Cornetadas das torcidas na rede ganham site divertido

As redes sociais permitiram uma integração maior entre os clubes, jogadores e seus torcedores. Mas quando a fase não é boa, sobra pra todo mundo. Quem nunca cornetou um técnico, um jogador, uma decisão? Pela internet, a cornetagem cresceu e agora chega diretamente ao alvo. De olho nisso, um jornalista de São Paulo resolveu compilar as melhores cornetadas em um site.

 
 

Rafael Techima criou o “Olha o Carinho da Torcida”, uma reunião das principais cornetadas das torcidas nas FanPages e perfis oficiais dos clibes. “A ideia surgiu depois de reparar que muita gente respondia de forma raivosa ou irônica os posts dos clubes e dos atletas nas redes sociais. Dessa forma, pensei em organizar o que há de melhor nessa “nobre arte”. Me divirto muito pesquisando os comentários ou replys!”, conta Rafael, que é são-paulino e não poupa – como visto acima – ninguém.

 
 

Rafael procura as postagens em todos os principais clubes do Brasil e já conta com ajuda. “Não monitoro um clube específico, dou uma passada em todos os principais. Claro que quando algum deles perde ou não está em uma boa fase, o trabalho é muito facilitado. Há a possibilidade do torcedor encaminhar sua sugestão pelo próprio tumblr ou por este e-mail mesmo.”

O sucesso já fez com que mais de 1000 pessoas entrassem, apenas na primeira semana, na FanPage do blog. E esse não é o primeiro “trabalho” dele na linha da cornetagem.

 
 

Rafael já dava as suas próprias cornetadas nos colegas de imprensa com o “Taison ou Messi?” (referência à essa coluna do gaúcho Wianey Carlet), que divulga barrigadas da imprensa esportiva – clique aqui para conhecer

Jogadores e clubes que se cuidem: as cornetadas virtuais estão afiadas!

 
 

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Torcida do Vasco detona Twitter do clube por má fase

A ira dos vascaínos com a entrada do time na zona de rebaixamento no Brasileirão chegou às redes socias. Nesta terça, em uma postagem padrão do administrador da conta do clube no Twitter, a reação dos torcedores causou espanto em quem navegava na web. Veja na imagem abaixo, que circula pela internet – sem cortes:

As mensagens foram excluídas nesta quarta, como você pode conferir neste link.

Dica do atento Guilherme Voitch.

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Atlético recria a Hungria de Puskás

Puskas parece o Walter, mas era melhor fisicamente que a imensa maioria

O ano era 1952. A Hungria já tinha alguma tradição, vice-campeã do Mundo em 1938 ao perder para a Itália. O futebol era recanto de bôemios, marginalizado pela sociedade, embora curiosamente já arrastasse multidões para os estádios. Começando pelo Honved e chegando até a seleção, os húngaros fizeram algo que até então ninguém havia pensado: se prepararam fisicamente. O jogadores tornaram-se atletas. A Hungria ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Helsink, na Finlândia e em 52 jogos internacionais até 1956, perdeu apenas um. Justamente a final da Copa de 1954, para a Alemanha, a quem na primeira fase havia enfiado 8-3. Coisas do futebol.

O ano é 2013. Em decisão polêmica, mezzo técnica, mezzo política, o Atlético retira o time principal do Estadual e leva para uma pré-temporada na Espanha. Vence um torneio curto, contra times do Leste Europeu, enquanto o time Sub-23 apanha no Paranaense. Volta e fica no aguardo, vendo a reação do Sub-23, que, dada a estrutura do clube, a precariedade dos adversários e três ou quatro talentos, chega a decisão contra o forte Coritiba de Alex. O clube perde, mas o projeto estava 50% pronto, como constatado aqui. Os outros 50% dependiam do sucesso do elenco profissional, que patinava em amistosos contra reservas de Cruzeiro, Figueirense, Goiás e Atlético-GO.

