Abrindo o Jogo: coluna no Jornal Metro Curitiba de 23/01/2013

O valor de um ídolo

O amistoso do Coritiba contra o Colón, da Argentina, no próximo sábado, será exibido para todo o Brasil. Será a reestreia de Alex com a camisa alviverde. O Coxa tratou de negociar a transmissão com um dos principais canais de TV a cabo do Brasil, em meio a terceira rodada do Paranaense. No domingo, dia seguinte, o Coxa novamente estará na telinha, enfrentando o Cianorte, desta vez com exibição apenas para o Paraná. A mídia nacional tem total interesse em saber de Alex pelas passagens no Palmeiras (campeão da Libertadores 1999) e Cruzeiro (no inesquecível 2003 celeste). Cruzeirenses, que sempre foram simpáticos ao Atlético no Paraná, podem até “virar a casaca”, dada a importância de Alex. E o Coxa ainda não explora tudo o que cerca o ídolo. Durante a semana que passou, um turco, de nome Murat Kapki, comprou nada menos do que 80 camisas oficiais do Coritiba, com o 10 de Alex, para levar para o seu país. Alex é rei no Fenerbahçe, uma espécie de Corinthians da Turquia, que vende em média 10 mil camisas por semana, segundo reportagens da imprensa local. Murat desembolsou cerca de 15 mil reais a vista para presentear amigos, entre eles o primeiro ministro turco, Recep Erdogan. Ainda contou ao advogado coxa-branca Percy Goralewsky que há um reality show na TV turca que premia o vencedor com um milhão de euros e uma visita à Curitiba, para conhecer Alex. São mercados que o Coritiba ainda não resolveu explorar, oficializando, por exemplo, uma loja em Istambul. Mas tem se aproveitado da exposição da marca para todo o Brasil, desde a confirmação da chegada de Alex.

Caminhos diferentes

Se ainda não rentabiliza o máximo que pode com Alex, o Coxa opta por aproveitar ao máximo todos os espaços que lhe são oferecidos na mídia, na estratégia de comunicação do clube. O Atlético, ao contrário, restringe. Existem razões para tal, mais do que somente uma represália à imprensa paranaense. Ainda assim, o caminho mostra alguns equívocos. Primeiro, pontuemos: é nocivo aos atletas e à torcida a restrição de entrevistas imposta pelo clube, mas não é ilegal. Trata-se de uma orientação de patrão para funcionário, prerrogativa do clube. Mas, ao contrário do fenômeno Alex, como criar um ídolo em ambiente enclausurado? Como o torcedor, insatisfeito com o desempenho em campo – pra ficar só no empate com o Rio Branco – pode questionar seus atletas, através da imprensa, se estes só falam ao veículo oficial? É como saber do Governo pela Voz do Brasil. Manter a porta com a mídia tradicional é importante. Além de tudo, é um desperdício de espaço midiático, o que poderá desagradar ou afastar patrocinadores. No entanto, há uma estratégia: o contrato com a AEG, que irá gerir a Arena, prevê a comercialização de conteúdo de mídia. Age bem o clube ao criar seus espaços próprios, como TV e Rádio – só que o faz por caminhos tortos. Real Madrid e Barcelona já os têm e são rentáveis e de qualidade. Aqui, o erro: na Espanha, são fomentadores da mídia. Dão material exclusivo, inédito. Abrem as portas, com disciplina, para qualquer questionamento da imprensa. E são os maiores clubes do Mundo. Já pensou o que seria de Cristiano Ronaldo se ele nunca pudesse dar entrevistas?

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 05/12/2012

O acerto atleticano
O acordo com a norte-americana AEG é certeza de lucratividade para o Atlético com a Arena. O pagamento de 12% das receitas em patrocínios do estádio e camisa e no naming rigths, mais 9% das cadeiras premium, além dos US$ 40 até a inauguração do estádio, é um acordo muito acima do que conseguiu o Palmeiras, por exemplo. Parceiro da WTorre – que buscou na mesma AEG um terceiro apoio para rentabilizar a Arena Palestra – o time paulista terá apenas 5% de toda a arrecadação do estádio por 5 anos, 10% após esse prazo e assim proporcionalmente até 30 anos, quando passa a ter finalmente 100% da arrecadação. Incomparável.

