Movimento nos EUA também pede menos futebol… americano

Muitos jogos, muitas lesões, jogos ruins, placares baixos, overdose de jogos na TV. Você tem lido e ouvido muito sobre isso nos últimos dias, desde que a CBF lançou o calendário 2014, inchado ainda mais pela Copa e criticado publicamente por quase toda a imprensa, torcedores e até cartolas e jogadores. Mas desta vez não estamos falando do futebol e sim do football – ou futebol americano, para nós tupiniquins.

Um movimento iniciado a partir de uma crônica do jornalista Dan Levy pede menos jogos na NFL, a National Football League, gestora do esporte número 1 nos EUA. O alvo é claro: o Thursday Night Football, a rodada das quintas-feiras. Lá, como cá, há a influência direta da TV na manufatura da tabela e na sustentação da liga. No entanto, as semelhanças param no nome e nas críticas.

A NFL é a liga esportiva mais bem sucedida no Mundo. Sua decisão, o Super Bowl, detém os recordes de audiência em todo o planeta. O evento foi avaliado pela revista Forbes como o mais rentável e valioso da Terra, acima até de toda a Copa do Mundo de futebol. A temporada de jogos dura apenas seis meses – contra 11 no calendário brasileiro – sendo que o campeão de 2012, Baltimore Ravens, fez 20 jogos para chegar ao troféu. O Corinthians, atual campeão mundial de futebol, fez 59 jogos de janeiro até a partida de ida contra o Grêmio, pela Copa do Brasil.

Os esportes também são bem diferentes entre si. O football tem pouco foot (pé) em relação ao nosso futebol. E é também um esporte de muito mais impacto e lesões. Isso tem feito com que o esporte número 1 dos EUA perdesse muito campo para o esporte número 1 do Brasil dentro de seu próprio território. Um estudo apresentado no livro Soccernomics mostra que muitas mães norte-americanas têm proibido seus filhos de praticarem o futebol americano em função dos machucados constantes e dos preços dos equipamentos para a prática dele. Mas, claro, esse é outro papo.

Levy abre seu raciocínio dizendo: “há coisa mais ridícula do que pedir MENOS futebol”? A ideia é dizer de que o problema não está exatamente na overdose de futebol americano, mas sim na overdose de futebol americano RUIM. Basicamente, a mesma crítica que vem sendo feita no Brasil. Nos EUA, as rodadas são realizadas às quintas, sábados, domingos e segundas. A NFL e todo o esporte norte-americano é pensado em conjunto. Salvo em raros períodos, as ligas esportivas (MLS futebol, MLB basebal, NHL hockey e NBA basquete) não coincidem suas atividades.

No Brasil, o massacre pró-futebol é maior. Ainda assim os analistas acham que a overdose procede. “Não sou fã. Eu sei que é ótimo e isso não levará a lugar algum, vou seguir assistindo, mas não sou um grande fã da necessidade e da competitividade da liga para o Thursday Night Football“, disse o ex-técnico Billy Billick, hoje comentarista da rede de TV Fox, “A liga é míope em relação à saúde dos jogadores”.

A grande curiosidade entre os dois movimentos, brasileiro e norte-americano, é que o torcedor em geral está cansado do que mais ama. E isso por que o produto oferecido não é dos melhores, na contra-partida do crescente preço dos ingressos. Estaduais enfadonhos aqui, jogos ruins lá, na liga milionário americana. O torcedor-consumidor começa a despertar. E filme ruim não dá audiência.

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Atlético recria a Hungria de Puskás

Puskas parece o Walter, mas era melhor fisicamente que a imensa maioria

O ano era 1952. A Hungria já tinha alguma tradição, vice-campeã do Mundo em 1938 ao perder para a Itália. O futebol era recanto de bôemios, marginalizado pela sociedade, embora curiosamente já arrastasse multidões para os estádios. Começando pelo Honved e chegando até a seleção, os húngaros fizeram algo que até então ninguém havia pensado: se prepararam fisicamente. O jogadores tornaram-se atletas. A Hungria ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Helsink, na Finlândia e em 52 jogos internacionais até 1956, perdeu apenas um. Justamente a final da Copa de 1954, para a Alemanha, a quem na primeira fase havia enfiado 8-3. Coisas do futebol.

