Ingleses escolhem Curitiba para democratizar Copa 2014

“As Copas normalmente são sobre os jogadores de elite do mundo mas o nosso objetivo é levar a Copa até aqueles que são esquecidos. Crianças de rua ou os menos afortunados que não podem ir aos jogos.”

A frase é de Craig Robson, parceiro de Michael Gardner, dois ingleses fanáticos por futebol – e pelo Newcastle United –  que escolheram Curitiba para um projeto social durante a Copa 2014, para ensinar inglês e até futebol a crianças carentes brasileiras. Será a terceira edição do projeto que começou em 2010 na África do Sul, passou pela Polônia (sede da Euro 2012) e chega ao Brasil sob o nome “Project Curitiba”.

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Democratizar o esporte e promover educação durante um ano no Brasil é o ideal de ambos, que ficarão como voluntários no País já a partir de janeiro de 2012. O trabalho será em comunidades carentes, habitualmente encrustadas em ambientes com alta criminalidade. Mas nem os protestos recentes quanto à política brasileira, com imagens de violência chegando ao exterior, chegam a inibir a realização do projeto.

“Na verdade, achamos o máximo ver os brasileiros mostrar algo positivo sobre o País. Não estamos assustados com a situação, achamos até que isso cria uma oportunidade positiva de mudança”, diz Gardner. “Quando ouvimos sobre desnutrição, falta de educação e em contrapartida os gastos para Olimpíadas e Copa do Mundo, talvez a gente se questione se esse dinheiro não poderia ser melhor gasto. Felizmente o Brasil pode realizar uma fantástica Copa e também mostrar que as pessoas se preocupam com a política”, completa.

E por que Curitiba, entre as tantas sedes? Fanáticos por futebol e pela seleção inglesa, Robson e Gardner sabem que terão pouca chance de ver o English Team na capital paranaense, que receberá apenas uma partida de cabeça de chave entre os quatro jogos que a Arena sediará. “Curitiba tem um ótimo sistema de transporte público, é uma cidade multicultural e achamos que será mais fácil manter um projeto lá do que em outros centros como Rio ou São Paulo. Além disso, o clima é mais familiar para a gente”, conta Robson, referindo-se ao frio – um susto previsto aos europeus que chegarem ao Brasil achando que só encontrarão altas temperaturas.

“Nós não vamos acompanhar a Inglaterra em outras cidades. Torcemos para que ela jogue em Curitiba, mas poderemos ver os jogos pela TV. Estaremos no Brasil para desenvolver um projeto, então ver os jogos nos estádios não é o mais importante. Talvez tenhamos sorte da Inglaterra jogar em Curitiba!”, torce Gardner. Atualmente, ambos realizam o “Brazil Day” em algumas escolas em Newcastle, cidade no norte da Inglaterra, um dia com atividades com futebol e cultura brasileira para crianças inglesas. Os dois já estão estudando português.

Sobre o futebol brasileiro, Robson e Gardner demonstram um bom conhecimento. “Conhecemos Santos, Gremio, Fluminense, muito porque grandes jogadores que nós crescemos assistindo saíram deles para os clubes europeus”, diz Robson, citando Ronaldinho, Ronaldo, Romario e Rivaldo. “Conhecemos também o Atlético, o Coritiba e o Paraná. Somos sempre perguntados para quem iremos torcer”, diz Gardner, “E certamente iremos a alguns jogos. O Atlético tem um ótimo time jovem e seus torcedores são únicos. O Coritiba tem o Alex, que nós conhecemos do Fenerbahçe e os torcedores têm sido ótimos com a gente. Chamamos eles de “exército verde”. Mas só iremos contar nossa torcida por aí (risos).”

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Justiça pode levar Paraná definitivamente à Vila Olímpica; entenda

O trecho da ação que determina a saída do Paraná da Vila Capanema

*Colaboraram Guilherme Moreira e Gustavo Flessak

A decisão emitida pela juíza Sandra Regina Soares no último dia 17 de abril, pode provocar uma revolução no Paraná Clube. Ao determinar a desocupação imediata da Vila Capanema, em um processo que se arrasta por mais de 40 anos com a União Federal pela posse do imóvel (entenda o caso abaixo), o Tricolor pode acabar por assumir de vez a Vila Olímpica, antiga casa do Pinheiros, refúgio do clube enquanto o gramado da Capanema está em reforma.