O erro atleticano
Os números acima não foram contestados pelo clube, que entretanto não consentiu com a divulgação dos mesmos. Uma bobagem. O clube não pode andar na contramão do que ele mesmo decidiu, ao realizar a coletiva de imprensa em SP (que teve repercussão nacional) demonstrando o interesse em engrandecer a ação chamando veículos de circulação em todo o Brasil. As informações vazaram de dentro do próprio Atlético. No Brasil, clubes de futebol são entidades sem fins lucrativos (podem sem controlados por empresas com esse fim) e de interesse público, o que justifica a pauta que, aliás, em nada denigre o acordo feito; ao contrário, como visto acima.

Estádios e benefícios
Estive ontem com Aldo Rebelo, ministro do esporte. Ele foi explícito: “Todos os estádios das Séries A e B estão na portaria que assinei sobre a Copa, dando os mesmos benefícios para os que estão em obras, para que o futebol brasileiro se modernize e dê conforto.” Recado claro para Coritiba (já está?) e Paraná correrem com projetos.

Vestibular e cotas
Conversei com gente de dentro do Coritiba sobre a remodelação do time para 2013. Algumas peças vão mudar, outras, mesmo não tão aprovadas assim, ficarão. Hoje, no futebol, muitas vezes para manter o craque é preciso ficar com o bagre, para agradar os empresários. Quase uma cota para pernas de pau.

Novo desmanche
O futebol paulista já começou a tirar as boas peças do Paraná. A coluna cantou antes, mais um recomeço, talvez atrás até de Londrina e Cianorte. Tenha paciência, torcedor.

Paulo Baier
Fica no Atlético para 2013. Justa escolha e mais que homenagem, há que se lembrar o quão útil foi ao clube na Série B. Pode ser o comandante do time S23 do Paranaense.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 28/11/2012

Rota internacional

Amanhã, em São Paulo, o Atlético apresentará o modelo de parceria de gestão de eventos da Arena pós-Copa, quando deve confirmar a assinatura de contrato com a AEG. A empresa multinacional cuida dos eventos e promoções em outras praças esportivas como o Staples Center, casa do LA Lakers e da Istambul Arena, casa do Fenerbahçe. É um passo gigantesco para que a Arena seja rentável ao Atlético e, para a cidade, que Curitiba passe a fazer parte da rota internacional de shows e espetáculos. Desde o conceito da Arena, em 1999, o clube buscava um parceiro nesse nível. Com a vinda da Copa e a melhoria de outras praças, o Atlético é – mais uma vez – pioneiro no Brasil nesse modelo de negócios. Mauro Holzmann, diretor de marketing, e o presidente Mário Celso Petraglia estarão no evento, marcado pra capital paulista pelo impacto nacional da ação.

O susto I

Considero uma virtude pensar o Mundo pra frente. Passou, passou. Por isso há que se ver o 2013 do Coritiba a partir do susto que o time tomou no finzinho do Brasileirão. A impensável queda começou a ganhar as manchetes dos jornais a partir do momento em que o time perdeu três jogos seguidos. Estacionou nos 45 pontos após tirar o sonho de título do Atlético-MG e relaxou. Falhas defensivas, falta de um meio mais combativo e o sumiço de Rafinha são alguns dos problemas que precisam ser sanados pra 2013. Vai encerrar 2012 em casa contra o Figueirense com uma leve sensação de constrangimento.

O susto II

A bola que Cléberson tirou em cima da linha no Derby e garantiu o acesso ao Atlético premiou a qualidade da principal revelação do ano no clube – Manoel e Deivid já eram conhecidos. No entanto, o drama vivido pela clube de maior porte na Série B 2012, sufocado nos minutos finais pelo brioso Paraná (que não tem o mesmo poderio financeiro), serve para pensar um 2013 melhor. Há uma base boa, com destaque para João Paulo, Elias e Marcelo. Mas há que se buscar reforços para a disputa na elite. E evitar imaginar que o ano só começa em junho, como nas últimas temporadas. Uma aposta atleticana é o time Sub-23, criado para jogar o Estadual. Foi uma opção em detrimento da equipe Junior, que privou o Atlético da Copa do Brasil S20, por exemplo. A pré-temporada mais longa pode render frutos ao time principal. Mas, como o que vale é a camisa, que não se descarte a pressão por resultados no Paranaense, mesmo sucateado, mas com o Coritiba buscando o tetra, a volta do Paraná e os competitivos Operário, Londrina e Cianorte.