O ano é 2013. Em decisão polêmica, mezzo técnica, mezzo política, o Atlético retira o time principal do Estadual e leva para uma pré-temporada na Espanha. Vence um torneio curto, contra times do Leste Europeu, enquanto o time Sub-23 apanha no Paranaense. Volta e fica no aguardo, vendo a reação do Sub-23, que, dada a estrutura do clube, a precariedade dos adversários e três ou quatro talentos, chega a decisão contra o forte Coritiba de Alex. O clube perde, mas o projeto estava 50% pronto, como constatado aqui. Os outros 50% dependiam do sucesso do elenco profissional, que patinava em amistosos contra reservas de Cruzeiro, Figueirense, Goiás e Atlético-GO.

A pré-temporada durou seis longos meses. O Brasileiro começa e, sem ritmo, o Atlético entrega pontos para Fluminense e Vitória, mesmo jogando melhor, e cede empates para Flamengo e Cruzeiro, depois de abrir 2-0. Questionado, o técnico Ricardo Drubscky é substituído por Vagner Mancini, mais experiente e mais próximo dos jogadores. Depois da Copa das Confederações, o Atlético sai da 19a posição para o 4o lugar. Derruba uma invencibilidade histórica do xará mineiro no Horto, bate no líder Botafogo, impõe 3-0 ao Palmeiras, líder isolado na Série B. Tudo com um time mediano, cujo talento máximo é Paulo Baier, 38 anos. Qual o segredo?

As pernas.

Não são apenas um ou dois lances que demonstram isso nos jogos do Atlético. Especialmente no 2o tempo dos jogos, o Furacão passa a sobrar em campo. Jogadores rápidos, como Léo, Manoel e Marcelo, se tornam ainda mais rápidos que os demais; o zagueiro do Atlético nunca chega atrasado nas bolas. Não leva cartões nem permite muitos lances de perigo. Os atacantes chegam quase na frente dos adversários. Um clube com orçamento menor que outros 12 clubes na Série A vai cumprindo seu objetivo. Ainda tem chão, tanto na Copa quanto no Brasileirão. Falar em título pode ser utopia para alguns, mas, com um campeonato tão aberto, mesmo com elenco modesto, o Furacão se permite sonhar. Ao menos com uma vaga na Libertadores.

Dos titulares – 12, se incluído Ederson, o reserva de luxo artilheiro do Brasileirão – apenas o volante Bruno Silva e o atacante Dellatorre não estiveram na pré-temporada. Zezinho é o único que disputou o Estadual. Destaques como Douglas Coutinho, Deivid e outros ainda desfalcam o elenco. E ainda há os misteriosos Maranhão, meia que veio do México, e Frán Mérida, formado no Barcelona, que não deu as caras nesse time de 2013.

Enquanto todos jogavam os Estaduais, o Atlético inventou seu calendário. Aguentou a festa do rival Coritiba tetracampeão e agora parece estar colhendo os frutos. O Corinthians, campeão do Mundo, teve de antecipar as férias e já fez 28 jogos a mais que o Furacão; o líder Cruzeiro, 15 a mais; o Botafogo, 20 a mais. O que menos jogou na Série A foi o Vasco, 12 partidas a mais que o Atlético, e isso porque foi eliminado precocemente do Cariocão.

Todas as equipes vão perder jogadores por lesão e cartões; todas vão sentir as pernas em algum momento. São Paulo e Santos chegarão ao absurdo de fazer quatro partidas em menos de 10 dias, para cumprir a tabela em função de viagens ao exterior – outro desgaste. O Atlético estará nessa, mas com menos desgaste.

Para confirmar a vitória da ideia, o Furacão precisa ser ao menos semifinalista da Copa do Brasil e beliscar uma vaga na Libertadores. Se não conseguir, já deixará uma pulga na orelha de todos os clubes. Se conseguir isso ou mais – um título, por que não? – poderá mudar a cara do futebol brasileiro.

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O 8-0 do Barcelona expõe todas as feridas do futebol brasileiro

Aranha caído: com ele, o futebol de clubes do Brasil

Não se pode aceitar com tanta naturalidade que o Barcelona tenha feito 8-0 no Santos. Nenhum grande clube brasileiro – diria até que nenhum que dispute a Série A – pode levar oito gols e entender, com humildade, que o Barça é poderoso demais. Especialmente um clube com a história e a camisa do Santos.

