O outro lado de Anfield Road

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Anfield Road é um dos estádios mais míticos do futebol mundial. A casa do Liverpool, que nesse final de semana abriga o derby da cidade contra o Everton, é conhecida pela pressão nos adversários causada pela fanática torcida vermelha. “You´ll never walk alone”, uma música de 1945 que, em seu refrão, diz que “você nunca andará sozinho”. É o que está no portão de entrada de Anfield. Mas não é o que se vê no bairro, abandonado em quase todo o entorno do estádio, com afixação de cartazes como o da foto acima. Por conta de “abandono de projeto” (dereliction by design, como consta no cartaz), quase todos os vizinhos simplesmente abandonaram suas casas ao redor do estádio e hoje brigam contra o Liverpool FC e a prefeitura da cidade para serem indenizados. A foto abaixo ilustra bem a “cidade fantasma” ao redor de Anfield:

Portas fechadas em plena tarde de terça: Anfield é um bairro-fantasma
Portas fechadas em plena tarde de terça: Anfield é um bairro-fantasma

A briga começou em 1996, quando o Liverpool decidiu ampliar seu estádio, melhorando o padrão em relação a outros da Premier League. O conselho da cidade – leia-se prefeitura – deu apoio e começou então o processo de compra das casas. A própria prefeitura adquiriu alguns imóveis em benefício do clube. Próximo a Anfield está o Stanley Park, que seria integrado ao complexo novo com o apoio da cidade. O Everton, outro time da cidade, também seria beneficiado de certa maneira. O parque Stanley separa os estádios de ambos (Goodson Park de Anfield) com 1km de distância. Nem todos os donos, porém, aceitaram os valores. A partir dali instaurou-se uma guerrilha econômica.

Cerca de 10 proprietários não fecharam negócio e impediram o clube e a prefeitura de levar adiante o projeto nos últimos 18 anos. Dentro do direito de propriedade, eles entendem que a oferta não é boa suficiente para fechar negócio. No entanto, com as demais casas compradas – e desocupadas – o bairro foi ruindo. As pessoas que fecharam negócio foram deixando suas casas, as lojas foram fechando as portas. O bairro se tornou fantasma.

Uma associação de moradores que permanece com a posse das casas protesta contra a forma “vampiresca” com a qual a cidade e o clube pressionam para a desocupação total da área. Do outro lado, uma região grande de Liverpool – uma cidade de 450 mil habitantes – está completamente parada, atrasada em seu desenvolvimento, o que causa revolta em outros moradores. Discute-se inclusive a construção de um novo estádio para o Liverpool dentro do Stanley Park, como solução para o impasse. Além dos custos da nova obra, o Liverpool e a cidade podem ainda ter que arcar com indenizações que giram em torno de 500 mil libras por casa, em avaliação sobre a perda de receita pela falta de uso das casas.

No último dia 31 de maio as partes se reuniram, mas não firmaram um acordo. A prefeitura deu indícios de que pode fechar acordo com três dos proprietários dissidentes. É um avanço, mas que pode ainda estar longe de ser a solução para o caso.

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Curiosamente, o período da discussão sobre Anfield marca também o declínio do domínio dos Reds no futebol inglês. Até 1996 o Liverpool era o maior campeão inglês, com 18 conquistas (a última na temporada 1989-90). De lá para cá, e já durante a discussão, viu o Manchester United, então com 11 conquistas, ultrapassar o número de taças e se tornar o rei da Premier League, com 20 títulos.

Sábado, quando milhares caminharem rumo a Anfield para ver o duelo entre Liverpool e Everton, o bairro deixará de ser fantasma, ao menos por 90 minutos. Depois, Anfield voltará a estar sozinho, apesar da mensagem em seu portão.

 

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Super Bowl: quem será o dono do Mundo na NFL?

por André Tesser*
 
Depois de 21 semanas, a temporada 2013/2014 chega ao seu grand finale nesse domingo, dia 02/02/2014 com o Super Bowl XLVIII. O jogo é o evento esportivo que, individualmente, mais rende em termos financeiros. Um intervalo de apenas 30 segundos durante o jogo está sendo vendido por mais de 4 milhões de dólares! Também pudera: espera-se que mais de 100 milhões de espectadores somente nos EUA, quase um terço da população daquele país.
Quis o destino que as duas melhores campanhas de suas respectivas conferências se encontrassem no ato final de uma temporada que foi sensacional. Do lado da NFC, o quase novato em finais Seattle Seahawks disputa o segundo Super Bowl de sua história, o que somente aconteceu em 2006 (temporada 2005-2006), quando perdeu para o Pittsburgh Steelers. Pela AFC, o bicampeão Denver Broncos, que disputa seu sétimo Super Bowl, volta a disputar o título, o que não acontecia desde sua segunda conquista em 1999 (temporada 1998-1999).
 