A pré-temporada durou seis longos meses. O Brasileiro começa e, sem ritmo, o Atlético entrega pontos para Fluminense e Vitória, mesmo jogando melhor, e cede empates para Flamengo e Cruzeiro, depois de abrir 2-0. Questionado, o técnico Ricardo Drubscky é substituído por Vagner Mancini, mais experiente e mais próximo dos jogadores. Depois da Copa das Confederações, o Atlético sai da 19a posição para o 4o lugar. Derruba uma invencibilidade histórica do xará mineiro no Horto, bate no líder Botafogo, impõe 3-0 ao Palmeiras, líder isolado na Série B. Tudo com um time mediano, cujo talento máximo é Paulo Baier, 38 anos. Qual o segredo?

As pernas.

Não são apenas um ou dois lances que demonstram isso nos jogos do Atlético. Especialmente no 2o tempo dos jogos, o Furacão passa a sobrar em campo. Jogadores rápidos, como Léo, Manoel e Marcelo, se tornam ainda mais rápidos que os demais; o zagueiro do Atlético nunca chega atrasado nas bolas. Não leva cartões nem permite muitos lances de perigo. Os atacantes chegam quase na frente dos adversários. Um clube com orçamento menor que outros 12 clubes na Série A vai cumprindo seu objetivo. Ainda tem chão, tanto na Copa quanto no Brasileirão. Falar em título pode ser utopia para alguns, mas, com um campeonato tão aberto, mesmo com elenco modesto, o Furacão se permite sonhar. Ao menos com uma vaga na Libertadores.

Dos titulares – 12, se incluído Ederson, o reserva de luxo artilheiro do Brasileirão – apenas o volante Bruno Silva e o atacante Dellatorre não estiveram na pré-temporada. Zezinho é o único que disputou o Estadual. Destaques como Douglas Coutinho, Deivid e outros ainda desfalcam o elenco. E ainda há os misteriosos Maranhão, meia que veio do México, e Frán Mérida, formado no Barcelona, que não deu as caras nesse time de 2013.

Enquanto todos jogavam os Estaduais, o Atlético inventou seu calendário. Aguentou a festa do rival Coritiba tetracampeão e agora parece estar colhendo os frutos. O Corinthians, campeão do Mundo, teve de antecipar as férias e já fez 28 jogos a mais que o Furacão; o líder Cruzeiro, 15 a mais; o Botafogo, 20 a mais. O que menos jogou na Série A foi o Vasco, 12 partidas a mais que o Atlético, e isso porque foi eliminado precocemente do Cariocão.

Todas as equipes vão perder jogadores por lesão e cartões; todas vão sentir as pernas em algum momento. São Paulo e Santos chegarão ao absurdo de fazer quatro partidas em menos de 10 dias, para cumprir a tabela em função de viagens ao exterior – outro desgaste. O Atlético estará nessa, mas com menos desgaste.

Para confirmar a vitória da ideia, o Furacão precisa ser ao menos semifinalista da Copa do Brasil e beliscar uma vaga na Libertadores. Se não conseguir, já deixará uma pulga na orelha de todos os clubes. Se conseguir isso ou mais – um título, por que não? – poderá mudar a cara do futebol brasileiro.

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Arbitragem ruim: vai acontecer com seu time também

O pênalti da discórdia: vai acontecer com todo mundo

O Coritiba foi prejudicado por um pênalti mal marcado à favor do Corinthians, o que transformou um empate que manteria o Coxa no G4 numa derrota que pôs o Timão lá. Isso é um fato: o árbitro marcou um pênalti que é tão unânime não ter existido que até nos faz pensar se não foi mesmo. E não foi.

Então, é o Corinthians, no Pacaembu. E as teorias da conspiração começam. Não foi a primeira vez que o Coritiba foi prejudicado por um erro de arbitragem e não será a última. Não foi a primeira vez que o Corinthians foi beneficiado e, acreditem, não será a última. Proposital?

Como jornalista e apaixonado pelo esporte, enquanto não se tiver provas, não tenho como acreditar que seja proposital. Que na verdade trata-se de acaso e incompetência.

Senão, vejamos: na última quarta-feira, em Curitiba, o Coxa arrancou um empate suado com a Portuguesa depois dos 45 do segundo tempo, com um gol de Bill, em posição de impedimento. O jogo não foi num domingo à tarde, com transmissão para boa parte do Brasil, como o duelo entre corintianos e coxas-brancas. As reclamações da Lusa passaram batidas. A Lusa não é a única a ser prejudicada, como o Coxa também não é. 

