Atletiba 354: a pressão é do Coritiba

Londrina e campo hostil? Atlético e rivalidade histórica? Só escolher.

O Atletiba 354 promete ser um dos melhores dos últimos tempos. Não faltam motivos pra isso: a invencibilidade recente (10 jogos no Paranaense, 12 no geral) do Atlético, com seu time de garotos, pegando um Coritiba reagindo depois de um segundo turno instável e com a oportunidade de ver Alex em campo. Rivalidade, história e até mesmo a Vila Olímpica, um dos estádios mais agradáveis de Curitiba (ainda que só para 8 mil pessoas, mas esse é outro papo), completam o cenário. Mas, de tudo isso, um elemento a mais põe fogo no duelo: o Coritiba, já garantido na final, tem remotas chances de conquista direta, com o título do segundo turno; entretanto, pode “escolher” o adversário da decisão, pois pegará os dois possíveis rivais em sequência: o Furacão e o Londrina.

A pressão em cima do Coxa é multipla: enfrenta um time inexperiente (mas perigoso), num clássico em que as camisas têm o mesmo peso e em um campeonato em que o presidente atleticano faz questão de menosprezar. De fato, tudo isso é apenas psicológico: a pressão mesmo no Coritiba é porque é dele que depende a definição do título estadual. Pode pegar um adversário perigoso, mordido, e sem vantagens de mando de campo; pode pegar o maior rival, que se tem um time jovem e está sem estádio, tem camisa. 

Em síntese: o Coxa depende apenas de si para facilitar a própria vida. Ou complicar.

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O Atlético tem 23 pontos, um a mais que o Londrina, vice-líder; o Coxa, terceiro, tem 18, cinco a menos que o maior rival.

Se vencer o Atletiba, o Coxa permite que o Londrina (que na rodada do clássico encara o 4o colocado J.Malucelli) ultrapasse o Rubro-Negro. O Tubarão é, atualmente, o melhor time do campeonato na soma dos turnos. Vice-campeão do 1o turno, o LEC tem os mesmos 45 pontos do Coxa no geral, mas uma vitória a mais. Na última rodada, Coxa e Londrina se enfrentam em Curitiba, enquanto o Atlético visita o bom – e perigoso – Operário, em Ponta Grossa. Em um cenário de vitória do Londrina, o Coxa jogará com o próprio, na última rodada, pelas vantagens na final. Vencendo novamente, ganha as vantagens contra qualquer rival – o Furacão passaria a precisar de uma vitória simples contra o Operário para vencer o turno; se não o fizer, o LEC leva, mas sem vantagens. Pode até ser campeão, se o Atlético perder para o Fantasma e o Londrina não tiver vencido o Jota.

Se o Atletiba terminar empatado, o Furacão pode perder a liderança para o Londrina, que por sua vez asseguraria as vantagens com uma vitória; aí o Coritiba teria que vencer também o Londrina na última rodada, torcendo para o Atlético derrotar o Operário. Desta forma, decidiria em casa na última partida. Mas pegaria o maior rival na final, com um time franco atirador.

O mesmo vale para uma vitória do Atlético no Atletiba 354. Se derrubar o rival, o Furacão ganha moral e bota ainda mais pressão no Coritiba, que passa apenas a assistir a decisão do turno. O Atlético, aliás, pode passar de azarão – pelo elenco Sub 23, nunca pela camisa – à campeao antecipado do turno: basta que o LEC perca para o J.Malucelli.

Agora, a grande pergunta: diante de tudo isso, existe como facilitar a vida dentro de um dos clássicos com mais rivalidade no Mundo?

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Sobe ou não sobe?

Foto: Geraldo Bubniak

Paulo Baier está pensativo na foto. Não é pra menos. O Atlético, nas 11 rodadas que restam, terá que se apegar a calculadora.

Não, a situação não é desesperadora – ainda. É “apenas” preocupante e é também fruto de escolhas anteriores. Que não voltam mais e nem respondem a pregunta chave do post: sobe ou não sobe?

