‘Rei dos clássicos’, Fla quase dobra Timão em torcida visitante; e o seu time?

Torcida visitante do Flamengo divide Maracanã com a do Botafogo no clássico: nova casa desequilibrou

Depois da primeira parte do estudo sobre a presença de público visitante no Brasileirão, o blog avança sobre o tema e inclui os clássicos locais nos números. A exclusão anterior tinha um simples objetivo: apontar – em tese – qual torcida “viaja” mais para ver seu clube do coração. Com os números dos clássicos locais incluídos, a conta soma também os jogos em que a torcida visitante não precisa sair da sua cidade – exceção óbvia feita ao Santos. Novamente, deu Flamengo na ponta. No entanto, a grande novidade é o aumento da vantagem sobre o Corinthians. Se sem os clássicos apenas 76 torcedores flamenguistas a mais foram aos estádios como visitantes, em relação ao Timão, somando-se os derbies locais a vantagem fica enorme:

Valores apontam a média de presença de público visitante no Brasileirão 2013

Novamente, é necessário que se façam algumas ressalvas quanto ao estudo, tudo por conta da desorganização das federações locais nos borderôs. Os problemas são basicamente os mesmos apontados no texto anterior: a federação Mineira não discrimina o público visitante no Mineirão, o que excluiu todos os jogos com mando do Cruzeiro do estudo. Outras, como a Carioca, só passaram a discriminar o público visitante apenas na reta final do Brasileirão. Algumas federações que receberam jogos de outras praças, como a Catarinense e a Matogrossense não apontaram o valor. Novamente, vale o elogio às federações do Paraná e de São Paulo, as mais claras e transparentes em relação aos borderôs.

Borderô de Atlético x Coritiba: FPF dá bom exemplo no borderô

Dito isto, os números: talvez pela relação do novo Maracanã com o público carioca, enquanto que São Paulo ainda não tem suas novas arenas prontas – e muitos jogos foram mandados no interior, o Fla abriu enorme vantagem sobre o Timão ao se incluir os clássicos locais. Um detalhe importante, lembrado por alguns leitores: a carga de ingressos para visitantes nos clássicos em SP é de apenas 5%. A Fonte Nova, reformada, também abrigou bons públicos, em especial no Vitória x Bahia, que fez o Tricolor abrir boa margem em relação ao rival. Em Minas, só o público cruzeirense no clássico com o Galo foi computado. No jogo do Mineirão, ausência de dados. O mesmo vale para o Grenal da Arena Grêmio. O Atlético levou mais gente que o Coritiba quando visitante no clássico paranaense, mas, de fato, o público foi decepcionante nos dois jogos – o menor entre os seis principais clássicos estaduais. A exemplo de SP, o Paraná limita a carga visitante, mas a 10%.

Se o Fla é o time que mais arrasta torcida longe de seus domínios, o Goiás não tem o mesmo apelo longe do Serra. Com apenas 71 pessoas em média por jogo como visitante, nem a ótima campanha do Esmeraldino comoveu seu povo a seguir a equipe longe de Goiás.

O maior público visitante de todo o Brasileirão foi de 14.632 torcedores do Flamengo na 28a rodada, contra o Botafogo. O público total desta partida foi 31.720. No jogo, Fogão 2 a 1. O menor público visitante, exceção às atribuições de zero torcida – como especificado no texto anterior – foi de apenas 1 (um!) solitário torcedor da Portuguesa contra o Inter na 23a rodada e outro solitário torcedor do Criciúma contra o Coritiba na 35a rodada. Curiosamente, mesmo sem apoio de seus torcedores, Lusa (1-0) e Tigre (2-1) venceram estes jogos.

Nos 323 jogos computados nesse estudo (de 380 possíveis) a média de torcida visitante no Brasileirão 2013 foi de 852 pessoas. Seis times superaram essa expectativa: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco, Grêmio e Botafogo, a grande surpresa deste índice, se levarmos em consideração a última pesquisa nacional de torcidas, que coloca na mesma ordem os quatro primeiros colocados deste estudo, com o Grêmio em oitavo no geral e o Fogão apenas na 12a posição.

O blog ainda trará outros dois estudos sobre o público visitante do Brasileirão 2013 após os festejos de Natal. Fique atento e Feliz Natal!

Mais fiel que do Corinthians, torcida do Fla é maior visitante; veja o seu time e rivalidades locais

Qual a torcida que segue em toda a parte? A que nunca abandona, a mais fiel? Um estudo inédito feito pelo blog aponta a torcida que mais acompanhou o seu time longe de seus domínios durante o Brasileirão 2013. O resultado não chega a surpreender: excluindo os clássicos na mesma cidade (serão tratados a contento), por 76 torcedores em média por jogo, a torcida do Flamengo superou a fidelidade corintiana.

Cruzeirenses viajaram mais que atleticanos mineiros, gremistas acompanharam mais seu time do que colorados, coxas-brancas foram em maior número que atleticanos nos jogos longe do Paraná e por uma pequena margem a torcida do Bahia foi mais fiel que a do Vitória.

Aos números, no entanto, cabem algumas ressalvas. A primeira delas: a desorganização e falta de padrão dos borderôs emitidos pelas federações Brasil afora. Foram 323 borderôs pesquisados e revisados, dos 380 jogos disputados. Quase 20% das partidas não ofereceram estatísticas concretas de quantos visitantes estiveram nos jogos.

Desta forma, as equipes que tiveram mais jogos computados foram Criciúma (18 partidas) e Coritiba, Náutico, Goiás e Inter (17) enquanto as que tiveram menos jogos computados foram Flamengo, Fluminense, Santos e Portuguesa (13).