Segundo o site Placar Real, que monitora reclamações dos clubes e simula uma classificação sem os supostos erros, os times mais prejudicados no Brasileirão até aqui são Atlético Paranaense, Vasco, Grêmio, Portuguesa e, acreditem, Corinthians – isso, antes das avaliações da 15a rodada. Entre os beneficiados, o destaque é o Inter, com três pontos contabilizados, seguido de Goiás, Cruzeiro e Criciúma.

O problema não está no pênalti inexistente marcado para o Corinthians. Está na qualidade da arbitragem, não só no Brasil, mas em todo o planeta. Arbitragem que pode ser covarde, conivente, incompetente e, principalmente, humana – portanto, falível. Mesmo com dois auxiliares novos extras na linha de fundo. Neste sábado, transmiti pelo Terra a vitória do Bayern sobre o Eintracht em Frankfurt. O time da casa teve um gol mal-anulado e acabou derrotado. Há que se dizer: não se viu em campo as reclamações acintosas que se vê no Brasil. Questão cultural. 

As teorias da conspiração vão manter os bares e mesas-redondas com assunto até a próxima rodada. Até o próximo erro grave. São muito fruto de uma cultura brasileira que dá muito espaço para os clubes de Rio e São Paulo e pouco olha para fora. O Coritiba – que poderia ser o Atlético, o Bahia, o Sport e até mesmo os mineiros e gaúchos – se sente desprestigiado em relação ao Corinthians. Está menos na mídia, gera menos polêmica, tanto pro bem, quanto pro mal.

O Corinthians, por sua vez, ficou estigmatizado pelo escândalo de 2005, no qual não teve nenhuma relação. As falcatruas por apostas ilegais envolvendo o então árbitro Edilson Pereira de Carvalho fizeram o campeonato ter jogos anulados. O Timão se beneficiou nas novas oportunidades enquanto o Inter perdeu a vantagem que havia construído antes. No confronto direto, erro grave a favor dos paulistas, no pênalti em Tinga, não marcado e que ainda gerou a expulsão do gaúcho. O Corinthians acabou campeão. Levou a taça e a imagem, mas, convenhamos: foi proposital? O próprio arbitro Márcio Rezende de Freitas já assumiu que errou no lance.

Se há conspiração, por que o gol de Aloísio, que aliviaria a situação do São Paulo, foi anulado contra a Portuguesa? Como o Palmeiras foi parar na Série B? Como o Atlético Mineiro chegou ao título da Libertadores, com direito a um pênalti corretamente marcado para o Tijuana, no meio do caminho, sendo que o Corinthians acabou eliminado com erros de arbitragem contra o Boca? A Conmebol afinal não desejava que um brasileiro fosse campeão mais uma vez, certo?

O problema é que o futebol é caro demais e profissional demais para permanecer com arbitragem amadora e sem auxílio de equipamentos eletrônicos. As decisões, que hoje custaram a um clube com o orçamento do Coritiba, bem menor que o do Corinthians, uma vaga no G4, estão na mão de apenas uma pessoa. Sem auxílio e com segundos para fazê-la.

Em Flamengo x São Paulo também houve pênalti mal marcado. Jadson perdeu. E aí entramos em outro assunto: se por um lado a Fifa deveria rever para ontem o auxílio eletrônico, os clubes também não devem se encostar no papel sedutor de vitima.

Um estudo publicado no livro Soccernomics (um Freaknomics da bola) aponta que os jogos com pênaltis marcados (correta ou incorretamente) acabam com vitória do favorito em 49% das vezes, enquanto os jogos sem nenhum tipo de pênalti marcado resulta em vitória do favorito em 46% das vezes. Os números foram extraídos de 1520 partidas na Premier League inglesa (que também tem times grandes e pequenos). Apenas 3% de diferença, estatisticamente desprezível. E isso porque pênalti (mal) marcado não é sinônimo de gol. Jadson que o diga.

