Guia: como prever o desempenho do seu time durante o Brasileirão

Aqui está ela: quem está pronto para levá-la?

O Brasileirão 2014 vai (?) começar! Depois das guerras das liminares e dos longos Estaduais (alguns ainda em andamento…), finalmente os grandes clubes vão por seus times em confronto, em busca da maior glória nacional. O bicho vai pegar também nas Séries B, C e D, mas o papo aqui é Série A. E como as previsões de todos já estão por aí, o blog se propõe a revelar um método infalível de prever como irá seu time conforme andar a competição.

A primeira coisa que você deve ter em mente: o campeonato é um, mas dividido em pelo menos 8 grandes etapas. Algumas se confundem, outras confundem a gente. As mais óbvias são o primeiro turno e o segundo; em 2014, teremos a pausa pra Copa e então a retomada. E, finalmente, teremos que ver as pontuações com o andamento do campeonato, dividindo-o em começo, recomeço, meio e fim.

O começo compreende a etapa até a pausa para a Copa. Serão 9 rodadas que deixarão algumas impressões, a maioria delas totalmente erradas. Arrancadas fulminantes, começos desastrosos, times divididos entre Libertadores, Copa do Brasil e até mesmo o Estadual. Em tese, Inter, Figueirense, Cruzeiro, Flamengo e Bahia largarão com a moral de serem os campeões estaduais. Isso já não tem tanta relevância. O Ituano é campeão paulista, com muitos méritos, mas seria candidato à queda no Brasileirão. Inter, Cruzeiro e Bahia ganharam campeonatos que mais parecem par-ou-ímpar – coisa que Atléticos, Coritiba, Grêmio e Vitória não fizeram. 

Há os que estão na Libertadores e devem dar prioridade máxima a essa competição. Historicamente, torcedores de Cruzeiro, Atlético-MG e Grêmio não devem se preocupar muito caso seus times ocupem a Zona de Rebaixamento ao final das 9 rodadas, desde que, claro, estejam priorizando a Libertadores. Exceção ao Fluminense/2008, nenhum outro finalista de Libertadores realmente passou sufoco após se dedicar 100% ao Brasileirão.

Os nove primeiros jogos vão apresentar ainda, acredite, muitos clubes que não têm sequer um padrão de jogo, apesar de quatro meses da temporada já terem andado. Tem os que trocaram de técnico, como Botafogo, Goiás e Coritiba, e aquele que de novo se poupou do Estadual, o Atlético Paranaense. Em 2013 deu certo, mas em 14 já valeu uma queda da Libertadores e não será supresa alguma ver o Furacão perder o tempo de mais nove rodadas e trocar de técnico mais uma vez. Santos, Palmeiras, São Paulo, Fluminense e Criciúma fizeram pro gasto nos Estaduais – o Peixe chegou a empolgar – mas o buraco agora é mais embaixo. O Corinthians foi mal, mas é o clube com mais recursos no País. A Chapecoense estará no lucro com o que fizer. Com 27 pontos em disputa, somar 20 ou mais é excelente e menos de 5 será preocupante.

A pausa ajudará a todos – menos talvez o Atlético, que já abriu mão do Estadual e na verdade perde alguma vantagem física para os 19 demais que descansarão um pouco. Por outro lado, alguém que começar muito bem, se aproveitando da ausência dos libertadores e dos erros dos demais, pode ver o arranque freado. Por isso não adianta se empolgar com a liderança pré-Copa e nem arrancar os cabelos com a lanterna. O recomeço vai definir, em 5 rodadas, as tendências pro resto da competição. Serão mais 15 pontos, ainda mais vitais. Como o aproveitamento médio do campeão gira perto dos 70% e o do último a não cair passa perto dos 45%, seu time deve somar algo em torno de 10 pontos para conseguir ir bem nessa etapa.

O meio do campeonato atravessa os turnos. Em 10 edições, apenas três times vencedores do primeiro turno não venceram também o campeonato: Grêmio 2008, Inter 2009 e Atlético-MG 2012. Se o seu time virar o turno na frente, bom sinal; se virar atrás, se preocupe. Em média, pelo menos metade dos clubes que viram a etapa na zona de rebaixamento acabam caindo.

Esse período do meio compreende as rodadas de 15 a 30. Serão jogos com as equipes já embaladas, mais entrosadas, com rodadas intermediárias e com raras priorizações – serão menos os que seguirão na Copa do Brasil e a Sulamericana não tem mobilizado os clubes. Será também a fase com maior pontuação em disputa: 16 jogos, 48 pontos. Se um time não pontuou até aqui, e vencer todos desta etapa, num exemplo totalmente surreal, escapa do rebaixamento. O grosso dos pontos estará aqui. E os poucos segredos terão ido embora. Muitos já terão se enfrentado duas vezes, técnicos já terão sido trocados – mas os elencos mantidos. Quem somar menos de 30 pontos a essa altura, pode se preocupar. Quem somar mais de 50, pode sonhar, quem sabe até com a taça.

Como disse antes, as etapas do BR-14 se confundem e nos confundem. Vale dizer que no pós-Copa os clubes já terão de volta seus CTs e principalmente seus estádios. Jogar em casa é sempre um trunfo, que será perdido por 8 dos clubes da Série A durante um tempo – excluo aqui as punições e também o Palmeiras, que já está adaptado ao Pacaembu. Então, em meio às análises-padrão, leve em conta mais esse fator.

