“Entrega, Coelhão!”

Ao longo da semana, a torcida do América-MG lançou um movimento chamado “Entrega, Coelhão!”, para que o clube perca o jogo para o Atlético e assim, por consequência, prejudique o Cruzeiro, rival americano. O movimento teve repercussão na imprensa mineira e, a convite do blog, o jornalista Carlos Silveira escreveu crônica sobre o fato. Acompanhe.

por Carlos Silveira

O que move o futebol é a rivalidade. Quantas vezes já ouvimos esta frase? Muitas, certamente. Rivalidade que nos faz chegar ao trabalho ou a escola, em uma segunda-feira, sedento para encontrarmos os amigos torcedores do rival derrotado, ou nos escondendo para despistar os rivais vitoriosos. Rivalidade que movimenta grandes cidades do país em dia de jogos, que une pessoas que jamais se uniriam por outro motivo, ou separa momentaneamente amigos fiéis do dia-a-dia. Rivalidade que, por vezes, torna-se mais importante que os jogos em si.

Poderia uma torcida, por esta rivalidade, torcer contra o seu próprio clube? Certamente que sim e a torcida do América Mineiro é a mais recente prova disto. Com o clube já rebaixado no Campeonato Brasileiro, a torcida americana pede aos berros que o time entregue o jogo do próximo domingo para o Atlético Paranaense. O motivo? Prejudicar o Cruzeiro, um de seus rivais locais. Cruzeiro e Furacão são rivais diretos na briga para ficar na Primeira Divisão.

No meio dos torcedores americanos nas redes sociais, o “entrega coelhão” ganha força, embalado também por uma enxurrada de e-mails destinados à diretoria do clube e à assessoria de imprensa. E isto não é novidade, acontece todo ano, o que muda é o “endereço” da torcida que pede a derrota de seu clube para prejudicar um rival.

Normalmente, Atlético Mineiro e Cruzeiro dividem as atenções da maioria, até por ser a torcida do América consideravelmente menor que a dos rivais, mas o assunto da semana em meio a rodas de conversas sobre futebol em Belo Horizonte é a expectativa sobre o comportamento do América no domingo. A imprensa mineira faz o possível para ignorar o apelo dos torcedores americanos, certamente evita dar espaço para algo que lhe será prejudicial. Tenta inclusive forçar a barra para uma possível “vingança” dos jogadores americanos em relação ao treinador do Atlético Paranaense, Antônio Lopes, que teve passagem desastrosa pelo time mineiro neste Brasileirão. É o clima de rivalidade esquentando a capital mineira.

Os americanos mais exaltados falam em protesto caso o time obtenha outro resultado que não seja a derrota para o Atlético. O clima já esquentou até entre os próprios americanos, visto que uma pequena parte da torcida não concorda com a entrega do jogo, inclusive porque pode custar ao clube uma vaga na Copa do Brasil de 2012. Caso o Figueirense não conquiste uma vaga na Libertadores, poderá ultrapassar o América no ranking da CBF e tomar a vaga do clube mineiro na Copa do Brasil. Em princípio, o América deve ficar com a última vaga destinada aos melhores ranqueados. Aos defensores do “entrega coelhão”, mais importante é ver o rival na Segunda Divisão, enfrentando inclusive o próprio América.

O discurso dos jogadores e da diretoria do América não poderia ser outro, o de que vão jogar como sempre, sem se preocuparem com outros clubes. Na prática não se sabe, mas a escalação do América que, ao que parece só será anunciada pouco antes da partida, já poderá nos dar indícios do comportamento do time em campo. Nos coletivos da semana Givanildo começou com o time titular em campo.