Suburbana: O Mundo já pode acabar – Iguaçu campeão 2012!

Foi sofrido, suado. Até mesmo um dilúvio, parecendo que o Mundo ia realmente acabar, impediu a conquista na data original. Mas nem o fim do Mundo, nem o Bairro Alto, puderam impedir a festa do Iguaçu. Que venham os Maias!

por Ana Claudia Cichon*

  • Camisa alvi-negra da colônia famosa, só da alegria ao seu torcedor

E quanta alegria. No sábado (15), a torcida iguaçuana era só sorrisos. Depois de perder o primeiro jogo por 2-1, vencer o segundo de virada, pelo mesmo placar, e de ver o mundo cair e cancelar a terceira partida, finalmente pôde tirar o grito de campeão, preso há 20 anos na garganta. Laércio – o cara das finais, com três gols em três jogos – balançou as redes aos 32 do primeiro tempo, o gol que garantiu o campeonato.

A partida, que começou calma, pegou fogo no segundo tempo, com quatro expulsões: João Paulo, pelo lado do Bairro Alto, e Émerson, Luisinho Netto e Laércio pelo Iguaçu. Nos últimos segundos, já debaixo de chuva, que não podia deixar de fazer parte da festa, até o goleiro Roberson se arriscou em busca do empate para o CABA, mas nada podia ser mudado.

Apito final, taça na mão e trajeto do Francisco Muraro até o Egídio Pietrobelli feito em carro de bombeiros. O Iguaçu deu muita alegria ao seu torcedor.

  • No campo da luta ela é valorosa e o seus atletas têm raça e valor

Vilson, Leandro, André, Clé, Merci, Flávio, Luciano, Émerson, Luisinho Netto, João Madureira, Nilvano, Douglas, Hideo, Laércio, Guilherme, Samuca, Franco, Je, João Victor, Murilo, Marlon, Du, Fábio e Ricardinho.

Estes são os 24 jogadores que fizeram parte do grupo campeão, que jogaram com raça e amor à camisa, que lutaram do início ao fim do campeonato acreditando neste título, junto à comissão técnica e diretoria.

  • Iguaçu hó esquadra querida, Iguaçu tantas vezes campeão

1959, 1962, 1966, 1967, 1973, 1977, 1992 e agora 2012.

Com os oito títulos, o clube é o segundo maior campeão da Suburbana, atrás apenas justamente do grande rival, Trieste.

  • Iguaçu meu amor, minha vida, serás eterno em meu coração

Seria o Iguaçu o Corinthians da Suburbana paranaense? Campeões no mesmo final de semana (o Timão conquistou o Mundial de Clubes no domingo), os dois clubes são alvinegros e, por esta parte do hino iguaçuano, lembramos não só da música entoada no Pacaembu “Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor” como também do hino corintiano – eternamente dentro dos nossos corações.

  • Pavilhão altivo coberto de glória, tornando mais forte a sua mocidade

93 anos, com corpinho de 25. O clube mais antigo do futebol amador de Curitiba, fundado em 6 de junho de 1919, juntou a experiência e a juventude dentro e fora de campo para a conquista deste título.

  • Tens na lealdade a sua vitória, orgulho maior de Santa Felicidade

Crianças, jovens, adultos, senhores e senhoras. O Iguaçu é de todas estas pessoas que acompanham a equipe. De todos que auxiliam no barraquinha do pão com bife, que cuidam dos uniformes, que deixam o gramado em boas condições, que divulgam o clube nas redes sociais, que gritam, sofrem e estão com o clube em todos os jogos. Vocês são o orgulho maior do Iguaçu!

  • Confira fotos e vídeos da comemoração do título:

Fotos, clique aqui.