A diretoria nega publicamente estar preocupada com a perda do terreno, mas, na última semana, em três dias (na mesma quarta 17/04, quinta e domingo seguintes) se reuniu com a torcida organizada do clube e lideranças paranistas para debater soluções para a perda do estádio. A mais provável delas: buscar um acordo com a União para conseguir uma indenização e reformar a Vila Olímpica.

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Benedito Barboza, presidente do Conselho Deliberativo do Paraná Clube, desconversou sobre o tema, mas assumiu que o clube busca um acordo que encerre a pendência definitivamente. “O Paraná vem tentando solucionar politicamente há muito tempo. Se conseguir um bom acordo, resolve a demanda.” Sobre o “novo estádio”, Benedito oficialmente desconversa, mas a ideia agrada: “O torcedor tem ido. E nós não podemos fazer mais que reformas pontuais na Vila Capanema, por conta do litígio. Não podemos erguer uma Arena lá”, conta, “Que parceiro iria entrar num projeto em discussão na Justiça?”

Barboza fez questão de dizer que o clube não está preocupado com a ação na Tribunal Federal da 4ª Região, em Porto Alegre e disse que o clube já interpôs um recurso que mantém o Tricolor sem precisar desocupar o imóvel tão cedo: “O processo tem mais de um metro!”.

No entanto, uma das pessoas presentes à reunião com as lideranças da torcida detalhou a conversa: “Chance de perder o espaço no Capanema é gigante. Não vale a pena brigar pelo espaço e, provavelmente, perder. Acordo é a melhor solução.” Para tal, o Paraná precisa de apoio político; em tese, a União pode até aguardar mais 10 anos para ter a posse, com o julgamento dos vários recursos, mas, com um bom acordo, costurado nos bastidores, sobraria dinheiro pra um, reintegração para outro. Ao saber que a notícia começava a se espalhar, diretores do Paraná procuraram a reportagem para minimizar o fato.

  • Entenda o caso:

O Clube Atlético Ferroviário, time dos funcionários da antiga RFFSA (Rede Ferroviária Federal SA), é o dono original da Vila Capanema, estádio erguido no terreno anexo ao pátio da rede desativada. A discussão se dá por duas razões: a primeira, o fim da RFFSA e o destino do espólio para a União Federal – que nada mais é que o Governo do Brasil; a segunda, as fusões que deram origem ao Paraná.

A Justiça determinou que tudo que fosse da antiga RFFSA passasse ao controle do Estado; no entanto, primeiro com a fusão entre Ferroviário, Britânia e Palestra Itália (que originou o Colorado) e depois com a junção entre o Colorado e o Pinheiros (que formou o Paraná), o clube alega que o estádio Durival Britto e Silva, pertencente ao Ferroviário, deve seguir no controle do clube que o sucedeu.

A ação discute de quem é a posse. Na decisão mais recente, a Justiça entendeu que – nos termos publicados – a posse do Paraná é injusta pois o titulo que vinculava a posse dependia do convênio do Ferroviário com a RFFSA. Na mesma decisão, descartou um recurso por posse chamado de “retenção por benfeitorias”, em que requer a posse até que todas as benfeitorias e acessões feitas por ele fossem indenizadas. Na ação, o valor citado é de R$ 2.171.223,00.  Por outro lado, a Justiça não acolheu o pedido da União Federal de que o Paraná pagasse indenização por perdas e danos. A compreensão é de que a posse do Paraná não trouxe prejuízos para União. Ainda foi levada em consideração a cessão originária do terreno que a Rede Ferroviária fez para o Ferroviário foi a título gratuito, e não oneroso.

A decisão ainda pode ser julgada em mais instâncias. Haverá recurso em Porto Alegre e, independentemente da resposta, é possível que as partes ainda discutam em Brasília e provavelmente a disputa chegue ao STF.

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Videocast #007 – É hora de decisão: Copa do BR, Libertadores, Série Prata…

Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!

