E quem paga a conta pelas Organizadas?

Difícil de se identificar os responsáveis?

A pergunta é direta, simples e objetiva: quem paga a conta pelos prejuízos causados aos clubes e à sociedade pelas nominadas “Torcidas Organizadas”?

Nesta semana, Cruzeiro, Atlético Paranaense, São Paulo e Goiás entraram para a lista de clubes que terão prejuízos materiais e técnicos por conta de meia dúzia de arruaceiros que se escondem sob o símbolo das torcidas “organizadas”, como se fossem intocáveis. E talvez sejam: não pagam a conta de nada, por mais que sejam facilmente identificados individualmente. Ninguém é preso ou punido. A conta estoura no torcedor comum e no próprio clube, que de fato é quase tão culpado quanto, pois acaba dando guarida.

Ou é mentira que várias diretorias Brasil afora dão espaço aos “organizados” por conta de apoio político? Pode ser em forma de ingressos, cargos no clube ou tolerância com os chamados protestos por conta de desempenho. Os organizados fazem parte das vidas dos clubes, normalmente de maneira negativa.

Ok, virão aqui os defensores das TOs e lembrarão que boa parte da festa parte deles, que “estão ao lado do clube onde ele joga” (nunca é demais lembrar que uma passagem de avião em dia de semana é artigo de luxo), que alimentam a magia dos estádios e tudo mais. Bem, há algum fundamento e generalizar é errado. Assim como em todas as classes, há os bons e os ruins. Nas TOs, também. Há gente de bem, interessada apenas em fazer festa e curtir seu clube. Mas ao serem coniventes com os seguidos episódios de violência e confusão, os bons dão guarida aos maus. Assim como um dirigente de clube é responsável pela sua gestão, os organizados deveriam se responsbilizar pelo todo. Não o fazem.

“É impossível ter controle de uma multidão”, dizem. Fato. Mas é possível faturar com ela. A grande receita das organizadas vem da vampirização das mesmas em cima da marca do clube. São as camisas que vendem, por exemplo, a custo mais baixo que os (caros) uniformes oficiais, que dão verba aos comandos. Isso sem que se repasse um centavo aos cofres dos clubes, que invariavelmente aceitam essa situação pelos interesses já citados.

E se o São Paulo, em uma recuperação espetacular com Muricy, acabar rebaixado à Série B por ter perdido o direito de mandar seus jogos no Morumbi? Ou o Atlético perder sua vaga na Libertadores por não poder jogar mais em Curitiba, ou então o Goiás, que perdeu seu direito de decidir a Copa do Brasil no Serra Dourada? Pior: se o Cruzeiro ver seu título ameaçado pelo prejuízo técnico de não jogar em Belo Horizonte em partidas decisivas?

Soltos por aí, os arruaceiros seguem tomando conta do futebol. E quem paga a conta? Você, é claro.

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Grenal, Atletiba, Galo e Santa mais fiéis que Fla e Timão

O que vale mais: tem uma torcida numerosa ou uma torcida participativa?

Segundo estudo divulgado pela Pluri Consultoria, Flamengo e Corinthians, donos das maiores torcidas do Brasil em números absolutos, têm muito a aprender com Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro, Santa Cruz, Atlético Paranaense e Coritiba. Os seis times citados lideram a estatística que atribui “fanatismo” e consequente participação aos torcedores de seus clubes. O Timão, reconhecido pela sua fiel torcida, é apenas o sétimo; o Fla aparece em 9o, atrás ainda do Sport:

O cruzamento dos dados leva em conta a maneira com a qual os próprios torcedores se apresentam aos entrevistadores da pesquisa, realizada em 2012 em 144 municípios brasileiros, com 10.545 entrevistados. O entrevistado se identificava como “fanático”, “torcedor”, “simpatizante” ou “indiferente”. A partir do índice do tamanho das torcidas, chegou ao proporcional de fanáticos, o que em tese se atribui maior participação na venda de produtos, planos associativos, etc. O Grêmio aparece com 22,5% – um quarto – de seus aficcionados como “fanáticos” e um total de 79% de participativos; o atual campeão brasileiro, Fluminense, tem a torcida “menos fiel” entre as 18 maiores do País.

Mas, na prática, os índices se refletem?