Ao final da partida, jogadores fazem a festa

Torcida iguaçuana esteve presente no Francisco Muraro e comemorou junto com os atletas:

Hideo, Nilvano, Luciano e Leandro falam um pouco sobre a emoção da conquista: 
http://www.youtube.com/watch?v=ueb0vGM1n14&feature=youtu.be

Luisinho Netto, multicampeão, levanta mais uma taça:

Não importa se é Copa do Mundo ou Suburbana, a volta olímpica faz parte da comemoração:

Presente no último título do Iguaçu, em 92, ainda como jogador, o hoje auxiliar e preparador físico se emociona com a vitória:

Com a palavra, o presidente:

O texto é uma tentativa de homenagear a todos que de alguma forma fazem parte da Sociedade Operária Beneficente Esportiva Iguaçu, esse clube tão simpático e acolhedor. Parabéns pela conquista!

Parabéns também ao Bairro Alto, que com grandes méritos chegou à final e fez o duelo ganhar em emoção e em bom futebol e a todos os outros clubes que engrandeceram este campeonato ao longo de 2012. Que em 2013 o futebol amador do Paraná conquiste ainda mais força e espaço.

Os parágrafos são de trechos da letra do hino do Iguaçu, cujo autor são o Tenente Sebastião Lima e ainda Pedrinho Culpi, como coautor.

*Ana Claudia Cichon é jornalista e acompanhou a Suburbana 2012 pelo blog.

Suburbana: São Pedro, em grande atuação, adia a decisão

São Pedro mandou ver no último sábado! O Murarão estava cheio para conhecer o campeão da Suburbana 2012, mas o velhinho abriu as torneiras e a água desabou. Mais uma semana pra saber quem fica com a taça…

por Ana Claudia Cichon*

A previsão do tempo anunciava pancadas de chuva para este sábado (08), mas ninguém imaginava que fosse cair o mundo no estádio Francisco Muraro, em Santa Felicidade. Os jogadores entraram em campo debaixo de algumas gotas d’água, mas durante a primeira estrofe do hino nacional o temporal veio forte, com muito vento, e só os fortes permaneceram em campo. Mas não por muito tempo… depois de cantarem metade do hino e trocarem cumprimentos, todos voltaram aos vestiários, antes mesmo do apito do árbitro.

Impraticável (fotos: Ana Claudia Cichon)

Cerca de 20 minutos, com menos chuva e mais poças, jogadores e árbitros retornaram ao gramado, mas a situação estava complicada. Nas linhas laterais e principalmente em uma das bandeirinhas de escanteio o esporte mais propício a ser praticado era pólo aquático, e não futebol. Rogério Correa, zagueiro e capitão do Bairro Alto, cogitou que o jogo fosse realizado normalmente e que, em caso de escanteio por aquele setor, a cobrança fosse batida do outro lado. “Uma das maiores pérolas que já ouvi no futebol”, brincou Luisinho Netto, capitão do Iguaçu, que ainda completou: “o campeonato inteiro tivemos bons jogos. É até injusto disputarmos justamente a final nestas condições, sem contar que o risco para os atletas é muito grande”.

Conversando com jogadores, comissão técnica e membros da FPF, o árbitro da partida, Ronaldo Parpinelli, decidiu adiar a partida, pois além da preocupação com a integridade dos atletas outro problema era a iluminação do estádio, que podia não ser suficiente caso a decisão fosse para prorrogação e pênaltis, já que o atraso passava de uma hora.
A FPF deve se reunir com os diretores dos clubes nesta segunda-feira (10) e homologar a decisão da Suburbana para o próximo sábado (15), às 16h, no mesmo estádio, o Francisco Muraro.

  • Juniores conhecem o campeão

Na partida preliminar – disputada ainda debaixo de sol – o Caxias conquistou o título na categoria Juniores depois de reverter o resultado da primeira partida (havia perdido por 4×3 para o Uberlândia) e levar a decisão para a prorrogação.

No tempo normal o Caxias fez 2 -1, com gols de João e Pedro e Murilo. O Uberlândia descontou com Guilherme e pressionou até o último minuto, pois o empate garantia o troféu, mas não teve jeito. Prorrogação.
Com as duas equipes buscando o gol e os goleiros trabalhando bastante, a torcida já estava ansiosa pelos penais quando Nilton chutou, a bola acertou a trave e entrou. Caxias 1 – 0 Uberlândia. O gol do título.