Confira e comente!

O fim do Pinheirão?

Arremate foi feito e estádio deixará de existir

O estádio do Pinheirão foi arrematado por R$ 57,5 milhões na tarde desta quinta-feira, em leilão em Curitiba. O comprador foi identificado como João Destro, que seria representante do grupo atacadista Destro (update: Reginaldo Cordeiro, inspetor da FPF, identificou-o como representante da J D Engenharia) . A FPF não conseguiu o valor necessário para retirar o imóvel do leilão, como havia feito na primeira vez em que o Pinheirão esteve perto de ser leiloado, tampouco conseguiu uma liminar que impedisse a venda. Neste ano, a FPF conseguiu cerca de R$ 700 mil junto às federações gaúcha e catarinense e impediu o leilão – garante já ter pago essa dívida.

Com isso, poe-se um fim em uma história de 27 anos, completos no último dia 15, desde que as seleções paranaense e catarinense fizeram a bola rolar no campo projetado ainda nos anos 60 para ser o “Maracanã Paranaense.”

O Pinheirão quase sepultou o Atlético – que é credor de parte desse dinheiro, segundo conselheiros do clube, R$ 15 milhões – e o Paraná Clube. Muito embora os resultados em campo não foram ruins para a dupla, o estigma do estádio, considerado longe e de difícil acesso, espantava os torcedores. A eterna pendência em finalizá-lo era outro problema. O Paraná, por exemplo, chegou a fazer contrato de arrendamento de 100 anos com a FPF pela praça.

Na FPF, ainda se estuda entrar com alguma medida judicial ou mesmo aguardar o desenrolar do processo de arremate, que inclui uma vasta documentação e pagamentos a serem comprovados. A FPF foi, até a data de hoje, a única federação brasileira a ter um estádio. Muitos confundem o Pinheirão com um estádio público –  o que não é verdade, embora haja um acordo com a prefeitura pela cessão do terreno.

Pelo que pude apurar na FPF, a venda do Pinheirão via leilão é considerada ruim, mas nem tanto. Ruim porque perde-se um patrimônio com potencial para ser vendido por um valor ainda maior. Nem tão ruim porque injeta dinheiro nos cofres da instituição, ainda que todo o recurso seja imediatamente direcionado para os credores. A FPF ficaria praticamente livre de toda a dívida que tem, podendo finalmente contar com um caixa administrável.

Ainda resta saber qual o destino do terreno, que esteve na mira do Coritiba para a construção de um novo estádio. Um dispositivo no acordo entre FPF e prefeitura exige que o local seja usado para fins esportivos. Os próximos dias podem reservar uma grande surpresa com a confirmação do arremate. Seja um novo estádio ou o fim do local como praça esportiva.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 06/06/2012

Sentido litoral

Dois dos próximos jogos com mando do Atlético na Série B do Brasileiro serão no Estádio Fernando Charbub Farah, o Gigante do Itiberê, em Paranaguá. No entanto, o clube ainda tenta manter as demais partidas na Vila Capanema, contando com o apoio da CBF. As partidas contra Goiás e Ipatinga são as únicas 100% confirmadas para o estádio no litoral (98 km), com capacidade para cerca de 12 mil pessoas. Hoje, o clube divulga ter 14.434 sócios, que terão de percorrer a distância citada para ver o time. A média de público, entretanto, não tem ultrapassado as cinco mil pessoas. Uma das cartadas do Atlético para se manter em Curitiba, além da parceria na Copa, é o fato do volume de jogos do Paraná na Vila começar a diminuir, com o fim da Série Prata. A CBF tem marcado os locais dos jogos apenas dias antes dos mesmos.

Com que roupa?

Apesar de já estar há seis meses patrocinado pela Nike, o Coritiba ainda disponibiliza para seus jogadores, em treinamentos, material esportivo da antiga fornecedora, a Lotto. Segundo o clube, ainda faltam algumas peças, como o próprio material de treinamento. A justificativa da nova fornecedora é de que os materiais dessa linha são importados – por isso o atraso. Outra queixa, em especial da torcida, é a ausência da camisa 2 na linha de uniformes do Coxa. O modelo já foi aprovado pela diretoria e é predominantemente verde, para contraste com o número 1, lembrando a famosa “jogadeira”, com listras brancas. Deve ser lançada ainda no Campeonato Brasileiro, antes do aniversário de 103 anos do clube.

