Alex 1000 jogos: o Top 5

Idolatrado pelos turcos, amado por palmeirenses, cruzeirenses e coxas-brancas, respeitado por todos os outros, Alex completará nesta quarta-feira 1000 jogos como profissional. O adversário será o J. Malucelli, pelo Campeonato Paranaense. Desde que estreou, em 1995, Alex foi protagonista em vários jogos. O blog se propõe a lembrar alguns, num Top 5 dos mais importantes.

#5: 13 de dezembro de 1995, Coritiba 3-0 Atlético, Série B

Com apenas 18 anos, o menino nascido em Colombo realizava seu grande sonho: jogar uma partida decisiva contra o maior rival do seu time do coração. E Alex brilhou. Com o Coxa precisando da vitória para se juntar ao Furacão na elite brasileira em 1996, Alex conduziu o time a um 3 a 0 incontestável. Abriu o placar e deu assistência fundamental para que Pachequinho, então o grande ídolo do clube na época, fechasse a contagem. O Coritiba estava de volta à Série A do Brasil após uma sequência de anos difíceis.

#4: 16 de maio de 2012, Fenerbahçe 4-0 Bursaspor-TUR, Copa da Turquia

O Fenerbahçe não vencia a Copa da Turquia há 29 anos. Alex tratou de acabar com essa escrita em um jogo com atuação de gênio. Além de dar o passe para três gols, fechou a conta deixando o seu também. Campeão turco três vezes, faltava a taça da Copa do currículo do meia que, não a toa, ganhou até estátua dos fanáticos torcedores do Fener.

#3: 8 de junho de 2003, Flamengo 1-1 Cruzeiro, Copa do Brasil

Era o jogo de ida da final da Copa do Brasil. O Maracanã estava lotado, com aquela atmosfera pró-Flamengo. O Cruzeiro já havia ganho o Campeonato Mineiro e começava a mostrar que ninguém o alcançaria no Brasileirão. Mas a Copa tinha outro regulamento, outro formato. Com um inesquecível gol de letra, Alex colocou a Raposa na frente. O Flamengo empataria, mas o resultado com gol qualificado deu a tranquilidade que o Cruzeiro precisava para conquistar o segundo dos três títulos daquele ano (3-1 no Mineirão), com inúmeras atuações de gala de Alex.

#2: 26 de maio de 1999, Palmeiras 3-0 River Plate-ARG, Copa Libertadores

O Palmeiras estava embaladíssimo. O time de Roque Júnior, Oséas, Paulo Nunes e Marcos, entre outros, havia despachado o Corinthians na fase anterior. Em Buenos Aires, o River fez 1-0. No jogo de volta era preciso vencer sem levar gols. O jogo no Parque Antartica começou tenso, mas Alex, com um golaço de fora da área, tratou de acalmar as coisas para o Palestra. Roque Júnior faria o segundo e o River se lançaria ao ataque. Um gol eliminaria o Palmeiras. Mas Alex, de novo, tratou de por os pingos nos is, fechando o placar. O Palmeiras avançaria até a final, na qual seria campeão sobre o Deportivo Cali, da Colômbia.

#1: 26 de janeiro de 2013, Coritiba 1-1 Colón-ARG, Amistoso

Um jogador que tem estátua na Turquia, campeão da América pelo Palmeiras, do Brasil pelo Cruzeiro, com inúmeros golaços com as camisas verde, azul e amarela – também da Seleção – teria como jogo principal na carreira um amistoso de pré-temporada, no qual nem gol fez? A resposta é sim. Com todo esse currículo e procurado pelos dois clubes nos quais mais brilhou no Brasil, Alex optou por voltar ao clube do coração. Não se tratava de dinheiro, de jogar ou não a Libertadores. Alex queria jogar no Coritiba. Recusou, educadamente, todas as propostas e voltou ao Coxa. O jogo com o Colón teve alguns lampejos do velho Alex e por pouco não acabou em derrota. Não importava; para toda uma geração, o que realmente importava era ver Alex de volta no Coxa. Algo que tem mais peso que dinheiro ou mais valor que muitas conquistas: um ídolo que optou pelo seu clube por um desejo sincero. Alex confirmou ser o que é naquele 26 de janeiro.

