Os 7 pecados e a decadência do Coritiba

Alex sofre, Coritiba agoniza: sete pecados que podem custar muito caro

Como pode um clube que deu bons exemplos de organização e esteve a pique de alçar vôos mais altos, com duas finais de Copa do Brasil, despencar tanto em uma temporada a ponto de ainda ser a 3a equipe que mais rodadas liderou esse Brasileirão, atrás apenas de Cruzeiro e Botafogo, e amargar uma possibilidade real de rebaixamento?

Perto da Zona de Rebaixamento faltando três rodadas para o fim, o Coxa revive os pesadelos de 2005 e 2009, quando caiu sem entender bem como, quando e por quê houve a decadência. Assim sendo, enquanto ainda é tempo (ainda é?), o blog propõe um ensaio sobre os sete pecados na temporada do Coritiba até aqui. Se só a fé pode salvar, ainda há tempo de se arrepender.

1 – Gula

Tetracampeão paranaense, duas vezes consecutivas finalista da Copa do Brasil, líder do Brasileiro 2013 durante toda a Copa das Confederações e com a perspectiva de disputar a Copa Sulamericana para tentar um título internacional. O Coritiba quis abraçar o Mundo, mas não tinha elenco para isso. Trouxe o ídolo Alex de volta, mas não conseguiu segurar peças chave como Rafinha, Emerson e Everton Ribeiro, como já acontecera com Leandro Donizete. Atropelou no Estadual e se viu em meio ao Brasileiro com mais de 10 jogadores importantes no departamento médico, como Leandro Almeida, Júnior Urso e Deivid. Faltou planejamento e dinheiro para tanta fome.

2 – Avareza

Depois da questionável decisão de demitir Marquinhos Santos e o diretor de futebol Felipe Ximenes, o Coxa deixou o segundo cargo vago e não quis gastar além da conta com técnicos mais experientes como Caio Júnior ou Celso Roth. Apostou em Péricles Chamusca, demitido neste domingo, e que chegou revelando que faria uma também aposta em sua permanência para 2014, pensando em um bom contrato só se salvar o time. Com Chamusca, 7 derrotas e um empate em 11 jogos. Ainda que o próprio seja o menos culpado, já tem sua parcela de colaboração na crise. O técnico chegou a dizer que deixaria o time pronto em três semanas – não conseguiu -, mas tempo é artigo de luxo. As renovações com os jogadores citados acima poderiam entrar na conta, mas vale lembrar que os próprios atletas muitas vezes têm o desejo de respirar novos ares.

3 – Inveja

“A culpa é do Atlético”, disparou o presidente Vilson Ribeiro de Andrade ao analisar a pressão que o time, ainda na 8a posição, sofria da própria torcida que via o rival entre os 4 melhores do campeonato e na final da Copa do Brasil. A declaração do dirigente deu o tom da preocupação coritibana com o vizinho – que no começo da temporada viveu situação inversa. A cada resultado cruzado, o Coxa se via mais longe do topo e convivia com a flauta dos rivais, ao invés de se preocupar mais em estancar a sangria.

4 – Cobiça

Depois da ascensão de 2009 pra cá, com reforma no Couto Pereira, aquisição de terreno para um novo CT e a revitalização da imagem do clube, não foram poucos os interessados em assumir o Coritiba. O cargo ocupado por Vilson Ribeiro de Andrade passou a ser cobiçado por vários grupos, que se movimentaram para tentar aproveitar o momento do clube, cada qual à sua maneira. Como consequência, Ribeiro perdeu aliados importantes, como Ernesto Pedroso, e teve que buscar refúgio até na torcida organizada, afastada do dia a dia do clube desde os episódios em Coritiba x Fluminense. Não só isso: a pressão interna para demitir Felipe Ximenes, que pensava o futebol alviverde, foi enorme.

5 – Luxuria

A vida particular de cada jogador não diz respeito à imprensa (à ninguém, na verdade). Mas as críticas da torcida em cima de alguns nomes do elenco, que supostamente estariam dando mais prioridade à badalada noite curitibana, só acirraram mais os ânimos dentro do clube. A ponto do atacante Bill, um dos mais cobrados – e fotografados – pelo comportamento extra-campo, discutir com torcedores logo após uma substituição. Mais tarde, pediu desculpas pelo destempero.