Se os clubes se encostarem nos erros, se os torcedores se encostarem nas teorias conspiratórias e se a imprensa não identificar a causa real de tantos erros de arbitragem ao longo da história, o ciclo não terá fim. Bom para conversas de boteco, mas péssimo para o futuro do futebol num todo. Ninguém gosta de um jogo previsível e com cartas marcadas. E pode ter certeza: vai acontecer com o seu time também.

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Ceni, São Paulo, Super-Homem e o comunismo

Mito. Ídolo. Super-Homem. Controla tudo. (DC Comics)

Acabo de ler a mini-série “Superman: Red Son”, ou “Filho Vermelho”, que trata a realidade alternativa, nos quadrinhos, de como seria o Mundo se o foguete de Kal-El, partindo de Krypton, tivesse caído na Ucrânia e não nos EUA. Descoberto por Stalin, o Super-Homem tornou-se um símbolo do comunismo. Mesmo a DC Comics sendo uma editora norte-americana, a trama passa longe de condenar o sistema comunista e mais longe ainda das patriotadas típicas de Hollywood. Escrita por Mark Millar, mostra a ascensão do sistema sob o comando do Super-Homem após a morte de seu “pai” político, Stálin, na mesma medida em que ruía o capitalismo – e por consequência, os EUA. O Mundo, exceção feita aos norte-americanos, adere ao comunismo e vive seu momento mais glorioso. Ninguém passa fome, as doenças têm cura, não há criminalidade e sequer chove sem que o líder Super-Homem verifique se todos saíram de casa com seus guarda-chuvas. Enquanto isso, nos EUA, um indignado Lex Luthor tenta combater, sem sucesso, a ascensão comunista. Até que ele descobre o calcanhar de Aquiles do Super-Homem.

Qual seria e o que isso tem a ver com Rogério Ceni e o São Paulo? Comando e controle.

Luthor faz com que o Super-Homem perceba que, por melhores que sejam suas intenções, ele passou a ser o grande controlador de toda a humanidade. Ninguém tem liberdade de ação ou pensamento. Todos devem pedir autorização, até para errar, ao comandante. E erros, claro, não são bem-vindos. O Super-Homem se torna o ditador que ele sempre combateu e via no comando capitalista norte-americano.

Rogério Ceni é o maior ídolo da história do São Paulo, não há dúvidas. Poucos fizeram tanto por um clube dentro de campo. Ceni é politizado e não foge dos debates. É liderança e negar tudo o que ele fez de bom pelo São Paulo é lutar contra a história. Mas tudo na vida tem um tempo. 

Ao atirar contra Ceni, o ex-técnico Ney Franco abriu feridas no clube do Morumbi e talvez não tenham dado às declarações dele a real importância. Dividiram-se os críticos entre os que não suportam ver a imagem de Ceni arranhada e os que detestam o goleiro são-paulino por tudo que ele representa. Conheço Ney Franco pessoalmente e não conheço Rogério Ceni no mesmo grau. Acompanhei o trabalho de Franco no Atlético, em 2008, e no Coritiba, de 2009 a 2010, na pior fase da história do clube. Ney Franco é bom sujeito e bom caráter. Pode até não ter agido bem ao falar bem depois de ter saído do clube, mas, afinal, não é o que todos esperávamos e sempre esperamos? Que se escancarem as “caixas-pretas” do futebol? Franco, como Luthor, pode até ser pintado como vilão aos são-paulinos, mas deve ser melhor entendido, não dividido entre os que amam e os que odeiam.

Colocar todo o peso da crise do São Paulo nos colos de Ceni é demais, mesmo pra ele. A crise envolve questões políticas, ambiente interno e até qualidade técnica dos jogadores. Ceni não é o único a falhar nem o único a ter proteção no clube. Mas é o símbolo, não só do time, mas do clube num todo. Quando Franco traz elementos de vestiário, dizendo da força do capitão do São Paulo, é preciso pensar que peso isso tem na hora em que ele, e não um atacante, decide cobrar um pênalti; na hora em que um afobado Aloísio coloca a mão na bola que entraria e traria ao menos um empate no derby com a Portuguesa; no momento em que se quer mexer em Luís Fabiano ou no próprio Ceni, mas não se faz, para evitar conflitos internos.