Sabe-se que o Santos está longe dos seus melhores momentos. Tem um time titular envelhecido e enfraquecido com a saída de Neymar – justamente para o Barcelona. Mas o Santos é um dos principais clubes do Brasil. Do futebol mais vitorioso do Mundo, o que revela mais talentos, o que mais ganhou jogos e títulos na história desde que a bola é redonda. Perder para o Barcelona é aceitável; perder de 8 e aceitar, não. Para nenhum time brasileiro.

Tão ruim quanto, embora muito menos impactante, foi ver o São Paulo “comemorar” a derrota para o Bayern de Munique por “apenas” 2-0. O placar não foi maior porque o São Paulo é melhor que o Santos – embora, vejam, perdeu no confronto direto no Brasileirão. Mas tem jogadores mais cascudos, mais ambientados e que não sentiram o mesmo impacto que os atletas santistas ao visitar um poderoso europeu. 

Santos e São Paulo deveriam ter vencido Barça e Bayern? Há que ser realista: não conseguiríam, hoje. Talvez o Atlético Mineiro, campeão da Libertadores, consiga fazer frente ao Bayern no fim do ano, jogando como Inter, São Paulo e Corinthians jogaram contra Barcelona, Liverpool e Chelsea: como o time menor. Jogando consciente de suas limitações, marcando duro e aproveitando os erros. Esse é o quadro realista. 

Mas por que raios os clubes brasileiros, soberanos na América, não conseguem fazer frente aos Europeus a ponto de uma das principais camisas do País ter sido sumariamente humilhada no Camp Nou? Porque o futebol brasileiro não se importa com seus clubes.

Falta à CBF uma diretoria de clubes. Aquilo que muita gente chama de Liga, com ou sem racha com a atual direção. Um grupo que faça com os clubes o mesmo que é feito com a Seleção. Falta intercâmbio. Falta enxugar os Estaduais, permitindo que jogadores e técnicos possam ir à Europa ou mesmo até a vizinha Argentina fazer uma boa pré-temporada.

Falta fazer com que chineses, coreanos e japoneses saibam que Neymar era do Santos, Zico foi do Flamengo, entre outros, e se interessem tanto pelos brasileiros quanto pelo Manchester United, ajudando-os no aumento de receitas. 

Falta valorização interna. A distância aberta para o Barcelona é a mesma, por exemplo, que se tenta criar internamente, quando se paga mais em cotas de TV para alguns, desequilibrando o campeonato. O que já acontece na Espanha, que tem o Barça como um dos dois pólos, mas que tem um “país”, a Catalunha, trabalhando para si. Não o que acontece na Alemanha, do multi-campeão Bayern, que vê em Borussia Dortmund, Schalke 04, Bayer Leverkusen, Hamburgo e alguns outros rivais reais na briga pelo título nacional.

Por mais dolorosa que possa ter sido a goleada sofrida pelo Peixe, ela deve ser discutida abertamente por quem se importa com o futebol brasileiro. Santos, São Paulo e outros devem ir mais vezes ao exterior, como o Atlético Paranaense foi no começo do ano, disputar um torneio na Espanha em detrimento do Estadual. Como Cruzeiro e Fluminense fizeram nos EUA, durante a Copa das Confederações. Devem ir, interagir, vender sua marca, estudar mercados, ver novos jogadores. Devem contar também, principalmente, com a ajuda da CBF, desde repensar o calendário e a distribuição de renda até a conseguir que os clubes visitem esses mercados mais frequentemente.

Vai acontecer? Não sei. Depende da boa vontade de quem comanda o futebol brasileiro. Já as goleadas continuarão acontecendo, se nada disso for repensado.

