O ano de Adriano?

Adriano nos festejos de fim de ano: ponto final na interrogação?

A Seleção Brasileira tem um grande ponto de interrogação no ataque. Depois da Copa das Confederações, a lesão de Fred, a recusa de Diego Costa, a queda de produção de Jô e a instabilidade de atacantes como Leandro Damião, Robinho e outros deixaram o técnico Felipão e a torcida em alerta. A tentativa de Adriano voltar o futebol no Atlético pode ser uma solução. Pode? Ele próprio tem um grande ponto de interrogação para elucidar. No período de folga, festejos com a família no Rio e ausência depois de confirmar presença no jogo festivo de Zico no Maracanã.

Adriano tem jeito? É a pergunta que fiz para João Ricardo Lebert Cozac, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia no Esporte:

“Confesso que olho com estranheza a proximidade de Adriano com o Atlético Paranaense. O atleta, que já teve ótimas oportunidades no Flamengo e Corinthians, demonstrou que os fatores que mobilizam sua atenção e dedicação são diferentes dos exigidos no mundo da bola. Adriano está mais perto da Vila Cruzeiro – dos amigos de infância – do retorno às coisas mesmas. De toda forma, vale a reflexão sobre essa nova possibilidade que o futebol oferece ao jogador.

No campo motivacional, vale frisar que ninguém consegue “instalar” necessidades quando não existe um apelo íntimo e real para a execução adequada de uma tarefa ou, até, no desenvolvimento e manutenção de uma profissão. Por mais que se diga por aí que a questão do Adriano é psicológica – de nada vai adiantar o empenho do Atlético – se ele próprio não assumir que precisa de ajuda.

Chega uma hora que os apelos extra-campo são mais fortes e, se o atleta não consegue equilibrar a vida pessoal com a profissional, o resultado tende a ser catastrófico. Especialmente num esporte de alto rendimento como o futebol que exige uma preparação esportiva (física, técnica e mental) acima da média. Além disso, a pressão e expectativa da torcida dificultam ainda mais a força de reação interna que lhe é solicitada a todo instante.

Não consigo imaginar o Adriano acordando cedo para treinar, ficar preso nos hotéis durante as concentrações e, acima de tudo, cuidar do corpo e ficar longe das baladas. Há outras coisas que fazem mais sentido a ele. E não é de hoje. O Corinthians errou ao trazê-lo para a capital paulista. Estive na Itália uma semana após a rescisão de seu contrato com a Roma e o que escutei por lá a seu respeito em nada se diferencia do que ouço por aqui. Noitadas, mulheres, bebidas, sobrepeso e falta de comprometimento.

É um panorama muito ruim para a convivência e harmonia do time. Um atleta que recebe uma fortuna como Adriano e não consegue se manter em forma – pode representar, se não houver um comando técnico/comportamental adequado da situação, uma variável danosa ao senso coletivo e de coesão do grupo. Já atuei como psicólogo do esporte em diversos clubes do país e posso atestar que essas diferenças nos salários dos atletas costuma ser terríveis para a esfera coletiva. Sempre houve, há e haverá vaidade no futebol – e fora dele. É preciso cuidado para não pisar em campo minado e, reforço: tenho dúvidas sobre a disponibilidade interna (e externa) de Adriano para continuar jogando futebol.

Torço, de verdade, para que a contratação da equipe paranaense contribua – de alguma maneira, com a saúde física e mental do atleta.  Do contrário, a situação ficará como a de adolescente desobediente que cabula uma aula atrás da outra para ir ao shopping. Chega uma hora em que os pais terão de assinar o boletim escolar do filho e aí, amigos, não tem jeito:  é bronca e castigo na certa!

Adriano já é homem formado e sabe o que quer da vida neste momento. E assim o fará.

De um jeito, ou de outro, certo?”

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Adriano no Atlético Paranaense: tacada ou loucura?

Washington se recuperou no Furacão: exemplos parecidos, mas diferentes

Como Arnold Schwarzenegger em “O Exterminador do Futuro”, Adriano se levantou mais uma vez das cinzas para ser destaque nos noticiários esportivos de todo o Planeta. Na Itália, onde rodou por Inter e Roma; em Portugal, na França e claro, por todo o Brasil. O acordo entre Adriano e o Furacão mexeu com as redações em todos os cantos, espantadas com uma nova chance ao Imperador  – cuja melhor leitura pode ser feita na matéria do Guilherme Moreira. O Atlético, como de praxe, ainda não se manifestou oficialmente. Seus diretores não falam sobre o assunto.