Um bom parâmetro é o volume de sócios dos clubes. E no plano coletivo “Futebol Melhor”, patrocinado pela Ambev, Inter e Grêmio (na ordem inversa a do estudo) lideram o volume de associados. O Colorado tem 107 mil sócios* e o Tricolor tem 73 mil. São 36 equipes cadastradas no projeto; o Corinthians é o 4o colocado enquanto o Flamengo é apenas o 6o. O plano é mais próximo de um clube de vantagens, que faz com que o torcedor seja atraído pela marca do time do coração e se beneficie em compras, por exemplo. Atlético e Coritiba não estão na lista e têm planos associativos próprios. Como na dupla Grenal, também há inversão no número de sócios no Atletiba. O Coxa afirma ter hoje 30 mil sócios*, enquanto o Furacão, mesmo sem estádio, alcançou 20 mil recentemente. Os números colocariam a dupla entre os 10 maiores do Brasil, caso estivessem integrados ao plano dos outros 36.

O Santa Cruz está entre os clubes com mais sócios, mas mostra fidelidade também em outro quesito: público nos estádios. Mesmo na Série C do Brasileiro, levou quase 25 mil pessoas por jogo em média em 2012. Um número impressionante para um clube que não figura entre os grandes do Brasil desde 2006, quando acabou rebaixado na Série A.

Já o Atlético-MG, apontado apenas como o clube da 8a maior torcida do Brasil, é o terceiro em vendas de Pay Per View dos jogos na TV fechada, revelação feita pelo presidente do clube, Alexandre Kalil, ao divulgar a tabela que recebeu da TV em seu perfil pessoal no Twitter:

É bem verdade que os números de Flamengo e Corinthians não são ruins. A única torcida brasileira à frente do Santa Cruz em média de público em 2012 foi a do Timão, com pouco mais de 25 mil pessoas por jogo. Fla e Corinthians lideram as vendas de PPV e estão em 6o e 4o lugares, respectivamente, no plano associativo coletivo citado acima. No Brasileirão, estão entre os três primeiros em média de público nos estádios, com o Corinthians à frente do Flamengo, sendo que o líder Cruzeiro está entre eles. Inter e Furacão, citados entre os mais fiéis, pagam pelo ano sem estádio próprio, levando menos de 10 mil pessoas por jogo; o Galo também não tem levado muita gente ao estádio no Brasileirão, talvez ainda anestesiado pela conquista histórica da Libertadores.

Ainda assim, o estudo revela coisas interessantes. Clubes de torcida menor, mas mais participativa, conseguem serem mais fortes e rentáveis do que os que têm grande massa simpatizante. Isso define também uma estratégia de mercado: por serem de grande massa, Fla e Timão arrecadam no atacado, mas Atlético e Coritiba, mais regionais, falam mais diretamente ao seu público, se tornando mais unidos aos seus torcedores do que clubes supostamente mais nacionais, como Santos, Botafogo e Fluminense. O trio, aliás, pode tirar dos números uma oportunidade de leitura de mercado.

Estatisticamente, a primeira pergunta  deste texto fica respondida pelos números. Mas, e pra você? O que vale mais? Debata nos comentários abaixo!

*Números de Outubro/2013

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Equívoco da CBF beneficia Corinthians, Grêmio e Vasco na Copa do Brasil

Kléber, pendurado, e Barcos: exceção para os times da Libertadores

A valorização da Copa do Brasil com a volta das equipes que disputam a Libertadores foi uma ideia interessante da CBF. Porém, um equívoco na montagem do regulamento beneficiou os times que entram apenas na etapa de oitavas de final. Com a suspensão de jogadores prevista para cada terceiro cartão tomado na competição, Corinthians e Grêmio, da Libertadores, e Vasco, beneficiado pela presença obrigatória do São Paulo na Copa Sul-Americana levam vantagem sobre os demais adversários.

Com apenas dois jogos disputados, a única exceção do trio é Kléber. O “Gladiador” é o único dos 12 atletas do trio a estar pendurado. Nos outros cinco times, jogadores decisivos como D’Alessandro (Inter), Everton (Atlético), Walter (Goiás) e Lodeiro (Botafogo) podem desfalcar seus times na reta final, o que já acontecerá com Elias (Flamengo) e Bolívar (Botafogo) no primeiro jogo desta fase.

A solução seria zerar os cartões dos clubes a partir das oitavas, exceção feita aos que entrarem na fase suspensos. Por ora, para os times beneficiados, é aproveitar a oportunidade; para os demais, cuidado dobrado com faltas e reclamações.

Confira a lista dos advertidos:

Corinthians: Nenhum pendurado. Pato, Romarinho e Fábio Santos.

Grêmio: Kléber pendurado. Barcos, Matheus Biteco, Souza e Maxi Rodrigues amarelados.