  • Outro lado

Se a distância entre os brasileiros e os principais europeus ficou escancarada na derrota do Santos para o Barcelona, nas Américas, a economia do País está fazendo a diferença. Mesmo com todas as mazelas já citadas, pelo quarto ano seguido, o campeão da Libertadores é brasileiro; pelo nono ano seguido um brasileiro esteve na decisão, sendo que em 2005 e 2006 a final foi entre dois brasileiros. Nos últimos 21 anos – período que compreende também a consolidação do Plano Real – apenas em três ocasiões a final não teve ao menos um clube brasileiro. Do São Paulo de Telê ao Galo de Cuca, apenas em 1996, 2001 e 2004 a decisão deixou de ter um brasileiro, vagas que foram ocupadas pelos gigantes argentinos Boca (duas vezes) e River, América de Cali e Once Caldas da Colômbia e Cruz Azul do México.

Durante esse mês alguns clubes europeus visitaram a América invertendo o intercâmbio. Foram oito jogos com Porto de Portugal e os espanhóis, Sevilla e Atlético de Madrid visitando Nacional do Uruguai, Estudiantes de La Plata, Barcelona de Guayaquil, Deportivo Anzoátegui da Venezuela, Atlético Nacional da Colômbia, Universidade Católica do Chile e Sporting Cristal do Peru. No placar geral, 5 vitórias européias, 2 americanas e 1 empate. É difícil o exercício de colocar os brasileiros no comparativo. É possivel imaginar que se os três europeus ficassem apenas pelo Brasil, tivessem resultados piores. Mas é subjetivo e a realidade mais próxima é imaginar os brasileiros acima dos vizinhos, no nível dos médios europeus e abaixo dos grandes. Tanto é que o São Paulo acabou derrotando o Benfica, vice-campeão da Liga Europa.

É um posicionamento de mercado bom o suficiente para o que representa o futebol brasileiro?

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Time que ganhou Brasileiro sobre Santos de Pelé está à venda

Que tal ser dono de um clube campeão brasileiro, em uma cidade rica e com 370 mil habitantes, um estádio público com capacidade para 23 mil pessoas e uma torcida carente pelos velhos tempos? Em tese é a oportunidade oferecida por Aurélio Almeida (nenhuma relação com o blogueiro) que está colocando à venda o Grêmio de Esportes Maringá. Um time que superou até o Santos de Pelé, mas desapareceu com seus três títulos estaduais em meio as más administrações, a ponto de estar rebaixado à terceira divisão do Paraná para 2014. 

O valor, não confirmado pelo clube, é de R$ 5 milhões de reais. O comprador teria direito tão somente à marca “Grêmio de Esportes Maringá”. Objeto de desejo, diga-se, dos maringaenses, que nunca aceitaram bem a ideia do empresário conhecido pelo seu comportamento fantarrão comandar o time da cidade. Tanto que Maringá já teve outras duas tentativas de ter um novo “Grêmio”: o Metropolitano, que também disputa a segundona local, e o já extinto “Galo Maringá”, fruto de uma parceria com a ADAP, clube que jogava em Campo Mourão – Galo é o mascote do Grêmio.

O anúncio da venda do Grêmio, destinado ao prefeito da cidade

Aurélio Almeida não atende à imprensa. O assessor do clube, Nelson Alexandre, atendeu ao telefonema na sede do clube: “Queria saber dele também”, disse, para depois afirmar: “Olha, ele está em São Paulo. Parece que conseguiu um comprador para o clube. Estamos aqui esperando a notícia.” Quem comprar terá que refazer a imagem do Grêmio na cidade. Outrora dono de dois parques, o clube não tem mais nada. O pouco que sobrou está na justiça, numa disputa com os sócios remidos, que viram tudo ir a leilão.

O empresário comprou o Grêmio em 2002, na terceira tentativa de emplacar um clube no futebol paranaense. Antes, havia criado o Real Brasil e o Império do Futebol, ambos finados em situações precárias. O Império foi o último usuário do também finado Pinheirão, num acordo de Almeida com o ex-presidente da FPF, Onaireves Moura. Ao chegar no Grêmio, prometeu novos tempos. Até que conseguiu: disputou dois estaduais antes de anunciar o licenciamento por falta de dinheiro. Em paralelo, perdia credibilidade ao dever para diversos empresários da cidade, desde o ramo de hospedagem até alimentação. Seu grande momento foi a vitória no Clássico do Café sobre o Londrina, 1-0, em 2004, com transmissão da afiliada da Globo no Paraná para todo o Estado.

