Polêmica: clássico carioca gera resistência em Recife

Itaipava Arena: nenhuma das cores de Pernambuco no domingo (foto: divulgação)

Revolta de um lado, comemoração de outro. Desde essa quinta estão à disposição do torcedor pernambucano os ingressos para o grande clássico de domingo. Não, não se trata de nenhum jogo entre as três principais forças locais, Sport, Santa Cruz e Náutico – o “dono” da Arena. É sim o clássico Vovô, Botafogo e Fluminense, marcado para São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife. Será o primeiro grande clássico da Arena… Pernambuco. Alegria para os torcedores dos times do Rio na região, revolta daqueles que apoiam o futebol local.

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O jogo entre Botafogo e Fluminense fez com que a partida do único clube pernambucano com contrato com a Arena fosse antecipado. Náutico e Ponte Preta duelam no sábado, um dia antes do jogo entre os cariocas. Os torcedores locais se rebelaram, não importando a camisa. O Santa Cruz jogará também no domingo, no Arruda, contra o Cuiabá, pela Série C do Brasileiro. Um movimento intitulado Movimento Popular Coral, da torcida do Santa, lançou um desafio: colocar mais gente no Arruda que na Arena. Em entrevista ao jornalista Leonardo Mendes Jr. um dos líderes do MPC, Lucas de Souza, disse que os rivais se uniram na ideia de descredibilizar o duelo carioca: “Deslocaram o jogo do Náutico para sábado para dar vaga a esse Botafogo x Fluminense só com intenção financeira e de fazer os nossos torcedores torcerem por times de fora. Os pernambucanos sempre foram resistentes a times de outros estados e agora a revolta foi grande e rápida. A própria administração da Arena ficou surpresa pela reação. Conseguiram provocar uma rejeição das três torcidas. Vamos por mais público no Arruda para desmoralizar esse clássico carioca.”

A administração da Arena sentiu o golpe, mas justificou a ação. Ainda sem contratos com Sport e Santa – que não pretendem sair de suas casas – a ideia é buscar toda a renda possível com o novo estádio. Segundo informações do jornalista Cássio Zirpoli, “na parceria público-privada, o governo do estado terá que suprir o rombo no faturamento anual caso a receita da temporada seja abaixo de 50% da previsão inicial, de R$ 73,2 milhões, segundo aditivo assinado em 21 dezembro de 2010.” Os valores do aluguel para o jogo com mando do Botafogo ainda não foram divulgados, mas os ingressos custam entre R$ 30 e R$ 60, sendo que o sócio do Botafogo pode pagar 50% do valor. Nos jogos do Náutico, que está trocando os Aflitos pela Arena, o desconto ao associado é de 30%.

Em um estudo recente divulgado pela Pluri Consultoria, o Estado de Pernambuco ficou em 5o lugar entre os mais resistentes a “invasão” de torcedores de outras praças. Cerca de 60% da população prefere os times locais, índice maior que de praças tão fortes quanto, como Bahia e Paraná, e atrás apenas de quatro estados, pela ordem: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Habitualmente vista em jogos de times do sudeste na região, a faixa “Vergonha do Nordeste” expõe um pouco a rivalidade inter-estadual entre os torcedores locais e os que vem de fora. Nada que incomode o pessoal de torcidas como a “ReciFogo” e “ReciFlu”, que devem contar com reforço de simpatizantes dos mesmos clubes nas cidades da região.

A imprensa local entrou na briga. Na capa do SuperEsportes, portal de notícias da região, o fórum de discussão provoca: “Quem for à Arena domingo é Pernambubaca?” No blog de Zirpoli, uma enquete aponta rejeição de 70% das três torcidas a ideia de receber jogos “forasteiros”. Dos 30% favoráveis, 9% são torcedores do Náutico, em tese, os maiores interessados. Os tricolores, com ou sem reforço dos torcedores de Sport e Náutico, pretendem por três vezes mais torcedores no Arruda que o número presente na Arena. E a discussão deve continuar: em Pernambuco já se comenta que Flamengo x Grêmio, na 16a rodada em 25/08, deve ser jogado na Arena. Sem poder usar o Maracanã e nem o Engenhão, o Flamengo mandará o jogo desta mesma rodada, contra o Coritiba, em Brasília – onde os times locais praticamente não têm vez. 