Mesmo tendo feito campanhas parecidas (para não dizer iguais, pois ambos têm 15 vitórias e apenas três derrotas na temporada), os times são muito diferentes. Desde suas principais armas para a vitória, passando por sua experiência em finais da NFL, com quarterbacks tão diferentes e treinadores com estilos distintos, Broncos e Seahawks podem ser vistos como duas equipes com características muito opostas.
Porém, em uma coisa as duas equipes são muito parecidas. São times que parecem muito prontos para vencer o Super Bowl.
 
O jogo acontece às 21h30’ (horário de Brasília) e a ESPN começa sua transmissão nacional às 21h00’. A partida deve ser eletrizante, equilibrada e não há um favorito claro. A única coisa ruim do Super Bowl é que, ao seu final, lembramos que faltarão nove meses para que a NFL volte a ter jogos valendo…
Propomos uma análise simples dos times, focando nas suas armas para a vitória. Sem descuidar, ao final, do nosso já conhecido palpite.
 
SEATTLE SEAHAWKS
A força de Seattle vem, primordialmente, de sua defesa. Uma linha defensiva boa contra o jogo corrido e a melhor secundária da Liga fizeram do time a melhor defesa da NFL. O Seahawks foi a equipe que menos cedeu pontos (231), com o menor número de jardas totais cedidas (4378), menor número de jardas cedidas por jogada (4,4), maior número de turnovers forçados (39) e o maior número de interceptações (26). São estatísticas impressionantes, reforçadas pela atitude extremamente agressiva de sua defesa e que foi, em boa parte, ajudada pelo barulhento estádio que é a casa do time de Seattle. Os destaques defensivos são o safety Earl Thomas, e o cornerback Richard Sherman, que se auto-intitula o melhor da Liga em sua posição.
 
O ataque tem no seu signal caller, o quarterback Russell Wilson o seu regente. Muito bom com as pernas, com muita agilidade para sair do pocket e se livrar da pressão adversária e ainda com muita velocidade e explosão para ganhar jardas correndo, Wilson também é capaz de grandes big plays que podem decidir jogos. Basta lembrar uma campanha decisiva contra o 49ers na final da NFC, em que ele estava num 3rd down para 25 jardas e depois numa quarta descida para 7 jardas e conseguiu o TD que virou o jogo de forma definitiva para Seattle. Seus alvos principais têm sido o wide receiver Golden Tate e o tight end Zach Miller. Percy Harvin, também wide receiver, é outro alvo com grande potencial, mas que foi atrapalhado por contusões na temporada e ainda é uma incógnita.
 
Mas, o ataque do Seahawks é mesmo poderoso por causa de Marshawn “The Beast” Lynch. Retraído, tímido e que não gosta muito de holofotes fora do campo, dentro dele o principal runnig back de Seattle se transforma. Forte, ágil e rápido, é capaz de furar linhas defensivas potentes, ganhar muitas jardas depois do primeiro contato quebrando tackles (para se ter uma ideia, Lynch teve 45,7% de suas jardas depois do primeiro contato!). Sua média nos playoffs foi de 5 jardas corridas por tentativa, com três TD’s. A matemática é simples: aplicando-se isso sempre na primeira descida, Lynch colocaria Wilson em situações de segunda descida para 5 jardas. Isso permite que o quarterback de Seattle permaneça bastante tempo em campo, controlando o relógio, o que deve ser chave para vencer Denver, se Peyton Manning ficar a maior parte do jogo apenas olhando a partida da sideline.
O maior problema de Seattle talvez resida na sua linha ofensiva, que permitiu 44 sacks ao seu quarterback durante a temporada regular. Isso aconteceu muito em razão das inúmeras contusões na unidade.
 
DENVER BRONCOS
Se Seattle é a melhor defesa da NFL, o Broncos de Peyton Manning é o melhor ataque da Liga. Durante a temporada regular, Denver massacrou seus adversários com a melhor marca ofensiva da história da NFL, batendo o recorde de número de pontos anotados em um único ano (603), com Manning quebrando recordes para fixar a melhor marca de todos os tempos em jardas passadas (5.477) e TD’s (55). A quase inacreditável perfomance de Denver na temporada regular não se repetiu muito na postseason. Mas, ainda assim, Peyton levou seu time sem grandes sustos ao Super Bowl (terceiro de sua carreira, tendo vencido um e perdido outro, ambos quando ainda jogava pelo Indianapolis Colts).
 