As piores federações ou estádios nesse controle são a Mineira, em relação ao novo Mineirão. Absolutamente todos os jogos com o Cruzeiro como mandante não oferecem a parcela de ingressos visitantes nos borderôs – algo a ser investigado? Além dela, a Carioca, que passou a fornecer os dados concretos apenas da metade para o fim do campeonato e as de Brasília, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso, que receberam partidas mas não discriminaram o público visitante. 

Alguns jogos, como Santos x Flamengo na primeira rodada, saíram da conta exatamente pelo motivo acima. É público e notório que a torcida do Fla esteve em maior número que a do Peixe, mas o documento oficial não separava números. Além disso, há exemplos como os abaixo:

Criciúma x Inter: espaço dos visitantes vazio no borderô

Vitória x Fluminense: nenhum tricolor no jogo? É o que diz a Federação Baiana, que ainda erra a palavra "Boletim"

No caso acima, por uma questão lógica, o estudo atribuiu valor zero ao número de torcedores do Fluminense no jogo contra o Vitória. Parece evidente – e os vídeos da partida mostram isso – que havia torcida do Flu na Bahia, mas não é possível supor um número e o documento oficial atribui zero aos visitantes. Isso aconteceu em outras 19 partidas. O Náutico esteve em três delas.

As federações do Paraná e de São Paulo são as mais objetivas e claras na discriminação dos ingressos de visitantes. A lista completa dos jogos excluídos da conta – incluíndo os clássicos não registrados – estará mais abaixo; amanhã, uma nova postagem incluirá na conta os clássicos registrados. Explica-se: o estudo divide-se as torcidas que viajam ver o time e as que vão em grande número nos clássicos locais. No primeiro caso (este post) vantagem para clubes como Goiás, Náutico e Ponte Preta, por exemplo, que não jogaram clássicos; no que virá, melhor para Flamengo e Corinthians. Os jogos dos paulistanos contra a Portuguesa foram considerados clássicos.

Na tabela abaixo, os números dos visitantes excluíndo os clássicos, no total e na média. O leitor poderá notar que certos clubes que jogaram clássicos não tem nenhum jogo computado no desconto; isso acontece por conta da ausência dos dados concretos no borderô emitido pela federação local – caso do Grenal da Arena Grêmio, por exemplo.

Eis. Divirtam-se nos comentários abaixo e aguardem o estudo de amanhã, incluindo os clássicos, que apresentará resultados ainda mais polêmicos:

 

Fla x Timão na ponta; Corinthians levou mais gente ao todo, sem clássicos, com um jogo a mais na conta

Jogos excluídos por falta de dados:

Santos x Flamengo
Botafogo x Santos
Flamengo x Ponte Preta
Atlético-MG x Grêmio
Botafogo x Cruzeiro
Flamengo x Náutico
Vasco x Atlético-MG
Cruzeiro x Corinthians
Cruzeiro x Inter
Vasco x Bahia
Cruzeiro x Náutico
Botafogo x Vitória
Flamengo x Atlético-MG
Cruzeiro x Coritiba
Flamengo x Portuguesa
Criciúma x Cruzeiro
Botafogo x Goiás
Cruzeiro x Santos
São Paulo x Atlético-PR
Flamengo x São Paulo
Cruzeiro x Vitória
Vasco x Corinthians
Flamengo x Grêmio
São Paulo x Fluminense
Cruzeiro x Vasco
Flamengo x Vitória
Goiás x Grêmio
Criciúma x Botafogo
Cruzeiro x Flamengo
Flamengo x Santos
Cruzeiro x Atlético-PR
Cruzeiro x Botafogo
Flamengo x Atlético-PR
Criciúma x Fluminense
Botafogo x Ponte Preta
Cruzeiro x Portuguesa
Cruzeiro x São Paulo
Criciúma x Portuguesa
Cruzeiro x Fluminense

Portuguesa x Flamengo
Botafogo x Atlético-MG
Cruzeiro x Criciúma
Criciúma x Ponte Preta
Cruzeiro x Grêmio
Cruzeiro x Ponte Preta
Cruzeiro x Bahia

E todos os clássicos regionais.

*Agradecimentos especiais a Thiago Fagury, Vinícius Paiva e Matheus Cajaíba pela colaboração.

 

 

O atalho mais fácil para a Libertadores mudou

Começou nesta terça (30) a Copa Sulamericana 2013, daqui por diante, “o atalho mais fácil para a Libertadores”. Pelo menos é essa a expectativa de nove clubes brasileiros, com a mudança no regulamento que integrou os times da Libertadores à Copa do Brasil, tornando o antigo atalho mais espinhoso. Clubes da Série A, como Coritiba, Ponte Preta, Bahia e Vitória foram surpreendidos por Nacional do Amazonas (eliminou os dois primeiros), Luverdense-MT e Salgueiro-PE, equipes que estão nas Séries D e C do Brasileirão. Como prêmio de consolação, entraram na Sulamericana 2013 – bônus que atingiu até mesmo o Sport, hoje na Série B nacional.

Depois que a bola rolar nesta terça para Liga de Loja, do Equador, e Deportivo Lara, da Venezuela, a teoria poderá se tornar prática. Apesar da imensa maioria dos nomes da Sula assustarem menos os participantes do que equipes como o campeão da Libertadores Atlético-MG, do Mundial, Corinthians e o líder do Brasileirão, Cruzeiro, entre outros, não só de coadjuvantes é feita a competição dois da Conmebol. Na tabela abaixo, você pode ver os cruzamentos possívels até a decisão.

