Como separar o joio do trigo? Como identificar o verdadeiro legado da Copa? No momento, é decepcionante além do esporte. É um momento de reflexão.

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Um estranho no ninho

Estádio Alfonso Carrasquel: já entrei em muitos, mas esse era inédito

Puerto La Cruz, Venezuela – Mal me recuperava da vermelhidão praiana em minha pele e deparei-me com o jornal de Puerto La Cruz anunciando que era dia de baseball na cidade. Já estive em diversos estádios mundo afora. Jamais perco a chance de comprar uma camiseta ou ver um jogo se estou numa cidade desconhecida. Nessa, sem contar os brasileiros, já ficaram pra trás La Bombonera, Monumental de Nuñez e Avellaneda, do Racing, La Olla e Defensores del Chaco, em Assunção, Camp Nou, Vicente Calderón, Santiago Bernabéu, Estádio da Luz e o novo Emirates, do Arsenal, na Europa, entre outros. Já encarei até Huracán 1-2 Colón em BsAs e fora futebol, estive no Staples Center, do LA Lakers. Mas todos conhecidos e principalmente: de esportes conhecidos.

Mas baseball nunca foi comigo. Entre nós, acho um porre. Vou além: até pela profissão, procuro entender de TODOS os esportes. Mas confesso que não sei lhufas de baseball. Então, em nome de uma boa história, encarei a buseta (sim, o pequeno ônibus que nos levava) e parti para o jogo. Valia o espetáculo. E ao chegar lá percebi não se tratar de qualquer jogo.

As filas para as entradas eram enormes. O Caribes de Anzóategui recebia o Leones de Caracas. É mais ou menos como se o Leones fosse o Corinthians visitando o Avaí, com o bônus de que o Avaí, no caso, é o atual campeão venezuelano de baseball. Aí você imagina. Mas o primeiro ponto positivo é que havia muitas crianças e torcedores uniformizados dos dois times conviviam pacificamente entre si, mesmo com todas as características de paixão possíveis presentes. Até bateria de torcida organizada. O segundo ponto é o preço: compramos (arrastei a esposa, sem muito choro) entradas ao lado do campo por módicos BF$ 80, algo como R$ 20 no câmbio extra-oficial. E ao entrarmos, apesar da simplicidade do estádio, o encontro com o velho padrão: a loja oficial do Caribes e um corredor com o Hall da Fama do clube.

A franquia é nova, mas o clube tem 24 anos. A história está aqui e esse é o site oficial. Marinheiro de primeira viagem, compramos ingressos para a torcida da casa, como mandam os bons costumes. Mas entramos na torcida do Caracas, por engano. Sem problemas: além de não estarmos uniformizados, o pessoal é extremamente bem educado e nos indicou os locais certos. No caminho, uma surpresa: acreditem, tomamos cerveja no estádio.

"Ditadura" Chavista: aqui, se pode tomar uma cervejinha e ver seu time

É, amigo, a Venezuela, do “ditador” Chavéz, permite a venda de cerveja nos estádios. No mesmo em que entrei por engano na torcida adversária e fui conduzido educadamente ao posto certo. Sim, o mesmo em que crianças e famílias convivem, mesmo com provocações ao rival, em paz. Acredita?

Rápida nota: o texto não quer entrar no mérito se Chavéz é ou não um bom governante. Conversando com taxistas – termômetro das cidades – vi que tem gente contra e gente a favor. Como Lula no Brasil. E todos disseram, a sua maneira, que as eleições são mesmo democráticas. Uns reclamam que Chavéz usa a máquina para se perpetuar, outros alegam que ele tem feito muito pelo povo mais pobre. E segue o baile.

Fato é que sentamos pertinho do campo. E – juro – tentei muito entender o jogo. Até porque o lugar era muito privilegiado.

Um tropeço e você cai no campo

Entendi os dois home runs que o Caribes impôs ao Caracas e levou a galera ao delírio. Teve ainda polêmica da arbitragem, muita reclamação e algo pitoresco: as duas torcidas comemorando um lance duvidoso por minutos. Depois, o juiz deu a favor do Caracas, o que gerou revolta no pessoal da casa. Mas nada que passasse de um hijo de puta aqui ou ali.

Ok, eu prometi não falar de política, mas não tem muito como: a velha fórmula eleitoral funciona. Tarek Willian Saab, que reformou o estádio e viu o time da cidade ser campeão na sua gestão, não perderia a chance de se promover em ano pré-eleitoral:

Pão e circo

Ao olhar as propagandas, percebi como o jogo estava arrastado. Ou, pelo menos, como eu já não entendia uma jogada sequer. Quem seria o rebatedor? Esse arremessador é bom mesmo?

Enfim, logo descobri o melhor em campo.

Ambulante da cerveja, o destaque da noite

Ele atende pelo nome de Muchacho (como todos os garçons por aqui) e passou a nos trazer cerveja gelada frequentemente. O jogo melhorou, eu passei a enxergar melhor, fiquei mais magro e minha mulher ainda mais parecida com a última Miss Venezuela. Quase aprendemos algumas músicas da torcida da casa, mas a verdade é que o pessoal do Caracas era mais animado. E não precisavam de animador de sistema de som para isso.

Quando vi, já estávamos há 2h no campo e o placar marcava 3-2 para o Caribes, que precisava da vitória para não ficar na dependência de outros para ir aos play-offs. E tinham se passado apenas 6 turnos de 9 possíveis. Num cálculo rápido, decidi não ficar mais uma hora no campo e fomos embora antes da corrente toda. E mantive a fama de pé-quente: depois de sair, o Caracas virou o jogo para 5-3.

Bem, paciência. Valeu a experiência.

...y salud para la tribu!