Primeiro, é preciso assumir que o Vitória já tem uma vaga. Foi o melhor time da Série B ao longo da competição e, mesmo perdendo um pouco do pique nesse momento, tem tanta gordura que não fica fora da Série A. Restam, portanto, três vagas.

Três? Talvez duas. O Criciúma está bem na pontuação e dificilmente repita 2007, quando justamente na reta final patinou a ponto de sair da liderança para fora do G4.

Duas? Deixemos por uma. O Goiás tem jogado bem e já está a 7 rodadas no G4. Abriu frente de 5 pontos do 5o colocado, Joinville, e também não deve voltar a demonstrar queda. Oficialmente já se coloca como candidato ao título.

A média de pontos histórica pro acesso é de 64; sete para o Vitória, nove para o Criciúma, 12 para o Goiás, com 33 a serem disputados. Talvez a média suba um pouco, 65, 66. Mas é difícil imaginar esses três times não fazendo essa pontuação.

Para o matemático Tristão Garcia, do site Infobola, 10 times estão na briga:

Clique na imagem para ver outros números no site

Atrás na tabela, o Atlético aparece a frente do Joinville nas chances calculadas pelo matemático. Isso porque a fórmula usada cruza os resultados dentro e fora de casa, com uma média projetada de pontuação. Estima-se, portanto, que o Furacão faça mais pontos que o JEC, mas menos que o São Caetano.

Cada jogo é um jogo, futebol é uma caixinha de surpresas, blablabla e outros Bragantinos podem aparecer no caminho não só do Atlético, mas de São Caetano e Joinville. Depois do Fluminense 2009, é impossível até mesmo desprezar os Américas. Mas a briga deve mesmo se restringir a paulistas, catarinenses e paranaenses.

Tenho visto mais jogos do Joinville por conta da programação da TV. O JEC tem um bom time, que joga em cima do adversário em casa (com uma média ótima de 10 mil pessoas por jogo) e marca forte fora. Perder Tiago Real não fez diferença significativa. Lima, o artilheiro do time, é um atacante que qualquer equipe gostaria de ter.

Vi pouco o São Caetano. Pela oscilação em parte do campeonato, achei que iria cair na tabela. Não o fez. Contra o Paraná perdeu em um jogo equilibrado. O Tricolor fez a diferença em casa. Leão mantém o estilo de montar equipes que ocupam espaços no campo de defesa, jogando compactadamente. O São Caetano não tem torcida e até imaginava-se não ter dinheiro, especialmente em um ano político. Mas está indo bem.

O Atlético oscila demais. Faz belas partidas (Barueri, CRB e, mesmo com a derrota, contra o Goiás) e outras péssimas, como a com o Bragantino. É o preço a se pagar por um trabalho recente e um time jovem. A demora da diretoria a trazer reforços custa caro na tabela. Depois das chegadas de dois laterais, um volante, dois meias e um atacante (6 jogadores) o time andou. O Atlético também demorou pra achar uma casa. E isso faz tanta diferença que é o trunfo do Joinville. E é a barreira a ser quebrada para o acesso.

O Furacão tem melhor aproveitamento dentro que fora de casa. Melhor inclusive que o São Caetano, mas inferior ao do Joinville – que, por sua vez, vai muito mal fora de casa, pior que o time paranaense. Só que a tabela prevê jogos chave para o Atlético na casa dos adversários.

A próxima rodada (28a), por exemplo, prevê jogo duro para o Atlético, contra o América-MG, enquanto o JEC pega o Barueri fora e o São Caetano recebe o Guaratinguetá. Um erro contra o Coelho e a tendência é que os rivais abram vantagem.

Na rodada seguinte, o Joinville recebe o Azulão e o Atlético vai ao Frasqueirão pegar o ABC. De novo, tem que vencer a qualquer preço, pois qualquer resultado em SC é ruim. Se o JEC vence e mantém a frente que tem, não pode ser alcançado mais em confronto direto; se dá Sanca, o confronto direto existe, mas no Anacleto Campanella – de boas lembranças para o atleticano, mas em outros tempos.