Equipes como o River Plate da Argentina (há também o River uruguaio nessa competição), os também argentinos Vélez e Lanús, a Universidade Católica do Chile, o Atlético Nacional da Colômbia, o Cerro Porteño do Paraguai e o Peñarol, do Uruguai, são tão postulantes ao título quanto os brasileiros. Outros ilustres desconhecidos, como o impagável El Tanque Sisley do Uruguai, o Deportivo Pasto da Colômbia ou o Inti Gás, da empresa peruana fornecedora de gás combustível, deixam a Sulamericana com a cara de uma grande competição entre bairros.

É grande a chance de um brasileiro estar na decisão, mas dependerá de Ponte ou Criciúma (quem avançar no duelo interno) fazer a primeira final nacional no torneio, que já teve dois brasileiros campeões: Inter, em 2008, e São Paulo, o atual detentor do título – que por isso entra diretamente nas oitavas de final. O Tricolor Paulista poderá encarar Bahia ou Portuguesa nas quartas. Baianos e paulistas têm na mesma chave o Atlético Nacional da Colômbia, campeão da Libertadores em 1989 e foi 12o no último campeonato colombiano – o Clausura 2013 acabou de começar.

O surpreendente clássico pernambucano na Sula pode definir um semifinalista contra outro brasileiro. Sport e Náutico se encontram no torneio sulamericano depois de o Timbu comemorar muito a vaga internacional no jogo do Brasileiro 2012 que definiu o rebaixamento rubro-negro. Quis o regulamento que os times se reencontrassem justamente na volta do Náutico à uma competição da Conmebol depois de 45 anos. Quem avançar, tem como mais tradicional possível adversário na chave o Barcelona de Guayaquil. Para que as quartas tenham duelos brasileiros, Coritiba ou Vitória devem superar equipes de menor expressão, naquela que pode ser considerada a chave mais fácil dos brasileiros na disputa. Coxa e Leão já se enfrentaram na Sulamericana. Em 2009, uma vitória por 2-0 pra cada lado, em casa, e o Vitória avançou nos pênaltis. Se o Coxa passar e encontrar o Barça equatoriano, reedita um confronto da Libertadores 86, quando foi 7o colocado.

Do outro lado, Ponte Preta ou Criciúma tem vida indigesta até uma eventual final. Quem passar, pode pegar o Colo-Colo nas quartas. O time chileno, campeão da Libertadores em 1991, foi 10o no Torneio “Transición”, que fez com que o calendário chileno se adequasse ao europeu. A nova competição começou no dia 27/07 – e o Colo-Colo perdeu na estreia, 0-4 para o Audax Italiano. Depois o caldo pode engrossar ainda mais, com possibilidades de confrontos com o também chileno Cobreloa, o tradicional uruguaio Peñarol ou o argentino Vélez Sarsfield.

Copa Sulamericana e Copa do Brasil, já há algum tempo, são tratadas apenas como um atalho para a Libertadores, o que é um equívoco. Vale sempre lembrar que vale taça continental e também duas vagas: uma para a Recopa Sulamericana, contra o Atlético-MG em 2014, e uma disputa intercontinental, a Copa Suruga, que opõe o vencedor da Sula ao da Liga Japonesa. E taça no museu é o que interessa, afinal.

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Abrindo o Jogo da Série A – Guia 2013

Leia também o Guia da Série B 2013 clicando aqui.

É sábado, 26 de maio. Lá por setembro, você mal lembrará que foi campeão ou que perdeu o estadual, estará completamente mergulhado na Série A do Brasileiro. Depois de cinco meses de espera, vai começar o principal campeonato do Brasil. E nesse ano com uma paradinha para a Copa das Confederações. É o último Brasileirão pré-Copa, o 11º da era dos pontos corridos. Cada vez mais os clubes já sabem o que podem e o que não podem. E algumas realidades ainda vão mudar depois da Copa.

Num exercício de futurologia, o blog dá a cara a tapa e se propõe a prever o que cada time pode fazer no Brasileirão. Não é chute – bem, talvez um pouquinho – mas sim uma leitura com base em tudo o que foi apresentado até aqui. Dividi os clubes em quatro categorias: candidatos ao título, Libertadores, Sulamericana* (também chamada de zona neutra) e rebaixamento. Vamos lá?

*Os critérios da classificação para a Sulamericana mudaram, mas, por convenção, deixei a “área” com esse nome. Se preferir, chame de “limbo”.

Título: Corinthians, Fluminense, Atlético Mineiro e Botafogo.

Corinthians:

O Corinthians é ainda o melhor time do Brasil. É o mais entrosado, com o melhor elenco (mesmo que perca Paulinho), o que pode fazer contratações de peso a qualquer momento, incluindo desfalcar adversários. Campeão Paulista, o Timão entrará no Brasileiro sendo o alvo, mesmo depois de ter caído na Libertadores. E certamente irá querer provar isso.

Destaque: Tite, o comandante
Ponto forte: Elenco e entrosamento
Ponto fraco: ataque e guerra de vaidades – até aqui, bem controlada
No Brasileirão: Cinco títulos (último em 2011)
Em 2012: 6º colocado

Veja o goleiro Cássio falando dos favoritos para o Brasileirão:

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Fluminense:

Tudo que vale para o Corinthians vale para o Flu, mas em um pequenino nível abaixo. É o atual campeão brasileiro, segue na Libertadores (ao menos enquanto escrevo esse texto, antes dos jogos contra o Olímpia-PAR) e tem entrosamento, comandado ainda por Abel Braga. Lhe falta elenco e estrutura, em relação ao Timão. Corinthians e Flu, aliás, era a disputa mais esperada do BR-12, mas por outras prioridades, não ocorreu. Esse ano vai?