Trazer alguém de maneira surpreendente não é uma novidade na vida do Atlético. O Furacão tem por hábito inovar em suas contratações, muitas vezes cotadas como jogadas de mídia. Foi assim com o árabe emiratense Abdulla Al Kamali, uma espécie de Zizao da Baixada, que tentava abrir o mercado árabe ao clube. Foi assim com o ídolo alemão e então técnico Lothar Matthäus, de passagem relâmpago. Havia sido nos anos 70 com Djalma Santos, já em fim de carreira. O mesmo com Eder Aleixo, nos anos 90. Exemplos não faltam.

Eder Aleixo foi mais a tentar vida nova no Furacão

O caso de Adriano é diferente de todos acima, exceção, claro ao efeito midiático. Se assemelha mais ao de Washington, o mais bem sucedido de todos. O “Coração Valente” chegou ao Caju diabético, com um problema cardíaco e desenganado, numa época terrível, com as mortes do camaronês Marc Vivian Foe e do húngaro Miklos Feher em campo. Ninguém apostaria um centavo na volta de Washington ao futebol. Ele havia chegado até à Seleção Brasileira ainda na Ponte Preta, mas via seus sonhos abreviados. Sem contrato, o Furacão o abraçou. Bancou sua recuperação e ganhou o maior artilheiro da história do Brasileirão e um vice-campeonado, em 2004. Washington seguiu sua vida até se aposentar, com saúde.

Adriano tem um problema social. Uma doença que é tratada de maneira jocosa, como se fosse um problema proposital. Não posso avaliar – nem devo ou quero – à distância se é desvio de conduta ou dependência química. A segunda opção é comum no Brasil. Tratada como “sem-vergonhice”. Já levou muitos, incluindo o ídolo Garrincha. Seja como for, o Atlético arrisca novamente. Pouco, diga-se: abre as portas de seu CT e oferece estrutura e tranquilidade para a recuperação de um atleta de apenas 31 anos. Contrato? Só após um período de testes de três meses (com Natal, Ano Novo e Carnaval no meio) com Adriano respondendo positivamente.

Curitiba e suas belas mulheres contrastam com uma cidade que não tem vida noturna às segundas – mas ferve aos sábados, véspera da maioria dos jogos. Força de vontade é um requisito. A timidez do curitibano possivelmente evitará grandes badalações ao Imperador. Ao jantar em um local na Avenida Batel, as pessoas o olharão e comentarão entre si, mas dificilmente se aproximarão. O vizinho levará meses para convidá-lo para um churrasco – tempo em que ele pode até já ter deixado a cidade. A praia mais próxima requer 100 km de viagem e passa a esfriar em março. Adriano encontrará no Atlético um escudo contra a imprensa (nós, esses malditos); um escudo tão forte que até põe em xeque a ideia de que o clube quer ganhar com ele em retorno de mídia. 

Se ele emplacar, terá uma torcida numerosa e fanática ao seu lado, disposta a consumir tudo que se referir ao novo ídolo. Pode até disputar uma Libertadores e, como o amigo Ronaldinho no xará mineiro, reencontrar os caminhos das glórias. Não receberá os altos salários dos tempos anteriores, mas receberá em dia. E pode até pintar na Copa, por que não? Com Fred machucado e nenhum outro 9 de confiança, um Adriano motivado e em dia seria capaz de convencer Felipão.

Se der errado, ele volta para o Rio e o clube segue sua vida. Será mais uma vez alvo de diversas análises sobre “por que Adriano jogou fora sua carreira” e renderá tantas outras pautas à imprensa. Nesse caso a ampulheta vai diminuindo sua areia na parte de cima e serão poucos os que ainda apostarão nele.

Para Adriano, loucura era não dar essa tacada.

Que beleza de camisa! #10: Barcelona

Essa bate um bolão!

Começou ontem, com uma semana de atraso por conta de uma greve, o Campeonato Espanhol. E o atual campeão, FC Barcelona, estreou surrando o forte Villarreal por 5-0. Só me restou pedir a @kellypedrita que vestisse a camisa do maior clube do Mundo na atualidade… ficou bom?

Que beleza de camisa!

#10 Futbol Club Barcelona

Quem é? Um dos grandes do futebol mundial, fundado em 29 de novembro de 1899.

Já ganhou o que? 1x Campeão Mundial (2009), 4x Campeão da Liga dos Campeões (1992, 06, 09 e 11) e 21x Campeão Espanhol, entre outros.