Desempenho

Escrevo antes do fim do jogo de ontem, entre Goiás e Paraná. O Tricolor costuma se dar bem no Serra Dourada, mas uma derrota lá é algo normal. Porém, já começa a pesar outra análise: a de que ao enfrentar times mais preparados que os da Série Prata estadual, o Paraná não tem conseguido resultados. Perdeu duas para o Palmeiras, perdeu para o América-MG, empatou com os paulistas Bragantino e Guarani (este, em casa) e como melhores resultados na temporada até aqui, dois empates com o Ceará, que valeram vaga nas oitavas da Copa do Brasil. Pode ser que o resultado que esteja nesse jornal traga novidades, mas começo a pensar que o elenco montado não é competitivo o suficiente para essa Série B. E não falo de acesso.

Arbitragem e reciclagem

Criticada ao longo de todo o Campeonato Paranaense, a arbitragem local continua desprestigiada com o início do Brasileirão. Apenas Evandro Roman e Héber Lopes estarão em campo nos 20 jogos das 3ª e 4ª rodadas. Cada um apitando um jogo. Os de sempre, sem renovação. A pensar.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 30/05/2012

O rompante de Vilson

Mexeu com a comunidade esportiva a forte entrevista do presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, após a derrota (2-3) para o Botafogo no último final de semana. Vilson qualificou torcedores como “imbecis” e fez questão de ressaltar que quem manda no Coxa é ele. Pausa. Vilson é um ser humano e como qualquer outro é sujeito a rompantes emocionais. Apesar de generalizar na declaração, o dirigente qualificou de imbecis não à todos os coxas-brancas, mas sim aos que ofendiam a esposa de Jonas (que não jogou nada mesmo), presente nas cadeiras e que saiu em defesa do marido. Seguimos. Não é natural de Vilson Andrade essa postura, de fazer questão de lembrar quem manda no Coritiba. O rompante emocional é justificável, desde que não seja tendência. Governa-se de duas maneiras: ou pelo amor, ou pela dor. Até aqui, Vilson foi paz e amor. O outro caminho existe, mas não creio que seja tomado – muito embora nunca se viu crise no Coxa com ele no comando.

O estádio, história sem fim

À pedido do Paraná Clube, a CBF remarcou o jogo da próxima terça, 05/06, entre Atlético e Ipatinga, da Vila Capanema para o Germano Kruger, em Ponta Grossa. A partida de depois de amanhã, do Atlético contra o Barueri, segue na Vila. O jogo entre Atlético x Goiás, também marcado para a Vila para um sábado, 16/06, agora está indefinido na tabela da CBF. Vamos por partes: o Paraná tem razão em chiar. Jogou ontem na Vila, joga amanhã pela Série Prata contra o Serrano, verá o Atlético jogar contra o Barueri  na sexta e caso a CBF marcasse o jogo contra o Ipatinga pra Vila, o gramado teria que agüentar ainda jogos nos dias 05, 07 e 09 de junho. Não agüenta. E nisso não estou contando nem a imposição absurda por falta de habilidade atleticana na negociação, nem o orgulho besta que permite que o Tricolor rasgue dinheiro.

Autofagia

Fato é que o jogo contra o Goiás, dentro de 19 dias, ainda pode ser na Vila. Quiçá no Couto, em Paranaguá ou em Ponta Grossa. Ninguém sabe. A CBF, creio, irá pensar e pesar caso a caso, uma vez que os clubes de Curitiba, cada qual com seu quinhão de razão, não chegaram a um consenso. É o retrato típico da cidade em que vivemos: pra que construir, se é mais fácil atrapalhar? “A Copa na cidade não presta”, “Aquele ator é curitibano? Desconfiava” ou “Nosso trânsito é um lixo.” Escolha sua linha de raciocínio e admita: o curitibano não sabe progredir em conjunto. Se em cinco anos não houve consenso, não seria durante o campeonato que o Atlético – cuja postura presidencial mais repele que agrega – iria conseguir ser visto como parceiro de um evento benéfico para a cidade. Ah!, Curitiba, tão linda e tão retrógrada.