E você, o que acha disso tudo?

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O grande clássico do interior do Paraná

Quando o árbitro Felipe Gomes da Silva apitar pela primeira vez, por volta das 22h da noite desta quarta-feira, Operário e Londrina vão mostrar porque é que, dentro de um calendário racional e que atenda as necessidades de todos os clubes, os Estaduais não podem morrer – e devem se adaptar para isso.

Fantasma e Tubarão carregam consigo a marca de hoje fazerem o grande clássico do interior do Paraná. E a despeito da campanha irregular do Operário, são os clubes longe de Curitiba que hoje têm algo a dizer. Situados em duas grandes cidades do Estado 5o PIB do Brasil, ambos tem torcidas numerosas e pretensões de ir além das divisas. Nesta temporada, o Londrina está na frente.

Longe de um tempo em que o café reinava e ajudou a dar três estaduais e um Brasileiro B ao Londrina, e em que o Operário fazia das suas até ganhar o apelido que o identifica, os últimos anos têm sido de alento para alvinegros e alvicelestes. Depois de penarem até na Série B local, hoje pretendem vagas na Série D nacional e na Copa do Brasil. E, junto com Arapongas e Cianorte, vêm se alternando nas disputas para isso. No entanto, OFEC e LEC  têm o bônus de terem camisas tradicionais e torcidas apaixonadas em um Estado que é uma pizza de três sabores: paranaense só no sul, com norte paulista e sudoeste gaúcho.

A história dos confrontos oficiais entre Operário e Londrina vem de 1970, logo após a fusão que fez o Tubarão ser LEC. Até então o regulamento dos Estaduais dividia norte e sul. O primeiro encontro foi em Ponta Grossa, em 22 de fevereiro de 1970. Deu Operário, 4-2.

Em 2012 duelos terminaram com vitória de quem visitava o rival (Foto: Operário.com)

Mas, ao longo dos anos, o Londrina tomou a dianteira nos encontros entre os clubes, que são 38 até aqui. O Tubarão venceu 14, com 14 empates e 10 vitórias operarianas. São 47 gols alvicelestes e 33 alvinegros.

A história entre Operário e Londrina é composta por muitos hiatos. Ora pelos regulamentos malucos da FPF, ora pelo desempenho dos clubes, incluindo o licenciamento do Fantasma, cujo retorno à elite paranaense se deu depois de 10 anos em 2010 – ano em que o Tuba amargava a Série Prata, nome então da segundona paranaense. Os clubes se enfrentaram em 15 Estaduais (1970, 74 a 76, 79 a 83, 89 a 93 e 2000) e se reencontraram em 2012 com vitórias para os visitantes: Londrina 2-0 em PG e Operário 1-0 no norte. Apesar de serem tantos empates quanto o maior número de triunfos, o primeiro deles levou 12 anos para acontecer: 1-1 em 02 de maio de 1982, depois de um longo tempo em que só se ganhava ou perdia nos duelos.

Os clubes também se encontraram pela Série B Brasileira em quatro ocasiões. Em 1991 o Londrina levou as duas 3-1 e 1-0; dois anos depois, em 1993, os times protagonizaram dois 0-0. Apesar dos encontros valerem por um torneio nacional, pode-se dizer que o jogo mais importante entre os times aconteceu no meio dos quatro jogos, pelo Paranaense de 1992. Em 8 de novembro daquele ano, no quadrangular semifinal do Estadual, o LEC fez 3-1 e ganhou o direito de enfrentar o Atlético nas semifinais olímpicas. Venceria e encontraria o União Bandeirante (que eliminara o Paraná Clube) na última decisão caipira no Paraná, vencida pelo Tubarão.

