Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 11/07/2012

O bonde da história

Alexandre Gomes, curitibano campeão mundial de poker, desistiu de disputar o título dessa temporada no WSOP Las Vegas para ver a decisão de hoje na Copa do Brasil, envolvendo o seu Coritiba contra o Palmeiras. Alê disse: “WSOP tem todo ano, final de Copa do Brasil não.” Curiosamente, nos últimos dois anos, para o Coxa, foi freqüente – feito só alcançado por Grêmio, Corinthians e Flamengo (o único a não ser campeão quando decidiu por duas vezes seguidas). Reverter o 0-2 imposto pelos paulistas não será tarefa fácil – nem impossível. É fato que o 6-0 do ano passado ainda impõe terror na cabeça dos palmeirenses. Mas uma coisa é golear ao natural, outra é vencer precisando fazer a diferença, contra o relógio. Campeão ou não, vislumbro que a máxima de Alê Gomes deve ser levada em consideração hoje. Precisamos que o futebol do Estado seja mais regular em decisões para não perder as chances que foram perdidas no primeiro jogo. A perna tem que pesar menos. O Atlético o fez no início dos anos 2000, mas de 2006 pra cá, ostracismo. Ao Coxa, resta saber lidar com o título aproveitando o crescimento e, em caso de perda, entender que o projeto tem que ser maior. Senão perderá o bonde da história.

Marcelo Oliveira

Questionado pela torcida, desde que chegou até pouco tempo atrás, finalmente o técnico Marcelo Oliveira é reconhecido como peça-chave no sucesso recente do Coxa. Mais do que ninguém, tenho certeza, ele quer vencer o jogo e ficar com a taça hoje. Para Oliveira, é a confirmação do que muitos que vêem o trabalho nos bastidores já sabem. Mais do que isso, deixará para trás de vez o questionamento a respeito da decisão de 2011, contra o Vasco, quando alterou o time no jogo final. Sedimentará a entrada no rol dos grandes treinadores do Brasil. Mesmo sem título, já está em outro patamar. Não à toa foi sondado pelo São Paulo FC antes da decisão. Ficou por caráter e pela vontade de vencer. É o personagem da finalíssima.

Acordando

Depois da bronca pública do técnico Jorginho, que chegou a dizer que o time atual do Atlético fedia, outra bronca nos vestiários contra o América-MG, uma reação não suficiente no placar, mas motivadora em atitude. Parece que o Furacão está acordando. Talvez, enquanto você lê essa coluna, já tenha conseguido a primeira vitória sob o comando do novo técnico. Mas mais do que isso, os nomes de Wellington Saci, João Paulo e Elias, próximos ou já certos, e os já estreados Weverton e Luiz Alberto mostram que demorou, mas a diretoria viu que era necessário reforçar. Com a recuperação física de Liguera e Zezinho, o time ficará encorpado. Dar tempo para Jorginho trabalhar e arrumar um 9 – quem sabe o uruguaio Morro Garcia, patrimônio “sucateado” do clube – podem ser a salvação do desastre anunciado do rubro-negro na Série B.

Mini-Guia da Copa do Brasil 2012: Decisão

A imagem: um ano depois do massacre, alviverdes se encontram na final

Chegou o dia! Pelo segundo ano consecutivo, fazendo história, o Coritiba está na decisão da Copa do Brasil. Desta vez o adversário é o Palmeiras.

Como em todas as fases anteriores, o blog apresenta um mini-guia dos adversários paranaenses. Saibamos então o que espera o Coxa nos dois jogos da final:

A campanha do Palmeiras

O time paulista chega à decisão invicto e, caso campeão da Copa do Brasil, poderá reivindicar também o título paranaense: foi algoz de Paraná e Atlético nas fases anteriores. Foram 7 vitórias e 2 empates em 9 jogos, tendo levado 5 gols e marcado 20.

Para chegar à decisão contra o Coxa, o Verdão passou por Coruripe-AL (1-0 e 3-0), Horizonte-CE (3-1), Paraná (2-1 e 4-0), Atlético (2-2 e 2-0) e Grêmio (2-0 e 1-1). A campanha é linear: em casa, 3 vitórias e 1 empate; fora, 4 vitórias e 1 empate.

