O choro não é livre

Julio Cesar chora antes dos pênaltis: alta pressão (Imagem: reprodução)

As imagens de Julio Cesar chorando antes da decisão por pênaltis contra o Chile, nas oitavas de final, e as de Neymar deitado no campo, saindo amparado por Felipão após a vitória, deixaram muito claro o tamanho da pressão que esse grupo de jogadores está carregando, se é que alguém ainda não havia percebido. E, infelizmente para os brasileiros, ficou a impressão de que esse grupo não conseguirá suportá-la até o final.

O choro, caro leitor, não é livre para esses 23 homens e a comissão técnica. O esporte de alto rendimento em geral pode ser resumido pela excelência da execução dos movimentos treinados. O ser humano não é uma máquina. Os atletas da Seleção têm, ao menos em média, um alto grau de capacidade técnica. Tem-se discutido muito o aspecto tático do time de Scolari, mas ontem o Mundo viu que a Seleção Brasileira carece mesmo é de reforço emocional.

Julio Cesar foi fantástico nos pênaltis. Pegou dois e – pode olhar no ângulo de trás do gol da última cobrança – induziu Jara a forçar o chute, o que resultou no tiro na trave. Mas, convenhamos, era apenas a partida de oitavas de final. O Chile foi um grande adversário, mas está longe de ser o mais perigoso ou qualificado no caminho do título. E o emocional da Seleção deu sinais de fraqueza na decisão. 

Dirão, “Mas o Brasil venceu, você mesmo disse que Julio foi fantástico!” É um fato. Como é fato de que o Brasil sentiu demais a lesão de Neymar, sumido no segundo tempo, e que terminou o jogo com a coxa inchada. Fosse qualquer outro jogador e Felipão teria substituido. Mas não Neymar. Se o técnico da Seleção tirasse o craque da partida, o Mineirão iria murchar, com a sensação da derrota iminente. Felipão acertou ao mantê-lo, mesmo jogando com um a menos, numa decisão parecida com a de Zagallo na final de 1998. Mas errou ao não tirar Oscar, ao não assumir o risco 100%. Deixou a substituição na manga para sacar Neymar apenas se este estivesse a beira da morte. Não confessará publicamente, claro, mas a própria coletiva prometendo mais agressividade deu a deixa: Felipão se sentiu acuado.

Essa é uma Seleção que chora demais. Chora porque é jovem e já tem uma responsabilidade do tamanho do Planeta nos ombros. Chora porque o Brasil já perdeu uma Copa em casa e todos sabem o que foi da vida de Barbosa e os demais após 1950. Chora porque sente que talvez não esteja a altura do desafio. Chora porque até mesmo o torcedor está acuado, falta vibração, e isso chega ao gramado. Mas, repito, o choro não é livre.

A CBF já deve ter percebido isso. Ainda há tempo para reverter esse quadro. O Brasil não é a Alemanha, que em 2006 aplaudiu uma derrota na semifinal em casa pois reconheceu ali o esforço. É cultural do brasileiro dizer que o vice ou uma boa campanha não valem nada. Mas é preciso pensar no que vem por aí e ajudar a diminuir a pressão. Se perder, perdeu. Neymar seguirá sendo o nome para os próximos anos. A geração ofensiva não é boa, mas a defensiva é. Julio Cesar não poderá ser condenado, como adora-se fazer por aqui, por conta do desempenho esportivo. É curioso imaginar que o brasileiro vê em Rubens Barrichello um fracassado, mas exalta Schumacher como um gênio, descartando o fato de que Rubinho era o segundo melhor do Mundo no período, como se isso nada valesse. É importante mudar essa cultura, como legado para o país.

Internamente, muita conversa e cabeça no lugar. Chorar tudo que precisar no ambiente interno. Suportar a pressão. Mirar o título. Não mostrar fraqueza e puxar a corrente de dentro pra fora. É possível e esse grupo tem potencial.

Não pode é deixar tudo ruir por medo do erro, do fracasso. Quem viu Brasil x Chile sabe que um time mais tarimbado, uma Alemanha, Holanda ou Argentina, teria enquadrado a Seleção sem dó. O susto só valeu se houver resposta imediata na atitude dos 23 homens do Hexa.

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