Com exibição na TV, o jogo entre Operário e Londrina de 2013 ocupa um espaço de valorização dos sucateados estaduais. Que precisam repensar a fórmula, dando chance de crescimento aos que merecerem em campo e calendário e estrutura aos que sobrarem.

Afinal, o futebol é feito de boas histórias, como a que promete ser escrita no Germano Kruger hoje.

Por falar em boas e histórias, relembre o quadro Que Beleza de Camisa! com Operário e Londrina clicando no nome dos clubes. Você não vai se arrepender!

Paratiba #94: um clássico como há muito não se vê

Empatados na liderança do Estadual em quase todos os critérios (o Coxa está na frente por ter tomado menos cartões amarelos), Paraná e Coritiba duelam pela 94a vez na história nesse domingo, na Vila Capanema, com um equilíbrio de ambições como há muito não se via.

Sem vencer o rival desde 21/02/2010, quando fez 1-0 em Paranaguá, o Paraná aparece como postulante ao título do primeiro turno – e eventual finalista – o que não acontece desde que foi campeão pela última vez, em 2006. A derrota em Paranaguá também foi a última do Coritiba em clássicos em Estaduais. Desde então, o clube se sagrou tricampeão paranaense, com um título invicto em 2011.

Somando-se a tudo isso, em campo estarão dois dos maiores ídolos de cada clube: Alex, pelo Coxa, e Lúcio Flávio pelo Paraná. O leve favoritismo que o Coritiba poderia ter fica aplacado pelo bom início tricolor e o mando de campo, que equilibra as situações.

Para quem é supersticioso, os vídeos abaixo apontam números desfavoráveis ao Coxa. Com Alex em campo, o Coritiba foi goleado no já distante ano de 1997, última vez em que o ídolo coxa-branca encarou o Tricolor. Alex marcou duas vezes, mas não foi o suficiente:

Lúcio Flávio também já enfrentou o Coritiba em outra época. A partida mais memorável foi em 1999, quando o Paraná, então jogando na Vila Olímpica, aplicou uma goleada histórica, com um time basicamente formado por jovens. Entre eles, o próprio Lúcio Flávio:

As goleadas acima, no entanto, não devem ser parâmetro para o jogo deste domingo, que promete ser equilibrado. Na história, são 35 vitórias do Coritiba, 31 do Paraná e 27 empates.

Com ídolos em campo e equilíbrio na tabela, o Paratiba #94 promete resgatar a rivalidade do clássico, que já foi acirrada nos anos 90, quando os times decidiram por dois anos (1995/96) seguidos o título estadual.

No clássico dos italianos, quem decide é o japonês voador

Inter x Milan? Que nada! Foi em Santa Felicidade que o sangue italiano ferveu

por Ana Claudia Cichon*

O caminho rumo ao estádio Francisco Muraro, palco da partida deste sábado (6), já trazia um ar do duelo italiano. Os restaurantes típicos de Santa Felicidade – com o tradicional cardápio de frango, polenta e risoto, além de um belo vinho – serviam como aperitivo aos torcedores que aproveitaram o dia ensolarado para acompanhar mais uma rodada da Suburbana.

Trieste e Iguaçu, ou o clássico da polenta, representam uma das maiores rivalidades do futebol amador de Curitiba.  Desde a década de 1940 imigrantes italianos se reuniam nos campos para acompanharem seus conterrâneos em partidas disputadíssimas. “Já vi jogador discutindo com adversário e brigando com torcedores, mulheres de sombrinha e vestidos longos torcendo por namorados ou familiares, jogos de muitos gols, lances inusitados e outras situações que só jogos entre estes dois clubes proporcionam”, conta Leônidas Dias, um dos maiores radialistas esportivos do Paraná, que há anos dedica-se ao futebol amador do estado.

Nas arquibancadas ainda é possível ouvir algumas vozes com aquele sotaque típico, seja nas conversas informais do intervalo, nos cantos de incentivo às equipes e até mesmo no bate-papo com os presidentes e diretores dos times, mas já não se vê descendentes do país da pizza defendendo os clubes. Tanto é que o grande destaque da partida foi Hideo, o japonês voador.