Destaque: Fred, o artilheiro
Ponto forte: Elenco e entrosamento
Ponto fraco: defesa e concentração
No Brasileirão: Três títulos (último em 2012)
Em 2012: 1º colocado

Atlético Mineiro:

Bernard deve ir ao Borussia Dortmund e isso certamente será um desfalque pesado. Mas o bicampeão mineiro entra no Brasileirão com uma alta expectativa e seu mais novo aliado: o Estádio Independência, pertencente ao América-MG, que, reformado, tem sido um caldeirão para o Galo. Ronaldinho alegre e motivado conta com a melhor dupla de volantes do Brasil, um bom ataque e um bom goleiro para brilhar.

Destaque: Ronaldinho, o gênio
Ponto forte: velocidade e mando de campo
Ponto fraco: concentração e atitude longe de MG
No Brasileirão: Um título (último em 1971)
Em 2012: 2º colocado

Botafogo:

Para muitos, será surpresa o campeão carioca entre os postulantes ao título; para quem viu os jogos do Fogão de Seedorf, nem tanto. O Botafogo é um time bem armado por Osvaldo de Oliveira, que marca muito e sai em velocidade. Tem uma grande liderança em campo, você sabe quem. Resta saber se terá fôlego financeiro e deixará a pecha de amarelão, carregada em épocas anteriores, ao longo de 38 rodadas.

Destaque: Seedorf, o maestro
Ponto forte: velocidade e marcação
Ponto fraco: mando de campo e elenco
No Brasileirão: Um título (último em 1995)
Em 2012: 7º colocado

Ouça Seedorf falando sobre o desempenho do Botafogo no ano até aqui:

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Libertadores: Grêmio, São Paulo e Internacional.

Grêmio:

Seja com Renato Gaúcho – especulado no Sul – seja com a manutenção de Vanderlei Luxemburgo, o Grêmio chegará forte para esse Brasileirão. O elenco, montado para a Libertadores, terá que dar a resposta no Nacional. Se Luxa ficar, terá que vencer a resistência de boa parte da torcida e da imprensa, que é extremamente crítica com o treinador.

Destaque: Zé Roberto, o incansável
Ponto forte: potencial de ataque
Ponto fraco: defesa e falta de identidade com a Arena Grêmio
No Brasileirão: Dois títulos (último em 1996)
Em 2012: 3º colocado

Ouça Barcos em apoio a Luxemburgo para seguir no Campeonato Brasileiro:

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São Paulo:

O Tricolor Paulista tem muito em comum com o Gaúcho: um elenco bom, mas que não deu resposta, mesmo sendo forte e um técnico questionado no banco. Ney Franco terá a missão de achar um jeito de colocar Jadson e Ganso juntos, além de domar o gênio de Luís Fabiano. Se conseguir, o São Paulo pode chegar à Libertadores. Senão, é daqui pra baixo.

Destaque: Jadson, o assistente
Ponto forte: meio de campo e estrutura
Ponto fraco: disciplina e estima
No Brasileirão: Seis títulos (último em 2008)
Em 2012: 4º colocado

Ouça Ney Franco falando em reciclar o São Paulo para o Brasileirão:

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Internacional:

O Inter fecha o time dos que podem até sonhar com o título e chegar a Libertadores sem grandes surpresas. Deve perder Leandro Damião, mas manterá D’Alessandro, Forlan e o técnico Dunga, que com o tricampeonato gaúcho, levantou a primeira taça em clubes. Além de tudo isso, pode trazer Robinho e Júlio Baptista. Só que terá que jogar em Caxias do Sul, longe do Beira-Rio, em reforma para a Copa.

Destaque: D’Alessandro, o hermano
Ponto forte: ataque e marcação
Ponto fraco: defesa e instabilidade
No Brasileirão: Três títulos (último em 1979)
Em 2012: 10º colocado

Sulamericana*: Cruzeiro, Coritiba, Flamengo, Atlético Paranaense, Criciúma, Vitória, Goiás e Ponte Preta.

Cruzeiro:

A Raposa abre a lista dos que devem ficar no meio da tabela, mas tem boas possibilidades de chegar mais acima. Montou uma equipe rápida, como jovens valores (como Éverton Ribeiro) e jogadores experientes (Borges, Diego Souza, Dagoberto). A jóia da coroa foi tirar Dedé do Vasco, um ano antes da Copa, quando o zagueiro tem que jogar tudo e mais um pouco para ser lembrado. Conta com Marcelo Oliveira no banco, um bom técnico, mas tímido na postura em campo. Pela primeira vez em muitos anos, inverte papéis com o Galo, ficando à sombra do rival.

Destaque: Dedé, o xerifão
Ponto forte: velocidade
Ponto fraco: falta ousadia e pode ter problemas de disciplina
No Brasileirão: Um título (último em 2003)
Em 2012: 9º colocado

Coritiba:

O Coxa vem cercando um título nacional há algum tempo, mas nas duas chances recentes que teve, bateu na trave – na Copa do Brasil. Por isso, para o Brasileirão, apostou na volta do ídolo Alex, na manutenção de Deivid, Rafinha e o ótimo goleiro Vanderlei e na chegada de Botinelli, que se machucou e não atuou na conquista do tetra estadual, em que o time foi muito irregular. O Coxa tem uma arma no mando de campo, mas também pode pagar pela juventude do técnico Marquinhos Santos (34 anos).

Destaque: Alex, o ídolo
Ponto forte: mando de campo e meio de campo
Ponto fraco: laterais e volantes
No Brasileirão: Um título (último em 1985)
Em 2012: 13º colocado

Flamengo:

O Flamengo foi um fiasco no Carioca, mas apostou no técnico Jorginho para remontar o time para o Brasileirão. O ex-auxiliar de Dunga recebeu jogadores que tem bom nível, mas sempre ficaram no “quase”: Carlos Eduardo, Elias, Renato Abreu, Léo Moura, Marcelo Moreno. Com o clube mais preocupado em arrumar a casa, com a nova diretoria, o Fla não corre riscos, mas será surpresa se chegar mais além.