Jogar fora de casa é mesmo o calo atleticano. Vitória, São Caetano e Criciúma (os dois últimos garantidamente confrontos diretos) serão em território adverso. Jogos daqueles “vencer ou vencer”. A Série B 2012 está com erro quase zero – e dos três citados, em casa, o Atlético só venceu o Tigre.

O São Caetano também tem jogos duros fora de casa. Vitória e Criciúma, por coincidência. O Goiás visitará o ABC. Aos atleticanos, a torcida pelos que estão em cima já é válida. É melhor que disparem. O Joinville tem o clássico com o Criciúma fora, mas pega o Vitória em casa. E na última rodada, o Goiás no Serra Dourada – enquanto o Atlético tem um Derby e o Azulão joga em Campinas, com o Guarani.

Em síntese, o Rubro-Negro só sobe se melhorar fora de casa e vencer o confronto direto com o São Caetano, procurando ao menos não perder para Vitória e Criciúma. Para isso, precisa melhorar o comportamento em relação ao que aconteceu em Bragança Paulista.

  • E se não subir?

A diretoria atleticana evita falar em fracasso em 2012. No começo do ano, até se culpava mais a gestão passada pela má fase, mas hoje essa não cola mais. Não que não havia fundamento; havia. Mas houve tempo o suficiente para mudar o quadro. Se não subir, a culpa é da diretoria. Se subir, oras, o mérito também será. Dessa responsabilidade ninguém escapa – só as escolhas é que deveriam ter sido feitas antes.

Enfim, não será o fim do mundo para o clube, mas será muito ruim. A construção do estádio projeta ao Atlético um futuro muito bom com ou sem Série A em 2013. Vai se machucar o orgulho novamente, mas é do futebol.

O comparativo que eu faço é com aquele aluno que reprovou a 5a série. É um atraso de vida. Ficou pra trás dos coleguinhas, passou de novo por tudo que já deveria ter sido superado, levou bronca dos pais e ouviu sarro dos amigos. Mas não morreu por isso. Nem deixará poder de ter um bom emprego no futuro e tocar a vida. Vai se arrumar, mas com atraso. O que já é ruim e se agrava no caso de se relembrar que é o clube com maior arrecadação na bezona. É tipo filho de rico reprovando –  só não pode ser mimado o suficiente pra achar que as coisas vão vir na mão.

“Time grande não cai!”

Não cai? Então é a hora de mostrar.

É um mantra atleticano. Algo que começou como uma provocação aos rivais (afinal, o Atlético já disputou a segunda divisão, mas o “não cai” é em virtude das quedas recentes de Coritiba e Paraná) mas que hoje é repetido por 11 em cada 10 rubro-negros na esperança de que o lema se faça real mais uma vez.

E chegou a hora de o Atlético provar, seguindo o lema, que é time grande.

Ainda que a máxima contradiza o que já aconteceu com Grêmio (2x), Fluminense (mais que 2x), Guarani, Sport, Bahia (foi até a Série C), Botafogo, Palmeiras, Coritiba, Atlético-MG, Vasco e até o Corinthians, se time grande não cai, é o momento de o Furacão mostrar que faz parte dessa selecionada casta de clubes.

O Atlético é o sexto time a mais tempo disputando o Campeonato Brasileiro. Perde para os nunca rebaixados Flamengo, Inter e Cruzeiro e para Santos e São Paulo, que não disputaram 1979 por opção (e eram mais de 90 clubes…). Subiu em 1995 e, apesar de ter passado perto em algumas ocasiões, sobreviveu. Namora com o rebaixamento há algumas temporadas (desde 2006), deu uma puladinha de cerca o ano passado com um honroso 5o lugar, mas esse ano o casamento parece inevitável.

Time grande que não cai, não pode se omitir da luta. Time grande joga em qualquer campo. Por isso, se é pra valer a máxima, o Atlético tem que ganhar do Bahia na marra em Salvador, na próxima quarta-feira. Se ganha, respira, volta a estar a dois pontos de deixar a famigerada ZR; se empata, segue na UTI, lutando contra o tempo. Mas se perder, verá um ou até dois adversários abrirem cinco a sete pontos de diferença. Três rodadas a menos, faltando 13 para o fim. Óbito (ou casório) com data marcada.