Nos quadrinhos, o Super-Homem sai de cena, derrotado pelo arqui-inimigo com o argumento já citado. Luthor aproveita tudo o que foi construído de bom pelo comunismo, reinstaura o capitalismo, muda-se o controle e o Mundo se sente mais livre. É o caminho para uma reação são-paulina em campo? Difícil dizer.

Mais difícil ainda é ver se alguém tem forças e coragem de se opor aos ícones do clube.

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Time que ganhou Brasileiro sobre Santos de Pelé está à venda

Que tal ser dono de um clube campeão brasileiro, em uma cidade rica e com 370 mil habitantes, um estádio público com capacidade para 23 mil pessoas e uma torcida carente pelos velhos tempos? Em tese é a oportunidade oferecida por Aurélio Almeida (nenhuma relação com o blogueiro) que está colocando à venda o Grêmio de Esportes Maringá. Um time que superou até o Santos de Pelé, mas desapareceu com seus três títulos estaduais em meio as más administrações, a ponto de estar rebaixado à terceira divisão do Paraná para 2014. 

O valor, não confirmado pelo clube, é de R$ 5 milhões de reais. O comprador teria direito tão somente à marca “Grêmio de Esportes Maringá”. Objeto de desejo, diga-se, dos maringaenses, que nunca aceitaram bem a ideia do empresário conhecido pelo seu comportamento fantarrão comandar o time da cidade. Tanto que Maringá já teve outras duas tentativas de ter um novo “Grêmio”: o Metropolitano, que também disputa a segundona local, e o já extinto “Galo Maringá”, fruto de uma parceria com a ADAP, clube que jogava em Campo Mourão – Galo é o mascote do Grêmio.

O anúncio da venda do Grêmio, destinado ao prefeito da cidade

Aurélio Almeida não atende à imprensa. O assessor do clube, Nelson Alexandre, atendeu ao telefonema na sede do clube: “Queria saber dele também”, disse, para depois afirmar: “Olha, ele está em São Paulo. Parece que conseguiu um comprador para o clube. Estamos aqui esperando a notícia.” Quem comprar terá que refazer a imagem do Grêmio na cidade. Outrora dono de dois parques, o clube não tem mais nada. O pouco que sobrou está na justiça, numa disputa com os sócios remidos, que viram tudo ir a leilão.

O empresário comprou o Grêmio em 2002, na terceira tentativa de emplacar um clube no futebol paranaense. Antes, havia criado o Real Brasil e o Império do Futebol, ambos finados em situações precárias. O Império foi o último usuário do também finado Pinheirão, num acordo de Almeida com o ex-presidente da FPF, Onaireves Moura. Ao chegar no Grêmio, prometeu novos tempos. Até que conseguiu: disputou dois estaduais antes de anunciar o licenciamento por falta de dinheiro. Em paralelo, perdia credibilidade ao dever para diversos empresários da cidade, desde o ramo de hospedagem até alimentação. Seu grande momento foi a vitória no Clássico do Café sobre o Londrina, 1-0, em 2004, com transmissão da afiliada da Globo no Paraná para todo o Estado.

Em 2009 Almeida resolveu reativar o Grêmio. Já na temporada seguinte subiu da terceira para a segunda divisão, onde estacionou. Enfrentou o Paraná Clube na passagem do Tricolor pela segundona paranaense em 2011, no confronto entre os campeões estaduais presentes na competição – e perdeu as duas, 1-2 e 1-4. Neste ano, sob o comando do ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Waldir Peres, acabou rebaixado para a terceirona, somando um único ponto em nove jogos. Peres acreditou no projeto do amigo Almeida, mas teve que lidar com um time que por vezes sequer tinha jogadores suficientes para o banco de reservas.

O ex-goleiro apenas se juntou as histórias pitorescas do dono do Grêmio. Em 2010, ele anunciou um amistoso contra o Boca Jrs., da Argentina, cancelado posteriormente, segundo o próprio Grêmio, porque o Boca se assustou com as cenas de violência no jogo Coritiba e Fluminense, em 2009. Aurélio levou seus jogadores várias vezes para o exterior, é verdade. Ele jogou no futebol mexicano e – conta – foi técnico das seleções de Belize e Aruba, da América Central. Mais: Almeida diz ser também dono do Puebla, clube mexicano campeão continental em 1991 e que hoje está na Liga MX, a primeira divisão nacional. Se realmente for verdade, é também verdade que o Grêmio nunca viu nenhum recurso ou jogador do time mexicano.