Destaque: Rafinha, o prata da casa
Ponto forte: experiência
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: Seis títulos* (último em 2009)
Em 2012: 2º colocado
*contando a Copa União de 1987

Veja a análise de Léo Moura sobre a ausência do Flamengo nas finais do Carioca:

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Atlético Paranaense:

O Atlético pode ser a grande surpresa deste Brasileirão, tudo por conta de uma estratégia inédita: uma (exagerada) pré-temporada de praticamente 5 meses. O Furacão ignorou solenemente o Estadual, jogando com um elenco só de garotos com menos de 23 anos (ainda assim, foi finalista) enquanto disputou um torneio na Europa e amistosos. Manteve a base do acesso na Série B-12, revelou jogadores interessantes e trouxe até um ex-Barcelona: Frán Mérida, que também passou pelo Arsenal. Mas ainda é Paulo Baier quem manda no time, que não tem o caldeirão da Baixada, em reforma para a Copa.

Destaque: João Paulo, o motorzinho
Ponto forte: velocidade e entrosamento
Ponto fraco: elenco mediano e falta de mando de campo
No Brasileirão: Um título (último em 2001)
Em 2012: 3º colocado na Série B

Ouça o diretor de futebol do Atlético, João Alfredo, falando sobre o Brasileirão:

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Criciúma:

O campeão catarinense não fará feio na sua volta à Série A. O Tigre conta com a base que subiu em 2012, mas perdeu o atacante Zé Carlos, o Zé do Gol. Conta com jogadores conhecidos no elenco: os atacantes Marcel e Tartá, o zagueiro Thiago Heleno e o meia Daniel Carvalho. No banco o técnico Vadão, que deve armar os ferrolhos de sempre.

Destaque: Tartá, o ousado
Ponto forte: estrutura e mando de campo
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: 14º em 2003
Em 2012: 2º colocado na Série B

Vitória:

O Leão entra animado no Brasileirão, muito por conta das duas goleadas históricas no rival Bahia que renderam a conquista do Estadual. Mas é pouco: o rubro-negro precisa se reforçar para dar ao bom técnico Caio Jr. condições de sonhar mais. O ambiente político também não deve ajudar o Vitória, que nos bastidores vê a guerra entre o atual presidente, Alexi Portela Jr., e Paulo Carneiro, que quer voltar ao clube.

Destaque: Dinei, o matador
Ponto forte: marcação
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: vice-campeão em 1993
Em 2012: 4º colocado na Série B

Goiás:

A base que ganhou o bicampeonato da Série B e a manutenção do técnico Enderson Moreira são os trunfos do Goiás para impedir um “bate-e-volta” para a Série B. O clube, um dos mais bem estruturados do Brasil, vai brigar contra a queda, mas tem potencial para safar-se com facilidade do risco e garantir-se na Sulamericana 2014. As “eternas promessas” Dudu Cearense e Renan Oliveira comandam o meio campo.

Destaque: Harley, o eterno
Ponto forte: entrosamento
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: Terceiro lugar em 2005
Em 2012: 1º colocado na Série B

Ponte Preta:

A Ponte comemora o título de melhor do interior paulista (mesmo sem sê-lo, pois o Mogi Mirim foi semifinalista) que, de certa forma, atesta o bom momento do clube. Para o Brasileirão, a aposta na Macaca é humilde: chegar à Sulamericana. A vantagem do clube é a sequencia de trabalho, desde a época de Gilson Kleina, hoje no Palmeiras.

Destaque: Alemão, o gingado
Ponto forte: entrosamento
Ponto fraco: poderio financeiro para reforçar/manter peças
No Brasileirão: Terceira em 1981
Em 2012: 14ª colocada

Rebaixamento: Santos, Vasco, Náutico, Portuguesa e Bahia.

Santos:

Se enquanto você lê este texto Neymar ainda for jogador do Peixe, ignore as chances de risco e coloque o Santos entre Cruzeiro e Coritiba. Neymar é mais que meio time, que ainda não viu Montillo decolar e conta com a má-fase pessoal de Muricy Ramalho, que passou por problemas de saúde e não conseguiu dar padrão ao Peixe 2013. Caso Neymar realmente tenha deixado o clube, se você for santista, prepare-se: o ano será longo. O elenco envelhecido e os reforços que não emplacaram são os principais rivais do time do litoral paulista. O risco realmente existe.

Destaque: Neymar, o desejado
Ponto forte: Neymar, o craque
Ponto fraco: o resto do elenco, com raras exceções (Arouca, Miralles e – talvez – Montillo)
No Brasileirão: Dois títulos (último em 2004)
Em 2012: 8º colocado

Ouça Muricy Ramalho falando sobre a possível perda de Neymar:

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Vasco:

A nau de Paulo Autuori está ameaçada de afundar. O Vasco vive um momento duríssimo, após um Cariocão frustrante, com problemas financeiros e jogadores que deixaram o clube. A aposta foi feita, dentro dos padrões do clube, em um elenco modesto e na manutenção de três nomes: Bernardo, Carlos Alberto e Eder Luis. A esperança vascaína está neles e na camisa.

Destaque: Bernardo, o rebelde
Ponto forte: camisa
Ponto fraco: elenco mediano, dificuldades financeiras e possibilidades de indisciplina
No Brasileirão: Quatro títulos (último em 2000)
Em 2012: 5º colocado

Náutico:

O Timbu é mais um candidato ao rebaixamento, após um estadual ruim, em que foi obrigado a disputar desde o começo enquanto os rivais jogavam a Copa do Nordeste – culpa do próprio clube, que não se classificou para o Regional. Perdeu tempo, dinheiro e parâmetro, saindo derrotado dos clássicos com Santa Cruz e Sport. O técnico Silas vai ainda pegar um time que não contará (a princípio) com o caldeirão dos Aflitos, já que o clube passará a jogar na Arena Pernambuco.

