Arbitragem ruim: vai acontecer com seu time também

O pênalti da discórdia: vai acontecer com todo mundo

O Coritiba foi prejudicado por um pênalti mal marcado à favor do Corinthians, o que transformou um empate que manteria o Coxa no G4 numa derrota que pôs o Timão lá. Isso é um fato: o árbitro marcou um pênalti que é tão unânime não ter existido que até nos faz pensar se não foi mesmo. E não foi.

Então, é o Corinthians, no Pacaembu. E as teorias da conspiração começam. Não foi a primeira vez que o Coritiba foi prejudicado por um erro de arbitragem e não será a última. Não foi a primeira vez que o Corinthians foi beneficiado e, acreditem, não será a última. Proposital?

Como jornalista e apaixonado pelo esporte, enquanto não se tiver provas, não tenho como acreditar que seja proposital. Que na verdade trata-se de acaso e incompetência.

Senão, vejamos: na última quarta-feira, em Curitiba, o Coxa arrancou um empate suado com a Portuguesa depois dos 45 do segundo tempo, com um gol de Bill, em posição de impedimento. O jogo não foi num domingo à tarde, com transmissão para boa parte do Brasil, como o duelo entre corintianos e coxas-brancas. As reclamações da Lusa passaram batidas. A Lusa não é a única a ser prejudicada, como o Coxa também não é. 

Segundo o site Placar Real, que monitora reclamações dos clubes e simula uma classificação sem os supostos erros, os times mais prejudicados no Brasileirão até aqui são Atlético Paranaense, Vasco, Grêmio, Portuguesa e, acreditem, Corinthians – isso, antes das avaliações da 15a rodada. Entre os beneficiados, o destaque é o Inter, com três pontos contabilizados, seguido de Goiás, Cruzeiro e Criciúma.

O problema não está no pênalti inexistente marcado para o Corinthians. Está na qualidade da arbitragem, não só no Brasil, mas em todo o planeta. Arbitragem que pode ser covarde, conivente, incompetente e, principalmente, humana – portanto, falível. Mesmo com dois auxiliares novos extras na linha de fundo. Neste sábado, transmiti pelo Terra a vitória do Bayern sobre o Eintracht em Frankfurt. O time da casa teve um gol mal-anulado e acabou derrotado. Há que se dizer: não se viu em campo as reclamações acintosas que se vê no Brasil. Questão cultural. 

As teorias da conspiração vão manter os bares e mesas-redondas com assunto até a próxima rodada. Até o próximo erro grave. São muito fruto de uma cultura brasileira que dá muito espaço para os clubes de Rio e São Paulo e pouco olha para fora. O Coritiba – que poderia ser o Atlético, o Bahia, o Sport e até mesmo os mineiros e gaúchos – se sente desprestigiado em relação ao Corinthians. Está menos na mídia, gera menos polêmica, tanto pro bem, quanto pro mal.

O Corinthians, por sua vez, ficou estigmatizado pelo escândalo de 2005, no qual não teve nenhuma relação. As falcatruas por apostas ilegais envolvendo o então árbitro Edilson Pereira de Carvalho fizeram o campeonato ter jogos anulados. O Timão se beneficiou nas novas oportunidades enquanto o Inter perdeu a vantagem que havia construído antes. No confronto direto, erro grave a favor dos paulistas, no pênalti em Tinga, não marcado e que ainda gerou a expulsão do gaúcho. O Corinthians acabou campeão. Levou a taça e a imagem, mas, convenhamos: foi proposital? O próprio arbitro Márcio Rezende de Freitas já assumiu que errou no lance.

Se há conspiração, por que o gol de Aloísio, que aliviaria a situação do São Paulo, foi anulado contra a Portuguesa? Como o Palmeiras foi parar na Série B? Como o Atlético Mineiro chegou ao título da Libertadores, com direito a um pênalti corretamente marcado para o Tijuana, no meio do caminho, sendo que o Corinthians acabou eliminado com erros de arbitragem contra o Boca? A Conmebol afinal não desejava que um brasileiro fosse campeão mais uma vez, certo?

O problema é que o futebol é caro demais e profissional demais para permanecer com arbitragem amadora e sem auxílio de equipamentos eletrônicos. As decisões, que hoje custaram a um clube com o orçamento do Coritiba, bem menor que o do Corinthians, uma vaga no G4, estão na mão de apenas uma pessoa. Sem auxílio e com segundos para fazê-la.

Em Flamengo x São Paulo também houve pênalti mal marcado. Jadson perdeu. E aí entramos em outro assunto: se por um lado a Fifa deveria rever para ontem o auxílio eletrônico, os clubes também não devem se encostar no papel sedutor de vitima.

Um estudo publicado no livro Soccernomics (um Freaknomics da bola) aponta que os jogos com pênaltis marcados (correta ou incorretamente) acabam com vitória do favorito em 49% das vezes, enquanto os jogos sem nenhum tipo de pênalti marcado resulta em vitória do favorito em 46% das vezes. Os números foram extraídos de 1520 partidas na Premier League inglesa (que também tem times grandes e pequenos). Apenas 3% de diferença, estatisticamente desprezível. E isso porque pênalti (mal) marcado não é sinônimo de gol. Jadson que o diga.

Se os clubes se encostarem nos erros, se os torcedores se encostarem nas teorias conspiratórias e se a imprensa não identificar a causa real de tantos erros de arbitragem ao longo da história, o ciclo não terá fim. Bom para conversas de boteco, mas péssimo para o futuro do futebol num todo. Ninguém gosta de um jogo previsível e com cartas marcadas. E pode ter certeza: vai acontecer com o seu time também.

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Ceni, São Paulo, Super-Homem e o comunismo

Mito. Ídolo. Super-Homem. Controla tudo. (DC Comics)

Acabo de ler a mini-série “Superman: Red Son”, ou “Filho Vermelho”, que trata a realidade alternativa, nos quadrinhos, de como seria o Mundo se o foguete de Kal-El, partindo de Krypton, tivesse caído na Ucrânia e não nos EUA. Descoberto por Stalin, o Super-Homem tornou-se um símbolo do comunismo. Mesmo a DC Comics sendo uma editora norte-americana, a trama passa longe de condenar o sistema comunista e mais longe ainda das patriotadas típicas de Hollywood. Escrita por Mark Millar, mostra a ascensão do sistema sob o comando do Super-Homem após a morte de seu “pai” político, Stálin, na mesma medida em que ruía o capitalismo – e por consequência, os EUA. O Mundo, exceção feita aos norte-americanos, adere ao comunismo e vive seu momento mais glorioso. Ninguém passa fome, as doenças têm cura, não há criminalidade e sequer chove sem que o líder Super-Homem verifique se todos saíram de casa com seus guarda-chuvas. Enquanto isso, nos EUA, um indignado Lex Luthor tenta combater, sem sucesso, a ascensão comunista. Até que ele descobre o calcanhar de Aquiles do Super-Homem.

Qual seria e o que isso tem a ver com Rogério Ceni e o São Paulo? Comando e controle.

Luthor faz com que o Super-Homem perceba que, por melhores que sejam suas intenções, ele passou a ser o grande controlador de toda a humanidade. Ninguém tem liberdade de ação ou pensamento. Todos devem pedir autorização, até para errar, ao comandante. E erros, claro, não são bem-vindos. O Super-Homem se torna o ditador que ele sempre combateu e via no comando capitalista norte-americano.

Rogério Ceni é o maior ídolo da história do São Paulo, não há dúvidas. Poucos fizeram tanto por um clube dentro de campo. Ceni é politizado e não foge dos debates. É liderança e negar tudo o que ele fez de bom pelo São Paulo é lutar contra a história. Mas tudo na vida tem um tempo. 

Ao atirar contra Ceni, o ex-técnico Ney Franco abriu feridas no clube do Morumbi e talvez não tenham dado às declarações dele a real importância. Dividiram-se os críticos entre os que não suportam ver a imagem de Ceni arranhada e os que detestam o goleiro são-paulino por tudo que ele representa. Conheço Ney Franco pessoalmente e não conheço Rogério Ceni no mesmo grau. Acompanhei o trabalho de Franco no Atlético, em 2008, e no Coritiba, de 2009 a 2010, na pior fase da história do clube. Ney Franco é bom sujeito e bom caráter. Pode até não ter agido bem ao falar bem depois de ter saído do clube, mas, afinal, não é o que todos esperávamos e sempre esperamos? Que se escancarem as “caixas-pretas” do futebol? Franco, como Luthor, pode até ser pintado como vilão aos são-paulinos, mas deve ser melhor entendido, não dividido entre os que amam e os que odeiam.

Colocar todo o peso da crise do São Paulo nos colos de Ceni é demais, mesmo pra ele. A crise envolve questões políticas, ambiente interno e até qualidade técnica dos jogadores. Ceni não é o único a falhar nem o único a ter proteção no clube. Mas é o símbolo, não só do time, mas do clube num todo. Quando Franco traz elementos de vestiário, dizendo da força do capitão do São Paulo, é preciso pensar que peso isso tem na hora em que ele, e não um atacante, decide cobrar um pênalti; na hora em que um afobado Aloísio coloca a mão na bola que entraria e traria ao menos um empate no derby com a Portuguesa; no momento em que se quer mexer em Luís Fabiano ou no próprio Ceni, mas não se faz, para evitar conflitos internos.

Nos quadrinhos, o Super-Homem sai de cena, derrotado pelo arqui-inimigo com o argumento já citado. Luthor aproveita tudo o que foi construído de bom pelo comunismo, reinstaura o capitalismo, muda-se o controle e o Mundo se sente mais livre. É o caminho para uma reação são-paulina em campo? Difícil dizer.

