Uruguai aposta em “1950 eterno” para surpreender Brasil

por Leonardo Bessa*

Monumento aos campeões de 50 em Montevidéu: feito eterno (Foto: divulgação)

O ano de 1950 é eterno para os uruguaios. Seja qual for o resultado deste novo confronto com o Brasil, nada mudará o feito. Mas alguns detalhes que reforçam a mística Celeste para a semifinal nesta quarta. No último grande torneio oficial disputado em terras brasileiras o Uruguai teve uma vitória como a de ontem, por 8-0. Foi contra a Bolívia. Depois, na final, todos sabem o resultado. Em 2001, na última vitória Celeste sobre o Brasil, o treinador verde-amarelo era… Luiz Felipe Scolari.

Magallanes marcou de pênalti na vitória por 1×0 no estádio Centenário. Além disso, outras vitórias marcantes aconteceram em 1980, na final do Mundialito, e em 1995, na final da Copa América, nos pênaltis. Apesar da recente má fase o Uruguai é o atual quarto colocado da Copa do Mundo e campeão da América, em 2011, batendo a dona-da-casa Argentina na semifinal e o Paraguai na decisão. É por essas e outras que acredito que a mística da Celeste vai reaparecer quarta-feira, no Mineirão. Minerazzo à vista?

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Se o maestro Oscar Tabárez, treinador da Celeste, pensa mesmo em vencer o Brasil, a parte tática precisa ser perfeita.Vamos aos fatos. Ele não vai tirar Diego Lugano do time. Apesar da pésssima fase, o capitão ainda tem muito prestígio com o chefe e os colegas, por tudo o que já fez pela seleção nacional. Isto posto, teremos Muslera, do Galatasaray, no gol, Lugano (Málaga) e Godín (Atlético de Madrid) no miolo de zaga e… uma série de interrogações. Na estreia, contra a Espanha, o time foi escalado num clássico 4-4-2, com Maxi Pereira, do Porto, e Martín Cacéres, da Juventus, nas laterais direita e esquerda, respectivamente. No meio os “mordedores” Diego `Ruso` Pérez, do Bologna, e Walter Gargano, da Inter de Milão, além dos meias `Cebolla` Rodríguez, do Atlético de Madrid, e Gastón Ramírez, do Southampton. Este, mais adiantado, na função de “enganche”. Na frente, `El Pistolero`, Luisito Suárez, do Liverpool, e `El Matador` Edinson Cavani, do Napoli. A atuação foi ruim. Pouca posse de bola, meio-de-campo sem criatividade e um gol solitário, de falta, no final do jogo, marcado por Suárez.

No segundo jogo, decisivo, contra a Nigéria, muitas mudanças. Três peças e o esquema. Táta González (Lazio), Arévalo Ríos (Palermo, ex-Botafogo) e Diego Forlán (Inter-RS) entraram nas vagas de Pérez, Gargano e Ramírez. O esquema passou a ser o 4-3-3, ousado, com Arévalo e Táta na contenção e Cebolla como “enganche”, abastecendo o “tridente” formado por Diego Forlán, artilheiro e melhor jogador da Copa de 2010, Luisito Suárez, vice-artilheiro do Campeonato Inglês, com 23 gols, e Cavani, artilheiro do Campeonato Italiano, com 29 tentos. A mudança surtiu efeito. Forlán deu o passe para o gol de Lugano, depois de rebote em um escanteio, e ele mesmo marcou o segundo, em grande jogada do tridente. Suárez roubou a bola no meio, acionou Cavani, que, de primeira, serviu o atacante do Internacional. Ele bateu de canhota, com força, vencendo o goleiro Enyeama. Foi o gol 34 do maior artilheiro da história Celeste, na noite em que completou 100 jogos com a mítica camisa.

Apesar da vitória contra os africanos, mais uma vez houve falhas. Cebolla não desempenhou como poderia o papel de meia de ligação. Lugano, apesar do gol, foi driblado facilmente por Obi Mikel, no lance do gol da Nigéria. Contra o Taiti poucas análises podem ser feitas. O time entrou com onze reservas, considerando a escalação da segunda partida. Vitória facílima, 8-0, com quatro gols de Abél Hernández, `la joya`, atleta do Palermo, e dois de Suárez, que entrou aos 25 do segundo tempo. O fato é que o time vem mal nas Eliminatórias Sul-Americanas, na quinta posição, com 16 pontos. Hoje, estaria na repescagem, para enfrentar Jordânia ou Uzbequistão. Os problemas vêm da insistência do “maestro” em nomes como o de Lugano, mal no PSG, pior no Málaga, e Gargano, que fez temporada ruim com a Inter de Milão. Um bom sinal foi a saída de Álvaro Pereira, da mesma Inter, do time titular. Loco Abreu deixou de ser convocado e Muslera parece estar recuperando a forma da Copa, quando brilhou nos pênaltis contra Gana.

Vencer o Brasil passa pela história e mística da Celeste, mas, acima de tudo, por uma boa organização, capaz de explorar o que o time tem de melhor, que é a velocidade do ataque. Ótimos finalizadores, eles podem decidir se forem bem municiados. E isso passa pelo bom trabalho do “enganche”. Pelas características mais ofensivas, Lodeiro está descartado. Tabárez pode insistir com Cebolla na função e apostar no “tridente”, apesar de já ter declarado que contra times mais fortes, como o Brasil, prefere ser mais cauteloso. Uma opção para isso, sem abrir mão do três homens de frente, é escalar Forlán na armação, mais recuado, municiando Cavani e Suárez. Cebolla e Ramírez iriam para o banco. A alernativa é boa, porque Forlán é tarimbado, joga no Brasil, e sabe atuar mais recuado. Para dar mais qualidade à saída de jogo, o treinador poderia colocar Eguren entre os titulares. O volante do Libertad tem bom passe e só entrou em campo ante os taitianos. Eu iria de Muslera, Maxi Pereira, Godín, Coates e Cáceres; Ruso Pérez, Eguren e Cebolla; Forlán, Cavani e Suárez. Acredito que Tabárez vá escalar Muslera, Maxi Pereira, Lugano, Godín e Cáceres; Ruso Pérez, Arévalo Ríos, Gargano e Forlán; Cavani e Suárez.

*Leonardo Bessa é jornalista, tem 29 anos, é fã de futebol uruguaio e acredita na mística da Celeste Olímpica.

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