Vasco: Um amarelo para Fagner, Santiago, Filipe Souto e Cris.

Atlético: Pendurados: Jonas, Pedro Botelho, Everton e João Paulo; mais 12 (Zezinho já cumpriu) levaram cartões.

Inter: D’Ale e Fabrício péndurados. Outros 11 (incluindo Damião) com cartão.

Goiás: Walter, Cícero, Hugo e Amaral com dois cartões. Mais 9 com cartão.

Botafogo: Lodeiro, Doria, Edilson, Gabriel pendurados e mais 11, incluindo Jefferson; Marcelo Mattos já cumpriu uma e Bolívar está suspenso contra o Fla.

Flamengo: Elias está suspenso, Renato estaria pendurado e mais 9 levaram cartão.

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Atlético recria a Hungria de Puskás

Puskas parece o Walter, mas era melhor fisicamente que a imensa maioria

O ano era 1952. A Hungria já tinha alguma tradição, vice-campeã do Mundo em 1938 ao perder para a Itália. O futebol era recanto de bôemios, marginalizado pela sociedade, embora curiosamente já arrastasse multidões para os estádios. Começando pelo Honved e chegando até a seleção, os húngaros fizeram algo que até então ninguém havia pensado: se prepararam fisicamente. O jogadores tornaram-se atletas. A Hungria ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Helsink, na Finlândia e em 52 jogos internacionais até 1956, perdeu apenas um. Justamente a final da Copa de 1954, para a Alemanha, a quem na primeira fase havia enfiado 8-3. Coisas do futebol.

O ano é 2013. Em decisão polêmica, mezzo técnica, mezzo política, o Atlético retira o time principal do Estadual e leva para uma pré-temporada na Espanha. Vence um torneio curto, contra times do Leste Europeu, enquanto o time Sub-23 apanha no Paranaense. Volta e fica no aguardo, vendo a reação do Sub-23, que, dada a estrutura do clube, a precariedade dos adversários e três ou quatro talentos, chega a decisão contra o forte Coritiba de Alex. O clube perde, mas o projeto estava 50% pronto, como constatado aqui. Os outros 50% dependiam do sucesso do elenco profissional, que patinava em amistosos contra reservas de Cruzeiro, Figueirense, Goiás e Atlético-GO.

A pré-temporada durou seis longos meses. O Brasileiro começa e, sem ritmo, o Atlético entrega pontos para Fluminense e Vitória, mesmo jogando melhor, e cede empates para Flamengo e Cruzeiro, depois de abrir 2-0. Questionado, o técnico Ricardo Drubscky é substituído por Vagner Mancini, mais experiente e mais próximo dos jogadores. Depois da Copa das Confederações, o Atlético sai da 19a posição para o 4o lugar. Derruba uma invencibilidade histórica do xará mineiro no Horto, bate no líder Botafogo, impõe 3-0 ao Palmeiras, líder isolado na Série B. Tudo com um time mediano, cujo talento máximo é Paulo Baier, 38 anos. Qual o segredo?

As pernas.

Não são apenas um ou dois lances que demonstram isso nos jogos do Atlético. Especialmente no 2o tempo dos jogos, o Furacão passa a sobrar em campo. Jogadores rápidos, como Léo, Manoel e Marcelo, se tornam ainda mais rápidos que os demais; o zagueiro do Atlético nunca chega atrasado nas bolas. Não leva cartões nem permite muitos lances de perigo. Os atacantes chegam quase na frente dos adversários. Um clube com orçamento menor que outros 12 clubes na Série A vai cumprindo seu objetivo. Ainda tem chão, tanto na Copa quanto no Brasileirão. Falar em título pode ser utopia para alguns, mas, com um campeonato tão aberto, mesmo com elenco modesto, o Furacão se permite sonhar. Ao menos com uma vaga na Libertadores.

Dos titulares – 12, se incluído Ederson, o reserva de luxo artilheiro do Brasileirão – apenas o volante Bruno Silva e o atacante Dellatorre não estiveram na pré-temporada. Zezinho é o único que disputou o Estadual. Destaques como Douglas Coutinho, Deivid e outros ainda desfalcam o elenco. E ainda há os misteriosos Maranhão, meia que veio do México, e Frán Mérida, formado no Barcelona, que não deu as caras nesse time de 2013.

