2o. Turno do Brasileiro: em que acreditar – e por que

Por que e em que acreditar nesse segundo turno do Brasileirão?

Vai começar o segundo turno do Brasileirão. É apenas simbólico. Na verdade, tudo continua como antes, apenas com a tabela com menos jogos pela frente. Mas o que é a vida senão uma sequência de interpretações simbólicas, como quando pulamos sete ondas e vestimos branco no ano novo? Poderia ser apenas mais um ciclo de 24h, mas não é. E se for para usar como impulso, porque não?

Sendo assim, farei uma análise técnica, apesar do momento ser puramente sentimental, do que esperar das equipes no segundo turno no Brasileirão 2011. A começar pela dupla da terrinha na Série A:

Atlético

1o. Turno: 17º lugar, 18 pts, 31.6%

Resumo: Viveu o pior início de Brasileiro de todos os tempos, conseguindo a primeira vitória somente na 11ª rodada, ao superar o Botafogo em casa (2-1). Foi o terceiro jogo de Renato Gaúcho no comando do Furacão; com ele, em 30 pontos, a equipe fez 17 – 56,6% de aproveitamento, o mesmo do Palmeiras, sexto colocado, o que fez o time se agarrar na esperança de repetir o feito do Grêmio/10 do mesmo Renato: da ZR para a Libertadores.

Renato: com ele, o Atlético mudou (foto: Joka Madruga)

Pior momento: A derrota para o Fluminense (1-3), na 7ª rodada, com erros do então goleiro Márcio e do zagueiro Rafael Santos. A equipe completava a sexta derrota em sete jogos e o único ponto fora conseguido em casa, no empate com o Flamengo (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2), em confronto então direto, já que o Peixe de Neymar amargava a ZR. Era o início da reação que chegou a tirar o Furacão da ZR por uma rodada – o que pode voltar a acontecer se vencer o xará mineiro nesta quarta.

No que acreditar: Nas mudanças que já aconteceram e nas que podem vir, como a chegada de algum centroavante (pedido insistente do técnico) ou o retorno e decolagem dos gringos Morro Garcia, Nieto e/ou Guerrón. Para entender o que já mudou, vamos ver as diferenças entre o time da estréia e o provável time do início do 2º turno:

1ª rodada: Atlético-MG 3-0 Atlético

Renan Rocha; Rômulo (Wendel), Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Cléber Santana (Adaílton), Paulo Roberto e Marcelo Oliveira; Paulo Baier (Madson) e Guerrón.
Técnico: Adilson Batista

Em negrito estão os jogadores que deixaram o time titular do Atlético de lá para cá; alguns sequer são opções do novo treinador, Renato Gaúcho. Do banco ao ponta, nada menos que seis mudanças em relação ao provável time:

20ª rodada: Atlético x Atlético-MG

Renan Rocha; Wagner Diniz, Gustavo, Fabrício e Paulinho; Deivid, Kleberson, Cléber Santana, Marcinho e Madson; Edigar Junio.
Técnico: Renato Gaúcho

Do time acima, além da recuperação do futebol de Cléber Santana e da entrada de Fabrício, destaca-se o crescimento de Deivid e a chegada de Marcinho, ao lado de Renato, símbolo da recuperação atleticana.Vale dizer que a escalação acima está sem dois titulares: o zagueiro Manoel e o lateral-direito Edilson. Aposta ainda nas recuperações físicas de Paulo Baier e Paulo Roberto e nas recuperações técnicas de Madson e do trio de ataque internacional.

Com o que se preocupar: Não tem atacantes. Como futebol tem por base o número de gols marcados, é alerta vermelho nesse item. Também depende da estabilidade emocional do técnico Renato Gaúcho e da permanência do mesmo até o final do ano, já que o “projeto” passa totalmente por ele. Se acontecer o mesmo que em 2010, quando Carpegiani trocou o clube pelo São Paulo FC, pode dar problema.

Projeção: Escapa do rebaixamento, mas não aspira nada mais que a Copa Sul-Americana. Para tanto, precisa de cerca de 26 pontos em 57, 45,6% – menos que o índice atual de Renato.

Coritiba

1o. Turno: 9º lugar, 26 pts, 45.6%

Resumo: Começou o campeonato dividindo atenções com a Copa do Brasil, da qual foi finalista. Com o passar dos jogos, deu a impressão de ter sentido a perda do título da copa e de não estar 100% no Brasileiro. Faz uma campanha regular – ótima para um clube que esteve à beira da falência em 2009-10 – mas aquém do que a equipe demonstrou ter poder para fazer e abaixo da exigência da torcida, que ficou com um gosto de “quero mais” ainda em 2011.