Mais difícil ainda é ver se alguém tem forças e coragem de se opor aos ícones do clube.

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Time que ganhou Brasileiro sobre Santos de Pelé está à venda

Que tal ser dono de um clube campeão brasileiro, em uma cidade rica e com 370 mil habitantes, um estádio público com capacidade para 23 mil pessoas e uma torcida carente pelos velhos tempos? Em tese é a oportunidade oferecida por Aurélio Almeida (nenhuma relação com o blogueiro) que está colocando à venda o Grêmio de Esportes Maringá. Um time que superou até o Santos de Pelé, mas desapareceu com seus três títulos estaduais em meio as más administrações, a ponto de estar rebaixado à terceira divisão do Paraná para 2014. 

O valor, não confirmado pelo clube, é de R$ 5 milhões de reais. O comprador teria direito tão somente à marca “Grêmio de Esportes Maringá”. Objeto de desejo, diga-se, dos maringaenses, que nunca aceitaram bem a ideia do empresário conhecido pelo seu comportamento fantarrão comandar o time da cidade. Tanto que Maringá já teve outras duas tentativas de ter um novo “Grêmio”: o Metropolitano, que também disputa a segundona local, e o já extinto “Galo Maringá”, fruto de uma parceria com a ADAP, clube que jogava em Campo Mourão – Galo é o mascote do Grêmio.

O anúncio da venda do Grêmio, destinado ao prefeito da cidade

Aurélio Almeida não atende à imprensa. O assessor do clube, Nelson Alexandre, atendeu ao telefonema na sede do clube: “Queria saber dele também”, disse, para depois afirmar: “Olha, ele está em São Paulo. Parece que conseguiu um comprador para o clube. Estamos aqui esperando a notícia.” Quem comprar terá que refazer a imagem do Grêmio na cidade. Outrora dono de dois parques, o clube não tem mais nada. O pouco que sobrou está na justiça, numa disputa com os sócios remidos, que viram tudo ir a leilão.

O empresário comprou o Grêmio em 2002, na terceira tentativa de emplacar um clube no futebol paranaense. Antes, havia criado o Real Brasil e o Império do Futebol, ambos finados em situações precárias. O Império foi o último usuário do também finado Pinheirão, num acordo de Almeida com o ex-presidente da FPF, Onaireves Moura. Ao chegar no Grêmio, prometeu novos tempos. Até que conseguiu: disputou dois estaduais antes de anunciar o licenciamento por falta de dinheiro. Em paralelo, perdia credibilidade ao dever para diversos empresários da cidade, desde o ramo de hospedagem até alimentação. Seu grande momento foi a vitória no Clássico do Café sobre o Londrina, 1-0, em 2004, com transmissão da afiliada da Globo no Paraná para todo o Estado.

Em 2009 Almeida resolveu reativar o Grêmio. Já na temporada seguinte subiu da terceira para a segunda divisão, onde estacionou. Enfrentou o Paraná Clube na passagem do Tricolor pela segundona paranaense em 2011, no confronto entre os campeões estaduais presentes na competição – e perdeu as duas, 1-2 e 1-4. Neste ano, sob o comando do ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Waldir Peres, acabou rebaixado para a terceirona, somando um único ponto em nove jogos. Peres acreditou no projeto do amigo Almeida, mas teve que lidar com um time que por vezes sequer tinha jogadores suficientes para o banco de reservas.

O ex-goleiro apenas se juntou as histórias pitorescas do dono do Grêmio. Em 2010, ele anunciou um amistoso contra o Boca Jrs., da Argentina, cancelado posteriormente, segundo o próprio Grêmio, porque o Boca se assustou com as cenas de violência no jogo Coritiba e Fluminense, em 2009. Aurélio levou seus jogadores várias vezes para o exterior, é verdade. Ele jogou no futebol mexicano e – conta – foi técnico das seleções de Belize e Aruba, da América Central. Mais: Almeida diz ser também dono do Puebla, clube mexicano campeão continental em 1991 e que hoje está na Liga MX, a primeira divisão nacional. Se realmente for verdade, é também verdade que o Grêmio nunca viu nenhum recurso ou jogador do time mexicano.

Em Maringá diz-se pelos cantos que a venda do Grêmio é mais um blefe de Aurélio Almeida, que quer calar os críticos após mais um insucesso, provando que ninguém tem interesse em tocar o Grêmio. Enquanto isso, outros desportistas da cidade fundaram em 2010 o Grêmio Metropolitano Maringá, uma tentativa de ocupar o lugar do Galo no coração dos maringaenses. Ainda não deu certo: no “clássico” entre ambos (deu, Metrô 4-0) apenas 332 pessoas pagaram ingressos. O Metrô fez campanha inversa ao do Grêmio: invicto, líder, com sete vitórias em nove jogos. Mas não garantiu acesso à elite paranaense: precisará disputar um hexagonal para botar Maringá no mapa do futebol paranaense novamente.

  • A vitória sobre o Santos:

Em 1969 a CBD – então coordenadora do futebol brasileiro – resolveu promover um campeonato entre os campeões regionais Centro-Sul e Norte-Nordeste (Sport), mais os campeões da Taça Brasil (Botafogo) e do Roberto Gomes Pedrosa (Santos). Depois de superar times do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Grêmio venceu o Villa Nova-MG e passou pelo Sport Recife, duas vezes, por 3-0. O time encarou o Santos de Pelé em duas ocasiões (1-1 e 2-2), mas não houve o jogo desempate. A Revista Veja, à época, contou o caso:

Matéria de "Veja" conta o caso do jogo que não houve em 1969

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O buraco é mais embaixo: guia das Séries C e D do Brasileirão

Série C: teste para o amor e a paciência do torcedor

Começam neste final de semana as Séries C e D do Brasileiro. Longe do glamour da Copa, dos craques e grandes torcidas da Série A e, quem diria, até da Série B, as divisões inferiores do futebol brasileiro têm seu valor e grandes camisas. Se a B é considerada o “inferno”, o que dizer da C e da D? O buraco é mais embaixo, claro.

No entanto, com a mudança na cultura do futebol brasileiro, a Série C já recebeu grandes camisas (Bahia, Fluminense, Vitória, Paysandu) e segue com clubes que já tiveram dias melhores em busca de um lugar ao sol. Em 2013, terá até transmissão da TV, na TV Brasil, canal estatal. A Série D, por sua vez, é a porta de entrada dos clubes no cenário nacional. É o prêmio aos clubes que se estruturaram o suficiente para garantir vaga nos estaduais.

Ambas devem começar com problemas jurídicos. A CBF teve que lidar com a Justiça Comum e incluir o Rio Branco-AC na Série C sem retirar o Treze-PB da disputa. Assim, a competição terá 21 clubes. Que podem ser até 22, conforme o desejo do Cianorte-PR (entenda aqui) que pode disputar a C, a D ou ainda nenhuma. De todo modo, as primeiras rodadas estão marcadas e o blog se arrisca a dizer quem é que sobe (valeu, Galvão) nestas disputas.

Leia também:

Guia da Série A

Guia da Série B

Neymar, o monstro de René

  • Série C

A Série C 2013 será a 23a edição deste campeonato, que foi realizada pela primeira vez em 1981 e se mantém ininterruptamente desde 1994. Com a sequencia da disputa e o cumprimento da regra do acesso e descenso – desde 2000 – clubes habituados a disputar a primeira divisão passaram por ela. Fluminense (campeão em 1999), Criciúma (venceu em 2006), Avaí (ganhou em 1998), América-MG (campeão em 2009), Atlético-GO (o maior campeão, em 1990 e 2008) e os vice-campeões Náutico, Bahia e Vitória já desfilaram suas camisas na Terceirona.

Nesta temporada as atrações são o Santa Cruz, dono da maior média de público do Brasil em 2013, o Fortaleza, também de torcida forte – e com a Arena Castelão ao lado – e o Brasiliense de Romarinho, o original, filho do Baixinho. Outros clubes estarão na corrida para o acesso à Série B (viu como ela não é tão ruim?) em um regulamento que, a princípio, deve ser o seguinte: 11 clubes na chave norte e 10 na chave sul, jogando entre si em turno e returno. Os quatro melhores de cada chave avançam às quartas de final – o jogo que realmente importará, valendo acesso – e depois farão semi e final, até conhecermos o campeão.

Para o rebaixamento, a princípio, cairão os 3 últimos da chave norte e os 2 últimos da sul. Mas uma série de disputas deve ocorrer ainda no STJD, o que pode paralizar a competição. Questões como a proporção na disputa de pontos (quem joga uma partida a mais tem chances de somar mais pontos) para desempate e o pedido do Cianorte ainda podem mudar tudo. Mas, com o que temos hoje, vamos as análises:

Chave Norte:

Santa Cruz, Brasiliense, Cuiabá e Fortaleza são os favoritos à classificação neste grupo. O Santa, tricampeão pernambucano, é sem dúvida a grande força de toda a Série C. Perdeu o técnico Marcelo Martelotte (substituído por Sandro Barbosa) para o rival Sport, mas manteve a base e o bom ataque com Denis Marques (ex-Atlético e Flamengo) e Flávio Caça Rato e conta com sua fanática torcida para se reerguer. O Brasiliense tem Romarinho e o dinheiro do dono do clube, Luís Estevão. Mas tem ainda os ex-palmeirenses Baiano e Washington no elenco, que conduziram o clube ao título distrital. O Cuiabá do técnico Ary Marques vem crescendo temporada após temporada. O clube se preparou para se beneficiar da Arena Pantanal, obra para a Copa 2014, e quer estar em uma das duas principais divisões nacionais após o Mundial. Pra fechar o grupo, o Fortaleza, terceiro colocado no Estadual, aposta na manutenção do técnico Hélio dos Anjos, um dos reis do acesso no País, para subir de divisão.