Naturalmente, Peyton Manning é o fator diferencial do ataque massacrante de Denver. Com duas vitórias nos playoffs, o quarterback do Broncos parece disposto a arremessar para a end zone de forma definitiva a fama (para alguns, injusta) de amarelão em postseason. Se seu rival no Super Bowl é um QB de mobilidade, mais ágil com as pernas, Manning é daqueles quarterbacks cerebrais. Sua capacidade de ler a defensa adversária e mudar a jogada na linha de scrimagge, aliada aos seus passes precisos, o torna letal quando tem tempo para lançar a bola. Ao mesmo tempo, as diversas temporadas apanhando das defesas adversárias quando ainda estava em Indianapolis, fizeram de Peyton um especialista em achar passes rápidos e curtos e usar o no huddle para dificultar o posicionamento defensivo, inclusive impedindo substituições importantes nos adversários.
 
Claro que, sem alvos confiáveis, um quarterback não consegue números expressivos. E Manning teve ao seu lado os wide receivers Wes Welker, Eric Decker e Demaryius Thomas e o tight end Julius Thomas como fontes seguras para seus passes.
O ataque de Denver também foi ajudado pelo seu ótimo jogo corrido, com os running backs Knowshon Moreno e Montee Ball revezando-se nos snaps para colocar Peyton em situações mais confortáveis de segundas e terceiras descidas.
A linha ofensiva do Broncos também fez sua parte. O entrosamento permite que o jogo corrido funcione e, mais ainda, que Manning tenha relativa tranqüilidade com a bola nas mãos. A unidade de Denver permitiu que seu quarterback fosse sacado apenas 18 vezes na temporada, média de pouco mais de 1 por jogo (lembre-se que Seattle permitiu que Russell Wilson fosse sacado, em média, quase 3 vezes por jogo).
A defesa de Denver não está no mesmo nível de Seattle (bom, e qual defesa da Liga, está?). Mesmo assim, é uma unidade que consegue pressionar bastante o quarterback adversário, ainda que não conte com sua estrela Von Miller. Considerando que o pior setor do Seahawks é sua linha ofensiva, isso não é uma boa notícia para Russell Wilson. Todavia, o Broncos sofre contra o jogo corrido e isso deve fazer do handoff para Marshawn Lynch a arma contra uma linha ofensiva muito forte. A secundária do time do Colorado também não é das mais confiáveis, e a capacidade de big plays de Wilson pode render bons frutos ao Seahawks.
 
PALPITE
Não dá para esperar outra coisa senão um jogo emocionante quando se enfrentam o melhor ataque e a melhor defesa da Liga. Valendo o troféu Vince Lombardi e os aneis de campeão, a partida promete esquentar a gélida Big Apple de domingo. Aliás, o frio gelado deve ser outro fator importante ao jogo, pois pode limitar as ações aéreas de Peyton Manning e seus recebedores e, naturalmente, trazer problemas para o Broncos. Será que o quarterback de Denver vencerá mais esse desafio, e derrubará também o mito de que não joga bem no frio? Contra uma defesa forte e agressiva, fico a me perguntar que coelhos Peyton ainda pode tirar de sua cartola, ao que parece, comprada em Omaha.
Uma máxima da NFL é a de que ataques ganham jogos e defesas ganham títulos. Isso se revela ainda mais impressionante quando se tem em mente que, antes do Broncos de Manning, os seis melhores ataques da história da temporada regular não venceram o Super Bowl (em três delas, perdendo a partida final). Por outro lado, quatro das sete melhores defesas da história da NFL (desde que se adotou o formato com 16 jogos na temporada regular) levaram para casa o tão cobiçado título da Liga.
 
O Denver de Peyton quebrará mais essa escrita?
 
O palpite desse humilde escriba é de que, pela primeira vez  desde o título dos Sonics na NBA em 1979, Seattle comemorará um título de liga profissional norte-americana.
 
*André Tesser é amigo do blog e fala de NFL por aqui.

Os nomes de times mais esquisitos da Liga Europa

Lyon e Tottenham se enfrentam na Liga 2012/13: nada é o que parece

A fase de grupos da Liga Europa vai começar! E o Terra irá transmitir todos os jogos até a decisão, a partir desta quinta-feira. Portanto, é hora de conhecer os clubes que formam essa charmosa competição, que abriga grandes clubes ao mesmo tempo em que dá espaço para equipes de menor porte. Na edição 2012/13, o Chelsea bateu o Benfica na final e comemorou o título. Nesta temporada, enquanto aguardam os clubes que saem da Liga dos Campeões para a disputa da outra competição continental européia, será possível se divertir e se surpreender com alguns clubes de toda a Europa. 

