O 8-0 do Barcelona expõe todas as feridas do futebol brasileiro

Aranha caído: com ele, o futebol de clubes do Brasil

Não se pode aceitar com tanta naturalidade que o Barcelona tenha feito 8-0 no Santos. Nenhum grande clube brasileiro – diria até que nenhum que dispute a Série A – pode levar oito gols e entender, com humildade, que o Barça é poderoso demais. Especialmente um clube com a história e a camisa do Santos.

Sabe-se que o Santos está longe dos seus melhores momentos. Tem um time titular envelhecido e enfraquecido com a saída de Neymar – justamente para o Barcelona. Mas o Santos é um dos principais clubes do Brasil. Do futebol mais vitorioso do Mundo, o que revela mais talentos, o que mais ganhou jogos e títulos na história desde que a bola é redonda. Perder para o Barcelona é aceitável; perder de 8 e aceitar, não. Para nenhum time brasileiro.

Tão ruim quanto, embora muito menos impactante, foi ver o São Paulo “comemorar” a derrota para o Bayern de Munique por “apenas” 2-0. O placar não foi maior porque o São Paulo é melhor que o Santos – embora, vejam, perdeu no confronto direto no Brasileirão. Mas tem jogadores mais cascudos, mais ambientados e que não sentiram o mesmo impacto que os atletas santistas ao visitar um poderoso europeu. 

Santos e São Paulo deveriam ter vencido Barça e Bayern? Há que ser realista: não conseguiríam, hoje. Talvez o Atlético Mineiro, campeão da Libertadores, consiga fazer frente ao Bayern no fim do ano, jogando como Inter, São Paulo e Corinthians jogaram contra Barcelona, Liverpool e Chelsea: como o time menor. Jogando consciente de suas limitações, marcando duro e aproveitando os erros. Esse é o quadro realista. 

Mas por que raios os clubes brasileiros, soberanos na América, não conseguem fazer frente aos Europeus a ponto de uma das principais camisas do País ter sido sumariamente humilhada no Camp Nou? Porque o futebol brasileiro não se importa com seus clubes.

Falta à CBF uma diretoria de clubes. Aquilo que muita gente chama de Liga, com ou sem racha com a atual direção. Um grupo que faça com os clubes o mesmo que é feito com a Seleção. Falta intercâmbio. Falta enxugar os Estaduais, permitindo que jogadores e técnicos possam ir à Europa ou mesmo até a vizinha Argentina fazer uma boa pré-temporada.

Falta fazer com que chineses, coreanos e japoneses saibam que Neymar era do Santos, Zico foi do Flamengo, entre outros, e se interessem tanto pelos brasileiros quanto pelo Manchester United, ajudando-os no aumento de receitas. 

Falta valorização interna. A distância aberta para o Barcelona é a mesma, por exemplo, que se tenta criar internamente, quando se paga mais em cotas de TV para alguns, desequilibrando o campeonato. O que já acontece na Espanha, que tem o Barça como um dos dois pólos, mas que tem um “país”, a Catalunha, trabalhando para si. Não o que acontece na Alemanha, do multi-campeão Bayern, que vê em Borussia Dortmund, Schalke 04, Bayer Leverkusen, Hamburgo e alguns outros rivais reais na briga pelo título nacional.

Por mais dolorosa que possa ter sido a goleada sofrida pelo Peixe, ela deve ser discutida abertamente por quem se importa com o futebol brasileiro. Santos, São Paulo e outros devem ir mais vezes ao exterior, como o Atlético Paranaense foi no começo do ano, disputar um torneio na Espanha em detrimento do Estadual. Como Cruzeiro e Fluminense fizeram nos EUA, durante a Copa das Confederações. Devem ir, interagir, vender sua marca, estudar mercados, ver novos jogadores. Devem contar também, principalmente, com a ajuda da CBF, desde repensar o calendário e a distribuição de renda até a conseguir que os clubes visitem esses mercados mais frequentemente.

Vai acontecer? Não sei. Depende da boa vontade de quem comanda o futebol brasileiro. Já as goleadas continuarão acontecendo, se nada disso for repensado.