Em 2009 Almeida resolveu reativar o Grêmio. Já na temporada seguinte subiu da terceira para a segunda divisão, onde estacionou. Enfrentou o Paraná Clube na passagem do Tricolor pela segundona paranaense em 2011, no confronto entre os campeões estaduais presentes na competição – e perdeu as duas, 1-2 e 1-4. Neste ano, sob o comando do ex-goleiro do São Paulo e da Seleção Waldir Peres, acabou rebaixado para a terceirona, somando um único ponto em nove jogos. Peres acreditou no projeto do amigo Almeida, mas teve que lidar com um time que por vezes sequer tinha jogadores suficientes para o banco de reservas.

O ex-goleiro apenas se juntou as histórias pitorescas do dono do Grêmio. Em 2010, ele anunciou um amistoso contra o Boca Jrs., da Argentina, cancelado posteriormente, segundo o próprio Grêmio, porque o Boca se assustou com as cenas de violência no jogo Coritiba e Fluminense, em 2009. Aurélio levou seus jogadores várias vezes para o exterior, é verdade. Ele jogou no futebol mexicano e – conta – foi técnico das seleções de Belize e Aruba, da América Central. Mais: Almeida diz ser também dono do Puebla, clube mexicano campeão continental em 1991 e que hoje está na Liga MX, a primeira divisão nacional. Se realmente for verdade, é também verdade que o Grêmio nunca viu nenhum recurso ou jogador do time mexicano.

Em Maringá diz-se pelos cantos que a venda do Grêmio é mais um blefe de Aurélio Almeida, que quer calar os críticos após mais um insucesso, provando que ninguém tem interesse em tocar o Grêmio. Enquanto isso, outros desportistas da cidade fundaram em 2010 o Grêmio Metropolitano Maringá, uma tentativa de ocupar o lugar do Galo no coração dos maringaenses. Ainda não deu certo: no “clássico” entre ambos (deu, Metrô 4-0) apenas 332 pessoas pagaram ingressos. O Metrô fez campanha inversa ao do Grêmio: invicto, líder, com sete vitórias em nove jogos. Mas não garantiu acesso à elite paranaense: precisará disputar um hexagonal para botar Maringá no mapa do futebol paranaense novamente.

  • A vitória sobre o Santos:

Em 1969 a CBD – então coordenadora do futebol brasileiro – resolveu promover um campeonato entre os campeões regionais Centro-Sul e Norte-Nordeste (Sport), mais os campeões da Taça Brasil (Botafogo) e do Roberto Gomes Pedrosa (Santos). Depois de superar times do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o Grêmio venceu o Villa Nova-MG e passou pelo Sport Recife, duas vezes, por 3-0. O time encarou o Santos de Pelé em duas ocasiões (1-1 e 2-2), mas não houve o jogo desempate. A Revista Veja, à época, contou o caso:

Matéria de "Veja" conta o caso do jogo que não houve em 1969

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Barcelona é campeão… estadual

Time de Tito Villanova quebrou jejum de seis anos (Foto: FC Barcelona)

As ruas de Barcelona estão tomadas! É festa por toda a noite na Catalunha: o Barça é o campeão… estadual. Bem, talvez a festa não tenha sido tão grande assim, mas certamente houve, após a vitória nos pênaltis ontem, dia 29/05, sobre o rival Espanyol e o fim de um jejum de seis anos sem vencer a Copa Catalunya, uma espécie de campeonato estadual da região.

Talvez a principal notícia não seja o título do Barça, que atuou com Piqué, Xavi e os brasileiros Adriano (ex-Coritiba) e Rafinha, um paulistano de 20 anos que deixou o país aos 16 para a base barcelonista. Talvez o que lhe chame mais a atenção seja a existência de um campeonato estadual na Espanha.

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O Naming Rights depende da boa vontade de todos

Clubes aproveitam Copa para pressionar CBF

Conhecendo a rivalidade e o orgulho catalão, não é de se estranhar que a região tenha seu próprio torneio. A Copa Catalunya abrigou nesta temporada 73 clubes, que jogaram oito fases eliminatórias desde junho de 2012 até que dois chegassem às semifinais. Dois, porque nas semis já estavam Barcelona e Espanyol. Estes clubes estão divididos entre as cinco divisões nacionais da Espanha (Primeira, Segunda, Segunda B com 4 grupos, Terceira com 18 grupos e as divisões regionais, que são 21). Todas regiões têm seu próprio torneio.