Nas últimas 8 rodadas, por óbvio, a definição do campeonato. Poucos terão pernas e os elencos vão aparecer, também por conta das suspensões. Aparecerá também a conta bancária. Quem pôde trazer reforços, seja do exterior ou das séries inferiores, poderá se dar melhor. Quem não atrasar salários, também. Serão 24 pontos em disputa e a expectativa de somar 100%, já quase nula, some de vez. Muitos, porém, precisarão dessa quantia – devem se preparar para o pior. Um índice de 50% de aproveitamento costuma ser satisfatório, sendo que só o campeão deve fazer muito mais. Todos já saberão tudo sobre os outros e também quanto devem pontuar. Assim sendo, o espírito de final, esquecido por muitos até então, vai surgir a cada jogo. Costuma ser a época em que o lanterna arranca pontos dos líderes em jogos surpreendentes.

Com 10 anos de pontos corridos, caminhando para a 11a edição, os bons gestores já sabem de tudo isso e certamente têm planos para evitar os precauços. Os sinais irão aparecer ao longo do trajeto; quem tomar decisões assertivas rapidamente, irá evitar o pior ou aproveitar a melhor oportunidade para consolidar-se na frente.

Ao final da 38a rodada, fim dos jogos e hora de festa pra uns e tristeza pra outros. E de alguns advogados entrarem em campo – mas esse é assunto pra outro post.

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‘Rei dos clássicos’, Fla quase dobra Timão em torcida visitante; e o seu time?

Torcida visitante do Flamengo divide Maracanã com a do Botafogo no clássico: nova casa desequilibrou

Depois da primeira parte do estudo sobre a presença de público visitante no Brasileirão, o blog avança sobre o tema e inclui os clássicos locais nos números. A exclusão anterior tinha um simples objetivo: apontar – em tese – qual torcida “viaja” mais para ver seu clube do coração. Com os números dos clássicos locais incluídos, a conta soma também os jogos em que a torcida visitante não precisa sair da sua cidade – exceção óbvia feita ao Santos. Novamente, deu Flamengo na ponta. No entanto, a grande novidade é o aumento da vantagem sobre o Corinthians. Se sem os clássicos apenas 76 torcedores flamenguistas a mais foram aos estádios como visitantes, em relação ao Timão, somando-se os derbies locais a vantagem fica enorme:

Valores apontam a média de presença de público visitante no Brasileirão 2013

Novamente, é necessário que se façam algumas ressalvas quanto ao estudo, tudo por conta da desorganização das federações locais nos borderôs. Os problemas são basicamente os mesmos apontados no texto anterior: a federação Mineira não discrimina o público visitante no Mineirão, o que excluiu todos os jogos com mando do Cruzeiro do estudo. Outras, como a Carioca, só passaram a discriminar o público visitante apenas na reta final do Brasileirão. Algumas federações que receberam jogos de outras praças, como a Catarinense e a Matogrossense não apontaram o valor. Novamente, vale o elogio às federações do Paraná e de São Paulo, as mais claras e transparentes em relação aos borderôs.

Borderô de Atlético x Coritiba: FPF dá bom exemplo no borderô

Dito isto, os números: talvez pela relação do novo Maracanã com o público carioca, enquanto que São Paulo ainda não tem suas novas arenas prontas – e muitos jogos foram mandados no interior, o Fla abriu enorme vantagem sobre o Timão ao se incluir os clássicos locais. Um detalhe importante, lembrado por alguns leitores: a carga de ingressos para visitantes nos clássicos em SP é de apenas 5%. A Fonte Nova, reformada, também abrigou bons públicos, em especial no Vitória x Bahia, que fez o Tricolor abrir boa margem em relação ao rival. Em Minas, só o público cruzeirense no clássico com o Galo foi computado. No jogo do Mineirão, ausência de dados. O mesmo vale para o Grenal da Arena Grêmio. O Atlético levou mais gente que o Coritiba quando visitante no clássico paranaense, mas, de fato, o público foi decepcionante nos dois jogos – o menor entre os seis principais clássicos estaduais. A exemplo de SP, o Paraná limita a carga visitante, mas a 10%.

Se o Fla é o time que mais arrasta torcida longe de seus domínios, o Goiás não tem o mesmo apelo longe do Serra. Com apenas 71 pessoas em média por jogo como visitante, nem a ótima campanha do Esmeraldino comoveu seu povo a seguir a equipe longe de Goiás.

O maior público visitante de todo o Brasileirão foi de 14.632 torcedores do Flamengo na 28a rodada, contra o Botafogo. O público total desta partida foi 31.720. No jogo, Fogão 2 a 1. O menor público visitante, exceção às atribuições de zero torcida – como especificado no texto anterior – foi de apenas 1 (um!) solitário torcedor da Portuguesa contra o Inter na 23a rodada e outro solitário torcedor do Criciúma contra o Coritiba na 35a rodada. Curiosamente, mesmo sem apoio de seus torcedores, Lusa (1-0) e Tigre (2-1) venceram estes jogos.

Nos 323 jogos computados nesse estudo (de 380 possíveis) a média de torcida visitante no Brasileirão 2013 foi de 852 pessoas. Seis times superaram essa expectativa: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco, Grêmio e Botafogo, a grande surpresa deste índice, se levarmos em consideração a última pesquisa nacional de torcidas, que coloca na mesma ordem os quatro primeiros colocados deste estudo, com o Grêmio em oitavo no geral e o Fogão apenas na 12a posição.

O blog ainda trará outros dois estudos sobre o público visitante do Brasileirão 2013 após os festejos de Natal. Fique atento e Feliz Natal!