*Ana Claudia Cichon é jornalista e descobriu que precisa se especializar em polo aquático, nado sincronizado e outros esportes aquáticos

Suburbana: Iguaçu leva final para Super-Decisão

Time de Santa Felicidade reverte vantagem do Bairro Alto e taça vai à jogo na casa do rival Trieste

 

por Ana Claudia Cichon*

A atmosfera estava diferente no Estádio Egídio Pietrobelli no último sábado (01). Horas antes do início da partida, já era possível perceber que o dia era especial. Na área social do clube da casa, jogadores, comissão técnica e torcedores do Iguaçu aproveitavam um belo churrasco, tentando tirar o foco da pressão que enfrentariam em instantes. O semblante demonstrava animação e confiança, mas era impossível esconder o nervosismo. Final é final. E precisando de um resultado positivo para não somar mais um ano sem títulos na Suburbana, o frio na barriga aumenta ainda mais.

A movimentação de imprensa também refletia a importância do jogo. Digna de final de campeonato. As equipes de rádio e TV buscavam espaço onde era possível. A mesa do delegado da FPF se transformou em uma segunda cabine de imprensa, alguns suportes foram improvisados para as câmeras e os fotógrafos se espalharam pelo campo.

E final é final. Até na preliminar. Pela categoria Juniores do Amador da Capital, foi realizada a primeira partida da decisão. Uberlândia 4-3 Caxias. Um bom aperitivo para o público, que compareceu em peso ao estádio. Até jogadores e dirigentes do Iguaçu se surpreenderam com a presença da torcida, que acabou rapidinho com o pão com bife do Pelé enquanto acompanhou um jogo cheio de emoção.

  • O jogo

O Bairro Alto entrou em campo precisando apenas de um empate para comemorar o bicampeonato. Mesmo sem um dos seus principais jogadores – Massai, suspenso pelo terceiro amarelo – a equipe começou bem, e logo aos 14 minutos aumentou a vantagem pelo título. Depois de bonita jogada de Edmílson pela esquerda, Marcelo Tamandaré completou pro fundo das redes.

O gol foi um balde de água fria para o Iguaçu. Sem conseguir criar boas jogadas, o time parou na boa marcação do Bairro Alto. O jogo ficou truncado, mas sem muita emoção. Parecia que o time da casa tinha aceitado o resultado.

Na volta o intervalo, Juninho fez duas alterações. Três, na verdade. Guilherme e Nilvano, que durante todo o campeonato foram titulares e começaram a decisão no banco entraram nos lugares de Ricardo e Émerson, respectivamente. Estas foram as mudanças técnicas. A outra foi no brio dos jogadores.

A chuva que caiu no intervalo parece ter trazido dose extra de emoção. Logo aos cinco minutos Luisinho Netto acertou a trave, mostrando que a equipe da colônia italiana não entregaria o troféu tão fácil assim. Aos 25 minutos, o lance decisivo. Hideo acertou bonito chute e empatou a partida. “Foi no momento certo”, comentou animado o auxiliar do Iguaçu, Luisinho.

O Bairro Alto, que já ouvia sua torcida gritar “É campeão”, ainda estava na vantagem, afinal o empate garantia o título. Mas sabia que não poderia facilitar. Em contra-ataques, tentava chegar ao gol, mas a tarefa não estava assim tão fácil. O Iguaçu seguiu pressionando, contando com o apoio dos torcedores. Aos 30 minutos Luisinho Netto fez boa jogada pela direita, mas o goleiro Roberson fez excelente defesa, impedindo a virada. Sete minutos depois, o mesmo Luisinho Netto teve outra grande oportunidade, em cobrança de falta. A bola bateu na barreira.

No rebote, porém, Luisinho enxergou Guilherme entrando livre pela direita. O atacante cruzou a bola, que encontrou Laércio. Como bom atacante, ele não perdoou. Iguaçu 2-1. E lágrima nos olhos do treinador iguaçuano.