Pior momento: Pode ser considerado o jogo contra o São Paulo FC em casa (3-4), quando chegou a estar perdendo por 0-4 e atuando com um homem a menos. Ainda assim, o Coxa não teve um momento ruim: acabou diminuindo suas pretensões em pequenos tropeços, como na estréia com o Atlético-GO (0-1) ou empates em casa com Inter (1-1) e Palmeiras (1-1).

Melhor momento: A vitória sobre o Santos (3-2) na Vila Belmiro, épica. Virou uma partida contra um adversário em recuperação, com Neymar e Borges no ataque, superando uma arbitragem confusa, que errou em demasia, em especial em um lance claro de pênalti em Leonardo. Ali, provou que as cobranças da torcida por melhores resultados tem fundamento.

No que acreditar: Na qualidade do elenco, que em 2011 já demonstrou que pode mais do que vem fazendo, em jogos como o 6-0 no Palmeiras pela Copa do Brasil e nas goleadas nos Atletibas, 4-2 e 3-0. A perda preciosa de pontos contra adversários diretos em casa e resultados ruins contra times em situação inferior na tabela desanimaram, mas sabe-se que o time tem potencial. Em relação a estréia no campeonato, pouco mudou, o que fortalece o conjunto:

1ª rodada: Coritiba 0-1 Atlético-GO

Edson Bastos; Jonas (Willian), Cleiton, Emerson e Lucas Mendes (Geraldo); Leandro Donizete, Léo Gago, Rafinha e Davi; Anderson Aquino (Éverton Costa) e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Em negrito, os jogadores que não vêm sendo muito utilizados – Cleiton, por exemplo, foi emprestado e se machucou. Levando-se em conta os desfalques de Tcheco e Jéci por suspensão, o Coxa estréia no returno assim:

20ª rodada: Atlético-GO x Coritiba

Edson Bastos; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Leandro Donizete, Léo Gago, Willian e Rafinha; Marcos Aurélio e Bill.
Técnico: Marcelo Oliveira.

Na rápida comparação, o time é praticamente o mesmo da estréia e quem não estava, pode ser considerado reforço. Pereira é segurança na zaga, apesar de ter dificuldade em jogadas mano a mano; Willian ganhou o respeito da torcida e o titular, Tcheco, dá ritmo a meia-cancha mais do que Davi fez enquanto teve chances; e Marcos Aurélio é mais atacante que Anderson Aquino.

O otimismo com o Coritiba é justificável se os próprios jogadores reencontrarem o nível de atuações que vinham tendo no Estadual, na Copa do Brasil e em algumas rodadas do Brasileiro.

Coxa comemora: segredo está no elenco

 

Com o que se preocupar: Com a fase de Edson Bastos. A muralha alviverde vive período conturbado, cobrada pela torcida. Pode sentir e goleiro, como diz a música, não pode falhar. Também tem carências no ataque, ressentindo-se de um matador; Bill oscila bons e maus jogos, o que explica também a oscilação do time.

Projeção: Classifica-se ao torneio consolação, a Copa Sul-Americana. Para fazer mais, precisará somar 33 a 34 pontos em 57, 59,6% de aproveitamento – é o índice que tem hoje o Botafogo, detentor da vaga que o Coxa aspira.

E os demais?

América-MG (20º/13pts): Dificilmente escapa do rebaixamento. Será decisivo em jogos contra rebaixáveis e aspirantes ao título: quem perder pontos para o Coelho, estará em maus lençóis.

Atlético-GO (12º/25pts): Brigará para não cair no final do campeonato, mas é um dos que menos corre riscos. Ficará com vaga na Sulamericana.

Atlético-MG (19º/15pts): Vive situação dramática, mas tem elenco, torcida e camisa. Vai até o fim brigando para não cair. A sequência de derrotas com Cuca (o coxa-branca sabe) pode ser fatal.

Avaí (18º/17pts): Já demonstrou que não vai se entregar com facilidade, em jogos contra Figueirense e São Paulo. Mas é outro que briga para não cair com dificuldades.

Bahia (16º/20pts): Não está fácil ser um dos primeiros do alfabeto: também brigará para não cair. Está em decadência e perdeu Jobson por problemas extracampo. Amargou anos nas divisões inferiores e, apesar da gigantesca e apaixonada torcida, terá dificuldades quando precisar de fôlego.