Mais fiel que do Corinthians, torcida do Fla é maior visitante; veja o seu time e rivalidades locais

Qual a torcida que segue em toda a parte? A que nunca abandona, a mais fiel? Um estudo inédito feito pelo blog aponta a torcida que mais acompanhou o seu time longe de seus domínios durante o Brasileirão 2013. O resultado não chega a surpreender: excluindo os clássicos na mesma cidade (serão tratados a contento), por 76 torcedores em média por jogo, a torcida do Flamengo superou a fidelidade corintiana.

Cruzeirenses viajaram mais que atleticanos mineiros, gremistas acompanharam mais seu time do que colorados, coxas-brancas foram em maior número que atleticanos nos jogos longe do Paraná e por uma pequena margem a torcida do Bahia foi mais fiel que a do Vitória.

Aos números, no entanto, cabem algumas ressalvas. A primeira delas: a desorganização e falta de padrão dos borderôs emitidos pelas federações Brasil afora. Foram 323 borderôs pesquisados e revisados, dos 380 jogos disputados. Quase 20% das partidas não ofereceram estatísticas concretas de quantos visitantes estiveram nos jogos.

Desta forma, as equipes que tiveram mais jogos computados foram Criciúma (18 partidas) e Coritiba, Náutico, Goiás e Inter (17) enquanto as que tiveram menos jogos computados foram Flamengo, Fluminense, Santos e Portuguesa (13).

As piores federações ou estádios nesse controle são a Mineira, em relação ao novo Mineirão. Absolutamente todos os jogos com o Cruzeiro como mandante não oferecem a parcela de ingressos visitantes nos borderôs – algo a ser investigado? Além dela, a Carioca, que passou a fornecer os dados concretos apenas da metade para o fim do campeonato e as de Brasília, Ceará, Santa Catarina e Mato Grosso, que receberam partidas mas não discriminaram o público visitante. 

Alguns jogos, como Santos x Flamengo na primeira rodada, saíram da conta exatamente pelo motivo acima. É público e notório que a torcida do Fla esteve em maior número que a do Peixe, mas o documento oficial não separava números. Além disso, há exemplos como os abaixo:

Criciúma x Inter: espaço dos visitantes vazio no borderô

Vitória x Fluminense: nenhum tricolor no jogo? É o que diz a Federação Baiana, que ainda erra a palavra "Boletim"

No caso acima, por uma questão lógica, o estudo atribuiu valor zero ao número de torcedores do Fluminense no jogo contra o Vitória. Parece evidente – e os vídeos da partida mostram isso – que havia torcida do Flu na Bahia, mas não é possível supor um número e o documento oficial atribui zero aos visitantes. Isso aconteceu em outras 19 partidas. O Náutico esteve em três delas.

As federações do Paraná e de São Paulo são as mais objetivas e claras na discriminação dos ingressos de visitantes. A lista completa dos jogos excluídos da conta – incluíndo os clássicos não registrados – estará mais abaixo; amanhã, uma nova postagem incluirá na conta os clássicos registrados. Explica-se: o estudo divide-se as torcidas que viajam ver o time e as que vão em grande número nos clássicos locais. No primeiro caso (este post) vantagem para clubes como Goiás, Náutico e Ponte Preta, por exemplo, que não jogaram clássicos; no que virá, melhor para Flamengo e Corinthians. Os jogos dos paulistanos contra a Portuguesa foram considerados clássicos.

Na tabela abaixo, os números dos visitantes excluíndo os clássicos, no total e na média. O leitor poderá notar que certos clubes que jogaram clássicos não tem nenhum jogo computado no desconto; isso acontece por conta da ausência dos dados concretos no borderô emitido pela federação local – caso do Grenal da Arena Grêmio, por exemplo.

Eis. Divirtam-se nos comentários abaixo e aguardem o estudo de amanhã, incluindo os clássicos, que apresentará resultados ainda mais polêmicos:

 

Fla x Timão na ponta; Corinthians levou mais gente ao todo, sem clássicos, com um jogo a mais na conta

Jogos excluídos por falta de dados:

Santos x Flamengo
Botafogo x Santos
Flamengo x Ponte Preta
Atlético-MG x Grêmio
Botafogo x Cruzeiro
Flamengo x Náutico
Vasco x Atlético-MG
Cruzeiro x Corinthians
Cruzeiro x Inter
Vasco x Bahia
Cruzeiro x Náutico
Botafogo x Vitória
Flamengo x Atlético-MG
Cruzeiro x Coritiba
Flamengo x Portuguesa
Criciúma x Cruzeiro
Botafogo x Goiás
Cruzeiro x Santos
São Paulo x Atlético-PR
Flamengo x São Paulo
Cruzeiro x Vitória
Vasco x Corinthians
Flamengo x Grêmio
São Paulo x Fluminense
Cruzeiro x Vasco
Flamengo x Vitória
Goiás x Grêmio
Criciúma x Botafogo
Cruzeiro x Flamengo
Flamengo x Santos
Cruzeiro x Atlético-PR
Cruzeiro x Botafogo
Flamengo x Atlético-PR
Criciúma x Fluminense
Botafogo x Ponte Preta
Cruzeiro x Portuguesa
Cruzeiro x São Paulo
Criciúma x Portuguesa
Cruzeiro x Fluminense

Portuguesa x Flamengo
Botafogo x Atlético-MG
Cruzeiro x Criciúma
Criciúma x Ponte Preta
Cruzeiro x Grêmio
Cruzeiro x Ponte Preta
Cruzeiro x Bahia

E todos os clássicos regionais.

*Agradecimentos especiais a Thiago Fagury, Vinícius Paiva e Matheus Cajaíba pela colaboração.