Grande ídolo: Muitos grandes nomes do futebol mundial passaram pelo Barcelona: os brasileiros Evaristo, Rivaldo, Romário, Ronaldo e Ronaldinho; os argentinos Maradona e Messi; o português Luis Figo. Mas nenhum nome é mais importante para o Barça que o do holandês Johann Crujiff. Foi com o principal artífice da Laranja Mecânica vice-campeã das Copas de 74 e 78, com quem o Barcelona voltou a vencer o Campeonato Espanhol após 14 anos, período em que o futebol da Espanha foi dominado pelo Real Madrid – boa parte durante o Governo Franco. Na mesma época, o Barcelona se tornou “més que un club” (mais que um clube), um símbolo do povo da Catalunha. Crujiff simbolizou essa mudança e mais tarde, como técnico, criou a escola barcelonista de futebol total. O que vemos hoje, com Guardiola e Messi, surgiu com conceitos de Crujiff, como retrata entrevista da Revista ESPN.

São lances como esse, de Rivaldo, em 2001:

Apelidos: Blaugrana, Barça (positivos), Culés (pejorativo).

Como anda? É o atual da Liga dos Campeões e tricampeão espanhol; disputará, contra o Santos e mais 5 clubes o Mundial deste ano. É considerado o melhor time do Mundo.

Curiosidades: É considerado um símbolo de orgulho regionalista da Catalunha, região espanhola que nunca aceitou o reino da Espanha como país. Atua não só no futebol, mas também no basquete, handebol e até hóquei. Além do período franquista, o Barça teve problemas com o governo espanhol já em 1925, quando torcedores vaiaram a execução do hino espanhol. Na ocasião, o ditador Primo de Rivera fechou o clube por seis meses, até que o fundador, o suíço Hans Joan Gamper, foi obrigado a renunciar. Gamper, aliás, escolheu as cores do Barça com base no pequeno Basel, da Suíça. Não a toa, a maior rivalidade do Barcelona não é com o vizinho de cidade Espanyol e sim com o Real Madrid. Na história*, são 215 jogos, com 84 vitórias do Barça, 45 empates e 86 triunfos madrilenhos.

O Barcelona e o futebol paranaense: Ainda não tivemos o privilégio de ver um clube paranaense enfrentar o FC Barcelona. Mas no elenco titular atual do Barça está um curitibano: o lateral-esquerdo Adriano, formado no Coritiba. E um dos gols mais importantes da história do clube foi marcado por outro paranaense, Juliano Belletti, na decisão da Champions League de 2006:

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Feita para Brasil e Argentina. Especialmente Argentina.

Messi: a Copa América é pra ele; avisem o Neymar.

Rebaixamento do River Plate; crise financeira e política; dezoito anos sem ganhar título importante; o melhor jogador do Mundo tentando ser ídolo em casa. É… a Copa América 2011 foi feita para a Argentina. E para o Brasil ser o coadjuvante dela.

Dê uma olhada na tabela aqui. Note que, prevendo alguma dificuldade, os cruzamentos colocam até mesmo os segundos colocados dos Grupos A e B em chave distintas dos primeiros. Se Brasil ou Argentina tropeçarem no caminho, ainda assim, só se verão na decisão – salvo se um deles se classificar muito mal, como segundo ou terceiro melhor terceiro colocado no geral.

Eles querem a decisão conosco, no Monumental de Nuñez, casa cheia, brilho de Messi e título argentino. Do lado de cá, três grandes esperanças: Neymar, que realmente começa a trilhar a estrada de Pelé; Ganso, um craque acima da média (porque não um novo Zico?); e Lucas, outro cracasso, que poderia nos remeter a Rivellino. Não é um time qualquer, se Mano Menezes acertar a máquina.

E nós, paranaenses, temos ainda dois orgulhos: Adriano e Jadson. Eu vi os dois começarem na dupla Atletiba e viverem grandes momentos por aqui. Um é esse aqui de baixo: a primeira convocação de Adriano, ainda no Coxa. A reportagem é e um dos homens mais bonitos que eu conheço:

Adriano demorou, mas chegou ao Barcelona. É orgulho coxa-branca, craque curitibano que pra quem não sabe, começou no futsal do Paraná Clube – mas um da escolinha tricolor.

O outro é um dos gênios que vi de perto, no melhor Atlético de todos os tempos (pra mim, obviamente) que, para tristeza dos rubro-negros, não foi campeão. Mas provou que grandes times (como a Seleção 82) não vivem só de títulos. Jadson foi genial com a 10 atleticana e é idolatrado também no Shakthar Donetsk. Os lances a seguir explicam o porquê:

Imagino a saudade atleticana ao ver o vídeo acima. Enfim. Hoje ambos estarão lado a lado, pela amarelinha.Hoje não: domingo, contra a Venezuela -começando no banco, diga-se.

Muitos ainda me lembrarão que Alexandre Pato também é paranaense. Mas a única referência dele no nosso futebol é a foto abaixo, ainda criança. Para nosso azar, que só vimos ele brilhar a distância, no Inter-RS.