Livro conta os 20 jogos mais importantes da história do Cruzeiro

Os 20 maiores jogos da Raposa, por um timaço de cronistas

“O Brasil acordou cinzento em 7 de dezembro de 1966. A publicação do Ato Institucional nº 4, pelo governo do marechal Castelo Branco, convocando o Congresso Nacional a votar a nova Constituição, gerou receio na sociedade. A chamada Revolução cada vez mais ganhava cara de ditadura. Poder Legislativo reduzido em suas atribuições, imprensa controlada, direitos fundamentais individuais feridos. O governo militar mostrava, enfim, as reais intenções à frente do país. Inibir o avanço do comunismo não passava de discurso de fachada. A cada Ato Institucional publicado, o verdadeiro interesse do novo regime reluzia: instalar uma ditadura à direita.

Mas o dia que nasceu para abrigar outro capítulo sombrio da política brasileira também nasceu para o futebol. E dos bons. Pelé, Tostão, Toninho, Dirceu Lopes e cia. estariam em campo. Santos e Cruzeiro, sete dias depois do primeiro jogo da decisão da Taça Brasil, quando a Raposa venceu por 6 a 2, voltariam a se encontrar, dessa vez no Pacaembu. Vitória celeste ou empate garantiria o título inédito para Minas Gerais. Caso o Santos vencesse, por qualquer placar, um terceiro jogo seria disputado, em local a ser definido. A tirar pela declaração do presidente Athiê Jorge Cury, ainda no vestiário do Mineirão, após a humilhante derrota, a confiança santista na realização da partida de desempate era plena. “Em São Paulo, nossa vingança será terrível”, disse na oportunidade.”

Esse é um trecho da história contada logo no começo do livro, sobre o jogo Cruzeiro 3-2 Santos em 1966, que significaria o primeiro título nacional da Raposa. Com edição de Anderson Olivieri e um time de nove notáveis cruzeirenses, como os músicos Henrique Portugal e Samuel Rosa, do Skank, e o jornalista Cláudio Arreguy. A obra é parta da coleção “Memória de Torcedor”, da Maquinária Editora, que conta já com os 20 Jogos Eternos de São Paulo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras. 

Além do memorável 3-2 no Santos em 1966, os escritores escolheram outros 19 jogos: Cruzeiro 6 x 2 Santos, o primeiro jogo da final de 1966; o 5-4 no Internacional em 1976; a goleada de 7 a 1 sobre o Alianza Lima, do Peru, na campanha da Libertadores de 1976; no mesmo ano, os jogos contra o River Plate, vencidos por 4-1 e  3-2 River Plate; o duelo com o River Plate de 1991, com o placar de 3-0; de 1992, um 4-0 sobre o Racing; duelos nacionais como Cruzeiro 2 x 1 Grêmio (1993) e Cruzeiro 2 x 1 Palmeiras (1996); um confronto estadual em 1997, Cruzeiro 1 x 0 Villa Nova; no mesmo ano, a final da Libertadores: Cruzeiro 1 x 0 Sporting Cristal (1997); a decisão da Copa do Brasil 2000, Cruzeiro 2 x 1 São Paulo e a da Copa do Brasil 2003, Cruzeiro 3 x 1 Flamengo; na campanha do Brasileirão 2003, as vitórias sobre Santos (3-0) e Paysandu (2-1);as duas goleadas nas finais dos Mineiros de 2008 e 2009 por 5-0 sobre o eterno rival Atlético Mineiro; o 5 a 0 no Estudiantes em 2011 e, no mesmo ano, o polêmico 6 a 1 no Galo.

O prefácio de Paulo Vinícius Coelho e contracapa de Alex, meia do Coritiba que marcou época em Minas Gerais:

 

Além dos textos, o livro tem um caderno colorido com fotos de times eternos do Cruzeiro, caricaturas de ídolos – como a que está acima – e infográficos com gols épicos marcados nos jogos eternos eleitos para a obra.

O cruzeirense ou o apaixonado pela história do futebol podem conseguir o livro nesse link, em contato com o próprio Olivieri.