Copa do Brasil

Preferia que o Coxa jogasse a primeira das semifinais em casa. Mas o que vale é não se assustar com o Morumbi, daqui há 17 dias. Muito menos com o irregular São Paulo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/05/2012

O estádio, parte 178
A CBF indicou a Vila Capanema para três jogos do Atlético na Série B. Acertou no atacado, errou no varejo. Não há solução fácil para a questão, pendente – acredite! – desde 2007, quando a Arena confirmou-se sede da Copa-14. O acerto da CBF: o Atlético é parceiro da entidade, da Fifa e do Estado na realização do evento. Sim, se propôs a isso e terá benesses inegáveis. Tem ainda ônus que tem pago sozinho, como se fosse dono do evento (não é, embora a classe política omissa faça questão de referendar isso). O Atlético precisa jogar em algum estádio e em Curitiba. A política é o que pega.

No varejo…
O erro é a escolha do local. A Vila está com o gramado ruim e abrigará 10 jogos em 25 dias, incluindo uma data conflitante em dois jogos do Paraná, em 09/06: encontros com o Guaratinguetá e o Grêmio Metropolitano – palmas à FPF, que não antecipou a B local. Com as chuvas na cidade não haverá gramado que resista. A obrigatoriedade, movida pela falta de diálogo, também é motivo de revolta. Com base entre outras coisas no gramado, o Coritiba ganhou ação no TJD-PR para não alugar compulsoriamente o Couto Pereira que, de fato, era o melhor local para abrigar o Atlético.

Desejo, necessidade, vontade
O Paraná promete ir à justiça para valer sua visão. O Atlético é concorrente direto na Série B e lhe dar abrigo é lhe dar força. No Estadual, o Coxa fez isso. A intenção da CBF ao escolher a Vila, induzida pela FPF, foi clara: preferiu rusga com o Tricolor que com o Coxa. E irá sempre proteger seu parceiro na Copa, não tenha dúvidas. Talvez o Paraná não tenha a mesma força política do Alviverde, mas a novela está longe de acabar. Em um mundo ideal, Coxa e Atlético se acertariam, fariam promoções nos planos de sócios; o Coritiba ganharia valorização nos espaços publicitários do Couto, movimentando a praça mais que apenas uma vez por semana. Bom para os donos de lanchonetes do estádio. Rivais em campo, parceiros fora dele, com inteligência. Certo?

Manual prático de política
Errado. A falta de diálogo é o principal problema. Até essa semana, o público só soube uma versão da história. Mário Petraglia, presidente do Atlético, só se manifestou recentemente, em carta – sem contestações. Há quem assuma como verdade absoluta. Há muita verdade, mas, sem troca de idéias, é mono. Atitudes truculentas e impositivas distanciaram qualquer acordo. A rivalidade besta também: o Atlético jogou N vezes inteira no Couto; o São Paulo FC é tricampeão do Mundo alugando o Morumbi aos rivais. Mas se Petraglia, com seu estilo, não consegue nem agregar sua própria gente, iria conseguir fazê-lo com coxas e paranistas?

Em campo
Copa do Brasil: Coxa passa pelo Vitória, mas 0-0 fora não é tão bom como se supõe. Não pode tomar gols hoje. Precisa jogar mais que em Porto Alegre. Atlético em São Paulo é zebra, só vitória ou empate com mais de três gols. Zebras acontecem, mas eu não apostaria, embora será ótimo ver ambos nas semifinais.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/04/2012

Fifa: muitas mudanças no projeto irritam comitê local

A obra da Arena da Baixada em Curitiba está sendo tocada sem alvará de construção, sob uma licença especial e supervisão diária de um grupo da secretaria de urbanismo da prefeitura. Tudo porque a Fifa mudou mais uma vez as exigências para a Arena – segundo informações, a sexta vez desde 2007. Pequenos detalhes que atrasam ainda mais a construção do estádio. As constantes mudanças irritaram o comitê local, que agora corre para regularizar novamente o alvará. Atualmente, a obra tem o relatório prévio ambiental aprovado. Na próxima terça (24) o Atlético terá nova reunião no conselho deliberativo para debater esse e outros assuntos – como por exemplo cobrar uma participação mais efetiva dos governos na operação.