  • Outro lado

Se a distância entre os brasileiros e os principais europeus ficou escancarada na derrota do Santos para o Barcelona, nas Américas, a economia do País está fazendo a diferença. Mesmo com todas as mazelas já citadas, pelo quarto ano seguido, o campeão da Libertadores é brasileiro; pelo nono ano seguido um brasileiro esteve na decisão, sendo que em 2005 e 2006 a final foi entre dois brasileiros. Nos últimos 21 anos – período que compreende também a consolidação do Plano Real – apenas em três ocasiões a final não teve ao menos um clube brasileiro. Do São Paulo de Telê ao Galo de Cuca, apenas em 1996, 2001 e 2004 a decisão deixou de ter um brasileiro, vagas que foram ocupadas pelos gigantes argentinos Boca (duas vezes) e River, América de Cali e Once Caldas da Colômbia e Cruz Azul do México.

Durante esse mês alguns clubes europeus visitaram a América invertendo o intercâmbio. Foram oito jogos com Porto de Portugal e os espanhóis, Sevilla e Atlético de Madrid visitando Nacional do Uruguai, Estudiantes de La Plata, Barcelona de Guayaquil, Deportivo Anzoátegui da Venezuela, Atlético Nacional da Colômbia, Universidade Católica do Chile e Sporting Cristal do Peru. No placar geral, 5 vitórias européias, 2 americanas e 1 empate. É difícil o exercício de colocar os brasileiros no comparativo. É possivel imaginar que se os três europeus ficassem apenas pelo Brasil, tivessem resultados piores. Mas é subjetivo e a realidade mais próxima é imaginar os brasileiros acima dos vizinhos, no nível dos médios europeus e abaixo dos grandes. Tanto é que o São Paulo acabou derrotando o Benfica, vice-campeão da Liga Europa.

É um posicionamento de mercado bom o suficiente para o que representa o futebol brasileiro?

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Barcelona é campeão… estadual

Time de Tito Villanova quebrou jejum de seis anos (Foto: FC Barcelona)

As ruas de Barcelona estão tomadas! É festa por toda a noite na Catalunha: o Barça é o campeão… estadual. Bem, talvez a festa não tenha sido tão grande assim, mas certamente houve, após a vitória nos pênaltis ontem, dia 29/05, sobre o rival Espanyol e o fim de um jejum de seis anos sem vencer a Copa Catalunya, uma espécie de campeonato estadual da região.

Talvez a principal notícia não seja o título do Barça, que atuou com Piqué, Xavi e os brasileiros Adriano (ex-Coritiba) e Rafinha, um paulistano de 20 anos que deixou o país aos 16 para a base barcelonista. Talvez o que lhe chame mais a atenção seja a existência de um campeonato estadual na Espanha.

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Conhecendo a rivalidade e o orgulho catalão, não é de se estranhar que a região tenha seu próprio torneio. A Copa Catalunya abrigou nesta temporada 73 clubes, que jogaram oito fases eliminatórias desde junho de 2012 até que dois chegassem às semifinais. Dois, porque nas semis já estavam Barcelona e Espanyol. Estes clubes estão divididos entre as cinco divisões nacionais da Espanha (Primeira, Segunda, Segunda B com 4 grupos, Terceira com 18 grupos e as divisões regionais, que são 21). Todas regiões têm seu próprio torneio.

O Barcelona jogou toda a competição com seu time B e são raros os registros estatísticos deste torneio. Uma das curiosidades é que as equipes podem fazer até sete substituições durante os jogos. Na semi, o Barça passou pelo Gymnàstic, clube que tem como maior destaque uma participação na primeira divisão em 2006/07, quando teve o atacante Gil (aquele, da lei). O Espanyol eliminou o Llagostera, equipe fundada em 1947 mas que reativou-se em 2003 e desde então só vem crescendo. Hoje está na 2a Divisão, próxima de subir para a Segundona que dá acesso à Liga principal.

Fato é que Barça e Espanyol fizeram um jogo disputado, com direito a expulsões e título decidido nos pênaltis. O título deixou o Barça como o maior campeão deste “estadual”, com sete títulos (nove vices) contra seis do Espanyol –  que perdeu sete finais. O terceiro maior campeão da região é o Gymnàstic, com duas conquistas.