No comparativo: o Coxa fez 10 jogos (1 a mais) com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, marcou 16 e levou 4. Logo, o Coxa pega um time com ataque mais efetivo, mas tem defesa menos vazada.

Na história

O Coxa fará a sua segunda decisão de Copa do Brasil na história (a primeira foi ano passado, acabou perdendo o título para o Vasco) enquanto o Palmeiras chega pela terceira vez a uma final. Para os supersticiosos, vale a pena ler esse texto.

Em 1996, perdeu a decisão para o Cruzeiro  (1-1 e 0-2) e ficou com o vice; deu o troco dois anos depois, contra o mesmo Cruzeiro, ao vencer por 2-0, depois de perder o jogo de ida por 0-1. O gol do título saiu aos 44 do 2o tempo, com o ex-atleticano Oséas:

Em confrontos diretos, vantagem palmeirense. São 11 vitórias coritibanas contra 16 paulistas e 10 empates. Pela Copa do Brasil, 4 encontros. Em 1997, o Palmeiras eliminou o Coritiba ao vencer por 1-0 no Couto e 4-2 em SP; no ano passado, o Coxa despachou o Porco, com requintes de crueldade. O massacre por 6-0 entrou para a história:

No jogo de volta, virtualmente eliminado, o Palmeiras, que havia perdido o recorde nacional de vitórias para o próprio Coritiba, acabou encerrando uma sequencia de 24 vitórias que entrou para o Guinness Book como a principal série de triunfos no futebol mundial. A vitória foi por 2-0:

Do time que foi goleado pelo Coritiba, o Palmeiras tem poucos jogadores que estarão em campo nessas finais. João Vitor, Marcos Assunção e Márcio Araújo seguem no time, enquanto o técnico ainda é Luiz Felipe Scolari. Dois jogadores que defenderam o time paulista naquele ano estão agora no Alviverde paranaense: Lincoln e Chico.

As armas

O Coxa leva vantagem no entrosamento, mas deve abrir o olho com três jogadores do Palmeiras.

Valdívia é o meia armador. Habilidoso e rápido, cria boas situações para os atacantes e também costuma chegar para o arremate. É genioso – logo, facilmente irritável – e, como quase todo latino (é chileno), joga com muita aplicação.

Mazinho é o atacante que cai pelos lados. Habilidoso, conduz a bola em velocidade e arremata com perigo. Ganhou o apelido de “Messi Black” pelos mais fanáticos palmeirenses. A comparação é válida até a página 2. Mas isso não diminui o perigo.

Marcos Assunção é o líder do time. Volante que sai pro jogo, ajuda na armação de jogadas e é perigosíssimo nas bolas paradas. Por isso é melhor evitar faltas próximas à área.

O Palmeiras perdeu outro bom jogador para as finais, o atacante Barcos, que acordou com apendicite nesta quinta. O desfalque de última hora pode fazer o time mudar a forma de jogar, com dois atacantes de velocidade, se optar por Maikon Leite (ex-Atlético) ou simplesmente mudar a peça, usando Betinho (aquele mesmo, do Coritiba 2010) no ataque.

Ainda vale lembrar a história de Felipão com o lateral-direito Arce. Foi em 1996, pelo Grêmio, antes da final contra a Portuguesa.

O fator casa

Tenho defendido que o Coxa tem uma leve vantagem nessas finais, sobre o Palmeiras. E parte disso é o fator Couto Pereira. Na primeira partida, o Coxa encara um estádio em formato arena, com proximidade da torcida, mas que não tem identificação com o adversário.

Torcedor é vibrante em qualquer campo na hora da decisão. Mas conhecer as dimensões do gramado, estar ambientado aos funcionários, aos vestiários, conhecer os atalhos, é uma senhora vantagem. Além da mística de jogar realmente em casa.

O trunfo do Coxa é o Couto Pereira. Em Barueri, o Coxa encara um bom time e alguma pressão; em Curitiba, o Palmeiras estará num alçapão hostil em que o dono conhece cada centímetro do gramado.

Faz diferença.

