A crise do Bahia ainda não atingiu o ápice

Bahia massacrado pelo Vitória duas vezes consecutivas: rotina?

Inauguração da nova Fonte Nova, momento histórico para a nova casa do Bahia: Vitória 5-1 no clássico. A goleada fez o técnico Jorginho cair do comando tricolor. Chegou Joel Santana, em oito de abril. Pouco mais de um mês, duas vitórias, três empates e duas derrotas depois, Joel é demitido após novo massacre no Ba-Vi: 7-3 Vitória e título encaminhado ao Barradão. Nesta quarta (15/05), mais um vexame: a vitória (1-0) sobre o Luverdense-MT foi insuficiente para evitar a eliminação em casa, após a derrota por 0-2 na ida.

O Bahia está ensaiando a repetição dos seguidos vexames entre 2003 e 2006, quando mergulhou no poço da Série C nacional. O “seu sete”, apelido dado ao rival Vitória em 1972, após uma goleada sofrida para o Ceará (2-7), já havia dado as caras naquele período, na queda para a Série B (0-7 Cruzeiro e 4-7 Santos) e até mesmo no pior momento do clube, na Série C 2006, onde permaneceu com uma goleada nas costas por 2-7 para o Ferroviário-CE. São estatísticas históricas, que podem deixar de ser só coincidência quando o Brasileirão começar.

Leia também:

Repensando o futebol brasileiro

Felipão tem razão em não levar Ronaldinho

Semente

“Não dá pra competir, o problema é profundo e é financeiro”, me disse o ex-técnico Jorginho, em visita ao Portal Terra no mês passado. Jorginho se refere ao orçamento do Bahia em comparação a outros grandes do País. Por isso, diz, o clube deveria investir em um time forte fisicamente e rápido. “O time que está lá é ruim, lento e pesado e eu disse isso a eles. Você tem uma ou outra boa peça, como o Fahel, mas no geral, não dá.” Jorginho ainda não havia visto o sucessor Joel levar 7 do Vitória de Caio Júnior, veloz e em (outra) tarde inspirada.

Jorginho negou qualquer problema com o elenco, mas nos corredores do clube, a história não é a mesma. O presidente Marcelo Guimarães Filho tem seus preferidos entre os jogadores e, digamos, é persuasivo para garantir a escalação dos mesmos. É notoria a preferência por Souza e Titi, entre outros. Perguntei isso diretamente a Jorginho, que fugiu do assunto. Em Salvador, comenta-se que Souza chegou a intimar a diretoria com um “ele ou eu” no caso do primeiro dos recentes ex-treinadores. Joel Santana, por sua vez, nem teve tempo de se criar no clube nessa passagem. Nenhum dos dois, diga-se, esteve em campo contra o Vitória na última goleada.

Uma lista com 14 jogadores dispensandos foi divulgada com apenas três jogadores com mais de cinco jogos entre os titulares: os laterais Magal e Pablo e o meia Paulo Rosales. Os demais, eventuais substitutos e até quem nem atuou, como o atacante Erick.

Há ainda quem critique a relação próxima da diretoria com o empresário Carlos Leite, que é parceiro do Bahia desde a retomada de divisões do clube, em 2009. Leite agia no clube por intermédio de Paulo Angioni, que caiu do cargo de diretor de futebol com a última goleada. Até então, inúmeros negócios foram feitos – nem sempre com vantagens ao clube, como explica o colega Dassler Marques. Com a saída de Angioni, é preciso saber como ficará essa relação.

O torcedor por sua vez já percebeu que o destino, como a coisa anda, é negro. Na partida pela Copa do Brasil contra o Luverdense, a torcida organizou um movimento chamado “Publico Zero”, para que ninguém fosse ao estádio. Apenas 1.145 pessoas compraram ingresso, segundo o borderô, sendo que muitos ingressos foram distribuídos gratuitamente. Acostumado a lotar estádios, o Bahia amargou a eliminação e um prejuízo de R$ 42 mil na bilheteria, sem contar a renda perdida por não avançar na competição nacional.

Campanha da torcida do Bahia na internet: ambiente rachado

Com um contrato com a Fonte Nova, mas rachado com a torcida, eliminado da Copa do Brasil e virtual vice-campeão baiano, além de ser desde já um favoritíssimo à queda para a Série B nacional, a crise do Bahia parece estar apenas engatinhando. Quem conhece o histórico do clube, sabe que é importante agir a tempo de não refazer a viagem ao fundo do poço. 

 

Siga Napoleão de Almeida no Twitter: @napoalmeida
Gostou do blog? Curta a FanPage no Facebook!

Opine!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s