Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 30/01/2013

Sub-26
A vitória do Paraná no Derby coloca o time na disputa do título do turno. Depois dos jogos contra Londrina e Coritiba, ambos na Vila Capanema, isso poderá ser concreto. Num campeonato curto como o Paranaense, o Paraná pode garantir um lugarzinho na decisão depois de quebrar um tabu de 5 anos sem vencer o Atlético. Se o Rubro-Negro usou um time S23, pouco importa; aliás, fazendo as contas, o do Paraná é “Sub-26”. Na conta, a melhor formação etária para uma disputa, equilibrando jovens como Alex Alves (20) e Luizinho (21) e experientes como Anderson (32) e Lucio Flávio (33).

Sub-23
Há confusão nas cobranças ao Atlético pela derrota. Primeiro, não há relação direta entre a (válida) tentativa do clube priorizar uma pré-temporada para o time principal e o relacionamento atual com a imprensa; uma coisa não afeta a outra. O time ser jovem também não é o maior problema – não vejo críticas quanto à imaturidade de jogadores como Neymar, Lucas e Oscar, todos abaixo dos 23 anos. O problema é a qualidade de alguns jogadores já testados no clube e que não correspondem. Citar nomes é injusto, pois não assisti nenhum dos três jogos da equipe. Mas não é preciso pensar muito ao ver a escalação que empatou com os fracos Rio Branco e Nacional e perdeu o Derby.

A frase
“Eles cumpriram bem o papel deles. Todas as pessoas que acompanham o nosso dia a dia sabem que é muito difícil transformar uma equipe de jovens num nível A,” do técnico Arthur Bernardes, que comando o Atlético no Estadual, reconhecendo presão após a derrota no Derby, e que pouca gente vê o trabalho dele no clube, em entrevista ao veículo institucional do clube, acessível pela internet.

Nada amistoso
A reestreia de Alex foi mágica para o coxa-branca e assim seria de qualquer jeito. Muitos veem o meia como um messias, alguém que vai projetar o Coritiba além fronteiras. Fora de campo isso já acontece – como trato abaixo. Em campo, porém, o time foi surpreendido pelo Colón, da Argentina. Não jogou bem contra o 10º. colocado do “Argentinão” 2012. Há o nervosismo da estreia, há a falta de ritmo e a catimba e jogo aguerrido dos argentinos, mas também há sinais de que as laterais seguem problemáticas e que dois jogadores precisam de uma chamada comportamental: Escudero e Rafinha. O último especialmente, pois dele se espera muito e terá grande concorrência para ser um dos 11 titulares durante o ano.

Yakinda: üye olunuz
Ou, em turco, “em breve, associe-se.” É o Coxa ensaiando aproveitar a imagem de Alex na Turquia, onde é ídolo de um dos clubes de maior torcida do País. Para se fazer uma comparação, é como se Zico, ídolo máximo do Flamengo, fosse turco. E lá se consume tudo que gira o meia.

Abrindo o Jogo: coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/01/2013

O valor de um ídolo

O amistoso do Coritiba contra o Colón, da Argentina, no próximo sábado, será exibido para todo o Brasil. Será a reestreia de Alex com a camisa alviverde. O Coxa tratou de negociar a transmissão com um dos principais canais de TV a cabo do Brasil, em meio a terceira rodada do Paranaense. No domingo, dia seguinte, o Coxa novamente estará na telinha, enfrentando o Cianorte, desta vez com exibição apenas para o Paraná. A mídia nacional tem total interesse em saber de Alex pelas passagens no Palmeiras (campeão da Libertadores 1999) e Cruzeiro (no inesquecível 2003 celeste). Cruzeirenses, que sempre foram simpáticos ao Atlético no Paraná, podem até “virar a casaca”, dada a importância de Alex. E o Coxa ainda não explora tudo o que cerca o ídolo. Durante a semana que passou, um turco, de nome Murat Kapki, comprou nada menos do que 80 camisas oficiais do Coritiba, com o 10 de Alex, para levar para o seu país. Alex é rei no Fenerbahçe, uma espécie de Corinthians da Turquia, que vende em média 10 mil camisas por semana, segundo reportagens da imprensa local. Murat desembolsou cerca de 15 mil reais a vista para presentear amigos, entre eles o primeiro ministro turco, Recep Erdogan. Ainda contou ao advogado coxa-branca Percy Goralewsky que há um reality show na TV turca que premia o vencedor com um milhão de euros e uma visita à Curitiba, para conhecer Alex. São mercados que o Coritiba ainda não resolveu explorar, oficializando, por exemplo, uma loja em Istambul. Mas tem se aproveitado da exposição da marca para todo o Brasil, desde a confirmação da chegada de Alex.