Videocast #007 – É hora de decisão: Copa do BR, Libertadores, Série Prata…

Semana cheia, videocast comentando a decisão da Copa do Brasil para o Coritiba, a carência já crônica no Atlético, o impacto de uma conquista do Corinthians no Paraná, o retorno do Paraná Clube à elite local, o fim (ou não) do Pinheirão e alguns golaços!

Confira e comente!

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 04/07/2012

Futebol é coletivo

A constatação clássica explica porque o Coritiba tem ligeiro favoritismo frente ao Palmeiras na decisão da Copa do Brasil, que se inicia amanhã. O Verdão é um time com mais talentos individuais (que são poucos) que o Coxa, mas não tem a vantagem de jogar em seu estádio, tampouco tem o grande trunfo coritibano: o entrosamento. A montagem desse time, acredite, vem do fatídico 2009. A manutenção daquela espinha dorsal, reforçada sutilmente ano a ano, quase deu frutos em 2011, com um time mais talentoso que o atual. Mas nesse ano, está madura. Curiosamente, estudo da Pluri Consultoria aponta uma diferença de R$ 57 milhões entre o que gastou o Coritiba e o que aplicou o Palmeiras na montagem dos times. Já é uma vitória do Coxa. Por isso, o leve favoritismo, a ser provado dentro de campo, deve ser comemorado. Escolhas inteligentes, time competitivo.

R$ 57 milhões ou uma casa nova

O que o Palmeiras gastou a mais que o Coritiba para montar o time é, coincidentemente, o valor que arrematou (mais 500 mil reais) o Pinheirão em leilão na semana que passou. O grupo Destro agora corre com a documentação para acertar as pendências do arremate. Por isso, o destino do ex-estádio da FPF segue em aberto. Mas o próprio empresário João Destro, em entrevista à jornalista Nadja Mauad, admitiu que já foi sondado por gente falando pelo Coritiba e pela construtora OAS para saber o destino da obra. Há muito que o presidente coxa Vilson Andrade mantém o negócio de se construir um novo estádio em sigilo (quase) absoluto. Ao que tudo indica – e isso não é uma informação – os alviverdes poderão ter boas notícias ao final da conclusão do arremate.

A César o que é de César

A coluna é fechada antes do termino dos jogos da noite, por isso é impossível afirmar que o torcedor paranista acordou comemorando a volta à elite estadual, o que aconteceria com uma vitória simples sobre o Grêmio Maringá. Mas, se ela ainda não veio, virá; é inevitável. A campanha diz tudo: apenas um empate e só vitórias em 14 jogos. Nesse momento, justiça seja feita a um personagem: Paulo César Silva. Apaixonado pelo Paraná estava na diretoria que caiu em 2011 e foi um dos poucos a ficar. Reinventou-se como dirigente e como ser humano, ao passar por um drama familiar, recolhendo-se dos holofotes e delegando funções acertadamente. Assim trouxe Alex Brasil e Ricardinho para a linha de frente do futebol. Volta à primeira divisão paranaense e já faz campanha melhor que a do Atlético na B nacional, com um orçamento quatro vezes mais modesto. Ao Paulão, o reconhecimento pela vitória.

Odor

Reforços. Reforços. Reforços. Repita até virar realidade, pois só assim o Atlético voltará à primeira divisão nacional. O elenco atual, disse Jorginho acertadamente, fede.

Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 27/06/2012

O compromisso com o erro

Está tudo errado no futebol do Atlético em 2012 e a classificação na Série B do Brasileiro atesta isso. Por isso, apesar de cair na chacota popular, a troca de comando técnico – ainda não 100% confirmada – de Ricardo Drubscky, recém chegado (dois jogos) não deve ser vista como um erro; é uma correção de rota. Erro é insistir em um técnico inexperiente comandando um elenco falho. Drubscky, até o fechamento dessa coluna ainda no cargo, não tem o perfil necessário que o Furacão precisa para voltar à elite ainda nesse ano. Pode ser útil na base, no Sub-23, time que deverá jogar o Estadual 2013. Mas para a Série B o nome de Jorginho, campeão desta competição no ano passado com a Portuguesa, é sem dúvida o mais adequado ao momento. Atlético ou ninguém deve ter compromisso com o erro e ao se confirmar essa informação, isso deve ser mais valorizado do que a aposta errada. Mas vale lembrar que só a troca de treinador não resolve: reforços são exigidos para o objetivo.