Com 34 anos, Hideo Garcia ainda está voando nos gramados. A velocidade, as jogadas inesperadas e, claro, a origem oriental, lhe renderam o apelido de japonês voador. “Quem inventou isto foi o Chicora [narrador esportivo da equipe Rolando a Bola], por eu ser um jogador rápido e com boa movimentação”, explica.

Entre idas e vindas, já soma seis anos no futebol amador, sempre com muita dedicação e esforço. “Hoje para mim já é um trabalho, algo que eu realmente faço por amor”. Hideo teve passagens por alguns clubes do futebol profissional, como Paraná Clube, Locomotiva (Rússia) e CFZ, mas acabou retornando ao futebol varzeano, onde já foi eleito destaque em diversos campeonatos e vem conquistando títulos, como a Suburbana de 2011 pelo Bairro Alto e a Taça Paraná deste ano pelo Internacional de Campo de Largo. E para esta temporada espera levantar mais um caneco.

  • O jogo 
Antes do jogo, tudo em paz. Depois… (Foto e Vídeos: Ana Cichon)

Como todo clássico, a partida foi bastante disputada e o árbitro José Mendonça da Silva Jr. teve trabalho para acalmar os ânimos dentro e fora de campo. Foram entradas duras, diversos cartões amarelos e discussões com os bancos de reserva, principalmente no lance mais forte da partida – uma falta justamente no jogador Hideo, que rendeu reclamações dos dois lados.

Apesar do jogo nervoso, o primeiro tempo foi bastante morno, com poucas chances de gols. Mas já no início da segunda etapa o Iguaçu abriu o placar com Clé e passou a dominar a partida, principalmente com as jogadas do japonês voador, que se define como o equilíbrio do time. “O Juninho [treinador do Iguaçu] orienta para que todas as bolas passem por mim”, ressalta. E foi justamente em jogada de Hideo que surgiu o lance para o segundo gol da equipe alvinegra. Em cobrança de pênalti, Marlon ampliou o marcador.

Clássico italiano ferveu em Santa Felicidade (Foto e vídeos: Ana Cichon)

Atrás no placar e precisando de um bom resultado para continuar na briga para classificação para a próxima fase, o Trieste foi para cima e conseguiu descontar com Zico, em jogada pela direita. Mas foi só. O Iguaçu segue na liderança do grupo, com 10 pontos, enquanto o Trieste, após dois empates e uma derrota, está em terceiro lugar, com apenas 2 pontos.

  • Curiosidade

O trio de ferro da capital esteve bem representado no embate deste sábado. Pelo lado o Iguaçu, a dupla Atletiba: Flávio (ex-zagueiro do Coxa) e Luisinho Netto (ex-lateral direito do Furacão). Já o Trieste contou com o ex-zagueiro paranista Ageu que, fora de ritmo, saiu ainda no início do primeiro tempo.

Trieste: André, Rafael, Zico, Baloi, Ageu (Dalton), Raul, Aroldo (Dudu), Goiano, Flávio, Malzoni e Edvaldo (Edu). Técnico: Rossano

Iguaçu: Vilson (Leandro), Murilo, Flávio, Luciano, Emerson, Luisinho Netto, Hideo, Nilvano (Clé), Douglas, Marlon e Guilherme (Jé). Técnico: Juninho

  • Resultados da rodada

Trieste 1×2 Iguaçu
Novo Mundo 0x1 Bairro Alto
Combate Barreirinha 2×1 Santa Quitéria
Nova Orleans 3×3 Urano

*Ana Claudia Cichon é jornalista e acompanha o futebol amador de Curitiba

Atletiba #351: ainda a arbitragem – mas era pra ser mais que isso

Foi um grande jogo. Placar de 2-2 e vantagem pequena para o Coritiba, que agora decidirá em casa, onde não perde há 4 anos para o Atlético – que, de quebra, terá que fazer jogo duro em MG, contra o Cruzeiro, enquanto o Coxa descansa.