6 – Vaidade

Teria a liderança precoce do Coritiba enebriado o elenco alviverde? Comparações com o ano de 1985, quando foi campeão brasileiro, e a (natural) empolgação da torcida podem ter superestimado a capacidade do time. Que, em alguns momentos, dava motivos para acreditar, com as boas atuações de Alex. Ainda era cedo. A liderança escapou, o G4 escapou e a empolgação se tornou preocupação.

7 – Ira

Muro do Couto Pereira pichado com ameaças após a derrota para o Flamengo

Como em 2009, já circulam pela internet ameaças de invasão de campo e agressão a jogadores, em caso de nova queda. Em todos os anos em que um clube campeão brasileiro caiu, houve episódio de enfrentamento entre torcedores e jogadores ou dirigentes. Em nenhum deles a pressão colaborou, apesar da cena se repetir ano após ano.

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Cornetadas das torcidas na rede ganham site divertido

As redes sociais permitiram uma integração maior entre os clubes, jogadores e seus torcedores. Mas quando a fase não é boa, sobra pra todo mundo. Quem nunca cornetou um técnico, um jogador, uma decisão? Pela internet, a cornetagem cresceu e agora chega diretamente ao alvo. De olho nisso, um jornalista de São Paulo resolveu compilar as melhores cornetadas em um site.

 
 

Rafael Techima criou o “Olha o Carinho da Torcida”, uma reunião das principais cornetadas das torcidas nas FanPages e perfis oficiais dos clibes. “A ideia surgiu depois de reparar que muita gente respondia de forma raivosa ou irônica os posts dos clubes e dos atletas nas redes sociais. Dessa forma, pensei em organizar o que há de melhor nessa “nobre arte”. Me divirto muito pesquisando os comentários ou replys!”, conta Rafael, que é são-paulino e não poupa – como visto acima – ninguém.

 
 

Rafael procura as postagens em todos os principais clubes do Brasil e já conta com ajuda. “Não monitoro um clube específico, dou uma passada em todos os principais. Claro que quando algum deles perde ou não está em uma boa fase, o trabalho é muito facilitado. Há a possibilidade do torcedor encaminhar sua sugestão pelo próprio tumblr ou por este e-mail mesmo.”

O sucesso já fez com que mais de 1000 pessoas entrassem, apenas na primeira semana, na FanPage do blog. E esse não é o primeiro “trabalho” dele na linha da cornetagem.

 
 

Rafael já dava as suas próprias cornetadas nos colegas de imprensa com o “Taison ou Messi?” (referência à essa coluna do gaúcho Wianey Carlet), que divulga barrigadas da imprensa esportiva – clique aqui para conhecer

Jogadores e clubes que se cuidem: as cornetadas virtuais estão afiadas!

 
 

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Ceni, São Paulo, Super-Homem e o comunismo

Mito. Ídolo. Super-Homem. Controla tudo. (DC Comics)

Acabo de ler a mini-série “Superman: Red Son”, ou “Filho Vermelho”, que trata a realidade alternativa, nos quadrinhos, de como seria o Mundo se o foguete de Kal-El, partindo de Krypton, tivesse caído na Ucrânia e não nos EUA. Descoberto por Stalin, o Super-Homem tornou-se um símbolo do comunismo. Mesmo a DC Comics sendo uma editora norte-americana, a trama passa longe de condenar o sistema comunista e mais longe ainda das patriotadas típicas de Hollywood. Escrita por Mark Millar, mostra a ascensão do sistema sob o comando do Super-Homem após a morte de seu “pai” político, Stálin, na mesma medida em que ruía o capitalismo – e por consequência, os EUA. O Mundo, exceção feita aos norte-americanos, adere ao comunismo e vive seu momento mais glorioso. Ninguém passa fome, as doenças têm cura, não há criminalidade e sequer chove sem que o líder Super-Homem verifique se todos saíram de casa com seus guarda-chuvas. Enquanto isso, nos EUA, um indignado Lex Luthor tenta combater, sem sucesso, a ascensão comunista. Até que ele descobre o calcanhar de Aquiles do Super-Homem.

Qual seria e o que isso tem a ver com Rogério Ceni e o São Paulo? Comando e controle.

Luthor faz com que o Super-Homem perceba que, por melhores que sejam suas intenções, ele passou a ser o grande controlador de toda a humanidade. Ninguém tem liberdade de ação ou pensamento. Todos devem pedir autorização, até para errar, ao comandante. E erros, claro, não são bem-vindos. O Super-Homem se torna o ditador que ele sempre combateu e via no comando capitalista norte-americano.