Destaque: Rodrigo Souto, o destaque
Ponto forte: único time pernambucano na Série A
Ponto fraco: elenco fraco e adaptação ao novo estádio
No Brasileirão: Sexto em 1984
Em 2012: 12º colocado

Portuguesa:

A Lusa chega a Série A depois de conquistar a Série B… do Paulista. O time, em 2012, conseguiu a proeza de se manter na elite nacional e cair no estadual. Assim sendo, perdeu em atratividade, competitividade e, claro, dinheiro para a disputa do Brasileirão. O elenco é formado por jogadores que conseguiram o título da Série A2 e buscam um lugar ao Sol – o que pode ser um trunfo, afinal.

Destaque: Souza, o polêmico
Ponto forte: vontade
Ponto fraco: elenco desconhecido e falta de parâmetro de competição
No Brasileirão: vice-campeã em 1996
Em 2012: 16º colocado

Bahia:

A previsão para o Bahia é a mais negra possível neste início de Brasileirão. A estreia na nova casa não poderia ser pior e a Fonte Nova custou dois técnicos em menos de dois meses ao Tricolor, que vive crise política, econômica e moral, com o rompimento com a torcida. O elenco é recheado de jogadores rodados, como Titi, Souza, Fahel, Toró e outros mais. A curiosidade é contar com o americano Freddy Adu, que foi tratado como “novo Pelé” quando jovem, e chegou na troca por Kléberson com o Philadelphia Unión.

Destaque: Obina, o Eto’o
Ponto forte: sua torcida
Ponto fraco: elenco fraco, clube rachado, ambiente instável
No Brasileirão: Um título (último em 1988)
Em 2012: 15º colocado

Veja o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, falando sobre a crise no clube:

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Os acessos do Atlético

Se derrotar o Criciúma nesse sábado e São Caetano ou Vitória não vencerem, o Atlético conseguirá pela terceira vez na história um acesso da Série B para a A.

O Furacão disputou a segundona em cinco oportunidades, mas até 1988 o Campeonato Brasileiro era feito à base de convites conforme o desempenho nos campeonatos estaduais. Por isso não há como mensurar a participação em 1980 e em 1982, temporada esta em que disputou jogos na “B” e na “A”. Depois do rompimento do Clube dos 13 com a CBF e a divisão entre Brasileirão e Copa União em 1987, os clubes conversaram e, viradas de mesa a parte, o campeonato nacional passou a ter um sistema de acesso e descenso.

Em 1990, depois de ter sido rebaixado em 1989 pela única vez em campo (até 2011), o Atlético chegou à decisão da Série B contra o Sport Recife. O time campeão estadual tinha Marolla, Odemílson, Valdir e Dirceu, entre outros. Kita (foto acima), destaque em 1986 pela Inter de Limeira campeã paulista, chegou para reforçar o elenco que superou o Operário de Ponta Grossa, a Catuense e o Criciúma na fase semifinal.

A vaga na elite veio coincidentemente com uma vitória sobre o Tigre, 1-0, no Pinheirão, na penúltima rodada.Na decisão, dois empates com o Sport: 1-1 em Curitiba, com uma falha de Toinho no gol pernambucano e 0-0 no Recife. O vice-campeonato à época foi lamentado pelo atleticanos, que viam o Coritiba ser o único campeão brasileiro no Paraná até então.

Diário de Pernambuco destaca o título do Sport sobre o Atlético em 1990

O Atlético seguiria na elite brasileira até 1993, quando a CBF, numa manobra para salvar o Grêmio, então na segunda divisão, “subiu” 12 equipes da segunda para a primeira divisão. Atlético e Goiás, salvos pela classificação na A em 1992, e Paraná e Vitória, campeão e vice na B-92, foram jogados para um grupo secundário dentro da elite, com 16 clubes, dos quais 8 seriam rebaixados. O Grêmio, claro, mesmo sem critério técnico, foi colocado no grupo dos blindados. O Atlético-MG, lanterna no geral em 93, também, evitando a queda. O Paraná se salvou, o Coritiba não, tampouco o Furacão.

Por isso, o Atlético disputou a Segundona em 94, quando caiu na semifinal para o Juventude, e em 1995.

O time campeão de 1995, com Paulo Rink, Oséas, Ricardo Pinto e outros, comandado por Pepe, subiu fora de casa

Naquela temporada o Atlético tinha um jejum de 5 anos sem título estadual e estava em situação financeira delicada. A velha Baixada tinha se tornado a “Baixada do Farinhaque”, com uma reforma que tirou o Furacão do Pinheirão. E, numa páscoa inesquecível para o futebol paranaense, o Coritiba de Brandão fez 5-1 no Atlético e gerou uma revolução no Rubro-Negro. O time iniciou a Série B mal, perdendo em Goiatuba por 2-0 para o time local. Mas foi se encontrando até ficar com o título, após vencer o Central de Caruaru por 4-1 na Baixada e contar com um tropeço do Coxa, que ficaria como campeão se vencesse em Mogi-Mirim (1-1). Ambos subiram. O acesso atleticano também foi em Mogi-Mirim, com uma vitória por 1-0, na primeira rodada do returno do quadrangular final.

Sobe ou não sobe?

Foto: Geraldo Bubniak

Paulo Baier está pensativo na foto. Não é pra menos. O Atlético, nas 11 rodadas que restam, terá que se apegar a calculadora.