Bahia: só com muita fé do povão

 

Botafogo (5º/34pts): Vai chegar a Libertadores. Tem elenco e um bom técnico, Caio Júnior. Desta vez a frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” não irá emplacar.

Ceará (13º/25pts): Enganou bem, mas vai acabar brigando para não cair. Tem um time envelhecido e instável.

Corinthians (1º/37pts): É líder e vai até o final brigando pelo título com Flamengo e São Paulo. E se acostume, porque com os novos valores das cotas de TV, será assim até o fim. Meu palpite? Não fica com a taça.

Cruzeiro (7º/ 27pts): Está abaixo do que pode render. Depende demais de Montillo em dias inspirados. Mas pode engrenar e ser o principal adversário do Botafogo na briga pela Libertadores.

Cruzeiro e a Montillodependência

 

Figueirense (10º/26pts): Sabe aquela equipe que fica o campeonato inteiro no meio da tabela e quando menos percebe, está ameaçada de rebaixamento? Então, é o Figueira.

Flamengo (2º/36pts): Está em segundo, mas pela campanha no ano, o técnico que tem (Luxemburgo) e os craques Thiago Neves, Ronaldinho, mesmo dependendo de Deivid ou Jael, é o favorito para o título. Poderá ser Hexa em 2011.

Ronaldinho tem feito a diferença no Fla

 

Fluminense (11º/25pts): O atual campeão brasileiro não cai, não vai disputar título, não vai para a Libertadores… 2012 tá aí.

Grêmio (15º/21pts): Viverá um final de ano dramático. Vai até o fim brigando para não cair. Ao lado de Atlético e Atlético-MG, é daqueles que tem de onde tirar recursos quando o cinto apertar de vez.

Internacional (8º/27pts): Sonha com a Libertadores e tem elenco e estrutura para tanto. Terá que correr para pegar Cruzeiro e/ou Botafogo. É o que menos tem chances dos três.

Palmeiras (6º/32pts): Só Felipão salva. Assistir o Palmeiras jogar é um desafio a compreensão do porquê o Alviverde paulista está entre os postulantes à Libertadores. Construindo estádio, não terá fôlego para a briga. Sulamericana à vista.

Santos (14º/22pts): Fará uma campanha de recuperação no 2º turno e chegará entre 12º e 8º lugar antes de ir medir forças com o Barcelona e outros menos famosos no Mundial de Clubes.

São Paulo (3º/35pts): Acabará sendo o principal obstáculo do Flamengo ao Hexa. E pode ser Hepta, coroando de vez a era Rogério Ceni. Tem força, elenco e vai brigar até o fim.

Vasco (4º/35pts): Com a missão do ano cumprida, já achava difícil que o Vasco tivesse pernas para ir até o fim sonhando com a dupla coroa nacional; sem Ricardo Gomes, vai depender muito de como a equipe e a diretoria reagirão ao que acontecer com o treinador.

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Que beleza de camisa! #8: Londrina

"Ôoooo... o Tubarão voltôoo, o Tubarão voltôooo-ô!"

Terça-feira e o blog mantém a tradição: é dia de Que beleza de camisa! E o clube homenageado de hoje não poderia ser outro que não o Londrina, potência do norte do Paraná, que no último domingo recuperou em campo seu espaço entre os maiores clubes do Estado. Como estamos falando do Tubarão, dose dupla de beldades nas fotos: a @carolboadebola usa o modelo de 2009, último usado na elite, e a @kellypedrita usa o modelo de 2001, ano em que o Tubarão aplicou a maior goleada da Série B: 7-0 na Desportiva-ES.

Que beleza de camisa!

#8 Londrina Esporte Clube

Quem é? Um dos grandes do futebol paranaense, fundado em 05 de abril de 1956.

Já ganhou o que? Campeão Brasileiro da Série B (198o), 3x Campeão Paranaense (1962, 1981 e 1992) e 3x Campeão do Norte Paranaense (1957, 59 e 62).

Grande ídolo: Indiscutívelmente, o maior ídolo do Londrina em todos os tempos é o atacante Carlos Alberto Garcia, que defendeu o Tubarão na década de 70 e meados de 80, quando voltou ao Tubarão, após rápidas passagens por Vasco e Grêmio Maringá, e conquistou o Paranaense de 1981. O grande momento de Garcia com a camisa alviceleste foi em 1977, na campanha do 3o. lugar no Brasileiro daquele ano – a melhor entre os paranaenses até então. O time superou Corinthians-SP, Flamengo, Santos e Vasco e só parou no Atlético-MG de Reinaldo, que seria vice-campeão invicto. Nos anos 2000, Garcia foi presidente do LEC.