Apresento então alguns nomes que você nunca imaginou que seriam de times de futebol.

Olympique Lyonnais

Nada demais: são apenas os olímpicos lioninos, gentílico de quem nasce em Lyon, na França. Na verdade, o que chama mais a atenção aqui é o fato de quem pouca gente chama o clube pelo nome correto, optando mais pelo nome da cidade, Lyon. Seria o mesmo que chamar o Atlético Mineiro apenas de “Minas” ou “Atlético Minas”.

Tottenham Hotspur

Os Esporas Quentes da Fazenda do velho Tota é um clube voltado para a literatura – pelo menos é o que conta a etimologia. Fundado em 1882 originalmente Hotspur (Espora Quente) FC, em virtude do personagem de Shakespeare Harry Hotspur, incorporou o nome do bairro Tottenham para diferenciar-se de outro Spurs. O bairro, por sua vez, ganhou o nome por constar no Doomsday Book do Rei Guilherme I – uma espécie de censo britânico de 1000 D.C. – como uma região rural cujo dono chamava-se Tota.

Bordeaux

Ou, para os patrícios portugueses, Bordéus, o que nos induz a uma pequena confusão com “bordel” ou, no popular, zona, prostíbulo. Na verdade, a cidade de Bordeaux tem origem numa fundição de ferro, Bordigala em aquitano, lingua do século III A.C. O clube, a exemplo do Lyon, tem outro nome – usado até no site oficial: Girondins (Girrondã), que seria algo como “ginastas”. Assim, o Bordeaux é, na verdade, o Clube dos Ginastas da Fundição de Ferro. Graça e força em um nome só.

Swansea City 

Esse é fácil e o escudinho ajuda: Associados da Cidade do Cisne do Mar Futebol Clube. Swansea é uma cidade portuária no País de Gales, no Reino Unido. Disputa a Liga Inglesa assim como outros 5 clubes galeses, uma vez que a Liga do País de Gales só foi fundada em 1992. As ligas são integradas somente na FA Cup, a Copa da Football Association, a CBF do Reino Unido. Gales tem sua própria seleção de futebol, mas se une ao Reino Unido nas Olimpíadas.

PAOK

Clube Atlético dos Cidadãos de Tesalonica retirados de Constantinopla. Isso é o PAOK, que faz menção à expulsão dos gregos residentes na hoje chamada Istambul, na Turquia, já no século 20, quando da queda definitiva do Império Bizantino. A expulsão dos gregos aconteceu em 1920 e o clube foi fundado em Tesalonica, 2a maior cidade grega, em 1926, apenas seis anos depois.

Dnipro Dnipropetrovsk

O rio Dnieper ou Dnipro

Dnipro, ou Dniepre, é um rio que cruza a Rússia, a Bielorussia e a Ucrânia, país sede do clube e da fábrica de metalurgia Petrovsky, cujos operários formaram em 1918 um time de futebol. Petrovsk faz menção a Piotr ou Pedro, em russo e ucrâniano. Logo, o FC Dnipro é na verdade o Clube de Futebol dos Operários da Metalurgica Pedro do Rio Diniepre.

Trabzonspor

Mais um fácil de desvendar: “Spor” é Esporte e Trabzon, o nome da cidade. Completando com o Kulubu, temos o Trabzon Esporte Clube. Foi território grego e pertencente ao Império de Trebizonda.

Maccabi Haifa / Maccabi Tel-Aviv

Maccabi, em Hebraico, quer dizer coragem ou vitória. Haifa e Tel-Aviv são cidades de Israel. Logo, temos aqui os xarás do baiano Vitória. Ambos são FC, ao contrário do EC do brasileiro.

Sheriff Tiraspol

Outro caso em que o nome da cidade ganha mais evidência que o do clube. Tal qual o América Mineiro – que é na verdade América Futebol Clube – o Sheriff se chama FC Sheriff. Fundado em 1997, seu nome faz referência ao primeiro patrocinador, uma companhia de segurança da Moldávia, país que compunha a antiga URSS.

Chornomorets Odessa

Odessa é o nome da cidade ucraniana que abriga o clube, próxima de um lago que secou e abrigou por muitos anos um grande vale. Nele, atletas amadores jogavam futebol e ficaram conhecidos como os “Homens do Mar Negro” – ou Chornomorets, em ucraniano. Logo, temos aqui o FC Homens do Mar Negro de Odessa.

Ludogorets Razgrad

Sediado em Razgrad, na Bulgária, o Ludogorets Clube de Futebol Profissional faz menção à região de Ludogorie, conhecida por ser uma região de floresta selvagem. O nome, Ludogorets, significa Floresta Louca. Pela imagem, não dá pra discordar.