Rogério Ceni é o maior ídolo da história do São Paulo, não há dúvidas. Poucos fizeram tanto por um clube dentro de campo. Ceni é politizado e não foge dos debates. É liderança e negar tudo o que ele fez de bom pelo São Paulo é lutar contra a história. Mas tudo na vida tem um tempo. 

Ao atirar contra Ceni, o ex-técnico Ney Franco abriu feridas no clube do Morumbi e talvez não tenham dado às declarações dele a real importância. Dividiram-se os críticos entre os que não suportam ver a imagem de Ceni arranhada e os que detestam o goleiro são-paulino por tudo que ele representa. Conheço Ney Franco pessoalmente e não conheço Rogério Ceni no mesmo grau. Acompanhei o trabalho de Franco no Atlético, em 2008, e no Coritiba, de 2009 a 2010, na pior fase da história do clube. Ney Franco é bom sujeito e bom caráter. Pode até não ter agido bem ao falar bem depois de ter saído do clube, mas, afinal, não é o que todos esperávamos e sempre esperamos? Que se escancarem as “caixas-pretas” do futebol? Franco, como Luthor, pode até ser pintado como vilão aos são-paulinos, mas deve ser melhor entendido, não dividido entre os que amam e os que odeiam.

Colocar todo o peso da crise do São Paulo nos colos de Ceni é demais, mesmo pra ele. A crise envolve questões políticas, ambiente interno e até qualidade técnica dos jogadores. Ceni não é o único a falhar nem o único a ter proteção no clube. Mas é o símbolo, não só do time, mas do clube num todo. Quando Franco traz elementos de vestiário, dizendo da força do capitão do São Paulo, é preciso pensar que peso isso tem na hora em que ele, e não um atacante, decide cobrar um pênalti; na hora em que um afobado Aloísio coloca a mão na bola que entraria e traria ao menos um empate no derby com a Portuguesa; no momento em que se quer mexer em Luís Fabiano ou no próprio Ceni, mas não se faz, para evitar conflitos internos.

Nos quadrinhos, o Super-Homem sai de cena, derrotado pelo arqui-inimigo com o argumento já citado. Luthor aproveita tudo o que foi construído de bom pelo comunismo, reinstaura o capitalismo, muda-se o controle e o Mundo se sente mais livre. É o caminho para uma reação são-paulina em campo? Difícil dizer.

Mais difícil ainda é ver se alguém tem forças e coragem de se opor aos ícones do clube.

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Organizada do São Paulo usa mailing oficial para atacar oposição

Mailing oficial foi cedido para Organizada manifestar-se

A principal torcida organizada do São Paulo conseguiu acesso ao banco de dados oficial dos sócios-torcedores do clube e, em mala direta, declarou que não apoiará o vereador e ex-diretor de futebol Marco Aurélio Cunha na possível candidatura do mesmo à presidência do São Paulo, em abril de 2014. A imagem acima mostra o endereço oficial do mailing dos sócios do São Paulo usado para a divulgação do texto.

Na nota, a facção cobra os maus resultados do Tricolor, mas atribui a confusão na sede social do São Paulo aos apoiadores de Cunha. Na confusão, o atual presidente, Juvenal Juvêncio, mostrou-se exaltado (veja aqui) e estimulou agressões a associados que o cobravam. Juvêncio teria convidado dois membros da Organizada a participar do evento na área social do clube.

Leia a nota abaixo, com o vídeo

Diante dos fatos ocorridos durante o final de semana vimos por meio desta esclarecer que antes de mais nada NÃO TEMOS NENHUM PARTIDO POLÍTICO dentro do clube, não somos a favor de A, B, C ou D, só que não podemos permitir calados que o SÃO PAULO FC seja presidido por alguém que não seja de fato são paulino.
A diretoria da Torcida Tricolor INDEPENDENTE não apoiará em nenhum momento o Sr. Marco Aurelio Cunha que teve um vídeo divulgado no Youtube onde o mesmo canta em alto e bom som o hino de um clube rival, conforme abaixo:

Marco Aurelio Cunha cantando hino de um clube rival em festa

Membros da diretoria da Torcida Tricolor INDEPENDENTE estavam ontem no evento realizado na sede social do clube para reinvindicar mudanças no que diz respeito ao nosso bem maior, o SPFC.
Não podemos aceitar os fiascos que temos passado diante de times de pouca expressão no cenário nacional.
Fomos para cobrar atitude dos que dirigem atualmente o futebol. Para os desavisados o evento era gratuito para sócios do clube e convidados pagavam ingresso como qualquer outro evento.