Caminhos diferentes

Se ainda não rentabiliza o máximo que pode com Alex, o Coxa opta por aproveitar ao máximo todos os espaços que lhe são oferecidos na mídia, na estratégia de comunicação do clube. O Atlético, ao contrário, restringe. Existem razões para tal, mais do que somente uma represália à imprensa paranaense. Ainda assim, o caminho mostra alguns equívocos. Primeiro, pontuemos: é nocivo aos atletas e à torcida a restrição de entrevistas imposta pelo clube, mas não é ilegal. Trata-se de uma orientação de patrão para funcionário, prerrogativa do clube. Mas, ao contrário do fenômeno Alex, como criar um ídolo em ambiente enclausurado? Como o torcedor, insatisfeito com o desempenho em campo – pra ficar só no empate com o Rio Branco – pode questionar seus atletas, através da imprensa, se estes só falam ao veículo oficial? É como saber do Governo pela Voz do Brasil. Manter a porta com a mídia tradicional é importante. Além de tudo, é um desperdício de espaço midiático, o que poderá desagradar ou afastar patrocinadores. No entanto, há uma estratégia: o contrato com a AEG, que irá gerir a Arena, prevê a comercialização de conteúdo de mídia. Age bem o clube ao criar seus espaços próprios, como TV e Rádio – só que o faz por caminhos tortos. Real Madrid e Barcelona já os têm e são rentáveis e de qualidade. Aqui, o erro: na Espanha, são fomentadores da mídia. Dão material exclusivo, inédito. Abrem as portas, com disciplina, para qualquer questionamento da imprensa. E são os maiores clubes do Mundo. Já pensou o que seria de Cristiano Ronaldo se ele nunca pudesse dar entrevistas?

Abrindo o Jogo – Coluna de 07/11/2012 no Jornal Metro Curitiba

A decisão do TCE-PR
Definir que o Potencial Construtivo é patrimônio público e, portanto, seu uso para arrecadar verbas para a finalização da Arena da Copa merece atenção e fiscalização do Estado, foi o melhor para a cidade, o evento e o Atlético. O clube até então tomou decisões que causaram espanto em parte da comunidade, mas foram referendadas pelo conselho. Com quando a esposa prefere o vestido da loja mais cara e o marido acaba cedendo; a decisão que era do clube sobre as cadeiras foi levada além do que devia – em forma de alerta, diga-se. Tudo agora fica pra trás. O clube, que se diz transparente no modelo de autogestão, ganhará agora o selo do TCE, caso tudo esteja em dia. Deixa de ocupar o posto de vilão que tentaram lhe imputar. Cabe ao órgão reger de forma transparente o aporte do benefício público, dado para que Curitiba receba o Mundial. Ganha a cidade, tardiamente, por entrar de vez na Copa; ganha o clube, que terá a aprovação do público em tudo que for lícito; e ganha a população, que verá todos os passos monitorados pelo TCE. Parece que finalmente Curitiba irá despertar para a Copa.

O Derby e o fim da Série B
Troco o chip, mas continuamos a falar sobre estádios. Desta vez a definição de que o Derby da última rodada da B será no Eco-Estádio. Foi o mais acertado diante do que se apresenta. Caberá à PM a responsabilidade de organizar a segurança e, a cada um dos torcedores, dar o bom exemplo. Não há porque criar pé de guerra nisso. Evita-se o deslocamento das torcidas, preserva-se o direito de mando e, claro, é importante que se preservem os direitos paranistas aos ingressos. No entanto, junto-me ao coro dos que lamentam a falta de diálogo para que o jogo fosse realizado no Couto Pereira. A volta do Atlético à Série A, quase consumada, e a chegada de Alex ao Coxa são motivo suficiente para uma grande ação de marketing envolvendo a dupla. O negócio futebol precisa ser tratado como tal. Dar o primeiro passo, com o Derby da Rebouças enchendo o Couto, gerando renda, seria o ideal. Culpar quem errou no passado é andar para trás. Importa é dar o primeiro passo e tratar o futebol com profissionalismo. É preciso alguns ajustes entre os cabeças dos clubes. Vem aí o Paranaense 2013 e novas oportunidades.

