Exclusivo: “Vai ser positivo, vamos nos unir”, diz chefe da delegação sobre Neymar

Vilson Andrade: "Temos força para ganhar sem Neymar"

E agora Brasil, sem Neymar? Vilson Ribeiro de Andrade chefe da delegação brasileira na Copa 2014 garante que o pior já passou. O susto e a consternação pela saída do craque da Copa podem virar energia. O presidente do Coritiba atendeu gentilmente a reportagem do Terra na noite deste sábado, logo após a definição das semifinais do Mundial. Confira o papo.

Como ficou o espírito da Seleção com saída de Neymar?

Olha, ontem a gente fez uma viagem complicada, por que saímos de Fortaleza e não tínhamos informações do que tinha acontecido. Fomos obtendo contatos indiretos. Preparamos o avião, ele veio conosco, foi uma preocupação grande. Depois de 3h de voo, chegamos aqui [Teresópolis, RJ] era perto da 1h da manha, e o ambiente foi melhorando. Ele já estava melhor, dormiu bem. Amanheceu, almoçou com os colegas, conversou com todos. Melhorou muito. O pessoal se comprometeu muito em brigar por ele. Acho que vai ser muito bom, positivo, vamos nos unir mais.

Cá entre nós, o Felipão está obviamente chateado com a perda, mas ele chega a gostar desse tipo de dificuldade, não?

Ele consegue trabalhar muito bem com isso. Trabalha muito o campo, o lado psicológico. Ele conhece o grupo e tem o grupo na mão. É um passo fundamental para o sucesso. É difícil você ver isso. O Brasil na realidade tem um grupo. O Neymar é fabuloso, fantástico… mas na dificuldade… eu vi uma frase assim “talento ganha jogo, grupo ganha campeonato”. A ausência vai ser sentida, mas quem ganha campeonato é grupo. Esse é o sentimento aqui. Todos estão sentidos, mas estão aqui porque são os melhores do país. A vida não para, e nós temos condições de ser campeões, estamos no nível de todos. A diferença é muito pequena entre os times.

E os alemães, será que gostaram da notícia, a parte o lado pessoal de ser uma lesão?

Isso é relativo. Tivemos [Coritiba] uma final contra o Palmeiras na Copa do Brasil,  que no dia o principal jogador deles, o Barcos, teve apendicite e foi operado de emergencia. Entrou o quarto centroavante deles [Betinho], que não jogava nem aqui com a gente e acabou fazendo o gol do titulo, foi decisivo. Ninguém pensava, ninguém esperava, é relativo. As vezes quem entra tem sucesso, as vezes não tem. Os alemães vão jogar no modelo deles: técnica, tática e disciplina.

E hoje, quando tudo acalmava, teve o problema com o Marcelo, que perdeu o avô…

É… mas o avô já estava doente, num processo de câncer… já tava internado, ultimamente hospitalizado, desenganado. A morte foi sentida, mas ele já estava esperando. Ele resolveu ficar, não ir pro velório. Disse que é a ultima semana e quer a cabeça aqui.

Outro episódio que deu o que falar foi a reunião do Felipão com alguns “papas” da imprensa. Como foi isso aí dentro?

Na realidade as coisas acontecem sempre… bem, tem definições pessoais que você tem que ter na vida. E você tem pessoas com quem tem liberdade, consideração, amigos mais chegados. E no fundo foi isso. Ele conversou com os amigos, com quem tem relacionamento bom, nada dirigido, muito mais nessa linha de relacionamento. E interpretaram mal, porque não participaram. Mas ele resolveu fazer um bate-papo pra trocar ideias, dentro de um processo natural. Como um café com amigos, pra conversar. Nenhum objetivo específico. As vezes você quer falar com A ou B, não com todo mundo. E o Felipão tem um lado afetivo muito grande, é muito leal, tem sentimento. É muito humano, sensível até, diferente do que parece.

Ele conversou mesmo que gostaria de ter um substituto, uma troca no grupo de jogadores?

