Vem aí a Copa do Brasil

Em 2011, faltou um gol para o Coritiba

Vai começar a Copa do Brasil. Atlético, Operário e Paraná entram em campo nesta quarta, 07/03, pela primeira fase; o Coritiba só joga no dia 14/03, pela mesma etapa da competição.

Com os Estaduais eternamente deficitários – exceção feita ao Paulistão – a Copa do Brasil é a chance dos clubes salvarem o semestre. O tal “caminho mais curto para a Libertadores” realmente existe: em apenas 10 partidas, uma equipe pode arrebatar um título nacional (o segundo mais importante do País) e disputar a competição mais importante das Américas.

Será a última edição da Copa do Brasil com 64 clubes e durante apenas o primeiro semestre. No ano que vem a competição crescerá, passando a abrigar 86 clubes e correndo de março a novembro, em paralelo com o Campeonato Brasileiro. Além disso a CBF permitirá que os clubes brasileiros que disputam a Libertadores na mesma temporada também estejam na Copa. Será mais difícil, portanto.

Neste ano os quatro paranaenses entram com motivações distintas. Os principais candidatos ao título são Cruzeiro, São Paulo e Grêmio. Outros times com camisa, como Atlético Mineiro, Palmeiras e Botafogo podem surpreender. O Botafogo, aliás, é o único dos grandes do Rio a estar na competição. Isso porque enquanto Flamengo e Fluminense foram bem no Brasileirão 2011, o Vasco é o atual campeão – fato bem gravado na memória da torcida coxa-branca, que viu o time perder a taça pelo critério de gols fora de casa no ano passado. A tabela está aqui.

Atlético, Coritiba e Paraná terão a oportunidade de matar a disputa na primeira fase se vencerem seus jogos por dois ou mais gols de diferença; o Operário, que recebe o Juventude-RS, não tem esse privilégio.

O blog então apresenta um pequeno guia para a competição, por ordem alfabética:

Atlético

Rebaixado para a Série B em 2011, o Furacão está em reconstrução e deu bons sinais no primeiro turno do Paranaense. A Copa do Brasil aparece com dois objetivos para o clube: testar o time para tentar o acesso à elite brasileira no segundo semestre e, porque não, resgatar o orgulho ferido com o título da competição. Mas não será fácil.

O destaque: 

Furlan: olho nele

Com um time recheado de garotos, o Atlético tem encontrado o ponto de equilíbrio na armação em Bruno Furlan, formado no CT do Caju e de retorno após uma temporada no Dínamo Minsk, da Bielorússia. Furlan tem demonstrado ser o mais maduro dos jovens lançados no Paranaense, com atuações regulares.

O adversário:

O rival do Atlético na primeira fase é o Sampaio Corrêa, do Maranhão. O Sampaio é o líder do Maranhense-2012. O time tem uma certa tradição no cenário nacional, sendo o principal time do Maranhão ao lado do Moto Clube. O meia Kerdson chama a atenção no elenco do Sampaio. Se é bom jogador eu realmente não sei, mas Kerdson é um belo nome, convenhamos. Em 2011, o Sampaio foi o 22o. colocado e surpreendeu na primeira fase ao eliminar o Sport Recife com dois empates. Acabou eliminado na fase seguinte, pelo Santo André-SP, ganhando um jogo (3-2) e perdendo outro (1-0), caindo nos gols marcados fora.

A tabela:

Se passar pelo Sampaio, o Atlético pega Criciúma ou Madureira. O Tigre é um dos adversários do Furacão na Série B do Brasileiro. A chave rubro-negra pode resultar em confrontos contra Paraná e Operário, mas o caminho até a final pode passar por Palmeiras e/ou Grêmio.

Coritiba:

Vice-campeão em 2011, o sonho da torcida coxa-branca é ver o clube novamente na decisão – mas dessa vez com final feliz. No entanto, pelo que vem apresentando no Paranaense, o Coxa não inspira a mesma confiança de 2011. Pode usar a competição para ter uma real noção do que enfrentará na Série A, na qual representará solitariamente o Estado. É o clube paranaense que tem o melhor desempenho histórico da competição e forma, ao lado do rival Atlético, de Grêmio, Botafogo, Palmeiras, São Paulo, Bahia, Sport, Cruzeiro e Atlético-MG, o grupo de mais peso na Copa do Brasil. Não pode ser subestimado, mas terá que melhorar muito para repetir 2011.

O destaque:

Rafinha: ele é quem decide

No atual criticado time do Coritiba, ele desequilibra. Rafinha é o craque do Coxa e tem sido quem apresenta o melhor futebol entre os jogadores do time. O meia-atacante perdeu os colegas das tabelas insinuantes de 2011, Marcos Aurélio e Davi, mas conduz a equipe ao ataque, sempre com velocidade, além de ser um grande definidor.