Ricardinho e o Paraná
Estive com Ricardinho ontem no Terra, em entrevista ao vivo. Falamos de Copa 2002 (já se vão 10 anos…), Corinthians e, é claro, o Paraná. O ex-técnico e ídolo tricolor disse que saiu do clube porque “algumas pessoas não entenderam as demandas do time”, impedindo contratações. Reclamou, mas disse compreender, do momento financeiro do clube. Contou ainda que deixa como “herança” o acesso para a primeirona paranaense e uma organização, adotada com Alex Brasil, no departamento de futebol, que “vivia cheio de empresários.” Ricardinho passou nove meses no Paraná e – impressão pessoal – pareceu se ressentir de ter deixado o clube sem poder ajudar mais. Mas ele próprio precisa tocar sua carreira de técnico, que tem potencial. Basta achar o ambiente propício – o que o Tricolor não foi e não tem sido faz tempo.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/04/2012

Fifa: muitas mudanças no projeto irritam comitê local

A obra da Arena da Baixada em Curitiba está sendo tocada sem alvará de construção, sob uma licença especial e supervisão diária de um grupo da secretaria de urbanismo da prefeitura. Tudo porque a Fifa mudou mais uma vez as exigências para a Arena – segundo informações, a sexta vez desde 2007. Pequenos detalhes que atrasam ainda mais a construção do estádio. As constantes mudanças irritaram o comitê local, que agora corre para regularizar novamente o alvará. Atualmente, a obra tem o relatório prévio ambiental aprovado. Na próxima terça (24) o Atlético terá nova reunião no conselho deliberativo para debater esse e outros assuntos – como por exemplo cobrar uma participação mais efetiva dos governos na operação.

Prêmio gordo

Tentando retomar o prestígio nacional perdido com o rebaixamento em 2011, o Atlético ofereceu aos atletas e comissão técnica um prêmio gordo pelo título da Copa do Brasil: 50% dos ganhos do clube até a conquista. Significa dizer que quem estiver no grupo atleticano em uma virtual conquista pode faturar R$ 1,97 milhões a serem rateados entre os membros. Vale dizer que o Atlético está apenas no terceiro grupo de cotas da CBF por não estar na Série A nem entre os 10 melhores do ranking nacional, recebendo o menor percentual de cota.

Câmeras, ação!

Demorou, mas finalmente a Vila Capanema poderá receber a capacidade máxima de torcedores (20 mil pessoas): o clube instalou e apresentou laudos ontem das sete câmeras de seguranças que faltavam para que o estádio se enquadrasse nos pedidos do Estatuto do Torcedor. A medida já vale para o jogo de hoje, entre Paraná e Ceará, pela Copa do Brasil. O clube instalou três câmeras por conta e contou com parceiros, que bancaram o custo de outras 4. Os valores e nomes dos parceiros não foram divulgados. O Paraná precisa de empates em 0-0 ou 1-1 ou da vitória por qualquer placar para avançar na competição. Será o quarto jogo oficial do clube em 2012.

Torcida única reloaded

A medida antidemocrática e sectária de se realizar o clássico Atletiba com torcida única deverá ser referendada hoje, após uma reunião entre a PM, a FPF e os clubes. O Ministério Público, único que pode evitar a medida se protestar formalmente, deve compactuar com aquilo que o mesmo, ainda no primeiro turno, classificou como “rasgar o Estatuto do Torcedor”. Os ingressos devem ser postos a venda a partir de quinta. A coluna não discute se a torcida do Coxa deve ter direito a ir sozinha já que não pode ir no primeiro e sim o absurdo que a medida anterior – e essa – faz com a desportividade e convivência. Em tempo: no jogo de ida, só com atleticanos, houve violência do mesmo jeito.

