Pobre Cristiano Ronaldo

"Injustiça", dizia Cristiano, que não terá glórias com a camisa de Portugal

Pobre menino rico.

Pobre Cristiano Ronaldo, gênio, craque, ídolo, que nunca será o que Eusébio foi para Portugal com a terceira posição na Copa de 1966. Será sempre o genial Ronaldo do Manchester, do Real.

É verdade que ele não ajudou muito nessa Copa de 2014. Chegou ao Brasil machucado depois de uma temporada fantástica pelo Real Madrid, consagrada com o título e a artilharia da Champions League. Mas é mais verdade ainda que desde a chegada como coadjuvante de Kléberson ao Manchester United até a conquista de La Décima, Cristiano sempre teve grandes equipes ao seu dispor nos clubes. Nos clubes, nunca na Seleção.

Faltará sempre a Cristiano Ronaldo uma conquista com seu país para que lembrem dele como lembramos de Maradona, Zidane, Beckenbauer, Ronaldo, Romário e, claro, Pelé. Seu concorrente mais direto, Lionel Messi, tem a mesma carência, mas tem na Argentina um time muito mais completo do que o gajo na esquadra lusitana.

Salvo uma reviravolta impressionante, daquelas que nos fazem amar o futebol, Cristiano Ronaldo se despedirá da Copa 2014 nesta quinta-feira. Precisa conduzir Portugal a uma goleada contra Gana; precisa torcer para que os EUA percam para a Alemanha, em jogo em que o empate classifica ambos: o forte time alemão e a boa equipe americana, montada pelo alemão Jurgen Klinsmann. Se essa reviravolta não vier, Ronaldo estará fora.

Vão dizer que ele amarelou, vão dizer que é fruto do marketing, que se preocupa mais com o cabelo do que com o jogo. Pura bobagem, pura inveja. Cristiano Ronaldo é gênio, mas tem namorada modelo, anda nos melhores carros, fecha os melhores contratos de publicidade e reune desafetos por isso. Não são esses os problemas de Ronaldo.

O problema de Ronaldo é olhar para o lado e não encontrar ninguém que possa ajudá-lo a conduzir a seleção portuguesa. Talvez Nani; certamente não Pepe. Uma andorinha só não fará verão, isso já é certo. Sem ninguém ao lado, Ronaldo já viu Portugal fracassar em três Eurocopas, uma em casa contra a Grécia, outra marcante contra a Espanha, nos pênaltis, na foto acima. Um vice, um terceiro lugar. Nas Copas, apenas um quarto lugar em 2006. Quase Eusébio, mas pouco ainda.

Ronaldo não terá uma Copa pra si. Em 2018, aos 33, possivelmente não estará mais no auge físico e técnico.

Ronaldo tem quase tudo. Mas não terá essa glória por Portugal.

Pobre menino rico.

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O jocoso termo ‘elite branca’ surgiu após as vaias de torcedores presentes à Arena São Paulo destinadas a presidente Dilma Rousseff, mas talvez se aplicasse mais à um pequeno grupo de norte-americanos que resolveu detonar o crescimento exponencial do futebol na terra do Tio Sam. O articulista Kyle Segall é um deles. Seu artigo no SB Nation, um portal que reune blogs e colunas sobre os mais diversos temas esportivos, abre disparando: “Por que você está correto em odiar o futebol“.

Parte da repulsa de norte-americanos se baseia na xenofobia. O soccer, apesar de britânico como os estadunidenses, está atrás do futebol americano, basquete, baseball, hockey, automobismo e boxe na preferência do habitante nato dos EUA, mas muito a frente destes junto a comunidade latina, cada dia mais crescente no país. Além disso, desde 1994, os próprios “norte-americanos natos” passaram a gostar mais do futebol. Não à toa a MLS, campeonato nacional, já tem média de público próxima de 20 mil pessoas e superior a média do Brasileirão. A Seleção Americana – USMNT, na sigla que destaca o “Men” no US National Team – já conseguiu resultados expressivos, como o vice-campeonato na Copa das Confederações 2009 e os 5 títulos continentais da Concacaf. Além disso, também há a preferência das mães nos EUA pelo soccer em detrimento do football. Apelidadas de soccer moms, elas não tem permitido que os filhos pratiquem o futebol americano em virtude do alto número de lesões.

Segall logo dispara no artigo: “Não sou xenófobo, já fui ao Japão, Suíça e até a Lousiana”, numa brincadeirinha com um estado americano colonizado por espanhóis e franceses, para em seguida fazer uma comparação brutal. “Estávamos certos em desprezar o futebol tanto quanto em combater o Nazismo. O futebol é o pior que o mundo externo (sic) pode nos oferecer”, usando um placar de 0-0 como exemplo negativo de acomodação que pode ser passado as crianças – como se o empate sem gols fosse apenas fruto da preguiça em imperícia dos jogadores. Não é, como o mexicano Ochôa deixou bem claro no empate entre Brasil e México. Os “gritos histéricos” de gol também irritam Segall: “parece que encontraram um Leprechaun”, referindo-se a lenda irlandesa do anãozinho que esconde os potes de ouro. Até mesmo a denominação “kit” para o uniforme de jogo irrita o articulista, que faz questão de dizer que isso é coisa de loser, no melhor exemplo de como um gorilão daqueles dos filmes sobre o ensino no 2o grau se comporta. Apesar de acertar em alguns pontos, como a crítica ao desprezo da Fifa aos trabalhadores e à violência gratuita das torcidas organizadas – o tom preconceituoso do artigo tira a chance de qualquer ponderação. “Nós, AMERICANOS, devemos deixar o futebol no lugar dele: como fonte de kickers para a NFL. E deixem que o Brasil trate disso como seu caviar, enquanto descobrem maneiras novas de barulhos irritantes ou botam fogo em um quarteirão que já é uma favela”.

Segall conseguiu levantar a discussão nos meios americanos. O New Republic buscou no argentino Jorge Luis Borges um amparo para rejeitar o futebol: “futebol é estúpido e para idiotas”. O escritor já falecido fala com a propriedade de um nativo de um país dos mais fanáticos pelo esporte; em outro artigo no mesmo site, o título diz tudo: “Por que você tem que odiar a Seleção Americana – ou pelo menos os fãs de futebol“. O MarketWatch conclama: “Ok, americanos, vamos fingir novamente que gostamos de futebol“.

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Mas, na verdade, trata-se de uma minoria barulhenta. Os americanos estão cada vez mais envolvidos com o futebol, à espera de um grande resultado para proclamar sua superioridade também no único esporte em que ainda não dominam.  A ponto do alemão Jurgen Klinsmann, técnico da seleção dos EUA, quase que pedir desculpas ao avisar em entrevista que “Não temos chances de sermos campeões esse ano“. A Time dedicou uma coluna inteira ao futebol, respondendo os críticos de que sim, o americano gosta de futebol – ainda que do jeito dele. A Newsweek tem dedicado boa parte de sua cobertura esportiva ao Mundial – e não só ao USMNT. E a Sports Illustrated, principal revista de esportes dos EUA, também se rendeu ao soccer

É bem verdade que o ator Patrick Stewart, conhecido como o professor Charles Xavier dos X-Men, é inglês de nascença – o que acaba por dar um pouquinho de razão aos detratores do futebol nos EUA. Mas o próprio portal SB Nation é muito mais pró-futebol do que o artigo que rendeu tanta polêmica. Não vai ter jeito: a ‘elite branca’ americana luta, mas vai perder a batalha mental contra o futebol, é questão de tempo. 

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