A confusão se deu quando membros da oposição (pró MAC) relataram torcer para outros times, rivais. Não é segredo que não temos uma bancada 100% são paulina decidindo o futuro do nosso amado SÃO PAULO FC, deixar isso tão explicitamente na mão dessas pessoas é o que não podemos permitir, por isso houve confusão.

Havia um grande número de torcedores de outros clubes ditos grandes de São Paulo em campanha, e que são associados do SPFC, inclusive pessoas com o pássaro alusivo a torcida rival tatuado! Está errado!

Pra nós o rabo está balançando o cachorro.

Inadmissível!

Não compactuamos com situação ou oposição, não somos vendidos, não fomos comemorar o fiasco dos últimos resultados nesse churrasco como estão falando nas redes sociais, apenas aproveitamos do momento para agir, lutamos pelo SÃO PAULO FC e na nossa concepção o mandatário do clube pode ser um lixeiro ou um porteiro do clube, sem demérito algum, mas que este seja são paulino, que tenha o sangue tricolor correndo nas veias como nós temos.

Em tempo, ressaltamos que o protesto contra a atual diretoria foi interrompido por diretores da Independente no sábado por estes estarem pedindo por Marco Aurelio Cunha, o que não vamos permitir.

Apoiaremos qualquer candidato que seja de fato são paulino e que queira trabalhar pelo bem do clube. E que este tenha em mente que nem em tom de brincadeira deverá cantar o hino de outro clube senão o nosso, seja em festa de casamento ou junina.

Lamentamos os pontos levantados pela imprensa que distorcem e acabam expondo apenas o que lhes convém. Além dos que querem polemizar e inventam inverdades porque um ligou pro outro, que disse que ouviu isso, que outro falou aquilo e ponto.

Não estamos satisfeitos com a atual situação e queremos mudanças, tanto quanto todos os milhões de são paulinos espalhados pelo mundo.

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A crise do Bahia ainda não atingiu o ápice

Bahia massacrado pelo Vitória duas vezes consecutivas: rotina?

Inauguração da nova Fonte Nova, momento histórico para a nova casa do Bahia: Vitória 5-1 no clássico. A goleada fez o técnico Jorginho cair do comando tricolor. Chegou Joel Santana, em oito de abril. Pouco mais de um mês, duas vitórias, três empates e duas derrotas depois, Joel é demitido após novo massacre no Ba-Vi: 7-3 Vitória e título encaminhado ao Barradão. Nesta quarta (15/05), mais um vexame: a vitória (1-0) sobre o Luverdense-MT foi insuficiente para evitar a eliminação em casa, após a derrota por 0-2 na ida.

O Bahia está ensaiando a repetição dos seguidos vexames entre 2003 e 2006, quando mergulhou no poço da Série C nacional. O “seu sete”, apelido dado ao rival Vitória em 1972, após uma goleada sofrida para o Ceará (2-7), já havia dado as caras naquele período, na queda para a Série B (0-7 Cruzeiro e 4-7 Santos) e até mesmo no pior momento do clube, na Série C 2006, onde permaneceu com uma goleada nas costas por 2-7 para o Ferroviário-CE. São estatísticas históricas, que podem deixar de ser só coincidência quando o Brasileirão começar.

Leia também:

Repensando o futebol brasileiro

Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

Semente

“Não dá pra competir, o problema é profundo e é financeiro”, me disse o ex-técnico Jorginho, em visita ao Portal Terra no mês passado. Jorginho se refere ao orçamento do Bahia em comparação a outros grandes do País. Por isso, diz, o clube deveria investir em um time forte fisicamente e rápido. “O time que está lá é ruim, lento e pesado e eu disse isso a eles. Você tem uma ou outra boa peça, como o Fahel, mas no geral, não dá.” Jorginho ainda não havia visto o sucessor Joel levar 7 do Vitória de Caio Júnior, veloz e em (outra) tarde inspirada.