O Barcelona jogou toda a competição com seu time B e são raros os registros estatísticos deste torneio. Uma das curiosidades é que as equipes podem fazer até sete substituições durante os jogos. Na semi, o Barça passou pelo Gymnàstic, clube que tem como maior destaque uma participação na primeira divisão em 2006/07, quando teve o atacante Gil (aquele, da lei). O Espanyol eliminou o Llagostera, equipe fundada em 1947 mas que reativou-se em 2003 e desde então só vem crescendo. Hoje está na 2a Divisão, próxima de subir para a Segundona que dá acesso à Liga principal.

Fato é que Barça e Espanyol fizeram um jogo disputado, com direito a expulsões e título decidido nos pênaltis. O título deixou o Barça como o maior campeão deste “estadual”, com sete títulos (nove vices) contra seis do Espanyol –  que perdeu sete finais. O terceiro maior campeão da região é o Gymnàstic, com duas conquistas.

A Liga Espanhola tem ainda uma rodada pendente, no próximo final de semana. O estadualzinho catalão não compromete as rodadas dos principais torneios, mantém as duas equipes de ponta (por critérios técnicos) como participantes de destaque e dá calendário anual aos times menores. Mantém a rivalidade local viva, uma vez que o Barcelona não tem o Espanyol como grande rival nos principais torneios que disputa e ainda revela jogadores para os clubes  – anote aí os nomes de Rafinha e do argentino Sergio Araújo.

Parece um bom formato, não, Brasil?

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Romário acusa CBF e Federação Paulista de favorecer dopagem

O deputado federal e ex-jogador da Seleção Romário usou as redes sociais para fazer uma denúncia contra o departamento anti-doping da Federação Paulista de Futebol que, com a conivência da CBF, estaria se utilizando de um laboratório não verificado pela organização mundial anti-dopagem (WADA, em sigla em inglês) para fazer os exames e, segundo ele, ter maior maleabilidade para aferir quem usa e quem não usa substâncias ilegais.

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“Não vale nada”

O “Baixinho”, que abriu guerra declarada contra José Maria Marin, presidente da CBF, postou a notícia por volta das oito da noite desta terça em duas redes sociais: Twitter e Facebook.

Confira, abaixo, o texto na íntegra:

Galera, boa noite

Hoje tive acesso a uma informação sobre um problema que muito preocupa o nosso esporte em geral e o futebol em particular: DOPING. Não só porque o uso de substâncias proibidas torna a disputa desleal, mas porque é um prejuízo a longo prazo para a saúde do atleta que se vale desse triste recurso.



Obtive a informação de que a CBF está validando exames de controle antidoping em laboratório que não é credenciado pela Agência Mundial Antidoping, a conhecida WADA, em inglês. Na América do Sul, apenas um laboratório é credenciado pela WADA, o Ladetc, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi o Ladetec, inclusive, que realizou, com exemplar profissionalismo, todos os exames dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

Agora, de forma inerte, a CBF está aceitando que a Federação Paulista de Futebol realize os exames dos jogadores que disputam o Campeonato Paulista no Laboratório da Universidade de São Paulo. Esse desrespeito nos leva a suspeitar dos resultados apurados naquele laboratório, que podem contribuir para esconder resultados positivos que, assim, não seriam do conhecimento da FIFA e da própria WADA e, se descobertos, poderiam ser desconsiderados, justamente por não serem de um laboratório credenciado.

Não seria por esse motivo que não temos observado notícias sobre casos de doping registrados no Campeonato Paulista? Não é estranho? Eu acho, muito estranho e perigoso.

O resultado de se realizar exame antidoping em laboratório não credenciado pode levar a situações como a vivida pelo volante Rodrigo Souto. A Corte Arbitral do Esporte divulgou o laudo do julgamento realizado em 13 de janeiro, na cidade do México, considerando “nulo” o processo da Conmebol que punia Rodrigo Souto com dois anos de suspensão.

Conforme notícia divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo, a WADA acolheu a prova de que o laboratório uruguaio que realizou a análise da urina do atleta não é credenciado pela WADA e que o réu não teve direito à ampla defesa.