Enquanto todos jogavam os Estaduais, o Atlético inventou seu calendário. Aguentou a festa do rival Coritiba tetracampeão e agora parece estar colhendo os frutos. O Corinthians, campeão do Mundo, teve de antecipar as férias e já fez 28 jogos a mais que o Furacão; o líder Cruzeiro, 15 a mais; o Botafogo, 20 a mais. O que menos jogou na Série A foi o Vasco, 12 partidas a mais que o Atlético, e isso porque foi eliminado precocemente do Cariocão.

Todas as equipes vão perder jogadores por lesão e cartões; todas vão sentir as pernas em algum momento. São Paulo e Santos chegarão ao absurdo de fazer quatro partidas em menos de 10 dias, para cumprir a tabela em função de viagens ao exterior – outro desgaste. O Atlético estará nessa, mas com menos desgaste.

Para confirmar a vitória da ideia, o Furacão precisa ser ao menos semifinalista da Copa do Brasil e beliscar uma vaga na Libertadores. Se não conseguir, já deixará uma pulga na orelha de todos os clubes. Se conseguir isso ou mais – um título, por que não? – poderá mudar a cara do futebol brasileiro.

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Libertadores para todos: quem está na fila?

Galo campeão da Libertadores: quem quiser que pegue a senha

A piadinha recorrente entre os rivais era de que o Governo acertou em cheio ao lançar o programa “Libertadores para todos”, uma gozação com a longa espera de Corinthians e Atlético Mineiro em conquistar o título que os rivais já tinham. Campeão, o Galo já pensa no Mundial e desafia os interessados a tentarem no ano que vem. Dos 16 maiores clubes do Brasil, 10 já têm a cobiçada glória. Quem, portanto, estraria no “LPT” fictício? 

O Fluminense abre a lista de espera. Vice-campeão em 2008, quando perdeu para a LDU do Equador, o Flu é o atual campeão brasileiro e tem feito boas campanhas nos últimos anos. Namora com a taça – tem seis participações e foi sétimo neste ano – mas começou mal o Brasileirão 2013 e terá de suar para chegar à Libertadores por essa via. Por outro lado, está na Copa do Brasil – outrora o caminho mais curto.

Outro vice-campeão continental que está na fila é o Atlético Paranaense. Depois de perder a final de 2005 para o São Paulo, não repetiu as boas atuações e até amargou uma Série B em 2011. Teve três participações no torneio continental – a última, no mesmo 2005 – e neste ano está mal no Brasileirão. O Furacão, a exemplo do Flu, também tem a Copa do Brasil como atalho para a glória.

Terceiro colocado no distante ano de 1963, o Botafogo é mais um dos grandes na lista de espera. Disputou a Libertadores em três ocasiões, sendo a última em 1996. Está na briga pelo Brasileirão 2013 e também está na Copa do Brasil.

Quinto colocado em 1989, o Bahia é outro que aguarda sua senha no painel. Participou três vezes da competição, sendo a última exatamente no ano de sua melhor campanha. No Brasileirão, está no meio da tabela, mas terá um atalho diferente para voltar à Libertadores: a Copa Sulamericana. Quem sabe um título continental seguido do outro?

O Coritiba é outro campeão brasileiro à espera da taça continental. Sétimo colocado em 1986, quando disputou a competição como campeão brasileiro, participou também em 2004 e não mais voltou. Briga na parte de cima da tabela no Brasileirão 2013 e pode tentar a volta também via Copa Sulamericana.

A lista dos grandes ainda sem Taça Libertadores se fecha com o Sport. Foi 11o colocado em 2009, quando disputou pela segunda e última vez a competição. Está na Série B nesta temporada, mas, curiosamente, pode disputar a Libertadores 2014: para tanto, precisa ganhar a Copa Sulamericana, competição na qual está por conta dos novos critérios da CBF.

  • Jejum e repeteco

Se quem ainda não ganhou a competição está sedento, a vontade dos que já faturaram em repetir não é menor. Dos 10 clubes brasileiros campeões da Libertadores, o maior jejum é o do Flamengo, campeão pela única vez em 1981. O Grêmio, bicampeão em 1995, já podia ter saído da fila, mas perdeu a decisão de 2007 para o Boca Jrs. Curiosamente, na sequência do jejum, está outro bicampeão que perdeu final recentemente: o Cruzeiro, que levou em 1997 mas perdeu para o Estudiantes em 2009.