O adversário:

O Nacional Futebol Clube é o primeiro desafio do Coxa na Copa do Brasil 2012. O Nacional é o clube mais vezes campeão amazonense: 40 títulos, contra 17 do Rio Negro, seu mais tradicional rival. Venceu o Fast clube por 1-0 nas semifinais do 1o turno do Amazonense e vai decidir o título com o Princesa do Solimões. O destaque do Naça é o meia Messi. Não, não é aquele do Barcelona e sim um jogador revelado pelo América-AM. Se ele é bom como o argentino, só saberemos em 15/03 – mas até aqui, parece mais discreto que El Puga. Em 2011, o Naça não disputou a Copa do Brasil.

A tabela:

Eliminando o Nacional, o Coritiba terá pela frente o vencedor de ASA-AL x Santa Quitéria-MA. O primeiro adversário de peso pode vir só nas quartas: o Sport Recife. Botafogo e Atlético-MG também estão na chave do Coxa. O São Paulo é o time mais forte neste lado da competição e um possível adversário nas semifinais.

Operário

Completando 100 anos em 2012, o Fantasma ganhou de presente a Copa do Brasil. E pelo que vem mostrando no Estadual, a maior pretensão do time de Ponta Grossa é não ser eliminado no primeiro jogo pelo tradicional Juventude, de Caxias do Sul, campeão da Copa em 1999. Terá que melhorar muito até a estréia.

O destaque:

Ceará é um dos sobreviventes de 2011

Bem na campanha do terceiro lugar no Paranaense 2011, o meia Ceará esteve perto de defender o Londrina nesta temporada, mas teve o empréstimo prorrogado com o Fantasma. Tem talento, mas está sozinho em um time enfraquecido, que perdeu destaques como o goleiro Ivan e o meia Cambará. Um trunfo está no banco: em 2010 o técnico Lio Evaristo eliminou o Juventude com o Corinthians-PR.

O adversário:

O Esporte Clube Juventude é um dos mais tradicionais clubes do Rio Grande do Sul, tendo destaque no Brasil com um título da Copa do Brasil (em 99, sobre o Botafogo) e uma Série B. Mas vive um momento delicado, depois de ter sido rebaixado consecutivamente da Série A, em 2007 – após 13 anos na elite – até acordar na Série D, em 2010. Em 2011, não disputou a Copa do Brasil. Nesse ano, foi semifinalista do primeiro turno do Gaúchão (vencido pelo rival Caxias), mas perdeu para o Novo Hamburgo. Chama a atenção um trio que passou pelo Atlético sem nenhum brilho: o meia Mithyuê, o lateral-direto Elder Granja e o atacante Zulu.

A tabela:

Se eliminar o Juventude, o Operário pega o vencedor de Cuiabá x Portuguesa-SP. O Fantasma está na chave de Atlético e Paraná – e também de Grêmio, Palmeiras, Náutico, Bahia…

Paraná

A Copa do Brasil pode ser mais um problema do que uma solução para o Tricolor, que terá que disputar nesse ano a Série B nacional e a segunda divisão estadual. Só que a estréia do Paraná na Copa está cercada de expectativa pois será o primeiro jogo oficial do time em 2012. Sem calendário até a data do primeiro jogo, o Paraná só realizou jogos-treino enquanto se reinventava com a dupla Alex Brasil na gestão do futebol e Ricardinho, ídolo como jogador, agora técnico. A Copa pode medir a força paranista para o resto da temporada.

O destaque:

Ídolo em campo, Ricardinho deu status ao banco tricolor

Não poderia ser outro: Ricardinho, pentacampeão mundial com a Seleção em 2002, volta ao clube que o revelou para o futebol agora como técnico. É graças a Ricardinho que o Paraná conseguiu reforços por empréstimo do Corinthians (em especial o atacante Douglas), Atlético-MG e Vasco. O ex-meia abriu portas para o Tricolor no mercado, mesmo com problemas financeiros. A dúvida por ora é saber como ele irá se comportar como técnico, na primeira experiências na função.

O adversário:

O Luverdense-MT, da cidade de Lucas do Rio Verde, está em quarto lugar no Matogrossense, dentro da zona de classificação para as semifinais. Mas perdeu por 2-0 para o Cuiabá na última partida antes da Copa do Brasil. O Luverdense não é um total desconhecido do futebol paranaense: em 2010, enfrentou o Coritiba e foi eliminado com duas derrotas por 0-1. No ano passado, não participou da competição. Valdir Papel, que já passou pelo Vasco, é o rosto mais conhecido do time.

A tabela:

Se passar pelo Luverdense, o Paraná enfrenta o vencedor de Ceará e Gama. Pode pegar o Palmeiras nas oitavas e tem ainda a perspectiva de enfrentar Grêmio e Atlético.