Em Maringá diz-se pelos cantos que a venda do Grêmio é mais um blefe de Aurélio Almeida, que quer calar os críticos após mais um insucesso, provando que ninguém tem interesse em tocar o Grêmio. Enquanto isso, outros desportistas da cidade fundaram em 2010 o Grêmio Metropolitano Maringá, uma tentativa de ocupar o lugar do Galo no coração dos maringaenses. Ainda não deu certo: no “clássico” entre ambos (deu, Metrô 4-0) apenas 332 pessoas pagaram ingressos. O Metrô fez campanha inversa ao do Grêmio: invicto, líder, com sete vitórias em nove jogos. Mas não garantiu acesso à elite paranaense: precisará disputar um hexagonal para botar Maringá no mapa do futebol paranaense novamente.

  • A vitória sobre o Santos:

Em 1969 a CBD – então coordenadora do futebol brasileiro – resolveu promover um campeonato entre os campeões regionais Centro-Sul e Norte-Nordeste (Sport), mais os campeões da Taça Brasil (Botafogo) e do Roberto Gomes Pedrosa (Santos). Depois de superar times do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Grêmio venceu o Villa Nova-MG e passou pelo Sport Recife, duas vezes, por 3-0. O time encarou o Santos de Pelé em duas ocasiões (1-1 e 2-2), mas não houve o jogo desempate. A Revista Veja, à época, contou o caso:

Matéria de "Veja" conta o caso do jogo que não houve em 1969

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O buraco é mais embaixo: guia das Séries C e D do Brasileirão

Série C: teste para o amor e a paciência do torcedor

Começam neste final de semana as Séries C e D do Brasileiro. Longe do glamour da Copa, dos craques e grandes torcidas da Série A e, quem diria, até da Série B, as divisões inferiores do futebol brasileiro têm seu valor e grandes camisas. Se a B é considerada o “inferno”, o que dizer da C e da D? O buraco é mais embaixo, claro.

No entanto, com a mudança na cultura do futebol brasileiro, a Série C já recebeu grandes camisas (Bahia, Fluminense, Vitória, Paysandu) e segue com clubes que já tiveram dias melhores em busca de um lugar ao sol. Em 2013, terá até transmissão da TV, na TV Brasil, canal estatal. A Série D, por sua vez, é a porta de entrada dos clubes no cenário nacional. É o prêmio aos clubes que se estruturaram o suficiente para garantir vaga nos estaduais.

Ambas devem começar com problemas jurídicos. A CBF teve que lidar com a Justiça Comum e incluir o Rio Branco-AC na Série C sem retirar o Treze-PB da disputa. Assim, a competição terá 21 clubes. Que podem ser até 22, conforme o desejo do Cianorte-PR (entenda aqui) que pode disputar a C, a D ou ainda nenhuma. De todo modo, as primeiras rodadas estão marcadas e o blog se arrisca a dizer quem é que sobe (valeu, Galvão) nestas disputas.

Leia também:

Guia da Série A

Guia da Série B

Neymar, o monstro de René

  • Série C

A Série C 2013 será a 23a edição deste campeonato, que foi realizada pela primeira vez em 1981 e se mantém ininterruptamente desde 1994. Com a sequencia da disputa e o cumprimento da regra do acesso e descenso – desde 2000 – clubes habituados a disputar a primeira divisão passaram por ela. Fluminense (campeão em 1999), Criciúma (venceu em 2006), Avaí (ganhou em 1998), América-MG (campeão em 2009), Atlético-GO (o maior campeão, em 1990 e 2008) e os vice-campeões Náutico, Bahia e Vitória já desfilaram suas camisas na Terceirona.