CRB, de Alagoas, Luverdense, do Mato Grosso e Sampaio Corrêa, do Maranhão – atual campeão da Série D – correm por fora na busca das vagas. São clubes que tem força em casa e um histórico recente vitorioso. Águia de Marabá-PA, Baraúnas-RN, Rio Branco-AC e Treze-PB devem brigar apenas para manter seus postos na terceirona – o que já garante um calendário anual.

Chave Sul:

A chave sul deve ser mais equilibrada que a norte, por vários fatores. O primeiro deles, obviamente, o menor número de clubes (salvo se houver inclusão do Cianorte). O segundo, a riqueza da região e o maior poderio financeiro dos clubes em relação ao do norte. Rio e São Paulo dominam a chave, com seis clubes. Os tradicionais Caxias-RS e Vila Nova-GO dividem espaço com o novato Betim (ex-Ipatinga) e CRAC, de catalão. Caxias, Macaé, Duque de Caxias e Mogi Mirim se apresentam como favoritos à vaga. Mas o campeão brasileiro de 1978 Guarani, Vila Nova e Madureira podem surpreender. A chave, de fato, é muito igual. O CRAC corre por fora e os únicos que devem mesmo brigar apenas para não cair são Betim-MG e Grêmio Barueri.

  • Série D

O objeto de desejo da Série D

A Série D começa sem ainda saber todos os seus participantes. Dos 40 clubes que irão disputá-la, o representante de Rondônia ainda está indefinido. Isso porque, enquanto os pares de chave abrem a primeira rodada do Nacionalzinho, Pimentense e Vilhena estarão disputando o jogo de volta valendo o título estadual e a vaga da Dzona. No jogo de ida, em Vilhena, 5-0 para o time da casa.

Serão oito grupos com cinco times cada. À exceção dos quatro rebaixados da Série C 2012 – Guarany-CE, Salgueiro-PE, Santo André-SP e Tupi-MG – todos os outros se classificaram via campeonato estadual. As 8 chaves regionalizadas terão jogos de ida e volta entre si. Dois clubes avançam em cada grupo, formando 16. Estes farão jogos eliminatórios até conhecerem os quatro do acesso. Aqui, o paraíso: um time que somar entre 18 e 20 pontos na primeira fase e vencer mais quatro jogos (ou ao menos 2 sem perder os outros 2) estará na Série C 2014. Depois, semifinais e finais pra conhecermos o campeão. O palpite? Abaixo:

Grupo A1:

O grupo que terá Vilhena ou Pimentense (provavelmente o primeiro) tem como favoritos os vice-campeões do Pará e do Amazonas, Paragominas e Nacional, respectivamente. O Nacional chega com o crédito de ter eliminado o Coritiba da Copa do Brasil. Náutico de Roraima e Plácido de Castro, do Acre, fecham a chave.

Grupo A2:

Seria ousado demais avaliar um grupo que tem clubes como Gurupi-TO, Maranhão, Parnahyba-PI, Salgueiro-PE e Ypiranga-AP. Pela força do futebol pernambucano, fecho com o Salgueiro e indico os campeões estaduais de 2012 (sim, classificaram-se pela tempórada passada) Gurupi e de 2013 Parnahyba para a disputa da vaga restante. Campeão é campeão.

Grupo A3:

Um dos grupos mais difíceis da Série D 2013 é o A3. O tradicional Central de Caruaru irá se opor ao rival estadual Ypiranga, que só ficou atrás do trio Santa-Sport-Náutico no Pernambucano e ainda terá de enfrentar o campeão potiguar, Potiguar, e o vice cearense, Guarany de Sobral. O também cearense Tiradentes é a zebrinha na chave.

Grupo A4:

Três campeões estaduais e um time que deu muito trabalho à dupla Ba-Vi estão na chave A4. Botafogo-PB, CSA-AL (com patrocínio forte, articulado por Fernando Collor) e Sergipe já levantaram taças neste ano. O Juazeirense foi a boa surpresa do Baianão, que teve ainda o Vitória da Conquista, também nessa chave. Indico CSA e Botafogo, pela ordem, mas fora mesmo, só o Vitória.

Grupo A5:

O vice-campeão distrital Brasília e o tradicional Mixto, campeão mato-grossense, são as forças desta chave, que ainda tem Águia Negra-MS, Aparecidense-GO e  Goianésia-GO.

Grupo A6:

Pelo bom Cariocão que fez, o Resende é o favorito nesta chave. O também carioca Nova Iguaçu disputa com o Tupi-MG uma das vagas. Aracruz-ES e Araxá-MG serão zebrinhas.

Grupo A7:

Outro grupo casca. Completando cem anos nesta temporada, o Juventude, de Caxias do Sul, colocará sua camisa e sua história de campeão da Copa do Brasil 1999 em campo contra quatro equipes fortíssimas. O Ju se organizou para retomar o caminho, mas enfrentará a grande surpresa do Paulistão, o Penapolense. Do rico e forte interior de São Paulo vem outro campeão da Copa do Brasil: o Santo André, que levantou o caneco em 2004. Neste ano, no entanto, foi mediano na Série A2 de SP. O Villa Nova, de Nova Lima-MG foi semifinalista do Mineiro – eliminado pelo Cruzeiro – e promete incomodar. E o grupo fecha com o Marcílio Dias, de Itajaí-SC, que disputará em paralelo a Segundona Catarinense.

Grupo A8:

Será o grupo mais difícil desta Série D. O favorito à vaga é o Londrina, campeão da Série B em 1980, e que no Paranaense somou mais pontos que os finalistas Coritiba e Atlético, campeão e vice. O Tubarão tem camisa, torcida e organização, depois de muito tempo. Conta com Germano, ex-Santos, e Celsinho, ex-Portuguesa, como destaques, além do ótimo goleiro Danilo e o bom atacante Neílson. Só que irá encarar o bom J. Malucelli, outro paranaense bem arrumadinho, dono do Eco-Estádio usado pelo Atlético na Série B 2012. O forte Botafogo-SP, sétimo no Paulistão, também quer a vaga. Fecham a chave o vice-campeão gaúcho, Lajeadense, e o Metropolitano, de Blumenau.

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Abrindo o Jogo da Série A – Guia 2013

Leia também o Guia da Série B 2013 clicando aqui.

É sábado, 26 de maio. Lá por setembro, você mal lembrará que foi campeão ou que perdeu o estadual, estará completamente mergulhado na Série A do Brasileiro. Depois de cinco meses de espera, vai começar o principal campeonato do Brasil. E nesse ano com uma paradinha para a Copa das Confederações. É o último Brasileirão pré-Copa, o 11º da era dos pontos corridos. Cada vez mais os clubes já sabem o que podem e o que não podem. E algumas realidades ainda vão mudar depois da Copa.

Num exercício de futurologia, o blog dá a cara a tapa e se propõe a prever o que cada time pode fazer no Brasileirão. Não é chute – bem, talvez um pouquinho – mas sim uma leitura com base em tudo o que foi apresentado até aqui. Dividi os clubes em quatro categorias: candidatos ao título, Libertadores, Sulamericana* (também chamada de zona neutra) e rebaixamento. Vamos lá?

*Os critérios da classificação para a Sulamericana mudaram, mas, por convenção, deixei a “área” com esse nome. Se preferir, chame de “limbo”.

Título: Corinthians, Fluminense, Atlético Mineiro e Botafogo.

Corinthians:

O Corinthians é ainda o melhor time do Brasil. É o mais entrosado, com o melhor elenco (mesmo que perca Paulinho), o que pode fazer contratações de peso a qualquer momento, incluindo desfalcar adversários. Campeão Paulista, o Timão entrará no Brasileiro sendo o alvo, mesmo depois de ter caído na Libertadores. E certamente irá querer provar isso.

Destaque: Tite, o comandante
Ponto forte: Elenco e entrosamento
Ponto fraco: ataque e guerra de vaidades – até aqui, bem controlada
No Brasileirão: Cinco títulos (último em 2011)
Em 2012: 6º colocado

Veja o goleiro Cássio falando dos favoritos para o Brasileirão:

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Fluminense:

Tudo que vale para o Corinthians vale para o Flu, mas em um pequenino nível abaixo. É o atual campeão brasileiro, segue na Libertadores (ao menos enquanto escrevo esse texto, antes dos jogos contra o Olímpia-PAR) e tem entrosamento, comandado ainda por Abel Braga. Lhe falta elenco e estrutura, em relação ao Timão. Corinthians e Flu, aliás, era a disputa mais esperada do BR-12, mas por outras prioridades, não ocorreu. Esse ano vai?

Destaque: Fred, o artilheiro
Ponto forte: Elenco e entrosamento
Ponto fraco: defesa e concentração
No Brasileirão: Três títulos (último em 2012)
Em 2012: 1º colocado

Atlético Mineiro:

Bernard deve ir ao Borussia Dortmund e isso certamente será um desfalque pesado. Mas o bicampeão mineiro entra no Brasileirão com uma alta expectativa e seu mais novo aliado: o Estádio Independência, pertencente ao América-MG, que, reformado, tem sido um caldeirão para o Galo. Ronaldinho alegre e motivado conta com a melhor dupla de volantes do Brasil, um bom ataque e um bom goleiro para brilhar.

Destaque: Ronaldinho, o gênio
Ponto forte: velocidade e mando de campo
Ponto fraco: concentração e atitude longe de MG
No Brasileirão: Um título (último em 1971)
Em 2012: 2º colocado

Botafogo:

Para muitos, será surpresa o campeão carioca entre os postulantes ao título; para quem viu os jogos do Fogão de Seedorf, nem tanto. O Botafogo é um time bem armado por Osvaldo de Oliveira, que marca muito e sai em velocidade. Tem uma grande liderança em campo, você sabe quem. Resta saber se terá fôlego financeiro e deixará a pecha de amarelão, carregada em épocas anteriores, ao longo de 38 rodadas.