Enquanto um lado comemorava, o outro reclamava. Jogadores do Bairro Alto foram para cima do bandeirinha, alegando que um jogador do Iguaçu estava impedido e atrapalhou a marcação. Na confusão, cartão vermelho para o técnico Bananinha.

A partir daí, ‘bola pro mato que o jogo é de campeonato’. O jogo ganhou contornos dramático. O goleiro Vilson fez duas boas defesas, Orlei foi expulso e o Iguaçu ainda fez mais um gol, desta vez anulado pelo bandeira. Ao apito final, festa da equipe de Santa Felicidade, que conseguiu virar a partida, evitando o título do Bairro Alto.

A decisão fica agora para o próximo sábado (08), no campo do Trieste. Em caso de empate, prorrogação e, se necessário, pênaltis. O jogo promete. Se você acompanha o futebol amador, não deixe de prestigiar. Se você ainda não conhece, aproveite a oportunidade de ver o futebol verdade de perto. Não tem nem a desculpa do Brasileirão…

Iguaçu: Vilson, Clé, Flávio, Luciano, Émerson (Nilvano), Luisinho Netto, Douglas, Ricardo (Guilherme), Hideo, Laércio e Marlon (Jé). Técnico: Juninho

Bairro Alto: Roberson, George, Rogério Correa, Luciano, Flamarion, Juninho, Zé Nunes, Orlei, Marcelo Tamandaré, Cainho (Fábio) e Edmílson (João Paulo). Técnico: Bananinha

*Ana Claudia Cichon é jornalista e falou sério: você deve mesmo ir à decisão na casa do Trieste, para matar a saudade do futebol-verdade, cerveja no estádio e pão com bife.

Novo “Alex Mineiro”, Orlei rouba a cena na decisão da Suburbana

Ídolo atleticano, decisivo na reta final em 2001, vê colega de time Orlei aparecer com gols decisivos na Suburbana

por Ana Claudia Cichon*

Gols decisivos contra o Iguaçu parecem ser a especialidade de Orlei. Na partida de volta da segunda fase do amador, o meia foi o responsável pelo tento de empate da equipe do Bairro Alto, que garantiu um ponto importante para a classificação às semifinais.

No jogo deste sábado, o careca – eventualmente confundido com os outros cabeças raspadas do elenco, Rogério Correa e Flamarion – mais uma vez deixou a sua marca contra o alvinegro de Santa Felicidade.

Orlei, carequinha que encarnou Alex Mineiro nos últimos jogos do Bairro Alto (Fotos e vídeo: Ana Cichon)

Mas o ano não foi de tantas alegrias assim para o meio-campista. No início do ano foi contratado pelo Grecal, clube profissional de Campo Largo, para disputa da segunda divisão do Campeonato Paranaense. Após algumas partidas, a falta de pagamento o desanimou e decidiu voltar para o amador (em 2008 teve uma passagem pelo Trieste). Chegou ao Bairro Alto, mas também não ficou muito tempo.

“Algumas coisas não estavam me agradando, então eu preferi sair. Voltei no início de novembro, quando o Bananinha assumiu o comando, e agora estou feliz com o trabalho”.

Aos 26 anos, Orlei ainda sonha em voltar ao profissional. O atleta já teve passagens pelo Coritiba, Operário, J. Malucelli e pelo Grecal e espera que o bom desempenho na final da Suburbana ajude a servir de vitrine para o retorno.

  • O jogo

Até o tempo colaborou para um bom espetáculo na primeira partida da final da Suburbana. No jogo deste sábado (24), no estádio Pedro de Almeida, as últimas gotas de chuva pararam de cair minutos antes das duas equipes entrarem no gramado. E assim que o juiz assoprou o apito, a emoção tomou conta do jogo. O público – menor do que o esperado, mas ainda assim expressivo, se lembrarmos que, além do tempo instável, havia o derby entre Atlético x Paraná, valendo o acesso do rubro-negro à série A do Brasileirão – pode ver um jogo digno de final.