Não, a situação não é desesperadora – ainda. É “apenas” preocupante e é também fruto de escolhas anteriores. Que não voltam mais e nem respondem a pregunta chave do post: sobe ou não sobe?

Primeiro, é preciso assumir que o Vitória já tem uma vaga. Foi o melhor time da Série B ao longo da competição e, mesmo perdendo um pouco do pique nesse momento, tem tanta gordura que não fica fora da Série A. Restam, portanto, três vagas.

Três? Talvez duas. O Criciúma está bem na pontuação e dificilmente repita 2007, quando justamente na reta final patinou a ponto de sair da liderança para fora do G4.

Duas? Deixemos por uma. O Goiás tem jogado bem e já está a 7 rodadas no G4. Abriu frente de 5 pontos do 5o colocado, Joinville, e também não deve voltar a demonstrar queda. Oficialmente já se coloca como candidato ao título.

A média de pontos histórica pro acesso é de 64; sete para o Vitória, nove para o Criciúma, 12 para o Goiás, com 33 a serem disputados. Talvez a média suba um pouco, 65, 66. Mas é difícil imaginar esses três times não fazendo essa pontuação.

Para o matemático Tristão Garcia, do site Infobola, 10 times estão na briga:

Clique na imagem para ver outros números no site

Atrás na tabela, o Atlético aparece a frente do Joinville nas chances calculadas pelo matemático. Isso porque a fórmula usada cruza os resultados dentro e fora de casa, com uma média projetada de pontuação. Estima-se, portanto, que o Furacão faça mais pontos que o JEC, mas menos que o São Caetano.

Cada jogo é um jogo, futebol é uma caixinha de surpresas, blablabla e outros Bragantinos podem aparecer no caminho não só do Atlético, mas de São Caetano e Joinville. Depois do Fluminense 2009, é impossível até mesmo desprezar os Américas. Mas a briga deve mesmo se restringir a paulistas, catarinenses e paranaenses.

Tenho visto mais jogos do Joinville por conta da programação da TV. O JEC tem um bom time, que joga em cima do adversário em casa (com uma média ótima de 10 mil pessoas por jogo) e marca forte fora. Perder Tiago Real não fez diferença significativa. Lima, o artilheiro do time, é um atacante que qualquer equipe gostaria de ter.

Vi pouco o São Caetano. Pela oscilação em parte do campeonato, achei que iria cair na tabela. Não o fez. Contra o Paraná perdeu em um jogo equilibrado. O Tricolor fez a diferença em casa. Leão mantém o estilo de montar equipes que ocupam espaços no campo de defesa, jogando compactadamente. O São Caetano não tem torcida e até imaginava-se não ter dinheiro, especialmente em um ano político. Mas está indo bem.

O Atlético oscila demais. Faz belas partidas (Barueri, CRB e, mesmo com a derrota, contra o Goiás) e outras péssimas, como a com o Bragantino. É o preço a se pagar por um trabalho recente e um time jovem. A demora da diretoria a trazer reforços custa caro na tabela. Depois das chegadas de dois laterais, um volante, dois meias e um atacante (6 jogadores) o time andou. O Atlético também demorou pra achar uma casa. E isso faz tanta diferença que é o trunfo do Joinville. E é a barreira a ser quebrada para o acesso.

O Furacão tem melhor aproveitamento dentro que fora de casa. Melhor inclusive que o São Caetano, mas inferior ao do Joinville – que, por sua vez, vai muito mal fora de casa, pior que o time paranaense. Só que a tabela prevê jogos chave para o Atlético na casa dos adversários.

A próxima rodada (28a), por exemplo, prevê jogo duro para o Atlético, contra o América-MG, enquanto o JEC pega o Barueri fora e o São Caetano recebe o Guaratinguetá. Um erro contra o Coelho e a tendência é que os rivais abram vantagem.

Na rodada seguinte, o Joinville recebe o Azulão e o Atlético vai ao Frasqueirão pegar o ABC. De novo, tem que vencer a qualquer preço, pois qualquer resultado em SC é ruim. Se o JEC vence e mantém a frente que tem, não pode ser alcançado mais em confronto direto; se dá Sanca, o confronto direto existe, mas no Anacleto Campanella – de boas lembranças para o atleticano, mas em outros tempos.

Jogar fora de casa é mesmo o calo atleticano. Vitória, São Caetano e Criciúma (os dois últimos garantidamente confrontos diretos) serão em território adverso. Jogos daqueles “vencer ou vencer”. A Série B 2012 está com erro quase zero – e dos três citados, em casa, o Atlético só venceu o Tigre.

O São Caetano também tem jogos duros fora de casa. Vitória e Criciúma, por coincidência. O Goiás visitará o ABC. Aos atleticanos, a torcida pelos que estão em cima já é válida. É melhor que disparem. O Joinville tem o clássico com o Criciúma fora, mas pega o Vitória em casa. E na última rodada, o Goiás no Serra Dourada – enquanto o Atlético tem um Derby e o Azulão joga em Campinas, com o Guarani.

Em síntese, o Rubro-Negro só sobe se melhorar fora de casa e vencer o confronto direto com o São Caetano, procurando ao menos não perder para Vitória e Criciúma. Para isso, precisa melhorar o comportamento em relação ao que aconteceu em Bragança Paulista.

  • E se não subir?

A diretoria atleticana evita falar em fracasso em 2012. No começo do ano, até se culpava mais a gestão passada pela má fase, mas hoje essa não cola mais. Não que não havia fundamento; havia. Mas houve tempo o suficiente para mudar o quadro. Se não subir, a culpa é da diretoria. Se subir, oras, o mérito também será. Dessa responsabilidade ninguém escapa – só as escolhas é que deveriam ter sido feitas antes.