A frase

“O melhor para o torcedor do Atlético é ver o time campeão e de volta a Serie A. O Atlético precisa ser forte e eu to pensando mais no Atlético”, disse Jorginho, dando a entender que comprou o projeto, em entrevista à Rádio CBN Curitiba ontem.

O símbolo

Dinheiro não é tudo, nem mesmo no mercado do futebol. Lúcio Flávio estreou bem e faz bem ao Paraná Clube – que já é melhor que o Atlético na Série B.

O fator casa

Faltam ainda 15 dias para o início da série decisiva da Copa do Brasil entre Coritiba e Palmeiras, mas desde já firmo posição. No campo, confronto equilibrado, com o Coxa vivendo um momento ligeiramente melhor. Fora dele, vantagem ampla paranaense. Não dá para negar que o Couto Pereira pesará na decisão, enquanto o Palmeiras mandará o jogo em um campo sem identificação, Barueri. Esse ano, o Coxa não deixa escapar.

Pobre mercado esportivo

Defende – justamente – fim da censura em alguns casos, mas aplica censura velada em outros; majora em 40% o valor da anuidade, sem realizar reciclagem de profissionais, ciclo de palestras, integração com universidades e outros benefícios para a classe; tornou-se um pedágio inconstitucional para o trabalho, mesmo de quem está referendado por um veículo, tem 10 anos de exercício, formação acadêmica e está autorizado pelo dono do espetáculo; usa de truculência nas ações; libera associação mediante pagamento, se pretendendo reguladora profissional, botando os clubes em maus lençóis; serve como trampolim político. Qual o futuro de quem leva a notícia ao público esportivo com esse cenário em determinada associação? Que interesses são defendidos por quem escreve a notícia que você lê/ouve? Olho aberto, leitor.

Um feito para a história

Emerson: jogada aérea, com gramado encharcado, seria mortal. E foi. (foto: AI)

Aguerrido, pragmático, preciso. Seja qual o adjetivo escolhido para qualificar o Coritiba que eliminou o São Paulo e está pela segunda vez seguida na decisão da Copa do Brasil. O Coxa foi melhor que o São Paulo nos dois jogos e, convenhamos, nem passou tanto sufoco assim, muito embora Vanderlei tenha feito duas boas defesas. Não houve um único destaque: todos em campo jogaram demais. Até mesmo o criticado Roberto. Se há algum mérito individual – nenhum que se sobresaia ao coletivo – é para o técnico Marcelo Oliveira, que foi ousado na escalação e não arredou pé durante os 90′.

Agora, a decisão. Seja contra Palmeiras ou Grêmio – dois papões da Copa do Brasil – o Coritiba chega em pé de igualdade. Deve pegar o Verdão paulista (a se confirmar hoje) o que pode ser melhor por um fato significativo: o Palmeiras não tem casa. Enquanto o Couto Pereira tem a impressionante marca de 11 vitórias seguidas (incluindo 2011) pela Copa do Brasil a favor do dono da casa.

Campeão ou não, o Coxa justifica cada palavra escrita neste texto (clique para ler). Agora é impossível prever. Mas é possível colocar o Coritiba 2011/12 entre um seleto rol, com uma curiosa tendência, a ser observada abaixo.

O Coritiba se junta à Grêmio, Corinthians (este, por duas vezes) e Flamengo como únicas equipes a chegar a duas finais de Copa do Brasil consecutivas. E a história aponta que o torcedor coxa-branca pode sonhar como nunca antes com o título.

Os times que conquistaram esse feito antes levantaram o caneco na segunda decisão – exceção ao Flamengo, que perdeu as duas.

Em 1993, o Grêmio perdeu a taça para o Cruzeiro; em 94, papou o Ceará. Os gaúchos ainda conseguiram a proeza de chegar novamente em 95, mas perderam para o Corinthians.