Jorginho negou qualquer problema com o elenco, mas nos corredores do clube, a história não é a mesma. O presidente Marcelo Guimarães Filho tem seus preferidos entre os jogadores e, digamos, é persuasivo para garantir a escalação dos mesmos. É notoria a preferência por Souza e Titi, entre outros. Perguntei isso diretamente a Jorginho, que fugiu do assunto. Em Salvador, comenta-se que Souza chegou a intimar a diretoria com um “ele ou eu” no caso do primeiro dos recentes ex-treinadores. Joel Santana, por sua vez, nem teve tempo de se criar no clube nessa passagem. Nenhum dos dois, diga-se, esteve em campo contra o Vitória na última goleada.

Uma lista com 14 jogadores dispensandos foi divulgada com apenas três jogadores com mais de cinco jogos entre os titulares: os laterais Magal e Pablo e o meia Paulo Rosales. Os demais, eventuais substitutos e até quem nem atuou, como o atacante Erick.

Há ainda quem critique a relação próxima da diretoria com o empresário Carlos Leite, que é parceiro do Bahia desde a retomada de divisões do clube, em 2009. Leite agia no clube por intermédio de Paulo Angioni, que caiu do cargo de diretor de futebol com a última goleada. Até então, inúmeros negócios foram feitos – nem sempre com vantagens ao clube, como explica o colega Dassler Marques. Com a saída de Angioni, é preciso saber como ficará essa relação.

O torcedor por sua vez já percebeu que o destino, como a coisa anda, é negro. Na partida pela Copa do Brasil contra o Luverdense, a torcida organizou um movimento chamado “Publico Zero”, para que ninguém fosse ao estádio. Apenas 1.145 pessoas compraram ingresso, segundo o borderô, sendo que muitos ingressos foram distribuídos gratuitamente. Acostumado a lotar estádios, o Bahia amargou a eliminação e um prejuízo de R$ 42 mil na bilheteria, sem contar a renda perdida por não avançar na competição nacional.

Campanha da torcida do Bahia na internet: ambiente rachado

Com um contrato com a Fonte Nova, mas rachado com a torcida, eliminado da Copa do Brasil e virtual vice-campeão baiano, além de ser desde já um favoritíssimo à queda para a Série B nacional, a crise do Bahia parece estar apenas engatinhando. Quem conhece o histórico do clube, sabe que é importante agir a tempo de não refazer a viagem ao fundo do poço. 

 

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Dez razões para o fracasso do Atlético na Série B 2012

Títulos proféticos são um chamariz para a condenação de qualquer jornalista. É querer adivinhar o futuro, o que no futebol pode ser muito cruel. No entanto, dezembro é o mês do “dez mais”: os craques do ano, os gols mais bonitos, as razões do sucesso e, claro, as do fracasso.

Passado o ano, é mais fácil avaliar. Nem sempre é mais aproveitável – afinal, a obra já está pronta.

É por isso, com base em 6 meses de atividade profissional no futebol brasileiro, que me coloco na mira da torcida ao antecipar 10 razões para o fracasso atleticano na briga do acesso pela Série A em 2013 – em tempo ainda de serem evitados. Se não forem, prometo: repito a postagem ao final da Série B, com direito a contestações postadas.

1) Home sweet home

Jogar em casa, um luxo em 2012 (foto: Geraldo Bubniak)

Qualquer time tem como principal arma o fator campo. O Atlético sempre se vangloriou do “Caldeirão”, o alçapão em que a Arena se tornou nos momentos decisivos.

Em 2012, por conta da obra para 2014, o Atlético perdeu essa força. Não foi uma ou duas vezes em que os próprios jogadores reclamaram ter de jogar em um campo diferente, sem identificação. O Atlético já transitou por Germano Kruger, Eco-Estádio, Vila Capanema e agora milita no Caranguejão, em Paranaguá.

Não conhecer (no sentido de saber bem quais são) as dimensões do gramado, vestiário, ter ao lado a presença da torcida, saber que aquele é o seu local de trabalho. Somadas, as razões são muitas para a inibição de um bom desempenho, treinando o que treinar. Jogar contra o Atlético hoje não assusta mais que o normal: é uma partida de futebol profissional em um campo homologado. Falta o fator casa.

E, diga-se, a discussão é longa e não vale nesse post, tamanha novela. Mas, olhando pelo prisma atleticano, algo deveria ter sido pensado antes.

2) Ambição – tem que querer

"Yo?"

“Nunca nos pediram a conquista (sobre Copa do Brasil e Série B). A prioridade é o acesso”, disse Juan Ramón Carrasco em sua despedida do Atlético.