Não. A visão é diferente. Ele quis dizer que queria ter oportunidade de ter uma substituição, porque durante a competição muda o conceito de tática, de modelo de jogo. E as vezes você tem que readaptar com outro jogador. Não que esteja insatisfeito com alguém, mas algo para mudar agora. Olha, o Van Gaal acabou dizendo que ele tinha razão, Você sente a necessidade de um jogador diferente pra um modelo tático diferente, talvez não previsto, porque a competição muda. Ele falou conceitualmente, não sobre uma pessoa. A mesma coisa agora, porque que não se pode substituir um jogador lesionado, como Neymar e Di Maria? A Fifa não permite. Mas é conceitual.

Sobre a postura do Thiago Silva nos pênaltis contra o Chile: eu entendo a emoção depois do jogo, mas antes ficou uma coisa meio “capitão-do-navio-italiano”…

Você tem que respeitar o momento das pessoas. Tem quem não gosta de olhar. É uma decisão pessoal. Tem quem baixa a cabeça, quem vira… é uma reação humana. Não tem protocolo pra obedecer naquela hora. A vida não pode ser assim, “você é capitão, você tem que estar lá e levar o primeiro tiro”. Naquele momento ele reagiu assim. A gente respeita.

Mas o Paulinho assumiu outra postura.

Mas veja, essa são atitudes que as pessoas assumem no momento. A liderança vem no momento inesperado, em que de repente alguém tem uma reação inadequada e o Paulinho assumiu, O Victor, por exemplo, passou o crucifixo para o Julio e disse, “com esse aqui eu peguei aqueles pênaltis no Atlético Mineiro”. Todos se ajudam.

Aquilo acabou passando um recibo de que a pressão estava muito alta. Ainda está?

O problema não é esse. Era sair antes da semifinal, porque seria uma vergonha, a gente tem essa preocupação toda. Não que tenha diminuído agora, mas é uma situação diferente. Agora são as quatro melhores do Mundo. Na realidade é isso, se saísse… bem, havia uma expectativa muito grande. O pessoal bateu no Parreira pq ele falou que é favorito. Ele não podia dizer que não era! Como não é, se é cinco vezes campeão e joga em casa!? Tem que falar. Mas havia uma pressão pra não passar vergonha. Agora já entra num nível de competição que em 2 partidas pode ser campeão do Mundo.

E quem vai ser o novo Amarildo?

Olha… não sei. Amanhã vou saber. Amanhã ele vai fazer treinamento. Tem possibilidades, tem o William, talvez outro modelo… o normal é entrar o Willian, ele tá bem, a pancada não foi nada. Volta o Luis Gustavo né, pela direita tem o Fernandinho, o Oscar, talvez Willian, Hulk e Fred, talvez seja isso. Mas vamos ver.

Está gostando da Copa?

Está surpreendentemente acima de todas as expectativas. Principalmente pela imprensa internacional, que colocou muitas dificuldades e agora é uma das melhores dos últimos 30 anos. Em campo, tudo muito igual, olha a Holanda com Costa Rica, pênaltis. Brasil teve jogo difícil, Argentina fez 1 a 0 e ficou segurando. A própria Alemanha, ganhou de 1 a 0 só, muito equilibrado. Estádios cheios, os aeroportos estão sem problemas, o jeitinho brasileiro resolveu. De uma forma geral, a Copa é um sucesso e é bom para o Brasil.

Qual seria a final do sonhos?

Brasil x Argentina, e ganhar deles. É que nem Atletiba, mas eu não quero ser vice não. Seria legal. Pra mim seria uma honra ser campeão. Fechar com chave de ouro minha passagem no futebol, só 4 anos e meio desde que peguei o Coritiba quebrado. Meu sonho era dar um título maior ao Coritiba, mas dei a minha contribuição. Mas se der seria muito bom pro povo. Impressionante ver as crianças e jovens, e os jogadores são meninos. A gente ve o carinho a seleção foi adotada por cada brasileiro.

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