Campeão em 1998, o Vasco aumenta a fila dos jejuantes, seguido do Palmeiras, que poderia ter levado o bi entre 1999 e 2000, mas perdeu a segunda final. Um pouco menos impacientes estão os torcedores do São Paulo, tricampeão em 2005. Assim como os do Internacional, que levou o bicampeonato na primeira das quatro finais seguidas com brasileiros em 2010. Depois de um longo jejum – desde a Era Pelé – o Santos também não tem muito do que reclamar, campeão em 2011. O Corinthians, por sua vez, ainda está em lua de mel com a torcida pelo belo ano de 2012. E o do Atlético-MG… esse então, acha tudo isso aqui uma grande festa!

  • Menções honrosas

Dois clubes brasileiros não se encaixam no perfil acima, mas merecem menção pelas ótimas participações em Libertadores. Vice-campeão em 2002, o São Caetano não conseguiu se fixar entre os clubes mais fortes do Brasil, mas fez belas campanhas no início dos anos 2000, incluindo dois vices no Brasileirão e três participações na competição continental. Hoje patina na Série B.

Outro que tem história para contar na Libertadores é o Guarani. O Bugre foi terceiro colocado em 1979 e também jogou por três vezes a Libertadores, sendo a última em 1988. Atualmente disputa a Série C do Brasileirão.

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Descontentes, atleticanos “vão pra rua” antes do jogo com o Corinthians

Movimento na internet quer mudanças no Furacão

“Vem pra rua” foi o hit da Copa das Confederações. Os protestos políticos esfriaram, mas a relação deles com o futebol ainda não terminou. Neste domingo (21), o Atlético recebe o Corinthians na Vila Capanema, em Curitiba. Na mesma data, torcedores organizam um protesto contra a situação atual do time e, por que não dizer, do clube.

Vice-lanterna do Brasileirão, o Furacão passou os primeiros 5 meses do ano em pré-temporada. Os resultados não vieram. De quebra, o maior rival, Coritiba, é o atual líder do campeonato sem ter aberto mão do Estadual – vencido pelo Coxa pela quarta vez consecutiva. Sem informações do clube que não sejam as oficiais, o torcedor ainda teve que aguentar um aumento de R$ 50 para os sócios, que já pagam mensalidade, usarem lugares cobertos na Vila Capanema, estádio que o clube alugou para a Série A. A derrota no Atletiba 357 esgotou a paciência da torcida, que promete ir às ruas reivindicar promessas da campanha eleitoral.

Cartaz que será colado nas paredes da Arena cobra promessas e postura da diretoria

Pelo menos é a ideia de Roni Rodrigues, faturista de 23 anos, torcedor do Atlético que é sócio do clube e teme novo rebaixamento, como em 2011. Ele mantém uma página de torcedores no Facebook com quase 8 mil pessoas chamada “Jofre Cabral”, nome de um dos mais importantes presidentes do clube. “Queremos o nosso Atlético de novo, o verdadeiro Furacão. O torcedor está cansado, está inseguro e queremos mudança, estamos com sede de mudança”, diz. Até o momento deste papo, quase 600 pessoas confirmaram que irão para a frente do estádio do clube, antes do jogo contra o Timão.

Rodrigues afirma que o protesto é apolítico – fato raro na vida do Atlético, com grupos bem divididos sempre às turras por conta do gênio do presidente Mário Petraglia. “Eu não faço parte de nenhuma torcida organizada, não conheço e nem tenho contato com nenhum diretor. Hoje o principal problema do Atlético é o futebol. Amargamos o meio da tabela ou brigando para não cair e é o que mais irrita o torcedor.”

O mote do protesto é o cartaz acima, que reúne promessas de campanha da Chapa “CAP Gigante”, que levou Petraglia de volta ao poder. “Será colado ao redor da Arena da Baixada com todas as promessas do nosso presidente e que até agora está deixando a desejar.” Petraglia, figura que mudou o status quo do Furacão, transformando um clube regional em uma potência nacional, desagrada a muitos pela personalidade forte e decisões centralizadoras, “O Atlético não tem dono e conta com uma torcida que deve ser ouvida, ele esquece disso”, diz o torcedor.

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Por decisão inédita, Atlético-MG desafia coincidências

Galo 4o colocado em 1978: campanha de 2013 já é melhor

O Atlético Mineiro precisa de uma vitória por 3 gols de diferença – ou ao menos um 2-0 para levar aos pênaltis – para chegar pela primeira vez à decisão da Copa Libertadores.

Para tanto, terá que superar o bom time do Newell’s Old Boys e algumas coincidências históricas. 

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Semifinalista pela última vez em 1978, o Galo também teve de enfrentar equipes argentinas. O regulamento era diferente. O então vice-campeão brasileiro (assim como agora) perdeu três dos quatro jogos que fez em um triangular semifinal contra River Plate e Boca Jrs., que acabou campeão. 