 

 

O atalho mais fácil para a Libertadores mudou

Começou nesta terça (30) a Copa Sulamericana 2013, daqui por diante, “o atalho mais fácil para a Libertadores”. Pelo menos é essa a expectativa de nove clubes brasileiros, com a mudança no regulamento que integrou os times da Libertadores à Copa do Brasil, tornando o antigo atalho mais espinhoso. Clubes da Série A, como Coritiba, Ponte Preta, Bahia e Vitória foram surpreendidos por Nacional do Amazonas (eliminou os dois primeiros), Luverdense-MT e Salgueiro-PE, equipes que estão nas Séries D e C do Brasileirão. Como prêmio de consolação, entraram na Sulamericana 2013 – bônus que atingiu até mesmo o Sport, hoje na Série B nacional.

Depois que a bola rolar nesta terça para Liga de Loja, do Equador, e Deportivo Lara, da Venezuela, a teoria poderá se tornar prática. Apesar da imensa maioria dos nomes da Sula assustarem menos os participantes do que equipes como o campeão da Libertadores Atlético-MG, do Mundial, Corinthians e o líder do Brasileirão, Cruzeiro, entre outros, não só de coadjuvantes é feita a competição dois da Conmebol. Na tabela abaixo, você pode ver os cruzamentos possívels até a decisão.

Equipes como o River Plate da Argentina (há também o River uruguaio nessa competição), os também argentinos Vélez e Lanús, a Universidade Católica do Chile, o Atlético Nacional da Colômbia, o Cerro Porteño do Paraguai e o Peñarol, do Uruguai, são tão postulantes ao título quanto os brasileiros. Outros ilustres desconhecidos, como o impagável El Tanque Sisley do Uruguai, o Deportivo Pasto da Colômbia ou o Inti Gás, da empresa peruana fornecedora de gás combustível, deixam a Sulamericana com a cara de uma grande competição entre bairros.

É grande a chance de um brasileiro estar na decisão, mas dependerá de Ponte ou Criciúma (quem avançar no duelo interno) fazer a primeira final nacional no torneio, que já teve dois brasileiros campeões: Inter, em 2008, e São Paulo, o atual detentor do título – que por isso entra diretamente nas oitavas de final. O Tricolor Paulista poderá encarar Bahia ou Portuguesa nas quartas. Baianos e paulistas têm na mesma chave o Atlético Nacional da Colômbia, campeão da Libertadores em 1989 e foi 12o no último campeonato colombiano – o Clausura 2013 acabou de começar.

O surpreendente clássico pernambucano na Sula pode definir um semifinalista contra outro brasileiro. Sport e Náutico se encontram no torneio sulamericano depois de o Timbu comemorar muito a vaga internacional no jogo do Brasileiro 2012 que definiu o rebaixamento rubro-negro. Quis o regulamento que os times se reencontrassem justamente na volta do Náutico à uma competição da Conmebol depois de 45 anos. Quem avançar, tem como mais tradicional possível adversário na chave o Barcelona de Guayaquil. Para que as quartas tenham duelos brasileiros, Coritiba ou Vitória devem superar equipes de menor expressão, naquela que pode ser considerada a chave mais fácil dos brasileiros na disputa. Coxa e Leão já se enfrentaram na Sulamericana. Em 2009, uma vitória por 2-0 pra cada lado, em casa, e o Vitória avançou nos pênaltis. Se o Coxa passar e encontrar o Barça equatoriano, reedita um confronto da Libertadores 86, quando foi 7o colocado.

Do outro lado, Ponte Preta ou Criciúma tem vida indigesta até uma eventual final. Quem passar, pode pegar o Colo-Colo nas quartas. O time chileno, campeão da Libertadores em 1991, foi 10o no Torneio “Transición”, que fez com que o calendário chileno se adequasse ao europeu. A nova competição começou no dia 27/07 – e o Colo-Colo perdeu na estreia, 0-4 para o Audax Italiano. Depois o caldo pode engrossar ainda mais, com possibilidades de confrontos com o também chileno Cobreloa, o tradicional uruguaio Peñarol ou o argentino Vélez Sarsfield.

Copa Sulamericana e Copa do Brasil, já há algum tempo, são tratadas apenas como um atalho para a Libertadores, o que é um equívoco. Vale sempre lembrar que vale taça continental e também duas vagas: uma para a Recopa Sulamericana, contra o Atlético-MG em 2014, e uma disputa intercontinental, a Copa Suruga, que opõe o vencedor da Sula ao da Liga Japonesa. E taça no museu é o que interessa, afinal.

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Abrindo o Jogo da Série A – Guia 2013

Leia também o Guia da Série B 2013 clicando aqui.

É sábado, 26 de maio. Lá por setembro, você mal lembrará que foi campeão ou que perdeu o estadual, estará completamente mergulhado na Série A do Brasileiro. Depois de cinco meses de espera, vai começar o principal campeonato do Brasil. E nesse ano com uma paradinha para a Copa das Confederações. É o último Brasileirão pré-Copa, o 11º da era dos pontos corridos. Cada vez mais os clubes já sabem o que podem e o que não podem. E algumas realidades ainda vão mudar depois da Copa.

Num exercício de futurologia, o blog dá a cara a tapa e se propõe a prever o que cada time pode fazer no Brasileirão. Não é chute – bem, talvez um pouquinho – mas sim uma leitura com base em tudo o que foi apresentado até aqui. Dividi os clubes em quatro categorias: candidatos ao título, Libertadores, Sulamericana* (também chamada de zona neutra) e rebaixamento. Vamos lá?

*Os critérios da classificação para a Sulamericana mudaram, mas, por convenção, deixei a “área” com esse nome. Se preferir, chame de “limbo”.