Querer ganhar o título é o passo número um para chegar lá. É a história do cara que reclama que nunca ganhou na mega-sena – mas não joga. A falta de ambição nas cobranças sobre Juan Carrasco e a conquista da Série B são sintomáticas.

Ao dizer o que disse, o ex-treinador atleticano deixou claro que o bicampeonato da Segundona não é prioridade no Furacão.  Aceitável, na última rodada; nunca na primeira. Pego o Coritiba como exemplo.

Campeão nacional em 1985, nos anos 2000, rebaixado e campeão em 2007, amargou uma nova queda em 2009. Acompanhei cada passo daquela conquista. A título de galhofa, no início da competição, atleticanos zombavam coxas sobre o “bicampeonato”. Certa feita, assunto corrente na cidade, conversei com o então vice-presidente Vilson Ribeiro sobre o tema. “O Coritiba entra em qualquer campeonato para ser campeão. Não queríamos estar na Série B, mas já que estamos, vamos atrás do título.”

O grau de exigência mínimo deve ser esse para qualquer clube que se pretende grande. Foi assim com Palmeiras, Atlético-MG, Corinthians, Vasco e com o já citado Coritiba. Mas, pela declaração de JR Carrasco e principalmente pelos investimentos feitos pela diretoria atleticana, não parece ser o mesmo no Rubro-Negro.

3) Liderança e bons exemplos

A história de David Trézéguet no River Plate pode ser um exemplo para qualquer clube grande em baixa. Todos que se encaixam nessa categoria têm ídolos, exemplos, gente que pode simbolizar uma retomada. Alguém que, em campo, seja o símbolo de algo que é uma verdadeira guerra – afinal, presume-se que o verdadeiro habitat desse padrão de clube não seja uma divisão inferior.

Ao Atlético, falta isso.

Paulo Baier, o ídolo de um Atlético carente (tem brio e caráter, mas vivencia uma era sem conquistas) se apresenta para o papel, mas carrega consigo o peso do parênteses anterior e também da idade. O time não tem uma liderança em campo – convenhamos, não é de hoje.

Um Trézéguet que mostre “Eu jogo aqui porque é grande”, não importa a divisão. Algo como Ney Franco fez pelo Coritiba 2010 ou Fernando Prass no Vasco 2009 ou mesmo Chicão, líder do elenco do Corinthians 2008. Um símbolo, enfim.

4) Tranquilidade & ambiente

Sitting, waiting, wishing (Foto: Allan Costa Pinto, PRON)

Muitos podem não enxergar, mas o que acontece com Morro Garcia é nocivo ao Atlético. Contratação mais cara da história do clube, Morro não pode jogar por ordem da diretoria, que não aceita a negociação feita pela gestão anterior.

Ao mesmo tempo, outro jogador qualificado, Joffre Guerrón, também está na geladeira. No clube, pelo que apurei, alega-se que o atleta não quer ficar; o mesmo já deu demonstrações disso, mas está aí à disposição. Além disso, a pressão da queda (o elenco quase não foi reformulado), o peso sobre os da base e a insistente improvisação em vários setores, tanto Carrasco quanto com Drubscky, deixam todos em alerta.

O que importa, na verdade, é algo que qualquer um pode transportar para o seu ambiente de trabalho. Você chega para um dia de trabalho, um colega está impedido de exercer a profissão, outro está em espera, outros estão em funções diversas as que estão acostumados ou deveriam exercer.

Aí tem cobrança, pressão, pouca ou nenhuma badalação – não se esqueça que pecado ou não, vaidade é um combustível. Bingo!, está criado um ambiente pesado.

5) Prioridades

Liguera, Fernandão, Weverton, Renan Teixeira, Zezinho e Gabriel Marques. Ainda pode se considerar nessa lista Rafael Schimitz e o lateral Adriano.

Esses foram os reforços de um Atlético rebaixado para a tentativa do acesso. Zezinho demonstrou potencial, Liguera (machucado um bom tempo), Fernandão e Weverton carecem de melhor avaliação. Marques é dedicado. Nenhum convincente.

Juan Ramón Carrasco uma aposta; Ricardo Drubscky, outra. Mal avaliada, pois defende como teórico que um treinador deve estar sempre à beira do campo, mas foi contratado com seis jogos de suspensão.

O departamento de futebol ainda parece muito teórico. Mas já se passaram seis meses. Claro que a cúpula que mantém o sistema é visada (ler abaixo), mas a responsabilidade é funcional.