Prêmio gordo

Tentando retomar o prestígio nacional perdido com o rebaixamento em 2011, o Atlético ofereceu aos atletas e comissão técnica um prêmio gordo pelo título da Copa do Brasil: 50% dos ganhos do clube até a conquista. Significa dizer que quem estiver no grupo atleticano em uma virtual conquista pode faturar R$ 1,97 milhões a serem rateados entre os membros. Vale dizer que o Atlético está apenas no terceiro grupo de cotas da CBF por não estar na Série A nem entre os 10 melhores do ranking nacional, recebendo o menor percentual de cota.

Câmeras, ação!

Demorou, mas finalmente a Vila Capanema poderá receber a capacidade máxima de torcedores (20 mil pessoas): o clube instalou e apresentou laudos ontem das sete câmeras de seguranças que faltavam para que o estádio se enquadrasse nos pedidos do Estatuto do Torcedor. A medida já vale para o jogo de hoje, entre Paraná e Ceará, pela Copa do Brasil. O clube instalou três câmeras por conta e contou com parceiros, que bancaram o custo de outras 4. Os valores e nomes dos parceiros não foram divulgados. O Paraná precisa de empates em 0-0 ou 1-1 ou da vitória por qualquer placar para avançar na competição. Será o quarto jogo oficial do clube em 2012.

Torcida única reloaded

A medida antidemocrática e sectária de se realizar o clássico Atletiba com torcida única deverá ser referendada hoje, após uma reunião entre a PM, a FPF e os clubes. O Ministério Público, único que pode evitar a medida se protestar formalmente, deve compactuar com aquilo que o mesmo, ainda no primeiro turno, classificou como “rasgar o Estatuto do Torcedor”. Os ingressos devem ser postos a venda a partir de quinta. A coluna não discute se a torcida do Coxa deve ter direito a ir sozinha já que não pode ir no primeiro e sim o absurdo que a medida anterior – e essa – faz com a desportividade e convivência. Em tempo: no jogo de ida, só com atleticanos, houve violência do mesmo jeito.

Atlético planta embrião para jogar em Joinville; entenda

Arena Joinville: caldeirão para o Atlético?

O Atlético jogar o Brasileiro Série B na Arena Joinville ainda é apenas um embrião, mas com pinta de que pode dar liga, após os rompimentos de Coritiba e Paraná com a diretoria (leia-se Mário Celso Petraglia) atleticana.

O que há de verdade na história: houve sondagem do Atlético, que já recebeu resposta positiva do JEC, mas tudo ainda no campo da especulação. Isso porque o Joinville não pode fazer nada na Arena sem consultar a Felej (Fundação de Esporte e Lazer de Joinville) que é o órgão da prefeitura que faz a gestão da Arena Joinville. Isso só deve esquentar mesmo na próxima semana, uma vez que houve mudança no comando do secretariado da fundação. O novo secretário, Flávio Sérgio Psheidt, não foi encontrado para falar sobre o assunto.

O JEC não paga um centavo sequer a prefeitura para o uso da Arena Joinville e é o arrendatário do estádio até novembro de 2014. Os únicos custos que o clube tem são os de manutenção do estádio – gramado, arquibancadas, vestiários. O JEC, com o aval da prefeitura, tem licença para lucrar com aluguel de campo e exploração de publicidade na Arena, o que facilitaria muito as negociações com o Atlético. Hoje, o rubro-negro paga R$ 50 mil por jogo ao Paraná pelo uso da Vila Capanema.

O presidente do JEC, Márcio Vogelsanger, demonstrou interesse na negociação: “Não vejo nenhum problema. Assim como o Coritiba fez aqui, o Atlético pode fazer também. Mas temos que sentar com a prefeitura e negociar, isso ainda não foi feito.” Vogelsanger estava em uma reunião e foi curto e evasivo nas respostas. Disse ainda que pessoalmente não conversou com ninguém do Atlético, mas que algum diretor do clube já poderia ter feito isso por ele – ainda não sabia afirmar.