Shakhter Karagandy

O time do Cazaquistão ganhou notoriedade ao sacrificar um carneiro em oferenda à possibilidade de eliminar o Celtic na fase de play-offs da Liga dos Campeões. Não deu – pobre carneiro. O nome, assim como o quase xará de Donetsk, da Ucrânia (questão de sotaque) signifca Mineiro. Temos então o Futebol Clube Mineiros de Karagandy, cidade de 500 mil habitantes no país que também era parte da URSS.

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Londrina x Coritiba: rivalidade e boas histórias desde 1959

Eu era pequeno ainda quando entendi a rivalidade que existe entre Londrina e Curitiba no Paraná. Em uma época de férias, nos já distantes anos 80, estava na terra do Café quando me perguntaram de onde eu vinha, na companhia de uma prima do meu pai. “Da capital”, disse, curitibaninho da gema – mas com 8 anos de criação no norte do Paraná. “De São Paulo?”, me questionaram de novo.

O episódio faz tempo e nunca diminuiu o carinho que sempre tive por Londrina e região – afinal, se nasci em Curitiba, tenho pais “pés-vermelhos”. Mas reforçou um sentimento de paranismo que será exaltado como há tempos não se vê nesse domingo, quando a Capital do Café receberá a última rodada do 1o turno do Paranaense, vestida de decisão para coxas e alvicelestes. Não vai ser a primeira entre os clubes, que desde o ano passado têm, ao menos do lado do Tubarão, ainda mais exacerbada a rivalidade.

Coxa, de Carazai, Ivo e Miltinho, venceu a primeira final contra o LEC em 1959

A primeira aconteceu em 1959. O Coritiba venceu a Série Sul e o Londrina, então de Futebol e Regatas, venceu a Série Norte. Foram dois jogos entre as duas equipes – e deu Coxa duas vezes: 3-0 em Curitiba e 2-1 em Londrina. O Coxa seria bicampeão em 1960; o troco alviceleste viria dois anos depois.

O Londrina de 1962, com Gauchinho em campo, vencedor da segunda decisão entre os clubes

Novamente Londrina e Coritiba se encontraram numa final, desta vez em 1962. Era o segundo dos 4 anos em que os clubes do interior levariam a melhor sobre os da capital (Comercial de Cornélio em 61 e Grêmio Maringá em 63-64). Gauchinho, maior artilheiro do LEC com 217 gols, comandou o time em duas vitórias por 4-2, em Londrina e Curitiba. Era a primeira taça do Tubarão.

  • Folclore

Em 1972, o Coxa vivia o segundo ano de sua maior série vitoriosa (hexacampeão) enquanto o Tubarão andava mal das pernas. Nos 4 confrontos diretos, o LEC apenas conseguiu um empate, 1-1, em casa. O Coxa aplicou dois 4-0 e um 3-1. O jornalista J. Mateus, em seu livro “Londrina Esporte Clube 4o anos”, conta que o Tubarão chamou um pai-de-santo para resolver o problema do clube, após uma das derrotas.

“Tem um espírito, de alguém que foi ligado ao clube que está complicando tudo”, disse o pai-de-santo. “É uma dívida que não foi paga. Tem que mandar ele pra outro endereço”.

A diretoria do Londrina marcou a sessão espírita. O então supervisor Murilo Zamboni acompanhou os trabalhos desde às oito da noite até a 1 da manhã.

“Pronto”, disse o pai-de-santo, “agora é só escolher pra quem mandar”. Zamboni sugeriu: “Mande pro Coritiba, que está ganhando tudo!”. O pai-de-santo concordou e começou o despacho rumo ao Alto da Glória.

O Coritiba seria campeão com 31 vitórias em 44 jogos. O Londrina, ao menos, acabaria em quarto lugar.
(adaptação do texto da página 59)

  • Retomada

Londrina e Coritiba retomaram a rivalidade no ano passado. No último grande momento do Tubarão, quem estava mal era o Coxa. Eram o início dos anos 90, o Coritiba amargava um rebaixamento não-concretizado (caiu, mas não jogou) para a Série C nacional em 1990 enquanto o Londrina chegaria ao 3o título estadual em 1992 e ainda seria vice em 93 e 94. Quem reinava era o Paraná.  De 1995 pra cá, o Coxa se reencontrou, mesmo com altos e baixos; foi a vez de o Londrina cair vertiginosamente. Em 1999, quase subiu para a Série A, eliminado pelo Gama-DF; depois, sumiu. Caiu de divisão no Brasileiro até perder a vaga fixa e passou até pela segundona paranaense.