Nesta temporada as atrações são o Santa Cruz, dono da maior média de público do Brasil em 2013, o Fortaleza, também de torcida forte – e com a Arena Castelão ao lado – e o Brasiliense de Romarinho, o original, filho do Baixinho. Outros clubes estarão na corrida para o acesso à Série B (viu como ela não é tão ruim?) em um regulamento que, a princípio, deve ser o seguinte: 11 clubes na chave norte e 10 na chave sul, jogando entre si em turno e returno. Os quatro melhores de cada chave avançam às quartas de final – o jogo que realmente importará, valendo acesso – e depois farão semi e final, até conhecermos o campeão.

Para o rebaixamento, a princípio, cairão os 3 últimos da chave norte e os 2 últimos da sul. Mas uma série de disputas deve ocorrer ainda no STJD, o que pode paralizar a competição. Questões como a proporção na disputa de pontos (quem joga uma partida a mais tem chances de somar mais pontos) para desempate e o pedido do Cianorte ainda podem mudar tudo. Mas, com o que temos hoje, vamos as análises:

Chave Norte:

Santa Cruz, Brasiliense, Cuiabá e Fortaleza são os favoritos à classificação neste grupo. O Santa, tricampeão pernambucano, é sem dúvida a grande força de toda a Série C. Perdeu o técnico Marcelo Martelotte (substituído por Sandro Barbosa) para o rival Sport, mas manteve a base e o bom ataque com Denis Marques (ex-Atlético e Flamengo) e Flávio Caça Rato e conta com sua fanática torcida para se reerguer. O Brasiliense tem Romarinho e o dinheiro do dono do clube, Luís Estevão. Mas tem ainda os ex-palmeirenses Baiano e Washington no elenco, que conduziram o clube ao título distrital. O Cuiabá do técnico Ary Marques vem crescendo temporada após temporada. O clube se preparou para se beneficiar da Arena Pantanal, obra para a Copa 2014, e quer estar em uma das duas principais divisões nacionais após o Mundial. Pra fechar o grupo, o Fortaleza, terceiro colocado no Estadual, aposta na manutenção do técnico Hélio dos Anjos, um dos reis do acesso no País, para subir de divisão.

CRB, de Alagoas, Luverdense, do Mato Grosso e Sampaio Corrêa, do Maranhão – atual campeão da Série D – correm por fora na busca das vagas. São clubes que tem força em casa e um histórico recente vitorioso. Águia de Marabá-PA, Baraúnas-RN, Rio Branco-AC e Treze-PB devem brigar apenas para manter seus postos na terceirona – o que já garante um calendário anual.

Chave Sul:

A chave sul deve ser mais equilibrada que a norte, por vários fatores. O primeiro deles, obviamente, o menor número de clubes (salvo se houver inclusão do Cianorte). O segundo, a riqueza da região e o maior poderio financeiro dos clubes em relação ao do norte. Rio e São Paulo dominam a chave, com seis clubes. Os tradicionais Caxias-RS e Vila Nova-GO dividem espaço com o novato Betim (ex-Ipatinga) e CRAC, de catalão. Caxias, Macaé, Duque de Caxias e Mogi Mirim se apresentam como favoritos à vaga. Mas o campeão brasileiro de 1978 Guarani, Vila Nova e Madureira podem surpreender. A chave, de fato, é muito igual. O CRAC corre por fora e os únicos que devem mesmo brigar apenas para não cair são Betim-MG e Grêmio Barueri.

  • Série D

O objeto de desejo da Série D

A Série D começa sem ainda saber todos os seus participantes. Dos 40 clubes que irão disputá-la, o representante de Rondônia ainda está indefinido. Isso porque, enquanto os pares de chave abrem a primeira rodada do Nacionalzinho, Pimentense e Vilhena estarão disputando o jogo de volta valendo o título estadual e a vaga da Dzona. No jogo de ida, em Vilhena, 5-0 para o time da casa.