Em 2001, o Corinthians levou o troco na final, perdendo para o Grêmio. Mas voltou no ano seguinte e foi campeão, sobre o Brasiliense. Nova dobradinha corintiana em 2008/09: derrota para o Sport, vitória sobre o Internacional.

Só o Flamengo, vice do Cruzeiro em 2003 e do Santo André em 2004, não aprendeu a lição de um ano para outro.

Restará ao Coritiba mostrar, à Palmeiras ou Grêmio, que também tirou lições de 2011. E levantar mais um título nacional, o primeiro da Copa do Brasil para o Paraná, o primeiro de grande importância desde 1985.

Prorrogação

Tcheco não parou nesta quarta. Bem conversado, vai até  dezembro – ou a Libertadores, porque não?

Loucura

Os coxas são mesmo uns loucos, ao menos para Mário Celso Petraglia.

Arremate

Por corporativismo barato e em desrespeito à constituição brasileira, fui impelido (com “l” mesmo) de trabalhar na partida entre Coritiba x São Paulo por uma associação de classe que se pretende reguladora de profissão. O tempo e a justiça mostrarão a verdade. Em tese, o torcedor não tem nada com isso. Mas paga por encontrar um mercado viciado – e reclama, muitas vezes generalizando os profissionais de imprensa. Há males que vem para bem e tomara que seja o caso, o início de uma nova mentalidade na imprensa.

Em tempo: agradecimento à vários colegas e ao Coritiba Foot Ball Club pelo suporte no caso.

Abrindo o Jogo – Coluna de 20/06/2012 no Jornal Metro Curitiba

Chove, chuva!

A previsão do tempo para hoje é chuva, da manhã até a noite. Para as 21h, de acordo com o site Climatempo, mais água. Quando a bola rolar para o segundo jogo entre Coritiba e São Paulo (0-1 na ida) pela Copa do Brasil, o campo, mesmo com boa drenagem, estará encharcado. E apesar da necessidade do Coxa ser fazer um ou mais gols e de preferência não sofrer nenhum, a chuva é uma aliada. O São Paulo tem um time mais técnico e leve que o Alviverde, com Casemiro e Jadson trocando passes em velocidade, Lucas conduzindo a bola na diagonal e Luís Fabiano, perigoso e rápido, mas de média estatura. Já o Coxa tem como principal jogada no ano a bola alta. Foi assim no Paranaense, com Emerson e Pereira fazendo gols em cruzamentos invariavelmente saídos dos pés de Tcheco. Por isso com concluo: o São Paulo vem da Terra da Garoa, mas São Pedro é coxa-branca.

Despedida?

Ganhando, o Coritiba chega pela segunda vez seguida à final da Copa do Brasil; perdendo, dá adeus não só à competição, mas também ao maior ídolo do atual elenco, o meia Tcheco. Formado no Paraná, destacou-se no Malutrom antes de aportar no Alto da Glória. Pelo Coxa, três títulos paranaenses e um da Série B. Também ajudou o clube a se classificar para a Copa Libertadores de 2004, última participação alviverde. Aos 36 anos, Tcheco até teria bola para continuar mais um tempo. Ouviu pedidos de todos os lados: da torcida, de segmentos da imprensa e até do rival Paulo Baier para que siga jogando ao menos até dezembro. Não quer. Vai ser gerente de futebol auxiliando Felipe Ximenes. Só a vitória adia a aposentadoria de Tcheco. Imagine o quanto vale o jogo de hoje para o humano dentro da camisa do Coritiba.

Ambição

Ricardo Drubscky já é realidade no Atlético, mas passou despercebida uma declaração do ex-técnico Juan Ramón Carrasco que denota o grau de dificuldade que o substituto terá – e que se acentuou após uma estréia ruim no 0-0 com o Goiás em Paranaguá. Disse Carrasco: “Não nos foi exigido conquista, o importante é subir”, sobre os planos da diretoria rubro-negra para a temporada. Aprendi cedo na vida que é importante ao menos mirar nas estrelas, pois mesmo errando às vezes, chegaremos mais perto do topo. Não querer ser campeão é jogar contra a história do Atlético. Taça é taça. E para ganhar, é preciso reforçar um elenco que patinou num Estadual fraco. Sem contratar, nem Drubscky, nem Carrasco, nem mesmo Pep Guardiola darão o acesso ao Furacão.