Os encontros de 2012 foram polêmicos. Em Londrina, um empate em 1-1 e muita reclamação em cima de um lance de pênalti a favor do Tubarão não dado em Arthur, hoje no Coxa, pelo árbitro Leandro Hermes – o atacante derrubado, porém, estaria impedido. Em Curitiba, um gol olímpico (leia-se falha de Vanderlei) mal-anulado que rendeu até discussão nos diretórios acadêmicos de física (vídeo da TV Transamérica):

Na história, são 125 jogos: 59 vitórias do Coritiba, 35 do Londrina e 31 empates (incluindo os jogos antes da mudança no nome do Londrina).

Gols: resumo da rodada européia de 30/10 a 04/11

O feriado de finados foi repleto de futebol ao vivo no Terra. De terça (30) a domingo (04) muitos jogos e muitos – belos – gols nos 9 campeonatos que o Terra apresenta.

Clique nas imagens para ver os gols e melhores momentos nos jogos que tive a oportunidade de transmitir.

30/10 – Campeonato Belga

Anderlecht 5-0 Gent

O Anderlecht mostrou porque briga pela ponta da tabela enquanto o Gent não está sequer no grupo dos seis melhores do Campeonato Belga, que se classificam para a fase final. A goleada por 5-0 ainda saiu barata…

02/11 – Campeonato Português

Porto 5-0 Marítimo

Na sexta, o Porto ignorou o Marítimo e assumiu a ponta do Português, passando o Benfica – que jogaria no sábado – em pontos e no saldo de gols. O destaque foi o colombiano Jackson Martinez, em mais uma atuação para fazer a torcida do Dragão esquecer o brasileiro Hulk.

03/11 – Campeonato Ucraniano

Shakhtar 2-0 Metalurg Zaporizhya

Duelo entre o líder disparado do ucraniano, 100% de aproveitamento, e o lanterna, que em 13 jogos ainda não havia vencido nenhuma. E seguiu assim após o 14o, mas quem esperava um massacre do Shakhtar sobre o Zaporizhya, viu um placar apertado, com direito a golaço de bicicleta do brasileiro Luís Adriano. Fico devendo o 1o gol do jogo.

03/11 – Campeonato Português

Benfica 3-0 Vitória de Guimarães

O Benfica entrou em campo precisando fazer 4-0 para retomar, incluindo os critérios, a liderança que o Porto lhe tomou na sexta. Não conseguiu, mas venceu com autoridade e ao menos tem o mesmo número de pontos. O campeonato se encaminha para uma decisão Porto-Benfica, com o primeiro jogo em 13/01/2013.

04/11 – Campeonato Alemão

Bayer Leverkusen 3-2 Fortuna Dusseldörf

Clássico regional após 16 anos na 1.Bundesliga, em Leverkusen. O Fortuna, da cidade de Dusseldorf, 32 km distante de Leverkusen, visitou o Bayer em inferioridade na tabela. E vendeu caro a derrota, em mais um grande jogo no Campeonato Alemão.

04/11 – Campeonato Grego

Panathinaikos 1-0 AEK Athens

Outro clássico, desta vez em Atenas. O Panathinaikos aproveitou a má fase do AEK, lanterna do campeonato, e venceu em jogo para torcida única no Estádio Olímpico.

Liga Europa: começa a fase de grupos!

Começa nessa quinta-feira a fase de grupos da Liga Europa, a segunda principal competição de clubes da Europa (quiçá do Mundo). O Terra transmite 24 jogos ao vivo – eu estarei em duas partidas, ao lado do comentarista Ary Pereira Jr.: Fenerbahçe da Turquia contra Olympique Marseille da França, às 14h e, logo a seguir, 16h, Bayer Leverkusen da Alemanha contra Metalist da Ucrânia. São muitos os brasileiros nos jogos, que prometem ser movimentados. Vamos às principais informações:

Liga Europa

Será a 41a edição da Liga Europa, originária da Taça dos Clubes das Cidades com Feiras, mãe também da UEFA Champions League. O primeiro campeão, em 1971, foi o Tottenham, da Inglaterra, que disputa essa edição no grupo J; o atual campeão é o Atlético de Madrid, que está nessa edição, no Grupo B.

A Liga Europa reune o segundo escalão de clubes europeus – algo similar à Copa Sulamericana. No entanto, há uma integração constante com a Champions League – é possível que um time dispute a fase eliminatória da Liga, classifique-se à Champions e, eliminado lá, volte a Liga – até para ser campeão. A competição reune 193 times – a maior goleada até aqui foi no jogo PSV Eindhoven 9-0 Zeta, de Montenegro.. São 48 equipes nessa fase com 12 grupos com 4 times, dos quais 24 se classificam.