Abrindo o jogo – coluna no Jornal Metro Curitiba de 25/01/2012

Couto e Atlético: primeiro capítulo se encerra a noite

O TJD-PR julga hoje, a partir das 19h, o recurso do Coritiba contra o empréstimo compulsório do Estádio Couto Pereira ao Atlético, mediante interpretação jurídica do artigo 46 da FPF. A Federação recorreu da liminar do Coxa e pretende fazer valer o texto que indica, literalmente, “São obrigações das entidades de práticas desportivas

(…) Ceder gratuitamente à FPF e às entidades superiores, quando requisitados, seus atletas e suas praças de desportos.” Para o Coxa, trata-se de uma leitura abusiva do estatuto. O pleno julgará o recurso; se mantido, o Coritiba segue sem a obrigação de alugar o estádio. Caso contrário, a FPF marcará os jogos do Atlético para o Alto da Glória. O Rubro-Negro não tomará parte direta na ação. A direção do clube optou por esperar à distância a definição judicial. Seja qual for o resultado, é apenas o primeiro capítulo: caberá recurso das partes no STJD, no Rio.

 Janguito à vista?

Irritado pela falta de apoio do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal na questão, uma vez que o Atlético está fora da Arena pelas reformas para a Copa 2014, o presidente atleticano Mário Celso Petraglia confidenciou a amigos que se a FPF, CBF, Fifa ou governos não intercederem e resolverem a questão, o clube poderá mandar os jogos no Estadual no Eco-Estádio Janguito Malucelli. Há dois detalhes pendentes: a iluminação para jogos noturnos e principalmente: comportar os quase 18 mil sócios atleticanos em 5 mil lugares – sem contar a carga de 10% para os visitantes. Caso se confirme, Petraglia pretende emitir 3,5 mil senhas para que os sócios mais ágeis na reserva freqüentem os jogos do Paranaense. Para o Brasileiro, diz ter uma carta na manga em relação ao Couto, o que causou mal estar entre Coxa e Paraná.

Triplo conflito; Brasileiro B no Couto?

Foi o Paraná quem trouxe à tona a informação: Petraglia teria tentado o empréstimo da Vila Capanema somente para o Paranaense, já que para a Série B já teria se acertado com o Coritiba. Uma nota oficial da presidência paranista pôs fogo no assunto. Talvez tentando explicar aos tricolores o porquê da falta de acordo financeiro com o rival, Rubens Bohlen revelou o suposto acordo; então foi a vez do Coritiba emitir nota assinada pelo conselho, repudiando a revelação e classificando a atitude paranista como “antiética e desprovida de bom senso.” Porém, sem negar em nenhum momento o suposto acordo. No fim da tarde de ontem, o Atlético também emitiu uma nota (ver abaixo).

Atletiba do marketing

O Coxa abre frente no setor de marketing e comunicação neste início de ano, em relação ao Furacão. Enquanto renovou com seu patrocinador máster e ocupou espaços nas mangas e calções, o Coritiba viu o Atlético perder a principal receita da camisa. Além da exposição maior, natural em função da disputa da Série A, o Coritiba ainda aproveita melhor seus espaços na imprensa, liberando com mais freqüência jogadores para entrevistas e imagens do CT; já o Atlético, que verá sua exposição reduzida na Série B, convive com a Arena fechada para obras e não exibe as placas de publicidade no CT do Caju, com raras janelas de entrevistas e imagens. E enquanto o Coxa fará parte de uma grande campanha nacional do lançamento da linha Nike em quatro clubes brasileiros, a partir de 10/02, o Furacão viu a Umbro, parceira desde 1997, adiar o lançamento dos novos uniformes, programados para a semana que passou.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 18/01/12

Sucessão de erros

A dúvida sobre onde o Atlético irá jogar é um atestado de incompetência para a gestão do futebol paranaense. Sem exceções. A Copa 2014 é fato na Arena desde maio de 2007, quase 5 anos atrás. Deixou-se para pensar em um palco para o Atlético, que cede seu estádio ao evento da Fifa e da cidade, na última hora. Então, ao invés de os dirigentes sentarem e negociarem sobre como o Couto, que comporta o número de sócios do Atlético, poderia ser usado, buscou-se um recurso jurídico, tentando empurrar goela abaixo do Coxa a decisão. Se a intolerância pelo tema já existia do lado alviverde, aumentou. Com razão. Por outro lado, o Coritiba poderia ter tido menos resistência e, negociando um valor de R$ 100 mil/jogo (especulado nos bastidores), embolsado R$ 7 milhões em um ano e meio. É quase o valor das cotas de TV antes de 2011. Bastava que os caciques conversassem e entrassem menos na rivalidade das torcidas. Ao partir para a Vila Capanema, faltou previsão, já que o estádio ainda carece de laudos. E agora se fala em inversão de mando na primeira rodada, com o Londrina recebendo o Rubro-Negro, para só vir a Curitiba no segundo turno. Se em 5 anos não resolveu-se, haverá solução até lá?