Contando outros torneios internacionais, outras coincidências. Na Copa Conmebol (atual Sulamericana) de 1998, quando foi semifinalista, acabou eliminado pelo Rosário Central – grande rival do Newell’s. Naquela oportunidade, no entanto, havia conquistado um grande resultado na Argentina, empatando em 1-1. Foi derrotado em casa por 0-1. Se conseguir reverter o placar contra o Newell’s, o Galo terá pela frente um adversário contra o qual já decidiu título: o Olímpia, rival na final da Copa Conmebol de 1992, da qual saiu vencedor.

Maestro do Atlético-MG, Ronaldinho também precisa superar alguns tabus. Nas semifinais internacionais que disputou, nunca reverteu o placar do jogo inicial. Campeão em 2004/05 pelo Barcelona, passou pelo Milan nas semis após vencer o primeiro jogo, 1-0. Em 2007/08 caiu na mesma fase ao perder para o Manchester United, que arrancou um 0-0 em Barcelona. Na última vez em que a Libertadores não teve um brasileiro sequer na decisão, em 2004, o técnico eliminado nas semifinais era Cuca. O atual comandante do Atlético-MG estava à frente do São Paulo, que acabou eliminado pelo surpreendente Once Caldas, da Colômbia. Victor, herói da classificação contra o Tolima, também terá que superar um tabu: nunca passou das semifinais da Libertadores. Em 2009, quando ajudou o Grêmio a ter a melhor campanha de toda a competição – a exemplo do Galo – acabou caindo frente ao Cruzeiro.

invicto há 52 jogos desde a reabertura do Independência, o Atlético Mineiro tem ao seu lado os números do novo alçapão e um pequeno tabu do lado do Newells. Os argentinos nunca eliminaram um brasileiro na competição. Nos dois encontros com o São Paulo, eliminação nas oitavas em 1993 e perda do título em 1992.

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Brasileirão, a máquina de moer técnicos

O futebol brasileiro já tem as novas arenas, trabalha bem o marketing e cobra preços de show por espetáculos ainda não tão prazeirosos. É a modernização que já está quase toda implementada fora de campo. Resta só que ela passe para o lado de dentro.

Silas (Náutico), Guto Ferreira (Ponte), Jorginho (Flamengo), Wanderley Luxemburgo (Grêmio), Muricy Ramalho (Santos), Ney Franco (São Paulo) e mais recentemente Ricardo Drubscky (Atlético) são as vitimas das seis primeiras rodadas do Brasileirão. Conte bem: sete nomes para seis rodadas. E enquanto você lê esse texto, é possível que mais um ou dois estejam com a demissão pronta.

A troca de técnicos é a saída mais fácil para que uma direção encubra falhas e tente realinhar o desempenho do time. Evidentemente, ninguém erra de propósito. Mas é muito mais simples mandar um funcionário embora do que 30. Especialmente quando muitos dos 30 são na verdade patrimônio dos clubes. É melhor apelar para a velha “chicotada psicológica” do que assumir que errou no planejamento, na contratação. Azar dos técnicos, mas ruim mesmo para as finanças e o torcedor.

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Os clubes invariavelmente arcam com multas altas ou o compromisso de manter o salário do treinador em dia após a saída. Os que não o fazem, arrumam um processo trabalhista para o futuro. Alguns fazem nova troca logo em seguida, o que só aumenta o bolo. Responsabilidade zero. E pior: sem solucionar o real problema.

Começa na avaliação. Você, leitor, em qualquer segmento que atue, certamente já passou por processo de seleção na hora de contratar. Avaliação de currículo, testes, provas, até que o empregador se convença de que você é o profissional com perfil indicado para aquela necessidade. No futebol isso é solenemente ignorado. Raramente alguém inicia um trabalho do zero; é sempre para sair de uma crise, com negociações em tempo recorde, a toque de caixa. Muitas vezes o real problema – má gestão de grupo, ambiente ruim, jogadores fracos – é ignorado. Um novo técnico traz novo ânimo. Será? Veremos abaixo.

O problema não está só na troca em si, mas principalmente na maneira com a qual ela é feita. Luxemburgo e Ney Franco foram demitidos de Grêmio e São Paulo imediatamente após o termino da Copa das Confederações. Ou seja, os clubes poderiam, cientes de que os profissionais já não serviam mais, buscar alguém que trabalhasse por um mês antes de estrear. Muricy foi demitido por telefone, após anos de serviços prestados ao Peixe. Mas ninguém fez pior do que o Atlético.