 

Fenômeno Alex internacionaliza o Coritiba

Imagine o amigo leitor a seguinte situação: Zico é na verdade Zeki, nome turco que significa “astuto, inteligente”. Revelado no Trabzonspor, Zeki chega ao Fla e faz tudo o que fez com a camisa flamenguista. Depois, retorna ao país de origem, para jogar pelo clube de coração, deixando a mesma legião de fãs que até hoje comemoram o “natal” no dia 2 de março. Imaginou?

Pois em termos relativos é o que acontece com Alex no Coritiba. Loucos por futebol, os torcedores do Fenerbahçe – que disputam o posto de maior torcida da Turquia com o Galatasaray – seguem acompanhando (e consumindo) Alex na volta dele ao Brasil, a ponto do Coritiba planejar um modelo de associação a ser lançado no exterior nos próximos 30 dias, para faturar com a paixão turca.

Alex tem estátua e causou comoção na saída de Istambul. Seis vezes campeão nacional pelo Fener e segundo maior artilheiro do clube, deixou “órfãos” no país. Agora, distantes do ídolo, fazem o possível para ficar mais perto. A LigTV, canal esportivo turco, transmitu quatro dos cinco jogos do Coxa no Brasileiro ao vivo; para se ter uma ideia, no Brasil, o clube teve um jogo exibido em TV aberta e outro em TV fechada como exposição “livre” – todos os jogos passam no sistema PPV. Mas esse não é o único, nem o mais importante, sinal de prestígio do Coritiba na Turquia.

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Alex recebe equipe do "Survivor": prêmio de reality show

A imagem acima mostra Alex recebendo a equipe do programa “Survivor”, da StarTV, em sua casa em Curitiba. O reality show isola sete participantes numa ilha e os coloca nos mais diversos desafios, parecidos com o extinto “No Limite” da TV Globo. Os finalistas tinham como um dos prêmios uma viagem ao Brasil para conhecer pessoalmente Alex.

O fenômeno de mídia turco faz com que o Coritiba ganhe na carona do seu camisa 10. Nas arquibancadas do Estádio Şükrü Saraçoğlu, casa do Fener, já se vêem camisas e faixas com o símbolo do clube brasileiro:

O site oficial do Fenerbahçe há muito já tem tradução para o português, dada a grande procura de coxas, palmeirenses e cruzeirenses pelas notícias de Alex; agora o inverso deve acontecer. O Coritiba ainda não colocou o seu site em turco, mas tem na sua página oficial no Facebook um registro de audiência altíssimo na Turquia, por vezes, maior até que no Brasil, conforme a notícia. E lançará nos próximos trinta dias um plano de sócios voltado ao público turco.

“O sócio turco terá duas modalidades: o Classic, que pagará 9,90 euros/mês, com todos os benefícios de qualquer outro sócio de R$ 9,90, mas com o benefício de ver 4 jogos no ano sem pagar entrada. Se ficar por um ano, recebe ainda um DVD; e o Premium a 19,90 euros. E se permanecer assim por 12 meses ou se pagar a vista recebe os mesmos produtos e mais uma camisa oficial autografada pelo Alex”, explica Paulo Cesar Verardi, diretor de marketing do alviverde, que completa: “Os 100 primeiros vão receber a camisa autografada pelo Alex. E depois estenderemos a outros países.”

Há alguns meses um torcedor turco adquiriu de uma só vez, em visita ao Brasil, 80 camisas do Coritiba. A encomenda continha até o nome do primeiro ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. Cada camisa custa em média 180 reais. O Coxa até pensou em distribuir o material diretamente na Turquia, mas esbarrou no atendimento de seu fornecedor de material esportivo, a Netshoes, que faz a relação com a Nike. Verardi, que tem um largo histórico no Grêmio e também foi do marketing do rival Atlético, admite que nunca viu nada igual com um jogador no exterior. No entanto, é cauteloso ao falar da expansão do clube fora do País. “Mais importante que isso, é o que ele representa no mercado brasileiro. Antes da Turquia está o mercado brasileiro, a torcida do Coritiba, com poderio financeiro.”