O Atletiba 351 merecia ser lembrado pelas alternativas: o Coxa que saiu na frente em jogada individual de Éverton Ribeiro, limpando bem o bote errado de Bruno Costa e batendo com o “pé ruim”, segundo ele. Menino tem estrela em clássicos; poderia também ser lembrado pela insistência de Liguera no primeiro gol atleticano, ao brigar pela posse de bola duas vezes, até que no bate-rebate, sobrasse para Bruno Mineiro. Que se não é um Batistuta, mete gols (não a toa tem 12 gols, mesmo tendo ficado de fora de quase todo o segundo turno). O insistente Liguera também dividiu com Vanderlei, que falhou no gol da virada rubro-negra; depois, Anderson Aquino empatou, premiando a ousadia de Marcelo Oliveira em detrimento do erro de Juan Carrasco, que sacou Ricardinho para entrada de Zezinho, recuando o time. Oliveira foi pra cima e buscou o empate.

Mas aí começam as reclamações. E, sempre com a ressalva de estar horas depois, com o controle da TV na mão, peguei mais um piolho na arbitragem ruim de Evandro Rogério Roman, que pelo porte físico acima do peso mostra que a Secretaria de Esportes lhe está dando prosperidade.

Anderson Aquino estava impedido no gol de empate do Coxa. Vi, revi o lance, voltei a imagem, já no Revista RPC. Tarde, mas válida observação por que vai de encontro ao evidente: a arbitragem paranaense está em baixa. Primeiro, a imagem:

Emerson toca na bola para driblar Manoel e ela sobra para Aquino, impedido
O vídeo abaixo tem os melhores momentos da partida. Em velocidade, percebe-se melhor, no ângulo lateral, o erro de arbitragem que ia passando batido:

Update: link com a imagem da Revista RPC:

http://redeglobo.globo.com/platb/rpctv-revistarpc/2012/05/07/decisao-do-paranense-ficou-para-o-segundo-atletiba/

Não foi o único erro. Quando o jogo estava 2-1 para o Atlético, houve um pênalti claríssimo de Bruno Costa, ao tocar com a mão na bola dentro da área:

E ainda com o placar em 2-1 Furacão, um pênalti claro de Lucas Mendes em Zezinho, no link abaixo no site da TV Globo:

http://globotv.globo.com/globocom/tempo-real/v/polemica-zezinho-cai-na-area-mas-o-juiz-manda-seguir-aos-26-minutos-do-segundo-tempo/1935373

Não foi por falta de aviso: o campeonato inteiro foi repleto de erros de arbitragem. Como a questão se tornou política, esqueceram de se preocupar com a qualidade. Mas os dois melhores, Heber e Roman, vivem má fase. Pelo físico, Roman já está pensando em se aposentar. E Heber Lopes segue o mesmo caminho, apitando de longe os lances.

Já está virando folclore, claro. Afinal, o Atlético sempre acaba tendo algo a reclamar e, como a vantagem recente do Coritiba em clássicos perdura, tudo caminha para chacota. Normal para os torcedores.

Mas para quem dirige o futebol paranaense, não. Não creio em teorias da conspiração. Não seria a mesma FPF que brigou com o Coxa pelo uso do Couto Pereira ao Atlético que iria armar um campeonato para o Alviverde. A resposta é bem mais simples: desqualificação.

Ainda há tempo de pensar em árbitros melhores para a finalíssima.

Fiasco

Alguém, escrevendo em tom parecido com o que o presidente Mário Celso Petraglia usa em seu twitter pessoal, usou a ferramenta de comunicação do clube para culpar a arbitragem (nada sobre o lance de Anderson Aquino, acredito que a primeira menção seja aqui no blog) e… “desabafar” contra o momento do próprio clube.