Se Ricardo Drubscky era ou não o único problema do vice-lanterna do Brasileirão, o tempo poderá mostrar. No entanto, o decantado projeto de uma pré-temporada com direito a excursão para a Europa, naufragou em meio a gestão centralizadora e autoritária do presidente do clube paranaense. O Atlético, por razões políticas, esticou o período de pré-temporada por 5 longos meses até o primeiro jogo oficial. A ideia era desvalorizar o estadual. No fim, acabou tendo que valorizá-lo, pois chegou a decisão. Perdeu, sem nunca testar seu time principal em jogos competitivos. Não aproveitou os talentos revelados no time B do Paranaense, perdeu o título, perdeu em imagem e perdeu a chance de avaliar o elenco. Jogou sem ritmo de jogo e agora demite o técnico, desperdiçando também a pausa da Copa. Quem chegar ao Furacão, seja jogador ou técnico, não aproveitará nada da pré-temporada.

Na contramão de tudo isso, não por coincidência, estão os líderes do Brasileirão. O Botafogo está com Osvaldo de Oliveira desde dezembro de 2011; o Coritiba, tem Marquinhos Santos no comando técnico desde setembro de 2012 ; Abel Braga dirige o Fluminense desde junho de 2011 e Caio Júnior é o que há menos tempo está no comando, entre os quatro primeiros: desde dezembro de 2012 é técnico do Vitória. O atual campeão mundial, Corinthians, está com Tite desde outubro de 2010 e o semifinalista da Libertadores Atlético-MG tem Cuca no comando desde agosto de 2011.

Não é difícil explicar o desempenho dos clubes. Difícil, muitas vezes, é fazer o simples.

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Ingleses escolhem Curitiba para democratizar Copa 2014

“As Copas normalmente são sobre os jogadores de elite do mundo mas o nosso objetivo é levar a Copa até aqueles que são esquecidos. Crianças de rua ou os menos afortunados que não podem ir aos jogos.”

A frase é de Craig Robson, parceiro de Michael Gardner, dois ingleses fanáticos por futebol – e pelo Newcastle United –  que escolheram Curitiba para um projeto social durante a Copa 2014, para ensinar inglês e até futebol a crianças carentes brasileiras. Será a terceira edição do projeto que começou em 2010 na África do Sul, passou pela Polônia (sede da Euro 2012) e chega ao Brasil sob o nome “Project Curitiba”.

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Democratizar o esporte e promover educação durante um ano no Brasil é o ideal de ambos, que ficarão como voluntários no País já a partir de janeiro de 2012. O trabalho será em comunidades carentes, habitualmente encrustadas em ambientes com alta criminalidade. Mas nem os protestos recentes quanto à política brasileira, com imagens de violência chegando ao exterior, chegam a inibir a realização do projeto.

“Na verdade, achamos o máximo ver os brasileiros mostrar algo positivo sobre o País. Não estamos assustados com a situação, achamos até que isso cria uma oportunidade positiva de mudança”, diz Gardner. “Quando ouvimos sobre desnutrição, falta de educação e em contrapartida os gastos para Olimpíadas e Copa do Mundo, talvez a gente se questione se esse dinheiro não poderia ser melhor gasto. Felizmente o Brasil pode realizar uma fantástica Copa e também mostrar que as pessoas se preocupam com a política”, completa.

E por que Curitiba, entre as tantas sedes? Fanáticos por futebol e pela seleção inglesa, Robson e Gardner sabem que terão pouca chance de ver o English Team na capital paranaense, que receberá apenas uma partida de cabeça de chave entre os quatro jogos que a Arena sediará. “Curitiba tem um ótimo sistema de transporte público, é uma cidade multicultural e achamos que será mais fácil manter um projeto lá do que em outros centros como Rio ou São Paulo. Além disso, o clima é mais familiar para a gente”, conta Robson, referindo-se ao frio – um susto previsto aos europeus que chegarem ao Brasil achando que só encontrarão altas temperaturas.

“Nós não vamos acompanhar a Inglaterra em outras cidades. Torcemos para que ela jogue em Curitiba, mas poderemos ver os jogos pela TV. Estaremos no Brasil para desenvolver um projeto, então ver os jogos nos estádios não é o mais importante. Talvez tenhamos sorte da Inglaterra jogar em Curitiba!”, torce Gardner. Atualmente, ambos realizam o “Brazil Day” em algumas escolas em Newcastle, cidade no norte da Inglaterra, um dia com atividades com futebol e cultura brasileira para crianças inglesas. Os dois já estão estudando português.

