O dia em que Washington e Lincoln caíram em Brasília

Política e Futebol. Com religião, fecham o tripé das discussões mais acaloradas no Brasil. Não a toa, pais homenageiam santos e anjos, Gabriel, Rafael, Pedro. Uns mais ousados, vão de Jesus nos filhos. Outros preferem a bola: Ronaldo, Rivellino, Romário. Mas há quem prefira a política.

Foi na estreia de Romarinho – esse, legítimo, filho do deputado Peixe – pelo Brasiliense. O jogo não foi lá essas coisas. O “Peixinho” entrou no intervalo, com o time dele já perdendo para o Brasília, por 1 a 0.  Seria a substituição mais relevante do jogo, certo? Que nada.

Washington sobe, Lincoln entra, mas Brasília é quem sai por cima

Na Capital Federal, a democracia deu as caras mais uma vez, no mais popular dos esportes. Aos 29 minutos da segunda etapa, aos olhos de alguns parlamentares e assessores que certamente faziam parte dos 1117 pagantes, como o deputado Romário, Washington deu lugar a Abraão Lincoln no Brasiliense.

Nem Barack Obama esperaria por essa.  Num país que consome EUA no almoço, no café e no jantar, o futebol, esporte dos simples, prestou uma homenagem à Casa Branca com dois de seus comandantes mais importantes: o primeiro e o décimo sexto. Washington, 34 anos, é aquele mesmo, do Palmeiras, do Ceará; Abraão Lincoln tem 30 anos, rodou pelo Japão antes de suceder Washington no comando de ataque.

Mas Brasília resistiu à incursão americana trajada com o amarelo do Jacaré. Melhor: ainda fez 2 a 0, ignorando Romário, Romarinho e os presidentes. O carrasco? Um tal Luquinhas – nome de anjo, adaptado pela mania brasileira de reduzir tudo. Aqui é Terra Brasílis, meu chapa! Raul queria vender tudo ao estrangeiro, mas não será preciso. E Abraão Lincoln vai ter que esperar o Oscar – ou a próxima rodada do Candangão 2012 – pra vencer alguma coisa.