Não é o que pensa Alev Aydin, uma fanática torcedora do Fenerbahçe de 34 anos. Alev tem tudo o que se refere a Alex: camisas, cachecóis e até o quarto todo decorado nas cores do clube, com a foto do ídolo. “Ele é uma lenda”, conta, descrevendo seu sentimento como a “de um irmão que mora longe”. Alev ficou tão triste com a saída de Alex do Fenerbahçe que pediu demissão e passou quatro meses em casa, sem falar muito. E já se sente tão coxa-branca como qualquer polaco nascido na Barreirinha. “Estou animada em ser a primeira a participar”, disse, anunciando que irá conhecer Curitiba em setembro. “Pra mim, o Coritiba já é mais forte, pois pode contar com os milhões de torcedores do Fenerbahçe também.”

*Colaborou o leitor Itamar Rocha

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Alex para presidente

Alex, em discurso para a torcida do Coritiba: politizado (Imagem: AI Coritiba)

A entrevista de Alex à Radio 98 de Curitiba repercutiu em todo o Brasil. Durante a semana comemorativa do tetracampeonato estadual, não foram poucos os cronistas nacionais que fizeram questão de elogiar o meia pela conquista – cito aqui os colegas André Kfouri (ESPN BR/Lance) e Mauro Beting (Band) entre eles. Alex não marca só pela qualidade técnica, mas porque é um dos poucos a falar o que pensa. E tenho a impressão que falará ainda mais quando se aposentar.

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Em meio a euforia pelo título estadual, Alex teve que explicar – mesmo estando ausente do jogo –  os 1-4 sofridos em Manaus para o Nacional, pela Copa do Brasil. O atual bi-vice-campeão da Copa ficou em situação delicada para tentar seguir na competição justamente no ano em que um dos maiores ídolos do clube (o próprio) está de volta e um time “milionário” foi montado, com Deivid, Botinelli, a manutenção de Rafinha, e outros menos badalados. “Somos fracos mentalmente”, disse o camisa 10 coxa-branca, dando a entender que faltou concentração no Amazonas. O preço pela empolgação do tetra paranaense pode ser caro.

A própria conquista pode ser ilusória. Alex não pode dizer com todas as letras, até para não diminuir o próprio feito, mas ao dizer que “o futebol paranaense inexiste”, criticando o desempenho nacional das equipes e a pouca força do campeonato, assume que o time fez apenas a obrigação em ser campeão – o que não tira o mérito da conquista – e que preocupa para o Brasileirão que vem aí. Alex ainda disse que “o Londrina teve uma sobrevida” e sequer citou o Paraná, grande algoz no início da carreira. Sinal de que vê – corretamente – o Paranaense como um grande “par ou ímpar”. Ao menos é o vencedor desta disputa.

O meia, ao criticar a falta de acerto para sequer se jogar os grandes clássicos em um estádio maior, vai em choque contra a própria diretoria. Afinal é dela – e, claro, da do rival Atlético – que saem os desacertos. Experiência de quem jogou no futebol europeu, onde o futebol é tão paixão quanto aqui, mas é muito mais rentável. Bons negócios são bons negócios. Talvez aposentado e dirigente, Alex alugaria o Couto Pereira ao rival e faturaria com isso. Talvez Alex veja o futebol como ele é, sem deixar de ser o maior exemplo de coxa-branca devotado, recusando até a Libertadores para ser campeão no clube.

Não poupou nem a própria torcida: como é possível que o Coritiba, com um dos maiores parques associativos do País (cerca de 30 mil sócios) não tenha uma média de público superior a 12 mil pessoas? Outra coisa que Alex não pode falar – ainda – é que certamente o torcedor está enjoado de estaduais longos, fracos e com fórmulas mirabolantes. 

Por isso lanço a campanha “Alex para presidente”. Com a experiência de quem jogou e conhece o negócio como poucos, pode ser a voz que mude o futebol brasileiro daqui pra frente. Ele no Coritiba, Rogério Ceni no São Paulo, Seedorf no Botafogo e alguns poucos mais que se arriscam a sair do lugar-comum nas entrevistas. Será a grande chance de vermos os discursos na prática e, quem sabe, livrar o futebol brasileiro de alguns ransos. Será que deixam?

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“Não vale nada”

“Não vale nada”, dizem os detratores do tetracampeonato paranaense do Coritiba – com um fundinho de razão. Só um fundinho. Mas, na verdade, é fácil ver que vale muito.

