Um estádio para o Atlético: atualização

Mesmo com alguns acordos entre Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Prefeitura de Curitiba, Atlético e FPF para que o Eco-Estádio esteja liberado para que o rubro-negro mande seus jogos no Paranaense por lá, ainda não está confirmada a desistência da Federação no recurso no STJD, para que o Couto Pereira seja cedido ao Furacão.

“Nós vamos consultar o Atlético se há desistência da indicação anterior”, explicou o advogado da FPF, Juliano Tetto, “Ainda não foi confirmado. O Atlético não confirmou que não tem mais interesse no Couto. Se eles confirmarem isso, a FPF irá retirar a ação.” Resta saber, portanto, se o Janguito será considerado mesmo um paliativo até que a justiça defina a questão do Couto ou o Atlético o assume de vez. O auditor Flávio Zveiter recebeu a ação e teria prometido para ainda hoje uma resposta.

Update: O STJD não concedeu efeito suspensivo para a FPF em cima da liminar do Coritiba. Trocando em miúdos: o Coritiba não precisa alugar/emprestar o Couto Pereira ao Atlético até a data do julgamento, prevista para até 15 dias a partir de hoje. A FPF não irá retirar a ação. Segundo o que apurou Diego Sarza, repórter do Jogo Aberto Paraná que esteve na FPF no momento do recebimento da resposta, a FPF quer fazer valer o estatuto, que é a base da ação pelo pedido.

Atletiba do dia 22: nada está definido. Amilton Stival, vice-presidente da FPF, já chegou a cogitar torcida única nos jogos. Como ainda há a pendência acima, segue em aberto.

O acordo feito pela segurança pública, o clube e a federação será detalhado no site oficial do Atlético, que já está efetuando por acesso remoto as reservas de entradas no Eco-Estádio para o jogo contra o Toledo – o segundo por lá. Apurei que basicamente procurou-se melhorar o acesso dos torcedores em relação a BR 277. Um exemplo: serão distribuídos mapas de estacionamentos que estejam ao lado o estádio na rodovia, evitando-se o uso do Parque Barigui. A PRF e a PM prometeram um efetivo maior.

Descaso

A morte do torcedor atleticano André Lopes, na última quarta-feira, atropelado quando saia do Eco-Estádio após a vitória do Atlético (4-0) sobre o Roma, é mais uma demonstração do descaso dos organizadores do futebol local, cada vez menos preocupados com o bem-estar e a segurança do torcedor e muito mais em tapar os buracos que os mesmos se encarregaram de abrir. Infelizmente, esse buraco agora é ocupado por um jovem de 21 anos, que apenas queria acompanhar seu time do coração, mas sofreu com a falta de planejamento de quem liberou e confirmou o evento sem garantir segurança.

A faixa acima é um protesto de moradores e torcedores que perderam um amigo por pura falta de compromisso e planejamento. O conceito do Eco-Estádio é criativo e digno de nota. É feito para comportar a torcida do Corinthians-PR. Até o jogo desta quarta, o recorde de público era o jogo J. Malucelli 3-2 Coritiba, em 2008: 2.173 pessoas. Já um volume substancial de torcedores. O novo recorde foi estabelecido pelo Atlético, tem exatamente 1201 pessoas a mais, mais de 50% do público anterior: 3474. Com 17 mil sócios o rubro-negro dificilmente arrastará menos pessoas a campo do que o volume de quarta-feira. E pelo Facebook, único meio de contato com Mário Celso Petraglia desde que ele assumiu o Atlético, o presidente do clube anunciou:

A média de público do Corinthians-PR em 2011 foi de 383 pessoas, quase 10x menos do que se espera em público médio nos jogos do Atlético desde o anúncio acima. A liberação do estádio feita pensando no público médio do Timãozinho está dentro da normalidade; até mesmo o esquema de segurança, elaborado para um público tão diminuto, está de acordo. Para o Atlético, não. A movimentação é maior, desde o volume de torcedores e ambulantes até os profissionais de imprensa e da organização, mobilizados em maior número dado o apelo popular do Furacão.

E de quem foi a culpa pela morte de André Lopes? Cheguei a ler uma absurda troca de acusações clubísticas, como se Coritiba ou Paraná tivessem relação com a fatalidade – que, aliás, poderia ter acontecido num domingo de sol, com um visitante do Parque Barigui, já que não existe passarela na BR 277 – por não terem chegado a um acerto com o Atlético. Oras!, Coxa e Tricolor estavam quietos em suas casas, um ainda indignado pela maneira com a qual recebeu a imposição (ainda em processo judicial) de empréstimo do Couto Pereira, outro contabilizando o que vale/merece/precisa nas propostas pelo uso da Vila, já descartada. Atribuir culpa a esses clubes no acidente é desrespeitar a família e ignorar que o caso ainda está pendente de solução.