6) Estabilidade política

Você, atleticano que lê esse texto (coxas e paranistas se divertindo não contam), responda mentalmente, sem pestanejar: é malucellista ou petraglista?

Desculpe, pensei que você fosse atleticano.

Fato é que o Atlético dividiu-se em setores políticos. Em 2011, o fracasso era sinônimo de alegria para muitos; em 2012, a resposta vem à galope. Resultado? Um clube desunido, fragmentado. Na riqueza (porque quem viu o Atlético 80’s sabe) o clube vive sua pior fase. Tipo divisão de herança de rico.

Enquanto isso, o navio vai rumo ao iceberg.

7) (Falta de) Mobilização

Letargia. Nenhuma palavra resume melhor a torcida atleticana. O Atlético não mobiliza mais ninguém. O golpe foi forte. É verdade que os tópicos acima só deixam a coisa ainda pior. Mas, enfim, qual é o papel do torcedor?

Oras!, torcedor, torce. Na 1a ou na 10a divisão. Sendo assim, tá na cara que falta ânimo aos atleticanos, que nem cobrar mais cobram. Basicamente observam os eventos, quase que impávidos. Não, não é intenção do colunista promover a desordem. Até porque, cá entre nós, mobilizar-se é um problema do Atlético e dos seus.

Mas o estado de “ah, é assim mesmo” tomou conta. Ovo ou galinha?

8) Sucesso alheio (ou inveja)

Não se pode negar que a má fase do Atlético é concordante com a boa fase do Coritiba. E não falo da final da Copa do Brasil de 2012, mas sim das duas, do tricampeonato e da diferença na condução do futebol que um clube abriu de outro.

Desde a declaração do ex-presidente Marcos Malucelli de que o “Coritiba está 10 anos atrás do Atlético”, a “distância” diminui a cada dia. Para o contínuo da contabilidade, não importa o melhor CT, o melhor estádio; o time do colega está surrando o dele. Quem paga a aposta – e o mico –  é ele (e isso, amigos, é o que move o futebol. Rivalidade sadia e bom humor). Mas não é mole pra quem tá por baixo.

Então, se a derrota para o Boa já é ruim, imagine se o Coxa vencer o São Paulo e…, ops. Entendeu, né?

Assim sendo, o que o Atlético tem que fazer não é evitar essa pressão, porque é impossível.

É conviver com ela e fazer o seu melhor.

Oras, não foi o que o Coxa, campeão paranaense em 2003/05, fez enquanto o Atlético brilhava? Então volte ao tópico “Ambição.”

9) Qualidade

Pé de jabuticaba dá jabuticaba. Ponto.

Você pode passar sementes de maracujá na árvore, usar o melhor adubo, conversar, abraçar, regar todos os dias. Fazer simpatias, pular num pé só, vestir-se de maracujá.

Pé de jabuticaba não dará maracujá.

Um elenco que demonstrou falhas desde janeiro, perdendo pontos para o rebaixado Roma, não vai conseguir o acesso. Insistir nisso é incompetência, cegueira ou má intenção.

10) Investimento

Em 2011, Mário Celso Petraglia divulgou a lista de salários do então elenco atleticano. Condenável abrir o sigilo de cada atleta, ainda que cada salário ali pudesse ser um acinte. R$ 50 mil para jogar mau futebol, quando tem cientista que não ganha isso para pesquisar a cura do câncer… enfim. É a regra do mercado.

De todo modo, MCP não pode esquecer algo: em 2012, comanda o clube de maior orçamento da Série B. Dos 12 clubes acima do Atlético na classificação nesse momento (23/06/12), quantos tem folha de pagamento maior que o rubro-negro?

Não se deve violar a intimidade financeira dos jogadores, mas acho que a resposta pode ser constrangedora.

Exclusivo: Vilson Andrade e o momento do Coritiba

A palavra crise andou rondando manchetes sobre o Coritiba nessa semana, quando o time perdeu uma invencibilidade de 48 jogos em campeonatos paranaenses. É bem verdade que a equipe não vem jogando bem, mas também é fato de que chega a ser irônico referir-se a crise quando um time perde pela primeira vez após tanto tempo.