Na próxima fase 8 melhores terceiros colocados da Champions League se juntam aos 24 da Liga, formando série eliminatória com 16 jogos, em ida e volta, até a final, em jogo único, nessa temporada a ser disputado em Amsterdã, na Holanda.

14h – Fenerbahçe x Olympique de Marseille – Estádio Şükrü Saracoğlu, Istambul, Turquia

Duelo entre duas equipes candidatas às vagas no Grupo C – que ainda tem Borussia Monchengladbach da Alemanha e Limassol do Chipre – que tem três brasileiros nos elencos: Alex (ex-Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro) e Cristian (ex-Atlético e Corinthians) pelo Fenerbahçe e Lucas Mendes (ex-Coritiba) pelo Olympique.

Os dois primeiros devem ser titulares. Alex chegou a ser barrado pelo técnico Aykut Kocaman na fase de classificação da Champions League. O Fener acabou eliminado pelo Spartak Moscow na única derrota dos turcos no ano. Alex é o segundo maior artilheiro da história do clube, com 136 gols em 234 jogos – e seis títulos em 8 anos na Turquia. Aykut é o primeiro, com 150 gols em 210 jogos – o que seria o motivo do afastamento. Cristian tem sido banco no campeonato turco, no qual o Fener é o 4o colocado. No entanto, entrou no último jogo e garantiu a vitória aos 44 do 2o tempo contra o Mersin, por 2-1. Outro destaque é o holandês Dirk Kuyt, ex-Liverpool, que marcou 3 dos 7 gols do time nas fases eliminatórias da Liga. Na temporada (que é iniciada em agosto), o Fener fez 8 jogos, com 3 vitórias, 4 empates e 1 derrota.

Será a 21a Liga Europa do clube fundado em 1907, que nunca chegou à final. No entanto, seu estádio, cujo nome (pronuncia-se Xu-cru Sara-tcholo) homenageia um presidente do clube, recebeu a decisão na temporada 2008/09, quando o Shaktar Donetsk da Ucrânia bateu o Werder Bremen por 2-1 e ficou com a taça.

No Olympique, Lucas Mendes está fora, recuperando-se fisicamente. Ele é o único brasileiro do time que tem como destaque os irmãos ganeses Jordan e André Ayew, ambos da seleção de Gana e filhos do ídolo do OM Abedi Pelé, campeão europeu em 92/93. O time francês, fundado em 1899, chegou à duas decisões de Liga Europa. Esta será a 12a participação. Em 1999, perdeu para o Parma, da Itália; em 2004 nova derrota, desta vez para o Valência, da Espanha. O Marselha ainda é vice uma vez da Champions League – mas na UCL comemorou uma taça, em 1993, ao bater o Milan na decisão.

Nesta Liga Europa, o OM passou por duas eliminatórias. Na primeira, eliminou o Sheriff da Moldávia (2-1 fora e 0-0 em casa) e o também turco Eskişehirspor (1-1 fora e 3-0 em casa). O Olympique lidera o campeonato francês 2012/13 com 15 pontos em 5 jogos. Na temporada, iniciada em agosto, fez 9 jogos, vencendo 2 e empatando 1.

As duas equipes tem histórico de suspensão em ligas europeias. Em 1992/93, envolvido em um escândalo de compra de resultados no campeonato francês, o Olympique, então campeão europeu, foi rebaixado para a Série B francesa, perdeu o título francês e perdeu o direito de disputar a Champions do ano seguinte – mas manteve o título continental.. Já o Fenerbahçe viveu situação similar em 2011/12. Então campeão turco, foi acusado de manipulação de resultados e excluído pela UEFA da Champions League. No entanto, manteve a taça nacional.

16h05 – Bayer Leverkusen x Metalist – Estádio BayArena, Leverkusen

Fundado em 1904, o alemão Bayer 04 Leverkusen (o 04, assim como no Schalke, é o ano de fundação e se pronuncia ‘null vier’) ganhou destaque no Brasil após contratar o ex-atleticano Paulo Rink, que mais tarde defenderia a Seleção Alemã ao ser naturalizado. É o favorito à ganhar o Grupo K da Liga Europa, que ainda tem Rapid Viena da Austria, o Rosenborg da Noruega e o adversário da primeira rodada, o Metalist da Ucrânia. Se teve em Paulo Rink um grande destaque, hoje o Bayer tem Renato Augusto, ex-Flamengo, como o camisa 10 do time, além do zagueiro Carlinhos, de 18 anos, que “jogou” apenas no Desportivo Brasil, time que pertence ao Grupo Traffic. Do lado ucraniano, uma enxurrada de brasileiros. O Metalist conta com o zagueiro Fininho, que passou por Juventude, Sport e Corinthians, os meias Edmar (naturalizado ucraniano) ex-Paulista, Cleiton Xavier, ex-Palmeiras e Inter, Marlos, ex-Coritiba e São Paulo e os atacantes Taison, ex-Inter (que segue em sua missão de superar Messi) e Willian, ex-Atlético, Figueirense e Corinthians. Oito brasileiros neste jogo, ao todo.