A Liga Espanhola tem ainda uma rodada pendente, no próximo final de semana. O estadualzinho catalão não compromete as rodadas dos principais torneios, mantém as duas equipes de ponta (por critérios técnicos) como participantes de destaque e dá calendário anual aos times menores. Mantém a rivalidade local viva, uma vez que o Barcelona não tem o Espanyol como grande rival nos principais torneios que disputa e ainda revela jogadores para os clubes  – anote aí os nomes de Rafinha e do argentino Sergio Araújo.

Parece um bom formato, não, Brasil?

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O monstro de René

Ele ainda era pequeno, meninão. Piá, como dizem de onde eu vim. Mas dele já vinham todas as receitas do Santos, todas as esperanças da torcida. Não só do Santos, mas também da Seleção Brasileira. Queriam que Dunga o levasse em 2010. Queriam um pedaço dele. Todos, homens e mulheres. Queriam tudo de Neymar e, para isso, davam muito a ele: badalação, carinho – ora confundido com bajulação e dinheiro. Ele tinha apenas 17 anos, mas muitos já dependiam dele. E René Simões tinha razão.

“Estamos criando um monstro”, disse René, reprovando uma série de atitudes de Neymar, em especial após uma atuação do Peixe contra o Atlético-GO, quando o atacante respondeu grosseiramente o então técnico Dorival Júnior, que viria a ser demitido depois. Neymar era mais valioso para o Santos que o técnico. René tinha razão. E graças a esse alerta há três anos, o futebol ganhará um grande ídolo mundial.

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Neymar seguiu firme no Peixe, sem Dorival, mas teve as rédeas puxadas pelo pai e pela diretoria santista, mesmo tendo demitido o técnico. Nunca antes um jogador de futebol representou tanto para um clube – talvez só Pelé – como Neymar para o Santos de hoje, graças à habilidade na gestão da carreira do menino. O pai, também Neymar, realmente fez papel de pai o tempo todo. Mesmo os poucos deslizes dali em diante, como a chegada não programada de um netinho, foram muito bem contornados. Neymar afastou-se rápido da imagem arrogante que estava criando e passou a ser referência também fora de campo: educado, com bom media-training, ícone de uma geração.

O Santos, por sua vez, deixou claro como proceder. Tinha uma jóia e precisava dela, sabendo explorar o potencial do menino. Arrebanhou novos torcedores – aposte em um forte crescimento da torcida do Peixe nas próximas pesquisas e não se arrependerá –  valorizou sua marca, faturou em patrocínio e, claro, ganhou títulos. Há quem dirá que até mesmo Lucas fez o São Paulo FC faturar mais; engano. O Santos recebeu de várias fontes muitos outros valores enquanto teve Neymar. Recebeu benefícios que não se medem tão facilmente, como a manutenção de um ídolo. E ganhou muito em campo.

Que torcedor não gostaria que seu time segurasse o craque para ganhar uma Copa do Brasil? Um tricampeonato estadual? Uma Libertadores da América? Neymar deixará o dinheiro e alguns troféus. E sai deixando uma imagem muito positiva. 

Ele não virou o “monstro” que poderia – e muitos distorceram o aviso de René. Mas deixará o Brasil para virar Monstro em outra conotação. Será preparado para ser o próximo melhor do Mundo pelo melhor clube para isso. O Barcelona, “mais que um clube”, não jogará Neymar aos leões, esperando resultados tão já. Fará com ele e Messi o que fez com Messi e Ronaldinho: uma transição gradual, passando o trono e mantendo o padrão de excelência em futebol que faz com que o Barcelona seja o Barcelona.

Neymar hoje contraria a máxima de que toda unanimidade é burra, porque se mostra pronto para tal. René Simões tem sua parcelinha positiva de contribuição no sucesso presente e futuro deste monstro da bola e da mídia.

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Sem refresco para Mourinho

Divertida a ação de marketing dos refrigerantes Pepsi em Buenos Aires, durante uma palestra do novo técnico do Bayern de Munique, o ex-barcelonista Pep Guardiola.