Três lados da mesma história: Atlético

O Atlético tem suas razões ao buscar uma morada, embora seja senso público que o Furacão pinta como o vilão da história. Não é. Colabora com um evento que é da cidade e de um parceiro comercial dela, a Fifa. Não se nega os benefícios que o clube terá, mas também não se pode ignorar o ônus, desde a saída da Arena até a gestão da mesma no pós-Copa. Um estádio padrão Fifa para disputar campeonatos deficitários como o Paranaense não é barato. Buscou refúgio na FPF, mas não encontra solução. E quem vai sofrer? Os sócios: seguirão pagando e não sabem se terão como acompanhar o time. E torcedor apaixonado não vai ao Procon.

Três lados da mesma história: Coritiba

Dinheiro não é tudo e o Coritiba se sentiu ofendido com o rumo que a história tomou. Vilson Andrade não é homem de duas palavras; assumiu, anteriormente, que poderia conversar e negociar no caso, mesmo a contragosto da torcida. O Coxa poderia embolsar um alto valor, valorizar espaços publicitários e movimentar bares e lanchonetes. Mas a imposição via FPF pegou mal. Ninguém aceita esse tipo de decisão goela abaixo. Nesse mesmo Jornal Metro, Vilson disse que não cederia mais. O Coxa se sentiu ferido e buscou seus direitos – terá que seguir buscando, pois está sob liminar. Como a FPF tomou frente no caso, uma conversa com o Atlético poderia acertar tudo. Mas ficou distante. E, convenhamos, não é problema do Coritiba.

Três lados da mesma história: Paraná

O Paraná sempre se colocou a disposição. Está com o estádio parado por três meses – pior: o clube só tem competições após o mesmo período – e um dinheiro faria bem. Foi procurado, ouviu uma proposta e fez outra. Age certo. Negociar é assim: tem que ser bom para ambos. E o que vale para os acima, vale para o Tricolor.

E o futebol?
Dentro de quatro dias, a bola rola. Mas pouco se vê ou sabe dos times, dos artistas que movimentam essa paixão. O noticiário está preso à burocracia. É fácil imaginar o ano de 2012 para o Trio, salvo mudança: o reflexo do que se vê fora de campo aparece no gramado. Me cobrem em dezembro, após o Brasileirão.

*Os tópicos da coluna de hoje são uma referência a máxima de que uma história sempre tem três lados: o seu, o meu e o verdadeiro. E também ao ótimo disco Three Sides of Every Story, do Extreme. Abaixo, uma faixa dividida em três, que dá título ao disco:

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 11/01/12

Atlético: deadline para estádio é hoje

A FPF “esticou” o prazo para que o Atlético indique o estádio em que vai mandar jogos no Paranaense 2012 – ou ao menos o que enfrentará o Londrina, na primeira rodada, daqui a 10 dias, enquanto procura solução definitiva. Segundo Amilton Stival, diretor técnico e vice-presidente da FPF, o clube já procurou a Federação e prometeu uma resposta, sob pena de ver a indicação sumária de um estádio num raio de 100km. Isso inclui, além da Vila Capanema e do Couto Pereira, o Germano Kruger, em Ponta Grossa e o Caranguejão, em Paranaguá.

Top Secret I

No Atlético, ninguém se manifesta sobre isso (ou sobre coisa alguma). O Couto Pereira segue sendo a opção mais provável, mas ontem o presidente do Coritiba Vilson Ribeiro de Andrade, aqui mesmo no Metro Curitiba, disse pela primeira vez em público que não irá mais alugar o estádio. Já a Vila Capanema não poderia receber jogos atualmente – precisa de novos laudos – enquanto os estádios fora de Curitiba estão praticamente liberados pela FPF.

Top Secret II

Com uma semana de trabalho, tudo que se sabe sobre o time do Atlético até aqui é que nenhum reforço foi anunciado e a base é a mesma que caiu para a segunda divisão nacional após 16 anos – fato propulsor da eleição do atual presidente, Mário Celso Petraglia. “Não sei de nada. Só no site oficial”, é o mantra do dirigente quando entrevistado.