Destaque: Seedorf, o maestro
Ponto forte: velocidade e marcação
Ponto fraco: mando de campo e elenco
No Brasileirão: Um título (último em 1995)
Em 2012: 7º colocado

Ouça Seedorf falando sobre o desempenho do Botafogo no ano até aqui:

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Libertadores: Grêmio, São Paulo e Internacional.

Grêmio:

Seja com Renato Gaúcho – especulado no Sul – seja com a manutenção de Vanderlei Luxemburgo, o Grêmio chegará forte para esse Brasileirão. O elenco, montado para a Libertadores, terá que dar a resposta no Nacional. Se Luxa ficar, terá que vencer a resistência de boa parte da torcida e da imprensa, que é extremamente crítica com o treinador.

Destaque: Zé Roberto, o incansável
Ponto forte: potencial de ataque
Ponto fraco: defesa e falta de identidade com a Arena Grêmio
No Brasileirão: Dois títulos (último em 1996)
Em 2012: 3º colocado

Ouça Barcos em apoio a Luxemburgo para seguir no Campeonato Brasileiro:

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São Paulo:

O Tricolor Paulista tem muito em comum com o Gaúcho: um elenco bom, mas que não deu resposta, mesmo sendo forte e um técnico questionado no banco. Ney Franco terá a missão de achar um jeito de colocar Jadson e Ganso juntos, além de domar o gênio de Luís Fabiano. Se conseguir, o São Paulo pode chegar à Libertadores. Senão, é daqui pra baixo.

Destaque: Jadson, o assistente
Ponto forte: meio de campo e estrutura
Ponto fraco: disciplina e estima
No Brasileirão: Seis títulos (último em 2008)
Em 2012: 4º colocado

Ouça Ney Franco falando em reciclar o São Paulo para o Brasileirão:

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Internacional:

O Inter fecha o time dos que podem até sonhar com o título e chegar a Libertadores sem grandes surpresas. Deve perder Leandro Damião, mas manterá D’Alessandro, Forlan e o técnico Dunga, que com o tricampeonato gaúcho, levantou a primeira taça em clubes. Além de tudo isso, pode trazer Robinho e Júlio Baptista. Só que terá que jogar em Caxias do Sul, longe do Beira-Rio, em reforma para a Copa.

Destaque: D’Alessandro, o hermano
Ponto forte: ataque e marcação
Ponto fraco: defesa e instabilidade
No Brasileirão: Três títulos (último em 1979)
Em 2012: 10º colocado

Sulamericana*: Cruzeiro, Coritiba, Flamengo, Atlético Paranaense, Criciúma, Vitória, Goiás e Ponte Preta.

Cruzeiro:

A Raposa abre a lista dos que devem ficar no meio da tabela, mas tem boas possibilidades de chegar mais acima. Montou uma equipe rápida, como jovens valores (como Éverton Ribeiro) e jogadores experientes (Borges, Diego Souza, Dagoberto). A jóia da coroa foi tirar Dedé do Vasco, um ano antes da Copa, quando o zagueiro tem que jogar tudo e mais um pouco para ser lembrado. Conta com Marcelo Oliveira no banco, um bom técnico, mas tímido na postura em campo. Pela primeira vez em muitos anos, inverte papéis com o Galo, ficando à sombra do rival.

Destaque: Dedé, o xerifão
Ponto forte: velocidade
Ponto fraco: falta ousadia e pode ter problemas de disciplina
No Brasileirão: Um título (último em 2003)
Em 2012: 9º colocado

Coritiba:

O Coxa vem cercando um título nacional há algum tempo, mas nas duas chances recentes que teve, bateu na trave – na Copa do Brasil. Por isso, para o Brasileirão, apostou na volta do ídolo Alex, na manutenção de Deivid, Rafinha e o ótimo goleiro Vanderlei e na chegada de Botinelli, que se machucou e não atuou na conquista do tetra estadual, em que o time foi muito irregular. O Coxa tem uma arma no mando de campo, mas também pode pagar pela juventude do técnico Marquinhos Santos (34 anos).

Destaque: Alex, o ídolo
Ponto forte: mando de campo e meio de campo
Ponto fraco: laterais e volantes
No Brasileirão: Um título (último em 1985)
Em 2012: 13º colocado

Flamengo:

O Flamengo foi um fiasco no Carioca, mas apostou no técnico Jorginho para remontar o time para o Brasileirão. O ex-auxiliar de Dunga recebeu jogadores que tem bom nível, mas sempre ficaram no “quase”: Carlos Eduardo, Elias, Renato Abreu, Léo Moura, Marcelo Moreno. Com o clube mais preocupado em arrumar a casa, com a nova diretoria, o Fla não corre riscos, mas será surpresa se chegar mais além.

Destaque: Rafinha, o prata da casa
Ponto forte: experiência
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: Seis títulos* (último em 2009)
Em 2012: 2º colocado
*contando a Copa União de 1987

Veja a análise de Léo Moura sobre a ausência do Flamengo nas finais do Carioca:

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Atlético Paranaense:

O Atlético pode ser a grande surpresa deste Brasileirão, tudo por conta de uma estratégia inédita: uma (exagerada) pré-temporada de praticamente 5 meses. O Furacão ignorou solenemente o Estadual, jogando com um elenco só de garotos com menos de 23 anos (ainda assim, foi finalista) enquanto disputou um torneio na Europa e amistosos. Manteve a base do acesso na Série B-12, revelou jogadores interessantes e trouxe até um ex-Barcelona: Frán Mérida, que também passou pelo Arsenal. Mas ainda é Paulo Baier quem manda no time, que não tem o caldeirão da Baixada, em reforma para a Copa.

Destaque: João Paulo, o motorzinho
Ponto forte: velocidade e entrosamento
Ponto fraco: elenco mediano e falta de mando de campo
No Brasileirão: Um título (último em 2001)
Em 2012: 3º colocado na Série B

Ouça o diretor de futebol do Atlético, João Alfredo, falando sobre o Brasileirão:

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Criciúma:

O campeão catarinense não fará feio na sua volta à Série A. O Tigre conta com a base que subiu em 2012, mas perdeu o atacante Zé Carlos, o Zé do Gol. Conta com jogadores conhecidos no elenco: os atacantes Marcel e Tartá, o zagueiro Thiago Heleno e o meia Daniel Carvalho. No banco o técnico Vadão, que deve armar os ferrolhos de sempre.

Destaque: Tartá, o ousado
Ponto forte: estrutura e mando de campo
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: 14º em 2003
Em 2012: 2º colocado na Série B

Vitória:

O Leão entra animado no Brasileirão, muito por conta das duas goleadas históricas no rival Bahia que renderam a conquista do Estadual. Mas é pouco: o rubro-negro precisa se reforçar para dar ao bom técnico Caio Jr. condições de sonhar mais. O ambiente político também não deve ajudar o Vitória, que nos bastidores vê a guerra entre o atual presidente, Alexi Portela Jr., e Paulo Carneiro, que quer voltar ao clube.

Destaque: Dinei, o matador
Ponto forte: marcação
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: vice-campeão em 1993
Em 2012: 4º colocado na Série B

Goiás:

A base que ganhou o bicampeonato da Série B e a manutenção do técnico Enderson Moreira são os trunfos do Goiás para impedir um “bate-e-volta” para a Série B. O clube, um dos mais bem estruturados do Brasil, vai brigar contra a queda, mas tem potencial para safar-se com facilidade do risco e garantir-se na Sulamericana 2014. As “eternas promessas” Dudu Cearense e Renan Oliveira comandam o meio campo.

Destaque: Harley, o eterno
Ponto forte: entrosamento
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: Terceiro lugar em 2005
Em 2012: 1º colocado na Série B

Ponte Preta:

A Ponte comemora o título de melhor do interior paulista (mesmo sem sê-lo, pois o Mogi Mirim foi semifinalista) que, de certa forma, atesta o bom momento do clube. Para o Brasileirão, a aposta na Macaca é humilde: chegar à Sulamericana. A vantagem do clube é a sequencia de trabalho, desde a época de Gilson Kleina, hoje no Palmeiras.

Destaque: Alemão, o gingado
Ponto forte: entrosamento
Ponto fraco: poderio financeiro para reforçar/manter peças
No Brasileirão: Terceira em 1981
Em 2012: 14ª colocada

Rebaixamento: Santos, Vasco, Náutico, Portuguesa e Bahia.

Santos:

Se enquanto você lê este texto Neymar ainda for jogador do Peixe, ignore as chances de risco e coloque o Santos entre Cruzeiro e Coritiba. Neymar é mais que meio time, que ainda não viu Montillo decolar e conta com a má-fase pessoal de Muricy Ramalho, que passou por problemas de saúde e não conseguiu dar padrão ao Peixe 2013. Caso Neymar realmente tenha deixado o clube, se você for santista, prepare-se: o ano será longo. O elenco envelhecido e os reforços que não emplacaram são os principais rivais do time do litoral paulista. O risco realmente existe.

Destaque: Neymar, o desejado
Ponto forte: Neymar, o craque
Ponto fraco: o resto do elenco, com raras exceções (Arouca, Miralles e – talvez – Montillo)
No Brasileirão: Dois títulos (último em 2004)
Em 2012: 8º colocado

Ouça Muricy Ramalho falando sobre a possível perda de Neymar:

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Vasco:

A nau de Paulo Autuori está ameaçada de afundar. O Vasco vive um momento duríssimo, após um Cariocão frustrante, com problemas financeiros e jogadores que deixaram o clube. A aposta foi feita, dentro dos padrões do clube, em um elenco modesto e na manutenção de três nomes: Bernardo, Carlos Alberto e Eder Luis. A esperança vascaína está neles e na camisa.