Seja como for, o Coxa teve uma reunião entre diretoria, jogadores e comissão técnica ontem. E amanhã pega o melhor time do returno, o Londrina, precisando de uma goleada por 5-0 para assumir a liderança e tentar uma vaga na decisão, que já conta com o rival Atlético. Em meio a pressão, conversei com o presidente do clube, Vilson Ribeiro de Andrade, que soltou o verbo sobre o momento coxa-branca:

Napoleão de Almeida: O que você enxerga nessa fase do Coritiba?
Vilson Ribeiro de Andrade: Precisamos de três jogadores, já está no planejamento. Estamos esperando a definição da Libertadores, tem muito time inchado, não vai continuar assim. Tivemos problemas médicos no começo do ano e investimos R$ 200 mil em um aparelho isocinético, que previne lesões. É tudo investimento. Temos que trazer três peças para chegar e ser titulares. Eu entendo muito é de finanças, de futebol não entendo muito. Mas o que eu vejo é que o meio de campo não ajustou. Tem que trazer alguém que fará esse trabalho de aproximação. Sem isso, é improvisação e bola parada.

NA: O clube perdeu peças importantes e não repôs a altura. Essa análise é justa?
VRA: Olha… nós tivemos decréscimo no quadro associativo [Nota do blog: o clube afirma ter 19 mil sócios adimplentes e 25 no total, com atraso], passamos esses primeiros meses com prejuízo. Mas veja, Emerson e Rafinha tiveram propostas e nós seguramos. É um esforço que o clube fez. O Grêmio trouxe o Kléber [Gladiador, que quebrou a fíbula] a 560 mil por mês e agora está seis meses fora.

NA: Nos bastidores, muito se falou em salários atrasados. É verdade?
VRA: Quando time não está bem, a primeira coisa é falar em salário atrasado. Não é o caso do Coritiba. No futebol funciona assim: você paga fevereiro até o fim de março. Eu pago primeiro os funcionários e vamos acertando o resto. Mas está tudo de acordo com o que combinamos com o grupo de atletas. Ontem (segunda, 26/03) eu saí da clínica [Vilson está em um tratamento de saúde] e fui direto pra lá. Sentamos com os jogadores, mostrei pra eles a confiança que eu tenho e a responsabilidade que eles tem. Eu disse a eles: quem não estiver satisfeito, não tem problema nenhum. Eu faço a rescisão e pode ir embora.

NA: E eles?
VRA: A conversa foi muito boa. Aqueles que não estiverem no ritmo do grupo nós vamos afastar. Discretamente, sem alarde. Tem gente que não aprendeu espírito de competição. Não adianta qualidade técnica se não tiver esse espírito.

NA: Quem? Existe indisciplina?
VRA: Acredite: não tem indisciplina. O problema é querer competir.

NA: A torcida vem pegando muito no pé do [técnico] Marcelo Oliveira…
VRA: Mandar o treinador embora é jogar para a torcida, tentar agradar. Eu não sou assim. Eu agrado às minhas convicções.

NA: Hoje saiu a informação de que Atlético e Coritiba irão a julgamento no TJD-PR pela medida de permitir uma só torcida no jogo da Vila Capanema. Você pretende repetir a medida no Couto Pereira? Como encara uma definição diferente das partes?
VRA: Se ele [Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético] não cumprir a palavra, eu não estou nem aí. Se quiser por 3 mil atleticanos lá, sem problemas. O estádio tem condições para atender as duas torcidas. O que eu tenho que fazer é por um time em campo pra ganhar o jogo. Mas estou vendo o que há de garantia com o Ministério Público, a polícia, o departamento jurídico… e se ele roer a corda, ficará feio pra ele.

NA: A relação entre você e Petraglia não está boa, pelo visto.
VRA: Eu disse a ele no começo do ano: “Paranaense, esqueça. Brasileiro, podemos pensar [sobre aluguel do Couto Pereira].” Aí estávamos conversando no Hotel Bourbon, eu estava negociando o Couto, mas recebi uma mensagem no meu celular. Ele estava com gente no Rio de Janeiro forçando a CBF a baixar o artigo 7º [artigo do RGC da CBF que dispõe da necessidade de empréstimo compulsório de estádios se a entidade requisitar]. Disse a ele na hora: esqueça, não quero mais negócio. Ele me disse: “então você me aguarde.” Ok, se é assim, tudo bem.

NA: E o estádio novo? Em que pé está?
VRA: Nada muito novo. Estamos negociando. Veja, o estádio do Grêmio levou quase 5 anos para ter tudo aprovado. Talvez até o final do mês a gente tenha alguma posição para levar ao conselho, mas ainda vai tempo.