Nenhuma das duas equipes teve grandes chances até os 20 minutos, quando Douglas acertou um bonito chute de fora da área, parando na defesa de Roberson. Marcando bem e dando pouco espaço para o time visitante, o Bairro Alto dominava a partida, e nas jogadas aéreas tentava chegar ao gol adversário. Primeiro Edmílson cabeceou, e a bola passou a direita do gol. Flamarion também tentou, e o goleiro Vilson espalmou para escanteio. Na cobrança, Massai colocou a bola na cabeça de Rogério Correa, que completou para o fundo das redes. Bairro Alto 1-0 Iguaçu, aos 29 minutos do primeiro tempo, que ainda teve uma boa chance para cada lado, com Laércio e Zé Nunes.

Na volta do intervalo o jogo ficou muito mais aberto, com o Iguaçu pressionando e o Bairro Alto investindo nos contra-ataques. Parando nas boas defesas de Roberson, o time de Santa Felicidade não conseguiu chegar ao empate, e aos 34 minutos viu Orlei acertar belo chute e ampliar o placar.

Desta vez não deu para o goleiro Roberson

A pressão só aumentou e, aos 38, Laércio venceu o arqueiro Roberson e fez um golaço. Os minutos finais foram de muita tensão, mas o placar ficou assim: Bairro Alto 2-1 Iguaçu.

No próximo sábado (01) o jogo é no estádio Egídio Pietrobelli, às 16h. O Bairro Alto joga por um empate para conquistar o bi campeonato. Em caso de vitória do Iguaçu, por qualquer marcador, teremos uma terceira partida para definir o vencedor da Suburbana 2012.

Bairro Alto: Roberson, George, Rogério Correa, Luciano, Flamarion, Caio (Juninho), Zé Nunes, Orlei, Massai, Marcelo Tamandaré e Edmílson. Técnico: Bananinha

Iguaçu: Vilson, João Madureira, Flávio, Lucino (Merci), Luisinho Netto, Emerson, Douglas, Nilvano (Jé), Hideo, Laércio e Guilherme (Marlon). Técnico: Juninho

Suburbana: coxa-branca é destaque em time atleticano

Bairro Alto, refúgio dos campeões brasileiros Nem, Rogério Correa e Alex Mineiro, tem no ex-coxa Massai o ponto de armação das jogadas

por Ana Claudia Cichon*

Único jogador que permaneceu no elenco do Bairro Alto após o título da Suburbana no ano passado, Massai ainda está se adaptando ao ritmo do futebol amador. O currículo, no entanto, já está recheado: bi-campeonato da Taça Paraná (2011 e 2012), pelo Inter de Campo Largo, e o caneco do Campeonato Amador da Capital, ano passado. E nesse sábado (17), comemorou a classificação para mais uma final, inclusive marcando um gol.

Responsável pela armação das jogadas, o meio campo também é referência nas bolas paradas, deixando sua marca em diversos jogos. Aos 28 anos, Massai teve longa passagem pelo Coritiba (2002 a 2007), e acredita que esta experiência faz a diferença dentro de campo. “O amador é muito diferente do profissional, mas hoje é uma competição muito forte, de alto nível. Ter jogado com vários atletas no futebol profissional facilita, e é bom para podermos transmitir tranquilidade aos mais jovens”, garante.

A opção pelo amador, no entanto, veio de uma necessidade familiar. “Depois que sai do Coritiba fui para alguns clubes menores, do interior, e não tinha condições de levar minha família junto. Com a distância, meu filho acabou desenvolvendo diabetes emocional. Não tinha como ficar longe dele”.

O sonho do futebol profissional ficou de lado, mas ele não se arrepende da opção. “Hoje estou perto da minha esposa e do meu filho, além de estar feliz no Bairro Alto, ainda mais agora, disputando mais um título”, finaliza.

