Abrindo o Jogo – Coluna no Jornal Metro Curitiba de 12/12/2012

Salve(m-se d)o Corinthians

Enquanto você lê esse texto, o Corinthians provavelmente se tornou finalista do Mundial de Clubes da Fifa. Com todos os méritos, com todas as justiças, como diria aquele apresentador. Se o imponderável não entrou em campo com a camisa do Al-Ahly, o Timão chega a decisão do Mundo numa partida que pode significar o início de uma doce rotina corintiana, amarga para a imensa maioria de clubes do Brasil. Nesta semana o clube paulista apresentou renovação de contrato com a fornecedora de material esportivo: R$ 30 milhões anuais, a maior do Brasil. O Corinthians faz por onde. Vende mais. Tem ainda o maior patrocínio de camisa de uma única empresa e é o clube que mais recebe cotas da TV. Por cima (o clube ainda tem receita de sócios e outros patrocínios) só as três fontes de renda citadas dão ao Alvinegro paulista R$ 184 milhões. Quem não é Corinthians, que se prepare: será quase impossível parar o Timão.

Pontos corridos ou mata-mata?
Velha discussão. Desportivamente, é justo que a definição do campeão nacional saia de um torneio de regularidade. Melhor para quem tem fôlego (leia-se dinheiro). Claro, o Al-Ahly pode ter pregado uma peça e eliminado o Corinthians e aí você pensando: “viu só?” Pois se aconteceu, foi em um mata-mata. A Copa do Brasil já atende esse anseio e equipes de pequeno porte (Santo André, Paulista, Juventude) já ergueram o caneco. Mas a discussão não reside nisso e sim em outro tema: a distribuição de renda.

Brasil, um país de todos?
Ver a tabela do Brasileirão é praticamente o mesmo que olhar a tabela de distribuição de cotas. Só o Palmeiras não está entre os 12 primeiros, substituído pelo Náutico (o Coxa é o 13º). Os 11 demais são os que mais recebem, com alguma distinção entre si. Botafogo e Atlético-MG, com menor porte que o restante, vão no embalo dos vizinhos. Atlético e Coritiba abrem o grupo dos relegados, que ainda têm Sport e Bahia, quatro clubes que poderiam muito bem ocupar a faixa dos alvinegros de Minas e Rio. Responsabilidade de quem assina os contratos, caminhando para um Brasileirão cada vez menos competitivo. Recentemente o Coxa comemorou o aumento de valor no contrato de R$ 30 para R$ 54 milhões. Entretanto, o aumento também atingirá os demais. O Flamengo, par do Corinthians como os que mais recebem, saltará mais 40 milhões na conta – quase o total do Coxa, só de acréscimo. Tenho narrado jogos do Campeonato Alemão, um dos melhores do Mundo, como o Inglês e o Espanhol. Alemanha e Inglaterra distribuem as cotas de três maneiras: potencial de audiência, classificação do ano anterior e um percentual fixo igual para todos. São as ligas mais fortes do Mundo e em pontos corridos. No blog napoalmeida.com, continuo o exercício. Apareça.

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