Título: Corinthians, Fluminense, Atlético Mineiro e Botafogo.

Corinthians:

O Corinthians é ainda o melhor time do Brasil. É o mais entrosado, com o melhor elenco (mesmo que perca Paulinho), o que pode fazer contratações de peso a qualquer momento, incluindo desfalcar adversários. Campeão Paulista, o Timão entrará no Brasileiro sendo o alvo, mesmo depois de ter caído na Libertadores. E certamente irá querer provar isso.

Destaque: Tite, o comandante
Ponto forte: Elenco e entrosamento
Ponto fraco: ataque e guerra de vaidades – até aqui, bem controlada
No Brasileirão: Cinco títulos (último em 2011)
Em 2012: 6º colocado

Veja o goleiro Cássio falando dos favoritos para o Brasileirão:

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Fluminense:

Tudo que vale para o Corinthians vale para o Flu, mas em um pequenino nível abaixo. É o atual campeão brasileiro, segue na Libertadores (ao menos enquanto escrevo esse texto, antes dos jogos contra o Olímpia-PAR) e tem entrosamento, comandado ainda por Abel Braga. Lhe falta elenco e estrutura, em relação ao Timão. Corinthians e Flu, aliás, era a disputa mais esperada do BR-12, mas por outras prioridades, não ocorreu. Esse ano vai?

Destaque: Fred, o artilheiro
Ponto forte: Elenco e entrosamento
Ponto fraco: defesa e concentração
No Brasileirão: Três títulos (último em 2012)
Em 2012: 1º colocado

Atlético Mineiro:

Bernard deve ir ao Borussia Dortmund e isso certamente será um desfalque pesado. Mas o bicampeão mineiro entra no Brasileirão com uma alta expectativa e seu mais novo aliado: o Estádio Independência, pertencente ao América-MG, que, reformado, tem sido um caldeirão para o Galo. Ronaldinho alegre e motivado conta com a melhor dupla de volantes do Brasil, um bom ataque e um bom goleiro para brilhar.

Destaque: Ronaldinho, o gênio
Ponto forte: velocidade e mando de campo
Ponto fraco: concentração e atitude longe de MG
No Brasileirão: Um título (último em 1971)
Em 2012: 2º colocado

Botafogo:

Para muitos, será surpresa o campeão carioca entre os postulantes ao título; para quem viu os jogos do Fogão de Seedorf, nem tanto. O Botafogo é um time bem armado por Osvaldo de Oliveira, que marca muito e sai em velocidade. Tem uma grande liderança em campo, você sabe quem. Resta saber se terá fôlego financeiro e deixará a pecha de amarelão, carregada em épocas anteriores, ao longo de 38 rodadas.

Destaque: Seedorf, o maestro
Ponto forte: velocidade e marcação
Ponto fraco: mando de campo e elenco
No Brasileirão: Um título (último em 1995)
Em 2012: 7º colocado

Ouça Seedorf falando sobre o desempenho do Botafogo no ano até aqui:

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Libertadores: Grêmio, São Paulo e Internacional.

Grêmio:

Seja com Renato Gaúcho – especulado no Sul – seja com a manutenção de Vanderlei Luxemburgo, o Grêmio chegará forte para esse Brasileirão. O elenco, montado para a Libertadores, terá que dar a resposta no Nacional. Se Luxa ficar, terá que vencer a resistência de boa parte da torcida e da imprensa, que é extremamente crítica com o treinador.

Destaque: Zé Roberto, o incansável
Ponto forte: potencial de ataque
Ponto fraco: defesa e falta de identidade com a Arena Grêmio
No Brasileirão: Dois títulos (último em 1996)
Em 2012: 3º colocado

Ouça Barcos em apoio a Luxemburgo para seguir no Campeonato Brasileiro:

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São Paulo:

O Tricolor Paulista tem muito em comum com o Gaúcho: um elenco bom, mas que não deu resposta, mesmo sendo forte e um técnico questionado no banco. Ney Franco terá a missão de achar um jeito de colocar Jadson e Ganso juntos, além de domar o gênio de Luís Fabiano. Se conseguir, o São Paulo pode chegar à Libertadores. Senão, é daqui pra baixo.

Destaque: Jadson, o assistente
Ponto forte: meio de campo e estrutura
Ponto fraco: disciplina e estima
No Brasileirão: Seis títulos (último em 2008)
Em 2012: 4º colocado

Ouça Ney Franco falando em reciclar o São Paulo para o Brasileirão:

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Internacional:

O Inter fecha o time dos que podem até sonhar com o título e chegar a Libertadores sem grandes surpresas. Deve perder Leandro Damião, mas manterá D’Alessandro, Forlan e o técnico Dunga, que com o tricampeonato gaúcho, levantou a primeira taça em clubes. Além de tudo isso, pode trazer Robinho e Júlio Baptista. Só que terá que jogar em Caxias do Sul, longe do Beira-Rio, em reforma para a Copa.

Destaque: D’Alessandro, o hermano
Ponto forte: ataque e marcação
Ponto fraco: defesa e instabilidade
No Brasileirão: Três títulos (último em 1979)
Em 2012: 10º colocado

Sulamericana*: Cruzeiro, Coritiba, Flamengo, Atlético Paranaense, Criciúma, Vitória, Goiás e Ponte Preta.