O jogo

Precisando da vitória para levar a partida para a prorrogação, a equipe do Combate Barreirinha começou atacando, mas sem levar grande perigo à meta do goleiro Roberson. O primeiro grande lance do jogo veio pelo lado do Bairro Alto. George fez boa jogada pela direita, chutou em cima do goleiro e no rebote cabeceou para fora. O jogo continuou equilibrado até que aos 34 minutos Guilherme derrubou Flamarion dentro da área e o juiz marcou pênalti. George foi para a cobrança e abriu o marcador para o time da casa. O Combate até tentou a reação e chegou ao gol de empate quatro minutos depois, mas foi marcado impedimento no lance.

Na segunda etapa o Combate foi para o tudo ou nada e mais uma vez, assim no jogo de ida, brilhou a estrela do arqueiro do Bairro Alto. Logo aos sete minutos Alex Pinhais teve a chance do empate, mas o chute parou nas mãos de Roberson. A equipe visitante continuou forçando o jogo, mas aos 26 Massai ampliou o placar após batida de falta pela direita.

Bairro Alto conquistou a vaga em mais uma decisão na Suburbana (Foto: Ana Claudia Cichon)

Atrás no placar, o Combate tentou arranjar forças, mas sofreu com as expulsões de Guilherme e Willians. Alex Pinhais ainda tentou descontar, mas mais uma vez parou na defesa de Roberson. Com o resultado, o Bairro Alto garantiu vaga na disputa da grande final da Suburbana e enfrenta o Iguaçu, que venceu o Santa Quitéria nos pênaltis (4-3), depois de perder por 1-0 no tempo normal.

A primeira partida da decisão será no próximo sábado (24), no estádio Pedro de Almeida. O jogo da volta acontece no dia 1º de dezembro, no estádio Egídio Pietrobelli.

Bairro Alto (de preto): Roberson, George (Tiago), Rogério Correa, Luciano, Flamarion, Juninho, Orlei, Massai, Zé Nunes, João Paulo e Edmílson (Fábio). Técnico: Bananinha

Combate Barreirinha (de branco): Ricardo, Buiú (Douglas), Elízio, Guilherme, Anderson, Rubão (Marcelinho), Geraldinho, Bruno, Nenê (Marcinho), Alex Pinhais e Willians. Técnico: Beto

  • Resultados da rodada

Bairro Alto 2-0 Combate Barreirinha
Santa Quitéria 1-1 Iguaçu (nos pênaltis 3-4)

*Ana Claudia Cichon é jornalista e colabora com o blog escrevendo sobre a Suburbana.

Ex-atleticano decide jogo contra “Furacão” Bairro Alto

Mesmo sem Alex Mineiro e com Nem nas cabines, Bairro Alto contou com a estreia de Marcão, mas não conseguiu segurar o Iguaçu e a perna direita diferenciada de Luisinho Netto

por Ana Claudia Cichon*

Aos 38 anos, Luís Idorildo Netto da Cunha – ou Luisinho Netto, aquele mesmo, que a torcida do Atlético não se cansou de aplaudir – vem desequilibrando as partidas pelo lado do Iguaçu. O pé direito parece estar sempre calibrado, e a bola, velha conhecida, sabe exatamente qual direção tomar ao ser tocada, seja num passe, cruzamento, cobrança de falta ou escanteio.

O segredo do sucesso? “Após os treinos, fico cerca de meia hora treinando. Tenho o respaldo do Juninho [técnico da equipe], que deixa sempre um goleiro para me ajudar. É um hábito que eu tenho e vou levar até parar de jogar”.

Com dedicação admirável, Luisinho é o líder da equipe. Carrega a faixa de capitão e faz jus a ela dentro de campo. Orienta os atletas, cadencia o jogo quando necessário e troca muitas ideias com outro veterano que faz parte do elenco do Iguaçu: o zagueiro Flávio, ex-Coxa. E tudo isso sem deixar de ser ídolo: ao final da partida de sábado (29), contra o Bairro Alto, um torcedor entrou no gramado e pediu para Luisinho Netto autografar sua camisa do Atlético.

  • Amador desde cedo

Além da passagem pelo Furacão, Luisinho defendeu clubes como Atlético-MG, Sport, Inter, São Paulo e Cruzeiro. O início no futebol, porém, foi no amador, no clube de sua cidade natal – Cachoeira do Sul (RS). “A diferença para o profissional é bastante grande, mas é um campeonato muito gostoso de jogar”.