Usando da ironia e do trocadilho com o apelido de Josep, a marca provocou a rivalidade entre os treinadores, que durante três anos rivalizaram-se no duelo eterno entre Barcelona e Real Madrid. Veja um dos anúncios:

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Mourinho deve trocar o Real pelo Chelsea ao final da temporada, embora ainda negue os rumores. Já Guardiola terá a responsabilidade de, no mínimo, manter o alto nível apresentado pelo Bayern nas últimas quatro temporadas, quando chegou a três finais de Liga dos Campeões (incluindo 2012/13).

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Conheça Fran Mérida, reforço espanhol do Atlético

O Atlético confirmou nesta segunda a contratação do meio-campista espanhol Fran Mérida, de 22 anos, que estava no Hércules, da Espanha.

O jogador começou no Barcelona em 2006, numa geração que tinha Messi, Iniesta e Xavi. Mérida atuou pouco com o trio famoso do Barça, se transferindo para o Arsenal, caminho feito um ano antes por Césc Fabrégas. Para isso, pagou uma multa de 3,2 milhões de euros. Nos Gunners, fez apenas 16 jogos oficiais em duas passagens, um deles pela Liga dos Campeões de 2009/10.

Do Arsenal, foi para o Atlético de Madrid, onde também teve problemas para se firmar. Entre idas e vindas, defendeu o Sporting Braga de Portugal e fez parte do elenco dos Colchoneros campeão da Liga Europa 11/12. Abaixo, a apresentação dele no Atleti.

Com o fim de contrato com o Atlético de Madrid, estava disputando a 2a divisão espanhola pelo modesto Hércules de Alicante, que está na zona de rebaixamento para a terceira divisão, no 20o lugar entre 22 equipes. Fez 19 jogos, com 1 gol marcado.

Ao diário Marca, da Espanha, Mérida disse estar “feliz com o negócio e eu vou tentar continuar a desfrutar do futebol neste novo desafio.” Segundo o jornal, o Atlético comprou os direitos do jogador, mas os valores não foram revelados. O contrato é até o final do ano, com opção por prorrogá-lo por mais dois anos.

Keirrison e o Coritiba: o que há de concreto na volta do atacante

O diário El Confidencial, de Madrid, noticiou hoje que o Barcelona acertou o retorno de Keirrison ao Coritiba pelos próximos dois anos. A notícia, completa nesse link, não revela detalhes como quem irá pagar e quanto será o valor do salário do atacante; trata muito mais dos insucessos de Keirrison desde que saiu do Palmeiras e critica a postura do Barcelona – mas isso é problema de catalães e madrilenhos.

Em Curitiba, o Coxa nega a informação confirmada pelos espanhóis, mas apenas em partes. Segundo Ernesto Pedroso, vice-presidente do Coritiba, “Não há nada certo ainda.  Ele está em recuperação. É prematuro falar nisso. Mas não vamos por dinheiro agora. Devemos reconversar em um mês,” apontou, dando sinais de que K9 deve mesmo voltar a vestir a camisa alviverde. Em Manaus, entrevistado pelo repórter Gustavo Marques da CBN Curitiba, Felipe Ximenes, superintendente de futebol coxa-branca, também disse que nada está certo e que a conversa deve acontecer em julho. Ou seja: Keirrison tem chances de vestir a camisa do Coritiba novamente, mas isso depende de algumas coisas.

A primeira, segundo o que diz o jornal espanhol, parece certa: o Barcelona liberou e tem interesse que o jogador, no qual investiu muito dinheiro, se recupere no clube pelo qual mais se destacou. Amigos do jogador já me confidenciaram que ele aceitou as condições do Coritiba e que o que faltava era o sim do Barça. Outra coisa é a saúde de K9. O atacante foi operado na semana passada por Lúcio Ernlund, médico do Coxa, e está se recuperando no CT. A expectativa é de um mês para voltar a treinar com bola. Aí Keirrison, que capengou nos últimos tempos, terá que se adaptar à equipe e dar seus primeiros passos nessa possível volta.

Mas aí os assuntos se dividem. Que Keirrison voltar ao Coritiba é uma ótima pedida para ele e os empresários, não restam dúvidas. Keirrison é ídolo por aqui. Estará em casa, já que morou no Couto Pereira por muito tempo durante  o período da base e conhece cada canto do estádio. Não há lugar melhor para ele se recuperar senão o Coritiba.

