Quero ser Walter

Walter, redenção dos gordinhos e matador

O plantão esportivo informa no rádio: “gol do Goiás”. Difícil não pensar em quem fez o gol. Só nesta terça, contra o então vice-líder Grêmio, foram dois. Walter já tem 23 na temporada pelo Esmeraldino. 

Mudo de canal e vejo o lance: Dida sai jogando errado, acossado pelo bom posicionamento do atacante; ele amacia a bola na barriga, carrega com a direita; o zagueiro se aproxima, ele dá um tapa, de fora da área, com categoria, para botar a bola na rede. No segundo tempo, chapéu no zagueiro e pancada de fora da área. Dois a zero, dois de Walter, o gordinho-artilheiro.

Sei, ele não gosta dessa pecha. Nem eu. Também estou com sobrepeso e a TV só ajuda a aumentar. Walter certamente gostaria que falássemos mais dos belos e importantes gols que conduzem o Goiás para perto do G4 do Brasileiro. Gols que não vêm de hoje: já ajudaram a equipe goiana a voltar para a Série A em 2012. A história do combate à balança já foi melhor contada aqui, pelo parceiro Dassler Marques (outro deste time do sobrepeso, recém-chegado aos casados, o que pode agravar o quadro).

Walter é, com ou sem sobrepeso, o segundo maior artilheiro do País na temporada, atrás de Willian da Ponte Preta. É também a redenção dos gordinhos. É habilidoso, tem categoria e, até onde me conste, não tem perdido chances e chances por estar chegando atrasado nas bolas. Não custou milhões e está esquentando banco em algum clube por aí. É titular de um clube da Série A. Já tem quem fale em Seleção. Exagero?

Não sei se Walter é atleta e está com dificuldades pra baixar o peso, como dizia Ronaldo, que teria um problema na tireóide. Ou se é só um bon vivant, chegado numa picanha e numa gelada, que tem o dom de bater bem na bola e está sempre ligado no jogo. Não me importa, de fato.

O que importa é que é muito legal ver Walter correndo nos campos do Brasil, deixando zagueiros, jornalistas e preparadores físicos atônitos a cada rodada em que seus gols são flagrados com fotos que realçam fisicamente sua prosperidade. Ver um símbolo de alguém que não desiste, tá lá, ligadão, a espera da bola certa, divertindo-se ao jogar futebol profissionalmente. Um pedacinho de cada um de nós, fãs de futebol que nos entregamos ao amendoin e à cerveja a cada rodada, lá dentro, guardando gols atrás de gols, nos entretendo com a próxima peripécia do novo Fenômeno.

Ver Walter vale quanto pesa. Com trocadilhos.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
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