E o atleta tem propriedade para falar. Na sua segunda temporada pelo futebol amador de Curitiba já levantou três canecos. Pelo Internacional de Campo Largo conquistou o bicampeonato da Taça Paraná, em 2011 e 2012, e no ano passado chegou ao título da Suburbana com o Clube Atlético Bairro Alto.

“A expectativa para este ano? Ser campeão, é claro”.

  • O jogo

No jogo deste sábado (29), disputado contra o Bairro Alto no estádio Pedro de Almeida, a bola parada de Luisinho Netto fez a diferença novamente. Depois de sair atrás no placar (Marcelo Tamandaré marcou de pênalti), o Iguaçu conseguiu o empate na cabeçada de Douglas. E de onde veio a bola? Cobrança de falta de Luisinho Netto, é claro. A jogada se repetiu no terceiro gol da equipe de Santa Felicidade, mas desta vez com a conclusão do atacante Marlon.

  • Duelo atleticano na lateral 
Luisinho Netto de um lado, Marcão de outro (Foto: Ana Cichon)

O embate de sábado marcou a estreia de outro ‘ atleticano galáctico’ na equipe do Bairro Alto. O lateral esquerdo Marcão, que defendeu o Furacão em 2004 e 2005, se juntou aos campeões brasileiros de 2001 Rogério Correa, Alex Mineiro e Nem para ajudar o Caba na busca por uma vaga nas semifinais da Suburbana.

(Nem, aliás, deixou o cargo de técnico do Bairro Alto nesta semana e agora segue em recuperação para voltar aos gramados, conforme antecipado pelo blog na última postagem).

E logo em sua primeira partida, Marcão travou um duelo rubro negro na lateral do campo, justamente com o personagem da partida. Ele e Luisinho Netto não chegaram a jogar juntos pelo Atlético, mas são referências em suas posições na história do clube, além de grandes amigos. “Toda a semana nos encontramos para jogar society. Foi uma feliz coincidência estar presente na estreia dele na Suburbana”, conta Luisinho.

Bairro Alto: Dida, George, Rogério Correa, Luciano, Juninho (João Paulo), Marcão, Zé Nunes, Massai, Marcelo Tamandaré, Caio e Fábio (Edmílson). Técnico: Bananinha

Iguaçu: Leandro, Murilo, Flávio, Luciano (Márcio), Émerson, Ricardo (Marlon), Luisinho Netto, Douglas, Nilvano, Laércio e Guilherme (João Vitor). Técnico: Juninho

  • Resultados da rodada

Bairro Alto 1 x 3 Iguaçu
Novo Mundo 0 x 0 Trieste
Nova Orleans 4 x 6 Combate Barreirinha
Urano 2 x 2 Santa Quitéria

*Ana Claudia Cichon é jornalista, apaixonada por futebol e pela Suburbana.

Amador: ídolos do Furacão param em ex-tricolores

Com Nem de técnico e Alex Mineiro em campo, Bairro Alto ficou no 0-0 com Trieste de Ageu e Goiano; Suburbana é laboratório para ex-zagueiros começarem carreira de técnico

por Ana Claudia Cichon*

A partida entre Trieste e Bairro Alto realizada no sábado (21), no estádio Francisco Muraro, contou com um duelo especial nos bancos de reservas. Os ex-zagueiros Nem e Rossano Santana, que durante a década de noventa se enfrentaram nos gramados do futebol profissional com as camisas de Atlético e Paraná Clube, respectivamente, viveram a experiência de um confronto fora das quatro linhas.

Nem e Rossano; um tapa o buraco, outro quer projeção (Foto: Ana Cichon)

Em sua segunda partida como técnico do Bairro Alto, o ex-zagueiro do Atlético conquistou seu segundo empate e segue invicto, mas garante que a função é por pouco tempo. “Eu vim para jogar, mas como acabei me lesionando aceitei a proposta da diretoria para assumir o comando da equipe enquanto não encontrassem um novo técnico. Mas assim que tiverem um nome e eu estiver recuperado quero voltar para dentro de campo”, explica.