Destaque: Bernardo, o rebelde
Ponto forte: camisa
Ponto fraco: elenco mediano, dificuldades financeiras e possibilidades de indisciplina
No Brasileirão: Quatro títulos (último em 2000)
Em 2012: 5º colocado

Náutico:

O Timbu é mais um candidato ao rebaixamento, após um estadual ruim, em que foi obrigado a disputar desde o começo enquanto os rivais jogavam a Copa do Nordeste – culpa do próprio clube, que não se classificou para o Regional. Perdeu tempo, dinheiro e parâmetro, saindo derrotado dos clássicos com Santa Cruz e Sport. O técnico Silas vai ainda pegar um time que não contará (a princípio) com o caldeirão dos Aflitos, já que o clube passará a jogar na Arena Pernambuco.

Destaque: Rodrigo Souto, o destaque
Ponto forte: único time pernambucano na Série A
Ponto fraco: elenco fraco e adaptação ao novo estádio
No Brasileirão: Sexto em 1984
Em 2012: 12º colocado

Portuguesa:

A Lusa chega a Série A depois de conquistar a Série B… do Paulista. O time, em 2012, conseguiu a proeza de se manter na elite nacional e cair no estadual. Assim sendo, perdeu em atratividade, competitividade e, claro, dinheiro para a disputa do Brasileirão. O elenco é formado por jogadores que conseguiram o título da Série A2 e buscam um lugar ao Sol – o que pode ser um trunfo, afinal.

Destaque: Souza, o polêmico
Ponto forte: vontade
Ponto fraco: elenco desconhecido e falta de parâmetro de competição
No Brasileirão: vice-campeã em 1996
Em 2012: 16º colocado

Bahia:

A previsão para o Bahia é a mais negra possível neste início de Brasileirão. A estreia na nova casa não poderia ser pior e a Fonte Nova custou dois técnicos em menos de dois meses ao Tricolor, que vive crise política, econômica e moral, com o rompimento com a torcida. O elenco é recheado de jogadores rodados, como Titi, Souza, Fahel, Toró e outros mais. A curiosidade é contar com o americano Freddy Adu, que foi tratado como “novo Pelé” quando jovem, e chegou na troca por Kléberson com o Philadelphia Unión.

Destaque: Obina, o Eto’o
Ponto forte: sua torcida
Ponto fraco: elenco fraco, clube rachado, ambiente instável
No Brasileirão: Um título (último em 1988)
Em 2012: 15º colocado

Veja o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, falando sobre a crise no clube:

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O Santa merece o Brasil

O Santa Cruz é tricampeão pernambucano de futebol. Bateu o Sport, como já havia feito ano passado. E retrasado. E nos seis jogos entre os rivais, quatro vitórias tricolores. O Santa já retomou o Pernambuco para si; falta o Brasil.

Longe dos holofotes nacionais desde 2006, quando foi o lanterna da Série A, o Santa Cruz comeu o pão que o diabo amassou. Mas parece ter reencontrado seu rumo. De fato, é até injustiça dizer que o Santinha passou tanto tempo longe da mídia. Foi carregado por seu povo em muitos desses anos de dificuldade, quando chegou a despencar para a Série D. Literalmente carregado: ignorando a divisão, o torcedor coral conseguiu a 39a média de público do Mundo, a 1a no Brasil, a frente do campeão da Libertadores, o Corinthians, por exemplo. Seus 36,9 mil torcedores por jogo foram mais fiéis que os torcedores da Roma, Juventus, Porto e todos os outros times sulamericanos – incluindo Flamengo e Boca.

Mas, em campo, o Santa não respondia.

Até que o clube começou a se reorganizar. Arrumou o Arrudão, longe ainda do ideal, mas melhor estruturado. Manteve uma linha de trabalho, que passou por Zé Teodoro e chegou a Marcelo Martelotte, com o goleiro Tiago Cardoso se tornando ídolo em Recife, com Denis Marques reencontrando seu bom futebol, com a diretoria de Sylvio Ferreira arrumando o clube. Mas falta algo.

Leia também:

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O Santa Cruz merece o Brasil. Um clube tricampeão pernambucano, Estado representativo no futebol brasileiro, não pode ficar escondido na Série C nacional. É difícil competir no mercado de hoje, com disparidade de renda, patrocínios milionários e concorrência desleal na base. Mas um clube que tem rivais em divisões acima e manda dentro de Pernambuco há três temporadas pode mais. O Santa Cruz precisa ao menos estar na Série B em 2014, entendendo o seu desafio de crescer e marcando presença, para deixar de ser só “o clube que leva mais gente aos estádios” e passar a ser um adversário que incomode os grandes do País também em campo.

  • “O Santa é lindo!”

Era 1999 e eu, ainda acadêmico de Publicidade, sequer pensava em cursar também jornalismo. Mas já gostava de futebol. E em um congresso de comunicação em Maceió, resolvi ir ao estádio assistir CRB x Santa Cruz, no Rei Pelé, pela terceira rodada da Série B daquele ano. No comando de ataque do Santa, Grafite – aquele mesmo.

Não me recordo porque cargas d’água, mas eu e alguns amigos resolvemos desafiar a regra número um de qualquer torcedor sadio em campo desconhecido: ao invés de irmos na torcida da casa, ousamos entrar nos visitantes. Aderimos a massa do Santinha.

O jogo não estava lá essas coisas. O CRB era melhor na partida e o Santa era um amontoado em campo. Não demorou até que o time da casa fizesse 1-0. O gol, de fato, parece que incendiou ainda mais a numerosa torcida coral presente ao estádio. Maceió fica a apenas 265km do Recife. A galera foi em peso. E passava raiva.

Lá pelos 30 do segundo tempo, um lance raro do Santa no ataque resultou em pênalti. Vibração intensa. É aquele momento em que as classes sociais se misturam: rico abraça pobre, branco abraça negro, não há distinção sexual ou qualquer outro tipo de preconceito. É o que faz o futebol ser o que é. “É pênalti pro Santa!!” berrou do meu lado um senhor barbudo, já desfalcado do zagueiro central e do ponta direita entre seus dentes, com um hálito não tão leve que indicava o grau de empolgação. “O Santa é lindo! O Santa é lindo!”, gritava, esperançoso pelo empate. Grafite pegou a bola.

O coração bateu mais forte. O gol é aquele momento especial. Me peguei torcendo pelo Santa Cruz. “O Santa é lindo”, insistia o amigo, já quase naquela intimidade que dispensa o “senhor” antes das frases. Em campo, Grafite colocava a bola na cal e dirigia-se até a meia lua, mãos na cintura.

Grafite foi pra bola.

Andou um, dois, três passos. Olhou para o goleiro. Armou o chute. Tropeçou. Pegou mal na bola. O goleiro defendeu sem dificuldades.

A expressão do Barba (já estavamos como velhos amigos) foi mudando lentamente, na medida do desenrolar da jogada. Da euforia à decepção. Minutos depois, o CRB faria 2-0. O Santa – e Barba – voltariam ao Recife vencidos. Mas nunca derrotados.

No fim do ano, Barba ficou mais alegre: o Santa foi vice-campeão da Série B e voltou à elite nacional.

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Atlético jogará Brasileirão nas casas do Paraná

Vila Olímpica servirá à dupla da Rebouças no Brasileirão (Foto: AI CAP)

Atlético e Paraná chegaram a um acordo e o Rubro-Negro irá indicar os dois estádios do Tricolor para o Campeonato Brasileiro. A negociação será confirmada até quarta-feira pelas duas diretorias. O acordo inclui todos os acertos pendentes entre os clubes.

Sem acordo com o Coritiba (primeira ideia do Furacão) e sem contar com o apoio da CBF, o presidente atleticano Mário Celso Petraglia procurou a diretoria paranista para conversar. As conversas começaram há cerca de 20 dias e incluíram visitas da diretoria rubro-negra aos dois estádios, para verificação de necessidades. Com o acordo, é possível que, chegando a decisão do Paranaense, o Atlético use a Vila Olímpica como mandante. No entanto, será preciso uma série de adequações, como instalação de câmeras de segurança, em tempo hábil.

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A diretoria atleticana chegou a cogitar mandar jogos contra os grandes de Rio e São Paulo (exceção ao Botafogo) e mais a dupla gaúcha em outros estádios pelo Brasil. Com o acordo com o Paraná, as possibilidades de isso acontecer são praticamente nulas. Houve conversa para que o time jogasse contra o Flamengo em um dos estádios da Copa, o que não foi confirmado.

A Vila Olímpica receberá jogos dos dois clubes nos inícios das Séries A e B. O Atlético tentou apressar a recuperação do gramado da Vila Capanema, propondo-se até a pagar a mais pelo trabalho, mas o Paraná manteve o projeto inicial e ambos só jogarão no Durival Britto e Silva após a Copa das Confederações, que vai de 15 a 30 de junho.

Buscando uma solução para não sair de Curitiba, o Atlético procurou o Paraná com ação pessoal de Petraglia, que sentou-se com Rubens Bohlen, Paulo César Silva e Celso Bittencourt após alguns telefonemas. Houve um primeiro momento de tensão na conversa, pela pendência financeira entre os clubes, que rapidamente se acertaram. O Atlético, inclusive, se propôs a ceder jogadores do elenco que não serão usados na Série A para que defendam o Paraná na disputa da Série B. Os nomes estão em avaliação pelo Tricolor e não tem relação direta com o aluguel dos estádios. O valor do aluguel não foi e não será confirmado por nenhum dos clubes, mas apurei que gira em torno de R$ 75 mil por jogo.