Amistoso internacional

O Coritiba deve confirmar para o dia 14* (ver nota no fim do texto) um amistoso contra o Daegu FC, da Coréia do Sul. O clube asiático irá fazer sua pré-temporada no CT da Graciosa e o jogo deve acontecer antes da estréia do Coxa no Paranaense, possivelmente em Foz do Iguaçu. O Coxa encara o Toledo na primeira partida do regional. Já o Deagu tentará adquirir experiência: em 9 anos de Liga Coreana, a melhor colocação foi um modesto sétimo lugar.

Sem papo
A FPF mantém a postura e considera ponto pacífico: a Série Prata (segunda divisão do Paranaense) será mesmo em maio. O ofício assinado pelos respectivos presidentes gestor e deliberativo do Paraná Clube, Rubens Bohlen e Benedito Barbosa, teve pouco ou nenhum efeito junto a direção da Federação. “Um elenco de 35 jogadores é o suficiente para jogar. Vou montar a tabela com jogos quartas e domingos; a Série B é terça e sexta”, disse Amilton Stival, vice-presidente e diretor técnico da FPF, que recebeu o ofício.

Domingos Moro na parada

A diretoria do Paraná Clube argumenta que o Regulamento Geral das Competições da CBF praticamente exige a antecipação da competição, ao determinar que o calendário nacional prevalece sobre o local (no caso, prioridade para a Série B em detrimento à Prata) e que nenhum clube ou atleta podem entrar em campo com menos de 66h entre os jogos. A questão pode parar na justiça, uma vez que a FPF pode alterar a competição sem unanimidade, com base nas próprias normas. Por isso, o Tricolor buscou ajuda jurídica em Domingos Moro.

*Nota: Um pequeno desencontro de informações, atualizado aqui no blog: no dia 14/01 o Coritiba enfrenta, em jogo-treino, o ABC Foz, time de Foz do Iguaçu; o jogo contra o Daegu FC ficou para 18/01 e não será mais um amistoso e sim outro jogo-treino. Segundo a assessoria do Coxa, trâmites burocráticos da FPF impediram que o jogo fosse aberto ao público.

Abrindo o jogo – Coluna de 07/12 no Jornal Metro Curitiba

Briga conjunta
 
O Paraná Clube reuniu ontem dirigentes de sete clubes que estarão na Série Prata para a formação de um pool para buscar patrocínios para a competição, com parceria e viabilização com a Band. Não foi fechado nenhum contrato. Se a empreitada for bem sucedida, a intenção do grupo é antecipar o início do campeonato para 18 de fevereiro, com o aval da FPF. Os direitos serão divididos igualmente entre as 10 equipes, caso o contrato seja fechado.

Série B, 17 anos depois

Rebaixado em 2011, o Atlético reencontrará uma Série B Nacional diferente no próximo ano, 17 temporadas após ser campeão em 1995. Dos times que disputaram aquela competição (24), que era dividida em fases e grupos regionalizados, apenas quatro estarão entre os 20, agora no formato de pontos corridos: América-RN, Ceará e CRB-AL, além do próprio Furacão.

Mais badalada, mas nem tanto

Em 1995, a Série B teve três paranaenses: Atlético, Coritiba e Londrina. O único campeão brasileiro a disputar a segundona na época era o Coxa; times tradicionais como Ponte Preta, Remo e Santa Cruz dividiam espaço com desconhecidos como Barra do Garças-MT, Goiatuba-GO e Central-PE. Nos anos que passaram até aqui, outros grandes como Grêmio, Vasco, Corinthians, Palmeiras e Atlético-MG visitaram a B, com sucesso. Em 2012, o Guarani será o único campeão da Série A (1978) além do Atlético; Vitória, Goiás e Paraná serão outros clubes de tradição na segundona.

Futuro indefinido

Sem saber quem comandará o clube no desafio da volta, o Atlético ainda tem pendência quanto a eleição para a presidência: está marcada liminarmente para 18/12, mas a chapa Paixão pelo Furacão, concorrente com CAP Gigante, que conseguiu o adiamento na justiça, tentará ainda hoje mudar novamente a data do pleito para 15/12.*

Giro no mercado

Com o fim das competições, começam as especulações de mercado nos clubes. Júnior Urso, volante que defendeu o Paraná e o Avaí em 2011, pode ser o segundo a desembarcar no Coxa para 2012 – o primeiro foi o atacante Marcel. Já o atacante Bill deve pegar o rumo do Atlético-MG.