Cruzeiro:

A Raposa abre a lista dos que devem ficar no meio da tabela, mas tem boas possibilidades de chegar mais acima. Montou uma equipe rápida, como jovens valores (como Éverton Ribeiro) e jogadores experientes (Borges, Diego Souza, Dagoberto). A jóia da coroa foi tirar Dedé do Vasco, um ano antes da Copa, quando o zagueiro tem que jogar tudo e mais um pouco para ser lembrado. Conta com Marcelo Oliveira no banco, um bom técnico, mas tímido na postura em campo. Pela primeira vez em muitos anos, inverte papéis com o Galo, ficando à sombra do rival.

Destaque: Dedé, o xerifão
Ponto forte: velocidade
Ponto fraco: falta ousadia e pode ter problemas de disciplina
No Brasileirão: Um título (último em 2003)
Em 2012: 9º colocado

Coritiba:

O Coxa vem cercando um título nacional há algum tempo, mas nas duas chances recentes que teve, bateu na trave – na Copa do Brasil. Por isso, para o Brasileirão, apostou na volta do ídolo Alex, na manutenção de Deivid, Rafinha e o ótimo goleiro Vanderlei e na chegada de Botinelli, que se machucou e não atuou na conquista do tetra estadual, em que o time foi muito irregular. O Coxa tem uma arma no mando de campo, mas também pode pagar pela juventude do técnico Marquinhos Santos (34 anos).

Destaque: Alex, o ídolo
Ponto forte: mando de campo e meio de campo
Ponto fraco: laterais e volantes
No Brasileirão: Um título (último em 1985)
Em 2012: 13º colocado

Flamengo:

O Flamengo foi um fiasco no Carioca, mas apostou no técnico Jorginho para remontar o time para o Brasileirão. O ex-auxiliar de Dunga recebeu jogadores que tem bom nível, mas sempre ficaram no “quase”: Carlos Eduardo, Elias, Renato Abreu, Léo Moura, Marcelo Moreno. Com o clube mais preocupado em arrumar a casa, com a nova diretoria, o Fla não corre riscos, mas será surpresa se chegar mais além.

Destaque: Rafinha, o prata da casa
Ponto forte: experiência
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: Seis títulos* (último em 2009)
Em 2012: 2º colocado
*contando a Copa União de 1987

Veja a análise de Léo Moura sobre a ausência do Flamengo nas finais do Carioca:

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Atlético Paranaense:

O Atlético pode ser a grande surpresa deste Brasileirão, tudo por conta de uma estratégia inédita: uma (exagerada) pré-temporada de praticamente 5 meses. O Furacão ignorou solenemente o Estadual, jogando com um elenco só de garotos com menos de 23 anos (ainda assim, foi finalista) enquanto disputou um torneio na Europa e amistosos. Manteve a base do acesso na Série B-12, revelou jogadores interessantes e trouxe até um ex-Barcelona: Frán Mérida, que também passou pelo Arsenal. Mas ainda é Paulo Baier quem manda no time, que não tem o caldeirão da Baixada, em reforma para a Copa.

Destaque: João Paulo, o motorzinho
Ponto forte: velocidade e entrosamento
Ponto fraco: elenco mediano e falta de mando de campo
No Brasileirão: Um título (último em 2001)
Em 2012: 3º colocado na Série B

Ouça o diretor de futebol do Atlético, João Alfredo, falando sobre o Brasileirão:

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Criciúma:

O campeão catarinense não fará feio na sua volta à Série A. O Tigre conta com a base que subiu em 2012, mas perdeu o atacante Zé Carlos, o Zé do Gol. Conta com jogadores conhecidos no elenco: os atacantes Marcel e Tartá, o zagueiro Thiago Heleno e o meia Daniel Carvalho. No banco o técnico Vadão, que deve armar os ferrolhos de sempre.

Destaque: Tartá, o ousado
Ponto forte: estrutura e mando de campo
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: 14º em 2003
Em 2012: 2º colocado na Série B

Vitória:

O Leão entra animado no Brasileirão, muito por conta das duas goleadas históricas no rival Bahia que renderam a conquista do Estadual. Mas é pouco: o rubro-negro precisa se reforçar para dar ao bom técnico Caio Jr. condições de sonhar mais. O ambiente político também não deve ajudar o Vitória, que nos bastidores vê a guerra entre o atual presidente, Alexi Portela Jr., e Paulo Carneiro, que quer voltar ao clube.

Destaque: Dinei, o matador
Ponto forte: marcação
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: vice-campeão em 1993
Em 2012: 4º colocado na Série B

Goiás:

A base que ganhou o bicampeonato da Série B e a manutenção do técnico Enderson Moreira são os trunfos do Goiás para impedir um “bate-e-volta” para a Série B. O clube, um dos mais bem estruturados do Brasil, vai brigar contra a queda, mas tem potencial para safar-se com facilidade do risco e garantir-se na Sulamericana 2014. As “eternas promessas” Dudu Cearense e Renan Oliveira comandam o meio campo.

Destaque: Harley, o eterno
Ponto forte: entrosamento
Ponto fraco: elenco mediano
No Brasileirão: Terceiro lugar em 2005
Em 2012: 1º colocado na Série B

Ponte Preta:

A Ponte comemora o título de melhor do interior paulista (mesmo sem sê-lo, pois o Mogi Mirim foi semifinalista) que, de certa forma, atesta o bom momento do clube. Para o Brasileirão, a aposta na Macaca é humilde: chegar à Sulamericana. A vantagem do clube é a sequencia de trabalho, desde a época de Gilson Kleina, hoje no Palmeiras.

Destaque: Alemão, o gingado
Ponto forte: entrosamento
Ponto fraco: poderio financeiro para reforçar/manter peças
No Brasileirão: Terceira em 1981
Em 2012: 14ª colocada

Rebaixamento: Santos, Vasco, Náutico, Portuguesa e Bahia.

