Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

"Ronaldo, tu presta atenção que o caminho é esse..."

Não dá pra chamar de clamor popular – vide a votação entre os internautas do Terra na capa do site – mas boa parte da torcida brasileira e quase toda a crítica queria Ronaldinho na Seleção na Copa das Confederações. Me incluo entre os que davam isso como certo. Mas, passadas algumas horas da convocação, e ainda na repercussão da mesma, pondero: Felipão tem razão.

Ronaldinho encantou a torcida brasileira nos últimos jogos do Atlético-MG, em especial nos jogos no Independência contra São Paulo e Cruzeiro. Pelo Galo, vem sendo destaque desde o ano passado. Carentes de craques como estamos, os lampejos do gaúcho pelo time mineiro nos fazem lembrar do Dentuço do Barcelona ou então dos inúmeros craques da Seleção ao longo de sua vitoriosa história. Convenhamos, há muito que a Seleção não encanta, não empolga. E, de quebra, o gênio do futebol mundial atualmente veste azul e branco e fala espanhol.

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Mas na Seleção, Ronaldinho não rende. E não rende por duas razões, não sei qual a mais relevante. Primeiro, o esquema. O Galo joga por e para Ronaldinho. Sim, a movimentação de Bernard (viu como Felipão tem visto os jogos do Atlético-MG?) e Tardelli, o posicionamento de Jô e principalmente as roubadas de bola de Pierre e Leandro Donizete (alô, Felipão!) ajudam muito. Aliás, são elas que proporcionam que Ronaldinho não volte e não se desgaste tanto correndo. Felipão poderia ter levado meia jogada pronta direto das Alterosas. Mas não quis. A Seleção já tem seu craque do momento, Neymar, e nenhum esquema tem feito o menino do Peixe jogar como pode. Será que o técnico quer trabalhar em função de outro?

Em segundo lugar, Ronaldinho tem apenas 33 anos, mas já ganhou tudo o que tinha que ganhar. Inclusive, e principalmente, dinheiro. Ronaldinho já foi o melhor do Mundo, já foi campeão da Copa com gol importante, já brilhou em vários clubes. A Copa 2014, que poderia ter nele e em Kaká os líderes da Seleção, já não encanta mais. No Atlético-MG, a relação é diferente e ele mesmo já assumiu isso publicamente. O apoio da torcida do Galo a Dona Miguelina, mãe do R10, ganhou o jogador. Ronaldinho é humano, oras. Pode até não tem ambições profissionais, ao menos na Seleção, mas o apreço e sinergia com o Galo entraram pra valer na cabeça dele. E, motivado, ele tem feito a diferença. Faria na Seleção? O histórico recente mostra que não.

Assim, Felipão está certo. Leva quem quer comer grama, caso do amigo de Ronaldinho, Bernard. Aposta em Julio Cesar no gol, injustiçado por uma falha em 2010 como se aquele lance definisse sua carreira; aposta em Luiz Gustavo, que quer ser titular do Bayern de Munique, futuro melhor time do Mundo; em Jadson e Hulk, vitimas de preconceito de pseudo-intelectuais da bola, por circularem por mercados diferentes que Rio e São Paulo em boa parte da carreira (o meia do São Paulo tem que provar a cada dia que merece a 10 tricolor, mesmo depois de carregar Atlético e Shakhtar nas costas quando defendeu esses clubes). É a linha de trabalho dele, a família que tanto dizem.

Mas Felipão não fechou as portas em definitivo para Ronaldinho. Em entrevista exclusiva na TV Globo, disse que seguirá de olho em Ronaldinho e alguns mais. Esse “olho” inclui essa vontade que o meia tem mostrado no Galo mais do que supostos desvios extra-campo que ele possa ter. Um deles talvez tenha sido dizer que o Galo estava brincando na derrota para o São Paulo na primeira fase da Libertadores. Felipão não quer brincadeiras. Será ele o cobrado no caso de um novo Maracanazzo na história do Brasil.

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