Convite

Tenho apostado na convergência de mídias na internet, com vídeos e áudios, entrevistas especiais, informações e comentários no blog bemparana.com.br/napoalmeida. Convido você a visitar e comentar, ajudando nesse novo projeto.

Videocast #006 – Coxa na Copa do Brasil, reforços no Atlético e a nova gata do Romário!

Videocast #006 no ar!

Em pauta, a semifinal da Copa do Brasil entre Coxa e São Paulo, a necessidade do Atlético reforçar, um pedido: entrega logo a taça da Série Prata, Euro 2012 e a nova gata do Romário: Márcia Magalhães, assessora do Baixinho, gente da terra, gente nossa!

Confira e comente!

Green Hell, por que não?

Festa de luzes e cores no Couto: por que não?

Na semana que passou o futebol deu mais um passo para trás. No clássico paulista entre Santos x Corinthians (0-1) pela Libertadores, a PM proibiu aquilo que chamou de provocações: faixas das torcidas tirando sarro dos rivais. “Eterno 7 x 1” e “Às vezes em segundo, nunca na Segunda” eram textos vistos frequentemente dos dois lados quando os times se encontram e que no jogo da Vila Belmiro foram vetados, sob a justificativa de preservar a paz. No entanto, isso não impediu a torcida do Santos de, reprovadamente, retirar o capacete de um PM de SP e atirá-lo ao gramado. Com isso, já surgiram comentários espirituosos como “no próximo clássico, vão proibir torcedores com mãos de ir ao estádio”. É o velho raciocínio preguiçoso das autoridades brasileiras: matar o cachorro para acabar com as pulgas.

Proibir é a regra, estejam certos ou errados os torcedores. O “Green Hell” criado pela torcida coxa-branca é uma bonita festa de cores (verde, claro), luzes e fogos e não incita ninguém à violência. Também não deixa os jogadores em campo em perigo – talvez deixe os adversários do Coxa um pouco assustados, no máximo. Serve para “incendiar” o ambiente, no sentido mais positivo da palavra. É parte da mística do futebol. Aquela que tentam acabar a cada dia.

Talvez o “Green Hell” tenha um outro problema: atrasa um pouco o início do jogo. Não que o horário seja uma preocupação central de quem transmite o evento. Afinal, o horário das 22h já privilegia a imensa maioria de interessados que não vai ao estádio, ficando no conforto do lar, com ou sem aquela cervejinha (a mesma proibida nos estádios desde antes dos episódios de 2009 no Couto, por exemplo) na mão. Os poucos privilegiados que podem ver o espetáculo ao vivo (tanto pelo preço quanto pela disposição) já sabem – e creio que não se importem – que um jogo in loco tem seus atrasos. Vão demorar a chegar em casa e o que querem mesmo é ao menos voltarem felizes ou orgulhosos.

“Secretamente” (se é que há como organizar algo coletivo numa rede social sem que ninguém saiba), a torcida do Coritiba pretendia surpreender o time e a diretoria com um “Green Hell ilegal” na partida dessa quarta-feira contra o São Paulo, no jogo de volta (0-1 SP ida) pela Copa do Brasil. Foi o que bastou para o clube soltar uma nota de esclarecimento que diz, entre outras, que “o clube também pede a colaboração de seu torcedor para que não traga ao estádio nenhum tipo de fogos de artifício, piscas ou sinalizadores, lembrando que haverá uma revista minuciosa na entrada dos torcedores.” Algo do tipo, “nem vem que não tem.”

Nesse ano, contra o Ceará pela Copa do Brasil, a torcida do Paraná fez sua parte levando sinalizadores e fazendo uma bonita festa. O clube acabou julgado no artigo 213 do CBJD pelo atraso de 3 minutos, em que podia ser punido de R$ 1 mil a 100 mil por minuto de atraso.  Foi apenado em R$ 1,2 mil – possivelmente 50 a 60% do valor da festa que a torcida coxa pretende fazer.