Enfim, não será o fim do mundo para o clube, mas será muito ruim. A construção do estádio projeta ao Atlético um futuro muito bom com ou sem Série A em 2013. Vai se machucar o orgulho novamente, mas é do futebol.

O comparativo que eu faço é com aquele aluno que reprovou a 5a série. É um atraso de vida. Ficou pra trás dos coleguinhas, passou de novo por tudo que já deveria ter sido superado, levou bronca dos pais e ouviu sarro dos amigos. Mas não morreu por isso. Nem deixará poder de ter um bom emprego no futuro e tocar a vida. Vai se arrumar, mas com atraso. O que já é ruim e se agrava no caso de se relembrar que é o clube com maior arrecadação na bezona. É tipo filho de rico reprovando –  só não pode ser mimado o suficiente pra achar que as coisas vão vir na mão.

O erro de Vinícius

E se fosse outro goleiro que tivesse protagonizado o lance incomum em Criciúma 1-2 Atlético? Fiquei pensando nisso após o fim da partida. Se não fosse Vinícius que estivesse no gol, será que a reclamação seria unânime na hora do lance? Será que a grita dos torcedores e de grande parte da imprensa local seria diferente? Pra mim, sim.

Vinícius é estigmatizado por aqui. Tudo ainda por um erro de quatro anos atrás, que custou ao Atlético o título paranaense contra o Coritiba. Na época, 2008, um choque entre Vinícius e o então zagueiro Danilo proporcionou que Henrique Dias descontasse para o Coxa, que havia vencido o jogo de ida por 2-0. O gol de HD deixou o placar em 2-1. O Atlético venceu, mas não levou. E Vinícius ficou marcado para sempre.

Sem carregar a mesma cruz nacionalmente, a análise da imprensa nacional foi mais objetiva: o árbitro José de Caldas Souza (DF) errou grosseiramente. “Erro primário”, analisou Leonardo Gaciba, ex-árbitro e comentarista de arbitragem do SporTV. No lance, o auxiliar Marrubson Melo Freitas levantou a bandeira na hora, mas Caldas bancou o lance e prejudicou o Atlético. Veja o lance, uma entrevista de Vinícius e a análise de Gaciba, no vídeo abaixo:

Por aqui, deu-se mais atenção à “mosqueada”de Vinícius. Eu, inclusive, tive dúvidas no lance, muito rápido. Mas admito que tive dúvidas na aplicação da regra, que na verdade não é nada interpretativa. É só ler o trecho abaixo, extraído do livro de regras do futebol da CBF:

O goleiro não deverá manter a posse da bola em suas mãos por mais de seis segundos. O  goleiro estará de posse da bola:

• enquanto a bola estiver em suas mãos ou entre sua mão e qualquer superfície (por exemplo: o solo, seu próprio corpo)

• enquanto segurar a bola em sua mão aberta estendida

• enquanto bater a bola no solo ou lançá-la ao ar

Quando o goleiro controlar a bola com suas mãos, nenhum adversário poderá disputá-la com ele.

Não há dúvidas: o árbitro errou gravemente e prejudicou o Atlético. É só rever o lance: Vinícius está com a mão estendida enquanto Zé Carlos retira a bola com a cabeça. Falta do atacante, que custou caro ao Furacão.

Sim, caro. Porque o time poderia ter conseguido a vaga para a outra fase da Copa do Brasil ainda ontem. Agora terá que disputar uma nova partida. Acredito que a vantagem de poder perder por 0-1, empatar e vencer, seja boa o suficiente para que o Atlético confirme a vaga, mas terá um desgaste de um jogo a mais na reta final do Paranaense. E qualquer jogo a mais, um cansaço a mais, no futebol moderno, é inchaço de calendário, dificuldade de recuperação, treinamento a menos. O Atlético deve cobrar da CBF uma postura contra a arbitragem.

Mas, e Vinícius? O goleiro foi condenado antes mesmo de uma noção maior das regras. “Vinícius não serve”, “Um erro infantil”, e outras críticas. E assim foi por 2008, não por 2012. Qualquer outro goleiro na meta e, estou convencido, todos seriam mais complacentes com o jogador e menos com o árbitro. O lance passaria de “duvidoso” para “absurdo”.

Vinícius não é o goleiro ideal para o Atlético. Ontem mesmo falhou em outros dois lances, uma furada com os pés em uma saída de bola no primeiro tempo e um “bate-roupa” no segundo,  do qual se recuperou a tempo. Mas ele deve ser julgado pelo que vem fazendo, não pelo que errou antes. O Atlético não precisa de um Barbosa* no gol.

Curiosidade

Foi impossível ver o lance e não lembrar da micagem de Rodolfo Rodrigues pelo Bahia, contra o Cruzeiro de Ronaldo, em 1993. Relembre o lance, validado pelo árbitro:

*Barbosa foi o goleiro da Seleção Brasileira de 1950, que perdeu a decisão para o Uruguai em um Maracanã lotado, 1-2. Ele fez parte de um dos mais vitoriosos times da história do Vasco, o Expresso da Vitória, seis vezes campeão carioca entre 1945 e  1958 e campeão do Sul-Americano 1948, o embrião da Taça Libertadores. Barbosa era um exímio goleiro, mas carregou por toda a vida o estigma de ter falhado no gol de Ghiggia, o do título uruguaio. A bola passou entre ele e a trave em um chute a queima-roupa. Mas a falha foi mesmo da zaga, que não fez a cobertura correra. Barbosa morreu em 2000 aos 79 anos, depois de, como ele mesmo dizia, “cumprir uma pena de 50 anos, maior que a de qualquer criminoso julgado pela Justiça no Brasil.”