Curiosamente, Joinville e Atlético se enfrentam na Arena Joinville na primeira rodada da Série B. Eles, caso se acertem, precisam da ajuda da CBF e da TV para recoordenar três rodadas no turno, outras três no returno, a inversão de mando na abertura do segundo turno e a ajuda da PM no derby com o Paraná, em 24/11, última rodada com movimentação nas estradas. Confira os jogos conflitantes:

16/06 – 6ª rodada – sábado
16h – JEC x Ceará
16h – Atlético x Goiás

03/08 – 15ª rodada – sexta e sábado, com clássico catarinense
Sex – Atlético x São Caetano
Sáb – JEC x Criciúma

14/08 – 17ª rodada – sábado
16h – JEC x Bragantino
16h – Atlético x ASA

22/09 – 26ª rodada – sábado – movimentação dupla paranaense nas estradas
16h – Atlético x Ceará
16h – JEC x Paraná

27/10 – 33ª rodada – terça-feira
21h – JEC x América-MG
21h – Atlético x Guaratinguetá

06/11 – 35ª rodada – sábado
16h – JEC x Guaratinguetá
16h – Atlético x América-RN

24/11 – 28ª rodada – sábado – movimentação dupla paranaense nas estradas
16h – Atlético x Paraná

Em 2010, quando usou a Arena Joinville por 10 jogos, o Coritiba arcou com custos de manutenção estimados em R$ 20 mil por jogo e ainda fez o repasse de 10 a 12% da renda em jogos diurnos e 12 a 15% da renda em jogos noturnos. A média de público do Coxa foi de 2454 torcedores nas 10 partidas, sendo a maior presença em um jogo contra o Sport Recife, num sábado: 7022 pessoas viram a vitória alviverde por 2-1.

Para pensar:

Nas redes sociais, a torcida do Atlético já chia com a falta de habilidade da diretoria em negociar com o Coritiba e, mais recentemente, com o (novo) racha com o Paraná Clube e a possível perda da Vila Capanema, atual refúgio atleticano.

O torcedor se dói, mas o clube nem tanto. Nenhum dirigente jamais irá admitir, mas para um clube com um bom parque associativo em dia, não é vantagem ter muitos torcedores presentes ao estádio. A conta é simples: supondo que os 17 mil sócios que o Atlético afirma manter sejam no máximo 10 mil, para facilitar os números; e que cada um pague R$ 70 por mês, numa média de 4 jogos em casa (R$ 17,50 por jogo), o clube tem arrecadado mensalmente 175 mil reais. Mas, com a média de público na Vila não ultrapassando 4 mil, tem declarado e prestado contas (impostos, taxas de federação) de apenas 70 mil reais/mês, sobrando aos cofres do clube 105 mil limpos e justificados.

Não é mau negócio para a economia atleticana mudar-se para Joinville, reduzir custos de aluguel de campo e aumentar a sobra de caixa. É sim para o torcedor, mais uma vez jogado para o quinto plano.

Para pensar II:

A frase atribuída a Mário Celso Petraglia na reunião na câmara de vereadores sobre a Vila, “Precisamos de outro lugar para jogar”, não traz nenhuma ofensa ao Paraná Clube. É na verdade uma forma de pressão do atleticano sobre os governantes, para agirem junto ao Coritiba pelo Couto Pereira.

Mas, há dois meses aqui mesmo no blog, já trazia a informação de que o Tricolor, com excesso de jogos entre Série B e segundona paranaense e tendo o Atlético como rival na competição nacional, não queria danificar o gramado da Vila.

Foi um pedido de Ricardinho. O técnico não quer que o time sofra mais esse prejuízo. É um direito do Tricolor.

Só que a diretoria paranista não precisa jogar para a torcida. Fazer Petraglia de vilão já é o esporte favorito da praça, não havia necessidade de jogar novamente o desgastado presidente atleticano na fogueira.

