Um sábado diferente*

Futebol Americano, coisa de brasileiro

Oito mil pessoas pagaram ingresso entre R$ 5 e R$ 10 para ver Coritiba Crocodilles 7-14 Fluminense Imperadores, final do Brasil Bowl, campeonato brasileiro de futebol americano. O Coxa perdeu o jogo, o Flu ficou com a taça, mas quem ganhou mesmo foi o esporte norte-americano.

Pela primeira vez em um grande estádio do país o Futebol Americano reuniu público superior a muitos de clubes das Séries A e B. Evidentemente, a sazonalidade ajudou, mas também provou-se que o esporte é viável, especialmente amparado pelas chancelas de Coritiba e Fluminense. Para se ter uma noção, além dos torcedores do Coxa, cerca de 500 torcedores do Fluminense se fizeram presentes no estádio.

Foi um sábado diferente, com jardas e quarterbacks, com touchdowns e wide receivers, num gramado acostumado a ver zagueiros e meio-campistas. No jogo, o Crocodilles fez o que pôde para superar o ótimo time carioca, reforçado por três norte-americanos semi-profissionais. Esteve perdendo, empatou, mas errou na saída de uma jogada e perdeu a taça. Mesmo assim, valeu a luta e também a bonita festa dos cariocas. Assim como em 2010, o Croco ficou com o vice Brasileiro. Claro que as gozações dos rivais atleticanos são válidas e deveriam inclusive ser motivo de impulso a parceria com um dos outros dois times da cidade, o Hurricanes e o Brown Spiders.

Cobrar resultados de um esporte que há cinco anos era praticado por seis ou sete abnegados e hoje já leva 8 mil pessoas a um estádio, é demais. Seria maldade condenar desempenho de um ou outro pela perda, assim como não enxergar que não houve perda e sim ganho e crescimento. O título é o de menos. Tão maldade quanto exigir desempenho é ligar a decisão festiva – e com bebida alcóolica sendo vendida, para deleite do torcedor consciente – ao fatídico encontro entre os dois times, no futebol, em 2009. Espero não ver esse tipo de comparação burra por aí.

* O título é referência ao filme “Um domingo qualquer”, sobre os bastidores do Futebol Americano nos EUA, onde o esporte é bem menos inocente do que aqui.

Aqui pode, Elano!

O Brasil deu vexame na Copa América, eliminado nos pênaltis pelo Paraguai. Em uma das cobranças o meia Elano, do Santos, caprichou: mandou na lua. Não seria tão ruim se ele fosse um kicker de Futebol Americano, esporte que ganha terreno a cada ano no Brasil.

A bola oval já não é tão estranha aos brazucas. E em tempos nos quais os EUA passaram a ser potência no futebol, nada mais natural que os brasileiros pudessem invadir o field deles também. Eis que Curitiba é uma das principais capitais do Futebol Americano no Brasil. E no final de semana passado o tricampeão paranaense e atual vice-campeão brasileiro, Coritiba Crocodilles (sim, Coritiba, como o clube de futebol que o apoia, e não Curitiba, como a cidade), recebeu e venceu o Porto Alegre Pumpkins por 19 a 2, na estréia da temporada 2011, a segunda da LBFA (Liga Brasileira de Futebol Americano). Abaixo, você confere os melhores momentos desse jogo, exibidos hoje no Jogo Aberto Paraná:

O Paraná tem ainda o Curitiba Brown Spiders e o Foz do Iguaçu Sharks nessa competição. O Spiders iria estrear no Grupo Sul contra o Joinville Gladiators, mas, como você viu acima, o gramado ficou impraticável. A estréia foi adiada, ainda sem data marcada. Já os Sharks venceram o Santa Cruz Chacais-RS por 32 a 6 e lideram a chave. A classificação está aqui.

Não é só o Coxa que apoia um time de Futebol Americano – no caso, o Croco. O Fluminense do Rio também adotou o Imperadores, que lidera o Grupo Norte. Lá está também o atual campeão brasileiro, o Cuiabá Arsenal, que bateu o Crocodilles na decisão 2010. Vasco, Palmeiras e Santos também montaram equipes recentemente. Outro time de futebol que apoia o futebol americano é o Corinthians, que mantém o Steamrollers. O Big Team (ou Helm), no entanto, disputa outra liga nacional: o Torneio Touchdown.

Nela estão outros três paranaenses: Curitiba Hurricanes, Curitiba Predadores e Ponta Grossa Phantons. A rodada de estréia foi terrível para eles, com três derrotas. Clicando aqui, você acha os resultados e a classificação.

As ligas são separadas, mas no Estadual os clubes jogam entre si. Ao final do ano, o Brasil deve ter dois campeões nacionais (um da Liga, outro do Touchdown) que negociam ainda a idéia da realização de uma espécie de Super-Bowl, o grande evento esportivo norte-americano, que decide o campeão máximo da NFL (liga dos EUA), que também tem duas ligas internas.

Como nos demais esportes americanos (NBA, Hóquei) o campeão se auto-intitula “Campeão Mundial”. Mas eles que se cuidem. Depois de aprenderem as regras e desenvolverem o esporte no país, os brasileiros conterrâneos de Elano começam a mostrar que sabem marcar field goals como poucos.