Não há outro caminho: chegou a hora de o Atlético fazer valer o status de time grande, de campeão brasileiro. Fazer o que o xará de Minas fez com ele: ganhar no terreno do rival (o Galo, há poucas rodadas, venceu o Atlético na Arena, 0-1). Fazer valer a estrutura do CT, os investimentos milionários em Morro Garcia e Guerrón (que estarão em campo), o estádio de primeiro mundo, etc, etc.

Há uma esperança: 2008. A Globo.com tem trazido comparações rodada a rodada com outros torneios de pontos corridos. Com 24 rodadas, naquele ano, um desacreditado Atlético tinha 23 pontos, mesma pontuação atual, dois a menos que o Fluminense, primeiro time da ZR, com 25. Hoje o Altético-MG, primeiro logo acima, tem 24. E os primeiros times fora da ZR era o Santos, com 26 – hoje, o Bahia tem 27.

Um resgate história mostra a campanha atleticana dali em diante, que resultou na fuga, numa dramática vitória na última rodada sobre o Flamengo (5-3). Acompanhe (dados da Furacão.com):

24a. rodada – Goiás 4 x 0 Atlético – Mais um sintoma do rebaixamento próximo: goleado.
25a. rodada – Atlético 2 x 0 Portuguesa – Vitória em casa na marra. Parecia que o time embalaria.
26a. rodada – Atlético 0 x 0 Grêmio – Drama em casa e nova estacionada.
27a. rodada – Coritiba 1 x 1 Atlético – Rafael Moura abriu o placar, mas Ariel freou o Atlético.
28a. rodada – Santos 4 x 0 Atlético – Goleado por um adversário direto. Três jogos sem vencer.
29a. rodada – Atlético 1 x 3 Fluminense – O famoso jogo do pênalti com a mão de Rafael Moura. Aqui, o Atlético foi dado como morto.
30a. rodada – Inter 2 x 1 Atlético – Em cinco jogos, dois pontos ganhos. Mas a sorte ajudou: era só um ponto para sair da ZR, abaixo de Náutico e Portuguesa. Faltavam 7 jogos.
31a. rodada – Atlético 1-0 Cruzeiro – Rafael Moura voltou a aparecer.
32a. rodada – Vasco 2-2 Atlético – O Furacão ia quebrando o tabu de nunca vencer em São Januário, mas Madson empatou aos 42/2T. Mas a distância ainda era só de 1 ponto para Lusa e Timbu.
33a. rodada – Atlético 1-0 Sport – Rafael Moura, aos 46/2T, numa cabeçada inacreditável, garantia três pontos e a saída da ZR. Pasmem: o time pulou do 18o. para o 14o. lugar.
34a. rodada – Figueirense 0-2 Atlético – Jogo chave, tal qual esse que se aproxima contra o Bahia. Vitória fora com gols de Alan Bahia e Rafael Moura.
35a. rodada – Atlético 2-1 Vitória – Terceira vitória seguida. Sequência ainda não vista em 2011.
36a. rodada – Botafogo 2-2 Atlético – Empate no Rio manteve proximidade da ZR.
37a. rodada – Náutico 2-1 Atlético – Derrota fora de casa para adversário direto. A distância da ZR caiu para um ponto do Figueirense.
38a. rodada – Atlético 5-3 Flamengo – Dependendo só de si, jogo tenso, mas com muitos gols, e vitória sobre o Flamengo em casa. Escapou.

O Atlético fez 22 pontos nos 14 jogos finais. Com 45 no total, ainda chegou a um improvável 13o. lugar. Caíram Figueirense, Vasco, Portuguesa e Ipatinga.

No entanto, o que fez a diferença foi o ataque. Algo que não aconteceu contra o Figueirense ontem, como você pode ver abaixo:

Na quarta, não outra saída. Se time grande não cai, chegou a hora de o Atlético mostrar que é um deles.

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