Um fiasco. O twitter do clube, com cerca de 40 mil seguidores, é uma ferramenta institucional de comunicação. Não pode se prestar a desabafos de quem quer que seja. Se foi um estagiário ou profissional contratado, deve ser identificado e responder por isso; se foi o presidente, que já negou (mas tem um estilo muito característico de se expressar para ser confundido), pior ainda, pois teria se apossado de um meio institucional que ele mesmo prega ser o melhor canal de comunicação do clube. Provou que, nesse caminho, está longe disso.

Aliás, o próprio TJD-PR pode impor uma sanção ao clube, que tem meios oficiais para reclamar, protocolando na FPF.

Feio.

Vantagem

Uma semana para descansar, tratar Rafinha, defender um tabu de 4 anos, com casa cheia. O Coritiba é favorito para ser campeão, embora seja uma vantagem muito curta, já que os times são parelhos. Joga só pela vitória (novo empate e teremos pênaltis) mas evitou que o Atlético usasse o seu mando de campo como arma.

Longe de dizer que o Atlético está morto, porque não está. Mas existe uma pequena e inegável vantagem para que o Coxa chegue ao tri-estadual.

#350: O melhor Atletiba dos últimos tempos

Cordialidade, antes do apito; depois o bicho pega em campo

 O Atletiba 350 tem tudo para ser o melhor Atletiba dos últimos tempos. Talvez o melhor desde o 342, no já distante outubro de 2009, quando o Furacão saiu na frente com um gol contra de Ariel, que empatou logo em seguida; Jéci virou, Marcinho empatou na metade do 2o tempo e quando o empate, ruim para os dois, parecia consolidado, Marcos Aurélio fez o terceiro. Os times brigavam contra o rebaixamento na Série A e parecia que o Atlético tinha encomendado a passagem com o resultado. Mas não foi o que aconteceu: quem acabou caindo foi o Coritiba. Desta vez, porém, o resultado deve ser mesmo fatal para um dos dois.

Explico: quem vencer o clássico, põe a mão no título de 2012. A obviedade da frase tem nuances, em especial para o Coritiba. O Atlético, se vencer, será campeão paranaense. Não matematicamente, mas é pouco provável que o time não vença o ACP na Vila Capanema na última rodada e confirme a conquista. Se perder, verá o Coxa conquistar matematicamente o returno e garantir a decisão no Alto da Glória. Ou seja, terá que fazer o jogo derradeiro na casa do inimigo, como fará amanhã. Para o Atlético, é vencer ou vencer. Não há nada a perder. Se houver uma derrota do rubro-negro amanhã, o máximo que pode acontecer é o time ter que vencer um dos jogos da final e buscar o empate no outro. Se vencer, mata tudo já na raiz. Logo, será um Atlético ofensivo, franco-atirador.

O Coritiba não. O Coxa, paradoxalmente, não precisa vencer, embora seja proibido a ele perder. É claro que também pode matar o problema na raíz, derrotar o rival e já garantir que terá que ir buscar um empate em campo alheio para trazer tudo para o Couto. Mas também pode administrar o empate. Se mantiver a diferença de dois pontos na classificação, o Alviverde garante o turno e a vantagem do mando na finalíssima ao bater o Roma em Apucarana na última rodada. O que deve acontecer com tranquilidade, pois o Roma pode até mesmo já estar rebaixado. Logo, o Coritiba não precisa atacar, basta não errar. Pode ser cauteloso.

Só que o Coritiba jogará em casa, no embalo da torcida alviverde, única presente ao estádio. O que pode ser um peso psicológico ao jovem time do Atlético, bem como pode ser um belo combustível. Não se sabe. Só após os primeiros minutos é que poderemos ter uma noção se estar com a torcida toda a favor será mesmo bom para o Coritiba ou se o Atlético poderá tirar proveito da situação. Pode ser que o Coxa esqueça a cautela e se empolgue; pode ser que o Furacão não se intimide. São muitas as alternativas.

Mas não é tudo. Justamente num jogo em que um pode ser cauteloso e outro franco-atirador, os técnicos parecem que estão encontrando os cenários que mais gostam.