Serão oito grupos com cinco times cada. À exceção dos quatro rebaixados da Série C 2012 – Guarany-CE, Salgueiro-PE, Santo André-SP e Tupi-MG – todos os outros se classificaram via campeonato estadual. As 8 chaves regionalizadas terão jogos de ida e volta entre si. Dois clubes avançam em cada grupo, formando 16. Estes farão jogos eliminatórios até conhecerem os quatro do acesso. Aqui, o paraíso: um time que somar entre 18 e 20 pontos na primeira fase e vencer mais quatro jogos (ou ao menos 2 sem perder os outros 2) estará na Série C 2014. Depois, semifinais e finais pra conhecermos o campeão. O palpite? Abaixo:

Grupo A1:

O grupo que terá Vilhena ou Pimentense (provavelmente o primeiro) tem como favoritos os vice-campeões do Pará e do Amazonas, Paragominas e Nacional, respectivamente. O Nacional chega com o crédito de ter eliminado o Coritiba da Copa do Brasil. Náutico de Roraima e Plácido de Castro, do Acre, fecham a chave.

Grupo A2:

Seria ousado demais avaliar um grupo que tem clubes como Gurupi-TO, Maranhão, Parnahyba-PI, Salgueiro-PE e Ypiranga-AP. Pela força do futebol pernambucano, fecho com o Salgueiro e indico os campeões estaduais de 2012 (sim, classificaram-se pela tempórada passada) Gurupi e de 2013 Parnahyba para a disputa da vaga restante. Campeão é campeão.

Grupo A3:

Um dos grupos mais difíceis da Série D 2013 é o A3. O tradicional Central de Caruaru irá se opor ao rival estadual Ypiranga, que só ficou atrás do trio Santa-Sport-Náutico no Pernambucano e ainda terá de enfrentar o campeão potiguar, Potiguar, e o vice cearense, Guarany de Sobral. O também cearense Tiradentes é a zebrinha na chave.

Grupo A4:

Três campeões estaduais e um time que deu muito trabalho à dupla Ba-Vi estão na chave A4. Botafogo-PB, CSA-AL (com patrocínio forte, articulado por Fernando Collor) e Sergipe já levantaram taças neste ano. O Juazeirense foi a boa surpresa do Baianão, que teve ainda o Vitória da Conquista, também nessa chave. Indico CSA e Botafogo, pela ordem, mas fora mesmo, só o Vitória.

Grupo A5:

O vice-campeão distrital Brasília e o tradicional Mixto, campeão mato-grossense, são as forças desta chave, que ainda tem Águia Negra-MS, Aparecidense-GO e  Goianésia-GO.

Grupo A6:

Pelo bom Cariocão que fez, o Resende é o favorito nesta chave. O também carioca Nova Iguaçu disputa com o Tupi-MG uma das vagas. Aracruz-ES e Araxá-MG serão zebrinhas.

Grupo A7:

Outro grupo casca. Completando cem anos nesta temporada, o Juventude, de Caxias do Sul, colocará sua camisa e sua história de campeão da Copa do Brasil 1999 em campo contra quatro equipes fortíssimas. O Ju se organizou para retomar o caminho, mas enfrentará a grande surpresa do Paulistão, o Penapolense. Do rico e forte interior de São Paulo vem outro campeão da Copa do Brasil: o Santo André, que levantou o caneco em 2004. Neste ano, no entanto, foi mediano na Série A2 de SP. O Villa Nova, de Nova Lima-MG foi semifinalista do Mineiro – eliminado pelo Cruzeiro – e promete incomodar. E o grupo fecha com o Marcílio Dias, de Itajaí-SC, que disputará em paralelo a Segundona Catarinense.

Grupo A8:

Será o grupo mais difícil desta Série D. O favorito à vaga é o Londrina, campeão da Série B em 1980, e que no Paranaense somou mais pontos que os finalistas Coritiba e Atlético, campeão e vice. O Tubarão tem camisa, torcida e organização, depois de muito tempo. Conta com Germano, ex-Santos, e Celsinho, ex-Portuguesa, como destaques, além do ótimo goleiro Danilo e o bom atacante Neílson. Só que irá encarar o bom J. Malucelli, outro paranaense bem arrumadinho, dono do Eco-Estádio usado pelo Atlético na Série B 2012. O forte Botafogo-SP, sétimo no Paulistão, também quer a vaga. Fecham a chave o vice-campeão gaúcho, Lajeadense, e o Metropolitano, de Blumenau.

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