  • Os jogos da dupla na Vila Olímpica (antes da Copa das Confederações):

Atlético:

26/05 x Cruzeiro

01/06 x Flamengo*
*A confirmar, pode acontecer em um dos estádios da Copa 2014 fora de Curitiba

Paraná:

28/05 x São Caetano

08/06 x Figueirense

11/06 x ASA

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Repensando o futebol brasileiro

Esse post foi publicado no antigo blog, no portal Bem Paraná, em dezembro de 2012. Reedito aqui para levantar a discussão nacionalmente, através dos seus comentários. Obrigado a todos e bem-vindos a nova fase do blog!

Final de ano, perspectivas de um novo início em 2013. No futebol, é hora de por em prática o planejamento da nova temporada. Contratações, dispensas, pré-temporada, objetivos. Cada clube com a sua necessidade, conforme a disputa que tem pela frente. Essas são as boas notícias.

A má: dificilmente seu clube, se não for do grupo dos seis que mais recebem nas cotas de TV, principal renda dos clubes atualmente, será campeão. Salvo se tiver um mecenas por trás, caso do atual campeão Fluminense, amparado fortemente pela Unimed. E nesse balaio incluo gaúchos e mineiros. Duvida? Então veja a figura abaixo:

Essa é a atual distribuição de renda do futebol brasileiro, com base no repasse do principal apoiador, a Rede Globo de Televisão, detentora dos direitos de transmissão do Brasileirão. A imagem detalha o recebimento dos clubes do extinto Clube dos 13 (que abrangia 20 clubes) mais o Paraná Clube, simbolizando todos aqueles que estão no patamar do Tricolor. As cores dividem os grupos cotistas, que são de 5 tamanhos (alguns dos valores estão renegociados). Do amarelo ao vermelho, o que mais recebe ao que menos recebe. Todos dentro de um mesmo campeonato.

É preciso dizer que a Globo faz um bem enorme ao futebol nacional. A evolução nos contratos de TV nos últimos anos começou a projetar o Campeonato Brasileiro como um dos mais rentáveis do Mundo. Ainda está longe da Bundesliga (Alemanha) e da Premier League (Inglaterra), mas é um caminho. Não vou entrar aqui na discussão da exclusividade de transmissão, discussão do mercado de comunicação – convenhamos, o know-how da Globo é o melhor, ainda que (até mesmo pra mim, como jornalista) a diversificação de emissoras na cobertura pudesse ser benéfica. A discussão aqui é outra.

A própria televisão já ensaiou – e essa discussão ficou para trás, mas segue em voga com os torcedores – um pedido para que o Brasileirão volte ao mata-mata. E isso porque se ressente de mais emoção na competição. É um engano: se não há emoção no Brasileirão dos últimos anos, é porque a disparidade de arrecadação entre os clubes é enorme. É impossível que o Náutico, melhor clube fora do rol dos maiores recebedores (abaixo até mesmo de Atlético e Coritiba) supere 19 equipes em um torneio de regularidade e seja campeão.

Repare novamente na figura acima. Em amarelo, estão as posições de destaque; em azul, posições confortáveis. Em laranja, posições compatíveis e/ou aceitáveis. Em vermelho, posições ruins – e ainda pintou um preto na tabela. Repare que na divisão do Botafogo para o Atlético – linha que divide os tradicionais 12 dos demais – um lado é quase todo vermelho, outro quase todo amarelo. Não coincidentemente, quem mais recebe contra quem menos recebe. Em tempo: Botafogo e Atlético-MG, com todo o respeito que as belas histórias merecem, não são maiores que Atlético, Coritiba, Sport e Bahia. O novo ranking da CBF atesta isso.

O Corinthians, que iniciou como centro dessa discussão na coluna desta quarta no Metro Curitiba, vale quanto pesa. A torcida corintiana, bem como a do Flamengo, são as maiores do Brasil. Eles atraem mais interesse, mais público, vendem mais PPV, merecem ganhar mais. E assim sucessivamente. A ressalva é que essa não deve ser a única maneira de se distribuir o bolo.

Tenho tido a oportunidade de transmitir jogos do Campeonato Alemão pelo Terra (fica o convite, é ao vivo e gratuito) e, a despeito da liderança isolada do Bayern, a competição toda é mais acirrada. Aquele equilíbrio que o brasileiro gosta de propagar, hoje acontece muito mais na Alemanha. Se o ano do Bayern é excepcional, o atual bicampeão é o Borussia Dortmund e Schalke 04, Bayer Leverkusen, Eintracht Frankfurt e Sttutgart se permitem sonhar com a taça ou ao menos uma vaga na Liga dos Campeões – coisa que, no Brasil, tem se restringido a poucos pela Libertadores, obviamente.

Leia também:

– Paraná Clube entra na Bovespa

– Na Alemanha, rádio compra direitos de transmissão

– Artigo: quem perde na briga do Atlético com a imprensa?

A culpa passa longe de quem paga. É, na verdade, de quem vende: os clubes. Os que estão no topo, obviamente, não se incomodam com a situação. Muitas vezes estão amarrados a dívidas e antecipam receitas, se comprometendo mais e mais. Mesmo no seleto grupo dos 12, já vemos clubes sentindo os efeitos: as campanhas do Botafogo são apenas regulares e o Palmeiras, não fosse a conquista da Copa do Brasil (outro estilo de competição) teria uma avaliação recente desastrosa. No entanto, todos são complacentes com a situação. O seu clube também. Os efeitos são sentidos até mesmo na Seleção Brasileira, já não tão querida pelos torcedores em boa parte do Brasil pela falta de identidade e que, com o desamparo aos clubes menores, passará a ter menos fontes para seus craques.

Ok, até aqui, nenhuma novidade (e obrigado pela paciência na leitura). E qual seria uma solução? O exemplo mais democrático está na Inglaterra, liga mais rentável do Mundo, vendida em todo o Planeta. A arrecadação de TV é dividida de três maneiras: 70% igualmente entre os clubes; 15%, pelo retorno de audiência; outros 15%, pela classificação dos clubes no ano anterior. Além disso, os clubes que sobem da segunda divisão para a primeira recebem um auxílio especial na primeira temporada. A intenção? Deixar o campeonato competitivo. Claro, o poderio do Manchester United e dos dólares russos do Chelsea e árabes do Manchester City tem restringido a disputa a esses três. Mas aí é atrativo individual de cada um que, como receita de sócios e camisa, passa pelo mérito de cada um.

Para esse tratado, fiz um estudo sobre como seria a distribuição de renda no Brasil usando o modelo inglês. Os cálculos não são precisos (matemática nunca foi o meu forte) mas a distorção é pequena – algum leitor mais hábil com números pode ficar a vontade para me corrigir, especialmente na divisão por audiência. A base do cálculo foi a tabela da Premier League que está nesse link. Nela, os últimos lugares da tabela foram ocupados pelos clubes que subiram para a Série A em 2012. Observe:

A diferença entre o que receberia o Corinthians para o que receberia o Vitória, do maior para o menor valor, seria de apenas 21 milhões. O Corinthians continuaria recebendo mais, justamente, e continuaria forte, aproveitando-se ainda dos valores que recebe pela camisa, sócios, etc. Mas o campeonato poderia ser mais equilibrado. A distância para o Vitória seria, digamos, mais honesta. Afinal, o que se espera de uma disputa é que ela seja equilibrada, o que gera interesse. Não à toa, as ligas norte-americanas de basquete e futebol americano são as mais lucrativas do planeta entre todos os esportes. O segredo? O time com pior desempenho no ano anterior é o primeiro a escolher o melhor calouro no draft. Equilíbrio, senhores.

Ainda há mais um fator relevante a se discutir: as dívidas dos clubes com o Governo. Na Europa, a punição é severa. Os tradicionais Napoli e Fiorentina faliram e tiveram de começar em divisões inferiores italianas – o Napoli se recuperou a ponto de comprar o CNPJ (ou como for na Itália) antigo. O Rangers, um dos dois gigantes escoceses, vive esse drama agora. Mesmo sendo um Flamengo da Escócia, foi à falência recomeçou na 4a divisão. Sem perdão. Aproveitei o estudo para fazer um comparativo entre a principal receita dos clubes e a dívida pública, divulgada pela Revista Galileu. O Sport foi o único clube do qual não encontrei dados, mesmo em outras fontes. As cores estão divididas em: vermelho para dívidas com duas vezes ou mais da principal receita, laranja para dívidas pouco maiores ou ainda dentro de um limite suportavel, azul para as dívidas pequenas e amarelo para a única exceção, que segundo a reportagem tem até valores a receber:

A última notícia é de que Governo e CBF estudam punir os clubes devedores. Seria um esvaziamento e tanto na Série A – mas é aguardar pra ver. Diante da ideia de se modernizar o futebol nacional, seria um passo e tanto.

Frases de 2012

Fim de ano, hora de relembrar as principais frases que marcaram o esporte e o futebol paranaense em 2012 – hora de exercitar a memória e agradecer a todos os peixes que comi durante o ano.

“A FPF tem em seu estatuto a prerrogativa de requisitar o estádio e aí vamos ver o que acontece. A FPF vai cumprir o seu papel”

Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol, em Janeiro, ao receber a requisição do Atlético para mandar jogos no Couto Pereira.

“Sou sócio do Paraná há 35 anos, já fui duas vezes conselheiro. Não tenho nada contra o Paraná”

Hélio Cury, que teria um Janeiro movimentado, explicando porquê não poderia antecipar o início da Série Prata estadual para adequar o calendário da CBF ao local, como fizeram em Minas (pelo América) e em São Paulo (pelo Guarani). A competição seguiu em maio e o Tricolor chegou a jogar duas partidas em menos tempo que as 48h exigidas pela lei.