A barreira final

Peço licença aos amigos acostumados a ler mais sobre futebol aqui no blog para falar de outro esporte: o poker, que nos últimos dias venceu mais uma etapa contra o preconceito.

Já não é notícia nova dizer que poker é esporte. Mas a vitória do paulista André Akkari em uma das etapas do Mundial de poker (WSOP) nos EUA ganhou dimensões até então não experimentadas para quem acompanha e segue a modalidade. Depois de ganhar espaço em quase todos os grandes veículos de comunicação, o poker finalmente chegou a Rede Globo, maior empresa do ramo no País, em um noticiário esportivo. Foi durante a realização do BPT (Brasil Poker Tour), um dos campeonatos brasileiros de poker (o outro é o BSOP, Brazilian Series Of Poker), no qual a emissora aproveitou para explicar o jogo e propalar a vitória de Akkari. Veja a reportagem, exibida apenas no Globo Esporte de SP, nesse link.

Curitiba, para quem não sabe, é celeiro de grandes talentos do poker nacional. O primeiro brasileiro campeão mundial é curitibano, Alexandre Gomes. Daqui já saíram dois campeões nacionais em etapas distintas, João Paraná e Helson Kupczak. Já tivemos o curitibano Gustavo Flessak como nono colocado no maior torneio das Américas, o LAPT (uma espécie de Libertadores do Poker). E no 1o. BPT, finalizado no último final de semana, o também curitibano Luiz Pheres beliscou um 3o. lugar, perdendo nos detalhes a mão decisiva para o dinamarquês Rolf Andersen, que acabou sendo o campeão da etapa. O resultado foi destaque no Jogo Aberto Paraná:

Neste mês, pela primeira vez o WSOP foi transmitido quase em tempo real pela ESPN no Brasil. Havia um delay (atraso) de 30 minutos na emissão das imagens em relação ao tempo de jogo, em virtude da segurança estratégica da partida. A ESPN havia parado de transmitir os eventos após a Black Friday, por recomendação da direção mundial do grupo, mas retomou em alto estilo. No BPT, a transmissão das partidas foi feita em tempo real, pela internet, pelo site TV Poker Pró.

Depois de ter espaço na Band, na ESPN e na Revista ESPN (aqui, reportagem com o americano oito vezes campeão mundial, Phil Ivey), o fato do poker chegar ao maior grupo de comunicação em uma reportagem positiva é o carimbo que o esporte precisava para afastar o preconceito de vez. Mas não é a barreira final.

Essa só será superada quando o jornalismo segmentado tratar não só das vitórias, mas também dos problemas do esporte. Como o bloqueio do site Full Tilt Poker em virtude de denuncias de corrupção fiscal nos EUA, ainda sem ter a versão dos fatos do braço brasileiro do site, parceiro da confederação nacional, posta a público.

As mazelas do marketing

Chegou até o meu e-mail hoje a foto abaixo, que já circula na internet em diversos fóruns. Achei curioso e, como colecionador, interessado em saber quem tem a peça. E resolvi postar para discutir rapidamente um tema: as mazelas do marketing esportivo.

Camisa comemorativa da Copa do Brasil: agora, artigo raro

Evidentemente que as camisas tinham de ser produzidas com antecedência; não seria na quinta-feira pós título nacional, inédito e recuperando um orgulho de 26 anos, que a Lotto iria confeccionar um lote que com certeza teria grande vendagem.

As imagens vazaram e eu achei extremamente curioso – eis o porquê do post.

Mas existe algo mais. Quando da decisão, na primeira partida em São Januário, muito se falou e fez porque ambulantes vendiam faixas de campeão na frente do estádio carioca, pró-Vasco. Um sensacionalismo barato que fui contra, não abordei no Jogo Aberto, embora tenha visto algo por aí. Lógico que no jogo de volta também havia o mesmo artigo pró-Coritiba. E a mesma atitude foi tomada: destaque zero.

Há quem ache que ajuda o clube a vencer criando um factóide desses. Bobagem.

Além de jornalista, sou publicitário e sei que uma peça dessas tem que ser planejada antes. E pela vivência no futebol, que ela só chega ao vestiário no momento da decisão, como fator motivador aos jogadores que, oras!, precisam de mais motivação que o simples fato de tentar o título da Copa do Brasil?

Futebol é paixão e negócio – em cima da própria paixão. Discutir agora se devia ou não ser feito, se é motivador ou não, é a pior das bobagens possíveis. Há que se compreender a lógica da indústria. E parar que querer transformar essas ações, positivas e rentáveis aos clubes, em factóides na esperança de se tornar o herói de uma conquista. Como se a bola na rede fosse menos importante.

P.S.: Noves fora o que todos já sabemos, você gostou da camisa? Eu, sim.