E o clube? Qual Keirrison receberá? Vale a pena investir tempo e, ainda que menos que o programado, dinheiro para acreditar na recuperação? Se o K9 que retornar for o que começou a carreira, com certeza. Mas se for o Keirrison que teve boas oportunidades em Fiorentina, Santos e Cruzeiro e não se firmou, será um fracasso. O ataque do Coritiba sofre hoje com a lentidão de Marcel, que ainda não foi o mesmo de 2003. Seria Keirrison uma saída? Difícil dizer.

Vale apenas registrar que o gol abaixo foi o último de Keirrison: contra o São Paulo, em 5 de outubro do ano passado. O único em oito jogos pela Raposa:

Estádio não é problema só em Curitiba

Time grande, de massa, campeão nacional, já decidiu a Libertadores e tem um dos maiores parques associativos do seu país; foi rebaixado para a segunda divisão no ano passado e nesta temporada não tem estádio para jogar. Identificou? É possível que você tenha pensado no Atlético, mas quem também vive esse problema é o River Plate, da Argentina (que, por sinal, também é Atlético: CARP).

River Plate não sabe onde e quando estréia no 2o. turno da B Nacional

Vice-líder da segundona argentina (que ao contrário da primeira, não se divide em dois torneios, somando os pontos de Clausura e Apertura para o acesso), o River Plate vendeu mais de 10 mil entradas para o jogo contra o Chacarita Jrs., mesmo sem ser mandante. O acordo lá é diferente daqui: a AFA permitiu nessa temporada que os visitantes pudessem levar torcida nos campos dos adversários, o que não era permitido até a queda do River. A intenção é faturar com a presença do gigante portenho na Bzona. Só que o Chacarita Jrs., mandante, também vendeu ingressos e seu estádio em San Martín não suporta o volume de torcedores. A AFA então requisitou o estádio do Racing, em Avellaneda, região metropolitana de Buenos Aires, para o jogo. Ouviu um não do clube e da prefeitura.

O Chacarita resolveu então impor seu direito de mandante e quer jogar em San Martín, sem presença da torcida visitante. O River sugeriu La Plata e a AFA ainda está definindo se o jogo que seria realizado neste sábado (11) será amanhã em San Martín ou segunda, em La Plata. A definição tem de sair hoje. Por via das dúvidas, o River Plate já começou a devolver o dinheiro dos ingressos a quem procurar o clube. Mas tanto River quanto Chacarita seguem vendendo ingressos para quem quiser ir ao jogo, em diferente setores. Entendeu? Nem eu. Na verdade, pobre dos torcedores da Argentina, lá como cá, jogados a segundo plano.

Enquanto isso, na Espanha…

a Real Federação Espanhola de Futebol não sabe onde marcará o jogo final da Copa do Rei, entre Barcelona e Atlhetic Bilbao. A decisão acontece em jogo único e em campo neutro. Madrid seria o local mais indicado, mas o Real Madrid, alegando possibilidade de decidir a Liga dos Campeões da Europa poucos dias antes da decisão da Copa nacional, se recusa a emprestar o Santiago Bernabéu. Segundo o clube merengue, há risco de confrontos entre as torcidas porque os madrilenhos pretendem fazer uma festa no estádio; já o Atlético de Madrid também descartou empréstimo: o Vicente Calderón, seu estádio, está alugado para a mesma data (20/05) para um show do Coldplay.

No fundo, tudo é cortina para o principal: Madrid teme um confronto entre os munícipes da capital, os bascos do Atlhetic e os catalães do Barça no dia da final. Fora o fato de os torcedores do Real não admitirem a possibilidade de o Barcelona levantar uma taça no templo merengue – o que jamais aconteceu.

A cidade de Valencia também se manifestou contra a possibilidade de abrigar o jogo. Em 2009 os mesmos dois clubes decidiram a Copa no estádio Mestalla, do Valencia – deu Barca, 4-1 – e a cidade foi palco de brigas entre as torcidas. Os demais estádios do país são considerados pequenos demais para abrigar a final.

A Federação estuda a possibilidade de realizar o jogo no Camp Nou – o que seria uma vantagem para o Barcelona – mas dividindo a carga de ingressos entre as torcidas: 40 mil entradas para cada. A decisão sairá na terça-feira.