“O time está fechadíssimo. Nós montamos uma equipe boa e forte para as primeiras competições”

Ernesto Pedroso Jr., ex-vice-presidente de futebol do Coritiba, em Janeiro.

“Nunca está totalmente fechado. Contratamos os substitutos para o Leandro Donizete [Junior Urso] e Léo Gago [Lima]. Estamos atentos aos pedidos da comissão técnica e oportunidades de contratação”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, rebatendo Pedroso, dias depois. O ex-par de diretoria deixaria o Coxa no decorrer do ano, em função de divergências. Essa foi a primeira.

“O Conselho Administrativo do Coritiba reafirma aos conselheiros sócios, torcedores e a toda nação coxa-branca a sua disposição de lutar até o fim, usando as medidas judiciais cabíveis, para garantir os interesses do Clube e os direitos sobre de suas propriedades”

Nota oficial no site do Coritiba, emitida logo após a requisição do Couto Pereira para o Atlético, formalizada pelo presidente da FPF, Hélio Cury; o Coxa fez valer seu ponto de vista e o rival não jogou no Couto, a despeito da exigência da FPF. Em Janeiro.

“Foi solicitada a cessão por aluguel do Estádio Durival Britto e Silva, somente para o campeonato paranaense, pois, segundo o dirigente [N.B.: Mário Celso Petraglia, pres. do Atlético], para o campeonato brasileiro já acertou a cessão do estádio Couto Pereira”

Nota oficial no site do Paraná, revelando negociações com o Atlético, enquanto corria na justiça a questão sobre o Couto Pereira. O Atlético chegou a disputar 13 jogos como mandante na Vila Capanema.

“Repudiamos a atitude do Paraná Clube, que além de noticiar inverdades sobre a questão (…) tem como objetivo nivelar por baixo Instituições da grandiosidade do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Foot Ball Club”

Nota oficial no site do Atlético, publicada em Janeiro, rebatendo as afirmações do Paraná na nota anterior.

“Será que a Federação pode obrigar o Coritiba a emprestar jogadores também? Isso vai contra o princípio do direito desportivo, que vai contra o direito da própria competição”

Peterson Morosko, presidente do TJD-PR, explicando porque decidiu, em voto-desempate, pela não-obrigatoriedade do aluguel do Couto Pereira ao Atlético, por ordem da FPF. Em Janeiro.

“O Santos ainda deve pensar que aqui é a 5.ª Comarca de São Paulo. Se quer levar, tem preço. Se quer levar, tem de pagar esse preço. Senão não leva”

Vilson Ribeiro de Andrade,  em Janeiro, revoltado com a diretoria santista por ter prometido um aumento salarial ao lateral Maranhão, que seria pago pelo Coritiba, para que houvesse uma troca pelo também lateral Jonas; o negócio não saiu e Maranhão acabou defendendo o Atlético na Série B.

“Usam argumentos fora da realidade atual, do romantismo do passado e escondem como o avestruz sua cabeça na areia”

Mario Celso Petraglia (presidente do Atlético) em Fevereiro, então pelo Twitter, defendendo que os Atletibas tenham torcida única; nos jogos dos turnos do Paranaense, fez valer sua ideia; na decisão, não. E em 2013?

“Sempre acho que não é positivo [torcida única]. Mas se for para evitar maiores transtornos, eu sou propenso a aceitar”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, num dos poucos momentos de concordância com Petraglia, em Fevereiro.

“Era uma área interessante [o Pinheirão], mas inviabilizou-se pelos motivos que todo mundo conhece. O Coritiba hoje não está pensando no novo estádio”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, adiando mais uma vez o sonho de um novo estádio para o clube. O Pinheirão foi arrematado pelo grupo Destro Atacadista e ainda tem destino incerto. Em Fevereiro.

“Quero dar muitas alegrias à torcida”

Rodolfo, goleiro do Atlético, em Março. O ex-jogador paranista chegou a rival para ser titular, mas foi suspenso por doping no começo da Série B.

“Quero voltar para a minha casa, o Coritiba”

Keirrison, atacante do Coritiba, em Março, que pertence ao Barcelona e estava no Cruzeiro. Ele negociou um retorno para tratar uma contusão no Coxa, mas não entrou em campo em 2012.

“Com certeza a torcida do Paraná vai lotar a Vila Capanema. A nossa torcida é muito maior que a do Atlético”

Paulo César Silva, diretor de futebol do Paraná, apostando que o Tricolor levaria mais torcida que o Rubro-Negro em seu jogo da Copa do Brasil, contra o Luverdense, enquanto o Atlético pegaria no dia seguinte o Sampaio Corrêa. Ele ganhou a aposta: 7365 x 4849 pessoas em cada jogo, respectivamente.

“Eu é que tenho que aguentar”

Amilton Stival, vice-presidente da FPF, ao alterar pela terceira vez a tabela da 2a divisão paranaense, em Abril, após mais um conflito de datas com os jogos do Paraná na Série B.

“Eu não sou dirigente covarde, que muda de treinador quando as coisas não vão bem. O Marcelo Oliveira será o treinador enquanto eu for o presidente. O culpado disso tudo sou eu”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, mantendo o pressionado técnico no cargo em Abril

“O Sr.Vilson nos enganou, pois nós confiamos nas palavras dele e, por isso, nada fizemos politicamente para pressionar a CBF. O “homem bom” se revelou um traidor!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Maio, dando sua versão dos fatos quanto ao pedido do Atlético pelo Couto Pereira.

“Se Petraglia acha que eu sou traidor dele, me sinto honrado. Trair o Petraglia melhora o meu currículo. Vou ser levado nos braços pelo povo de Peabiru [N.B.: cidade natal de Andrade]. Eu nunca traí ninguém. Eu tenho convicções na minha vida e é o pensamento da torcida do Coritiba”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Maio, rebatendo a frase acima.

“O Atlético vai jogar em Curitiba. Essa é uma posição já declarada pelo nosso presidente. Essa situação está nas mãos da CBF”

Mauro Holzmman, diretor de comunicações do Atlético e braço-direito de Petraglia, afirmando em Maio que o clube não sairia de sua sede; o Furacão acabou disputando nove dos 19 jogos como mandante na Série B em Paranaguá.

“É tentá matá essa porra aí!”

Guerrón, ex-atacante do Atlético, em Maio, em jogo contra o Cruzeiro em Minas, pela Copa do Brasil, reclamando dos gols perdidos pelos colegas no primeiro tempo da partida, que acabaria 2-1 para o Furacão, que viria a ser eliminado pelo Palmeiras.

“O si$tema existe independente do resultado! Não deveria estar acontecendo as finais, fomos assaltados pela aldeia!”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, pelo Twitter, reclamando da arbitragem nos clássicos com o Coritiba, em Maio. O dirigente queria marcação de impedimento em dois lances de gol do Coxa, que acabaria campeão estadual. Petraglia, seria punido pelo TJD pelas reclamações e abandonaria a rede social poucos dias depois.

“Aprendi que aqui lateral tem de jogar na lateral”

Juan Ramón Carrasco, ex-técnico do Atlético, ao ser demitido sob a alegação de que improvisava demais. O uruguaio ficou no clube até o início da Série B. Em Junho.

“Isso tem que haver; para qualquer manager, qualquer diretor de futebol que tem um conhecimento e tem uma função nessa área e também um cargo que lhe permita essa interação”

Sandro Orlandelli, gerente de futebol do Atlético, assumindo em Junho que as reclamações de Juan Ramón Carrasco, ex-técnico, eram fundamentadas – o que é diferente de justificadas.

“Estou muito feliz e esperançoso”

Ricardo Drubscky, recém-contratado técnico do Atlético, em Junho, antes de saber que mal assumiria o cargo. Naquele momento, ao menos.

“O que?? O Ricardo [Drubscky] ainda está como técnico?”

Jorginho, técnico com passagem relâmpago em Junho pelo Atlético, dizendo que só conversaria com o clube se o cargo estivesse livre, até que foi avisado pelo repórter. Era o mês mais turbulento na Baixada.

“O nosso time é muito fedido”

Jorginho, poucos dias antes de ser demitido, em Julho, após um empate em 0-0 em casa contra o Bragantino, tecendo críticas ao elenco rubro-negro, que seria reforçado a seguir.

“Era uma obrigação nossa, mas foi uma caminhada de difícil. Calendário duro, campos ruins, assim como os horários. Mas esta era a realidade e tínhamos que encarar”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, comemorando o acesso do clube à primeira divisão estadual, quando o time chegou a jogar em intervalos menores que 48h, em paralelo à Série B nacional.

“O Palmeiras e a sua torcida deveriam se envergonhar. Uma arbitragem desastrosa em São Paulo que matou o Coritiba. Hoje, ganhávamos de 1 a 0 e o juiz inverteu uma falta. Por isso eles são campeões”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Julho, após a final da Copa do Brasil, reclamando da arbitragem. Foi o segundo vice-campeonato saeguido do Coxa na competição.

“Ninguém tem direito de recusar um clube como o Inter”

Felipe Ximenes, gestor de futebol do Coritiba, falando sobre a proposta para que ele deixasse o clube em Julho. Apesar da frase, Ximenes ficou e ainda negou nova sondagem em Dezembro, além de dizer não à Flamengo e Vasco.

“Tomara que não achem um treinador tão cedo, que demorem muito e que todos que procurem não queriam vir, porque tenho certeza que eu tenho competência suficiente e posso dirigir esta equipe”

Ricardo Drubscky, técnico que conseguiu o acesso com o Atlético, com a interinidade mais longa da história do futebol. Em Agosto.