Marcelo Oliveira nunca negou que gosta de posse de bola, de jogo cadenciado, com marcação firme no meio. O Coritiba 2011, de tanto sucesso, fazia do toque de bola sua principal arma. O time abusava das tabelas rápidas e tinha ainda alternativas como os chutes de fora da área, as jogadas individuais de Rafinha e os cruzamentos para Emerson e Pereira. Neste ano, perdendo peças, Oliveira não conseguiu ainda repetir a fórmula. O Coxa segue valorizando a posse de bola, fazendo com que ela rode bastante no meio. Mas não tem a velocidade do ano passado e ainda conta com um Rafinha em baixa. A marcação segue sendo prioridade, mas sem o mesmo poder. Oliveira pode fechar um cinturão e apostar nas bolas paradas e na individualidade. O cenário permite, há uma zona de conforto.

Esquema tático do Coritiba: reforço no meio-campo

Com essa formação, o Coritiba terá 4 homens para girar a bola (Tcheco-Lincoln-Rafinha-Roberto), 2 na marcação (Urso-Tcheco) e 2 mais agudos (Rafinha-Aquino). Rafinha deve alternar posição com Roberto, empurrando o avante para a área quando Jonas descer. Eltinho, se confirmado no time, fará o mesmo quando puder, com Tcheco mais atrás e a chegada de 5 homens em alguns momentos (Eltinho-Lincoln-Rafinha-Aquino-Roberto).

E o Atlético, que precisa ganhar para matar a parada, mas pode perder que terá nova chance de ser campeão? Será do jeito que Carrasco gosta: ofensivo, com três homens fixos à frente, com um meio campo de toque de bola, em tese menos povoado que o rival, mas com qualidade o suficiente para avançar até a grande área com poucos toques. Durante todo o ano, o Atlético de Carrasco buscou o que ele chama de “contundência”: agride o adversário o tempo todo e tem rápida recomposição sem a bola. Ora com Ricardinho, ora com Bruno Furlan e Marcinho de um lado, e com Guerrón principalmente na direita, o Atlético sempre teve o seguinte desenho: dois homens abertos nas duas pontas, com pouco uso dos laterais; uma referência no meio, que hoje é Marcinho, mas pode ser Edigar e já foi Harrison; e um a dois armadores: Liguera e/ou Baier. Até mesmo o volante de marcação se aproxima do ataque, especialmente quando esse é Zezinho, um meia de origem.

Esquema do Atlético abusa da velocidade nas pontas

A formação acima ainda não é a confirmada. Mas ela inibe as descidas de Eltinho e até mesmo Jonas, pois Guerrón cai para os dois lados. Liguera, Marcinho e Baier avançam no toque de bola até a entrada da área. Edigar pode ser um homem de área ou um bom ponta, usando velocidade. Na formação acima, Deivid é o homem de marcação, com uma linha de 4 homens atrás (Marques-Manoel-Foguinho-Héracles). Durante o jogo, se Zezinho for opção em lugar de Deivid, Foguinho se junta a marcação no meio, com o quarteto de trás virando trio. Se quem sair for um dos meias, Zezinho aparece na armação e reforça a marcação atleticana. Que é feita por todos os homens – o que aliás pode sobrecarregar Paulo Baier.

Ainda sobre análise tática da partida, recomendo os posts de Leonardo Mendes Jr. sobre as 5 maneiras de cada time vencer:

http://www.gazetadopovo.com.br/blog/bolanocorpo?id=1246403&tit=5-maneiras-de-coritiba-e-atletico-vencerem-o-atletiba

E também a reportagem sobre a cabeça e estilo dos técnicos, de Lycio Vellozo Ribas e Silvio Rauth Filho:

http://www.bemparana.com.br/noticia/213414/um-classico-e-dois-estilos

Alternativas não faltam. O jogo certamente será franco, por mais que o Coritiba possa apostar em cautela, porque terá espaços. A riqueza de elementos, como pressão de uma só torcida, tamanho do campo, esquemas táticos tão diferentes, me fazem crer que teremos um Atletiba mágico, como nos velhos tempos.

Por favor, 0-0, passe longe do Couto amanhã.