Já Rossano Santana está no seu segundo ano como treinador do clube de Santa Felicidade e afirma que largou de vez a posição de jogador. “Para mim este é um início para seguir carreira como técnico. Estou aqui no amador, comandando o Trieste pelo segundo ano, ganhando a cada dia mais experiência para quem sabe chegar a ser técnico de alguma equipe profissional em breve”.

Trieste quase marca, mas ninguém, nem Alex Mineiro, chacoalhou o limoeiro (Foto: Ana Cichon)

Comandando ex-companheiros

Apesar desta diferença nas projeções para o futuro, os técnicos possuem uma característica em comum: hoje passam instruções para seus ex-companheiros de clube, que ainda não saíram dos gramados. E este comando visto nos dois treinadores está diretamente ligado à função que ambos desempenhavam nos gramados.

“Se formos analisar a quantidade de ex-jogadores que estão como técnicos atualmente, quase 90% eram zagueiros. Geralmente são os líderes em campo, já possuem este espírito de liderança”, assegura Rossano. O técnico alvinegro confirma esta colocação, ressaltando que o fato de os zagueiros estarem atrás do meio de campo, tendo a visão de todo o jogo, facilita a questão de análise de posicionamento e outras noções que os técnicos precisam.

Na equipe do Trieste, por exemplo, Rossano lidera alguns ex-colegas de Paraná Clube, como Ageu, Goiano e Flávio e fala que, apesar de ser mais novo que alguns de seus comandados (Rossano tem 31 anos), o respeito é muito grande, principalmente por já se conhecerem de antes, de terem sido companheiros de equipe.

No Bairro Alto Nem conta com dois companheiros campeões brasileiros pelo Atlético em 2001: o também zagueiro Rogério Corrêa e o atacante Alex Mineiro. E a parceria que foi repetida antes da contusão do atual técnico pode ser percebida mesmo fora de campo. Durante todo o jogo Nem e Rogério Correa conversam, trocando opiniões sobre posicionamento e jogadas. “O Rogério é um grande amigo, e por ele ter a mesma experiência que eu como zagueiro fica fácil discutirmos estratégias e termos ideias para melhorarmos o rendimento da equipe”, comenta. Sobre a relação de comandar seus antigos companheiros Nem é enfático: “Não tem nenhuma diferença. Eu já os comandava quando estava em campo”.

O jogo

Futebol e religião se misturando na Suburbana (Foto: Ana Claudia Cichon)

Reeditando a final da Suburbana do ano passado, quando o Bairro Alto conquistou o título após vencer o Trieste por 4-0 no primeiro jogo e empatar em 1-1 na segunda partida, os dois clubes fizeram um bom duelo, mas que acabou sem gols. O melhor lance da partida aconteceu aos 41 minutos do segundo tempo com o meia triestino Goiano, mas o chute acabou parando na defesa parcial do goleiro Dida. Na sequencia Massai fez o corte, garantindo o empate ao Bairro Alto, que estava com um a menos após expulsão do zagueiro Flamarion.

Trieste: André, Rafael, Zico, Baloi, Lima, Adam, Geraldo, Pilo (Juninho), Goiano, Edvaldo e Flávio (Malzone). Técnico: Rossano Santana
Bairro Alto: Dida, Jorge, Rogério Correa, Flamarion, Luciano, Caíque (Caio), Zé Nunes, Massai, Douglas Silva (Marcelo Tamandaré), Alex Mineiro e Edmílson (Reinaldo). Técnico: Nem

Resultados da rodada
Trieste 0x0 Bairro Alto
Iguaçu 1×0 Novo Mundo
Santa Quitéria 2×1 Nova Orleans
Combate Barreirinha 1×1 Urano

*Ana Claudia Cichon é jornalista e vai trazer imagens e história da Suburbana semanalmente aqui no blog.