O Papa do futebol no País do Futebol

"Venho... do bairro de Boedo... Um bairro de bandas de rua e carnaval..."

Jorge Mario Bergoglio poderia ser apenas mais um entre os tantos fanáticos do San Lorenzo, tradicional equipe da Argentina, 14 vezes campeã nacional. Poderia se juntar a massa azulgrana aos domingos para vibrar e sofrer com seu time nos jogos do campeonato. Mas domingo é dia de Missa e Jorge Bergoglio não é um torcedor comum. É também o Papa Francisco, maior líder da Igreja Católica, ainda a igreja com mais adeptos no Mundo, cerca de 1,1 bilhão de pessoas. Por isso Jorge, hoje residente no Vaticano, não pôde ver de perto a luta do Ciclón pelo título da temporada, que acabou nas mãos do Newells Old Boys, com o San Lorenzo acabando em quarto lugar, contrariando a fé do Pontífice:

Pois nessa semana o Papa do Futebol visita o País do Futebol. O Brasil ainda é predominantemente católico, o que faz com que a mobilização em cima da visita do Papa seja grande. Segundo o censo do IBGE 2010, 64,6% dos brasileiros são católicos, seguidos de 22,2% de evangélicos, 8% sem religião e 2% de espíritas, com os 3,2% restantes se dividindo entre diversas religiões. Francisco chega ao Brasil em um momento de fé para a torcida do Atlético Mineiro. Derrotado por 2-0 em Assunção na primeira partida da Libertadores, o Galo precisa de um “milagre” para ficar com a taça, só conseguido uma vez em decisões, em 1989, quando o Atlético Nacional devolveu o mesmo placar contra o mesmo Olimpia e depois venceu nos pênaltis. Se o Papa vai entrar nessa ou não, não se sabe. Mas, anteriormente, ele já deu força ao time mineiro – leia aqui.

Em 1980, na primeira visita do antecessor João Paulo II ao Brasil, a torcida do Fluminense colocou o então Papa dentro do futebol. Na decisão do estadual contra o Vasco, os tricolores entoaram um canto que ecoa até hoje: “A benção, João de Deus” (veja abaixo). A fé colou e o Flu ficou com o título nos pênaltis. A visita ainda acirra a rivalidade no Paraná. Detentor do maior público da história no estádio do Coritiba, o Atlético vê o Coxa contestar a informação usando o Papa. Para o Coxa, a visita de João Paulo II é o recorde oficial do estádio e não os 67.391 torcedores que acompanharam a vitória por 2-0 do Furacão sobre o Fla, na semifinal do Brasileiro em 1983.

Futebol e religião se misturam a todo momento. E não só no Brasil. Em Roma, o Papa costuma receber jogadores e torcedores em busca de um apoio espiritual para suas missões. A última bola dividida foi na decisão da Copa da Itália, transmitida pelo Terra no primeiro semestre. Romanistas e laziales procuraram Francisco pedindo benção. Ele atendeu às duas equipes, mas a taça ficou com a Lazio de Hernanes – conhecido também, vejam só, como “o Profeta”.

A agenda do Papa será apertada no Brasil. Chega nesta segunda e fica até domingo, sempre com eventos. Talvez consiga ver pela TV um ou outro jogo, em semana de Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão. Em Aparecida do Norte-SP, na quarta, terá a oportunidade de ver a enorme coleção de camisas de futebol que estão no santuário, levadas por fiéis que querem ajuda para seus clubes, de torcedores a jogadores.

Faixas e camisas no Santuário de Aparecida

Do Brasil, Francisco voltará à Roma. Não irá ao bairro de Boedo, onde poderia acompanhar, na semana que vem, a estreia do San Lorenzo contra o Olimpo pelo Torneo Inicial 2013 e quem sabe se juntar aos hinchas na arquibancada.

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
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