“Esquecemos como se joga a Série B, porque ficamos 17 anos na Série A”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, em Agosto, justificando a má campanha do time naquele momento. Com reforços no elenco, o clube  ‘lembrou’ como se faz para vencer na competição.

“Quando a gente puser o nosso pé no G4 a gente não vai sair mais”

Weverton, goleiro do Atlético, em Agosto, após o time vencer o então líder Criciúma em casa.

“Quero ser o prefeito da Copa em Curitiba”

Luciano Ducci, prefeito de Curitiba até 31/12/12, em campanha eleitoral, em Agosto. O “prefeito da Copa”, no entanto, não compareceu ao debate sobre Copa do Mundo realizado pela ÓTV entre os então candidatos e ainda retirou da pauta pré-eleição a decisão de ajuste de valor para o Potencial Construtivo, essencial para a construção da Arena da Copa.

“Eu trabalho duro para ganhar título e não para agradar torcedor. Se não gostaram, não posso fazer nada. Não vivo para agradar torcedor”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, em Setembro, no primeiro sintoma de que ficaria sem clima para seguir no Coxa, ainda comentando perda do segundo título seguido na Copa do Brasil.

“Montamos um time dentro das possibilidades , mesmo com todas as situações financeiras. Chega um momento em que falta. Pedi à diretoria várias vezes. Prefiro, pelo bem do Paraná, sair e que um outro profissional possa dar continuidade ao trabalho”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, ao pedir demissão em Setembro, após um empate em 1-1 em casa com o Barueri, deixando publico pela primeira vez o problema financeiro no Paraná.

“Os jogadores estão no direito deles, mas o que já havíamos falado antes para eles é que estávamos buscando recursos. Esse manifestamento (sic) dos jogadores acabou me fazendo voltar de mãos vazias, mas já estamos resolvendo e eles vão receber centavo por centavo”

Rubens Bohlen, presidente do Paraná, em Outubro, comentando a carta divulgada pelos jogadores que reclamavam de atraso nos salários. Na última rodada do Brasileiro Série B, em Novembro, os jogadores não concentraram nem treinaram alguns dias, pela mesma razão.

“Eu cheguei para o Felipão e disse: vocês vão ser campeões”

Ricardinho, ex-técnico do Paraná, revelando em Outubro um papo com o técnico palmeirense que o comandou na Seleção, logo após a eliminação tricolor, em Maio. O Palmeiras eliminou Paraná, Atlético e Coritiba e foi o campeão da Copa do Brasil.

“Não somos gigolôs do dinheiro público!”

Vilson Ribeiro de Andrade, vice-presidente do Coritiba, durante a festa de aniversário da torcida organizada “Império”, em Outubro, quando selou a paz com a facção e aproveitou a deixa para provocar o rival, parceiro da Prefeitura e do Estado no projeto da Copa.

“Eu não posso ter uma força como você no meu vestiário”

Aykut Kocaman, técnico do Fenerbahçe, explicando em Outubro para Alex porque o barrou no time turco. Alex estava próximo de ultrapassar o proprio Kocaman como maior artilheiro da história do Fener e acabou rescindindo contrato, sendo pretendido depois por Palmeiras, Cruzeiro e Coritiba.

“O Coritiba é minha mãe e o Fenerbahçe, minha mulher”

Alex, meia do Coritiba, resumindo porque decidiu voltar para o Coxa em detrimento de Cruzeiro e Palmeiras, para espanto de muita gente em São Paulo. Em Outubro.

“Eu quero agradecer as orações de vocês. E a minha família, que me apoiou no meu problema e disse: ‘você é a razão da nossa vida e sabemos que o Coritiba é a razão da sua!'”

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba, em Outubro, em um discurso emocionado, ao anunciar uma reforma para concluir o terceiro anel de arquibancadas do Couto Pereira, situado na Rua Mauá.

“Será um jogo de cachorro louco”

Weverton, goleiro do Atlético, antes do duelo direto em Salvador contra o Vitória, em Outubro, confundindo um pouco o ditado.

“Nós tivemos que tomar uma posição mais drástica de não concentrar. Agora nós tomamos a decisão de não treinar. Nós comparecemos só. Não jogar está descartado, pois somos profissionais”

Fernandinho, meia do Paraná, anunciando a greve dos jogadores em Novembro, a uma semana do derby com o Atlético, que valia acesso ao Furacão. Ainda assim, Tricolor fez jogo duro e por pouco não ganhou a partida.

“Cumpri minha promessa. O Atlético não pode estar na Segunda, o Atlético tem de estar sempre na Primeira. E daqui para frente, não cai mais!”

Paulo Baier,  meia do Atlético, em Novembro, logo após o suado empate com o Paraná (1-1) que garantiu a volta atleticana à primeira divisão.

“Temos orgulho muito grande que somos o único clube independente, que não tem vínculo com investidor e empreitera. Este trabalho será vitorioso, com muito trabalho e empenho. Vamos ajudar não só o clube e a cidade, como o estado e todo o país”

Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético, anunciando em Novembro, num evento em São Paulo, parceria pioneira no Brasil com a AEG, empresa que faz a gestão de Arenas em todo o Mundo, caso do Staples Center, do Los Angeles Lakers.

“Eu me surpreendi um pouco quando eu fui demitido”

Marcelo Oliveira, ex-técnico do Coritiba, confessando em Dezembro que esperava continuar no clube, dada a promessa feita por Vilson Andrade em Abril.

“Vimos, por intermédio desta, manifestar o nosso protesto pela falta de transparência, ilegalidade e imoralidade da engenharia financeira da operação que pretende prover de recursos públicos, na forma de financiamento, a obra do estádio do Clube Atlético Paranaense, por intermédio da CAP S/A”

Nota oficial (mais uma, entre tantas dos três clubes em 2012) no site do Coritiba, direcionada aos políticos paranaenses uma semana antes da votação da adequação de valores dos papéis de Potencial Construtivo, em Dezembro. A nota tem uma incorreção de concordância: o Coxa protesta a falta de ilegalidade e de imoralidade no processo.

“O Coritiba também será beneficiado com a Copa”

Aldo Rebello, ministro do Esporte, em Dezembro, rebatendo a carta publicada pelo Coxa, que considera imoral e ilegal a parceria entre Governos estadual e municipal e o Atlético para a construção da Arena para a Copa; Rebello ainda garantiu que todos os clubes das Séries A e B estão como reservas técnicas: “Basta ter projeto.”

“Ele conhece não só o CT, como também a torcida e a força do clube. Ele aceita um projeto de dois anos, se o clube buscar objetivos como a Libertadores ou títulos. Isso é importantíssimo.”

Jorge Baidek, empresário de Juan Román Riquelme, meia argentino que está nos planos do Atlético para 2013 – em Dezembro. A concorrência com Palmeiras e Boca Jrs. deixa no ar a vinda e a expectativa: Alex x Riquelme no Paranaense 2013? A conferir.

Gostou da retrospectiva? Então volte um pouco mais no tempo e relembre as principais frases de 2011 clicando aqui.

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Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/11/2012

Rota internacional

Amanhã, em São Paulo, o Atlético apresentará o modelo de parceria de gestão de eventos da Arena pós-Copa, quando deve confirmar a assinatura de contrato com a AEG. A empresa multinacional cuida dos eventos e promoções em outras praças esportivas como o Staples Center, casa do LA Lakers e da Istambul Arena, casa do Fenerbahçe. É um passo gigantesco para que a Arena seja rentável ao Atlético e, para a cidade, que Curitiba passe a fazer parte da rota internacional de shows e espetáculos. Desde o conceito da Arena, em 1999, o clube buscava um parceiro nesse nível. Com a vinda da Copa e a melhoria de outras praças, o Atlético é – mais uma vez – pioneiro no Brasil nesse modelo de negócios. Mauro Holzmann, diretor de marketing, e o presidente Mário Celso Petraglia estarão no evento, marcado pra capital paulista pelo impacto nacional da ação.

O susto I

Considero uma virtude pensar o Mundo pra frente. Passou, passou. Por isso há que se ver o 2013 do Coritiba a partir do susto que o time tomou no finzinho do Brasileirão. A impensável queda começou a ganhar as manchetes dos jornais a partir do momento em que o time perdeu três jogos seguidos. Estacionou nos 45 pontos após tirar o sonho de título do Atlético-MG e relaxou. Falhas defensivas, falta de um meio mais combativo e o sumiço de Rafinha são alguns dos problemas que precisam ser sanados pra 2013. Vai encerrar 2012 em casa contra o Figueirense com uma leve sensação de constrangimento.

O susto II

A bola que Cléberson tirou em cima da linha no Derby e garantiu o acesso ao Atlético premiou a qualidade da principal revelação do ano no clube – Manoel e Deivid já eram conhecidos. No entanto, o drama vivido pela clube de maior porte na Série B 2012, sufocado nos minutos finais pelo brioso Paraná (que não tem o mesmo poderio financeiro), serve para pensar um 2013 melhor. Há uma base boa, com destaque para João Paulo, Elias e Marcelo. Mas há que se buscar reforços para a disputa na elite. E evitar imaginar que o ano só começa em junho, como nas últimas temporadas. Uma aposta atleticana é o time Sub-23, criado para jogar o Estadual. Foi uma opção em detrimento da equipe Junior, que privou o Atlético da Copa do Brasil S20, por exemplo. A pré-temporada mais longa pode render frutos ao time principal. Mas, como o que vale é a camisa, que não se descarte a pressão por resultados no Paranaense, mesmo sucateado, mas com o Coritiba buscando o tetra, a volta do Paraná e os competitivos Operário, Londrina e Cianorte.