Sobre o futebol brasileiro, Robson e Gardner demonstram um bom conhecimento. “Conhecemos Santos, Gremio, Fluminense, muito porque grandes jogadores que nós crescemos assistindo saíram deles para os clubes europeus”, diz Robson, citando Ronaldinho, Ronaldo, Romario e Rivaldo. “Conhecemos também o Atlético, o Coritiba e o Paraná. Somos sempre perguntados para quem iremos torcer”, diz Gardner, “E certamente iremos a alguns jogos. O Atlético tem um ótimo time jovem e seus torcedores são únicos. O Coritiba tem o Alex, que nós conhecemos do Fenerbahçe e os torcedores têm sido ótimos com a gente. Chamamos eles de “exército verde”. Mas só iremos contar nossa torcida por aí (risos).”

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Sensação da Copa do Brasil vence no STJD, mas terá prejuízo

Naviraiense rumo a tóquio: a luta continua

O Naviraiense seguirá na Copa do Brasil. Depois de ter eliminado Portuguesa e Paysandu, pela frente, um campeão brasileiro, o Atlético. O sufoco nos tribunais, depois de um feito histórico ao tirar dois times de história maior no Brasil, é por si só um motivador para o jogo, agora sem a possibilidade de os confrontos serem em partida única. O time-sensação da Copa do Brasil até aqui festeja a vaga, mas terá que assumir um prejuízo financeiro.

Conversei há pouco com Dionédes Valentim Cerry, presidente do Naviraiense. Ele acabara de ter conhecimento da notícia de que venceu nos tribunais e não escondeu a euforia: “Vencemos! E por unanimidade do placar do STJD, 3 a 0!”. Dionédes aparentou ser uma pessoa de trato simples, mas com muita personalidade. Não deixou de esculhambar o Paysandu e provocar o próximo rival na Copa. “Sinceridade? Eu achava que o Paysandu era um time com mais tamanho no cenário nacional e que jamais ia querer ganhar no tapetão de um pequeninho como o Naviraiense. Mas levaram um 5 a 1 da gente: 0-1 pra eles aqui, 2-0 pra nós lá e 3 a 0 no tribunal.”

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Dionédes terá na verdade um prejuízo financeiro. Vice-campeão sul-matogrossense, o Naviraiense, de apenas 7 anos de fundaçào, tem uma folha mensal de R$ 100 mil. A previsão do clube era encerrar os trabalhos do ano em maio, já que o time não conseguiu vaga na Série D. Mas surpreendeu despachando Lusa e Papão. “Sim, claro que foi surpresa. Estamos correndo por fora como azarões. Mas olha, é que a gente tava causando surpresa pro resto do Brasil. Começamos pegando experiencia perdendo pro glorioso Santos Futebol Clube por dez a zero, mas aí fomos crescendo, depois tiramos a Portuguesa, o Paysandu e agora vamos tentar fazer com que o Furacão vire uma brisa e assim vamos tentando no cenário brasileiro.”

Para isso terá que renovar os contratos por mais 90 dias. A celeuma na justiça se deu por conta disso. Sem esperar passar pelo Paysandu, o clube se apoiou – e convenceu o STJD com essa norma – no artigo 41 do Regulamento Geral de Competições da CBF, que diz que todos os atletas tem o direito de atuar por mais 15 dias após o fim dos contratos. Foi o caso do atacante Bahia. Assim sendo, só com a Copa do Brasil pela frente, o Naviraiense terá que arcar com 300 mil reais para jogar com o Atlético. Por avançar na competição até esta fase, receberá R$ 400 mil, sendo que já abocanhou R$ 300 mil. Oito meses de folha a R$ 100 mil menos R$ 700 mil de ganhos, um prejuízo de R$ 100 mil. Pesado para um clube que se diz pequeninho. 

“Dinheiro não tem. Mas a união faz açucar e a força”, brinca Dionédes, “o nosso clube, nós não representamos só um clube. Nós somos uma cidade.”  A prefeitura de Naviraí, cidade com cerca de 50 mil habitantes, ajuda o clube. “Quem arruma o dinheiro somos nós, viabilizando patrocinadores”, conta Wilson Filho, chefe de gabinete da prefeitura. A cidade fez festa na noite desta quarta para a notícia da continuidade na Copa do Brasil. A secretária da prefeitura, que me ajudou com os contatos, não se acanhou em comemorar a vaga por telefone: “Graças a Deus, né?”

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