Renato Augusto está se recuperando de lesão e participou apenas do final do jogo em que o Bayer perdeu para o Borussia Dortmund por 0-3 na terceira rodada do Alemão 2012/13. O time, 5o colocado no nacional da temporada passada, é apenas o 12o no momento. Na temporada atual foram 4 jogos, com 2 derrotas e 2 empates. O Leverkusen entrou direto na fase de grupos da Liga Europa. Será a 14a participação do Bayer no torneio. A melhor de todas foi em 1988, quando o time do brasileiro Tita, ex-Vasco, reverteu uma vantagem de 0-3 do Espanyol de Barcelona e levou a decisão para os pênaltis, consagrando-se campeão. O Bayer também tem no currículo um vice-campeonato da Champions League em 2002.

No elenco rubro-negro estão dois jovens talentos da Seleção Alemã: Lars Bender, de 23 anos e André Schurrle, de 21, ambos convocados no processo de renovação do time germânico após a Copa de 2010. Apenas um jogador, o goleiro David Yelldell, tem 30 anos ou mais; o restante fica abaixo. Até o técnico é jovem: Sascha Lewandowski tem apenas 40 anos.

O Metalist entra pela 7a vez na Liga Europa. O melhor resultado foi chegar às quartas de final no ano passado. O clube, uma vez campeão soviético e duas vezes campeão ucraniano, aposta no futebol sulamericano. Além dos seis brasileiros, conta com seis argentinos no elenco, que ainda tem jogadores da Sérvia e do Senegal. Entre os “hermanos”, o atacante Jonathan Cristaldo, campeão argentino pelo Vélez em 2009, é o que melhor tem dado resultado: marcou 5 gols em 10 jogos entre Liga Ucraniana e Europa, contando as fases eliminatórias. Willian marcou 2 gols na temporada e Taison apenas 1. No entanto o artilheiro da equipe é brasileiro: o meia Cleiton Xavier tem 6 gols.

Na Liga Ucraniana, o Metalist é o 4o colocado, 10 pontos atrás do líder Shaktar. Na temporada (de agosto até agora) foram 11 partidas, com 7 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Pra chegar a essa etapa da Liga Europa, o Metalist venceu o Dínamo Bucaresti da Romênia duas vezes: 2-0 em casa e 2-1 fora.

Transmissões

O Terra transmite todos dos 24 jogos da primeira rodada da Liga Europa. Alguns jogos não terão narrador e comentarista, com o som ambiente do estádio de fundo. A escala é essa:

14h

Fenerbahçe SK – Olympique de Marseille, com Napoleão de Almeida
Hapoel Tel-Aviv FC – Club Atlético de Madrid, com Marcelo do Ó (Terra, 105FM SP)
SSC Napoli – AIK, com Fabio Salomão (Terra, Rádio Futebol Interior)
Udinese Calcio – FC Anzhi Makhachkala, com Reinaldo Moreira (105FM SP)
FC Dnipro Dnipropetrovsk – PSV Eindhoven, com Hugo Botelho (BandSports, Esportes FM)

16h

Bayer 04 Leverkusen – FC Metalist Kharkiv, com Napoleão de Almeida
FC Internazionale Milano – FC Rubin Kazan, com Marcelo do Ó
Tottenham Hotspur FC – S.S. Lazio, com Hugo Botelho
Sporting Clube de Portugal – FC Basel 1893, com Reinaldo Moreira
Olympique Lyonnais – AC Sparta Praha, com Fabio Salomão

Sem narração:

BSC Young Boys – Liverpool FC
FC Viktoria Plzen – A. Académica de Coimbra
AEL Limassol FC – VfL Borussia Mönchengladbach
FC Girondins de Bordeaux – Club Brugge KV
FC København – Molde FK
CS Marítimo – Newcastle United FC
VfB Stuttgart – FC Steaua Bucuresti
KRC Genk – Videoton FC
FK Partizan – Neftçi PFK
Athletic Club – Hapoel Kiryat Shmona FC
NK Maribor – Panathinaikos FC
SK Rapid Wien – Rosenborg BK
Levante UD – Helsingborgs IF
FC Twente – Hannover 96