A cultura do “estadual não vale nada” é válida. Estão sim ultrapassados, por suas fórmulas malucas, estádios esvaziados e risco alto de se colocar um Alex para jogar em um estádio e gramados de segunda no interior – nada contra o interior, que conheço bem – que vive realidade distante do futebol profissional. O Guarani que o diga. Enquanto as crianças passam a torcer pelo Barcelona de Messi, os clubes brasileiros perdem cinco meses nos estaduais. Ok, explicamos o malefício. Mas… não vale nada?

Vale sim. Vale muito.

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Para o Coritiba, por exemplo, é só olhar para 2010, quando a série de quatro conquistas (que o rival Atlético não tem) começou. Era o pior momento da história do clube. Rebaixado, alquebrado, marginalizado. Lá, começou o valor deste tetracampeonato. Em 2010, começou o resgate do Coritiba grande como é. Pergunte a Vilson Andrade, Felipe Ximenes e outros que assumiram a bronca.

Para o torcedor, vale mais ainda. Na segunda, é ele, e não o vizinho de mesa, que vai com a camisa e a faixa de campeão para o trabalho. Se são meses perdidos entre um jogo aqui outro acolá, os clássicos da reta final dos estaduais pagam a dívida. O Brasileirão? Esse é outro papo. Certamente o resultado não é parâmetro. Mas e aí? O sarro do amigo, esse vale muito.

E para Alex? Para o meia que pegou o Coritiba numa fase financeira difícil, saiu sem ser campeão, esse vale mais ainda. Vale, porque clássico e campeonato, ninguém quer perder. Vale porque o objetivo número um do futebol é vencer.

Não vale nada? Fale só por você.

  • Sub-23

Os meninos do Sub-23 do Atlético estão de parabens. Eram, desde o começo, o azarão no páreo. Surpreenderam, chegaram e deram ao experiente e preparado time do Coritiba. Fizeram o seu papel – e garantiram, vai lá, 40% do projeto atleticano no ano. O resto é com o profissional, que vai de Copa do Brasil e Brasileirão como tarefas principais. 

O Sub-23 está de parabéns. O clube, no entanto, precisa dar uma resposta. Um vice estadual por ano é nada para quem se pretende “gigante”.

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A Alexdependência tem outro nome

“Alexdependência” é o termo da moda para se falar do Coritiba. O time do criticado Marquinhos Santos tem tido dificuldades no Estadual para convencer a torcida – ainda assim, ganhou o primeiro turno com alguma folga e segue invicto. Como o futebol não perdoa, os dois empates na saída do returno já bastaram para as várias cobranças. É bem verdade também que esperava-se mais do Coxa no Atletiba #353 e que o time ganhou algumas partidas sem jogar bem: J. Malucelli e Toledo, além dos empates com ACP e Operário – três dos jogos no Couto Pereira.

De uma maneira ou de outra, só nas cinco partidas citadas acima, Alex foi decisivo. É uma ilha de bom futebol no mar de inconstância alviverde. Daí o surgimento do termo. Mas, com alguns reforços que chegaram ao clube – como o próprio Alex, Deivid, Arthur, Julio César, Botinelli e outros – o time não deveria estar jogando mais? Não.

A “Alexdependência” atende pelo conhecido nome de desentrosamento. Ou, num panorama mais global, reformulação. Para confirmar a teoria, pesquisei os times-base do Coxa nos últimos quatro anos. A base iniciada em 2009 rendeu um título nacional da Série B, três estaduais e dois vice-campeonatos da Copa do Brasil. Os dados apontam os jogadores mais frequentes na equipe em momentos decisivos. Alguns não completaram a temporada citada pelo clube. O time de 2013 é o que esteve em campo contra o Cianorte (2-0) no dia 17 de março. Confira:

Ano após ano, o Coxa manteve uma base com poucas mudanças em relação à última temporada. O estilo de jogo de Ney Franco foi mantido por Marcelo Oliveira, que aos poucos foi dando sua cara ao time; as peças que saíam, com exceções pontuais, procuravam ser repostas dentro de uma característica. Com Marquinhos Santos, já no Brasileirão 2012, o projeto seguiu. Mas voltando bem no tempo, percebe-se que apenas quatro jogadores da espinha dorsal entrosada e vitoriosa estão na equipe.