Rodrigo Souto foi flagrado dopado na vitória do San José por 2 x 1, em Oruro,na Bolívia, em março de 2008, pela fase de grupos da Copa Libertadores. O exame detectou a presença de traços de cocaína na urina do meio-campista.

Observem o prejuízo sofrido pelo atleta e seu clube, o Santos, que se privou dele durante o primeiro turno do Brasileirão de 2008. Em seguida. A FIFA o liberou após o recurso dos advogados.
Pois são situações assim que jogadores e clubes paulistas estão na iminência de enfrentar ao confiaram os exames a um laboratório não credenciado pelo órgão máximo de controle do doping mundial, a WADA.

A CBF não pode ser relapsa a ponto de ignorar a responsabilidade dos laboratórios credenciados. Um país que vai receber a Copa do Mundo deve dar exemplo de respeito às normas internacionais do esporte. Mas não é isso que o Senhor José Maria Marin demonstra ao fechar os olhos para a ação irregular da Federação Paulista de Futebol que, por sinal, tem no seu comando o vice-presidente da CBF, Marco Polo del Nero. Náo é outra coincidência estranha, muito estranha? Eu acho.”

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O naming rights depende da boa vontade de todos

O Palmeiras anunciou oficialmente o acerto com a Allianz, empresa de seguros que vai alugar o nome do novo estádio do clube paulista pelos próximos 20 anos (leia mais aqui). Os valores estimados chegam perto dos R$ 300 milhões pelo período, dos quais somente 2)% irão para os cofres palmeirenses – mas esse é outro papo.

Foi o terceiro acordo similar no Brasil envolvendo estádios e clubes/administadores. E, para que isso seja levado a sério como negócio, é preciso que todos tenham boa vontade com essa fonte de renda importante aos clubes brasileiros.

Kyocera Arena, do Atlético: pioneira no Brasil

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Em 2005, o Atlético anunciou um acordo com a fábrica de eletrônicos japonesa Kyocera Mita, fundada em Kyoto. Durante três anos, a empresa alugou o nome do estádio do Furacão, o que rendeu US$ 1 milhão por ano ao clube. Um acordo considerado bom para a época, embora os números possam ser vistos como modestos 8 anos depois. O conceito Arena, que passou a ser usado em todo o Brasil, também foi pioneirismo do clube paranaense, em 1999. Hoje quase todos os novos estádios puxam por isso, justamente para comercializar o naming rights.

A Kyocera Arena, no entanto, enfrentou os problemas já previstos para a Allianz e a Itaipava (que dá o nome à nova Fonte Nova, em Salvador) no Brasil: a adesão da mídia e dos torcedores. É difícil que o torcedor passe a chamar o estádio de Allianz alguma coisa (três nomes estão em votação para escolha popular), mas não é impossível que a grande mídia chame o estádio assim, como acontece na Europa. O Terra transmite o Campeonato Alemão, onde já há uma Allianz Arena (casa do Bayern de Munique), uma Veltins Arena (do Schalke 04, com patrocínio de uma empresa cervejeira) e um clube-empresa, o Bayer Leverkusen, da fabricante de medicamentos do mesmo nome.

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Na época da Kyocera Arena, alguns veículos aderiram à proposta, outros não. Para o Atlético, o apoio representou um reforço de caixa que, coincidencia ou não, permitiu uma campanha de destaque com o vice da Libertadores 2005. Para o Palmeiras representa o mesmo, assim como para a gestão do estádio público em Salvador – negócio que vai pagando os custos da obra, bancada pelo Estado.

Sem a adesão ao nome, o que haverá é o afastamento dos patrocinadores desse tipo de projeto. Ninguém quer investir para não ser reconhecido. Equipes de vôlei brasileiras que vêm e vão podem confirmar isso.

Romantismo à parte, os torcedores baianos e palestrinos têm que entender a medida não como algo antipático, mas uma moeda a mais de fortalecimento dos times. E, convenhamos, Parque Antártica, um dos nomes prefeiros da torcida do Palmeiras, já não era referência a uma marca?

Em tempo: até por isso, se me fosse dado o poder de escolha do novo nome do estádio, ficaria com Parque Aliianz, nessa ordem.

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