Santos:

Se enquanto você lê este texto Neymar ainda for jogador do Peixe, ignore as chances de risco e coloque o Santos entre Cruzeiro e Coritiba. Neymar é mais que meio time, que ainda não viu Montillo decolar e conta com a má-fase pessoal de Muricy Ramalho, que passou por problemas de saúde e não conseguiu dar padrão ao Peixe 2013. Caso Neymar realmente tenha deixado o clube, se você for santista, prepare-se: o ano será longo. O elenco envelhecido e os reforços que não emplacaram são os principais rivais do time do litoral paulista. O risco realmente existe.

Destaque: Neymar, o desejado
Ponto forte: Neymar, o craque
Ponto fraco: o resto do elenco, com raras exceções (Arouca, Miralles e – talvez – Montillo)
No Brasileirão: Dois títulos (último em 2004)
Em 2012: 8º colocado

Ouça Muricy Ramalho falando sobre a possível perda de Neymar:

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Vasco:

A nau de Paulo Autuori está ameaçada de afundar. O Vasco vive um momento duríssimo, após um Cariocão frustrante, com problemas financeiros e jogadores que deixaram o clube. A aposta foi feita, dentro dos padrões do clube, em um elenco modesto e na manutenção de três nomes: Bernardo, Carlos Alberto e Eder Luis. A esperança vascaína está neles e na camisa.

Destaque: Bernardo, o rebelde
Ponto forte: camisa
Ponto fraco: elenco mediano, dificuldades financeiras e possibilidades de indisciplina
No Brasileirão: Quatro títulos (último em 2000)
Em 2012: 5º colocado

Náutico:

O Timbu é mais um candidato ao rebaixamento, após um estadual ruim, em que foi obrigado a disputar desde o começo enquanto os rivais jogavam a Copa do Nordeste – culpa do próprio clube, que não se classificou para o Regional. Perdeu tempo, dinheiro e parâmetro, saindo derrotado dos clássicos com Santa Cruz e Sport. O técnico Silas vai ainda pegar um time que não contará (a princípio) com o caldeirão dos Aflitos, já que o clube passará a jogar na Arena Pernambuco.

Destaque: Rodrigo Souto, o destaque
Ponto forte: único time pernambucano na Série A
Ponto fraco: elenco fraco e adaptação ao novo estádio
No Brasileirão: Sexto em 1984
Em 2012: 12º colocado

Portuguesa:

A Lusa chega a Série A depois de conquistar a Série B… do Paulista. O time, em 2012, conseguiu a proeza de se manter na elite nacional e cair no estadual. Assim sendo, perdeu em atratividade, competitividade e, claro, dinheiro para a disputa do Brasileirão. O elenco é formado por jogadores que conseguiram o título da Série A2 e buscam um lugar ao Sol – o que pode ser um trunfo, afinal.

Destaque: Souza, o polêmico
Ponto forte: vontade
Ponto fraco: elenco desconhecido e falta de parâmetro de competição
No Brasileirão: vice-campeã em 1996
Em 2012: 16º colocado

Bahia:

A previsão para o Bahia é a mais negra possível neste início de Brasileirão. A estreia na nova casa não poderia ser pior e a Fonte Nova custou dois técnicos em menos de dois meses ao Tricolor, que vive crise política, econômica e moral, com o rompimento com a torcida. O elenco é recheado de jogadores rodados, como Titi, Souza, Fahel, Toró e outros mais. A curiosidade é contar com o americano Freddy Adu, que foi tratado como “novo Pelé” quando jovem, e chegou na troca por Kléberson com o Philadelphia Unión.

Destaque: Obina, o Eto’o
Ponto forte: sua torcida
Ponto fraco: elenco fraco, clube rachado, ambiente instável
No Brasileirão: Um título (último em 1988)
Em 2012: 15º colocado

Veja o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, falando sobre a crise no clube:

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A crise do Bahia ainda não atingiu o ápice

Bahia massacrado pelo Vitória duas vezes consecutivas: rotina?

Inauguração da nova Fonte Nova, momento histórico para a nova casa do Bahia: Vitória 5-1 no clássico. A goleada fez o técnico Jorginho cair do comando tricolor. Chegou Joel Santana, em oito de abril. Pouco mais de um mês, duas vitórias, três empates e duas derrotas depois, Joel é demitido após novo massacre no Ba-Vi: 7-3 Vitória e título encaminhado ao Barradão. Nesta quarta (15/05), mais um vexame: a vitória (1-0) sobre o Luverdense-MT foi insuficiente para evitar a eliminação em casa, após a derrota por 0-2 na ida.

O Bahia está ensaiando a repetição dos seguidos vexames entre 2003 e 2006, quando mergulhou no poço da Série C nacional. O “seu sete”, apelido dado ao rival Vitória em 1972, após uma goleada sofrida para o Ceará (2-7), já havia dado as caras naquele período, na queda para a Série B (0-7 Cruzeiro e 4-7 Santos) e até mesmo no pior momento do clube, na Série C 2006, onde permaneceu com uma goleada nas costas por 2-7 para o Ferroviário-CE. São estatísticas históricas, que podem deixar de ser só coincidência quando o Brasileirão começar.

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“Não dá pra competir, o problema é profundo e é financeiro”, me disse o ex-técnico Jorginho, em visita ao Portal Terra no mês passado. Jorginho se refere ao orçamento do Bahia em comparação a outros grandes do País. Por isso, diz, o clube deveria investir em um time forte fisicamente e rápido. “O time que está lá é ruim, lento e pesado e eu disse isso a eles. Você tem uma ou outra boa peça, como o Fahel, mas no geral, não dá.” Jorginho ainda não havia visto o sucessor Joel levar 7 do Vitória de Caio Júnior, veloz e em (outra) tarde inspirada.