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Sim, existem outros que permanecem e já atuaram como titulares em algum momento – caso de Gil – ou estão apenas machucados – caso de Emerson; mas a tabela acima, mostrando as mudanças graduais batem com a teoria: o Coxa ainda é um time em formação. No entanto, carrega nas costas alguns problemas: a desconfiança criada por setores sobre o trabalho de Marquinhos Santos, jovem na profissão; a chegada de Alex, que criou na cabeça dos torcedores a ideia de se ver um futebol mágico; as conquistas recentes e a ausência de um grande antagonista no Estadual, o que em tese deixam as coisas  mais fáceis; e, por fim, o pouco tempo de existência deste novo time, que atua junto apenas desde 31 de janeiro, quando os principais jogadores entraram em campo. Menos de dois meses, portanto.

Não é preciso girar muito no País para ver que outros clubes também tem a sua dependência: Neymar e o Santos, Bernard e o Atlético-MG ou a mais sentida entre os times da Libertadores: Lucas e o São Paulo, que ainda não aprendeu a viver sem ele. Prova de que é normal apostar e depender do craque. Mas, no momento, o que existe no Coritiba é uma reformulação e desentrosamento – que pode até não vir, mas é cedo para dizer qualquer coisa.

E o Coxa com isso?

O Atletiba 353 terminou 2-1 para o Coritiba, mantendo um tabu de 5 anos no Couto Pereira e colocando o Coxa na rota de colisão do Londrina (por essa a FPF não esperava), cujo encontro será justamente na última rodada do primeiro turno. Enquanto o Atlético discute se o Estadual vale ou não, se o time Sub-23 é bom ou não, o Coxa terá um adversário difícil no primeiro duelo na busca pelo tetra.

Não vou falar do jogo que não vi, mas não vou me prender só ao resultado. A verdade é que o Coritiba se deixou levar um pouco pelas opções atleticanas, pro bem e pro mal. Explico: tanto faz o time que entraria em campo pelo rival; era Atletiba, valia a liderança do campeonato. Por isso, nem a frustração da (exagerada) expectativa por goleada é correta, nem deve-se deixar de entender o que faltou para tanto. Afinal, vem aí um Brasileirão e, salvo se o controle de jogo da equipe estiver extremamente afiado, a queda de desempenho nas segundas etapas dos jogos deve ser melhor avaliada.

Não foi o primeiro jogo em que o Coxa reduz a marcha no segundo tempo – e afirmo isso pelos relatos das rádios que ouvi, me permitindo ser corrigido pelo amigo leitor. O Paratiba foi outra prova. Contra o Toledo, no entanto, o time foi avassalador na primeira etapa e caiu de ritmo no segundo tempo, permitindo-se até tomar um gol – o que também aconteceu no clássico. É controle total de jogo ou descompasso? Por ora, vamos entender que seja o primeiro. Afinal, também deve se pensar se uma goleada no clássico seria realmente benéfica ao Coritiba. Em 2011, contra o Palmeiras, não foi; depois, pra que despertar um rival em desleixo no Estadual?

Sendo mais crítico, vamos assumir que seja. O teste contra um Atlético desfigurado, três pontos acima da zona de rebaixamento e com saldo negativo, foi abaixo da média. Em dois minutos, aproveitando-se da inexperiência do rival, o time abriu 2-0. Depois, Deivid se envolveu em confusão e foi expulso novamente (já havia sido contra o Toledo). Acabou tomando o gol muito mais pelo brio dos meninos atleticanos do que por uma real ameaça, pelos relatos. Mesmo assim, com 10 contra 10, o jogo foi mais equilibrado. Agora, enfrentará um ataque forte e um time mais maduro, com torcida grande contra. O Londrina de Germano e Celsinho, com o Café lotado, não é de se matar com a unha.

O Coritiba de Marquinhos Santos tem sido pragamático. Há uma expectativa de se ver mais do que tem sido apresentado, mas enquanto o time estiver vencendo, não há muito espaço para questionamentos. Mas e se o fio virar? Impressionar é necessário ou não? Se os resultados faltarem a reflexão sobre o nível técnico para o Brasileiro vai aparecer. E aí o Coritiba pode se deixar levar novamente pelas decisões que os rivais tomaram para o Estadual.