Para pensar III:

Petraglia está certo em pedir dinheiro à prefeitura e ao Estado. O Atlético está pagando quase sozinho a conta da Copa, que é um evento da cidade, gostem ou não. É claro que o lucro de se ter um estádio novo é excepcional ao clube, mas e se o Atlético virar as costas, botar as cadeiras no lugar enquanto ainda há tempo e desistir do projeto, deixando o Paraná fora do Mundial? O mico é de quem?

Do mesmo governo que mantém o secretário que sugeriu calote no cargo?

Estádio não é problema só em Curitiba

Time grande, de massa, campeão nacional, já decidiu a Libertadores e tem um dos maiores parques associativos do seu país; foi rebaixado para a segunda divisão no ano passado e nesta temporada não tem estádio para jogar. Identificou? É possível que você tenha pensado no Atlético, mas quem também vive esse problema é o River Plate, da Argentina (que, por sinal, também é Atlético: CARP).

River Plate não sabe onde e quando estréia no 2o. turno da B Nacional

Vice-líder da segundona argentina (que ao contrário da primeira, não se divide em dois torneios, somando os pontos de Clausura e Apertura para o acesso), o River Plate vendeu mais de 10 mil entradas para o jogo contra o Chacarita Jrs., mesmo sem ser mandante. O acordo lá é diferente daqui: a AFA permitiu nessa temporada que os visitantes pudessem levar torcida nos campos dos adversários, o que não era permitido até a queda do River. A intenção é faturar com a presença do gigante portenho na Bzona. Só que o Chacarita Jrs., mandante, também vendeu ingressos e seu estádio em San Martín não suporta o volume de torcedores. A AFA então requisitou o estádio do Racing, em Avellaneda, região metropolitana de Buenos Aires, para o jogo. Ouviu um não do clube e da prefeitura.

O Chacarita resolveu então impor seu direito de mandante e quer jogar em San Martín, sem presença da torcida visitante. O River sugeriu La Plata e a AFA ainda está definindo se o jogo que seria realizado neste sábado (11) será amanhã em San Martín ou segunda, em La Plata. A definição tem de sair hoje. Por via das dúvidas, o River Plate já começou a devolver o dinheiro dos ingressos a quem procurar o clube. Mas tanto River quanto Chacarita seguem vendendo ingressos para quem quiser ir ao jogo, em diferente setores. Entendeu? Nem eu. Na verdade, pobre dos torcedores da Argentina, lá como cá, jogados a segundo plano.

Enquanto isso, na Espanha…

a Real Federação Espanhola de Futebol não sabe onde marcará o jogo final da Copa do Rei, entre Barcelona e Atlhetic Bilbao. A decisão acontece em jogo único e em campo neutro. Madrid seria o local mais indicado, mas o Real Madrid, alegando possibilidade de decidir a Liga dos Campeões da Europa poucos dias antes da decisão da Copa nacional, se recusa a emprestar o Santiago Bernabéu. Segundo o clube merengue, há risco de confrontos entre as torcidas porque os madrilenhos pretendem fazer uma festa no estádio; já o Atlético de Madrid também descartou empréstimo: o Vicente Calderón, seu estádio, está alugado para a mesma data (20/05) para um show do Coldplay.

No fundo, tudo é cortina para o principal: Madrid teme um confronto entre os munícipes da capital, os bascos do Atlhetic e os catalães do Barça no dia da final. Fora o fato de os torcedores do Real não admitirem a possibilidade de o Barcelona levantar uma taça no templo merengue – o que jamais aconteceu.

A cidade de Valencia também se manifestou contra a possibilidade de abrigar o jogo. Em 2009 os mesmos dois clubes decidiram a Copa no estádio Mestalla, do Valencia – deu Barca, 4-1 – e a cidade foi palco de brigas entre as torcidas. Os demais estádios do país são considerados pequenos demais para abrigar a final.

A Federação estuda a possibilidade de realizar o jogo no Camp Nou – o que seria uma vantagem para o Barcelona – mas dividindo a carga de ingressos entre as torcidas: 40 mil entradas para cada. A decisão sairá na terça-feira.