Apelidos: Tubarão, LEC.

Como anda? Acaba de retornar a elite do futebol paranaense, após dois anos disputando a Série Prata. É dirigido por Sérgio Malucelli, irmão do presidente do Atlético, Marcos Malucelli, primo do ex-presidente do Coritiba, Joel Malucelli, e ex-gestor do Iraty. Disputará em 15 dias o título da Série Prata, ou contra Toledo, ou contra o eterno rival, Grêmio Maringá. A promessa, no entanto, é a disputa do título estadual da elite, ganho pela última vez há 18 anos, segundo matéria do site LECMania. No link abaixo, você vê o gol que deu o acesso ao Londrina, na vitória contra o Nacional:

Curiosidades: Foi fundado a partir da criação do Nacional Atlético Clube, de Rolândia, cidade vizinha (curiosamente, o mesmo time com quem disputou o acesso este ano). A idéia dos irmãos Andrade (Luciano e Luiz) e de um grupo de 12 pessoas resultou no Londrina Futebol Clube, que logo se tornaria Londrina Futebol e Regatas; em 1969 juntou-se ao outro time da cidade, o Paraná Esporte Clube, anexando-o e adotando o nome Londrina Esporte Clube. Mas a melhor história está fora das quatro linhas, descrita no livro “Londrina Esporte Clube: 40 anos”, de J. Mateus, e reescrita por mim abaixo:

Em 1957, Londrina e Mandaguari disputaram o 1o. campeonato do norte, que disputava um campeonato diferente do Paranaense da chave sul – eram dois os campeões estaduais até 1959, quando os dois campeões passaram a se enfrentar. O jogo, em Mandaguari, foi disputado em um estádio acanhado, onde se cabia uma equipe de rádio. Houve um sorteio entre as rádios Londrina e Paiquerê – e deu Londrina, que mandou o narrador Augusto Reis para a cidade próxima de Maringá.

A Rádio Paiquerê, no entanto, tinha maior audiência e não iria ficar fora dessa. Decidiu-se que o narrador Willy Gonser iria “dublar” a narração, ou seja: ouviria o que Reis narraria e então repetiria no seu microfone.

O Londrina precisava da vitória para ser campeão. E vencia por 1 a 0 quando, aos 44 do segundo tempo, o juiz apitou pênalti para o Mandaguari. Os corações em Londrina palpitaram: era Felix Lescaño, craque do time rival, quem iria para a cobrança.

Willy Gonser escutava atentamente a descrição do momento feita por Augusto Reis. Mas uma tempestade em Londrina mudou os planos do narrador. A energia elétrica da região onde estava sediada a Rádio Londrina caiu – e todos os ouvintes passaram a ouvir a Paiquerê. Gonzer enrolou, descreveu confusão no gramado, fez o que pôde para ver se a luz da rádio concorrente voltava. Mas não tinha jeito. E já tinham se passado alguns minutos. Gonser decidiu “bater” o pênalti. E o fez:

– Correu pra bola Felix… bateu… GOOOOOOOOL… do Mandaguari…

Tristeza em Londrina.

O jogo acabou ali e o LEC era vice-campeão. Mas…

Eu e Willy Gonser, antes de Coritiba x Atlético-MG em 09 no Couto Pereira

…Lescaño, sem seguir a recomendação de Gonser, bateu para fora. O Londrina garantiu a vitória por 1-0 e ficou com o título do primeiro campeonato do Norte! Na madrugada, ao chegar de ônibus, a delegação alviceleste, embriagada de alegria, se decepcionou: nenhuma alma estava ali para comemorar o título. Ao contrário: muitos só acreditaram na conquista ao ver a taça!

Gonzer se mudou para BH e se tornou um dos maiores narradores esportivos do País.

O Londrina e o futebol paranaense: Time de grande tradição, três vezes campeão estadual, terceiro colocado entre os paranaenses no ranking da loteria “Timemania”, em que se aposta no clube do coração, coube ao Londrina o primeiro destaque do Estado no Brasileirão, desde que ele é assim conhecido (1971). Foi em 1977, quando chegou as semifinais após vencer o Vasco em São Januário, no jogo que é recorde de público do estádio (40.209 pessoas). Os gols estão nesse vídeo:

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