O Atlético, co-organizador do evento (que é da FPF) mostrou que cumpriu sua parte ao apresentar um ofício pedindo segurança a Polícia Rodoviária Federal com dois dias de antecedência:

A Rádio Banda B trouxe a público o documento acima. Aqui, o primeiro sinal de descaso: avisada, a PRF não  percebeu a relevância do evento. Ou, no mínimo, subestimou a importância de coordenar a entrada e a saída de 3,5 mil pessoas em uma rodovia. E o faz de novo: fará um teste hoje num jogo de menor apelo, entre Corinthians-PR x ACP. Pode ter a impressão de que o esquema já é satisfatório.

A Gazeta do Povo estampa que a PRF pode proibir os jogos do Atlético no Eco-Estádio. Diz Anthony Nascimento, inspetor da corporação: “Vamos avaliar se há uma forma para adequar o local para a travessia segura dos torcedores. Se não chegarmos a um consenso, a PRF vai pedir que o evento não seja realizado naquele estádio.” Como você viu acima, esse não será o único jogo do Furacão no Eco-Estádio, segundo o presidente rubro-negro. Após a tragédia (que poderia ter mais de uma vitima, diga-se) a PRF pode mesmo entender que não tem capacidade para fazer a segurança em jogos de grande porte na praça do Timãozinho. E então volta a tona o problema do Atlético: onde o clube jogará enquanto seu estádio está em reforma para atender à Fifa e à cidade na Copa 2014? Minha opinião está nesse link, mas em suma: foram cinco anos para pensar nisso e nada foi feito. Mais descaso.

Fato é que nessa semana o comitê paranaense esteve no Rio, reunido com a Fifa, apresentando as fórmulas de conclusão do estádio. Um nó que passa pela cessão de títulos urbanos de Curitiba (o potencial construtivo) ao Atlético, que os repassará ao Governo do Estado como garantia do financiamento via FDE. Aqui, cabe uma pergunta: entre os R$ 4 bi disponibilizados pelo PAC da Copa – a principal razão da briga de Curitiba pelo Mundial – não cabe orçar uma passarela na região?

Vamos seguir analisando o quadro num todo. É fato que o Atlético está sem opções para mandar seus jogos e que o Governo e a Prefeitura não mexeram um dedo para ajudar na solução, bem como há rompimento entre as diretorias do Trio de Ferro, pelos motivos já conhecidos. Mas há outra conta que pode ser feita: o CAP pagou ao Corinthians-PR R$ 20 mil de aluguel de campo, como está no borderô disponível no link. Como já citado, o Atlético tem cerca de 17 mil sócios. Cada um pagando R$ 70 mensais, enquanto o valor atribuído em borderô é de R$ 10. Claro, o sócio tem acesso a todos os jogos, o valor serve para cobrir as despesas dos ingressos – promocional para sócios – ao longo de um mês. Em fevereiro, por exemplo, o Atlético terá, contando o jogo com o Roma, quatro jogos em casa. A despesa, portanto, será de R$ 40, com R$ 30 ficando para o clube. A tarifação da FPF e da arbitragem, entre outros, entra na conta que o clube tem como prejuízo: R$ 9165,91.

No entanto, arredondando os números, 13.500 sócios estimadamente ficaram de fora do jogo, supondo ainda que estejam com a mensalidade em dia. São R$ 945.000,00 por mês, que certamente não cobrem o pedido público do Coritiba por jogo (R$ 250 mil) mas que possibilitaria um acordo mais justo e rentável entre as partes, sem a necessidade da justiça. Ou ainda na Vila Capanema, talvez não pelos R$ 30 mil oferecidos, talvez não pelos R$ 120 mil pedidos pela diretoria paranista. Resta ainda uma pergunta: apelando para o coração dos associados, o quanto a diretoria do Atlético vê ser necessária uma retomada de negociações? Quem sabe até aproveitando o embalo da nova campanha de marketing do Coxa, “Amo minha terra, torço pelo meu Estado”, que prega união e amor as coisas do Paraná – e pode dar um passo real fora de campo.

Aqui, não verso sobre a disputa judicial entre FPF e Coxa; essa opinião já foi emitida acima e foi a grande mola do desgaste. E a novela segue uma vez que a resposta do STJD, que sairia quinta, ficou pra sexta e passou o final de semana sem aparecer. E quando vier poderá causar até mais problemas do que soluções.

Um deles: entre os jogos de fevereiro no Janguito Malucelli, está o Atletiba de 22/02, uma quarta de cinzas. O estádio não tem iluminação e como antecipou Amilton Stival, vice-presidente da FPF, poderá receber torcida única no jogo.

