Os muitos “micos” por Diego Costa

Site da CBF anunciou convocação dando destaque a jogador incerto

Quem errou no caso “Seleção x Diego Costa” é a pergunta que muitos se fazem no Brasil após o anúncio de que o atacante recusou oficialmente o convite para defender a Amarelinha. Entre tantos julgamentos pessoais, equívocos nas ações e erros de análises, a conclusão é bem direta: todos erraram.

A começar pela CBF. A imagem acima mostra o quanto a confederação confiava no poder de sedução da camisa mais vitoriosa do Mundo para que o sergipano optasse por defender seu país de nascença na Copa em casa. Uma chamada simples para a convocação de quinta tinha como principal destaque o agora desafeto. A CBF queria o jogador, mas pecou ao deixar em aberto a possibilidade de a convocação ser apenas uma jogada para evitar o reforço da Espanha. Faltou tato com Diego, que vem se destacando mais que qualquer outro atacante brasileiro, exceção à Neymar.

Acredito que Felipão tenha conversado com Diego Costa pessoalmente antes de divulgar seu interesse em convocá-lo. É uma análise, não uma informação. Mas se não o fez, errou. A Espanha é tão favorita quanto o Brasil para a Copa, Felipão tem histórico de fechar seus grupos de atletas sem muitas mudanças – quem deixou Romário de fora, convenhamos, não deve ter muito pudor em fazer o mesmo com Costa – e pode não ter passado a confiança necessária ao jogador para que ele optasse pelo Brasil. Por fim, Felipão falou em patriotismo; bem, alguns já lembraram que ele dirigiu Portugal contra o Brasil em amistosos e também numa Copa em que a Seleção disputava. Esse conceito é muito relativo.

E é por isso que deve se respeitar a decisão de Diego Costa: quem pode obrigá-lo a gostar do Brasil, a sentir orgulho pelo Brasil, quando fez toda sua vida na Espanha? Diego tem suas razões, mas também errou. Errou na avaliação de que não poderia ser útil ao Brasil como poderá ser para a Espanha. Hoje a Seleção carece de atacantes. Fred está machucado, Jô não vem sendo o mesmo da Copa das Confederações, Hulk e Neymar não são jogadores de área, Leandro Damião está em baixa e Pato… bem, Pato é Pato. Diego teria lugar certo na Seleção, pelo menos numa análise técnica atual. Precisaria de uma boa conversa com Felipão – e quem pode nos garantir que isso aconteceu, que Diego fechou com o técnico e acabou voltando atrás?

Por fim, erra a Fifa ao permitir essas constantes participações de jogadores de outras nacionalidades em seleções de países onde não nasceram. O conceito de seleção nacional difere de clube. Pressupõe a aferição da qualidade técnica de cada nação, diferente do que acontece em clubes. E a Espanha, claro, quer se beneficiar da qualidade brasileira. Se nacionalizar não é tão complicado, basta vontade política. É possível que além dos 14 jogadores brasileiros que podem enfrentar o Brasil na Copa 2014, vejamos muitos outros casos – aguardem a Copa do Catar em 2022 para vermos a seleção local. Claro, deve haver exceções: filhos criados e nascidos em outros locais, por exemplo. Mas essa é uma regra que poderia ser revista e que, enfim, fecha o ciclo que mancadas e micos que esse episódio expôs.