Mas o que importa mesmo é que ninguém tem um “porque” decente para o não. O “Green Hell” é esporádico (cada vez mais) o que só valoriza a ação; não agride, não ofende – embora os narradores fiquem com a respiração trancada por alguns minutos; talvez atrase um pouco o jornal, mas, vá lá, nem todos os filmes da madrugada são tão bons assim. Entre proibições, o futebol vai perdendo seu encanto. Deviam deixar pelo menos o pessoal torcer em paz.

Mini-Guia da Copa do Brasil, fase semifinal

Pelo segundo ano consecutivo, pela quinta vez na história, o Coritiba é semifinalista da Copa do Brasil. Operário, Paraná e Atlético ficaram pelo caminho e cabe ao Coxa a honra de representar não só a si, mas também ao Paraná em uma série semifinal que ainda tem um gaúcho e dois paulistas.

Finalista em 2011 (perdeu o título nos critérios para o Vasco) o Coritiba enfrenta o São Paulo, clube mais poderoso do País, mas que está desacostumado com a Copa do Brasil. Nos últimos 10 anos, o São Paulo disputou a competição nacional apenas três vezes (estava na Libertadores nas demais). Ao Coxa, cabe o rótulo de azarão: entre os quatro, é o de menor investimento; no entanto, tem se acostumado com o formato da competição.

Coritiba x São Paulo

Ida: 14/06 – 21h – Morumbi, São Paulo
Volta: 20/06 – 21h50 – Couto Pereira, Curitiba

A exemplo do Coritiba, a melhor campanha do Tricolor Paulista na Copa do Brasil é um vice-campeonato. Em 2000 perdeu para o Cruzeiro na decisão. O São Paulo leva ligeiro favoritismo na série, mas não é um supertime; conta com dois jogadores de qualidade acima da média, como os atacantes Lucas e  Luís Fabiano. Ainda tem bons valores, casos do lateral-esquerdo Cortês, do meia Casemiro e dos ex-atleticanos Rhodolfo (zagueiro) e Jadson (meia). No banco, o experiente técnico Emerson Leão. Mas na temporada, altos e baixos. No Paulistão, o time parou nas semifinais. No Brasileiro, é 8 ou 80: duas vitórias em casa, duas derrotas fora.

Em casa, o SPFC está 100% na Copa do Brasil. Superou Independente-PA (4-0), Ponte Preta (3-1) e Goiás (2-0) – eliminou ainda o Bahia de Feira sem precisar jogar no Morumbi. Tem jogado no 4-4-2, com as principais jogadas saindo pelo lado esquerdo com Cortês ou em tabelas rápidas pelo meio, com o trio Casemiro-Jadson-Lucas.

Contra a Ponte Preta, o SPFC encontrou muitas dificuldades. Depois de perder o jogo em Campinas (0-1) saiu atrás no Morumbi e não conseguia furar a boa marcação da Ponte. Mas empatou em uma jogada de bola parada e contou com uma falha bisonha da defesa adversária. A partir dali, virou dono do jogo. Veja os lances:

Na história será o primeiro confronto pela Copa do Brasil. No geral, vantagem sampaulina: 11 vitórias do Coritiba contra 17 paulistas, e 10 empates. A maior goleada do confronto pertence ao Coxa: 4-0 no Brasileiro de 1972. No último jogo no Morumbi, 0-0; no último no Couto Pereira, 3-4 para os paulistas.

Se passar pelo São Paulo, o Coxa decide o título contra Grêmio ou Palmeiras.

Grêmio x Palmeiras

Ida: 13/06 – 21h50 – Olímpico, Porto Alegre
Volta:  21/06 – 21h – Arena Barueri, Barueri

Muita tradição e rivalidade em campo. Duelo Luxemburgo x Felipão, 18 anos depois, com papéis invertidos. Leve favoritismo do Grêmio. Abaixo, dois grandes jogos entre os times, que entraram para a história, nas quartas-de-final da Copa Libertadores. Na ida, 5-0 Grêmio e vaga 100% garantida. Ou quase: o Palmeiras ficou perto de devolver o placar: