Alex para presidente

Alex, em discurso para a torcida do Coritiba: politizado (Imagem: AI Coritiba)

A entrevista de Alex à Radio 98 de Curitiba repercutiu em todo o Brasil. Durante a semana comemorativa do tetracampeonato estadual, não foram poucos os cronistas nacionais que fizeram questão de elogiar o meia pela conquista – cito aqui os colegas André Kfouri (ESPN BR/Lance) e Mauro Beting (Band) entre eles. Alex não marca só pela qualidade técnica, mas porque é um dos poucos a falar o que pensa. E tenho a impressão que falará ainda mais quando se aposentar.

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Em meio a euforia pelo título estadual, Alex teve que explicar – mesmo estando ausente do jogo –  os 1-4 sofridos em Manaus para o Nacional, pela Copa do Brasil. O atual bi-vice-campeão da Copa ficou em situação delicada para tentar seguir na competição justamente no ano em que um dos maiores ídolos do clube (o próprio) está de volta e um time “milionário” foi montado, com Deivid, Botinelli, a manutenção de Rafinha, e outros menos badalados. “Somos fracos mentalmente”, disse o camisa 10 coxa-branca, dando a entender que faltou concentração no Amazonas. O preço pela empolgação do tetra paranaense pode ser caro.

A própria conquista pode ser ilusória. Alex não pode dizer com todas as letras, até para não diminuir o próprio feito, mas ao dizer que “o futebol paranaense inexiste”, criticando o desempenho nacional das equipes e a pouca força do campeonato, assume que o time fez apenas a obrigação em ser campeão – o que não tira o mérito da conquista – e que preocupa para o Brasileirão que vem aí. Alex ainda disse que “o Londrina teve uma sobrevida” e sequer citou o Paraná, grande algoz no início da carreira. Sinal de que vê – corretamente – o Paranaense como um grande “par ou ímpar”. Ao menos é o vencedor desta disputa.

O meia, ao criticar a falta de acerto para sequer se jogar os grandes clássicos em um estádio maior, vai em choque contra a própria diretoria. Afinal é dela – e, claro, da do rival Atlético – que saem os desacertos. Experiência de quem jogou no futebol europeu, onde o futebol é tão paixão quanto aqui, mas é muito mais rentável. Bons negócios são bons negócios. Talvez aposentado e dirigente, Alex alugaria o Couto Pereira ao rival e faturaria com isso. Talvez Alex veja o futebol como ele é, sem deixar de ser o maior exemplo de coxa-branca devotado, recusando até a Libertadores para ser campeão no clube.

Não poupou nem a própria torcida: como é possível que o Coritiba, com um dos maiores parques associativos do País (cerca de 30 mil sócios) não tenha uma média de público superior a 12 mil pessoas? Outra coisa que Alex não pode falar – ainda – é que certamente o torcedor está enjoado de estaduais longos, fracos e com fórmulas mirabolantes. 

Por isso lanço a campanha “Alex para presidente”. Com a experiência de quem jogou e conhece o negócio como poucos, pode ser a voz que mude o futebol brasileiro daqui pra frente. Ele no Coritiba, Rogério Ceni no São Paulo, Seedorf no Botafogo e alguns poucos mais que se arriscam a sair do lugar-comum nas entrevistas. Será a grande chance de vermos os discursos na prática e, quem sabe, livrar o futebol brasileiro de alguns ransos. Será que deixam?

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