Quem sofre é você, torcedor. É a família de André Lopes, para qual nenhuma das linhas acima servirá como consolo ou reflexão; é o consumidor, tratado para cima e para baixo como objeto, mas quase sem nenhum direito; é o cidadão, que acredita em um futuro melhor, mas vive sob a sombra do descaso dos governantes – que, não se esqueça, esse ano precisarão muito de você em outubro.

Jornalismo preguiçoso

É raro eu me sentir à vontade para criticar colegas de profissão. Acho que cada um tem que saber onde o calo aperta e deitar no travesseiro com sua consciência limpa. Erros, todos cometemos. Uma avaliação injusta, precipitada, um erro de português ou digitação, algo assim. Não dá pra escapar. Acontece.

Mas tem coisa que não se admite, como leviandade ou preguiça. E saio da minha zona de conforto nesse post para citar um tema que me incomoda e não fujo nas conversas com amigos, mas que nunca tornei público como farei agora: o comportamento ético e correto de nós, jornalistas. O que me pegou foi o exemplo abaixo, caso claro de leviandade. E justo do maior portal de notícias do País. Confira:

"Fonte diz que"? Há sigilo de fonte sim, mas jogar ao vento assim...

Ao induzir o leitor que Madson “poderia estar” alcoolizado, o jornalista, que não assina a matéria, fez a típica reportagem de escritório: sentado, ouviu falar que o jogador talvez estivesse no carro, alcoolizado, e tascou no título. Sem uma prova, uma frase sequer de alguém que estivesse no local. “Fonte diz que” é o que basta para jogar uma suspeita grave sobre um cidadão. Preciso lembrar que dirigir alcoolizado é crime?

Dirão: “há o sigilo de fonte”. Fato. Mas para usá-lo, é preciso provar. Não se pode confiar apenas no “ouvi que”. Se a fonte viu Madson sair do carro alcoolizado, poderia descrever a situação, certo? Riqueza de detalhes, contexto da situação. Ou seja, jornalismo. No vídeo abaixo Madson conta o que aconteceu. Pela tranquilidade e também pelas leis da física, que não permitem que ele esteja em mais de um lugar ao mesmo tempo, confio no que ele diz:

A reportagem do portal citado é um show de suposições baratas. Jornalismo chulo e, infelizmente, referendado pela maior emissora de comunicação do País. Como me disse um também indignado Leonardo Mendes Jr, editor da Revista ESPN e por anos editor da Gazeta do Povo, “É coisa de reporter preguiçoso e editor irresponsável em busca de acessos.”

E porque nos ofendemos, ou mais especificamente, eu me ofendi com a manchete?

Madson não é santo, o histórico mostra. O que ele ou outros jogadores fazem fora de campo é problema pessoal, não me diz respeito – exceção ao que traz consequencias dentro de campo, o que é meu objeto de trabalho.

Mas diariamente, via Twitter, blog, e-mail ou até na padaria, somos cobrados. Você, leitor, é acima de tudo um apaixonado pelo seu time. E qualquer coisa que falemos que soe mal a você já é lido como má intenção. Essa não é verdade da parte boa da imprensa. Jornalismo não vive de favores ou é feito para agradar alguém, mas conduzido com ética e respeito, é salutar, ainda que a notícia desagrade.

Todos nós que estamos do lado de cá temos que pagar esse preço. Se fala bem do time X, é porque é torcedor ou está recebendo do clube; se fala mal, é torcedor do rival. Faz parte, mas enche. Eu acompanho sempre que o tempo permite as comunidades e fóruns  dos times que estão na minha área de cobertura e sempre sobra um ou outro xingamento, por muitas vezes injusto. Claro, se nem Jesus agradou a todos, não será esse pecador aqui. Mas às vezes cansa ler um caminhão de bobagens sobre você ou colegas que trabalham com dedicação e na mais alta seriedade por implicância ou generalismo barato.

Jornalismo de verdade é feito com contato humano, questionando e analisando, pesquisando e informando sem distorções. Se a justiça entende que a técnica não se aprende na faculdade (um erro absurdo de um País que quer mergulhar de vez na mediocridade), o caráter então é de berço. Esse, nenhum diploma garante. Imagine sem um nem outro.

A minha briga diária, e de outros bons da nova geração, é para manter uma imagem de respeito e credibilidade. Assim, quando alguém pisa na bola como foi o caso, o malefício é geral. E dessa vez, resolvi pontuar.

Mas há esperança. É você que lê essas mal traçadas. Engana-se quem acha que o torcedor não percebe. Aos poucos, a resposta vem. Muitos ainda se vêem sem opção, caindo nas mesmas redes de informações que criticam. É tempo até que a cabeça separe o certo do duvidoso. Estar do lado correto é mais salário que qualquer envolvimento escuso possa garantir.