Jorginho negou qualquer problema com o elenco, mas nos corredores do clube, a história não é a mesma. O presidente Marcelo Guimarães Filho tem seus preferidos entre os jogadores e, digamos, é persuasivo para garantir a escalação dos mesmos. É notoria a preferência por Souza e Titi, entre outros. Perguntei isso diretamente a Jorginho, que fugiu do assunto. Em Salvador, comenta-se que Souza chegou a intimar a diretoria com um “ele ou eu” no caso do primeiro dos recentes ex-treinadores. Joel Santana, por sua vez, nem teve tempo de se criar no clube nessa passagem. Nenhum dos dois, diga-se, esteve em campo contra o Vitória na última goleada.

Uma lista com 14 jogadores dispensandos foi divulgada com apenas três jogadores com mais de cinco jogos entre os titulares: os laterais Magal e Pablo e o meia Paulo Rosales. Os demais, eventuais substitutos e até quem nem atuou, como o atacante Erick.

Há ainda quem critique a relação próxima da diretoria com o empresário Carlos Leite, que é parceiro do Bahia desde a retomada de divisões do clube, em 2009. Leite agia no clube por intermédio de Paulo Angioni, que caiu do cargo de diretor de futebol com a última goleada. Até então, inúmeros negócios foram feitos – nem sempre com vantagens ao clube, como explica o colega Dassler Marques. Com a saída de Angioni, é preciso saber como ficará essa relação.

O torcedor por sua vez já percebeu que o destino, como a coisa anda, é negro. Na partida pela Copa do Brasil contra o Luverdense, a torcida organizou um movimento chamado “Publico Zero”, para que ninguém fosse ao estádio. Apenas 1.145 pessoas compraram ingresso, segundo o borderô, sendo que muitos ingressos foram distribuídos gratuitamente. Acostumado a lotar estádios, o Bahia amargou a eliminação e um prejuízo de R$ 42 mil na bilheteria, sem contar a renda perdida por não avançar na competição nacional.

Campanha da torcida do Bahia na internet: ambiente rachado

Com um contrato com a Fonte Nova, mas rachado com a torcida, eliminado da Copa do Brasil e virtual vice-campeão baiano, além de ser desde já um favoritíssimo à queda para a Série B nacional, a crise do Bahia parece estar apenas engatinhando. Quem conhece o histórico do clube, sabe que é importante agir a tempo de não refazer a viagem ao fundo do poço. 

 

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O naming rights depende da boa vontade de todos

O Palmeiras anunciou oficialmente o acerto com a Allianz, empresa de seguros que vai alugar o nome do novo estádio do clube paulista pelos próximos 20 anos (leia mais aqui). Os valores estimados chegam perto dos R$ 300 milhões pelo período, dos quais somente 2)% irão para os cofres palmeirenses – mas esse é outro papo.

Foi o terceiro acordo similar no Brasil envolvendo estádios e clubes/administadores. E, para que isso seja levado a sério como negócio, é preciso que todos tenham boa vontade com essa fonte de renda importante aos clubes brasileiros.

Kyocera Arena, do Atlético: pioneira no Brasil

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Em 2005, o Atlético anunciou um acordo com a fábrica de eletrônicos japonesa Kyocera Mita, fundada em Kyoto. Durante três anos, a empresa alugou o nome do estádio do Furacão, o que rendeu US$ 1 milhão por ano ao clube. Um acordo considerado bom para a época, embora os números possam ser vistos como modestos 8 anos depois. O conceito Arena, que passou a ser usado em todo o Brasil, também foi pioneirismo do clube paranaense, em 1999. Hoje quase todos os novos estádios puxam por isso, justamente para comercializar o naming rights.

A Kyocera Arena, no entanto, enfrentou os problemas já previstos para a Allianz e a Itaipava (que dá o nome à nova Fonte Nova, em Salvador) no Brasil: a adesão da mídia e dos torcedores. É difícil que o torcedor passe a chamar o estádio de Allianz alguma coisa (três nomes estão em votação para escolha popular), mas não é impossível que a grande mídia chame o estádio assim, como acontece na Europa. O Terra transmite o Campeonato Alemão, onde já há uma Allianz Arena (casa do Bayern de Munique), uma Veltins Arena (do Schalke 04, com patrocínio de uma empresa cervejeira) e um clube-empresa, o Bayer Leverkusen, da fabricante de medicamentos do mesmo nome.

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Na época da Kyocera Arena, alguns veículos aderiram à proposta, outros não. Para o Atlético, o apoio representou um reforço de caixa que, coincidencia ou não, permitiu uma campanha de destaque com o vice da Libertadores 2005. Para o Palmeiras representa o mesmo, assim como para a gestão do estádio público em Salvador – negócio que vai pagando os custos da obra, bancada pelo Estado.

Sem a adesão ao nome, o que haverá é o afastamento dos patrocinadores desse tipo de projeto. Ninguém quer investir para não ser reconhecido. Equipes de vôlei brasileiras que vêm e vão podem confirmar isso.

Romantismo à parte, os torcedores baianos e palestrinos têm que entender a medida não como algo antipático, mas uma moeda a mais de fortalecimento dos times. E, convenhamos, Parque Antártica, um dos nomes prefeiros da torcida do Palmeiras, já não era referência a uma marca?

Em tempo: até por isso, se me fosse dado o poder de escolha do novo nome do estádio, ficaria com Parque Aliianz, nessa ordem.

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