Indignação presidencial

Embora boa parte da torcida do Coritiba tenha se conformado com a perda da vaga na Libertadores em função do rebaixamento do Atlético, o presidente Vilson Ribeiro de Andrade foi duro ao falar sobre sua decepção com o desempenho na derrota no clássico do último domingo: “Parece que nos entregamos! Não tem explicação.” O dirigente, no entanto, achou satisfatório o oitavo lugar no ano de retorno à elite.

*Update: durante o dia, a justiça retornou a data das eleições para 15/12, das 10h às 19h na Arena.

Abrindo o Jogo – Coluna de 30/11 no Metro Jornal Curitiba

Favoritismo latente

O Atletiba 348 mostrará dois estilos de gestão de futebol: o Coritiba, que manteve a comissão técnica o ano todo e vem com uma base de jogadores formada ainda em 2009, pelo superintendente Felipe Ximenes, e o Atlético, que só em 2011 trocou de técnico seis vezes e teve três gerentes de futebol. Os números refletem as escolhas: o Coxa, 3º melhor ataque e 4ª melhor defesa, entra na Libertadores com uma vitória simples; o Furacão, pior ataque e 6ª pior defesa, precisa vencer e torcer contra Cruzeiro e Ceará para não ser rebaixado. Nunca um Atletiba teve um favorito tão declarado.

O que está em jogo no Atletiba 348 I

Para o Atlético, além de ficar na Série A que disputa ininterruptamente desde 1996 (16 temporadas), o jogo (e a combinação de resultados) pode deixar o clube como o 5º do país há mais tempo na elite (à frente, Santos, São Paulo, Inter, Flamengo e o concorrente Cruzeiro). Também pode significar a primeira (e única) vitória em Atletibas do presidente Marcos Malucelli, que entrega o cargo em dezembro.

O que está em jogo no Atletiba 348 II

Para o Coritiba: a terceira participação em Libertadores, igualando o Atlético como paranaense mais presente no exterior. Também manter um tabu de 3 anos sem perder Atletibas: a última derrota (1-2) foi em 05/05/2008, quando mesmo com a derrota na Arena, acabou campeão paranaense pelos resultados agregados (3-2).

Déjà vu

Em 2003, Tcheco ajudou na caminhada de classificação do Coritiba para a Libertadores, mas deixou o clube antes da disputa no ano seguinte. Desta vez o meia de 35 anos pode classificar a equipe e não jogar, já que anunciou que deve se aposentar. Na internet, torcedores lançaram o movimento “Renova, Tcheco”; comoverá o jogador?

O tempo não pára

Independentemente do que aconteça no Atletiba, o Atlético reunirá os campeões brasileiros de 2001 para uma festa de 10 anos do principal título do clube, que acontecerá no dia 8 de dezembro – antes, portanto, das eleições do clube, dia 15. Alex Mineiro, Geninho, Gustavo, Kléber e Cocito já confirmaram presença; alguns chegam ainda hoje para ver o clássico.

Férias forçadas

Os jogadores do Paraná ganharam descanso até 5/12, quando a diretoria os espera pra renegociar dívidas e contratos. Alguns já sabem que não ficam no Tricolor. “Todos os emprestados [18] vão embora”, garantiu o vice-presidente eleito do clube, Paulo César Silva. O Paraná depende de uma negociação com a FPF e clubes do interior para retomar os trabalhos em janeiro. A montagem do elenco dependerá da necessidade em ter que jogar simultaneamente dois campeonatos: Série Prata Estadual e Série B do Brasileiro. “Tem ainda a Copa do Brasil no começo de março. De repente eles podem voltar 15 de janeiro. Vamos avaliar bem”, encerrou PC Silva.

Calendário 2012

A CBF dará início a Copa do Brasil em 7 de março. A Série B começa em 19 de maio. O Paranaense da Série Prata está previsto para maio, sem data definida. Já nas divisões principais, o Paranaense começa em 22 de janeiro e o Brasileiro em 20 de maio. A Libertadores terá o primeiro jogo da primeira eliminatória em 25 de fevereiro.